OEsquema

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Deus está precisando urgentemente de Media Training

Eu sempre achei estranho que quem fizesse as leis para as mulheres fossem os homens. Eu sei que existem mulheres no poder por aí. Mas sabemos que elas são minoria, e quem vota em leis que dizem respeito a assuntos relacionados unicamente a mulheres – como, por exemplo, a legalização do aborto – são, em maioria, os homens.

Da mesma maneira, são os homens que decidem o que deus pensa sobre as coisas e devo dizer que isso também me incomoda. E gostaria de dizer que aqui uso o termo ‘homens’ me referindo à humanidade, mas não, falos de seres humanos do sexo masculino, mesmo: os altos cargos da Igreja Católica são sempre ocupados por homens.

Como se isso não fosse suficiente – quer dizer, falar por deus e pelas mulheres, ao mesmo tempo, sendo o oposto dos dois - eles querem decidir que uma menina de 9 anos que foi estuprada pelo padrasto e engravidou de gêmeos não merece entrar no reino dos céus. Veja bem, quem decidiu isso foi um homem, de não deus, de forma que fico feliz que provavelmente essa sentença do homem não tenha validade nenhuma. A não ser que deus seja um cara esquisito.

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Achei uma foto do arcebispo de Olinda e Recife caindo dentro de uma vala e achei adequada

Ainda assim, segundo os mesmos homens, o padrasto que estuprou a menina de 9 anos ainda merece a chance de tentar entrar. Quer dizer, ele provavelmente vai ser barrado na porta (ok, isso se deus não for um cara esquisito, de novo), mas tem a chance de tentar. À mãe e à menina (aos médicos, também), o direito foi negado. Aposto que eles não dormem mais à noite por isso.

Até porque a igreja provavelmente não mantém um banco de dados atualizado em tempo real com o nome dos excomungados. Então se você for lá, em outra paróquia, e fingir que nada aconteceu, vai poder continuar fazendo todas as coisas – se confessando, tomando hóstia e casando, se quiser (e pagar). Eu sempre me perguntei o que aconteceria se eu entrasse na igreja no meio de uma missa e tomasse uma hóstia. O pãozinho queimaria minha boca porque eu não fiz primeira-comunhão e crisma?

Excomunhão por excomunhão, eu acho que, se deus não for mesmo um cara esquisito, a palavra desses caras de chapéu e roupa esquisita não vale merda nenhuma. Especialmente depois desse episódio, que me fez perder um pouco mais de respeito por alguns dogmas absolutamente incompreensíveis da Igreja Católica. Pra quem também se encheu, tá rolando um modelo de carta pra você enviar pra sua diocese, com um pedido formal de excomunhão. Experimenta enviar e depois tomar a hóstia pra ver se a língua queima – eu nunca tive coragem. Deus pode ser um cara esquisito. Antes, lê o melhor texto sobre esse episódio que eu li na internet, no blog do Marcos Guterman.

Mas tem mais gente falando em nome de deus – e eu nem tô falando do Inri Cristo. Eu, no lugar dele, já estaria chateada. Acontece que na última semana o Submarino disponibilizou sua mais nova super-oferta na área de informática, o moderno e arrojado PC Gospel. Eles já tiraram a oferta do ar (acredito eu que tenha sido obra divina), o PC seria uma iniciativa da – adivinheeeeem? – Fundação Renascer e consiste simplesmente no seguinte: lembra como era seu PC em 1997?

Eu lembro. Ele tinha de HD o que eu tenho no meu pen drive, 8GB. Ele tinha de RAM menos que o meu iPod tem, 64MB. Ele lia CDs e só acessava a internet por linha telefônica, a 56kbp/s. E ele rodava Windows 98.

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Criador durante teste do PC Gospel

O PC Gospel é isso. Quase isso. Porque usa peças remanufaturadas – na época, meu PC só usava novas. E roda Linux. E CUSTA NOVECENTOS E VINTE E NOVE REAIS. O blog ‘Uma Visão do Mundo’ conseguiu dar print antes da parada sair do ar, e até fez comparação com o PC mais barato da linha atual da Positivo. PC Gospel pra mim, tem um nome – e é estelionato de Jesus. É tanta, mas tanta picaretagem, que até os insiders sacaram – leia este texto no site Notícias Gospel Mais.

Seja lá onde deus estiver, se ele não for um cara esquisito, talvez já fosse hora de ele fazer alguma coisa a respeito desse monte de gente que decide as coisas em nome dele. Deve ser muito chato esse negócio de ver os outros falando por você, especialmente quando você é o criador de todo o universo. Talvez ele precisasse de um porta-voz oficial… isso, um assessor de imprensa! Vai ver eu encontrei minha vocação. Vou mandar meu currículo.

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Devo sim, e to pagando. Me desculpe. Quer um café?

Alguém teve uma idéia muito, muito assustadora, lá na Espanha. Já ouviu falar dos Cobradores de Fraque?

Cobrador de Fraque

Uma empresa disponibiliza uma série de sujeitos especializados em cobrar devedores de uma forma bem mais inteligente, específica e ‘sob demanda’. Esses sujeitos, vestidos de fraque (de um jeito até meio circense), visitam os devedores que já foram cobrados pelos ‘métodos tradicionais’ mas ainda assim não pagaram a dívida.

O Cobrador tem como objetivo constranger o devedor. Ele vai até sua casa, te diz alegremente que você está devendo. Se você disser que vai pagar, e não pagar, ele volta e toca a campainha de todos seus vizinhos e os avisa que você está devendo, quanto e para quem. Se for o caso, volta para o escritório e faz um intenso trabalho de pesquisa para descobrir alguns de seus contatos profissionais, potenciais clientes e parceiros, liga para todos e conta tudo sobre sua dívida e a maneira como você não a paga desde 2002. A Band fez uma matéria sobre eles no fim do ano passado:

Na Espanha, a prática já está tão difundida que o cobrador não chega ao nível do ‘vou espalhar pra todo mundo’. Normalmente, a pessoa trata de pagar rapidinho se receber o cobrador em sua porta, que é pra evitar todo o resto. A idéia é basicamente o seguinte – se você deve, vou fazer com que todo mundo saiba disso. A probabilidade de que você pague é maior.

Os serviços estão funcionando, e a Cobrador recebe como pagamento parte da dívida paga. Em alguns casos, chega a comprar toda a dívida por um desconto, e quando recebe tem bons lucros. Apesar de estar se expandindo e abrindo filiais na Itália e em Portugal, no Brasil ela nunca vai chegar. O Código de Defesa do Consumidor veta qualquer tipo de ‘constrangimento’ público por parte de credores pra forçar o pagamento de dívida.

Bom para mim, já que ninguém me deve. Mas se devesse, eu juro que ia gostar de ter um serviço desse à disposição.

Muita gente deve desde sempre, a crise só intensificou a coisa. Tirando o possível aumento depois da invenção do cheque especial e do cartão de crédito, porque merda acontece, e às vezes você gasta com a certeza de que terá um dinheiro que por algum motivo não vem.

E ai começam as cobranças. Fica um fulano de uma financeira ligando pra você pra supostamente te lembrar o tempo todo que você deve, o que é absolutamente ineficaz. Normalmente ninguém que pretende pagar esquece que deve. A não ser que seja uma conta que você esqueceu de pagar, você sabe quando deveria ter pago algo e deliberadamente não pagou porque não teve dinheiro para isso. Acho que a maioria das pessoas normais é assim. E se você esqueceu que deve e precisa ser lembrado seguidamente, é provavelmente porque não tem intenção de quitar a dívida. Embora talvez Alzheimer também gere sintomas semelhantes.

De qualquer forma, o objetivo da mulher que te liga da financeira pra ‘te lembrar’ que você precisa pagar alguma coisa é te encher o saco até que você desista de ouvir encheção (e fique com medo de ter o nome registrado no SPC, também) e pague.  Claro que há maneiras de contornar isso, o que torna o sistema todo ainda mais ineficaz. Você pode não atender telefones na sua casa, e pedir pra que ninguém te passe telefonemas provenientes do Banco Y; você pode instalar um bina e decorar pelo menos o prefixo do número que normalmente liga cobrando, daí não atende mais àquelas ligações;  e, no último caso, se você quiser for do tipo estelionatário, não paga, deixa teu nome ir pro SPC e espera ele sair, três anos depois. A dívida continua existindo, mas seu nome não está mais sujo e você pode contrair mais delas.

Tudo isso, no fim, significa o seguinte: pagar uma equipe de telemarketing pra cobrar indivíduos devedores não compensa financeiramente. Quem quer e pode pagar não precisa ser cobrado duas vezes por semana. E quem não quer não vai fazê-lo porque tem uma mulher que fica ligando. Pros credores, uma empresa dessa é muito, muito mais eficiente. E destaca a bizarrice do sistema, que consegue capitalizar tudo, até mesmo a não-capitalização.

(Li sobre a Cobradores na piauí do mês de fevereiro, e boa parte das informações do texto vem de lá. Tem também uma matéria no G1, da qual eu tirei a foto)

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Sequestrador ameaçou polícia com pistola difícil de encontrar

Na semana passada, no município de Samambaia, no Distrito Federal, um senhor que responde pelo nome incomum de Bejamiro Emídio de Jesus, ficou bem louco num bar e decidiu que faltavam R$42 em sua carteira. Talvez ele tenha se dado conta disso depois de gastar R$42 em cachaça, mas isso não vem ao caso.

Eu nem preciso ficar bêbada pra abrir a carteira e perceber que falta bela muito, muito dinheiro. Mas Bejamiro não é homem que leva desaforo pra casa (quer dizer, ele levou pra casa, mas não pra dele): ele ponderou e decidiu invadir a residência de algumas das pessoas que estavam com ele no bar, para reaver os R$42 na marra, e fez quatro pessoas de reféns por cerca de 10 horas.

A polícia militar do DF prendeu Bejamiro, e divulgou as fotos da operação policial. Agora vamos brincar do jogo dos 7 erros, mas finja que você só precisa encontrar um deles (clique na imagem para ampliar).

Sequestro no DF com Light Phaser

Nada de errado? Ok, vou te dar uma dica. Leia este link na Wikipedia.

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Sim, meu caro. Este senhor ameaçou a polícia por cima de uma mureta com uma pistola a laser usada no Master System, uma Light Phaser. Muita gente já falou desse FAIL policial, mas Bejamiro também portava facas quando foi preso, e em uma das fotos ele ameaça uma das reféns com uma faca, então ele não era de todo inofensivo.

O G1 conversou com alguns especialistas em games que deram quase 100% de certeza que é uma Light Phaser. Mas não precisa ser especialista em game pra reconhecer, comparando as duas fotos. A polícia disse que vai ‘periciar’ a arma pra descobrir se não é uma arma de verdade disfarçada de Light Phaser (tudo bem que seria extremamente engenhoso e, sem querer desdenhar de Bejamiro, não acho que ele perderia tempo construindo tal equipamento – ele é do tipo de pessoa que invade casa de gente aleatória supondo que roubaram-lhe R$42), e eu gostei da palavra ‘periciar’, porque ela concede um aspecto muito mais profissional e científico ao ato de olhar a parte da frente do cano da pistola e ver se ali tem um buraco por onde poderiam sair balas ou se tem um pedaço de plástico transparente.

O mais triste de tudo é que o o moleque (um dos sequestrados é um menino de 15 anos, que eu suponho que tenha herdado a raridade de outro deles, o irmão de 19) tinha um fucking Master System, um videogame que foi criado antes de eu nascer. Mas não era tão ruim – apesar dos gráficos pífios, ele tinha uma pistolinha de luz, que elevava a diversão e a interatividade da coisa a uma potência quase comparável a de um Nintendo Wii. E agora tudo que ele tem é um Master System.

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Univerxadrez

E daí que cheguei na faculdade esse ano e encontrei os batentes das portas ornados por uma caixinha preta com um led que, dependendo da situação, era verde ou vermelho.

A única vez em que tinha me deparado com algo parecido foi quando me aventurava na Rússia soviética como agente secreta da coroa britânica. No Nintendo 64, jogando 007 Goldeneye – as caixinhas nas quais você deveria encostar as credenciais que abriam as portas eram iguaizinhas.

007

Normalmente a gente não precisa alvejar os soldados antes, mas acho que é uma das próximas medidas

Um pouco de conversa com os amiguinhos foi o suficiente para sacar que, muito embora eu não fosse mais agente secreta na Rússia soviética, aquelas caixinhas eram mesmo autenticadores de credenciais. As portas da universidade não usam mais o defasado sistema de chave na fechadura. As portas só se abrem com o professor passando o crachá.

Moderno, arrojado, primeiro mundo. Economiza tempo, porque o professor não precisa ir até a sala dos professores buscar a chave quando chega. E aumenta a segurança. Lindo.

Só tem uma coisa. Junto com as caixinhas pretas, veio uma nova política gatekeeper na faculdade – uma vez fechada pelo professor que entrou na sala, a porta não abre mais pelo lado de fora. Lá, encontra-se apenas uma maçaneta falsa, travada, pura ilusão para constranger o aluno que pegou recorde de trânsito em SP ou que só quis mesmo passar no bar antes de entrar – só pra ver se tinha alguém lá, sabe como é – ou seja lá o que for que fez o cidadão atrasar.

A política nova obriga ao aluno bater na porta e esperar que o professor abra. Toda vez em uma aula que um aluno chegar atrasado o professor será obrigado a parar a aula, desviar a atenção de toda a sala para o aluno em questão e abrir a porta pra ele. Para cada aluno atrasado. Todas as vezes que um aluno chegar atrasado, o professor terá oportunidade de olhar bem para a cara dele, pois terá sido ele mesmo quem abriu a porta. E como eu sei que tem uns professores bem loucos, tenho certeza que algum deles será capaz de negar ao aluno a abertura da porta.

Eu não consigo expressar minha indignação diante de tamanha… sei lá, catracalização. Porque quero usar palavra de redação da FUVEST. Porra, será que teve mamãezinha ligando e reclamando que o filho tava indopro bar? Estamos numa faculdade, não na oitava série. Daqui a pouco, a gente vai ter que pedir pra sair da sala se quiser ir no banheiro.

Fico imaginando sob qual pretexto um grupo de pessoas resolve tomar uma atitude dessa numa universidade. Tem lá a mesa diretora, com o reitor, o conselho educacional e sei lá. E alguém sugere inutilizar as maçanetas do lado de fora – como um grupo de pessoas concorda com isso? Que explicação eles pretendem dar aos alunos para justificar uma decisão dessas?

O mais frustrante é o contraste diante de uma situação recente – meu irmão, que passou na Unesp, veio com seu ‘Manual do Bixo’ para casa. O livro, que explica toda a dinâmica dos cursos, todas as atividades possíveis disponíveis aos alunos na faculdade, tudo mesmo, é escrito pelos próprios. Eles até falam mal da reitoria. E o livro é impresso na gráfica da Unesp. A diferença entre a minha e a dele podia ser só o ‘n’, mesmo. Pena que é mais que isso.

A única coisa que aluno imprime na minha faculdade é resumo de livro que não leu, 10 minutos antes da prova. Gráfica? A faculdade deve ter, mas alunos não usam, óbvio. O contato mais próximo que os alunos têm com organização espontânea de coisas dentro do ambiente acadêmico é a organização de festas, atividade desempenhada, aliás, com muita maestria.

Não bastavam as catracas na entrada e a obrigatoriedade de carteirinha pra uma delas, agora você precisa da permissão e da ação do professor pra entrar na aula. Aguardem o próximo capítulo, em que minha mãe terá que assinar com um visto de ‘ciente’ um bilhete escrito por um dos meus professores dizendo que eu não me comporto na aula. Pff.

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Post it #04

Post it no Olhômetro - logo#Não vá perder esta incrível oportunidade

Promoção Olhômetro

E não se trata de tapetes persas, anéis de brilhantes ou lindos quadros. É a 1ª e badalada promoção cujos prêmios não fazem sentido, aqui mesmo, neste blog. Dá pra ganhar camisetas, vale-compras no Submarino de até 100 pilas e um chocolate. Corre e participa.

#Interação ferroviária
Tava no trem, com uma gripe do cacete. Nariz escorrendo à beça e tal, muitos lencinhos nos bolsos. Aí tava de pé de frente pra um moço que tava sentado; fui tirar um lencinho do bolso, já usado, mas saíram dois e um caiu na mão do moço.

Não sei o que me deu, mas como ele não reagiu – tipo balançou a mão pra jogar o negócio longe ou mexeu a cabeça em direção à mão pra ver que porra era aquela – supus que ou ele estivesse dormindo ou estivesse morto. Peguei o papel de cima da mão dele e eu, ele e todo mundo ao redor fingiu que nada tinha acontecido. Tudo isso numa fração de segundo, claro.

#Laiá-laiááá
Pagode sempre me atrapalhou, mas acho que ninguém nunca pensou que pagode poderia atrapalhar tanto tanta gente. O ônibus do Exaltasamba tombou nesta terça na Régis Bittencourt, bem na volta do feriado, e bloqueou o trânsito por duas horas e meia.

Mas fique tranquilo. Não houve nenhum ferimento grave. Aliás, sabia que o Exaltasamba, assim como Danilo Gentili, Dani Calabresa, Lucélia Santos e eu, é de Santo André? Só orgulho.

#Vida bandida
Chorei de rir, e fazia tempo que um vídeo não fazia isso.

Queria ter as manhas de fazer essas legendas. Meu ouvido não funciona assim, foneticamente. Nunca consegui, nem aqueles vídeos literais nem nada assim.

#Maconha na cultura escandinava
Thor era adepto do uso da droga. (Esqueci de dizer – CLICA na imagem pra ver o que há de engraçado nela, por favor)

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#Jornalismo moleque
Tudo a Ver, da Record, soltou essa pérola terça na hora do almoço (não sei o nome da âncora, mas vamos lá):
“Agora, essa dica é pra quem ainda acha que dá tempo de aprender a tocar tamborim neste carnaval”.

O comentário do meu irmão (que nem é da área, mas deve ter ficado crica de tanto conviver comigo) foi absolutamente pertinente – algo como “puta merda, isso que é matéria direcionada a público de nicho”.

#Como fazer um lago desaparecer em menos de uma hora
Nem Harry Potter conseguiria, na boa. Só em São Paulo, mesmo

#Acharam a Atlântida no Google Ocean

Atlântida no Google Earth
Sério, olha aqui. E o Google já desmentiu, dizendo que a foto é real mas que isso não é Atlântida, não. Mas pensa comigo – isso é óbvio, né? O Google não poderia confirmar e passar como doido. Pra mim, acharam Atlântida mesmo. Mas se mantiveram a coisa escondida por tanto tempo, não ia ser agora que iam revelar, não é? Você vai ver – daqui a algum tempo, o assunto vai morrer e essas coordenadas no Google Ocean vão surpreendentemente virar uma tela azul, sem textura nenhuma.

#Você vai conhecer agora a história de um menininho muito guerreiro

Charlinho só queria estudar – embora ele também quisesse um pouco de batata. Mas ele queria estudar, e queria batata.

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Pátria amada, Brasil: o nacionalismo não faz nenhum sentido

A primeira reação que a pessoa padrão teve quando ouviu pela primeira vez a história da brasileira mentirosa na Suíça que se auto-riscou com estilete provavelmente foi “esses neonazistas são uns animais sem coração”. E mesmo com a história toda sendo uma grande mentira depois, pelo menos provocou em mim uma reflexão sobre esse conceito tão pervertido e causador de tanta intolerância, o nacionalismo.

A primeira vez em que percebi que existia algo errado com esse negócio de sentir orgulho em pertencer a uma “nação” foi no colégio, quando um professor não cantou o hino nacional durante alguma dessas ocasiões especiais. A coisa toda acabou causando alguma polêmica, e quando fui conversar com ele a respeito, veio o tapa na cara – metafórico, claro: “Nação? Pátria? Para pra pensar e tenta descobrir o que essas coisas significam, qual o sentido e o conceito delas”, ele disse.

Daí eu fui subvertida. Porque nem precisou de muita reflexão pra perceber que o conceito de pátria e nação é todo calcado em cima da idéia de que todos os seres humanos nascidos na parte de dentro de uma linha geográfica imaginária (esta definida por outros seres humanos iguais a ele) se sentem parte de um mesmo grupo e, principalmente, sentem orgulho disso.

Esse orgulho, quando alimentado adequadamente, é o que faz um soldado matar outras pessoas por seu país em uma guerra, e num nível mais avançado, é o que gera o sentimento de superioridade em relação a outras pessoas, iguaisinhas, mas que por desígnios fora de nossa compreensão vieram a nascer do lado de lá da tal linha que nem existe de verdade. A intolerância surge daí.

Digamos que isso até faça sentido num país culturalmente bem homogêneo (embora não faça, mas é uma hipótese). O que você me diz sobre a homogeneidade cultural, social ou econômica do Brasil?

Você não me diz nada, porque no Brasil é no mínimo ingenuidade e no máximo ignorância falar de ‘homogeneidade’. São centenas de milhares de costumes, de níveis sociais, até de línguas – ou você me diz que o português falado em São Paulo é igual àquele lá do interior do Pernambuco?

Ok. Então digamos que o conceito de nação seja baseado em etnias. É absurdo, Hitlerístico, mas novamente apenas uma hipótese. No Brasil seria um fracasso ainda maior. A gente é tão misturado que boa parte de nós não é identificável exatamente como latino, ou como caucasiano, ou como negro, ou como oriental.

Mas era tudo hipótese – a gente sabe que eles baseiam a idéia de pátria nesse negócio de linha imaginária, mesmo. E eu nunca vou conseguir me sentir colocando a mão no coração e cantando uma música que fala um monte de mentiras junto com um monte de gente muito diferente, só porque nós todos nascemos do lado de dentro da mesma linha imaginária.

Eu não compartilho quase nada com aquelas pessoas, e não sinto que todos aqueles filhos não fugirão à luta se a clava forte da justiça for erguida. Eles – a gente – fogem todos os dias, quando não faz nada pra mudar nada do que vê.

Não se trata, entretanto, de anti-nacionalismo. Eu não me sinto orgulhosa de ser brasileira; mas também não tenho vergonha disso. Eu só não me sinto classificável como pertencente a um grupo que compartilha dos mesmos anseios, necessidades, cultura e espírito, porque esse grupo não existe e porque aqui no Brasil, ali do lado na Guiana Francesa, em Fiji ou no Timbuktu, é tudo igual. Se há um espírito para incorporar, ele engloba todas essas pessoas, e não só aquelas que quando vieram ao mundo estavam localizadas dentro de uma área demarcada em um papel.

Auto-flagelação é algo que choca, porque é claramente uma irracionalidade. Mas você nunca parou pra pensar que esse conceito, o de nação, de unidade, de PÁTRIA, é tão irracional quanto? Se sentir melhor que outras pessoas que não nasceram dentro de uma linha inventada é na realidade um grande absurdo se você colocar os termos de maneira 100% racional, especialmente num país como o nosso.

No Brasil, você sabe quando a gente se sente parte de uma coisa só, não sabe?

Regina Casé e Marcos Pontes
Que orgulho heim

Não é quando a Regina Casé faz matéria em Angola ou quando a gente manda um astronauta pra fora do planeta.

É quando tem Copa do Mundo. E isso não é uma crítica nem um elogio – é só uma constatação.

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10 coisas que eu adoro sobre o Carnaval


1. Folga no feriado

Funciona assim: tem uns 3 dias, parece, em que você pode comer carne e fazer todo tipo de excesso porque depois vai passar 40 dias como padre sem poder fazer nada. Isso se você for católico. Praticante. Muito. Daí, esse feriado religioso foi incorporado de forma generalizada pela sociedade num estado laico, e todo mundo tira folga nesses três dias pra poder cometer os excessos à vontade. Mas depois, na quarentena, ninguém entra em abstinência de nada (como a gente bem sabe), então nada faz sentido aqui, só o fato de não ter que ir pro trabalho.

Só que eu trabalho no Carnaval, então não acho que esse item se aplica a mim. Ignore essa informação quase insignificante.

 

2. Sorvetes de graça

sorvete apetitosíssimo
Aparência convidativa, mas foi o mais próximo do original que consegui achar

Quando tinha uns 10 anos, passando o Carnaval numa colônia de férias, teve uma gincana relâmpago em que qualquer criança que subisse no palco naquela hora pra cantar uma marchinha de Carnaval (seja lá qual fosse) ganharia um sorvete. Eu não sabia nenhum, mas a então namorada do meu pai – hoje mulher dele - me ensinou um trechinho: “‘Ó jardineira, por que estás tão triste? Mas o que foi que te aconteceu?’ ‘Foi a camélia que caiu do galho, deu dois suspiros, e depois, morreu’”.

Decorei esse trecho, subi lá e, enfrentando a vergonha e os olhares reprovadores dos coleguinhas – afinal, era só UM sorvete, e quem subisse primeiro e cantasse qualquer marchinha ganhava - e cantei esse negócio. Daí ganhei um vale sorvetinho.

Parece que na hora eu fiquei meio confusa: primeiro, porque era uma música trágica pra cacete pra ser cantada alegremente pelas pessoas, com dedinhos levantados, ainda por cima, como se fazia no carnaval. Depois, acho que nem sabia que a camélia era uma flor – provavelmente pensei que era o nome de uma mulher, tipo Amélia (só que com C antes), o que provavelmente também causou alguma confusão, já que fiquei me perguntando o que ela fazia em cima daquele galho.

O problema é que nunca aprendi o resto da marchinha, e até hoje me pergunto que fim levou a camélia e a moça, jardineira, que por ela chorava. E fico pensando, também, se na época em que a marchinha foi escrita as pessoas tinham mesmo tempo de chorar por camélias que caem de galhos.

 

3. Enfrentar reprovação de grupos socialmente opressores

Na mesma colônia de férias, mas num carnaval anterior, houve uma oficina de fantasias. Eu, sempre muito precoce e à frente do meu tempo, resolvi também confeccionar a minha, ainda que todas as outras meninas que participassem do grupo tivessem 13 anos e eu tivesse uns 7, talvez menos.

Era de se esperar que menininhas nessa idade, já com instinto maternal possivelmente aflorado, me acolhessem como a mascote da turma que confecciona fantasias de fadinha. Mas não foi o que aconteceu, como você observa com exclusividade nesse clique certeiro da minha avó (clique na foto para ampliar):

 Fadas mais velhas me desprezando

Mesmo assim, enfrentei os preconceitos e desfilei na avenida (acho que era só na área aberta da colônia, mas eu tenho imaginação, ok?) ao lado de todas as garotas grandes e invejosas da minha astúcia e sagacidade precoces.

 (Nesse item, agradecimentos ao meu irmão que passou na Unesp direto sem cursinho e nem é nerds PARABÉNS VC É FODA PQPQPQPQPQP, pelo trabalho imenso executado ao ter de me enviar a foto por e-mail)

 

4. Camisinhas de graça

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Aparentemente, o Ministério da Saúde está bem mais otimista em relação ao meu Carnaval do que eu. Na porta da estação de trem, ganhei duas camisinhas meio vagabundas e um livretinho ensinando que coisas transmitem AIDS e que coisas não transmitem AIDS (mas ali não tinha todas as coisas que NÃO TRANSMITEM, nem todas que TRANSMITEM, só as mais populares e relacionadas ao carnaval, acho. Não tava escrito que soltar pipa não transmite AIDS, por exemplo, mas acho que é porque as pessoas não soltam muita pipa no Carnaval. De qualquer forma, você entendeu o espírito), além de ensinar também a colocar a camisinha e de ter a Negra Li na capa perguntando “Qual é sua atitude na luta contra a AIDS”?

Resolvi deixar as camisinhas na gaveta.

Do trabalho. Porque vou trabalhar no Carnaval. E se eu me f*der no plantão, ao menos estarei protegida.

(A piada completa foi construída num diálogo descompromissado pelo Twitter com o Dieguito. Créditos também pra ele, portanto)

 

5. Hum…

Não achei mais nada que adoro no Carnaval. Desculpe. Os itens 6 a 10 ficarão vazios, mas pra página não ficar feia, vou colocar uns personagens irados pra você se inspirar na hora confeccionar sua fantasia (e não cair no ridículo de participar de uma oficina onde todas as meninas façam a mesma fantasia de fada. Vou te dar opções).

 

 

6. Sonic: the Hedgehog

Sonic: the hedgehog

7. Bob Esponja

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8. Mickey Mouse

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9. Bidu

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10. O Homem-Aranha

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Crônica sobre chutar a bengala de um velhinho

Eu nunca atrapalho ninguém. Esse é meu mote na convivência social urbana. Apesar da cidade ter me transformado num monstro apressado, que sai pela estação desviando das pessoas com habilidade, dificilmente eu trombo nas pessoas, deixo de pedir licença ou as atrapalho. Sou educada, simpática e até converso com pessoas que puxam assunto na rua, sejam as loucas ou as normais. Mas hoje aconteceu. Digo, hoje atrapalhei uma pessoa. Não que nunca tivesse atrapalhado antes – provavelmente já aconteceu, mas sem querer. E não que dessa vez tenha sido proposital… ok, explico:


Eu vinha pegar o ônibus para o trabalho e comecei a descer as escadas que levavam à plataforma. De lá de cima, vi que o ônibus já estava estacionado, o que significava que poderia partir a qualquer momento. Comecei a técnica que consiste em tentar descer as escadas rapidamente desviando das pessoas. Tinha na minha frente um carinha descendo devagar, que não dava espaço pra que eu fosse pela esquerda. Logo paramos – um grupo de surdos-mudos conversava no meio da escada. Daí desviei deles e continuei. Outro cara veio, subindo, na minha frente. Desviei; mais outra pessoa descendo com calma e tranquilidade, já no pé da escada, e um cara que foi subir pelo lado errado (o direito meu, esquerdo dele) bruscamente e do qual eu consegui desviar. Ufa.


Mas no desvio desse último, acabei sendo jogada pra cima de um senhor que vinha caminhado pela plataforma, de bengala. Ele tinha uma loooonga barba branca, à lá papai-noel, e caminhava lentamente. Eu o vi – e, embora tenha feito isso muito rapidamente, não parei, porque provavelmente meu cérebro calculou que se eu levantasse um pouco a perna, conseguiria passar o pé por cima da bengala e continuar correndo em direção ao ônibus.


Não sei se calculei mal. Não sei se ele me viu e assumiu que, como era deficiente físico, eu pararia e o deixaria passar. Só sei que eu acabei, sem querer, esbarrando o pé na bengala do velhinho.


Não cheguei a chutar, nem nada. Ele também não chegou a se desequilibrar, bambear as pernas ou coisa assim. Foi um esbarrão – mas ele ganhou um contorno de crueldade terrível, porque era um senhor de bengala. E porque eu nunca vou me esquecer da maneira como ele me olhou.


Foi mais do que indignação. Foi algo como “cansei de ser humilhado por esses jovens”. Ele ficou boquiaberto, de verdade. Parou, abriu um pouco a boca e me olhou como o monstro horrível que eu fui ao esbarrar na bengalinha dele.


Envergonhada, e percebendo que ele só estava indignado mesmo (e que eu não o havia machucado ou algo do gênero), pedi desculpas de maneira audível e com as mãos levantadas e continuei correndo em direção ao ônibus, que consegui pegar (e demorou mais uns 5 minutos pra sair).


Nesses 5 minutos, o velhinho passou ao lado da janela. Não tive coragem de olhar. Percebi que ele voltou, pra direção contrária de onde tinha vindo – isso despertou na minha cabeça uma espécie de “também, o véio fica passeando de bengala na plataforma de ônibus”, pensamento que foi logo podado pela culpa que ainda toma conta do meu ser.


Tava um puta trânsito no caminho, o que me fez sentir mais culpada – afinal, atropelei o velhinho pra nada. Mas fiquei pensando, e pensando, e pensando. E pelo menos a situação toda me fez ver muita coisa de um jeito diferente.


Por natureza, sou uma pessoa meio ansiosa. Vocês precisam me ver falando – eu sou muito esquisita. Falo super rápido. Eu tenho uns níveis de rapidez da fala, e eu regulo de acordo com o interlocutor: por exemplo, com familiares próximos eu falo numa velocidade abismal, porque sei que eles vão compreender; com gente desconhecida, quase sempre me lembro de falar devagarinho. Mas às vezes, se deixo a emoção tomar conta, o filtro que mede a velocidade de compreensão do interlocutor acaba falhando e eu falo rápido demais e ninguém entende.


Isso acontece porque a minha cabeça funciona a mil. Se eu não falar logo, meu pensamento ultrapassa a velocidade da fala, e aí eu acabo me perdendo no raciocínio. Pra escrever, sou igualzinha. Todo mundo fica dizendo “OH MEU DEUS COMO VOCÊ DIGITA RÁPIDO”. Mas não é exatamente porque eu quero. É porque se eu não fizer assim, me perco no meio da coisa.


Da mesma maneira, minha paciência é ultra-limitada. Não sei se foi o ‘morar na cidade’, mas eu sou um pouco… impaciente ao andar na rua. Tenho um objetivo, chegar até o lugar X – logo, vou fazer isso da maneira mais rápida possível, especialmente se tenho um compromisso com hora marcada. Portanto, me irritam muito pessoas que param no meio de escada pra amarrar o sapato, gente que para no meio do corredor da estação pra olhar pra qual dos lados ir… parar é permitido, ok, mas pare num lugar apropriado. Ou sinalize que vai parar, sei lá. Sempre que eu vou parar no meio de uma calçada, eu dou uma olhadinha pra ver se tem gente andando atrás. Se tiver, em vez de parar bruscamente, eu faço uma curva rápida na direção daquilo que eu vou observar. Assim, paro e saio do caminho do fulano atrás de mim. Não atrapalho ninguém.


Quando eu ando pela rua e vejo (o tempo todo) gente mal-educada, que esbarra nas pessoas e não pede desculpas, empurra velhinhos, não dá lugar pra aleijados… eu julgo essas pessoas. Eu as acho animais incivilizados e sem educação, que não pensam no próximo, que atrapalham as outras pessoas.


Mas naquele momento em que sem querer chutei a bengala do velhinho eu percebi que existem animais incivilizados sem educação e existem pessoas que estão num dia ruim, com pressa, ou que às vezes fazem uma merda tão grande que têm vergonha de pedir desculpas, mas que não são gente ruim e mal-educada. São pessoas normais num momento ruim, com um movimento mal-calculado.


O problema é que tem tanta, mas tanta gente no mundo, que mesmo se considerarmos que todo mundo é educado por definição, e tiver um dia ruim, digamos, por mês, será muito fácil que encontremos várias pessoas sendo mal-educadas por dia.


É estatística, é injusto, e se o velhinho entendesse isso ele provavelmente não me fulminaria com aquele olhar que eu jamais esquecerei.


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Jesus inspirou as camisetas mais geniais de todos os tempos

Tá que a moda na interwebs descolada na última semana foram as camisetas do cersibon. Até eu comprei a minha. Mas não posso deixar de trazer pra vocês estas (mais) incríveis camisetas:

Demais, né? Você, que adora colecionar camisetas engraçadinhas – tenho certeza que você quer uma. Pena que essas são as camisetas com propósito mais FAIL já concebidas, porque não existe ironia nenhuma nas frases escritas nelas. É tudo de verdade. E o fato delas serem sérias só as torna mais engraçadas (algo como a pitada sutil de humor presente no Movimento Cansei)

Elas são vendidas pelo Passion for Christ Movement, uma organização cristã que aparentemente luta pelo resgate de jovens de hábitos terríveis, como ser uma diva ou ser ateu e os incentiva a usar camisetas que divulguem a todos seu testemunho de conversão. O movimento reúne vídeos de jovens que (usando as camisetas) contam que antes viviam no pecado, na droga, na postrituiçsão, e agora são novos seres-humanos.

De qualquer forma, o resultado é tão bizarro que as camisetas são geniais. Não sei se a P4CM entrega no exterior, mas vou tentar adquirir a minha de Ex-Diva em breve. A de Ex-Hipócrita vou dispensar. Usá-la criaria um paradoxo difícil de explicar.

Não é nada contra a vontade de exibir no peito sua conversão pra Gesuis. Embora aquelas camisetas e adesivos escritos “JESUS” sejam meio mal-vistos e considerados ligeiramente bregas, tem aquele pessoal da Bola de Neve que até é descolado e tal. Mas os textos nas camisetas, de tão absurdos e preconceituosos, se tornam irônicos e portanto engraçados. Fora que nenhum fornicador usa uma camiseta escrito “Fornicador”, então porque ele haverá de usar uma de “Ex-fornicador” quando deixar de ser um? E a questão principal – o que dá mais vergonha (ou é mais engraçado): usar uma camiseta escrito “Ex-fornicador” ou uma escrito “Fornicador”?

Vai ver o viés cômico dos textos não é casual. As camisetas foram pensadas pra aqueles que foram convertidos, mas também foram pensadas pros que estão no caminho errado, só conseguem enxergar o absurdo irônico de tudo isso e, portanto, vão gastar dinheiro comprando a camiseta mais engraçada que já viram. Pensar um produto assim, dubiamente, deve ampliar muito o público que o consome. Estratégia mercadológica. Amém.

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As coisas que a pré-escola nos ensina sobre as pessoas (mas que nós somos jovens demais para enxergar)

Tem um monte de músicas em inglês com a seguinte letra em algum ponto: “If I knew then what I know now”. Numa tradução rústica, isso é algo como “Ah, se eu soubesse então o que sei agora.” Em português, não soa bem numa música (a não ser que seja uma do Los Hermanos), mas é a mais pura verdade – ou você nunca parou pra pensar no sofrimento que teria evitado no passado se tivesse a experiência de vida que tem hoje?

Eu não me lembro se a minha mãe me deu alguma orientação específica antes do meu primeiro dia de aula na vida, nos idos do pré. Algo do tipo “seja boazinha com seus amigos”, “não aceite lanche de estranhos” ou “não atinja a tia com esses lápis”. Me lembro que chorei quando ela me deixou na porta do Mundo Mágico (que de mágico tinha muito pouco), e que o primeiro diálogo que travei nesse ambiente inóspito e desconhecido (enquanto me esgoelava, me esforçava para responder) foi:

- Oi. Por que você está chorando?
- Porque (suspiro) eu (suspiro) quero (suspiro) a minha (suspiro) mããããããããe (berro)!!!!!!!!!!!!!!
- Qual seu nome?

Veja, que simpatia. Crianças de 6 anos, largadas à própria sorte durante 5 longas horas no pátio de uma escolinha de bairro são capazes de, em poucos minutos, sentirem compaixão umas pelas outras. Esse rapazinho veio até mim e se interessou pelo meu sofrimento, então comecei a me acalmar e respondi:

- É Ana Paula.
- Ah. Então para de chorar senão vou contar pra tia que a Ana Paula tá chorando.

E daí que eu concluo que, apesar de a minha mãe não ter me dado nenhuma indicação antes do primeiro dia, ela deveria. Ela deveria ter me alertado já naquela hora: filha, os filhos da puta existem. São congênitos e estão por toda parte. Você vai começar a encontrá-los hoje.

Pré-escola
Hostilidade, selvageria e Lei do Mais Forte são as palavras de ordem aqui

Quero abrir seus olhos para isso. A maioria das pessoas com quem você gostaria ou não de sair é reconhecível já na pré-escola. E não se trata daquele menino gordinho que senta em cima dos outros garotinhos, ou da menina loira com olhos estranhos que te morde. Esses são óbvios. Tô falando de nuances mais sutis da personalidade, de características que aqueles doces pimpolhos virão a demonstrar quando adultos, mas que já na pré-escola dão as caras.

Eu me lembro com certa clareza que costumava jogar as coisas na mochila – lápis, borracha, régua – de maneira aleatória, por algum motivo que eu desconheço, em vez de agrupá-los na bolsinha que eu tinha e que havia sido criada para isso (conhecida popularmente como estojo). Isso já no pré. Daí eu não achava nada na mochila (estava tudo lá, mas eu não achava), então pedia um lápis emprestado para minha amiga Beatriz*, que tinha um estojo com toda a sorte de lápis e canetas possíveis, incluindo aquelas com brilhinhos, cheirinhos, luzinhas e todas essas firulinhas.

A minha amiguinha Beatriz*, em vez de me emprestar a porra de um lápis pra eu desenhar na aula da tia, dizia: “Minha mãe não me deixa emprestar material”.

Eu tinha vontade de dizer à minha amiguinha Beatriz* que ela estava sendo uma escrota, já que a mãe dela não estava ali naquele momento, e que por esse motivo não a veria me emprestando o lápis. Como a mãe dela não tinha, até onde eu soubesse, mediunidade, ela não saberia que a Beatriz* tinha me emprestado o lápis se ela não contasse. Daí eu devolveria o lápis no fim da aula e tudo estaria bem.

Mas eu não dizia nada disso. Afinal, minha amiguinha Beatriz* poderia ficar magoada. E eu acho que essas coisas não passavam de verdade pela minha cabeça de 6 anos.

Mas nesse pequeno exemplo hipotético, já pudemos identificar dois comportamentos que se estenderam pro resto das nossas vidas (minha e da Beatriz*):

Eu continuo desorganizada. Coloco as coisas na mochila por impulso, em vez de alocá-las nos compartimentos reservados para elas, de modo que quando preciso de coisas como as chaves de casa ou uma caneta, não as encontro mesmo evirando a mochila, e preciso pedir (no caso da caneta) uma emprestada aos colegas de sala, que felizmente não dizem mais “minha mãe não me deixa emprestar material”, mas sim “eu só tenho essa”, o que é uma mentira muito mais convincente;

A Beatriz* continuou uma egoistinha mimada, com sua lancheirinha, mochilinha, estojinho e sandalinhas da Barbie, e hoje provavelmente mantém o estojo cheio de canetas com cheirinhos e brilhinhos e coisinhas, e provavelmente até empresta o material para suas asseclas, mas em troca de favores sociais;

E é só se lembrar de todas as pessoas que estudaram com você na vida inteira: mesmo depois que a gente cresce e vai, sei lá, pro ginásio, e depois pro colégio e depois pra faculdade, todos esses perfis continuam existindo (e aqui só dou exemplos reais): a menina que te regula um gole de água, o cara que rouba chaveiros das bolsas das meninas, o outro que nunca leva caderno, nem caneta e sempre que tem atividade pede uma folha de fichário emprestada… eles estão lá, e sempre estiveram. É que na pré-escola você ainda não tinha experiência suficiente pra notá-los. Bem que nossas mães poderiam ter nos avisado. Vai ver que é por isso que a gente chora no primeiro dia.

*Nome provavelmente fictício. Não lembro do nome de nenhuma dessas meninas que regulavam lápis com a desculpa idiota de que a mãe não deixava emprestar, mas uma delas podia muito bem se chamar Beatriz. Mas isso é mera coincidência.

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