OEsquema

Arquivo: Há mais entre o céu…

Saboreando as ilusões do mundo moderno

Vai ver eu tô meio velha.

É que eu sou de uma época, desculpa a caretice, em que se você tá com vontade de comer, digamos, um frango assado, vai à padaria de domingo e pede um frango assado. Se tá com vontade de comer peito de peru, vai lá, manda fatiar 300 gramas, embrulha, chega em casam bota no pão e come. Tradicional mesmo, sabe? Culinária moleque. Uma época em que, se você quisesse tomar Coca-Cola com limão, você espremia o limão no copo, colocava a Coca e tomava. Lembra aquele barulho da Coca caindo no copo? Você bebendo? O “aaaaaaaaaahhh”?

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Sim, essa batata frita é sabor champanhe. Não, não quero falar sobre isso. Grata.

Sou dessa época aí. É que hoje em dia tá tudo meio esquisito. Você chega pra comprar refrigerante, já tem a opção que vem com limão. Vai pegar a batata frita, e encontra as versões frango assado, presunto e queijo, azeitonas… peraí, bicho. Se eu quiser frango assado, vou comprar um. Eu quero batata frita, pô. É tão mais barato comprar azeitona. Se eu quisesse azeitona, comprava um potinho de azeitona. E eu tenho capacidade mental de espremer o limão num copo antes de tomar o refri.

Daí, vai comprar Miojo. Miojo tem de tudo né – galinha (e é caipira, não é de granja. É sabor ‘galinha caipira’), bacon, carne, churrasco, caldo de feijão, creme de brócolis, pizza, quatro queijos… porra, tu quer me fazer acreditar que eu vou simular, com 10 gramas de pó amarelo, um molho quatro queijos?

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Desconfio que o sabor picanha é um meio termo entre o sabor churrasco e o sabor carne. Mas é só suposição

Pior é aquelas coisas sabor ‘churrasco’. Veja bem, ‘churrasco’ não é nada. Pode ser qualquer coisa que vai na brasa. O mais curioso é que esses quitutes têm de fato o poder de ter gosto de qualquer coisa que vai na brasa! Não sei o que é, talvez uma mistura de fumaça com curry. É tipo o ‘sabor pizza’. É uma puta invenção sacana o tal sabor pizza, porque não existe ser nesse mundo que ligue na pizzaria e peça uma pizza sem especificar um outro elemento, que geralmente é o sabor dela. Ou seja, pizza necessariamente tem sabor da outra coisa que tá em cima dela. Mas ninguém vai fazer um salgado sabor ‘pizza de quatro queijos’.

Outra parada que virou moda, sério, é doce de limão. Tipo, não torta e bolo de limão, que são bons – tipo WAFER DE LIMÃO e TRAKINAS DE LIMÃO, de cor verde, com o corante gritando desesperado EU NÃO PERTENÇO A ESTE LUGAR, POR FAVOR, ME TIRE DAQUI. Quem gosta de limão (e na boa, eu posso falar de limão) sabe que limão é tipo das melhores coisas do mundo, e justamente por isso sabor artifical de limão é uma merda, porque qualquer pessoa que tentar copiar um dos melhores sabores do mundo falhará miseravelmente. Não é bom. Por favor, não façam mais bolachas de limão.

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A cor dá uma aparência bem natural pras bolachinhas

E há, também nesse campo dos sabores, o grande mistério do tutti-frutti. Outro dia li assim numa embalagem: ‘sabor artificial idêntico ao natural de tutti-frutti’. Alguém já comeu um tutti-frutti? Não existe sabor natural de tutti-frutti, a não ser que alguém tenha sido capaz de misturar todas as frutas numa grande… argh. Mesmo assim, tenho uma certa quantidade de certeza que o gosto dessa gororoba não seria parecido com o dessas coisas tutti-frutti.

É a concretização daquelas previsões de filmes de ficção científica antigos, que mostravam astronautas consumindo comida em forma de pílulas. Nessa toada, isso não tá muito distante. Pílula sabor pizza. Pílula sabor Miojo de galinha caipira. Pílula sabor Miojo sabor pizza sabor frango com catupiry. É a beleza da metalinguagem da flavorização.

Pois bem. Voltando ao que rolava na minha época, lá quando você queria ter um cachorro, comprava um cachorro. Queria um lhama, comprava um lhama. Um caracol? Comprava um. Uma fada? Comprava uma fada.

Nos nossos tempos, um filho da puta vai lá e transforma o pobre poodle dele nesses bichos.

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Conheça assuste-se com o garboso Poodle-Camelo. E fica mais cruel que isso, porque não chegamos ainda ao Poodle-Panda (imagens fortes):

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Clica no link lá em cima, por favor. Tem Poodle-Cavalo, Poodle-Jack Sparrow, Poodle-Galinha e até, deus me perdoe, Poodle-Buffalo. O ser humano dá passos longos em direção ao inferno quando bola essas aberrações.

Tudo o que consigo pensar ao olhar para a cara desses cãezinhos é: ainda bem que você são cãezinhos. Porque têm mães que fazem coisas parecidas com os filhos, vestindo eles com fantasias e achando tudo muito bonitinho.

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Sobre o destino e cocô de pombo

Você acredita em destino? Acredita que o universo arranja as coisas para que você esteja na hora certa, no lugar certo para que as coisas aconteçam (ou não) com você?

Se você assiste Lost, pode ser que seja um believer. Uma pessoa que, como eu, acredita que os planetas podem se alinhar e coisas estranhas podem acontecer, e que nenhuma delas é por acaso.

Vamos ser estatisticamente diretos. Quais as chances de um cocô de pomba cair na sua cabeça? Por sua, entenda a minha. Minha cabeça.

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Elas devem ser altas se você estiver, por exemplo, embaixo de uma marquise em que as pombas costumam pousar. Mas caem se você estiver embaixo de um lugar coberto. Caem mais se você estiver caminhando. Mais ainda, suponho, se estiver a três ou quatro passos da porta do trem que vai pegar.

Embora eu estivesse em condições em que, aparentemente, as chances de que uma pomba cagasse na minha cabeça fossem mínimas, eu demonstrei que sou uma garota de sorte. No breve espaço de tempo (e de plataforma) que me separava da porta aberta do trem, senti algo batendo na cabeça.

Andar na cidade e ter que lidar com o ‘algo batendo na cabeça’, como você que anda na cidade sabe, é um momento crítico. O momento entre sentir o pingo, se dar conta dele e criar coragem para levar a mão até o cabelo e olhar parece uma eternidade, especialmente porque você sabe que elas (as pombas) estão por todos os lugares, cagando sobre você quando podem. Naquele momento, porém, não tive medo. Frações de segundo antes do tiro, minha melhor amiga @gabrielahesz alertou (não a tempo, mas alertou): “Cuidado! Um pingo!”

Pois bem. Era um pingo. Se era um pingo, eu não precisava me preocupar – bastava entrar no trem, encontrar um lugar, sentar-me e então ver se tinha molhado meu cabelo ou coisa assim. Mas quando o fiz, eis que tive uma desagradável e inesperada surpresa.

Fez coco

Não era um pingo comum. Quando olhei minha mão, ela estava – desculpe ser tão descritiva – suja com um negócio verde que claramente não era um pingo, a não ser que água fosse verde, o que eu sei que não é, perspicaz que sou.

Meu caro amigo, é com tristeza que lhe digo que o momento em que você se dá conta que se fudeu é desses únicos. Mas eu sou prática, sou alegre, tenho desenvoltura. Enquanto minha amiga @gabrielahesz chorava de rir da minha situação deprimente, eu sugeri que ela pegasse a toalha na minha bolsa (VIU PORQUE A GENTE SEMPRE PRECISA DE UMA TOALHA NA BOLSA MEU DEUS) e tentasse me ajudar a limpar… a merda.

Não vou nem mencionar a sorte de estar acompanhada, e mais, por alguém que me limpasse sem reclamar, exigindo em troca apenas a chance de rir descontroladamente da minha cara. Terminado o asseio, @gabrielahesz me informou que a situação estava sob controle. Eu havia tomado apenas um tiro de raspão, e a toalha tinha feito um bom trabalho. Naquele momento, meu cabelo parecia apenas ensebado.

Já tendo enfrentado o pior, antes de respirar aliviada, sugeri – até agora não sei se por sorte ou não – que a prestativa @gabrielahesz desse uma olhada no lado esquerdo da minha blusa, já que a toca poderia estar tampando algum respingo maroto ou algo assim. Me inclinei e, certa de que estaria tudo bem, soltei a respiração. Até que ouvi o grito de @gabrielahesz, que disse algo mais ou menos assim, antes de cair em prantos provocados por uma alegria descontrolada – AH MEU DEUS TEM MUITA MERDA

Eu visualizei uma piscina de cocô de pombo dentro da toquinha da minha blusa. @gabrielahesz não se controlava, e a enquanto tentava em vão usar a toalhinha para minimizar o dano, murmurava desesperada AH MEU DEUS NÃO TÁ SAINDO, TEM MUITA MERDA AQUI, enquanto eu procurava me manter calma.

Esqueci de mencionar que o vagão estava cheio.

Mas isso, no fim, não foi algo ruim. Uma senhora na nossa frente se solidarizou e forneceu lencinhos umedecidos, que por hora tiraram ao menos o que era visível da minha cabeça. Outra moça deu um saquinho plástico pra jogar a toalhinha inutilizada.

Eu cheguei em casa e tomei um banho. A @gabrielahesz ficou dizendo que era sorte, mas eu não vi sorte nenhuma – desde então, só tive stress e dor de cabeça. Até já achei a causa – deve ser criptococose, doença causada por um fungo no cocô de pombo e que dá dor de cabeça crônica. O nome é apropriado.

Aprendi várias coisas nesse dia. A primeira delas é que você nunca está a salvo de merda de pombo, mesmo se estiver andando dentro de uma estação de trem coberta. A segunda é que cocô de pombo não fede. A terceira, não menos importante, é que as pessoas podem ser solidárias ainda nesses dias frios e individualistas. A quarta é que quando algo é pra acontecer, acontece – eu estava voltando de uma confraternização com meu grande parceiro de olhos claros, o Alex, do Move That Jukebox!, carioca que passava por São Paulo, e seu truta Marçal Righi. Tinha marcado com eles às 14h, eles chegaram às 17h. Se Alex tivesse chegado no horário, aquela pomba jamais teria cagado na minha cabeça e eu não teria um post pra hoje. EVERYTHING HAPPENS FOR A REASON

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Eu, Alex (@movethatjukebox) me segurando pelo braço numa tentativa vã de me atrasar para o tiro do pombo, Marçal (@marcall), Gabi (@gabrielahesz), Zorzo (sem Twitter) e Kelly, suja única coisa que sei sobre é o nome

Mas o mais importante: aprendi que, quando você resolve tatuar na nuca algo que é muito parecido com um alvo, deve aguentar as consequências.

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Sobre tatuagens bluetooth, Tarso e um futuro apocalíptico

Às vezes minha cabeça pára de funcionar. E não é quando eu durmo. É como se, atrapalhada pelo excesso de informação e principalmente preocupada pela quantidade enorme de coisas na lista de tarefas e obrigações praquele dia, a parte que se comunica do meu cérebro ficasse momentaneamente incapacitada de produzir.

Eu tô experimentando essa situação nesse momento, já que faz algumas linhas que venho tentando começar um texto sobre uma tatuagem bizarra sobre a qual li esses dias. É uma mistura de tatuagem de Harry Potter (elas se mexem) com chip futurista à là Tarso (clique para ampliar):

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É uma tattoo de interface digital, implantada na pele via microcirurgia, que interage com Bluetooth e usa como energia pra funcionar o nosso próprio sangue, por um processo explicado bem por cima no link original. Sério. Ela tem interface touchscreen, mas não é touchscreen porque NÉ, não tem uma tela. Mas poderia ser touchskin, daria certinho e ainda rolaria um trocadilho maroto.

Não sei se essa parada funciona em seres humanos, se não é uma pegadinha de primeiro de abril, se dá câncer ou interfere no sinal do telefone-sem-fio. Na verdade, ainda estou meio chocada. Sei que depois que você tiver uma pode atender seu celular pela tatuagem. Ela pode exibir vídeos e fotos. Puxa, eu não me surpreenderia se ela tocasse música, tivesse 8GB de memória interna. Ela tem bluetooth! Daria até pra usar fone sem fio. Eu assistiria LOST no meu antebraço, e cara, o quão legal isso seria?

A gente fica discutindo aí a revolução do mobile, da música digital, como a internet vai mudar a maneira de fazer jornalismo… mas daqui a pouco a parada está debaixo da nossa pele e a gente nem vai precisar ser abduzido pra isso. A gente vai QUERER por essa parada debaixo da pele. Especialmente se for um modelo Apple.

É mesmo tão assustador e futurista e Jetsons-like quanto parece, e os Testemunhas de Jeová vão dizer que isso é a prova de que o Messias está chegando, e os evangélicos dirão que essa é a marca da Besta que será implantada em todos os pulsos das pessoas… tanto faz, é sempre a mesma coisa, mesmo. A questão é que está chegando uma era em que os profetas mendigos de rua vão começar a anunciar o apocalipse, e eu vou acreditar neles. Um era em que nos confudiremos com as máquinas. Em que nanorobôs viajarão pela nossa corrente sanguínea curando doenças e aquelas capas aparentemente fictícias da SuperInteressante farão sentido.

Pra mim, só interessa que inventem um dispositivo bluetooth que seja semelhante à penseira do Harry Potter – através de um botão na minha têmpora, eu transmitiria todo o excesso de dados para um cartão microSD localizado, digamos, na unha do meu polegar. Assim, talvez, eu conseguisse organizar meus pensamentos e ideias em pastas e minha mente não fosse essa bagunça. Com ou sem anúncio de apocalipse, aguardo por esse dia.

Por enquanto, fico com minha tatuagem analógica de Dr. Manhattan.

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A verdade sobre as cerejas em calda

Eu não sei como contar isso pra você sem provocar reações imprevisíveis, por isso, vou começar devagar. Não leia se você for gestante, cardíaco e essas coisas.

(Imagine uma musiquinha relaxante bem cafona tocando de fundo. OU MELHOR: DÁ O PLAY! HEH)

Num tempo bem longínquo, quando Deus criou todas as coisas, ele resolveu colocar na natureza uma frutinha simpática e muito saborosa chamada cereja.

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De textura macia e sabor ácido e adocicado, além de um único carocinho em seu miolo, a cereja alimentou viajantes incautos e camponeses famintos por milhões de anos. Deus achou interessante também colocar um cabinho na cereja. Assim, ficaria fácil comer a frutinha e se livrar do carocinho incoveniente.

Milhões de anos depois, o ser humano dominou as ténicas de cultivo da cereja e de sua árvore, a cerejeira. Mesmo assim, como se trata de uma fruta de origem asiática, e nosso país tem um clima muuuuito diferente do da Ásia, é meio caro comprar cereja por aqui.

O homem, com o passar dos anos e a revolução industrial, encontrou maneiras mais fáceis de se alimentar. Maneiras que não exigiam que ele plantasse uma cerejeira ou caçasse um boi. Ele podia ter todas essas coisas mesmo sem cultivá-las ou matá-las. Ele podia pagar para que fizessem isso pra ele. Além disso, o homem inventou as frutas em calda e desidratadas, o que trouxe a natureza para dentro do nosso lar de maneira inexplicável.

Doces sabor cereja são muito comuns no nosso país. As docerias estão repletas deles. Mas você, que num ou em outro Natal já provou cerejas in natura, sabe que o sabor delas difere diametralmente do sabor artificial dos doces sabor cereja que provamos todos os dias. Difere inclusive do sabor da famosa cereja em calda, que é facilmente encontrada em bolos e guloseimas nas padarias do país.

A química avançou de modo incrível, e os bons flavorizantes artificiais simulam com perfeição o aroma e o sabor de alimentos naturais. Mas a cereja… a cereja continua diferente.

É quase… é quase outra coisa.

(AGORA VOLTA LÁ NO COMEÇO E PARA A MÚSICA)

É outra coisa. Cereja em calda, meu amigo… CEREJA EM CALDA É CHUCHU!

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Isso mesmo. A maioria das cerejas em calda encontradas em supermercados é feita de chuchu, um legume que supostamente absorve a cor e o sabor de qualquer coisa. Sei que é difícil de acreditar, mas basta uma olhada mais atenta nas letras miúdas da embalagem para comprovar. O Google tem informações imprecisas a respeito, mas você encontra rumores aqui, aqui e aqui. E esse post esclarece toda a verdade.

Eu clamo pela sua compreensão. Isso não é teoria da conspiração. Não é um boicote à indústria de chuchus. Ou à indústria de cerejas em calda. Minha única função aqui é propagar a verdade.

Eu sei que é difícil, mas chega uma hora da vida que você precisa saber que o logo do Carrefour não é um etzinho e que a Mama Bruschetta não é exatamente uma senhora. E com essa hora, chegam outras revelações – uma delas é que cereja em calda é chuchu.

Isso só prova o quanto vivemos num mundo de aparências, o quanto somos apegados a paradigmas. Se a cereja em calda é feita de chuchu, do que será feito o frango que comemos todos os dias? O bife? O leite?

Fique atento. Não leve especialidade láctea por requeijão. A vida tem desses truques, mas agora você estará preparado.

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Igreja Internacional e o tênue limite entre a piada e a coisa séria

Não é só aqui no blog que as pessoas não sabem exatamente quando eu estou falando sério e quando estou brincando. Isso sempre aconteceu, na minha vida inteira. Eu aperfeiçoei meu sarcasmo e cinismo de tal maneira que em algumas ocasiões nem minha mãe ou meu irmão têm certeza se estou brincando ou não.

Não sei se isso é legal, mas às vezes irrita quando brinco e às pessoas acham que falo sério. O inverso é engraçado, dá pra fazer piada sobre, então tá tudo bem. Mas é muito chato se você faz uma piada e ela tá tão tênue no limiar entre o que pode ser sério e o que não pode que algumas pessoas, mais obtusas, não a entendem.

Claro que não dá pra culpar sempre o receptor da piada. O emissor também pode ter exagerado. Se bem que na minha opinião modesta, a piada fica mais engraçada ainda se alguém considera que aquilo podia ser verdade.

Você já leu alguma coisa no site da Igreja Internacional?

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Aparentemente, a Igreja Internacional não é tão abrangente quanto a Universal, dado que a Igreja Universal abrange todo o universo, e a internacional fica só no que tange as fronteiras no planeta Terra. Ainda assim, vale dar uma conferida.

O site conta as aventuras iradas de uma turma que apronta altas confusões convertendo fiéis indecisos e cobrando dízimos pelo mundo afora via PagSeguro. Não, sério – o blog tem histórias bizarríssimas, chamadas ‘Testemunhos de Fé’ e supostamente enviadas por fiéis, que relatam conversões à religião, arrependimentos, curas e a coisa toda.

Por um detalhe ou outro, eventualmente, você saca que é uma brincadeira. Mas é tão sutil, tão sutil, que eu mesma nunca tive 100% de certeza. E isso me assusta.

Meu nome é Wando, moro em Bauru, tenho 13 anos. Ano passado me envolvi com revistas em quadrinhos e desenhos animados. Era um fã aficcionado de Conan. Ia ao sebo do baú comprar as revistas antigas da Marvel, que na minha opinião, era as melhores.

Depois que chegava do colégio eu ia direto pro meu quarto e ficava lendo aquelas histórias fantasiosas, de um jovem bárbaro que na era Hiboriana saqueava, matava e roubava. Um beberrão que gostava de espada, sangue, vinho e mulheres.

(…)

Bem, nesta época que eu lia Conan eu não frequentava à Igreja, e passei a cultuar os deuses pagãos dos quadrinhos. Sempre antes de uma prova eu rogava à Crom que eu pudesse tirar uma nota boa.

Ok, a história continua com o Wando usando uma cueca invisível comprada de um cigano. Em teoria, absolutamente ridículo. Mas você acharia esse relato deslocado se ele tivesse, por exemplo, associado a um site de fanatismo religioso como o Cutting Edge?

Nesse filme, a cicatriz produzida por feitiço de Harry está localizada acima do olho direito. É interessante que essa é a localização exata em que o sistema Mondex Visa das Filipinas retratou o microcircuito eletrônico implantado na fronte de uma pessoa em sua página inicial na Internet. [Veja http://www.mondexphil.com/default.htm] Talvez a localização exata da Marca da Besta será logo acima do olho direito; em caso afirmativo, o filme Harry Potter é um condicionamento perfeito que está sendo direcionado às crianças e adolescentes. Para aqueles de vocês que não conhecem a profecia bíblica acerca da Marca da Besta, permita-me explicar:

Igualmente risível, de tão absurdo. Mas esse é de verdade. Como o cartaz que li dia desses em frente a uma igreja evangélica, dessas pequenininhas, que são só um galpão. De tão absurdo, parece piada e o fato de não ser torna a coisa mais engraçada. Dizia: “Culto para crianças: terças e quintas, 10h. Culto para japoneses: quartas, às 19h”.

A tristeza é que algumas entidades religiosas fanáticas se tornaram tão absurdas em seus pragmatismos que tem gente em blogs de humor contando histórias em tese absurdas, usando os mesmos termos e padrões, e mesmo assim a gente não consegue identificar totalmente se é piada ou não. Se eu falo sério e acham que é piada, ou vice-versa, só sou boba. Mas quando uma religião tem dogmas que podem ser confundidos com piadas, sabemos que o mundo está tomando um rumo errado. Tipo isso:

O site da Igreja Internacional é uma piada das boas, inclusive o Pastor Silas, fundador da Igreja (falecido essa semana, segundo informa o site). O legal é que eles provavelmente se aproveitam de quem busca termos relacionados a religião via Google pra ganhar grana, porque colocam Adsense no site.

E tem até um botão no canto inferior direito pra doar dízimo via PagSeguro, ou seja, transação online 100% confiável do UOL. É o jeito mais genial de ganhar dinheiro fácil na internet fazendo humor – com um sarcasmo tão sutil que pode ser confundido por fanáticos com relatos reais. Sim, porque você duvida que existe gente que lê o site da Igreja achando que é tudo sério e até doa a grana? Eu tenho certeza que acontece o tempo todo.

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Pela primeira vez, concordo com a posição oficial do Vaticano sobre alguma coisa


Parlamento da Itália criminaliza a imigração ilegal

A Itália tem um problema sério com imigrantes e criminalidade. Têm rolado por lá crimes do tipo estupro e espancamento organizados pelos extracomunes (é como eles chamam os imigrantes ilegais). Isso tem criado um sentimento forte de xenofobia por lá, justificada pela reincidência desses crimes e fomentada pelo conservadorismo do governo do Berlusconi, parece. Frase bonita.

Juntou as duas coisas, lindo, agora imigrar ilegalmente pra Itália é crime. Mas essa não é a parte curiosa da lei.

A proposta aprovada permite a ronda de civis para vigiar as cidades durante a noite, ação que estava exclusivamente nas mãos de policiais (…)

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Tem um monte de gente no sul dos EUA louca pra mudar pra Itália

Aparentemente, isso significa que a nova legislação italiana deu aos civis poder de repressão contra imigrantes. Me parece que se eu for um reaça italiano, e estiver em casa fazendo nada no sábado à noite, posso convidar meus amigos e organizar uma caçada ronda de vigia, pra ver se a gente acha algum desses imigrantes sujos.

Alex e seus drugues ficariam extremamente satisfeitos. Não consigo pensar em outra coisa senão uma Ku Klux Klan institucionalizada ou naqueles filmes sobre a Inquisição em que o povo sai atrás das bruxas de tochas nas mãos. É um país de tradições ocidentais, democratas, e tem gente votando por uma lei que fomenta ódio contra estrangeiros.

Eu entendo que as pessoas entram lá e fodem tudo. Não consigo compreender o sentimento em si porque aqui no Brasil a gente não sente esse tipo de coisa, no naipe de ‘nossa cultura está sendo destruída por invasores de outro lugar’. Mas entendo que realmente seja preciso tomar medidas pra que a imigração ilegal e talvez esse tipo de crime diminuam. Só que por mais bicho-grilo que meu papo vá soar, é todo mundo igual. Você não pode ser considerado inferior porque saiu do seu país e foi pra outro. Eu nem acredito nessas fronteiras geográficas, já disse isso – acho tudo babaquice. E pela primeira vez na minha vida, acho que eu concordo com uma declaração oficial do Vaticano:

Para o Vaticano, a imigração não deve ser reprimida como “uma invasão da qual é preciso se defender”. O presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Refugiados, monsenhor Antonio Maria Vegliò, acrescentou que não pode ser esquecida que a “soberania está vinculada às convenções internacionais e ao respeito a dois princípios éticos: a defesa da dignidade dos indivíduos e a convicção que toda a humanidade, para além das diferenças étnicas, nacionais, culturais e religiosas, forma uma comunidade sem discriminação entre os povos”.

E por que falar disso? Acho que a maioria dos brasileiros sente uma curiosa relação de proximidade com a Itália, provavelmente porque 90% de nós tem ascendência deles. Quando a Itália não tinha emprego no pós-guerra, eles vieram todos pra cá e prosperaram nas fabriquinhas dos Matarazzo na beira da linha do trem. Mas se eu quiser mudar pra lá agora sou caçada?

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Quem diria que um nome de novela seria capaz de prever tão bem a possessividade dos italianos com a terra deles?

Eu sinto uma proximidade maior ainda. Moro com meu padrasto, que é italiano, e estudo italiano há uns dois anos. Acompanho o noticiários via jornais italianos, pra entender a maneira como eles fazem jornalismo e o posicionamento deles diante das questões e tal. Sou entusiasta da cultura deles, mas não tenho cidadania italiana. Nem pretendo adquirir. Só isso já permite que eu, se resolver tentar a vida ilegalmente na Itália, seja caçada por cidadãos italianos à noite. Acho que isso me ofendeu um pouco.

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Não duvide da capacidade de bizarrice de qualquer caso envolvendo Michael Jackson

O cara foi um gênio da música. O cara ficou doido por causa disso. Todo mundo achava que ele louco e pedófilo. Depois que ele morreu, todo mundo esqueceu disso e só lembrou que ele era um gênio. Ele morreu e todo mundo achou que era o fim do festival de bizarrices que envolviam o cara, pelo menos.

Todo mundo estava errado. No que tange o universo Michael Jackson, os mistérios perdurarão para todo o sempre, meus caros, e estarão incrustrados em todo e qualquer caso que envolva seu nome. Recomendo inclusive esse post do Gustavo sobre os elementos altamente esquisitos presentes no MJ pra Mega Drive.

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Lembrou?

Eu fico até com medo de postar sobre essas coisas porque tenho a sensação iminente de que a qualquer momento o caso vai dar uma reviravolta bizarra o o post ficará irremediavelmente desatualizado.

Por exemplo, o funeral ainda nem rolou. As chances de que o caixão dê piruetas, alguém alegue que o viu se mexendo ou que o caixão deslize para trás são imensas. Mesmo assim, pelo caráter insólito da notícia, vou divulgá-la.

Primeiro apelo maluco no caso Michael Jackson

O TMZ.com deu ontem a história desta adorável senhora, moradora da cidade de Londres, de nome Nona Paris Lola Ankhesenamun Jackson que, sem cerimônias, alega:

- Que era mulher de Michael Jackson (opa, ela tem o nome dele, isso já é algo);

- Que por causa disso todos os bens e propriedades de Michael devem ser transferidos imediatamente para o nome dela;

- Que o corpo do “marido dela” deve ser imediatamente devolvido ao corpo do perito (foi o que ela disse, tô só traduzindo) ou para o mortuário imediatamente;

- Que os filhos do Michael são dela e que ela não autorizou-os a viver com Katherine Jackson;

E como se tudo isso já não fosse incrível o suficiente, ela também diz..:

- Que “embora ele tenha morrido nesta terra, ele agora vive com meu pai, [Satã o Capeta] Khalid Lucífer”.

Uma inglesa chamada Nona Paris Lola Ankhesenamun disse que é casada com Michael Jackson e é filha do demônio. Olha, gente? Nem me surpreende, sabe. Poucas coisas relacionadas ao caso MJ ainda me surpreenderiam. Porque né, se eu fosse o Michael e tivesse que escolher uma pessoa pra casar, esse seria o nome da moça.

Baseada nessa louca história de teoria da conspiração, como você sabe, há vários boatos envolvendo a [não] morte de Michael.

Há rumores de que ele retornará em 2012, triunfante e negro novamente, com um novo álbum que marcará o início da Era de Aquário e o consolidará como grande artista multicolorido da história de toda a humanidade. E há rumores de que, hum, não.

Alguns fãs disseram que ele se cansou do assédio da mídia e sumiu por uns tempos, mas que vai voltar. Outros dizem que ele foi morar com seu ex-sogro, o Elvis, na Argentina. Outros, que os extraterrestres estão dando o pé da Terra antes de 2012.

Tem os que dizem que durante o velório ele vai se levantar do caixão e começar a coreografia de Thriller, e será acompanhado por centenas de pessoas contratadas justamente pra isso, e será o maior e mais assustador flashmob da história.

Eu só tô esperando aparecerem mais reviravoltas absurdas sobre o caso. Porque eu tenho certeza – elas virão.

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Ria da vida, porque ela está rindo de você

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Oi?

Não existem momentos inapropriados pra piadas, e eu vou explicar porquê. Se você olhar em volta com um pouco mais de atenção, vai ver que todas as coisas do mundo, até mesmo as mais trágicas, têm um viés cômico se olhadas com leveza. É desse conceito que tiro boa parte das ideias que uso aqui e no blog. É desse conceito que escrevo a maioria das ironias e dos sarcasmos contidos em 99,9% dos posts aqui, que só são entendidos por 70% das pessoas que chegam aqui. As piadas são aquelas coisas universais, que não precisam de tradução. São capazes de ‘amaciar’ qualquer situação, se os envolvidos estiverem dispostos. Linguisticamente, as piadas são as locuções diplomáticas. Elas são capazes de amenizar tensão entre dois elementos e até formular acordos de paz.

Alguns chamam a piada a todo custo de ‘maldade’. ‘Humor negro’. Eu chamo de ‘rir da vida enquanto ela também está rindo de você’.

Eu cheguei a essa conclusão depois de receber um exteeeenso e-mail de um cara que descobriu meu blog e por algum motivo resolveu contar pra mim um monte de coisas sobre a vida dele. Acontece bastante, na verdade. Eu sempre leio e respondo, adoro histórias de pessoas, por isso fiz jornalismo.

Esse cara contou sobre a infância sofrida, a discriminação que sofreu quando assumiu a homossexualidade, problemas com família, a barra que enfrentou quando descobriu que seu exame de HIV tinha dado soropositivo… um desconhecido, que por algum motivo desses que a gente não vai entender nunca se identificou comigo via blog e descarregou uma história dessas que te tornam a Polyanna (já que depois dela, nada na sua vida pode ser tão ruim)

Pois bem. Eu respondi pro cara com toda a minha franqueza. Não dá pra ter pena dele, porque minha mãe ensinou que pena a gente não pode ter, é arrogante. Sinto compaixão por ele, gostaria que tivesse sido diferente. Foi isso que eu disse no e-mail. Eu disse: “Puxa vida, cara. Você se fudeu muito”.

No final, perguntei se podia fazer uma piada dessas sobre AIDS que qualquer um diria que é de mau-gosto. Não fiz sem perguntar, porque não queria ofender o moço – vai saber se ele tinha bom-humor. Era uma piadinha besta, perguntar sobre ela já tirava a graça, mas eu achei que deveria.

No e-mail seguinte, após a confirmação de que – óbvio, ele não ligava pras piadas, às vezes até era autor delas -, mandei. Era uma observação boba, um sarcasmo leve, que ele naturalmente levou numa boa.

É por isso que eu teorizei: as pessoas que não riem dos outros são aquelas que são incapazes de rir de si mesmas. Quando você se leva a sério demais, leva os outros a sério demais. Leva a vida a sério demais. Entra em blogs como o meu e não vê que obviamente uma foto do Zé Bob num texto sobre o fim do diploma de jornalismo só pode ser uma piada. Como as pessoas são capazes de bradarem um falso moralismo, hipócrita, pra dizer que piadas sobre AIDS são de mau-gosto quando um portador da doença as aceita numa boa, sem sequer perguntar pra essas pessoas se as piada as ofende? Todo mundo até hoje que vetou esse tipo de piada, tinha certeza, não tinha AIDS.

Minha mãe, de novo, costuma dizer que bom humor é sinal de inteligência. Eu não sei. Só sei que não entender humor é sim sinal de burrice. É não enxergar a vida do jeito que ela se mostra, bizarramente bizarra – com meninas tatuando 56 estrelas na cara, bebês que nascem com pênis nas costas, participantes realmente malucos de reality shows (“FAZER O QUÊ SE EU NÃO SENTI UMA ENERGIA BOA VINDO DE TI, VELHO?”), nadadores paraolímpicos com nomes sugestivos. Fechar os olhos pra comicidade inerente a essas situações é fechar os olhos pra essa realidade em si.

Quem não se permite rir do que é naturalmente engraçado deve ter uma vida difícil de viver. Porque cada uma dessas demonstrações de bom humor que a vida dá são só a prova de que ela é muito bem humorada. Sarcástica, até. E mesmo se você não souber rir dela, ela rirá de você. E aí será tudo muito mais difícil. Porque quem ri por último…

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Seu tatuador é ladrão?

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Não? Porquê ele roubou todas as estrelas do céu e colocou na sua cara.

HÁ.

Com 56 estrelas no rosto, garota denuncia tatuador

Não sei, POSSO ESTAR SENDO MALDOSA. Mas quem tem tatuagem sabe que, assim, né? Tem alguém cortando você e pintando esse corte. Se você pede 3 estrelas e fazem 56 em você, eu diria que você seria capaz de notar que há algo errado PELO MENOS lá pela décima estrela, se você for ruim de percepção.

Tem aquela música do Offspring, Pretty Fly (for a white guy), que tem um trecho que diz algo como: “Now he’s getting a tattoo, yeah/He’s getting ink done/He asked for a 13/But they drew a 31″.

Foi uma das primeiras músicas que eu aprendi a cantar em inglês, e aprendi o significado. Tinha uns 11 anos e pensei “HÁÁÁÁ, que loser. Queria um 13, desenharam um 31. Cara otário”. A situação dele tá ok perto da dessa menina.

Quando a gente ouve falar dessas pessoas, celebridades ou não, que tatuam o nome do namorado/a, acho que todo mundo faz um facepalm. Tipo, bate a mão na testa e pensa “puta merda, que burro”. Mas po. Não é tão ruim – todo mundo que faz isso faz escondido, tipo atrás da orelha, no tornozelo, na parte de trás do ombro. E geralmente é pequena. Terminou, cobre com outra coisa e bola pra frente.

Essa menina vai cobrir com o que, meu deus? Vai complementar com galáxias? Dizer que a tattoo é uma supernova? Vai desenhar a bandeira do Brasil em volta? Ahh, ops, não dá. O Brasil não tem 56 estados.

Acho que tem alguém aí que se arrependeu e quer tirar uma grana de um tatuador esquisito.

Mas é um palpite leviano. Quem sou eu pra julgar.

Editado: no Blog do Link, o Rafael postou uma dica imperdível – o Kimberlizer. Trata-se de um site que te dá a oportunidade de ver como você ficaria se quisesse tatuar 1, 2 ou 3 estrelas estrelas na cara, IGUAL À KIMBERLEY! UHU! Clica aqui pra ler sobre a idéia genial. É por isso que eu adoro a internet. Eu escolhi 3 ESTRELAS. VEJA COMO FIQUEI INCRÍVEL!

eu_kimberlized


*Esse seria o típico post pro Piada Pronta, meu outro blog, o da MTV. Mas tenho tanta ideia separada pra lá e essa história era tão boa que deixei pra cá. Ou seja, vou continuar tocando os dois paralelamente que tá tudo certo. Peace out.

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Sua imagem, eternamente, congelada num bloco de cristal

Tem essa lenda de que as pessoas costumavam ter medo de fotografia quando esse fantástico recurso que captura o momento foi descoberto. Ou inventado. Enfim. Os antigos achavam que a câmera fotográfica era capaz de aprisionar a
alma das pessoas.

Tinha uma parada semelhante com espelhos. Acreditava-se que eles eram também capazes de capturar a alma das pessoas. Por isso, inclusive, que vampiros (os tradicionais, não os de Crepúsculo, parece) não têm reflexo em espelho – eles não têm alma.

Claro que a pessoa que chegou a essa brilhante conclusão lá na idade média não parou pra pensar que se o espelho só refletisse coisas com alma, tudo o que veríamos diante de um deles seria… nós. Ou a cama, a parede e o resto das coisas têm alma? Ok, divago.

De qualquer forma, se tem alguma invenção do ser humano que é capaz de aprisionar a alma de forma medonha, eu descobri ela neste sábado. Se chama Cristal Image.

slogan

Será que em nenhum momento, da criação do slogan até a aprovação dele, ninguém reparou que o que ele oferece não é exatamente algo, digamos, a se desejar? “Você, eternamente dentro de um cristal” pra mim soa como plot vagabundo pra episódio de Goosebumps. Eu não quero ficar eternamente aprisionada num cristal. Isso dá medo.

De qualquer forma, a Cristal Image vende blocos de cristal (que parecem acrílico) com uma imagem do que você quiser. Eles esculpem lá dentro, em 3D, uma reprodução de algo – pode ser o brasão de um time, um objeto, ou mais comumente…

Dramatic Chipmunk animated gift

…uma pessoa.

robertobizarro

É isso mesmo. Você dá uma chegada no quiosque do shopping (eu tirei a foto do Roberto na vitrine), eles fazem um scan louco 3D de você e colocam esse scan dentro de um bloquinho transparente. Esse do Roberto tinha uns 15 centímetros de altura. Aí você captura essa imagem bisonha, transforma sua pessoa (ou quem você quiser, sei lá) numa reprodução assustadora daqueles efeitos especiais de filme de terror em que a expressão dos indivíduos é congelada para a eternidade e, a cereja do bolo – DÁ ISSO DE PRESENTE PARA ALGUÉM.

Sim. A idéia é registrar as cabeças e presentear entes queridos. É um esquema moderno e um pouco menos cruel daquelas tribos que encolhem as cabeças dos inimigos e as colecionam como recordação.

Na primeira vez que vi, fiquei em volta do quiosque, chorando de medo, e me assustando com as pessoas que chegavam, olhavam a vitrine e diziam “olha, que legal!” Não vou nem comentar a pertinência decorativa do acessório (ok, eu vou – puta negócio feio pra pôr na estante, de um mau-gosto fenomenal), mas não é só isso, é pelo aspecto assustador que tem um bloco de vidro com a expressão de alguém congelada. E alguém deve fazer dinheiro com isso – não é pouco, vide o preço do Roberto.

AH. E falando no preço do Roberto, aí vem a parte esquisita – eles vendem blocos prontos lá na vitrine. É como se eu chegasse no quiosquezinho e dissesse:

- Opa. Quero um bloco de cristal com a imagem de alguém aprisionada eternamente.
- Pois não, senhora. De quem é a imagem?

- Hum, deixa eu dar uma olhada… tem alguma sugestão?
- A Tatiane e o Morelli têm saído bastante, senhora.

tatianeemorelli

- É mesmo? É, eles parecem bem felizes. Acho que vou levá-los, vão ficar lindos no aparador da sala de estar.

I mean, QUEM PAGA R$129,00 por um bloco de vidro com um cidadão desconhecido chamado Roberto, sua expressão de insanidade congelada para o resto da eternidade congelada sobre a mesinha de canto? Por quê?

Parece que a resposta é difícil mesmo, porque segundo o site da Cristal Image, que é uma marca no estilo franquia, só existem duas lojas – uma no Shopping ABC (uhú!) e outra no Mauá. Sucesso.

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