OEsquema

Arquivo: Há mais entre o céu…

Quando a vida imita a arte e se transforma nela

Quando eu assisti Show de Truman, eu ainda tava naquela fase em que a gente achava que o Jim Carrey só servia pra fazer personagem babaca. Não que eu tenha saído dessa fase, mas depois ele fez Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças, caiu no gosto dos descolados e agora todo mundo gosta dele. Mas naquela época não havia perspectiva de que ele fizesse algo legal, então você já ia pro filme com algum preconceito, esperando caretas e piadas escatológicas.

E o filme – que todo mundo já viu na Tela Quente, acredito – acaba por ser bom. Tem uma crítica maluca à era dos reality shows, uma maluquice de Mito da Caverna (tudo tem mito da caverna nesse mundo de deus), um pouco de humor ácido, a previsão de um futuro absurdo e voyeurístico com uma pitada de Orwell, um final que muitos acham muito bom e outros acham insatisfatório… e deixa aquele gosto de paranóia na boca, algo como ‘mas… será que isso não poderia de fato acontecer?’

A pergunta está finalmente respondida.

Nadya Suleman

Mãe americana de óctuplos diz que fará série documental

Ela tinha seis filhos. Engravidou de mais 8. Não satisfeita em contribuir com 20% da explosão demográfica registrada no planeta nos últimos 8 meses, a mãe doida com barriga horrível de 20 mil crianças vai, aparentemente, negociar a filmagem de um reality show com seus 8 filhinhos. As câmeras vão acompanhar o crescimento dos seis meninos e duas meninas até eles completarem 18 anos.

[pausa] (Breve reflexão: só eu acho que Mãe de Óctuplos parece Mãe de Octóplus, em que Octóplus é como se fosse o vilão do Homem-Aranha? Ou do 007?)

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[/pausa]

Eu não quero nem imaginar o que vai acontecer com essas crianças. Se elas ficarem iguais à Maísa, estamos todos no lucro, porque as possibilidades de tragédias maiores são inúmeras se o negócio acontecer mesmo. Simpsons já previu a situação e não foi nada agradável para Apu e Manjula.

A questão é que… não deveríamos estar chocados com esta “superexposição”, esta “absurda e já profetizada orwellização da sociedade”, essa “irresponsável exploração monetizada de crianças sem capacidade de decidirem por si mesmas”. Não, não podemos nos chocar.

Afinal, caso vocês não tenha notado, estamos na era do Show de Truman. Apesar dos reality shows não serem mais exatamente uma novidade, a ferramenta de mídia social que é alardeada como o divisor de águas da disseminação da informação pela rede consiste nada mais nada menos do que um reality show bizarro de centenas de pessoas, ao mesmo tempo, ao vivo.

Bem vindo ao Twitter.

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Astrologia: se você não acredita, é porque ainda não sabe o suficiente

Eu acho que devo contar como eu comecei a acreditar que a posição dos planetas no céu no momento em que alguém nasce é fundamental para mexer com as energias do cosmos e, por consequência, influenciar alguns pontos da personalidade daquela pessoa.

Um dia eu fiz um mapa astral. Mandei a pessoas que não me conheciam meu nome completo, data, horário e local de nascimento. E me devolveram um documento de 30 páginas que falava sobre mim, minha personalidade, meus anseios, qualidades e defeitos.

Eu li 30 páginas sobre mim, escritas por pessoas que nunca tinham me visto antes. E as páginas me descreviam com precisão medonha. Era assustador. E antes que alguém fale em leitura fria, eu adianto – que tal um mapa astral que me dá detalhes da minha relação com meus pais durante a infância e de como isso possivelmente afetou minha vida adulta nos campos A, B e C, e que falou isso como se fosse a psicóloga da minha família?

É duro tentar convencer as pessoas de que sou cética depois que elas ficam sabendo que, sim, eu acredito em Astrologia. E a palavra não é ‘acredito’, porque aqui não há ‘crença’. É a certeza de é apenas uma ciência capaz de traduzir em palavras leis universais que desconhecemos.

Sempre fui cética  – é meu lema, aliás, e é fundamental na minha profissão. Mas a mim não bastou o ‘não acreditar’. Tudo o que me era apresentado, do ponto de vista espiritual, não me dava nenhuma ‘prova’. Eu estudava, estudava, estudava e não via sentido. Frequentei religiões diferentes, opostas; pescava algo de interessante ali, me identificava com outra coisa aqui. Mas nunca conseguia sentir por completo que a coisa funcionava como o que eu sentia. Eu sempre senti que havia algo maior – ok, todos nós, acho – mas não me satisfazia com a explicação de que isso era só um jeito da minha cabeça explicar o que não entendia.

Eu já fui como você. Eu já achei isso tudo uma grande babaquice. E puxa, na maioria das vezes, é. Poucas são as pessoas sérias que estudam essas coisas e se prestam a publicá-las. Eu costumo usar o seguinte filtro: se o horóscopo prevê como vai ser o seu dia ou fala de situações muito genéricas – tipo “Hoje é um dia bom para retomar relacionamentos há muito esquecidos!” – ignoro a coisa toda.

É. Porque horóscopo não prevê o futuro. É uma interpretação feita por um estudioso, baseada na posição dos astros naquele momento (em relação ao teu signo principal no zodíaco), que indica as tuas possíveis tendências emocionais num tempo determinado. Serve para guiar, orientar, e até te prevenir contra influências que podem te levar a agir por impulso negativamente, por exemplo.

Eu não sei no que você acredita. Mas não precisa ter religião nenhuma, pode ter qualquer uma, pode ter todas elas – o fato é o seguinte: existem energias habitando todas as coisas que conhecemos. Ponto. Os grandes astros próximos ao planeta em que vivemos influenciam essas energias de alguma maneira, ponto. E isso é transmitido para nós.

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cri. cri. cri

Não te convenci, claro. Nem teria como – até porque a cartada final vem agora. Vou pedir mais uma chance. Convenci uns 4 ou 5 amigos, todos céticos, alguns ateus, desse jeito. Vamos ao desafio.

Tire 60 reais da carteira, procure uma instituição filantrópica que você conhece e confia e doe duas cestas básicas.

Depois que fizer isso, entre no site do Marcelo Del Debbio – o www.deldebbio.com.br – e mande pra ele algum comprovante da doação. Pode ser a nota fiscal de compra da cesta, tua foto entregando os alimentos pras pessoas, uma declaração da instituição de caridade, qualquer coisa – confiável, né. Apenas prove que você ajudou alguém com duas cestas básicas e envie essa prova para marcelo@daemon.com.br, com seu nome completo, data, local e horário de nascimento (exato).

Todos os detalhes dessa ‘campanha’, promovida pelo Marcelo, podem ser visualizados aqui. Assim, você entende melhor como a coisa vai funcionar.

Umas duas semaninhas depois (até antes), você vai receber por e-mail um mapa parecido ao que me fez acreditar. Sua carta natal, seu manual de uso absurdamente preciso. Leia. Se o que tiver escrito lá não te surpreender, eu abro um espaço público aqui pra você explicar em quais pontos o texto foi mentiroso, inverossímil ou generalista, e os porquês. Basta entrar em contato comigo e enviar o texto.

Isso não é um post pago. É só uma tentativa de ajudar as pessoas a ajudarem aos outros e, depois, a se ajudarem. Espero que alguns de vocês, ao menos, aceitem o desafio. Vale a pena.

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Deus está precisando urgentemente de Media Training

Eu sempre achei estranho que quem fizesse as leis para as mulheres fossem os homens. Eu sei que existem mulheres no poder por aí. Mas sabemos que elas são minoria, e quem vota em leis que dizem respeito a assuntos relacionados unicamente a mulheres – como, por exemplo, a legalização do aborto – são, em maioria, os homens.

Da mesma maneira, são os homens que decidem o que deus pensa sobre as coisas e devo dizer que isso também me incomoda. E gostaria de dizer que aqui uso o termo ‘homens’ me referindo à humanidade, mas não, falos de seres humanos do sexo masculino, mesmo: os altos cargos da Igreja Católica são sempre ocupados por homens.

Como se isso não fosse suficiente – quer dizer, falar por deus e pelas mulheres, ao mesmo tempo, sendo o oposto dos dois - eles querem decidir que uma menina de 9 anos que foi estuprada pelo padrasto e engravidou de gêmeos não merece entrar no reino dos céus. Veja bem, quem decidiu isso foi um homem, de não deus, de forma que fico feliz que provavelmente essa sentença do homem não tenha validade nenhuma. A não ser que deus seja um cara esquisito.

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Achei uma foto do arcebispo de Olinda e Recife caindo dentro de uma vala e achei adequada

Ainda assim, segundo os mesmos homens, o padrasto que estuprou a menina de 9 anos ainda merece a chance de tentar entrar. Quer dizer, ele provavelmente vai ser barrado na porta (ok, isso se deus não for um cara esquisito, de novo), mas tem a chance de tentar. À mãe e à menina (aos médicos, também), o direito foi negado. Aposto que eles não dormem mais à noite por isso.

Até porque a igreja provavelmente não mantém um banco de dados atualizado em tempo real com o nome dos excomungados. Então se você for lá, em outra paróquia, e fingir que nada aconteceu, vai poder continuar fazendo todas as coisas – se confessando, tomando hóstia e casando, se quiser (e pagar). Eu sempre me perguntei o que aconteceria se eu entrasse na igreja no meio de uma missa e tomasse uma hóstia. O pãozinho queimaria minha boca porque eu não fiz primeira-comunhão e crisma?

Excomunhão por excomunhão, eu acho que, se deus não for mesmo um cara esquisito, a palavra desses caras de chapéu e roupa esquisita não vale merda nenhuma. Especialmente depois desse episódio, que me fez perder um pouco mais de respeito por alguns dogmas absolutamente incompreensíveis da Igreja Católica. Pra quem também se encheu, tá rolando um modelo de carta pra você enviar pra sua diocese, com um pedido formal de excomunhão. Experimenta enviar e depois tomar a hóstia pra ver se a língua queima – eu nunca tive coragem. Deus pode ser um cara esquisito. Antes, lê o melhor texto sobre esse episódio que eu li na internet, no blog do Marcos Guterman.

Mas tem mais gente falando em nome de deus – e eu nem tô falando do Inri Cristo. Eu, no lugar dele, já estaria chateada. Acontece que na última semana o Submarino disponibilizou sua mais nova super-oferta na área de informática, o moderno e arrojado PC Gospel. Eles já tiraram a oferta do ar (acredito eu que tenha sido obra divina), o PC seria uma iniciativa da – adivinheeeeem? – Fundação Renascer e consiste simplesmente no seguinte: lembra como era seu PC em 1997?

Eu lembro. Ele tinha de HD o que eu tenho no meu pen drive, 8GB. Ele tinha de RAM menos que o meu iPod tem, 64MB. Ele lia CDs e só acessava a internet por linha telefônica, a 56kbp/s. E ele rodava Windows 98.

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Criador durante teste do PC Gospel

O PC Gospel é isso. Quase isso. Porque usa peças remanufaturadas – na época, meu PC só usava novas. E roda Linux. E CUSTA NOVECENTOS E VINTE E NOVE REAIS. O blog ‘Uma Visão do Mundo’ conseguiu dar print antes da parada sair do ar, e até fez comparação com o PC mais barato da linha atual da Positivo. PC Gospel pra mim, tem um nome – e é estelionato de Jesus. É tanta, mas tanta picaretagem, que até os insiders sacaram – leia este texto no site Notícias Gospel Mais.

Seja lá onde deus estiver, se ele não for um cara esquisito, talvez já fosse hora de ele fazer alguma coisa a respeito desse monte de gente que decide as coisas em nome dele. Deve ser muito chato esse negócio de ver os outros falando por você, especialmente quando você é o criador de todo o universo. Talvez ele precisasse de um porta-voz oficial… isso, um assessor de imprensa! Vai ver eu encontrei minha vocação. Vou mandar meu currículo.

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Jesus inspirou as camisetas mais geniais de todos os tempos

Tá que a moda na interwebs descolada na última semana foram as camisetas do cersibon. Até eu comprei a minha. Mas não posso deixar de trazer pra vocês estas (mais) incríveis camisetas:

Demais, né? Você, que adora colecionar camisetas engraçadinhas – tenho certeza que você quer uma. Pena que essas são as camisetas com propósito mais FAIL já concebidas, porque não existe ironia nenhuma nas frases escritas nelas. É tudo de verdade. E o fato delas serem sérias só as torna mais engraçadas (algo como a pitada sutil de humor presente no Movimento Cansei)

Elas são vendidas pelo Passion for Christ Movement, uma organização cristã que aparentemente luta pelo resgate de jovens de hábitos terríveis, como ser uma diva ou ser ateu e os incentiva a usar camisetas que divulguem a todos seu testemunho de conversão. O movimento reúne vídeos de jovens que (usando as camisetas) contam que antes viviam no pecado, na droga, na postrituiçsão, e agora são novos seres-humanos.

De qualquer forma, o resultado é tão bizarro que as camisetas são geniais. Não sei se a P4CM entrega no exterior, mas vou tentar adquirir a minha de Ex-Diva em breve. A de Ex-Hipócrita vou dispensar. Usá-la criaria um paradoxo difícil de explicar.

Não é nada contra a vontade de exibir no peito sua conversão pra Gesuis. Embora aquelas camisetas e adesivos escritos “JESUS” sejam meio mal-vistos e considerados ligeiramente bregas, tem aquele pessoal da Bola de Neve que até é descolado e tal. Mas os textos nas camisetas, de tão absurdos e preconceituosos, se tornam irônicos e portanto engraçados. Fora que nenhum fornicador usa uma camiseta escrito “Fornicador”, então porque ele haverá de usar uma de “Ex-fornicador” quando deixar de ser um? E a questão principal – o que dá mais vergonha (ou é mais engraçado): usar uma camiseta escrito “Ex-fornicador” ou uma escrito “Fornicador”?

Vai ver o viés cômico dos textos não é casual. As camisetas foram pensadas pra aqueles que foram convertidos, mas também foram pensadas pros que estão no caminho errado, só conseguem enxergar o absurdo irônico de tudo isso e, portanto, vão gastar dinheiro comprando a camiseta mais engraçada que já viram. Pensar um produto assim, dubiamente, deve ampliar muito o público que o consome. Estratégia mercadológica. Amém.

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Sorria. Você está sendo monitorado

Google: vilão ou mocinho?

Ele chegou devagar. Primeiro, desenvolveu um mecanismo automático capaz de indexar todo o conteúdo existente na Web e organizá-lo. Isso é bastante coisa, mas ele não se deu por satisfeito.

Os passos seguintes foram lentos, mas certeiros. Primeiro, em 2000, ele começou a vender espaços publicitários contextuais nas pesquisas. Daí veio o serviço de busca por imagens e o agregador de notícias, Google News, em 2001. De olho na explosão de produção de conteúdo pelo usuário, adquiriu o Blogger.

Não parou por aí. A idéia era se tornar parte da vida pessoal do usuário da rede. Veio o GMail, o Google Desktop e o Orkut, e bem depois, a compra do YouTube. Em pouco tempo, a maioria das suas ações na internet era intermediada pelo Google. Agora a empresa disponibiliza praticamente todos os serviços que o internauta médio pode utilizar: Google Adsense, Google Maps, Google Calendar, Google Docs, Google Earth, Google Chrome, todos integrados a um grande sistema.

O Google sabe quem são seus amigos, sobre o que você fala com eles, o que você compra, por quais assuntos se interessa, os lugares que costuma frequentar, seus compromissos, quantas, quais e como são as pessoas que acessam seu blog todos os dias. Sabe o que você filma e o que você disponibiliza de conteúdo na internet. Sabe até onde você vai amanhã, porque antes de ir você consulta o serviço deles no Maps que informa a melhor rota de transporte público. O Google sabe os temas dos seus trabalhos da faculdade e, se vacilar, até quanto você ganha e o que faz com esse dinheiro (se você usar o Spreadsheet para colocar os gastos numa planilha, por exemplo).

O Google podia te ver se você tivesse na superfície do planeta, seja lá onde fosse. Antes dava pra ir pro fundo do mar e fugir da perseguição – agora, nem lá. E se você planejava, não sei, ir pra outro planeta, esquece – o Google está lá também.

Só faltava o Google saber onde você está agora. Agora. Mas só faltava. O mais recente lançamento deles, Google Latitude, permite que os usuários de celulares acompanhem compartilhem com amigos e parentes (mediante autorização) sua localização num mapa, em tempo real.

Não existe mais nenhuma informação que o Google não possua sobre você. E caso você não tenha notado, isso é muito perigoso.

Mania de perseguição? Paranóia? Tem certeza?

Você nunca se perguntou o que governos totalitários não fariam se pudessem ter acesso a dados tão específicos de tantos cidadãos? Se você leu 1984 (e se não leu, leia), sabe do que eu estou falando. O Google é um cara legal (e ele demonstra isso fazendo coisas como essa ou essa), mas ele está submetido aos desígnios dos governos dos países em que está instalado. Corporações não têm ideologia, meu caro – a não ser que ‘lucrar’ seja uma. O Google se submeterá a qualquer governo e a qualquer regra que esse governo impuser, se isso significar não sofrer sanções financeiras (E isso já aconteceu: leia mais sobre a polêmica do Google na China aqui, aqui e aqui). Não pense que uma corporação de grandes proporções vai deixar de ganhar milhões para preservar sua privacidade, porque não vai. Isso tudo considerando que essa postura ainda louvável da empresa é a oficial – e se já existir uma não-oficial?

Aliás: da privacidade, se é que ela existia ainda, não resta mais nada. Se você está na internet e usa os serviços do Google, já está ferrado. E o pior – não há escapatória, não há como se arrepender e voltar atrás. Um ‘suicídio digital’ seria impossível, já que nenhum dado da rede se perde e seus registros sempre serão preservados, de uma forma ou de outra, ainda que você apague todas suas contas em todos os serviços que usa e suma desse e de qualquer computador.

Claro que quanto mais ‘conectado’ for um país, mais suscetível a esse controle ele estará. Como a porcentagem do mundo que usa a internet é baixa, boa parte da população (a mais pobre, e por consequência a que menos consome e portanto alvo não tão desejável) ainda está fora dessa ditadura. Mas as lan-houses, a popularização do computador e a consequente ‘inclusão digital’ estão aí (sem mencionar o laptop de US$ 100, projeto que sai-mas-não-sai desde 2005). E se você é minimamente informado, sabe que o site mais usado pelos brasileiros que podemos considerar analfabetos funcionais digitais é o Orkut.

Tá pensativo? Me acha louca (como se isso fosse qualquer ofensa)? Dá uma lida no post do Doni, que não é oh-tão-sensacionalista como o meu, mas fala exatamente da mesma coisa. Por causa do lançamento do Latitude, gente mais inteligente do que eu ficou preocupada com essa ‘Googlerização’ do mundo. E pra arrematar (e te deixar, definitivamente, com a pulga atrás da orelha) leia aqui (num PDF de 5MB) o Scroogled, um conto de (não?) ficção que se passa num futuro aparentemente não tão distante, em que um governo de extrema direita tem acesso, por meio de leis criadas exclusivamente pra isso, a todos os dados que o Google já coletou sobre usuários.

Cara, na boa. A Polícia Federal pode obrigar o Google a fornecer dados sobre possíveis pedófilos. Você tem certeza que ela não pode obrigá-lo e fornecer dados sobre você se te considerar um possível qualquer coisa? Não existe quebra ilegal de sigilo bancário e telefônico? O que te faz ter certeza que não possa haver quebra ilegal de sigilo… digital?

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As abelhas estão desaparecendo da Terra

O último filme do M. Night Shyamalan que eu assisti se chama The Happening, cujo nome em português é O Fim dos Tempos, e nele acontece mais ou menos o mesmo que acontece em quase todos os filmes desse cara (menos em Sexto Sentido): algo estranho está acontecendo, embora ninguém saiba muito bem o quê e embora algumas pessoas pareçam saber, porque agem estranhamente, mas não sabem.

M Night Shyamalan

O figurante de Caminho das Índias diretor de cinema M. Night Shyamalan


No final, ninguém fica sabendo o que de fato estava acontecendo, a coisa estranha que estava acontecendo pára de acontecer e espera-se que dali você tire uma moral, porque tudo é na verdade uma metáfora para alguma crítica social.

Ah! E nos filmes dele ninguém gargalha – exceto as crianças, ainda que muito raramente.

Foi assim em Sinais, A Vila, Dama da Água (o único que eu de fato não gostei) e com esse de agora, O Fim dos Tempos. Mas foquemos no último, de novo. Nesse, as pessoas começam a morrer misteriosamente. Daí descobre-se que é algo no ar – uma espécie de veneno, que faz com que as pessoas entrem em pane, percam o senso de sobrevivência e provoquem sua própria morte do jeito que estiver à mão.

O negócio é que esse filme começa da premissa que as abelhas estão sumindo da terra. O Mark Wahlberg, que é o professor-mocinho no filme, explica aos alunos que as abelhas estavam desaparecendo das colméias. Os apicultores não sabiam explicar o que estava acontecendo, porque não encontravam os corpos nem nada – elas simplesmente evaporavam.

Pois que eu fui pesquisar sobre isso aí e parece que é verdade.

As abelhas começaram a sumir no meio de 2007 nos EUA e isso afetou muito as safras da época, já que gerou desequilíbrio no ecossistema. As abelhas são responsáveis pela fertilização cruzada das florzinhas, porque passam em uma, pegam pólen, depois vão para outra e no processo acabam levando pólen da planta anterior.

Os relatos dos apicultores partiram de 22 estados dos EUA simultaneamente. No início, não havia nenhum tipo de indicação do motivo do sumiço. Biólogos, cientistas – ninguém sabia explicar que diabos acontecia. Em setembro de 2007, uma pista: um vírus australiano podia estar causando a morte das abelhas. Mas nada foi comprovado. Um documentário sobre o assunto está sendo produzido, mas parece que nada ainda foi concluído.

No filme, a explicação que se dá pra isso é nenhuma, porque como eu disse, a gente nunca fica sabendo o que está acontecendo. Mas tem uma moralzinha do tipo ‘a natureza às vezes faz coisas catastróficas que a gente jamais vai entender’.

E quer saber? Eu acredito nisso. Se eu fosse uma abelha, e tivesse descoberto um jeito de cair fora, já tinha ido. Se a Terra é um ecossistema de ecossistemas, ou seja, um organismo formado por um monte de orgãos, uma analogia de um ser vivo, ela tem sim meios de repelir e inibir predadores – opa, nós. Todo mundo fala em ‘fim do mundo’ e ‘destruição da terra’, mas a Terra tem meios de se regenerar e de se defender. É com a nossa espécie que devemos nos preocupar.

Aliás, a mulher nesse vídeo diz isso:

Tem mais um monte de capítulos, todos disponíveis no Youtube, através desse link. Mas a questão principal nem tem a ver com eco-xiitismo ou qualquer outra coisa assim. O mais importante é entender pra onde foram as abelhas e por quê – e o pior é que talvez nunca saibamos a razão real.

Só que, no fundo, todo mundo sabe que só uma pessoa poderia ser responsável por esse genocídio de abelhas…

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A Flora tá destruindo a fauna! (RÁÁÁÁÁ)

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Na Renascer, o apocalipse chegou antes

Ai, droga. Quando o teto da Igreja Renascer cai, as piadas prontas são (assim como a misericórdia de Deus) infinitas! É duro lutar contra o ímpeto de dizer que essa igreja sim é boa, porque leva todo mundo direto pro céu. Ou que agora é esperar a galera renascer. Ou que o pastor disse ‘que esse teto caia sobre a minha cabeça se eu estiver mentindo’. Ou que, como era domingo, Deus estava descansando e ficou meio desatento. Ou qualquer outra coisa do gênero.

Mas é preciso respeitar a dor daqueles que perderam entes queridos nessa tragédia. Foram 9 mortos e mais de 50 feridos. Portanto, nada de piadas. Só quero tirar uma dúvida: como é que os pastores da igreja Renascer vão explicar isso do ponto de vista espiritual?

Como é que vão explicar de que maneira a ira do Todo-Poderoso se abateu justamente sobre aqueles que mais o idolatravam? E o dízimo? Não era ele que garantia a fé e a proteção? Toda a grana não foi suficiente para pagar um engenheiro decente para projetar a parada? Por que, POR QUE Deus puniria um grupo de 600 pessoas que estavam reunidas para exaltá-lo?

Claro que isso é muito fácil de explicar para quem acredita num Deus impessoal, um Deus que mais se parece com uma lei da física do que com um velho barbudo e meio temperamental. Mas deve ser muito difícil explicar isso se você acreditar que Deus olha por você e que te perdoa de todos teus pecados caso você vá na igreja Renascer todos os domingos e doe 10% do que você ganha para Ele.

O que mais me preocupa é que esse episódio não vai despertar revolta nos fiéis, e nem vai fazê-los abrir os olhos para o fanatismo que depositam nessas crenças. É provável que os pastores revertam a tragédia em benefício da própria fé. Ou dirão que isso aconteceu porque os que ali estavam não acreditavam o suficiente, ou porque não doaram o suficiente. Os sobreviventes serão usados como símbolo do milagre divino, que é capaz de salvar os merecedores mesmo entre aqueles que se foram. E nos outros cultos na Renascer ao redor do país, os fiéis vão orar pelas almas dos que morreram por conta da fatalidade.

E não precisa nem ser pastor pra acreditar nisso. O próprio governador, segundo o G1, atribuiu a Deus o fato de haver menos pessoas na igreja na hora do desabamento. Em tese, era pra ter mais de 2000 pessoas lá; como era hora da troca do culto, havia ‘apenas 600′:

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Fico imaginando Deus planejando a parada e pensando: ‘bom… se é pra desabar o teto da igreja, que seja sobre 600 cabeças, e não sobre 2000 né? Puxa vida, que boa idéia que eu tive. Assim mato menos gente. Boa mesmo. Vou derrubar a parada na troca do culto, então. Sou um gênio.’

De qualquer forma, numa tragédia cheia de ironias, a home da Globo.com foi responsável por mais uma:

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Porque se tem alguém que pode falar com propriedade sobre coisas que caem, esse alguém é Newton.

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Sem opção: como o sistema te obriga a fazer o mal

As próximas linhas, de certa forma, serão um desabafo. É que todas as coisas que tenho visto e pensado, nos últimos meses – e não foi coincidência, mas sincronicidade – me levam cada vez mais à certeza que viver nesse mundo é muito prejudicial pra você, se você for alguém preocupado com o bem estar alheio.

Pode parecer óbvio para as pessoas iluminadas – a gente aprende já na escola que o capitalismo é um sistema baseado na exploração de mão-de-obra – mas essa coisa só me atingiu, na totalidade, nas últimas semanas.

O negócio é que, se você vive nesse sistema, não basta ser alguém bom, que não faz o mal diretamente. Nada basta, porque viver em sociedade hoje é, direta e indiretamente, causar sofrimento a um monte de bichos e gente ao redor do mundo. E o que fazer a respeito disso?

Compre um carro e remonte, na sua cabeça, o caminho que todas aquelas toneladas de ferro e borracha percorreram para estar ali, e você vai perceber que houve países de terceiro mundo explorados, gente recebendo centavos pela extração de determinado commoditie e você, indiretamente, causando o mal (fora a poluição que vai gerar depois, mas nem entremos nesse mérito).

Compre um tênis e leia onde ele foi produzido. Dos R$300 que você pagou, a mão-obra-explorada tirou menos de R$2. E você só quer vestir um tênis legal e sair com os seus amigos.

Coma um belo bifinho, frito pela sua mãe com tanto amor, com arroz e fritas, e pergunte-se o quanto aquele boi sofreu pra carne estar ali. OK, e se não liga pros bichos, pense nos salários baixos e condições desumanas dos funcionários de matadouros.

E quando eu digo ‘pense’, cara, me desculpe. Não quero te deixar com a consciência pesada, porque apesar de ter culpa, você não tem. É só uma constatação de que estamos imersos em algo que nos obriga a provocar o mal, massivamente. E não há escolha. Porque você é um cara legal, que é educado com todo mundo, ajuda sua mãe em casa, dá um beijo na avó quando tá com vontade, tem vários amigos e só quer ter um tênis que achou bonito, comer a comida que acha gostosa, ter um carro legal. Não há nada de errado nisso na essência, e justamente por isso é assustador: a gente causa o mal sem sequer desejá-lo.

Comecei a pensar em alternativas, OK? Eu juro. Algo pro futuro, porque não é assim também – não vou virar hippie, e a história de Christopher McCandless é admirável, mas eu não tenho, nem de longe, essa iluminação espiritual, essa coragem e esse desprendimento. Só que eu não encontrei nenhuma saída viável. Pensei em ficar rica (muito rica) e comprar uma fazenda auto-sustentável, mas o mundo é tão babaca que a própria fazenda auto-sustentável demanda muito dinheiro, adquirido – veja só – fazendo mal para as pessoas indiretamente. O caminho até ficar rica é cruel, sem mencionar que não é algo que eu possa simplesmente fazer acontecer. Nada garante que eu vá ficar rica.

Olha, nem penso nas obviedades. Viver sem iPod, sem internet – isso seria o de menos, sério. Estive pensando que, com a cabeça ocupada em tirar leite da vaca, regar horta e essas coisas de gente sustentável, que precisa produzir seu próprio alimento, nem teria tempo para internet. Mas se fosse para abdicar completamente da civilização, isso significaria excluir remédios.

E eu não tô disposta a voltar ao século XIII e morrer com uma infecção idiota provocada, sei lá, por uma picada de pernilongo que coçou demais, só porque não havia antibiótico. Sem mencionar a facilidade proporcionada pela invenção do absorvente, e isso seria impossível de abdicar.

Eu não posso escolher viver totalmente fora disso. Não sendo radical, é possível viver uma vida menos dependente dos bens de consumo, sim. Mas acho que se você pode ter um papel higiênico, vai poder ter também lenços de papel. Daí vai comprar papel toalha, uma privada, vai precisar ter água encanada, luz… e aí, meu amigo, ferrou.

Fico pensando que poderia tentar viver numa comunidade indígena, abdicar dos meus hábitos de civilizada e começar uma nova vida. Mas esses índios de hoje estão muito integrados na sociedade, né? Acho que não seria, ainda, o ideal.

Como eu disse no começo, é um desabafo diante da minha impotência e do duplipensar. Porquê se de um lado eu estou extremamente insatisfeita com o que o estilo de vida que eu levo causa no mundo, de outro eu não vejo compensação prática em abandonar todo o conforto que ele me proporciona – exceto, é claro, o meu karma, que vai ficar muuuito mais leve (pra quem acredita nessas coisas).

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O texto pode soar demagogo, e até ingênuo, mas juro que é sincero. Foi escrito numa tacada só há cerca de um mês, mas não tive coragem de publicar na ocasião. Achei legal soltar hoje, porque reli e achei que é provavelmente uma das coisas mais automáticas que eu já escrevi, quase uma psicografia (só que não de terceiros).

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Alucinando sem drogas: técnicas estúpidas e não tão estúpidas

Sabe esses papos místicos de que a gente só usa uma porcentagem pequena do cérebro, e que o potencial do ser humano é ilimitado, O Segredo e todas essas baboseiras?

Pode ser tudo mentira pra vender livro, é verdade. Mas que nossa cabeça tem umas peculiaridades desconhecidas, isso é inegável. Uma grande prova disso, por exemplo, é o efeito placebo. Ou então, a possibilidade de provocar efeitos semelhantes ao de drogas apenas com exercícios de meditação ou respiração. É que o cérebro mesmo sintetiza muitas substâncias que são fundamentais pro nosso corpo e ao mesmo tempo têm a estrutura molecular muito semelhante a alguns alucinógenos.

Quando eu era mais nova, tinha uns amigos muito idiotas que faziam uma parada meio perigosa mas que, segundo eles, dava um barato. Uma mistura de respiração rápida com pressão contra a artéria que leva sangue ao cérebro e um movimento brusco fazia com que eles tivessem umas tonturas.

Eu nunca entendi porque alguém deliberadamente privaria seu cérebro de oxigênio só pra se sentir levemente quase desmaiando (e pior, achasse isso legal), mas já que essas pessoas existem, compilei um guia de atividades lícitas e perfeitamente legais que são capazes de te fazer atingir algum grau de… grau, como se diz por aqui. Algumas são idiotas e servem para mostrar que tem gente capaz de tudo no mundo; outras são saudáveis e podem ser aplicadas no dia-a-dia.

Não testei todos os métodos e e não me responsabilizo pelos resultados atingidos com nenhum deles, nem incentivo que qualquer pessoa faça essas coisas. Os textos são relatos de experiências que eu li em sites ou que eu sei que os jovens costumam colocar em prática em busca de estados alterados de consciência, mas não incentivam nada, o que é perceptível pelos adjetivos carinhosos que uso ao me referir aos praticantes de certas técnicas.

I-Doser e similares

I-doser

Esse é famoso. Programas como Brainwave e I-Doser prometem regular sua frequência cerebral e colocá-lo, através de ruídos incompreensíveis, em um estado de consciência semelhante ao provocado pelo uso de várias drogas. Eles também oferecem doses que prometem sensações genéricas, desassociadas de drogas, tipo ‘sonho lúcido’, ‘criatividade’ e coisas assim.

Como? Basta ter um computador (ou iPhone/iPod Touch) e baixar os softwares, normalmente pagos.

Funciona? Não comigo, mas tem gente que jura que sim. Mas garanto que serve se você tiver insônia, porque o chiado dá um sono do cacete. É tipo assistir a TV quando ela tá cheia de chuviscos. O barulhinho é bom pra dormir.

Tampe a respiração e quase morra

breath

Esse link, do rizoma.net, é antigo e inspirou o post (há muito tempo, mas venho adiando). E nele há, entre outras, uma técnica estúpida e aparentemente efetiva de sentir os mesmos efeitos de delirantes como o Absinto, a Beladona e o Lírio. De acordo com o autor, “se você tem qualquer problema psíquico, respiratório ou circulatório, não faça, jamais, uso desta técnica.”

Como? Sente-se num lugar confortável, de preferência uma cama, em que você possa cair sem se machucar. Mantenha a mente vazia e tampe a respiração, a boca, as narinas. Tampe. E siga tampando. E tampando. E tampando. Até quase sufocar, daí você solta. E cai.

Funciona? Porra, sei lá. Jamais tentaria uma idiotice dessas – sei o que é ter falta de ar, sofria de brônquite quando era criança e acho que seria meio idiota provocar deliberadamente algo com que sofri tanto no passado. Mas seguindo a linha de que, po, seu cérebro ficará desoxigenado, deve funcionar. Não sem o risco de que você fique permanentemente retardado no processo.

A técnica mista do ápice da cretinice

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Procurei ‘cretino’ no Google e achei isso

Não saberia nomear de outro jeito. Combinando a falta de ar com o movimento brusco (que provoca tontura) e a privação de sangue pro cérebro, as pessoas dizem sentir barato. Mas pode sair caro: já vi estúpidos desmaiando e há lendas de gente que ficou com sequelas permanentes.

Como? Meus amigos faziam assim: agaixados, de cócoras, forçavam por uns 30 segundos uma respiração curta e ofegante. Daí pediam pra alguém pressionar um pouco aquela veia que sobe pelo pescoço e leva sangue pro cérebro, e no fim disso se levantavam rapidamente.

Funciona? Se por ‘funciona’ você entende ‘te priva de sangue e oxigênio do cérebro e pode te causar coma’, então sim.

Alucinando com bolas de ping-pong nos olhos

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Genial. Vi aqui. Usando um rádio quebrado, uma cama confortável, fita adesiva e duas bolinhas de ping-pong, alguns malucos juram que você vai ser capaz de ver cavalos voadores.

Como? Deite-se confortavelmente e coloque o rádio numa estação que não funciona (ou seja, improvise o i-Doser). Ouvindo os chiados, grude com fita adesiva as duas bolas de ping-pong nos seus olhos (isso. É, isso mesmo.) Você deve começar a sentir as distorções sensoriais em minutos. As alucinações seriam tanto auditivas quanto visuais.

Funciona? Não sei, mas o Boston Globe parece confiável. É mais provável que eu esteja te zuando, pra que você seja pego por alguém ouvindo um chiado no rádio e com duas bolinhas de ping-pong grudadas no olho, uma situação tão constrangedora que é provavelmente mais difícil de de explicar do que se você fosse pego usando drogas. Então boa sorte.

Tenha um problema no estômago e faça uma endoscopia

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Eu fiz endoscopia e vi a luz. Vi a luz, ouvi vozes ao longe, fiquei num estado entre o sonho e a realidade e tive visões reais dos soldados da corte inglesa. Não sei que anestesia eles dão pra desacordar o paciente e não consegui descobrir no Google, mas foi divertido. E esse item foge à regra, porque você usa sim uma droga pra ficar daquele jeito – mas eu resolvi colocar, porque é provavelmente a única vez em que um médico vai me receitar algo que me leve até os soldados da corte inglesa.

Como? Acho que a maioria das pessoas hoje tem problemas no estômago, né? Todo mundo come tanta tranqueira… basicamente, é só ter uma endoscopia receitada pelo seu gastroenterologista de confiança.

Funciona? O quê, a endoscopia? Sim, detectaram com sucesso uma gastrite leve. O efeito-brisa? Funciona, certamente. Ma tem gente que capota e não lembra de nada. E você dorme umas 15 horas depois disso. E não consegue andar, dirigir e nem fazer nada. Na verdade, é uma sensação meio lobotômica…

Meditação, yoga e essas coisas

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Finalmente uma técnica saudável e recomendável. Esvaziar a cabeça e se deixar levar para o estado alpha deve ser a maneira mais bonita e saudável de expandir sua consciência. Você fica mais criativo, sensível e calmo. Contribui para a fixação do aprendizado no dia-a-dia, faz com que você lide melhor com as pessoas e situações do dia-a-dia e te torna uma pessoa melhor.

Como? Existem várias técnicas. Eu faço esvaziando a cabeça, usando música calma, incenso, posição confortável (de preferência em lótus, porque alinha os chakras) e alguma disciplina e concentração (muita, pra uma pessoa hiperativa como eu). O desafio está em não dormir e manter-se nesse estado intermediário sem passar para o outro lado (o do sono definitivo).

Funciona? Sim! É como quando você fica meio desperto e meio cochilando, mas não está fazendo nenhum dos dois. É um estado mental leve e etéreo, e normalmente desperta idéias criativas e insights divertidos, além de recarregar as energias de um dia estressante com facilidade.

Outras dicas

Usei como fonte de pesquisa e inspiração pra esse post principalmente esse link, já mencionado, no Rizoma.net, e o link ‘Hackeando seu cérebro’, do Boston Globe. Eles trazem outras dicas de respiração e ilusões de ótica que enganam o cérebro e trazem sensações bizarras sem o uso de drogas e sem a possibilidade de ter que vender a TV de casa para pagar o traficante.

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Os 10 maiores mistérios de 2008

Não me odeie por terminar o ano com uma lista. Essa é uma lista especial; necessária, até. 2008 foi um ano excepcionalmente cheio de mistérios e seria injusto terminar o ano sem selecionar os maiores mistérios do ano que se foi. Deixei a lista, compilada com os amigos da Baia 63, pra última hora justamente pra garantir que todos os mistérios do ano estivessem nela. Acompanhe comigo:

10. Boate 00 na Gávea

Você é artista? Você quer polêmica e confusão? Cola na Boate 00 na Gávea. Todo mundo que se meteu em briga esse ano brigou na pista da 00. Marcelo Novaes tomou um soco de um desconhecido; Luana Piovani foi empurrada e Esme até enfaixou o braço. Será que existe algo no ar da 00 que deixa as pessoas agressivas? Teria a Boate 00 sido construída em cima de um cemitério indígena?

9. Os ETs que não vieram trazer a mensagem de amor

O viral começou a rodar na internet em setembro. Um vídeo dizia que uma vidente dos EUA teria entrado em contato com extraterrestres que disseram que dia 14 de outubro estariam passando por aqui. O boato se alastrou e todo mundo ficou esperançoso, mas ninguém veio. Claro que existe a possibilidade de os seres extraterrenos estarem vindo de um planeta com tempo de órbita muuuito mais comprido que o nosso. Vai ver 14 de outubro nem terminou ainda pra eles…

8. A morte de Dercy Gonçalves

Dercy Gonçalves

Tenho certeza que sua piada preferida sobre velhice/imortalidade incluía a Dercy (e a Hebe). Em julho, a Dercy contrariou todas as expectativas e nos deixou. Claro que isso é um grande mistério: não era algo que alguém esperasse para 2008. Nem para 2009. Nem nos próximos 20 anos, pelo menos. Os testes com Carbono-14, para determinar a real idade de Dercy, não foram feitos. Uma pena.

7. Sangue que brotava do chão em Jundiaí

Em junho, um caso curioso tomou as manchetes dos jornais do país. Num bairro chamado JARDIM BIZARRO, uma casa em que moravam dois evangélicos começou a verter sangue líquido dos azulejos. A vizinhança ficou alarmada. A princípio, a polícia confirmou que era sangue mas descartou fraude por parte dos moradores da casa. Depois, o laudo do Instituto de Criminalística confirmou: era sangue humano. No fim, infelizmente a história teve um desfecho bem menos sobrenatural do que gostaríamos: o sangue era da moradora da casa, uma senhora de 71 anos que tinha um problema de varizes nas pernas, que provocava hemorragia.

6. A vara desaparecida de Fabiana Murer

Fabiana Murer perdeu sua vara

O Brasil decepcionou nas Olímpiadas em uma série de modalidades. Mas não dá para culpar Fabiana Murer pelo fracasso na prova: a vara que usaria na segunda tentativa de salto desapareceu. A organização dos Jogos lhe forneceu uma outra vara, mas a atleta ficou nervosa e chegou a saltar até 35cm a menos do que sua melhor marca.

Dias depois, a vara foi encontrada num depósito, junto ao material das atletas desclassificadas. As dúvidas são muitas: teria sido um erro da organização, ou alguém teria sumido com a vara propositalmente? Se sim, quem? E, nessas circunstâncias, a prova não deveria ter sido cancelada? Pense bem: o que você acha que eles fariam se tivesse acontecido o mesmo a uma atleta dos EUA ou da China?

5. Menina-precoce-prodígio-Maísa

A menina doida conquistou todo mundo, mesmo quem tinha birra das crianças chamadas ‘prodígio’. Ela é diferente: inteligente e sarcástica, Maísa é tão articulada que parece uma criança de 13 anos que encolheu. Ninguém sabe qual a origem de toda essa sagacidade, já que os pais são pessoas simples e também não explicam a origem do conhecimento da menina. Uma coisa é óbvia: ela é antenada e faz referências a conteúdos que crianças da idade dela não têm idéia. O que nos leva a concluir que essa alta habilidade de ‘apreender’ informações somada a horas de televisão podem resultar numa criança hiperativa e desbocada.

4. Britney Spears se recuperou

Aposto que isso é algo que ninguém esperava e ninguém explica como aconteceu assim, de uma hora para a outra. Britney chegou ao fundo do poço. Estava acima do peso, atacou paparazzo com guarda-chuva, fazia freqüentes aparições públicas mal vestida, sem higiene – apareceu até careca. Todo mundo achou que ela tava doida e que não tinha volta. Aí, do nada, a mulher aparece sóbria, eloqüente, dançando e cantando superbem e de volta ao peso normal. O que terá sido? Teria virado evangélica? Aderiu à cientologia? Nunca saberemos, mas fazemos votos de que ela transmita o segredo a Amy Winehouse.

3. Amy Winehouse não morreu

Amy Winehouse

Existem mortes idiotas. Tem gente que tropeça, bate com a cabeça na beira da calçada e morre. Mas Amy Winehouse chutou o balde esse ano e continua viva – não muito saudável, é verdade, mas viva. Nenhuma overdose, briga, desmaio, doença, nada foi capaz de derrubá-la. Aposto que muita gente se deu mal no palpite (eu não, porque coloquei minha previsão para 2009).

2. LHC

Ligaram o aparelho que simularia o Big Bang. Os cientistas não sabiam o que podia aparecer lá dentro, uma vez que acelerassem as partículas, mas sabiam que isso seria importante para entender mais sobre o surgimento do universo. E daí ficou todo mundo dizendo que isso era uma afronta a deus, que o homem ia sofrer as conseqüências de tentar ser deus, que o mundo ia ser engolido po uma máquina de 27km… só que a máquina de 27km ligou e parou de funcionar pouco tempo depois por causa de um fio mal-soldado. Seja isso ação de deus ou descuido de um eletricista, é estranhamente irônico pensar que um equipamento sem precedentes, que custou tanto, foi planejado por tanto tempo e tenha gerado tanta discussão de cunho metafísico tenha pifado tão rápido por causa de um problema de solda.

1. LOST

Lost - foto promocional 5ªtemporada

Lost foi, sem dúvida, o mistério mais discutido do ano. Quem assistia a série não cansava de se reunir, pessoalmente ou on-line, para debater que diabos é aquela ilha, o que é o monstro de fumaça e POR QUÊ ELES TEM QUE VOLTAR! Até o fato de algumas pessoas nunca terem visto Lost também é um mistério pra mim.

Apesar de ter terminado na metade do ano, Lost foi o grande mistério de 2008 e não só do ponto de vista de roteiro (ali não façtam mistérios), mas como fenômeno de convergência de mídias: Lost é seriado na TV, é jogo de realidade alternativa, é mini-episódios no celular, é arquivo pra baixar no PC, é jogo pra console e pra PC. Pena que junto com o mistério vem também a grande expectativa pro fim da série. E quanto maior a expectativa, maior a chance de fracasso.

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