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Arquivo: Internet

O cara que tem mais hits no YouTube de Curitiba

A essa altura, pode ser que você já tenha ouvido falar de Rodrigo Ferraz. Além de ter virado piada em um monte de site por aí, e ser a sensação da internet há umas três semanas, as frases dele já viraram bordão entre a minha galera e o YouTube tem dezenas de paródias do vídeo do cara. A cereja no topo é que o Rodrigo foi no programa Domingo Legal nesse fim de semana (apresentado pelo Celso Portioli, agora). O homem virou um fenômeno. Quem é ele?

Ninguém sabe se o mais engraçado é o fato de ele ter peitos maiores que os meus e achar isso interessante, se são as rimas absolutamente retardadas sem nenhuma métrica ou rima, o cameraman (MITO) ou a ironia de um cara se achar muito homem enquanto tem outro cara atrás da câmera elogiando seu CORPO.

Ah. O sotaque também agrega aos elementos cômicos.

Nosso herói Rodrigo Ferraz é compulsivo por esses vídeos. Tem um em que ele rima bêbado, outro em que rima sem camisa sobre sua filha, que está para nascer. Tem um novo praticamente toda semana, com as mesmas rimas que ele julga serem provocantes, sob o mesmo mote de que todos tem inveja dele.

E quer saber? Todos têm mesmo. Eu explico.

Uma coisa é a gente achar esse cara risível. Ele é, realmente, muito engraçado. Rir dele, imitar, fazer piada. Até a paródia é algo muito divertido. Mas aparentemente tem gente em um monte de lugar que odeia o cara. Odeia muito – xinga ele no YouTube, faz questão que ele saiba o quanto ele é desprezível, cria vídeos-resposta editando os originais e colocando coisas sem graça na boca dele.

Isso é despeito, de certa forma. E a palavra “despeito” deixa tudo mais engraçado no contexto, mas é sim. É uma indignação do fulano pela fama daquele cara ter sido provocada por algo que ele considera tão indigno. Ele chegou ao Domingo Legal por que implantou silicone nos peitos e no trapézio! Que absurdo.

Quer dizer, essa frase é a fala de alguém. Eu não acho isso. Sabe por quê? Neguinho tem que ser MUITO HOMEM pra colocar silicone no peito e no trapézio, sendo homem. Se transformar numa aberração. Ser zoado pela internets inteirinha assim, receber vídeo resposta zuando. Tem que ter a auto-estima lá em cima pra aguentar tanta porrada.

E ser muito forte, também. Mas ele é. Horrivelmente forte.

E as mesmas pessoas que reclamam da fama dele são as que continuam falando dele por aí, reclamando do quão horrível é um país que dá IBOPE pra um cara que claramente usa anabolizantes, botando a culpa na sociedade, enquanto ele é o cara que mais vê os vídeos do Rodrigo, assinou o canal do cara e assiste rapidinho toda vez que ele coloca algo novo.

Rodrigo Ferraz é mito. O Chico Barney aposta que ele sabe o quanto é engraçado fazendo todas essas coisas; eu não tenho certeza. Sei que os méritos dessa fama virtual, que passa rapidinho e atinge tão pouca gente, são todos dele. E dos babacas que ofendem o cara em vez de se divertir com o cara que é, atualmente, o gaúcho mais engraçado de Curitiba.

Observem a singeleza de Rodrigo no Domingo Legal. A insegurança em sua voz. Sua doçura. Ele é um ursinho preso no corpo de um monstro esquisito. A mulherada na plateia vibra. Celso Portioli fica desconcertado.


“Disseram que você morreu! Não é verdade?”

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Uma rede social que serve pra bisbilhotar

Caderno de receitas Betty Boop
Image by ? Xanda ? via Flickr

Prepare-se para um post que vai descortinar uma tendência super descolada da internets, para não deixar você, usuário obtuso, de fora de nada que tá rolando na web. Obviamente que o LINK, o caderno em que eu orgulhosamente publico meus excertos tecnológicos toda semana, faz isso melhor que eu. Mas aqui vêm as análises, lá eu só noticio mesmo.

Pois bem. Se você tem até 40 anos, até onde eu sei, está familiarizado com o conceito de CADERNO DE ENQUETE. Essa maravilha dos anos colegiais funcionava da seguinte maneira: alguém ia lá e preparava um caderno com uma pergunta diferente em cada folha, depois passava pra todo mundo responder. Os cadernos da galera mais popular ficavam mais cheios, óbvio. Tipo, os das meninas e meninos bonitos. Porque ai todo mundo poderia dar indireta pra eles sobre o quanto eles eram bonitos e tal.

Enfim. Nesse domingo mesmo, falei com a minha mãe e meu irmão sobre como as redes sociais mataram o caderno de enquete. Quando eu tinha 15 anos, achei um em uma sala do segundo ano. Mas era um exemplar raro dessa espécie já em extinção, aparentemente. Meu irmão, que cursou o ensino médio mais recentemente, disse que nem viu sinal desses FAQs pessoais nos 3 anos.

Mas a web trouxe a ideia de volta – um pouco modificada, é verdade, e com outros atrativos. A parada que tá BOMBANDO no Twitter essa semana se chama formspring.me, e é uma rede social que consiste em poder perguntar aos membros qualquer coisa, quase sempre anonimamente (embora seja possível se identificar, a maioria não faz isso).

Eu fiz um ontem, tá aqui (e aqui na lateral do blog, também). Já recebi uma porção de perguntas – obviamente, muitas delas de cunho sexual (como nos cadernos de enquete, claro), porque no fundo todos temos 14 anos e estamos na puberdade.

Já tinha um negócio parecido no Orkut, chamado Caixa da Verdade, mas não pegou. E porque será que essa parada faz tanto sucesso? Vou dar uma de psicanalista e enumerar algumas razões, mas queria ouvir a sua opinião também.

Em primeiro lugar, as pessoas são voyeurs. Elas têm interesse na vida dos outros. Mas as aparências as impedem de demonstrar isso, por convenção social, pra não parecer bisbilhoteiro. Acontece que, no fundo, todo mundo é. Com as redes sociais, todo mundo virou um stalker em potencial, sem querer. O Formspring é mais um lugar onde uma pessoa se expõe e os outros aproveitam isso.

Em segundo, não menos importante, eles institucionaliza aquilo que é na internet a maior vantagem dos tímidos, dos covardes ou dos normais meio sem-graça, mesmo: o anonimato. No Formspring você até pode se identificar, mas o padrão é que a pergunta seja anônima. Se a pessoa cria um perfil, ela está esperando responder perguntas anônimas, ou seja, o anonimato passa de algo indesejado, que só é usado por quem quer se esconder, como uma característica padrão daquela rede, e portanto, naturalmente aceita.

E tem a nostalgia do lance caderno de enquete, também.

Pra quem cria um, quais são as vantagens? É mais um passatempo do que uma coisa que traz alguma vantagem, por assim dizer. Eu achei divertido responder as perguntas. Não menti em nenhuma, essa foi minha regra. As mais idiotas ou obscenas-babacas, apaguei. E dei umas respostas engraçadas. Criei um FAQ/caderno de enquete sobre mim, virtual, e de quebra abri espaço pra quem quer perguntar algo e por algum motivo não tem coragem fazê-lo. E, ah, também é interessante observar que tipo de curiosidade as pessoas têm sobre você.

Por exemplo: provavelmente porque sou solteira, várias pessoas perguntaram se sou gay.

Mas se eu fosse gay, acho que não estaria solteira. Tem mais mulher do que homem por aí.

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10 links de coisas que você devia conhecer

Voltei, ainda que brevemente, à vibe das listas. Na vontade de fazer um post simples mas com dicas de coisas legais, bolei isso. Seguem abaixo várias coisas – entre sites, lugares, objetos e pessoas – que, se você ainda não conhece, deveria conhecer. Confia em mim e vai.

Link ambidestro

Blog do Link

Não é esse Link. O Link é o caderno de cultura digital do Estadão. Não é um caderno de tecnologia, veja bem. Cultura digital é mais que tecnologia – é analisar como a tecnologia muda o mundo a nossa volta. Eu trabalho lá, posto nesse blog e posso dizer: é muito bom. Porque nós somos os únicos no Brasil que cobrimos cultura digital, e não tecnologia. E isso faz uma diferença animal.

Nigel Goodman

Nigel Goodman

Pega um carioca com sotaque bem arrastado, coloca um óculos e um cabelo engraçado nele e você tem Nigel Goodman, o menino prodígio do standup carioca. Indico o Nigel não só por causa dos textos excelentes de standup dele (as sacadas são das melhores que eu já li), mas porque o cara é gente fina demais.

Mulher de bigode

Women With Mustaches

Um blog com fotos de mulheres de bigode. Alguns bigodes são maiores que o do meu avô. Nem o diabo pode.

Provos

Provos

Os inventores da contracultura. Antes dos hippies, antes dos mods, dos Beatles, do maio de 68 na França, foram eles que mudaram a sociedade holandesa e transformaram a Holanda no país mais liberal e democrático do mundo, com manifestações baseadas em zombaria contra as autoridades e resistência pacífica. Gênios desconhecidos por causa da barreira linguística, inspiração pra mudar o mundo e pra fazer ação de guerrilha com blog (mesmo que isso seja muito paradoxal).

HOW I MET YOUR MOTHER

How I Met Your Mother

O melhor sitcom que eu já vi PONTO. Eu considerava Friends a série de comédia mais bem feita da história, com o melhor equilíbrio de humor, romance e simulação de identificação com o público. Até eu assistir How I Met Your Mother. São cinco amigos desses que você acha correspondente entre os seus: a solteira convicta, o galinha, o casal bonitinho e o rapazinho romântico. Os bordões são tão geniais que você vai acabar falando pros amigos. Altamente viciante.

This is why you are fat

This is why you’re fat

Um blog que dá fome. Mostra toda a sorte de guloseimas nojentas, com altíssimo índice de gorduras trans. Divertido, mas perigoso na hora do almoço. E tem muito bacon.

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Um smartphone

Eu sempre fui do time que dizia que celular precisava fazer ligação e só, até ter um. Ter à sua disposição câmera decente, aplicativo, tocador de música, teclado QWERTY e internet 3G muda a vida da pessoa. Não precisa ficar bitolado e checar e-mail toda hora não, que isso é idiotice. Mas garanto que vale a pena ter tudo num aparelho só. E garanto, eu uso tudo.

Paço de Santo André

Santo André

Os paulistanos que me perdoem, até porque sou amante distante da paulicéia (paulicéia perdeu o acento?), mas não há nada como Santo André. O paço com seu teatro em forma de pudim, os calçadões, o caminho até a estação de trem, as travessas arborizadas da Portugal, a Figueiras e seus idiotas de costume, o Black Label com seus motoqueiros, o bar secreto, a padaria… você, paulistano, visite Santo André. Será inesquecível.

Chineses

Deal Extreme

O melhor lugar do mundo pra comprar eletrônicos chineses. O preço é de banana, o frete é gratuito e você pode solicitar que os chineses safados enviem o pacote como ‘gift’, para evitar que ele seja taxado na alfândega. Geralmente, chega em 20 dias.

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Gogol Bordello

Punk-cigano é um gênero musical que não faz sentido pra ninguém até que você ouça Gogol Bordello. Minha mãe gosta, minha vó gosta, meu amigo baterista de banda punk gosta, minha melhor amiga gosta. O Nigel gosta. Não tem ninguém que consiga ficar impassivo diante do que eles fazem.

Posterous

O novo jeito legal de compartilhar as coisas. É só mandar o que você quiser por e-mail para post@posterous.com e o sistema vai lá e atualiza seu blog com o que você mandou. E ele replica automaticamente o conteúdo que você postou onde você quiser – no seu WordPress, Twitter,  YouTube, o que for. Cuidado, é viciante.

P.S.: Obrigada por se compadecerem do meu estado de miséria e comprarem no Submarino. Faltam só 3 reais para eu atingir o valor mínimo para receber, que é de R$50. Vocês são demais.

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Como medir a felicidade do mundo através da internet

Ontem, me apresentaram um jeito de medir a felicidade do mundo através da internet. O WeFeelFine.org, que parece ser uma novidade antiga mas da qual eu nunca tinha ouvido falar, tem como objetivo agregar todas as manifestações em blogs que contém o trecho ‘I feel’. A partir daí, o sistema tem como mostrar gráficos de como as pessoas estão se sentindo agora.

É uma pena que ele só monitore os textos em inglês. Ou seja, é um resultado um pouco distorcido da felicidade no mundo: é a felicidade só daqueles que falam inglês. E quem fala inglês deve ser um pouco mais feliz do que o resto do mundo. Ou não. Mas enfim.

WeFeelFine.org

Mas o mais legal é a interface da parada. O WeFeelFine disponibiliza 6 jeitos de navegar pelas mensagens das pessoas. O primeiro deles, chamado Madness, mostra um monte de bolinhas e quadradinhos malucos flutuantes (igual ai em cima. Cada um deles representa um post, uma foto, uma twittada – daí você clica e lê. E se você clicar em um lugar vazio da tela, as bolinhas todas começam a se aglomerar ali. Sério, dá pra brincar a tarde inteira. Tem também outros jeitos de visualizar, menos divertidos, mas tão bonitos quanto.

Mas falemos agora de como o mundo está. Na maioria das vezes, me parece que o mundo se sente BETTER, ou seja, a coisa tá ficando melhor. Pena que em segundo vem o BAD, mas é normal – normalmente, se a gente se sente bem não fala sobre isso na internet. Só vai reclamar se tá com problema. Ok, depois vem o GOOD e o RIGHT, que também denotam bons auspícios. Mas dá pra filtrar por todas as palavras possíveis. Eu encontrei várias pessoas que se sentiram ou se sentem ABDUZIDAS, ACELERADAS, RADIOATIVAS e até LÂNGUIDAS, que em inglês tem uma palavra muito mais legal: lackadaisical.

O legal é poder checar as mudanças nos gráficos diante de grandes tragédias. Daí a gente vai poder confirmar se o WeFeelFine é um retrato da felicidade do mundo ou um buscador que mais parece um joguinho.

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Manual Mercado Livre de Redação e Estilo

Você soube do #mercadolivreday no Twitter? Se não soube, tudo bem. Dá uma lida aqui que eu explico. Preciso que você esteja familiarizado com a ideia para filosofar a respeito dessa que foi uma das datas mais emblemática na história da interwebs brasileira, por ajudar a consolidar um fenômeno social bizarro que acomete todos aqueles que passam a fazer parte ativamente da comunidade de vendedores e/ou compradores no Mercado Livre.

Já assistiu o esquete de Monty Python chamado ‘My brain hurts’? Olha aí:

Quando o doutor coloca os apetrechos para operar cérebros, ele fica repentinamente estúpido. Muito burro. E é algo parecido ao que acontece com todo mundo que faz login no Mercado Livre: a pessoa emburrece. Conheci um cara formado em duas faculdades, plenamente articulado, muito inteligente… mas nada disso adiantava quando ele entrava no Mercado Livre. Uma vez lá, seus textos eram todos assim, adequados ao Manual Mercado Livre de Redação e Estilo. Confira alguns exemplos dessa que pode ser considerada uma nova escola literária (clique para ampliar):

ml
As características dessa nova corrente cultural são diversas, e refletem o comportamento e o perfil do brasileiro na internet. Observe: simpático e conciliador, o usuário do Mercado Livre sempre se dirige a qualquer outra pessoa usando o substantivo AMIGO, que acaba se tornando pronome de tratamento e transformando o ML numa rede social, tamanha a quantidade de amigos que a gente tem mesmo sem querer. Repare que você chama de AMIGO até o cara que tá xingando, de tão instituída que tá a coisa.

O estilo também reflete o entusiasmo e alegria do brasileiro. Escrever em caixa alta, sem vírgulas, conota uma gritaria sem fim e sem pausas, como a gente ouve por aí em todo bom cortiço nas capitais. Bonito.

Não dá pra esquecer dos erros ortográficos. Mas isso só confirma nossas altas taxas de analfabetismo, mesmo. Por fim, observe o OBRIGADO e o ABS sempre presentes no fim das frases. Eles também mostram o quando a gente é boa praça.

(ABS significa ABRAÇOS. Eu nunca entendi exatamente porque, já que ABRAÇOS deveria ser algo como ABÇS, no mínimo. ABS parece que você tá desejando ABRASSOS. Fora que ninguém dá abraços quando se despede, geralmente é um só, já que vários seriam interpretados de uma maneira socialmente mal-vista. Enfim)

O bagulho é instantâneo, eu fiz o teste. Uma vez lá dentro, fica impossível redigir qualquer coisa fazendo uso de vírgula. Eu não entendo porque, acho que tem a ver com a gente mimetizar o comportamente de terceiros. Ou o ML deve penalizar quem não escreve assim.

A única coisa que posso dizer a respeito é que esse não é o único lugar da internet em que as pessoas se comportam linguisticamente de forma bizarra. Inclusive, existe um site que supera o ML. Quem sabe um dia o site de leilões não supere o Yahoo!Respostas?

yresp

Aliás, demorou pra rolar o #Yahoo!RespostasDay.

pergunta

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O Twitter precisou cair pra eu me tocar do verdadeiro barato dele

Eu sei que o Twitter não é uma ferramenta exatamente utilizada por todos os leitores do meu blog. E nem os culpo. Não acho que ninguém é obrigado a ter perfil em nenhuma rede social. No máximo, acho que precisa saber o que é e como funciona – tipo conhecimentos gerais. Assim como é preciso saber o que tá acontecendo com o Sarney e o que são atos secretos. Conhecimentos gerais.

Como nem todo mundo usa, sei que nem todo mundo ficou solitário essa manhã com a queda do sistema. O Twitter está a manhã toda fora do ar. O blog oficial da ferramenta diz que eles estão sofrendo um ataque de Denial-of-service, que aparentemente significa que alguém ou um grupo força um número descomunal de acessos ao servidor para que ele não aguente e caia.

E aí eu entendi.

Entendi porque é que o Twitter vicia tanto, porque a gente sente tanta falta quando ele se vai depois que tá acostumado com ele. É porque se você está usando o Twitter, a sensação é de que você está sempre acompanhado por um monte de gente. Com o Twitter subindo toda hora ali na barrinha do lado direito, você nunca está sozinho. Sempre tem alguém ali, falando algo. E você sempre vai ter alguém pra te escutar.

Não se trata de velocidade, de número reduzido de caracteres. Se trata de suprir, ainda que de forma ilusória, a vontade de ter gente ao redor mesmo não tendo. Como diz aquele vídeo supimpa, é como se você estivesse trocando ideia com seus amigos o tempo todo. Aliás, pra quem não viu, segura aí que vale a pena:

Talvez isso represente o fim da privacidade, a instituição da teletela que Orwell previu. Talvez o Twitter só tenha feito sucesso porque estamos numa era em que as relações estão decadentes, as intituições familiares são deterioridadas, todo mundo tem problemas psicológicos e de relacionamento.

O meu grande medo é que a gente esqueça o valor de estar sozinho. Porque ficar sozinho às vezes é muito bom. É necessário inclusive pra auto-conhecimento, pra poder avaliar a vida e as ações, essas coisas. A gente precisa ficar sozinho às vezes. E se você usa Twitter, na frente do computador não está mais sozinho. Ao menos não se sente assim.

Fora que, focado nos seus amigos na internet, é muito possível que você não repare nas pessoas que estão, de verdade (fisicamente), em volta de você. Ou não é muito fácil imergir no PC, no trabalho, e viver naquele mundo divertido que envolve seu Twitter e as coisas que são faladas lá, em vez de falar besteira com teus amigos ao redor?

Quem nunca esteve rodeado de gente e ainda assim se sentiu sozinho? Pois é – o Twitter é o inverso disso. Mesmo que totalmente sozinho, você se sente rodeado de gente. E eu me senti idiota por me sentir sozinha esta manhã.

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Como ensinar ratinhos a segurararem instrumentos musicais

A primeira coisa que preciso te dizer é que sim, é possível ensinar um ratinho a segurar um instrumento musical. Já foi provado, e há registros fotográficos para comprovar, que ratinhos podem segurar flautas, violões, banjos, clarinetes e até saxofones, desde que eles sejam, é claro, adaptados ao tamanho dos ratinhos. Em tamanho real, embora o teste ainda não tenha sido feito, eu suspeito que não seja possível.

De qualquer maneira, desafio você, ávido leitor, a fugir do óbvio. Não se pergunte porque diabos você gostaria que um ratinho segurasse um instrumento musical. Não faça isso, porque se a fotógrafa holandesa Ellen van Deelen tivesse se perguntado o óbvio, ela não teria alcançado resultados tão belos e desafiantes:

A tal holandesa afirma ter ensinado os ratinhos a segurar os instrumentos em troca de comida. COMO ASSIM MEU DEUS. Tipo, SEGURA AÍ ESSE INSTRUMENTO OU FICA SEM COMER? Desde quando rato cede à chantagem alimentícia? E na boa – pode até funcionar pra ele aprender uns truques, tipo decorar o caminho certo no labirinto. Mas é virtualmente impossível condicionar um rato a segurar instrumentos musicais da maneira como esses bichinhos estão fazendo e dizer que o adestramento foi feito em troca de comida.

Como eu sou deveras perspicaz, lanço aqui o guia As 5 Melhores Maneiras de Adestrar Seu Ratinho Para Segurar Mini Instrumentos Musicais. Na verdade, pelo que eu notei, existem várias técnicas para atingir seu objetivo. Escolha a sua e mãos à obra:

5) Aprenda a mexer no Photoshop, tire fotos de ratos e manipule-as, incluindo os instrumentos musicais de maneira verossímil. Diga ao mundo que você adestrou os ratos em troca de comida;

4) Mate os ratos, enfie os instrumentos nas mãos deles e fotografe. Diga ao mundo que você adestrou os ratos em troca de comida;

3) Peça para que pessoas vistam fantasias de ratos. Peça a elas que segurem instrumentos. Fotografe-as. Diga ao mundo que você adestrou ratos em troca de comida;

2) Compre uma banda de ratos de brinquedo. Fotografe os membros separadamente. Diga ao mundo que você adestrou ratos em troca de comida;

1) Hipnotize ratos e ordene que eles segurem instrumentos musicais. Diga ao mundo que você adestrou os ratos em troca de comida;

Ok, eu falei tudo isso pra dizer – eu duvido que esta mulher adestrou esses ratos pra fazerem o que estão fazendo. Observe que os dedinhos estão posicionados corretamente, é muita precisão – só pode ser piada. Se ela fosse tão boa adestradora assim, estaria trabalhando como adestradora, e não tirando foto dos bichos. O curioso é todo mundo noticiar isso quando é claramente algo como uma montagem muito boa no Photoshop.

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Apenas o Fim, o metafilme nerd brasileiro bonitinho

Eu não tive feriado, trabalhei normalmente na quinta e na sexta. Mas mesmo na redação o ritmo diminui nesses dias em que tá todo mundo em casa menos você. Então foi mais sossegado, feito um plantão em que nada acontece. Na sexta, fim dela, dei meu primeiro furo, o que fez com que eu me sentisse jornalista segundo a definição do cara que escreveu meu livro preferido:

“Jornalismo de verdade consiste no que alguém não quer ver publicado; o resto é relações públicas.”
George Orwell, escritor inglês

Daí ficou mais agitadinho, mas foi isso. Passei o final de semana em casa, com os amigos, tocando bongô às 2h da manhã, assistindo a 1ª temporada de Os Normais e tomando vinho frisante rosè. Foi demais, no geral.

No fim da tarde do meu feriado encurtado – ou seja, às 16h do domingo – resolvi assistir a Apenas o Fim, o filme bonitinho de baixo orçamento com referências nerds feito por um estudante de cinema da PUC-RJ sobre o qual todo mundo tá falando. Ganhei um par de ingressos pro filme, mais pôster e uns adesivos. Só que os ingressos só valem de segunda à quinta, então eu assisti a uma gravação suspeita aqui na sala mesmo, copiada pelo camarada Lucas. Deu pro gasto. O par de ingressos que a Tayra me mandou, muito gentilmente, vou dar pro primeiro leitor que comentar aqui (de maneira coerente) dizendo qual era seu Power Ranger preferido e porquê.

Apenas o Fim é um filme bonitinho. De tão real, fica constrangedoramente irreal. Explico – parece que o roteirista começou a anotar todos os insights engraçados sobre cultura pop que ele tinha no dia-a-dia durante meses, e depois compilou isso num filme. É um retrato tão fiel de uma vida como a minha, cheia de referências idiotas (que eu acho divertidas) aos jogos que eu joguei na infância, aos filmes que eu vi, aos livros que eu li, que incomoda. Porque a gente se acha tão original e descolado vivendo a vida real citando filmes, livros, sites, seriados. E quando o próprio filme começa a mimetizar essas situações pra poder imitar a vida, como eu me sinto? Parece que tô assistindo algo que é irreal. Clichê.

Na verdade não é, é só alguém vivendo uma vida parecidíssima com a minha. É só o constrangimento de perceber que você não é tão original quanto era, que tem alguém lá no Rio que botou toda essa bobagem de viver assim em um filme. E depois, como você vai citar um filme que é só citação?

Tem também um constrangimento pela atuação da Erika Mader, que eu acho que deixa a desejar. O Gregorio Duvivier parece interpretar ele mesmo, mas não dá pra saber porque não conheço o cara – ou ele é muito bom ator ou é daquele jeito mesmo.

O filme tem umas sacadas boas, esse texto que deixa a gente irritado por não se sentir mais tão original, e faz milagres com um espaço tão pequeno pras filmagens. Parece ligeiramente autobiográfico. Também tem umas metareferências muito boas – o retrato de estudante de cinema pseudo-intelectual padrão é muito verdadeiro, o casal em si, o caráter da produção, Los Hermanos, até o plot principal tornam a história toda uma grande piada sobre essa vida que a gente leva e a vida que o diretor deve levar. Puxa, os sites preferidos do Ton, o protagonista, são o Judão, o Omelete e o Jovem Nerd. Dá pra ser mais legal que isso?

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Esse óculos é um exagero, mas meninas como ela usariam

Se vale a pena gastar o ingresso? Muito. Mesmo. É um metafilme, que fala de filmes que falam da vida, e por isso fala da vida. Estranhamente. Vale pra provar que os filmes sobre o nada, sobre o dia-a-dia fielmente retratado, podem ser tão bons quanto aqueles que mostram coisas impossivelmente reais e que satisfazem aqueles nossos sonhos irrealizáveis. Tipo Harry Potter e Transformers.

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Resultado da promoção do livro: acho que no próximo fim de semana. Mas sem pressa, porque a vida é essa coisa bonita de viver. Aguarde.

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#ForaSarney e a revolução com a bunda no sofá

Olha só, que alegria. O Irã entra pra história depois de usar o Twitter como principal ferramenta pra cobrir as manifestações contra a reeleição de Ahmadinejad. Coisa linda, a gente vivendo história, capa de todas as revistas.

Daê no Brasil a gente acha que tem poder porque emplaca um #chupa como Trending Topic (para leigos: palavras mais faladas) no Twitter. E porque recebeu uma resposta do Ahston Kutcher.

Como se não tivessem aprendido o suficiente depois da palhaçada que foi aquele MOVIMENTO CANSEI, algumas celebridades brasileiras que usam o Twitter acharam que a vida é fácil assim, e que poderiam usar O PODER DA INTERNET pra tirar o Sarney do Senado. Se você tá desinformado, resumo:

Gente famosa que tem Twitter, tipo o Christian Pior, o Marcos Mion e o Junior Lima supostamente se reuniram em um movimento pra fazer com que as pessoas no Brasil twitassem a palavra #forasarney e essa palavra entrasse também nos Trending Topics, como aconteceu com o #chupa.

Ok, então é o seguinte – eles perceberam no domingo, na partida contra os EUA, que os twitteiros brasileiros tinham força suficiente pra emplacar um trending topic e serem notados pelo Ashton Kutcher, a.k.a marido da Demi Moore, a.k.a Kelso, a.k.a @aplusk.

Até que pediram para que o Ashton Kutcher AJUDASSE, twittando o termo #forasarney e pedindo pra que os seguidores dele fizessem o mesmo. Ok, vamos fingir que isso não é patético. Estamos fingindo. Fingindo. Ainda bem que o próprio Ashton Kutcher não finge. Ele respondeu:

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“Só VOCÊS tem o poder de tirar seu senador. É SEU país. Vocês têm que lutar pelo que VOCÊS acreditam. Eu não tenho voto”

O óbvio, que qualquer pessoa de bom-senso responderia na face da terra, mas que meia-dúzia de celebridades descabeçadas não enxergaram de primeira e precisaram que o Ashton Kutcher as lembrasse. FAIL. O Lucas fala de maneira majestosa sobre o showzinho das celebridades brasileiras neste post.

Acho que eles pensaram que esse negócio de internet é realmente revolucionário, que você pode fazer a revolução sem levantar sua bunda do sofá. Até eu que sou mais boba sei que não funciona assim, amiguinhos. Não é porque você coloca uma tag lá no topo de um site gringo que os governantes olham aquilo e dizem: “Oh! O povo brasileiro está realmente indignado e furioso. É melhor convencermos o Sarney a deixar o cargo.”

A cobertura e a revolução que o Irã provocou não foi fabulosa simplesmente porque aconteceu no Twitter, senhores famosos. Foi fabulosa porque o Twitter serviu como TRANSMISSOR de algo que estava NAS RUAS. Foi feita por pessoas, gente comum, e não VJs da MTV, cantores infanto-juvenis de moicano e apresentadores de programas dominicais. Aliás – foi feita também pelos VJs, pelos cantores, e apresentadores, mas os holofotes, eu garanto, estavam sobre o povo que se manifestava nas ruas pela recontagem nos votos. O Twitter revolucionou apenas a maneira de MOSTRAR isso pros outros.

Esse ‘movimento’ que eles chamaram de #forasarney entra no meu TOP 5 VERGONHA ALHEIA 2009.

Não esqueça: Sarney e a família dele estão em cargos públicos desde antes da gente, que usa o Twitter, NASCER. E desde aquele tempo eles são também donos de uma porção de veículos midiáticos. Isso não nos impede de derrubá-lo da presidência do senado, mas eu posso garantir que isso não será feito caso consigamos fazer um número muito grande pessoas escrever uma palavra em uma rede social.

Não sei vocês, mas eu gostaria muito que mudar o mundo fosse fácil assim. Emplacou um Trending Topic no Twitter, voilà. Já pensou? Teríamos evitado uma série de tragédias, ainda mais considerando a possibilidade de o Twitter existir antes, como cogitou o Huffington Post esses dias. Teriam possíveis #InquisiçãoNão, #ForaLuísXIV ou #DiretasJá evitado guerras ou contribuído para o triunfo de movimentos sociais?

Ou mesmo se houvesse a possibilidade de coberturas colaborativas em outras épocas, veríamos coisas como “#Auschwitz eu e minha família fomos encontrados no sotão por esses fdps da SS. Por favor, RT!” ou “#RevoluçãoFrancesa acabamos de derrubar a Bastilha!”?

Ok, teria sido engraçado. De qualquer forma, nesses casos – em todos eles, aliás – o Twitter teria eficácia. Porque ele estaria apenas reportando algo que estaria de fato acontecendo nas ruas. Mas se fosse algo do tipo “#CaiBastilha vamos acabar com essa palhaçada pessoal, RETWITTEM!“, well, os livros de história como conhecemos TALVEZ estivessem um pouco diferente hoje.

A revolução não será criada na internet – a internet só tem o poder de espalhá-la mais.

Infelizmente, leva um pouco mais do que Trending Topics pra fazer as coisas mudarem.

Baseada na lógica da simplicidade de mudar o mundo dos amigos famosos aí, o Danilo Gentili, andreense e pertinente como sempre </rimas>, soltou:

pazmundial

E eu aderi à causa, claro. Sou entusiasta da #PazMundial e não vejo jeito melhor de fazer essa benção ser instuída do que escrever essa tag no meu Twitter. Criei inclusive a #PazMundial DOS BROTHER. Obtive bastantes retweets com essa brincadeira – ou seja, usei o humor e fiz a minha parte para chegar mais perto da #PazMundial. AH! E também pedi para o Ashton Kutcher nos ajudar nessa, ou seja, segui todo o protocolo de revolução via Twitter. Quando alcançarmos a #PazMundial, poderei dizer – fiz a minha parte rumo à #PazMundial! Ainda não somos Trending Topic, mas eu sou brasileira e não desisto nunca da #PazMundial.

Editado: a pedidos, esclareço uma posição que temo que não tenha ficado clara no post pra algumas pessoas. Não sou contra o ‘movimento’ #ForaSarney no Twitter nem em lugar nenhum. Ser ‘contra’ não é a palavra correta aqui. Só acho que algumas celebridades engajadas nisso o estão fazendo de maneira oportunista e irresponsável, já que na minha opinião o objetivo real deles não é tirar o Sarney da presidência do Senado, e sim se promover. Acho legal quando a manifestação parte dos usuários do Twitter em si e endosso mais ainda o uso da tag como agregador de notícias sobre a causa em si, como fizeram Rafinha Bastos e Marcelo Tas

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Michael Jackson está morto

O hours-concour para o prêmio Troféu Pedobear se foi na noite desta quinta.

  pedobear-michael-jackson

O toque do meu celular  será Billie Jean, como forma de luto. Tudo que eu tenho a dizer é – lembremo-nos dele como ele gostaria de ser lembrado pra sempre:

Dando uma de Jucelino Nóbrega da Luz: vão embalsamar Michael, e o corpo eternamente conservado dele será exposto numa redoma de cristal na entrada de Neverland, que se tornará um grande parque temático em homenagem ao maior astro pop reptiliano que já pisou neste planeta.

E tudo isso será feito por vontade expressa do cantor, via seu testamento. Ah – o parque só será acessível via Moonwalk. Aproveita e aprende (com o vídeo abaixo ou na matéria-tutorial que eu fiz pro estadao.com.br, que provavelmente vai concorrer ao Pullitzer):

Só um palpite.

Brincadeiras à parte, que Michael Jackson descanse em paz, como deve. Ele merecia descanso depois de tudo.

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