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Arquivo: jornalismo

Tá tudo bem agora*

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Reconhecer padrões é uma habilidade que já foi fundamental para a sobrevivência da raça humana. Precisamos nascer com a capacidade de reconhecer rostos, simplesmente para que possamos distinguir entre os seres que são nossos pais e as que não são.
Na medida em que a gente se perde cada vez mais no meio de posts e tweets, há outro tipo de reconhecimento de padrão que deve se tornar valioso. É a habilidade de enxergar modelos em meio a milhões de dados e tirar daí uma conclusão sobre as pessoas que produzem esses bits. Quem são, o que fazem, como se sentem, que lanche pedem quando vão ao McDonald’s?
Sep Kamvar e Jonathan Harris sabem do enorme potencial monetário de um mecanismo que possa medir esses detalhes. Mas foi sem essa intenção que projetaram o We Feel Fine, um grande banco de dados que mostra como a rede se sente a cada dia, a cada hora. De acordo com Sep, o We Feel Fine funciona muito bem para entender o comportamento do público também como consumidor ou eleitor, e “é muito mais barato do que fazer pesquisas na rua”.

O sistema varre a web – blogs e Flickrs – em busca de frases que comecem por “I feel”(“eu me sinto” em inglês). Cada sentimento vem associado ao sexo de quem o reportou, ao lugar de onde o post foi escrito, à previsão do tempo naquele lugar, à idade do autor e à data do post. Coletando variáveis tão específicas, o We Feel Fine se torna um termômetro de como a internet se sente. E o sentimento da internet pode não ser o sentimento do mundo, mas é o mais próximo que já chegamos de medir algo assim.
“Observamos que as pessoas são mais parecidas do que diferentes, emocionalmente. Mas também observamos que as pessoas tendem a serem mais felizes quando ficam mais velhas, que as mulheres expressam tristeza mais frequentemente que os homens, e que o Natal desperta amor e solidão. Há muita observações nessa linha”, relatou Sep sobre algumas das conclusões a que ele e Jonathan chegaram com o projeto.

É possível, por exemplo, sondar como se sentem as afegãs de 20 anos quando chove. Ou então, filtre direto pelo sentimento: quantas pessoas se sentem, começando pela letras A, abstratas, anormais, absurdas?
A interface visual do site oferece uma navegação que aproxima o visitante de um mundo pulsante, cheio de gente dizendo, pensando e sentindo coisas. Cada sentimento é representado por uma bolinha, que varia de cor e tamanho de acordo com as características do sentimento que ela representa – cores mais escuras para sentimentos sombrios, cores mais claras para sentimentos alegres. Como o We Feel Fine coleta cerca de 15 mil novos sentimentos por dia, dá para dizer que o resultado – uma tela multicolorida em fundo preto, as bolinhas dançando caoticamente – é de fato uma representação artística do humor do mundo em determinado momento.

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“O projeto nos fez ver que as pessoas são muito mais parecidas do que diferentes, emocionalmente”
Sep Kamvar, co-criador do We Feel Fine

Os resultados deste estudo se tornaram livro. We Feel Fine: An Almanac of Human Emotions foi lançado em novembro de 2009 e reúne em infográficos e textos tudo o que Sep e Jonathan descobriram sobre os padrões do temperamento humano apenas catalogando posts de blogs. Foram mais de 12 milhões de sentimentos pinçados durante mais de três anos de blogs na internet.
O livro começa com uma citação de uma blogueira norte-americana: “Eu tenho um problema     que tenho certeza que muitos outros blogueiros enfrentam: me sinto à vontade para compartilhar detalhes íntimos sobre minhas emoções com os estranhos que conheço online, mas tímida para expressar meus verdadeiros sentimentos para qualquer um que eu conheça na vida real”. E é do conforto proporcionado pela tela que o We Feel Fine se alimenta. Nunca a humanidade esteve tão confortável para dizer o que sente, mas mais do que isso, nunca antes nós registramos tudo o que sentíamos da maneira como fazemos hoje.
Entender os sentimentos do mundo pode ser um caminho para entender melhor o ser humano também do ponto de vista científico. O trabalho de Sep e Jonathan foi o ponto de partida para dois cientistas de Vermont que criaram um medidor de felicidade em 2009. O ‘Hedometer’ usou os dados agregados pelo We Feel Fine, mas também analisou tweets para, em 2009, calcular o nível geral de felicidade no mundo para cada dia usando um banco de dados de 10 milhões de frases. Eles descobriram que os dias de mais felicidade são, sem nenhuma surpresa, os fins de semana e feriados. A eleição de Barack Obama foi responsável por um dos dias mais alegres dos últimos anos, enquanto a morte de Michael Jackson causou uma notável queda da felicidade.

E o estudo científico não é a única tentativa, além do We Feel Fine, de rastrear os sentimentos da humanidade usando a internet. O Facebook já tentou fazer isso, e há outros sites que querem entender o quão felizes ou tristes as pessoas estão.
Jonathan Harris, o principal idealizador do We Feel Fine, é um especialista em coletar dados e interpretá-los de maneira a entender o comportamento humano. Em seu site, Number27.org, ele diz que seus projetos “reimaginam como nos relacionamos às nossas máquinas e uns com os outros”. Assim como o We Feel Fine, todos seus trabalhos envolvem arte de alguma maneira. São mosaicos, colagens e exposição fotográficas que, na maioria, usam dados produzidos por humanos que depois são coletados e organizados por máquinas.

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  1. ‘I feel’… O algoritmo do site varre a web atrás de posts e fotos com a frase ‘I feel…’ e registra esses textos
  2. Quem sente o que. O mesmo algoritmo coleta as palavras que vêm depois do
    ‘I feel’, a localização dos textos, a previsão do tempo, a data e o sexo do autor
  3. Interpretação. A interface gráfica é gerada por um aplicativo java, e os valores definem cores e tamanhos

* Publiquei essa matéria na edição do Link desta segunda**, 26 de abril, que aliás foi também meu aniversário.

** Veja a edição completa aqui.

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O protesto mais tosco da história

Vamos supôr que o governo federal baixe uma lei te proibindo de ficar laranja.

Seria fantástico, né? Ninguém quer ficar laranja, certo?

Errado. Algumas pessoas querem, e elas tipo saíram na rua para manifestar seu direito de serem laranjas. Mesmo sabendo que existe a possibilidade do bronzeamento artificial ser cancerígeno, pessoas saíram na rua defendendo o direito de se bronzearem artificialmente. Isso é mais ridículo que brincar de #FORASARNEY no Twitter.

Você sabe, meu bom amigo leitor, que eu sou a favor da liberdade de escolha. Portanto, se fulano quer ser laranja, ainda que isso venha com um tumor de brinde, que seja laranja. O governo não proíbe o cigarro, né, e ele taí causando câncer. Mas assim.

Bronzeamento artificial, como o nome já diz, é é um processo artificial, que felizmente pode ser substituído pelo natural, que é vulgarmente conhecido como TOMAR SOL. Se você acha ridículo estender uma canga na sua LAJE e tomar sol, mais ridículo é pagar pra ficar uma hora dentro de um caixão quente que pode te dar câncer e ainda sair laranja de lá. Portanto, tome vergonha na cara, finja que você não tem dinheiro sobrando e pare de pagar por algo que pode ser adquirido de graça. Você compraria música digital? Não, né, porque pode baixar. É a mesma coisa. Com o ônus de que tomar sol não é ilegal.

Agora a outra parte bizarra, é demais pra minha cabeça: vá arrumar o que fazer em vez de ir pra rua PROTESTAR. Gente que faz bronzeamento artificial não PROTESTA, ok, isso é proibido por definição. PROTESTO é coisa de proletariado, minhas senhoras, e proletariado não precisa de bronzeamento porque geralmente já é bronzeado por natureza.

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Gosto muito do que diz VOLTAMOS À DITADURA, ali à esquerda. Voltamos sim, com a exceção que nesse mundo de ditadura você não estaria aí fazendo seu protesto e estaria tomando porrada de milico. E de outros militantes políticos, por protestar por uma coisa tão babaca.

Por isso, recolha seus cartazes almofadinhas, e use o tempo desperdiçado na rua tomando sol na sua piscina, substituindo a sessão de bronzeamento que a senhora não pode mais fazer. Impressionante essa classe média brasileira: o que causa indignação é proibição de bronzeamento artificial. Bem que dizem que se proibissem futebol aí sim o povo ia pra rua… tsc

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Ah, a adolescência…

Lembra quando um cara entrou no cinema durante Clube da Luta e metralhou um monte de gente? E as pessoas ficaram querendo proibir o filme de passar, dizendo que ele incentivava a violência, quando o filme era justamente um chute no saco dessas pessoas chatas e elas nem percebiam?

Pois bem. Dois JOVENS DESBRAVADORES assistiram o genial Na Natureza Selvagem, sobre o qual você pode ler nesse fantástico post feito por mim após assistir o filme, e decidiram sumir no mundo. Sabe, viver assim, uma vida SIMPLONA (deus, como eu odeio essa palavra, deus). Confira nas imagens de Pederneiras:

Leia mais sobre a AVENTURA aqui. Acho bonito isso de fugir pra Boiçucanga. Viver na praia, na beira do mar. É algo que a gente cresce e perde, né? Essa coragem de viver a vida. Manuel Carlos que o diga.

NOT.

Consigo imaginá-los com os cabelos ao vento, caminhando pela areia, pensando ‘puxa, como sou especial. Meus amigos todos aí, querendo saber o que vai rolar em Malhação, e eu só queria saber de viver uma vida mansa com meu amor no litoral’.

Agora, se você fosse se inspirar na filosofia de um protagonista de filme pra aplicar à sua vida, quem esse cara seria? A lógica é escolher alguém tipo o Will Smith em qualquer filme dele, cujos finais são sempre muito felizes e com um toque de humor inesperado. Mas não, as belezas me escolhem um filme em que o protagonista morre no final (favor sublinhar se quiser ler, é SPOILER). Você não repete o mau exemplo de alguém objetivando felicidade e bem-estar.

E como alguém foge com 300 reais no bolso e um cartão de crédito e não quer ser achado? Qualquer um que recebesse de dois pivetes com cara de bem-nascidos um pedido de lugar pra ficar notaria algo errado aí e denunciaria. Sem contar o egoísmo ao fazer algo assim com a família, mas tudo bem que isso é coisa da adolescência.

Quando eu era pequena, minha mãe fez um bolo e eu queria comê-lo quente. Ela não deixou e eu resolvi fugir de casa. Coloquei minhas coisas em cima de um pano, com o qual fiz uma bolinha e amarrei na ponta de um cabo de vassoura. E fui para o quintal. Foi algo parecido com o que ele fez:

E foi exatamente que esses dois fizeram. Minha mãe chama isso de SER MIMADO. Ingênuo, pra dizer o mínimo. Não se espera tanta ingenuidade assim de um casal de 16 e 17 anos, mesmo que o amor torne as pessoas idiotas. Provavelmente a vibe hippie é só uma fase (veja bem, O MENINO COMPROU UMA CARA VARA DE PESCAR. Segundo os policiais, ele é MEIO MÍSTICO).

Se bem que eu queria uma história engraçada assim pra contar pros outros quando crescesse. A única parecida é essa do bolo quente.

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Hoje é o dia mundial sem carro. E daí?

Tem duas frases que eu ouço um bocado. A primeira delas é “nossa, já consigo até imaginar  você apresentando o jornal nacional”, normalmente proferida por familiares distantes com pouca familiaridade com jornalismo. A outra é “mas logo você já pode comprar um carro”.

Minha reação à primeira é um sorriso amarelo, mas não há muito o que discutir sobre ela. Não vou trabalhar em TV porque não gosto, mas é difícil explicar pras pessoas que jornalismo não está só na TV, então não me esforço. À segunda, sempre respondo que não compraria um carro nem que tivesse grana pra caramba.

As pessoas me olham esquisito. A primeira coisa que todo mundo faz quando cresce e se estabiliza no trabalho é ganhar um carro. Muita gente ganha um de aniversário de 18 anos, e é claro que eu não recusaria o mimo se meus pais fossem abastados o suficiente para tal. Mas não é o caso – e mesmo se fosse, posso garantir: o carro ficaria na garagem, pois poucas coisas são tão impraticáveis quanto o trânsito de São Paulo.

No geral, estamos tão dominados por essa cultura de culto à máquina (ainda que seja óbvio, a máquina aqui é o carro, ok?) que ignoramos que o espaço urbano foi concebido originalmente para ser percorrido e habitado por pedestres. As pessoas a pé deveriam ser a incógnita mais importante na equação do trânsito urbano.

Mas não é o que eu vejo. A prefeitura investe mais em transporte público ou na construção de rodovias? Investe mais em inspeção veicular ou em projetar ciclovias? Nas ruas, quem é mais desfavorecido – o homem a pé ou o homem sobre rodas?

No espaço urbano, o pedestre é vítima da máquina e têm medo dele. Ela está sujeito aos caprichos dela e não deve ocupar o mesmo espaço da máquina, sob perigo de arriscar a própria vida. O pedestre tem status inferior diante dos carros, é mais fraco e fica desfavorecido, mesmo numa cidade que deveria ser dele.

A nossa cultura estimula o uso do carro e desencoraja o ‘andar a pé’. Veja bem, o transporte público é ruim e usar bicicleta na cidade é como sair pra comprar cigarro: há chances altas de que você não volte. Não dá pra optar andar a pé na cidade, mesmo que esse seja o estado natural de se conviver em sociedade.

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Percorrer 1 km em 40 minutos quem curte?

E andar de carro em São Paulo já está insuportável. Você pode sair a qualquer hora, para qualquer lugar, e vai encontrar muito trânsito, daqueles que dá vontade de sair do carro gritando porque n]ao dá pra entender como é possível ficar parado por 30 minutos sem andar nem meio metro. Não existe mais aquela regra sobre horários de pico ou regiões mais lotadas: qualquer hora é uma hora ruim para estar de carro em São Paulo. Dirigir é minar qualidade de vida – stress, horas perdidas dentro do carro, poluição na cara. E por causa do trânsito, dirigir acabou se tornando um dos jeitos mais lentos de se chegar em algum lugar.

Hoje é o Dia Mundial Sem Carro, e em São Paulo a prefeitura nem sequer ampliou a frota de transporte público, nem por um dia. Agora imagina se a cidade, em vez de dar prioridade às vias comuns, construísse um monte de ciclovias. Imagine também que as pessoas tivessem o hábito, culturalmente, de andar de bicicletas. Parece uma coisa boba, mas que provocaria mudanças incríveis de qualidade de vida: as pessoas se exercitariam mais, passariam por menos situações de stress, teriam mais contato com os outros e com o espaço urbano, teriam mais tempo para as coisas que realmente importam, a cidade ficaria menos poluída. Entre outros.

Parece uma mudança boba. Mas pra quem vive nas grandes cidades, tenho certeza que seria tipo uma reviravolta se fosse possível começar do zero com bicicletas, skates, patins, patinetes ou o que fosse, além de transporte público. Seria uma nova vida, pra todo mundo, e uma vida positivamente muito melhor. Pena que talvez tenhamos ido longe demais para conseguir voltar atrás.

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Jornalismo vergonha-alheia “nas festa Rave”

Aprendi na faculdade um monte de tipo de jornalismo. Não editoria do tipo ‘jornalismo cultural’ e ‘jornalismo esportivo’, mas formas de fazer jornalismo mesmo. Existe a cobertura conhecida como ‘hard news’, que é a notícia do dia-a-dia, sem análise; tem o jornalismo de web e suas peculiaridades. Tem o jornalismo literário, o gonzo jornalismo, essas paradas todas. Você sabe, é esperto, é ligeiro.

Esse maluco aí embaixo inventou o, sei lá, jornalismo… ilustrado. Jornalismo patético. Jornalismo vergonha alheia. Sei lá. Mas ficou engraçadão.

Por gentileza, assista até o final.

Foda pensar que 50 pessoas tiveram que dividir só isso de drogas, rapá. Puta recessão.

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Como ensinar ratinhos a segurararem instrumentos musicais

A primeira coisa que preciso te dizer é que sim, é possível ensinar um ratinho a segurar um instrumento musical. Já foi provado, e há registros fotográficos para comprovar, que ratinhos podem segurar flautas, violões, banjos, clarinetes e até saxofones, desde que eles sejam, é claro, adaptados ao tamanho dos ratinhos. Em tamanho real, embora o teste ainda não tenha sido feito, eu suspeito que não seja possível.

De qualquer maneira, desafio você, ávido leitor, a fugir do óbvio. Não se pergunte porque diabos você gostaria que um ratinho segurasse um instrumento musical. Não faça isso, porque se a fotógrafa holandesa Ellen van Deelen tivesse se perguntado o óbvio, ela não teria alcançado resultados tão belos e desafiantes:

A tal holandesa afirma ter ensinado os ratinhos a segurar os instrumentos em troca de comida. COMO ASSIM MEU DEUS. Tipo, SEGURA AÍ ESSE INSTRUMENTO OU FICA SEM COMER? Desde quando rato cede à chantagem alimentícia? E na boa – pode até funcionar pra ele aprender uns truques, tipo decorar o caminho certo no labirinto. Mas é virtualmente impossível condicionar um rato a segurar instrumentos musicais da maneira como esses bichinhos estão fazendo e dizer que o adestramento foi feito em troca de comida.

Como eu sou deveras perspicaz, lanço aqui o guia As 5 Melhores Maneiras de Adestrar Seu Ratinho Para Segurar Mini Instrumentos Musicais. Na verdade, pelo que eu notei, existem várias técnicas para atingir seu objetivo. Escolha a sua e mãos à obra:

5) Aprenda a mexer no Photoshop, tire fotos de ratos e manipule-as, incluindo os instrumentos musicais de maneira verossímil. Diga ao mundo que você adestrou os ratos em troca de comida;

4) Mate os ratos, enfie os instrumentos nas mãos deles e fotografe. Diga ao mundo que você adestrou os ratos em troca de comida;

3) Peça para que pessoas vistam fantasias de ratos. Peça a elas que segurem instrumentos. Fotografe-as. Diga ao mundo que você adestrou ratos em troca de comida;

2) Compre uma banda de ratos de brinquedo. Fotografe os membros separadamente. Diga ao mundo que você adestrou ratos em troca de comida;

1) Hipnotize ratos e ordene que eles segurem instrumentos musicais. Diga ao mundo que você adestrou os ratos em troca de comida;

Ok, eu falei tudo isso pra dizer – eu duvido que esta mulher adestrou esses ratos pra fazerem o que estão fazendo. Observe que os dedinhos estão posicionados corretamente, é muita precisão – só pode ser piada. Se ela fosse tão boa adestradora assim, estaria trabalhando como adestradora, e não tirando foto dos bichos. O curioso é todo mundo noticiar isso quando é claramente algo como uma montagem muito boa no Photoshop.

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Da série ‘eu preciso de um emprego com urgência’


Alemão faz 12 navios de papel de 5,5 milímetros e bate recorde

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Na boa, eu tenho uma vida até que bem atribulada pra uma menina de 21 anos. Trabalho, tenho uns outros 4 ou 5 projetos paralelos dos quais nem dou conta porque quero abraçar o mundo etc. E respeito o trabalho dos artesãos espalhados ao redor do mundo. É bonito, nesses dias de máquinas e robotização de mão-de-obra, ver gente que emprega a força de trabalho de maneira única e especial em algo.

Exceto se esse algo forem barquinhos de papel de 5,5 milímetros.

Repare que até a reportagem reconheceu a irrelevância da notícia e chamou os barquinhos de NAVIOS DE PAPEL, que é pra dar uma glamour maior.

Acho interessante, mas até aí eu rasgo um pedacinho minúsculo de papel e digo que lá tem um Tsuru de 2,1 milímetros e quero ver provar que não tem. Na boa, tô no rolê da humildade mas faço o meu melhor pelo mundo. Eu juro. Posso não criar nanorigamis, mas faço um miojo ao queijo supimpa. Cada um contribui como pode.

Esse tio virou notícia por causa de algo que eu nem tô VENDO? Qual a utilidade disso? Como estão as taxas de desemprego na Alemanha? Este senhor precisa de um trabalho.

E digo mais – o mundo anda tão, mas tão sem graça, que essa tosquice foi a coisa mais interessante sbre a qual eu encontrei pra escrever. Tenho ideias de textos sobre meu cotidiano, mas acho legal intercalar com comentários factuais. E como não tinha nada na manga, fui fazer a leitura diária… pô, não tinha nada de interessante. Nenhum vídeo polêmico. Nenhuma celebridade fazendo besteira. Nenhuma decisão judicial polêmica, ninguém fazendo merda por aí, nada.

Fique atento, meu amigo. Se a notícia mais interessante do mundo é que um cara fez um barquinho de papel de 5,5 milímetros, está na hora de estocar mantimentos.

*Se tiver alguma ideia boa, comenta aí.

**Os resultados/entrega de prêmios das últimas duas promoções vão sair, eu só preciso ter tempo pra isso. Desculpe o transtorno.

***Tô postando no blog da Closeup diariamente desde o início do mês. São textos curtos, bem pessoais, que falam da minha rotina – algumas coisas mencionadas lá você com certeza já leu por aqui se for leitor das antigas. Passa lá e dá um oi se tiver afim.

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Uma invenção que pode significar o fim dos paparazzi – ou não

Pessoalmente, não tenho nada contra os paparazzi. Uma vez assisti um filme que chegava a ser engraçado de tão forçado – o nome era Paparazzi mesmo e contava a história de três fotógrafos que eram os vilões e arruinavam a vida de uma celebridade que só queria ser feliz com sua mulher e filhinha. Um deles, se não me engano, era um Baldwin. Um dos 20.

Tenho amigos fotógrafos e sei que eles não são tão maus assim. Não causariam um acidente grave pra conseguir uma foto. Um acidente leve, talvez, mas isso é justificável né? A pessoa precisa trabalhar e tudo.

Eu sei que quando se trata de alguém muito cobiçado, a coisa é realmente feia de se ver. Um bando de fotógrafos ao redor de um fulano super famoso é chocante, parecem urubus atrás de carniça mesmo, se atropelando por um clique. Falo ‘urubu’ aqui e não é no sentido pejorativo, é porque é a referência mais próxima e a cena é bem semelhante.

Acontece que, por outro lado, dá pra entender a vida desses caras, especialmente os freelancers. Eles moram em Hollywood e precisam conseguir as fotos pra vender, não têm salário fixo. E a gente sabe que a indústria das celebridades, em boa parte do tempo, se beneficia dessa superexposição. Muitos wannabe famous são loucos para terem os flashes na cara – já vi mulheres frutas vibrantes por seu momento ter finalmente chegado. Ou existiria outro motivo pra mulherada famosa sair de vestido curto sem calcinha, fazer sexo no mar e aparecer de roupa esquisita?

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É por isso que eu acho que nem toda celebridade moderna vai ficar tão satisfeita com a invenção mostrada nessa foto.

Um cara chamado Adam Harvey desenvolveu um dispostivo supersimples capaz de acabar com a profissão dos paparazzi. É um flash extra, com um LED superbrilhante e acionado por sensibilidade à luz. Assim que ele percebe o flash da câmera, dispara e ofusca a foto. O cara tá tentando inclusive patentear a invenção, porque parece algo simples de fazer até em casa.

E se a moda pegar mesmo, esse é o tipo de invenção que muda o mundo. Não completamente – aqueles flagras de topless no iate no meio do mar que os caras fazem de dia, com teleobjetiva, ainda não poderão ser evitados. Mas se esse dispositivo se tornar comum entre as celebridades, a gente vai saber quem realmente não quer ser fotografado e quem, no fundo, tá precisando muito chamar a atenção. Porque o segundo grupo não vai poder portar a invenção supracitada.

E isso vai criar uma nova lei de mercado maluca. Quem andar com o aparelhinho vai ser ainda mais cobiçado pelos fotógrafos, que vão ter que encontrar outros meios de burlar as barreiras pra fotografar esses caras. E quem não andar com o flash na bolsa vai ser considerado ‘facinho’. Daí nenhuma revista vai querer foto daquela mulher sem calcinha porque, né, é óbvio que ela tirou a calcinha pra ser fotografada, e se não tava com o flash ofuscador master plus…

Óbvio que as revistas vão continuar querendo as fotos. São mulheres sem calcinha, isso vende muito. Elas só vão valer menos.

De qualquer forma, não acho que a invenção chega a acabar com a profissão de paparazzi, como vem sendo anunciada. No máximo, vai criar um novo padrão nos preços que as publicações pagam pelas fotos-flagras. Pelo menos agora não tem mais desculpa pra sair dando chilique e porrada em fotógrafo por aí – nesse  caso sim a gente vai ter como saber se o famoso tava puto mesmo ou se só queria aparecer mais ainda ao quebrar a câmera de seu perseguidor.

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Ai, não gostei dessa invenção

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Quem tem medo da Gripe Suína?

Agora todo mundo tem medo desse negócio. Me dá coisas quando ando na rua e vejo gente de máscara. Acho que dá um certo glamour pro país, sabe? Porque a gente é atrasado até na chegada das epidemias. Tava o mundo desenvolvido inteiro já na vibe das máscaras antigripe. Europa, EUA, todo mundo. Por aqui só chegou agora, como sempre.

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Não basta estar protegido, você tem que fazer isso com estilo

Quando vejo pessoas de máscara na rua alguns pensamentos intrigantes me acometem. A saber:

1) Será que ele sabe que a máscara não previne que o indivíduo contraia o vírus, só diminui a chance de transmití-lo caso ele esteja com sintomas da doença?

1.1) Se sabe, então há suspeitas de que ele esteja infectado? Devo correr?

1.2) Se não sabe, eu deveria avisá-lo para poupá-lo do constrangimento que essa postura patética está causando ao redor?

A questão é que eu não consigo entender tanto alarde por causa da doença. Quer dizer, consigo – é que os jornais tratam como se fôssemos todos morrer de dor de garganta e febre alta. As manchetes da semana passada diziam “Morrem mais dois infectados pela gripe suína. Vírus já está a solta no país”. Oi? “A solta”? É tipo “Prendam este vírus!”

A Gripe Suína é só uma variação um pouco mais letal da gripe comum. Pode afetar gravemente gente com problemas respiratórios, idosos e crianças. Mas é só isso. Tem tratamento, o índice de mortalidade é menor de 10% e é capaz que alguns de nós já tenhamos pego a gripe nos curado dela achando que era a comum.

Se pegar, pegou. O tratamento é IDÊNTICO ao da outra gripe, àquela que todo mundo já teve. Repouso, remédio que alivia os sintomas e só. Ou seja, não tem nenhum motivo pra sofrer por antecipação. Se tiver que pegar, vai pegar. Daí vai no médico e trata. Máscara não vai te proteger. Não há nada que possamos fazer pra evitar o contágio.

AAAHH, sim. Há sim, segundo infectologistas. Primeiros, as mãos. Você precisa lavá-las muito, sempre, evitar contato com as mucosas. Até aí ok. Mas gosto mais da segunda principal recomendação – evite multidões. Gente aglomerada. Lugares fechados.

Como é que você evita multidões no esse mundo onde tem gente saindo pela culatra? E como é, EM NOME DE DEUS, que você evita lugares fechados? Só sendo morador de rua pra ficar livre da Gripe A, portanto?

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Já consigo ver os hipocondríacos se mudando pra Cracolândia

Po, segundo essa lógica todo mundo se isola em casa. Pra evitar multidões eu não posso sair do meu quarto, porque na minha casa moram cinco, e se a gente se enfiar, digamos, no quarto do meu irmão, já vira uma multidão relativa. Não posso ir trabalhar, porque o trem pode se caracterizar como multidão confinada em lugar fechado. Não posso ficar dentro da empresa, é tudo fechado lá e tem um monte de gente.

Ou seja, é aquilo que eu disse: você não pode correr. Esse negócio passa pelo ar, máscaras não o intimidam, as dicas pra não pegar são impraticáveis e se você tiver que pegar, vai pegar. Depois disso, você se descabela. Não dê ouvidos às manchetes que dizem que o vírus já corre solto do Oiapoque ao Chuí. 70.000 pessoas morreram de gripe comum no Brasil no ano passado e eu não vi ninguém usando máscara e mandando prender vírus.

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Pela primeira vez, concordo com a posição oficial do Vaticano sobre alguma coisa


Parlamento da Itália criminaliza a imigração ilegal

A Itália tem um problema sério com imigrantes e criminalidade. Têm rolado por lá crimes do tipo estupro e espancamento organizados pelos extracomunes (é como eles chamam os imigrantes ilegais). Isso tem criado um sentimento forte de xenofobia por lá, justificada pela reincidência desses crimes e fomentada pelo conservadorismo do governo do Berlusconi, parece. Frase bonita.

Juntou as duas coisas, lindo, agora imigrar ilegalmente pra Itália é crime. Mas essa não é a parte curiosa da lei.

A proposta aprovada permite a ronda de civis para vigiar as cidades durante a noite, ação que estava exclusivamente nas mãos de policiais (…)

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Tem um monte de gente no sul dos EUA louca pra mudar pra Itália

Aparentemente, isso significa que a nova legislação italiana deu aos civis poder de repressão contra imigrantes. Me parece que se eu for um reaça italiano, e estiver em casa fazendo nada no sábado à noite, posso convidar meus amigos e organizar uma caçada ronda de vigia, pra ver se a gente acha algum desses imigrantes sujos.

Alex e seus drugues ficariam extremamente satisfeitos. Não consigo pensar em outra coisa senão uma Ku Klux Klan institucionalizada ou naqueles filmes sobre a Inquisição em que o povo sai atrás das bruxas de tochas nas mãos. É um país de tradições ocidentais, democratas, e tem gente votando por uma lei que fomenta ódio contra estrangeiros.

Eu entendo que as pessoas entram lá e fodem tudo. Não consigo compreender o sentimento em si porque aqui no Brasil a gente não sente esse tipo de coisa, no naipe de ‘nossa cultura está sendo destruída por invasores de outro lugar’. Mas entendo que realmente seja preciso tomar medidas pra que a imigração ilegal e talvez esse tipo de crime diminuam. Só que por mais bicho-grilo que meu papo vá soar, é todo mundo igual. Você não pode ser considerado inferior porque saiu do seu país e foi pra outro. Eu nem acredito nessas fronteiras geográficas, já disse isso – acho tudo babaquice. E pela primeira vez na minha vida, acho que eu concordo com uma declaração oficial do Vaticano:

Para o Vaticano, a imigração não deve ser reprimida como “uma invasão da qual é preciso se defender”. O presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Refugiados, monsenhor Antonio Maria Vegliò, acrescentou que não pode ser esquecida que a “soberania está vinculada às convenções internacionais e ao respeito a dois princípios éticos: a defesa da dignidade dos indivíduos e a convicção que toda a humanidade, para além das diferenças étnicas, nacionais, culturais e religiosas, forma uma comunidade sem discriminação entre os povos”.

E por que falar disso? Acho que a maioria dos brasileiros sente uma curiosa relação de proximidade com a Itália, provavelmente porque 90% de nós tem ascendência deles. Quando a Itália não tinha emprego no pós-guerra, eles vieram todos pra cá e prosperaram nas fabriquinhas dos Matarazzo na beira da linha do trem. Mas se eu quiser mudar pra lá agora sou caçada?

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Quem diria que um nome de novela seria capaz de prever tão bem a possessividade dos italianos com a terra deles?

Eu sinto uma proximidade maior ainda. Moro com meu padrasto, que é italiano, e estudo italiano há uns dois anos. Acompanho o noticiários via jornais italianos, pra entender a maneira como eles fazem jornalismo e o posicionamento deles diante das questões e tal. Sou entusiasta da cultura deles, mas não tenho cidadania italiana. Nem pretendo adquirir. Só isso já permite que eu, se resolver tentar a vida ilegalmente na Itália, seja caçada por cidadãos italianos à noite. Acho que isso me ofendeu um pouco.

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