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Arquivo: Moda

Estilistas gostam de pregar peças

Eu gosto desse negócio de moda. Sério, adoro. Pode ser um mundo meio cruel, ligeiramente fútil, mas eu sou mulher e gosto de comprar roupas e de me vestir bem, ainda que não compulsivamente. E nos últimos tempos percebi que também achava legal ver desfiles.

O legal é perceber que, embora aquelas roupas do desfile sejam conceitos (a maioria das peças não é utilizável no dia-a-dia, mas apresenta, idéias que serão empregadas em coleções e tal), mesmo assim alguns desfiles me agradam e outros não. Não sei explicar o motivo. Não sei dizer porque gostei mais daquela roupa bufante da modelo com cadeados no pescoço do que do outro desfile, em que as pessoas vestiam trapos brancos e salto alto. Mas percebi que podia gostar de moda quando comecei a trabalhar com essas coisas e, ao olhar a foto de um desfile, eu gostava (ou não) daquelas coisas. Não era como se fosse tudo igual, e nada fazia sentido – algumas coisas faziam, e outras não. Ou seja, existe um gosto (se bom ou ruim, eu não sei).

Ainda assim, dá pra rir de algumas coisas na moda. Essa idéia de que é tudo um ‘conceito’ acaba gerando resultados divertidos (e, às vezes, roupas bem ridículas).

Foto: JF Diório/Agência Estado
Desfile 2ndFloor - Foto por JF Diório

Esse é um modelo muito bonito, e isso é indiscutível. Mas a roupa dele não é exatamente algo que Agostinho Carrara dispensaria para mais um dia de trabalho como taxista.

dunga
Dunga também usaria

A questão é que eu, que acredito na inteligência das pessoas, começo a desconfiar que algumas peças dos estilistas nos desfiles são pegadinhas. Provocações. O cara é genial, um artista, e tá com o ego ultra-inflado por todo mundo que vive ao redor dele. Daí entra numa crise de identidade – algo como “será que tenho amigos? As pessoas gostam de verdade do meu trabalho ou só o elogiam para puxar o saco”?

Como resolver uma dúvida dessas? Saber se as pessoas ao seu redor realmente são críticas ao seu respeito ou só querem uma casquinha fazendo elogios infinitos? Simples. O cara cria uma camisa dessas, ainda que seja um conceito. Para distrair, a coloca num modelo lindo, um cara tão bonito que quase chega a tornar a camisa bonita (e que torna a coisa ainda mais desafiante). Essa medida é fundamental no processo, porque se a camisa for colocada em qualquer pessoa com cara de pobre, a coisa já fica gritante. É preciso despistar o observador.

E agora, o estilista responsável espera profundamente que alguém sincero e verdadeiro, que goste dele de verdade e não seja um bajulador, lhe diga que o resto do trabalho dele é legal, mas que aquela peça em si é uma merda e que ele deveria doá-la para o figurino d’A Grande Família.

Hoje, eu sou essa pessoa.

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Mallu locona

Síndrome de artista. Daqui a pouco ela tá falando igual ao Tom Zé, com as pausas do Gil e a eloquência do Suplicy. Vai ver tá andando demais com o naipe pseudo-intelectual de Los Hermanos. Se bem que o Camelo nunca pareceu babaca…

Mas é aquela coisa, né? Se uma pessoa fala que você é foda, beleza. Se dez pessoas falam, você começa a ficar desconfiado. Mas se todo mundo fala muito bem de você todos os dias durante tanto tempo… não há quem não acredite. Não dá pra esperar que a pessoa não surte, ainda mais se ela tiver 16 anos.

As legendas do vídeo são engraçadas, mas eu não acho que a Mallu é fabricação de mercado, não, portanto discordo do delicado apelido atribuído, Jaballu.

(Vi no Insensatotal)

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Cheat codes não tornam a vida mais fácil

Viver, em si, não é um negócio fácil. Existem algumas complexidades em viver que a gente só compreende vivendo. Fico satisfeita em constatar que, seja lá quem estiver lendo isso, compreenderá o que estou dizendo, porque certamente estará vivo. De qualquer forma, a vida no dia-a-dia vem com monte de exigências sociais, expectativas suas e dos outros. É preciso lidar com todos os estímulos, com as diferenças, com as outras pessoas, tudo ao mesmo tempo.

Às vezes, eu desejo que a vida fosse um pouco mais fácil. Não tô dizendo que ‘oh, eu tenho muitas dificuldades’, mas algumas coisas são bem enroladas e poderiam ser mais simples. Mas e só um pouco. Uma facilidade aqui e outra acolá, não uma vida muito fácil. Porque olha só o que acontece com as pessoas cuja vida é (ou se torna) muito fácil: muitas acabam enfiando o carro do pai num poste, outras ficam esquisitas, outras perdem a cabeça

Paris Hilton entediada

Não é a toa que ela vive com cara de 'tô de saco cheio'

Quando penso em ‘vida fácil’, a primeira pessoa que me vem à cabeça é a Paris Hilton, que deve ser uma pessoa absolutamente entediada. Muito divertidade, no começo, mas entediante num segundo momento. Exemplifico: eu tenho algum motor pra continuar vivendo, que é conquistar algumas coisas que não posso agora. Ok. Mas ela não têm isso. Posso estar julgando mal, mas arrisco dizer que a Paris Hilton não almeja nenhuma conquista espiritual ou pessoal em grande escala, assim. Tipo atingir um estado de iluminação. Logo, dá pra supôr que todas a soutras aspirações dela podem ser compradas com dinheiro. Então, não há nada que a impeça de ter tudo o que ela quiser e fazer tudo o que lhe convir agora. E isso deve ser muito legal no começo, mas depois é algo que provavelmente me entediaria. É por isso que essas pessoas normalmente são pegas fazendo coisas absurdas, tipo o Boy George e o George Michael. O que resta de interessante para essas pessoas fazerem que não possa ser comprado com dinheiro?

E ainda assim a vida da Paris Hilton, em alguns aspectos, deve ser mais difícil do que a minha: ela lida com pressão de todo mundo, por causa da visibilidade que tem, e precisa decidir o que fazer com tanto dinheiro. NOT

Daí leio coisas como essa (clica pra ler):

Carol Miranda tira costela

Carol Miranda, aos desinformados, trata-se da sobrinha da Gretchen que fez um filme pornô e perdeu a virgindade na frente das câmeras. Supostamente.

Sabe quando você joga videogame? Você joga um pedação, passa várias fases na honestidade e no suor, e daí descobre que tem uns cheat codes disponíveis. Você resiste um pouco, mas chega num trecho especialmente difícil, em que você vai precisar daquele código que te dá munição infinita. Daí você pensa ‘vou fazer só esse código, só pra passar dessa fase. Depois eu desabilito, continuo a jogar e tudo bem’. Mas você faz o código da munição infinita. E você vê que é bom. E você resolve que não há mal em continuar jogando com ele. Daí, vem outra fase com um trecho difícil, e você habilita outra função do cheat code. E em breve o jogo não terá nenhuma graça.

Tirar duas costelas, para mim, é o equivalente na vida real a fazer cheat codes no video-game. No geral, compulsão por cirurgias plásticas, pra mim, é exatamente isso. Por algum motivo, a gente chegou num ponto em que consegue comprar praticamente tudo com dinheiro. E daí a gente quer mudar cirurgicamente, o que é uma intervenção agressiva no corpo humano, tudo o que dificulta nossa vida. Mesmo que seja só um pouco, e mesmo que fosse possível, digamos, jogar por mais tempo em fases chatas para recolher mais cartuchos. Só que isso levaria mais tempo. Seria mais natural, menos agressivo, mas é difícil. E você não quer mais dificuldades, né?

Há limites no video-game quando a gente coloca um cheat code? Não. E é assim que a gente tá vivendo, sem limites, no sentido de que tudo que incomoda pode ser mudado com dinheiro. Ninguém mais enfrenta as coisas de fato, busca o meio natural de resolvê-las. E pode aplicar isso a todas as coisas: quando você fica insatisfeito com um serviço público, por exemplo, você luta melhora melhora dele ou pagar por ele? Escola pública, segurança particular, plano de saúde…

Temo que, como no videogame, quando o jogo fica muito chato quando você pode fazer tudo, a gente acabe assim, pra sempre insatisfeito e entediado. Sobre o tédio, como já vimos, ele pode gerar fenômenos sociais que são aberrações. E quanto à satisfação, infelizmente, não dá pra comprar satisfação eterna, mesmo com todas as plásticas, escolas particulares e festas homéricas à là Paris Hilton do mundo.

Donatella Versace deformada

Donatella Versace que o diga


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Especial Planeta Terra – um guia para você que caiu de pára-queda

Ter um selo de escrito ‘Planeta Terra – Embaixador Oficial’ implica em algumas coisas. Implica em ser convidado para ir ao festival, leia-se ir na faixa. Implica também em estar escalado para fazer uma cobertura ampla do evento. Implica em receber contatos alienígenas que, ávidos por conhecer nossos costumes, digitam ‘embaixador do planeta Terra’ no Google e chegam no blog.

Implica, inclusive, em ajudar incautos pára-quedistas do Festival. Você achou um ingresso no chão e vai conferir mas não conhece nenhuma banda? Seu/sua namorado/a vai e portanto você é obrigado a acompanhá-lo/a, mas você preferia que a escalação incluísse Ivete e Babado Elétrico? Você sabe que os ingressos esgotaram, todo mundo vai para lá no sábado e portanto você também vai?

Esse guia é para você. Aqui tem tudo o que você precisa saber sobre algumas bandas do Festival (as que eu pretendo assistir), mais uma música para você decorar em três dias e não precisar cantar o fim de todas e fingir que sabe, além de dicas de visual e de como se portar. Manda ver e boa sorte!

Brothers of Brazil

Quem? eles podiam se chamar também Sons of Marta. Supla e João Suplicy se unem numa produtiva parceria, cujos frutos ressoam a bossa nova e rock’n'roll. Cazuza ficaria orgulhoso. Um som feito claramente para ser consumido por gringos ávidos por música brasileira. Inteligente.

Não pode faltar: sei lá, conheci há pouco. Mas achei divertidinha essa aqui embaixo, sem nome, com atenção para os carões do João Suplicy.

Vanguart

vanguart @ sesc bauru
Creative Commons License photo credit: cássio abreu

Quem? Vanguart é minha banda brasileira preferida, disputando o primeiro lugar com os Ecos Falsos. São de Cuiabá, tocam folk em inglês, português e espanhol, com letras meio surreais e um vocalista que tem dado algumas demonstrações de arrogância (e de pedofilia). Mas isso não é suficiente para que eu deixe de gostar da banda. Se fosse, eu não ouviria Oasis.

Não pode faltar: Os hits semáforo e Hey Yo Silver, o último representado abaixo:

Mallu Magalhães

Mallu Magalhães
Creative Commons License photo credit: tatu43

Quem? a garota propaganda prodígio precoce da Vivo tem 16 anos, é fofa e pega o cara do Vanguart faz umas coisas interessantes. Num é que vou morrer se não assistir, mas acho que vale a pena. Tá no pacote.

Não pode faltar: o juizado. E aquela do parapapapapaaaa, olha ela aí (nem consegue segurar o violão, tadinha…):

Foals

foals_002
Creative Commons License photo credit: tacvbo

Quem? poxa, sobre eles só sei que são ingleses e que gosto muito dos singles e do disco, Antidotes, que está na minha playlist desde muito tempo. É um rockzinho marcado pelas guitarras e bateria, chamado de math-rock, mas acho esse nome besta. Tem algo de Bloc Party do primeiro disco e promove vontade de dançar.

Não pode faltar: CASSIUS! (nunca tive visto o clipe e é bem gay, olha aí embaixo) e balloons.

Offspring

The Offspring Concert
Creative Commons License photo credit: briant87

Quem? COMO ASSIM, QUEM?
Não pode faltar: putiz. A música que me fez gostar deles, aos 10, foi Pretty Fly for a White Guy. Mas Kids Aren’t Allright é genial. Mas alguém pode ir a um show do Offspring e não querer ouvir Self Steem? (posso até ouvir o coro de Uooohhh yeaaahhh yeaahhh, ouve aê)

Bloc Party

Bloc Party en Barcelona
Creative Commons License photo credit: alterna2

Quem? uns maluquinhos que fizeram um disco muito bom em 2004 de rock inglês que pode ser tocado na pista sem chocar entusiastas de música eletrônica. Daí fizeram um segundo disco mediano que decepcionou todo mundo, e um terceiro idem. Daí vieram ao Brasil, fizeram playback no VÊ EME BÊ e aí a credibilidade esgotou-se.

Não pode faltar: o vocalista cantando ao vivo.
Extra – pode faltar: todas as músicas dos segundos e terceiros discos.

Kaiser Chiefs


Creative Commons License photo credit: Nelisha

Quem? cinco ingleses engraçados e bons de música pop compõem o Kaiser Chiefs. O som é pop rock com influência do rock inglês, ou seja, no Brasil seria rock’n'roll mesmo, porque nosso pop rock aqui é farofa né? Têm um primeiro disco grudento chamado Employment (e um DVD engraçado), além de mais dois discos, o segundo médio e o último melhor que o anterior mas não tão bom quanto o primeiro. Ufa! E, dizem, sabem fazer um bom show.

Não pode faltar: Everyday I love you less and less e Na Na Na Na Na (não é a das Lipstick), mais a nova, Never Miss a Beat, um dos melhores singles que ouvi em 2008. Escutaí:

Tem mais gente?

Tem, sim. Não vou falar dos DJs porque deles pouco entendo. Mas, representando o BRASIL!!! temos também Curumin, um multinstrumentista paulista que toca uma espécie de samba-chorinho-rock-funkeado (?).

As outras atrações gringas são os veteranos do Jesus and the Mary Chain (minha mãe gostava deles, mas eu dormi), o Animal Collective (com o clipe mais tóxico que eu já vi, no sentido), o Spoon (não sei, me lembrou Counting Crows) e os Breeders (uma espécie de Pixies).

O que mais eu preciso saber?

Essa foto é muito engraçada, já usei ela outras vezes e não me canso

Bom, vista-se adequadamente para um festival cheio de gente alternativa – ou seja, perca um pouco o senso do ridículo! Calças justas, all-stars e nike dunks, óculos de lentes grossas, rayban wayfarers coloridos ou de armação colorida, faixas na cabeça – tudo isso vai te camuflar como um membro da tribo. Pode ir de fã do Offspring também, visual hardcore é mais fácil né? Use a capa do CD do Blink 182 de inspiração e sijoga.

Leia a Bravo! e repita as análises nos grupinhos como o pseudo-intelectual que você é. É bom saber algo sobre o CSS, também. Todo mundo fala sobre o CSS nesses festivais. CSS não é Cascading Style Sheets nem Contribuição Social da Saúde, ok? É o Cansei de Ser Sexy.

No geral, você está preparado! Boa sorte e me conte se deu tudo certo.

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Como estragar um post divertido de maneira rápida e efetiva

Na sexta, no Goma de Mascar, um inocente post sobre fantasias nerds de Halloween levou a uma discussão acalorada sobre a dominação cultural dos EUA sobre o Brasil.

As pessoas começaram a repetir que ‘brasileiro fica imitando americano, que a festa nunca teve a ver com as nossas raízes culturais e por isso somos idiotas em reproduzí-la’.

Nesse raciocínio muito estúpido, teríamos que crucificar Mallu Magalhães porque ela toca folk, um estilo musical tradicionalmente americano e que nunca teve nada a ver com as nossas raízes culturais.

Esse discurso, junto com o ‘não coma no McDonalds, capitalismo grrrrrr’ e o ‘nada que não seja rock’n'roll é bom’ é muito, muito chato.

Como qualquer pessoa menos idiota sabe, o estilo de vida americano – música, moda, comemorações e todo o resto – é incorporado de maneira imperceptível, não só por nós, mas pelo mundo inteiro desde que a TV e o cinema começaram a mostrar essas coisas. E todo mundo é e está influenciado por isso, não há meio de escapar.

É bem engraçada essa mania que a gente, brasileiro, tem de nos referirmos a nós mesmos na terceira pessoa. Sempre que a gente tem uma crítica ao nosso país, diz ‘o brasileiro’, e em nenhum momento pensa que isso provavelmente inclui a gente. É um distanciamento que não funciona.

As festas de Halloween se ‘popularizaram’ aqui só por causa das escolas de inglês. Mas não passam de uma festa à fantasia com nome diferente e temas supostamente sombrios.

Não faz parte das nossas ‘raízes culturais’, seja lá o que isso signifique, mas o sentido original, mesmo nos EUA, já se perdeu. Para quem não sabe, a comemoração faz parte da cultura bretã, e sua origem se mistura com rituais druidas de comemoração da chegada do verão e comemorações cristãs para festejar o dia de ‘todos os santos’.

Ou seja, tanto faz aqui como lá, já que passou de um ritual religioso para um motivo para encher a cara e usar roupas engraçadas. E no fim das contas a gente sabe que é só isso mesmo: só mais um motivo para festejar, já que se brasileiro pudesse, festejava o ano inteiro.

Me chamem de, sei lá, ‘colonizada pelo imperialismo cultural americano’, mas eu sou muito mais festejar na festa de Halloween do que no show do Chiclete. Embora a coisa tenha ficado tão desvirtuada que não deve ser incomum tocar Chiclete na festa de Halloween.

Mas o mais importante: era só um post sobre fantasias de Halloween nerds. As fantasias nem eram de brasileiros, aliás. Por que existem pessoas chatas a ponto de questionar a discussão nesse sentido? Por quê as pessoas levam um post que era para ser divertido tão a sério? Quem é e de onde surgiu esse grupo chato de pessoas, que às vezes passa aqui também, e que tem como mote transformar todas as discussões descompromissadas e/ou leves em debates supostamente relevantes?

Talvez essas pessoas estejam precisando de mais festas de Halloween.

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Planeta Terra: comercial legal e horários que você já viu

Lembra que eu mencionei que estive na gravação do comercial do Festival Planeta Terra?

Não dava para imaginar que tudo aquilo que a gente viu se tornaria isso:

Essa é a primeira parte. As outras três, que continuam a história (o vídeo é super legal, quase um curta), podem ser encontradas aqui : Parte 2 | Parte 3

O enredo, meio misterioso e filosófico, não tem desfecho: o final vai ser escolhido pelo internauta. Qualquer um pode enviar um vídeo que encerre a parada. É a Web 2.0 mostrando a que veio e deixando os blogueiros felizes com parcerias fantásticas. O Terra TV também disponibilizou um making of do comercial.

Acho importante assistir, especialmente porque Santo André compareceu em peso na figuração da parada (conheço até o casal se beijando no vídeo 2, po). Se consolidando como metrópole indie, muito mais do que terra de seqüestros ou asilo para assassinos de aluguel fugitivos, minha querida cidade levou amigos e conhecidos para atuarem nessa que foi uma longa e gélida seqüência de takes na Villa dos Galpões.

Aliás, dá uma olhada nos horários do Festival:

Main Stage
17h30 às 18h30 – Vanguart
19h às 20h – Mallu Magalhães
20h30 às 21h30 – Jesus and Mary Chain
22h00 às 23h15 – Offspring
23h45 às 01h00 – Bloc Party
1h30 às 02h45 – Kaiser Chiefs

Indie Stage
16h30 às 17h30 – Brothers of Brasil
18h00 às 19h00 – Curumin
19h30 às 20h30 – Animal Collective
21h00 às 22h00 – Foals
22h30 às 23h30 – Spoon
0h às 1h30 – Breeders

DJ Stage
20h30 às 22h00 – Mau Mau
22h às 23h30 – Mylo (dj set)
23h30 às 1h – Calvin Harris (dj set)
1h às 3h – Felix da Housecat

Minha seqüência já foi devidamente anotada num pedaço de papel que se perdeu no limbo que é minha mochila (apesar de ser bonitona, confira aqui), mas como eu sei de cabeça, informo que chego às 17h30 para assistir Vanguart, em seguida vejo Mallu Magalhães, daí terei uma hora de descanso para conferir Foals. Seguirei direto então com Offspring, Bloc Party sem playback e os Kaiser Chiefs fechando a noite, que promete ser agradável.

Eu e outros 25 blogs – veja a lista aqui embaixo – fomos convidados para sermos embaixadores do Festival, o que para mim cai muito bem – eu fui embaixadora sem ser convidada há um ano, e agora a oficialização disso me deixa muito feliz. Para que eu fique mais feliz, só confirmando mais uma atração brasileira de peso para eu conferir naquela uma horinha de descanso. Que tal os Ecos Falsos? Ou os Los Porongas?

Sim Viral | Fonte Rosa | Eu Gosto de uma Coisa Errada | Chiqueiro Chique | Cegos, Surdos e Loucos | Olhômetro | Puro Pop | Casa da Narcisa | Meradoxa | Muito Horrorshow | Rock-o-Matic | Rock de índio | Outros Olhos | Indie-e-Geste | A Festa Nunca Termina | Quem pode, Poda | Move That Jukebox | Penetration Club | Azar o seu, Querida | Bloody Pop | Lalai Loaded | Putzcaramba! | The Putz Factory | Blah Blah Blog | Indie Cent Music

(Copiei a lista do Eric)

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‘Também sou hype’ é a nova banda indie-eletro que vai te conquistar

É preciso reconhecer uma boa banda quando ela surge. ‘Também sou hype’ é formada por estudantes de moda da FAAP e tem influências de indie rock, eletro e um tiquinho assim, desse tamaninho assim, de carimbó. Legal ver que algumas bandas ainda buscam influências brasileiras na hora de fazer música, especialmente num som tão ‘importado’ que é o eletro e o indie rock.

Confiram um dos sons da ‘Também sou hype’:


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Eu fui na gravação do comercial do Festival Planeta Terra

Como uma velha admiradora da estrutura e do line-up dos shows que levam a marca ‘Planeta Terra’, fui convidada pela Dudinka, a agência que está cuidando da ação com blogueiros para o festival, para acompanhar a gravação do comercial do evento.

Nunca tinha visto a gravação de nada profissional e a parada é sinistra [/nina]. Várias gruas, câmeras, centenas de figurantes saídos da comunidade dos Collmin, clima de azaração, música boa e um puta frio foram alguns dos elementos observados lá por mim, pelo Eric, pelo SimViral e pela Rachel, que é uma pessoa engraçada.

Eu não entendi muito bem a parada: primeiro os figurantes admiravam um cara meio andrógino vestido de vinil vermelho, depois fingiam se divertir muito em uma balada ao som de Bloc Party. Mas parecia tudo muito divertido, apesar daquela parte da Vila dos Galpões ser um lugar bem sinistro – lembrava um campo de treinamento militar, com tiros nas portas e palavras de ordem pintadas nas paredes.

Daí, a gente comeu no ‘bandejão’ lá com a equipe e os figurantes. A comida era super boa, tinha um purê de mandioquinha divino e até sobremesa. E eu encontrei um grupo de amigos andreenses fazendo figuração. A gente tá por todos os lados. Santo André representando.

Dá para adiantar que a Vila dos Galpões tá bem… maneira. Tipo, decorada com pôsteres SUPER legais das bandas e DJs, fora a iluminação e as salas abandonadas à là Silent Hill. Tinha até uma escada que não dava em lugar nenhum! Se você não for pelo festival, vá pela aventura.

Aguardem mais novidades sobre o Festival Planeta Terra nas próximas semanas.

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Olhômetro entrevista Mulher Moranguinho


Foto por Phelipe, do papelpop.com

A Mulher Moranguinho (à direita, na foto) é apenas mais uma nessa quitanda louca repleta de mulheres frutas? Não, não é. Mulher Moranguinho é simpática e gosta de fazer amigos. Mulher moranguinho é honesta. Mulher Moranguinho é fruta gente como a gente. Ellen Cardoso, a responsável pela Mulher moranguinho, além de tudo isso, é mulher culta e letrada. Ela contou para mim, no VMB, quais livros e bandas fazem sua cabeça. Confira: [modo fuxico off]

Eu: Oi! Posso falar com você?
Mulher Moranguinho: Claro! (com sorriso largo)

Eu: Qual é o seu nome?
MM: Ellen Cardoso. Com dois ‘eles’.

Eu: Ellen, você tem um apelido, não? Qual é?
MM: Mulher Moranguinho.

Eu: Legal. Ellen, me conta: o que você tem ouvido?
MM: Ah, eu ouço muito Djavan. Ana Carolina, também gosto bastante… e porque agora estou sofrendo de amor (risos compartilhados com Mulher Melão) estou ouvindo também D’Black.

Eu: D’Black? Não conheço.
MM: É, é um pagode romântico.

[Nota da repórter: confira aqui o clipe de 'Sem Ar', do D'Black, uma mistura de Robinson Anjo com Alexandre Pires]

Eu: Ah, legal, tem tudo a ver. Agora me diz: qual o último livro que você leu?
MM: Hum, deixa eu ver se eu lembro, tô lendo um agora… (pensa por uns 10 segundos, impaciente) é Carnegiê [sic], não lembro um nome, mas é um livro para aprender como influenciar as pessoas a fazer o que você quer. [sic]

[Nota da repórter: Ellen se referia ao livro 'Como fazer amigos e influenciar pessoas', best-seller de Dale Carnegie lançado em 1937. Ah, os livros de auto-ajuda]

Eu: Ah sim! Tem tudo a ver. Obrigada, Ellen!
MM: (Sorri simpática e se despede)

Como uma boa repórter inexperiente de verdade (aliás, falei com o Danilo Gentili na ocasião, também), esqueci de perguntar o óbvio – o motivo do apelido. Pensando bem, talvez tenha sido bom. Acho que eu tenho medo da possível resposta.

Na onda das entrevistas com mulheres-frutas, Ronald Rios fez uma imperdível com a Mulher Acerola. O quê? Ainda não conhece a Mulher Acerola? Putz… você tá por fora:

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10 motivos pelos quais o VMB 2008 foi um fiasco

Estive no VMB esse ano. De certa forma. Eu quase não assisti à premiação, porque acompanhei da sala de imprensa e estava empenhada na ingrata tarefa de tentar falar com os inúmeros ‘artistas’ que por lá davam o ar da graça (aguardem exclusiva com a Mulher Moranguinho). Mas mezzo-acompanhei de lá – e assisti à reprise depois. E saí fora do VMB antes do fim, porque tava achando tudo bem chato.

Nunca achei que um VMB podia ser tão chato.

Os motivos pelos quais a premiação foi um fiasco estão bem claros, mas eu acho que se faz necessário enumerá-los aqui. Só para organizar as coisas na cabeça.


Na festa pós-VMB, eles estavam servindo macarrão

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Creative Commons License photo credit: giovanniscanavino

Legal a preocupação do buffet em alimentar geral, louvável e tal. Mas numa festa cheia de gente muito bonita, azaração, bebida de graça, alpinistas sociais… quem ia mandar um pratão de penne com molho de tomate?

A piada não tem graça pela segunda vez

O Mion é um cara engraçado, mas ele já deu o que tinha que dar. Acho que é hora de outra pessoa apresentar o VMB, talvez o Marcelo Adnet. O Mion apresenta dois programas na MTV e tudo que é engraçado nele já é largamente explorado todos os dias. Repetir isso no VMB é roubada. Apesar de algumas sacadas serem boas, a maioria só dá vergonha alheia. Inclua aí a piada sobre ele ficar pelado de novo.

A piada não tem graça pela segunda vez [2]

O Adnet é um cara realmente engraçado. Mas não dá para achar que ele vai ser engraçado se repetir a mesma piada várias vezes. No final do VMB, ninguém achava mais graça naquelas improvisações dele. Não que não fosse algo legal – só não era legal pela décima vez.

O Bonde do Rolê é bem sem graça

Eu gostava do lado piada do Bonde do Rolê, de não se levar a sério e continuar sendo muito ruim. Mas se torna constrangedor o constante esforço do Pedro e daquelas moças novas de ser muito engraçado. ‘Mais uma vez’, a versão bizarra de ‘One More Time’ do Daft Punk, até que foi engraçadinho. O resto da apresentação deles foi extremamente tosco. A cereja da vergonha alheia se deu quando a Ana Bernardino quis ser engraçada e subiu no palco quando o NX Zero foi escolhido a banda do ano, para reivindicar o prêmio para a banda dela. Patético.

Mallu Magalhães não ganhou nada

A MTV e todo mundo fez todo esse hype em cima da menina e ela acabou não levando nenhuma das três indicações. Não que isso queira dizer alguma coisa, mas ela é sem dúvida muito mais uma revelação do que o tal Strike, só para começar.

As mulheres frutas apresentaram uma atração

Eu tive alguns momentos para contemplar as mulheres frutas sendo clicadas pelos fotógrafos na sala de imprensa. E, sem nenhum exagero, poucas vezes vi pessoas tão eufóricas. Satisfeitas. Quase dava gosto de ver.

Na boca das mulheres frutas, José Wilker virou Zezé Wilker, e Bonde do Rolê foi Bonde do Rolééééééé. Com língua de fora no ‘ééééé’.

Mas eu não fiquei na superfície. Conversei com a Mulher Moranguinho e descobri qual livro ela está lendo, além do que gosta de ouvir. Na segunda, só aqui.

Não é uma premiação que você possa levar a sério

Strike ganhou como revelação? Que revelação? Não discuto os prêmios do NX Zero, porque eles são realmente populares. Eu não ouço rádio e dificilmente assisto TV, por falta de tempo. Quando uma música chega em mim sem ser porque eu a busquei, sei que ela ficou famosa, e eu até sei cantar algumas do NX Zero. Mas eu nem nunca tinha ouvido FALAR desse tal de Strike.

O melhor show da premiação foi Fresno + Chitãozinho & Chororó

Não que isso seja um demérito, mas…

O Bloc Party fez playback!

O Bloc Party fez playback. Descaradamente. Nem se deram ao trabalho de fingir que não faziam. Não dá para entender porque uma banda viaja, vem se apresentar numa premiação e se presta a colocar um CD. Também não sei qual foi a da MTV em colocá-los no palco com playback. O blog do VMB diz que assim eles quiseram. Mas jamais vamos nos esquecer da vergonha alheia.

Definitivamente, não é mais sobre música

Foto: Blog do VMB

Não tem sido, por muito tempo. Mas os esforços da MTV em tirar os clipes de boa parte da programação, que começaram com a reestruturação da grade da emissora, ficaram escancarados nesse VMB. A música é coadjuvante; personagens principais são quem dá as caras no VMB, se essas pessoas fazem algo que possa ser comentado depois, o que acontece na festa depois da premiação.

Editado: o Mion escreveu no blog dele um post que eu considerei muito sensato e justo a respeito do VMB. Concordo com boa parte do que ele disse, apesar de não ter gostado da premiação. Além do que, também achei absurdo o Thiago Ney dizer que o o Bloc Party é super cool porque zuou no VMB. Se é que eles fizeram isso para tirar uma com a nossa cara, então é pior ainda. E o Thiago ainda acha isso legal.

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