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Spore, Douglas Adams e a crise existencial

Como todo bom fã de The Sims, Sim City e todos os outros ‘Sims’, eu esperei Spore por muitos anos. O jogo foi anunciado há uns 7 anos, com outro nome (que eu nem me lembro). Comprei uma cópia original pelo Submarino nessa sexta, aproveitando o frete grátis.

Spore é provavelmente o jogo mais legal que eu já joguei em tempos. É um jogo para qualquer idade e qualquer gênero. Até a trilha sonora casa com perfeição com o jogo.

Spore é um simulador de criação de espécies. Você começa como um microorganismo, num lugar gigantesco chamado ‘água primordial’, comendo outros microorganismos menores que você, sejam vegetais ou animais, para assimilar os DNAs dessas outras espécies e evoluir.

Não demora, você já pode acrescentar mais flagelos (para correr mais rápido) ou mais quatro pares de olhos (para deixar seu bicho bem esquisito). As possibilidades de personalização de cada espécie são infinitas. É quase impossível que um bichinho seja igual a outro, depois que ele evolui. Além disso, Spore é jogado online, com milhares de outras pessoas ao redor do mundo jogando e desenvolvendo suas espécies.

Crescendo bastante na água primordial, você desenvolve pernas, chega à superfície e começa a desenvolver habilidades que te permitem caçar em bando, formar uma civilização e coisas assim. O último passo é a exploração do espaço sideral, de outros planetas. É inesgotável.

Eu era isso…

…e me tornei isso!

Por coincidência, acabo de terminar O Restaurante no Fim do Universo, e já comecei o volume seguinte da série de Douglas Adams, chamado A Vida, o Universo e Tudo Mais.

A combinação de um jogo desse com uma série dessas me tem feito refletir seguidamente sobre a absoluta insignificância da espécie humana na grande linha do tempo que é a história do universo. Eu entrei em crise existencial por causa de um jogo e uma série literária.

Ok, eu sou uma pessoa permanentemente em crise existencial, mas o combo Spore mais Guia do Mochileiro tem provocado reflexões muito freqüentes, reveladoras e um pouco fatalistas.

Nós somos só um pedaço do que já passou e vamos acabar muito antes do que ainda vai passar. Não falo de mim, ou de você, particularmente; falo do planeta terra. Somos um episódio num imenso livro de histórias. Se houvesse um livro de história contando o início, meio e fim do ‘tudo’, seríamos sortudos se fôssemos mencionados em um ou dois parágrafos.

Você consegue imaginar um mundo sem grandes intervenções humanas? Um mundo no qual as modificações da nossa espécie tivessem sido mínimas – sei lá, moradia, domínio da agricultura, da caça. O que a gente fez com o mundo é realmente admirável do ponto de vista das habilidades que isso demandou, mas basta um pouco mais de sensibilidade e a gente percebe que o planeta terra virou uma aberração. O progresso é uma coisa esquisita.

A verdade é que nós não entendemos nada. E não sei se iremos chegar a entender qual o real sentido disso tudo. Enquanto a gente não descobre, eu sigo jogando Spore e lendo ficção científica. Afinal, alguém precisa continuar fazendo algo de realmente produtivo nesse planeta.

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A justiça quase foi feita, um título óbvio para um texto sobre o Justice

Se um dia alguém me dissesse que eu seria fã de música eletrônica eu não acreditaria. Sempre fui uma adolescente-rebelde-do-rock-n-roll, até poucos anos atrás. Ainda sou, de certa forma. A maior prova é que eu sai do show de ontem do Justice, no Skol Beats, em São Paulo, desperada por ouvir uma guitarrinha. Um riffzinho, que seja.

Eu sempre sinto essa necessidade depois dessas overdoses de sintetizadores e BPMs. Aconteceu da outra vez que eu fiz algo assim, numa rave que fui há mais de um ano. Música eletrônica pra mim é assim: legal, ótimo, até me divirto, mas no fundo é algo que só vai me dar dor de cabeça depois de 3 horas ouvindo. Além disso, é algo muito novo pra mim, e confunde meus gostos musicais. Eu não tenho um parâmetro para o que eu gosto ou não em música eletrônica. Parece tudo igual, mas não é, porque de algumas coisas eu gosto e outras não, só não sei como é que essa minha seleção funciona, de fato.

De qualquer forma, tenho certeza que gosto do Justice, a dupla francesa subversiva que tem quase os dois pés no rocknroll, e acabei ganhando ingressos para o Skol Beats numa super promoção do blog da Close-up, o Eles3.

Eu esperava um show mais pesado, pra ser sincera, mas no geral foi legal, empolgante e tal, e acabou antes do que eu gostaria, ou seja, estava divertido. Mas os destaques ficam com outros elementos do show e do festival.

Nunca tinha ido no Skol Beats e fiquei surpresa com a excelente organização.

Nunca tinha ido no Skol Beats e fiquei surpresa com o número de gente que dança o famigerado ‘rebolation’. Rebolation é uma dancinha ridícula engraçada, algo como isso aqui:

Nunca tinha ido ao Skol Beats e fiquei surpresa com algumas pessoas vestidas assim:

Imaginem o show do Klaxons. Vai ser supercolorido.

Nunca tinha ido no Skol Beats e achei legal os seguranças ficarem rindo do pessoal dançando engraçado.

E o mais curioso: nunca tinha ido a show no qual milhares de jovens dançavam ao som de música pesada, claramente subversiva (dos valores familiares, digo), usando drogas de todo tipo, todos reverenciando uma… cruz. O símbolo máximo de você-sabe-o-quê.

Se a genialidade do Justice não reside na música, reside sem dúvida na capacidade de fazer com que um paradoxo desse seja possível – e mais, seja até ignorado pela maioria das pessoas que assiste ao show deles.

O Padre Marcelo, ou a rave evangélica, até conseguem fazer milhares de jovens dançarem reverenciando uma cruz, mas duvido que você consiga incluir aí gente usando wayfarers coloridos sem lentes, cerveja e jaquetas de couro.

A outra possibilidade é que Jesus está de volta, seu nome é Xavier de Rosnay e ele quer arrebatar multidões de jovens. Para isso, sendo Jesus, soube que o melhor jeito seria fazer música eletrônica.

Só acho que ele deveria fumar menos.

Vídeos no canal do You Tube da Flávia Durante. Eu até ia gravar algo, mas decidi por um momento parar de pensar no post que faria depois do show.

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10 coisas que você acha que te fazem parecer descolado, mas não fazem

Esse texto do Holy Taco, muito espirituoso, compilou 10 itens de vários gêneros que são usados por pessoas que pensam que isso as faz parecer descoladas quando, na verdade, não as faz.

Como também sou muito espiritualizada espirituosa e estou em sintonia com as maiores tendências do wannabe-descoladismo, compilei eu mesma (com co-autoria do meu pai) minha lista de 10 coisas que você acha que te fazem parecer descolado, mas não fazem – versão Brasil 2008. Acompanhe e concorde:

10) Ir ao restaurante de comida japonesa e não comer comida japonesa

Yuki's - Dinner
Creative Commons License photo credit: VirtualErn

Olha, eu nem ligo que os restaurantes estejam se popularizando. Acho ótimo, na verdade – cria concorrência e os preços caem. Eu gosto bastante de comida japonesa e acho que a ‘moda’, sem sentido pejorativo, veio justamente por essa concorrência, que tornou os preços mais acessíveis. Mas assim, OU VOCÊ GOSTA OU VOCÊ NÃO GOSTA. Não tem essa de ‘eu gosto, só não gosto do peixe-cru’. Amigo, você não pode ir a um restaurante japonês, pagar 35 reais e comer manga enrolada no arroz e um Yakissoba, ok? Então, se você não gosta, não precisa ir só porquê você acha que te faz parecer descolado. Porque ir ao restaurante japonês e não comer comida japonesa, olha só, provoca justamente o contrário.

9) Ouvir música alta no celular

Cara, essa é sintomática. Porque é visível no olhar desafiador da pessoa que faz isso que ela realmente se acha muito descolada por ter alto-falantes em seu Sony w300i. Pois eu tenho uma novidade pra você, amigo: não é legal. Não importa o gênero que você ouve, não importa quantas músicas ou o motivo pelo qual você está fazendo isso: todas as outras pessoas ao teu redor, dentro do ônibus, no metrô ou na rua, nesse momento, te acham um babaca. Inclua a  variação ‘ouvir música muito alta no seu carro’, e a outra variação, ‘acelerar sua moto e fazer aqueles barulhos de tiros’. Ambas NÃO te fazem parecer descolado, embora você aparente estar se sentindo muito descolado, e ambas acabam interseccionadas com o próximo item, que é…

8 ) Tunar o carro

Olha, eu não quero ser polêmica. Mas tunar o carro é meio como fazer cirurgia plástica: as pessoas começaram fazendo pequenos retoques, porque era bonito ou porque era preciso. Mas depois a coisa descambou, perdeu-se a referência e hoje em dia todo mundo faz 30 mil modificações e isso acaba resultando em aberrações. Fica ridículo, mas ninguém tem coragem de falar, porque deu um trabalhão para fazer. E não é descolado.

7) Usar buttons

Olha, esse item é controverso. Eu mesma tenho alguns buttons de bandas descoladinhas que gosto de ouvir. Mas cheguei a conclusão que buttons não te fazem parecer descolado, por mais que dêem essa ilusão. É uma pena, pois seria uma maneira relativamente fácil de parecer descolado. Só que não funciona. Embora o design moderno e as cores dos buttons possam enganar alguns incautos, não se iluda: na maioria das vezes você só vai parecer alguém tentando parecer descolado e usando buttons para isso.

6) Tatuar o nome da sua banda preferida aos 15 anos

Olha, eu tenho uma coisa para te falar, se você tem 15 anos. Eu sei (e eu realmente sei do que estou falando) que o mundo parece ser pequeno, mas olha, ele é muito maior. E eu posso te garantir que em menos de, digamos, 5 anos, você não vai mais ouvir as mesmas músicas que ouvia. Além disso, sabe aquela cara de ‘…ah.’ que as pessoas fazem quando você explica para elas o que significa sua tatuagem escrito ‘NX S2′? Então, aquela cara significa que você falhou profundamente na sua intenção de parecer descolado.

5) Ler Paulo Coelho

Gente, que fique claro que eu não tenho nada contra ler Paulo Coelho, nem acho que é literatura pobre ou coisa assim. A questão aqui é que ler os livros dele, sinto informar, não faz ninguém parecer mais descolado. Eu sei que esse é um item perigoso. Você pode pensar que chegar numa roda de descoladinhos com ‘O Alquimista’ debaixo do braço fará milagres, mas não. Falar sobre os livros dele que você leu também não ajuda. Alguém precisa te avisar.

4) Usar o penteado da Amy Winehouse

Gente, ELA pode. Ela é louca. Mas ninguém que não fuma crack pode, de livre e espontânea vontade, fazer aquilo no cabelo. Ninguém vai te olhar e dizer ‘uau, que pessoa legal’. A reação vai ser algo mais como ‘olha, ela quis parecer legal imitando a Amy Winehouse mas não deu muito certo’. Confie em mim.

3) Ficar com um cabinho de pirulito na boca

Calma que eu vou explicar. A moda das raves trouxe junto alguns hábitos curiosos, que rapidamente se espalharam entre os jovens. Um deles foi o uso compulsório de pirulitos. É porque o ecstasy gera alguma brisa maluca que a pessoa fica mordendo (eu acho bem horrível, mas ok, sem lição de moral) então precisa ter algo na boca para morder. Aí, nas festas, a galera fica com cabinhos de pirulitos na boca. Só que a moda se espalhou para os outros ambientes, e as pessoas (talvez querendo dar a entender que estão sob efeito do ecstasy sem estarem) ficam com esse negócio na boca. Isso não faz você parecer descolado, ok? Só em caso de você não saber. E só aqui tem 439 que não fazem idéia…

2) Usar um chapéu que quer ser parecido com o do Justin (Timberlake)

Eu preciso explicar porque isso não é descolado?

1) Ter um blog

Ok, eu sei como é. Você tá de bobeira em casa e sua mãe lê sua redação do colégio. Aí ela te diz que você escreve bem e isso vira sua cabeça. A idéia soa legal. Você vai poder dizer para as pessoas ‘olha, entra no meu blog’. Vai poder mostrar ao mundo o que você pensa dele. Mas enquanto você pensa que todo mundo deve estar te achando muito legal por isso, a maioria das pessoas só te vê como um… nerd. Sim, talvez um nerd antenado, mas nada além de um nerd. E nerds, na visão tradicional (que não inclui vida pós-tecnologica), não são descolados.

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Cultura pop: cabe tudo num balaio só?

Quando eu falo que escrevo sobre cultura pop aqui, é um eufemismo para dizer que eu escrevo sobre tudo que me dá na telha. Mas eu nunca, de fato, parei para definir precisamente que cazzo é a cultura pop.

Nesse momento difícil, recorremos à Wikipedia:

Cultura popular, cultura de massa ou cultura pop é a cultura vernacular – isto é, do povo – que existe numa sociedade moderna. O conteúdo da cultura popular é determinado em grande parte pelas indústrias que disseminam o material cultural, como por exemplo as indústrias do cinema, televisão, música e editorais, bem como os veículos de divulgação de notícias. No entanto, a cultura popular não pode ser descrita como o produto conjunto dessas indústrias; pelo contrário, é o resultado de uma interação contínua entre aquelas e as pessoas pertencentes à sociedade que consome os seus produtos.

Blá, blá, blá. Não é surpreendente que a Wikipedia, um veículo que é produto direto do fenômeno da Web 2.0, não mencione logo de cara a Internet como principal personagem na definição do que é cultura pop nos dias de hoje?

Coringa é cultura pop. Morte de Heath Ledger também, especialmente por causa do mistério

O principal movimento de informação e de opinião que hoje determina o que é cultura pop ocorre na internet. Os outros veículos – jornais, televisões, editoriais – muitas vezes detectam as mesmas tendências com um atraso revoltante. Ou seja: a Internet é muito mais eficiente em detectar e definir os rumos da cultura pop do que os meios que costumavam fazer isso (por razões óbvias, não vou discutir aqui a relevância da internet como meio de comunicação. Não estou falando para idiotas).

Ok, mas e na prática? O que se define como cultura pop? Se for música, cinema, TV e literatura, a internet não é incrivelmente capaz de unificar as quatro mídias em um meio só? A internet vai concentrar e disseminar tudo o que é cultura pop? Mas… política, ou episódios políticos, também não podem ser cultura pop? (Vide dancinha da impunidade)

Nessa sociedade da Cauda Longa, formada por nichos de interesses, a cultura pop assume um significado novo. Porque antes a cultura popular era ditada por meia dúzias de meios que eram os únicos aos quais 100% da população tinha acesso. Então, era mais fácil definir precisamente os elementos de mídia que faziam parte do imaginário popular. Mas hoje a cultura pop também é específica de cada nicho… ou não é? A cultura pop ainda cria elementos absolutos na sociedade? Ainda são feitos filmes, séries ou música que sejam referência unânime? Recorramos novamente à Wikipedia, pra ver se agora ela não pode nos ser mais útil:

A cultura popular está constantemente mudando e é específica quanto ao local e ao tempo. Dentro da cultura popular, formam-se correntes, na medida em que um pequeno grupo de indivíduos terá maior interesse numa área da qual a cultura popular mais generalizada se apercebe apenas parcialmente a existencia.

Os ícones da cultura popular tipicamente atraem uma maior quantidade e variedade de público; ocasionalmente, têm um cunho esotérico, como no caso da maçonaria. Existem duas razões porque os itens que atraem as massas dominam a cultura popular. Por um lado, as companhias que produzem e vendem os seus itens de cultura popular tentam maximizar os seus lucros, enfatizando itens que agradem a todos. Por outro lado, aparentemente, a cultura popular é governada pelo efeito meme de Richard Dawkins, o qual é uma forma de seleção naturalos itens da cultura popular com maior probabilidade de sobreviver são aqueles que atraem maior quantidade e variedade de público, propagando-se mais eficazmente.

Ok… se a internet é a aldeia global, e é capaz de reunir grupos de pessoas distantes em torno de um tema específico, é possível concluir que nessa era, os ícones da cultura pop são fixados com mais eficácia em grupos mais espalhados geograficamente. O volume de informações também colabora para um npumero muito maior de ícones fixados todos os dias.


Eu não sei o que é pop, mas o Ting Tings mostrou que sabe nessa música

Ainda assim… não conheço a fórmula. E ninguém sabe o que vai virar hit. Mais ainda: ninguém sabe definir com certeza todas as coisas que caracterizam a cultura pop, já que inclusive por causa da internet, os elementos dela variam. Na maioria das vezes é faro e bom senso, mas acaba sendo 100% no… achismo (eu ia dizer Olhômetro, mas achismo é mais adequado, não?)

A conclusão final é que, dizer aqui que eu escrevo sobre cultura pop é um eufemismo para:

  • Gostar de cultura pop, hoje, é o que a gente pode chamar de gostar de internet.
  • Poder falar de qualquer coisa, mesmo, e sob o pretexto de que estou falando de Cultura Pop…

O que você acha é cultura pop na era da internet?

*Falando em cultura pop, confira amanhã um TOP5 em homenagem ao maior mestre em referências pop da literatura contemporânea (e um dos meus autores preferidos): Nick Hornby. Agradecumentos ao César.

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O grande mistério que ronda a morte da modelo russa Ruslana Korshunova

Enquanto isso, no MSN.com:

Alguém pode me dizer o que há de misterioso em alguém morrer após cair do nono andar? Não vejo nenhum mistério nisso. Misterioso teria sido se ela tivesse sobrevivido a uma queda do nono andar. Ou se tivesse brotado sangue dos azulejos do banheiro dela.

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Tecktonik, mais uma banda fofa e uma apresentação

Oláááá, leitores do olhômetro.

Bom, eu sou a Chloe, e estou voltando a postar (coisa que eu tinha parado de fazer por um bom tempo, por falta de tempo e preguiça. Que vergonha!)

 

Bom, Tecktonik. O que é isso? O novo estilo (divertidíssimo diga-se de passagem) de dança que está se tornando febre na Europa (pelo menos por enquanto). O tecktonik se baseia em uma dança em que se mexe muito os braços ao som de elektro francês. Acho que só vendo que se dá pra entender mesmo.

 

Minha outra dica é sobre as fofíssimas The Puppini Sisters. Como a moda sempre volta, elas acabaram investindo numa sonoridade realmente antiga, como aquelas cantoras dos anos 40 – e o resultado é simplesmente demais do começo ao fim.

máximo não?
nos vemos por aí
xxx

(Nota da Ana: pessoal, a Chloe é uma moça muito mais ligada nas coisas do que eu, que já tô meio velha pra isso. Toda sexta, ela vai postar por aqui e dar sugestões de links e vídeos, além de novidades sbre essas coisas super novas, pra gente demorar menos pra ficar sabendo do que vai virar moda na música – ou não. Afinal, não acreditem no hype. E eu não me responsabilizo pela qualidade das escolhas, afinal, confio nela, mas até os meus colunistas erram. Uau, tenho colunistas, how cool is that. E, sobre o tecktonic, legal, divertido, mas não parece um monte de retardado dançando uma versão chique e européia de tecnobrega?)

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Uma grandessíssima sacanagem

Ainda estou abalada pela morte do Heath Ledger, ainda mais depois de ler este post do Inagaki no Pop Cabeça e ver os dois vídeos que ele colocou por lá. É triste, e eu sinceramente acho chato passar assim de um assunto pra outro, mas – odeio essa frase – a vida continua e o blog também.

Já falei aqui da minha relação com a moda, em outros posts. E num post mais recente, disse também que tive um surto no colégio e que durante um tempo me vesti como uma mendiga. Tudo isso aconteceu porque na escola em que eu estudava o uso de uniforme não era obrigatório, e isso gerava uma competição visual muuuito grande. Todo mundo tinha que estar muito bem vestido, e quanto maiores fossem as etiquetas, melhor. Eu não sabia me vestir, acho que faltava até auto-estima pra me vestir bem e, sinceramente, eu não tinha grana pra comprar roupas de marca – nem disposição pra gastar com elas. Tanto que até hoje não ligo pra essa coisa de marcas e tal. Se bem que, mesmo se eu tivesse dinheiro pra comprar todas as roupas caras do universo, não adiantaria, porque eu não sabia me vestir.

Não que agora eu seja tipo a garota que ahaza no certo e errado da Capricho. Mas tipos que rola uma noção melhor. E noção de moda, queira ou não, eu sempre tive – já que tenho uma espécie de faro pra design desde muito cedo (tipos “oi, foda-se a modéstia?”) -, mas acho que meu bom-gosto passou uns anos hibernando dentro de mim. E ele deve ser bem instável, porque eu sou normalmente bem desencanada.

Ok, voltando. E, bem, se em outros carnavais a idéia de eu freqüentar um evento como a SP Fashion Week seria risível, preciso confessar que esse ano eu queria móóito ter ido. Sério. Não manjo nada de moda profissional, aquelas peças bizarras dos desfiles, mas decidi que é tudo feeling. E gosto (gÔsto, tipo, taste, não to dizendo que EU gosto). Tirando aquelas coisas MUITO óbvias, tipo… sei lá, tipo esses absurdos que os consultores dizem pra gente NUNCA cometer. Não sei exatamente algum pra citar (isso pode ser um problema).

E todo mundo achou o luxo da estação que o desfile de fechamento fosse na Estação Júlio Prestes da CPTM. Gente. Eu achei que é a invenção mais estúpida do mundo.

Pra começar, se todo aquele povo muito chique e muito rico da moda tivesse a vaga idéia de que porra é pegar um trem diariamente, jamais fariam um desfile na Estação Júlio Prestes. Jamais, gente. Não é glamouroso. É sujo. Tem ratos correndo entre os trilhos, como em toda estação de trem – os ratos são até bonitinhos, mas moda e ratos não são duas palavras entre as quais você consegue encontrar relação.

Eles não têm esse direito. Tá, é bonito, tem aquele clima Londres na revolução industrial… NOT! Não quando você espera 25 minutos por um trem, e depois se degladia para entrar nele. Nem quando está dentro daquele vagão lotado e nojento, com aquelas pessoas todas encostando em você, cheirando bem mal (as fragâncias às vezes não podem ser identificadas exatamente, mas são todas bem desagradáveis), falando alto e tipo que esmagando velhinhas indefesas para conseguir sentar numa porra dum banco. Como se disso dependesse a vida delas. E de todas as famílias delas.

Sim, é uma piada de extremo mau-gosto fazer um desfile de moda numa estação de trem. Não teve graça.

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Writer’s block e Dica Literária


Não vou falar do CD de Peter Bjorn & John. Ok, já falei. É que eu acho Writer’s Block uma palavra do cacete.

Eu tenho essa coisa com palavras, eu as adoro. Adoro descobrir as novas, entender o que elas dizem. Writer’s block é o que a gente chama, em português, de bloqueio criativo. Quando o escritor, por algum motivo, não é capaz de colocar as idéias no papel. Normalmente, o bloqueio criativo é provocado por stress e ansiedade. A famosa ‘cabeça cheia’ (‘saco cheio’ também serve bem, aqui).

Acontece que ‘block’ tambpem pode ser traduzido como ‘quarteirão’. E eu, quando vi a expressão pela primeira vez, achei que ‘writer’s block’ era um tipo de bairro onde só morassem escritores.

Não parei pra me perguntar qual a necessidade de uma expressão pra designar um bairro habitado somente por escritores, já que provavelmente um lugar como esse não existe. Só achei muito legal a possibilidade de existir um lugar desse.

Imagino que teria uma livraria a cada esquina.

E penso na contradição entre os dois significados: Se um bloqueio criativo é a nulidade de qualquer criação, um bairro só de escritores com certeza seria um lugar muito rico, cheio de influências literárias, um lugar onde as pessoas sempre teriam idéias legais e elas seriam traduzidas pro papel com fluidez.

Tô falando tudo isso porquê estou passando por esse bloqueio aí. As palavras saem, mas com dificuldade, quase um parto, e eu odeio muito isso. Os textos, não consigo mais terminar. Tenho uns 10 drafts interminados, aqui. Não consigo mais comentar as notícias com alguma piadinha, nada. Acho (espero) que seja alguma conseqüência passageira dessa minha vida atribulada.

Já que falei, falei e falei pra dizer que não consigo falar sobre nada, vou fechar com uma super dica literária. Acho que isso configura o post como ‘alguma coisa’

Eu sou uma Bookwhore. Isso significa que eu faço qualquer coisa por um livro. Nesse sábado, fui seduzida por um belo e reluzente exemplar do livro Tão ontem, do Scott Westerfeld.

semtitulo-12.jpgAcho que a capa, muuuito fofa, me atraiu. O tema também, claro: moda. Minha relação com a moda sempre foi controversa. Porque eu sempre fui conhecida, familiarmente, por ‘não gostar’ de moda. Na verdade, eu sempre fui um pouco largada. No fundo, a verdade é que eu adoro moda. Eu acho.

Bom. Acontece que o livro é legal, mas não tão legal quanto parece. ‘Não julgue um livro pela capa’ se provou um ditado bem sábio. O começo é legal, explica a hierarquia da indústria da moda e como ela dita o comportamento, mas principalmente conta a história de um garoto cujo emprego é de caçador nde tendências. Ele procura o que tem potencial pra ser hypado e cataloga, tornando isso hypado (porque trabalha pras pessoas certas). Aí ele conhece uma menina hiper-descolada e rola um mistério-romance e tal.

O livro é legalzinho. Gosto dessas literaturas adolescentes leves. Mas vale menos do que pesa. Não confio em livros que você lê metade em duas horas. Prefira aqueles da Marian Keyes.

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