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Arquivo: Música

Ei, você! SIGA AQUELE ÔNIBUS!

Ano passado, por volta dessa época, fiz cobertura do Planeta Terra, festival em SP que rola de 2007 e costuma trazer umas bandas supimpas pra tocar. Esse ano, a brincadeira vai ser no Playcenter com o Macaco Bong, Movéis Coloniais de Acaju, Copacabana Club, Primal Scream, Ting Tings, N.A.S.A, Iggy and The Stooges e Sonic Youth.

Se você mora em SP, capital ou região metropolitana, já fez várias excursões pro Playcenter e se divertiu à beça. Pois é: os brinquedos vão ficar abertos e funcionando no dia do festival. Música no fundo, e você curtindo a vibe da montanha-russa.

Mas o ingresso, te digo, tá meio caro. O line-up, apesar de legal, tem algumas bandas que já vieram pra cá outras vezes. No primeiro ano do Terra, a parada tava cheia de nomes inéditos por 80,00 de ingresso. Esse ano, o lote atual já está em 190 malandros. Facada.

Sou, de novo, embaixadora do Terra. E isso significa que tenho uns ingressinhos pra dividir com você, amigo. E vamos a coméqui funcionará a bagaça:

- Eu tenho um ÔNIBUS DO TERRA. Isso significa que eu estou concorrendo a um camarote em forma de ônibus lá no dia do festival.

- Se meu ônibus, ao final do dia 23, tiver o maior número de seguidores, os seguidores do meu ônibus concorrem a 15 ingressos com acesso ao meu ônibus/camarote.

Vamos ao dilema: eu tô MUITO ATRÁS do primeiro lugar. E além de ser EXCELENTE poder ter um camarote só meu, com várias tranqueiras legais (tipo bebidas, DJ e outras coisas), eu vou fazer isso com UM MONTE DE LEITOR DAQUI. Vai ser tipo o encontro anual de leitores do Olhômetro.

E vou sortear um par de ingressos entre os que me seguirem. Para me seguir, basta clicar aqui. Só rola até dia 23, então CORRE!

Mesmo se eu não ganhar, no dia 24 vou sortear um nominho para ganhar o par de ingressos. E mesmo se eu não ganhar, ainda topo o encontro anual lá no festival. Mas sinceramente: sei que tenho potencial. São 1.300 leitores de feed. Preciso de você. Nós somos a turma mais humilde da galera que tá concorrendo e ganhando: Lalai e Baunilha são gente fina, mas não será nenhuma surpresa se elas ganharem. Se eu ganhar, ah, será.

E olha como é bonito o negócio:

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É só clicar, seguir e sentir a felicidade invadindo. Não tem erro. RUMO À VITÓRIA.

Editado: agora tem um embed.


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Querem rebatizar o Ibirapuera

Ibirapuera é um nome simpático para um parque. Como você deve saber, é tupi-guarani e significa (essa parte você não deve saber) árvore apodrecida – ibira é ‘árvore’, puera é ‘que já foi’. O nome é esse porque o terreno naquela região é muito alagadiço.

Para os amigos de fora do estado, o Ibirapuera é o parque mais popular de São Paulo. Além de árvores e trilhas para correr cobertas de serragem, tem pavilhões em que rolam exposições de arte, shows e eventos. É um lugar bonito, de convergência de classes, onde as pessoas vão para andar de skate, caminhar, jogar pedrinhas na água e tirar fotos.

Nada disso explica porque o vereador Agnaldo Timóteo quer mudar o nome do parque de Ibirapuera para Michael Jackson. Vou refrescar sua mente sobre Agnaldo Timóteo.

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PURA SEDUÇAUM

Pois bem. Este senhor, que como todos nós sabemos foi cantor (ou talvez ainda seja, mas hoje sou obrigada a classificá-lo como vereador), quer homenagear o já falecido Rei do Pop trocando o nome do parque mais tradicional de São Paulo, que tem origem nos primórdios da cultura brasileira, pelo nome de um cantor norte-americano. Vamos ignorar a absoluta inutilidade de uma lei como essa e nos focar no absurdo do nome.

Nada contra. Essas coisas municipais só podem ser batizadas com nomes de pessoas que já morreram, então não vai demorar a surgir ruas, alamedas e praças Michael Jackson.

Mas batizar um parque que de domingo lota de criança andando de bike de Michael Jackson é muita sacanagem. Tipo, eu não levaria meu filho em um parque chamado Michael Jackson. E seria mais coerente trocar o nome do parque para Neverland, porque homenagearia Michael sem ficar totalmente nonsense.

E assim, qual é o problema com Ibirapuera? Eu acho um belo nome. Ele que mude o nome dele, puta nome esquisita. Eu tô acostumada com ‘Ibirapuera’ e sinceramente não quero ter que falar “hoje vou ver a decoração de Natal do Michael Jackson”. Ninguém quer. E Ibirapuera já tem um apelidinho maroto, tão tosco quanto SAMPA, mas útil: Ibira. Como você vai abreviar de forma inteligente o nome do parque sele for trocado para Michael Jackson? As pessoas não sabem nem ESCREVER Michael Jackson.

A gente sabe que quando os nomes dos lugares mudam assim do nada, demora pelo menos umas duas gerações pras pessoas chamarem aquela coisa pelo novo nome. Aqui em Santo André existem três exemplos disso:

- O Mappin, que fechou há uns 10 anos dando lugar ao shopping ABC, que todo mundo chama de Mappin até hoje;

- O parque Duque de Caxias, que foi rebatizado de Celso Daniel há pelo menos seis anos e ninguém chama pelo nome do prefeito morto;

- A estação de trem no centro que também foi rebatizada, de ‘Santo André’ para ‘Santo André – prefeito Celso Daniel’ e que ninguém chama pelo nome.

A única coisa que já pegou, ainda que mais ou menos, é a estação de metrô Corinthians-Itaquera. Palmeiras-Barra Funda, nem pensar. Não vou nem falar da Santos-Imigrantes, que ninguém deve saber que existe mas existe.

Não sei qual a do Agnaldo. O MJ deve ter influenciado a carreira dele, sei lá. Mas essa mudança é perturbadora. Sugiro portanto a criação da campanha #IbiraForever, via Twitter. Participe você também.

(Dica do @kadjoman)

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Segura as pontas que eu já venho

Como você já sabe, eu tô cheia de coisa pra fazer blá blá blá. Tô mesmo. Daí nem deu tempo de atualizar.

Mas as ideias pros textos só estão esperando pra serem escritas. Por isso, não desiste. Logo eu tô de volta. O ano tá acabando, o TCC também… depois disso, serei eu de volta, atualizando 5 vezes por semana e com um sorriso no rosto.

Pra entreter enquanto não volto… você viu como o Hitler reagiu ao fim do Oasis? Tenso.


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CINE, a nova sensação do rock nacional (?) ajuda a explicar o comportamento humano

Você já ouviu/ouviu o clipe de GAROTA RADICAL, o single de estreia do CINE? Tira dois minutos aí:

Acalme-se.

A palavra ‘radical’ pode assumir vários significados, dependendo do contexto em que é inserida. Pode ser adjetivo para designar alguém ou algo considerado extremista. No termo ‘radicais livres’, ‘radical’ é uma marca de expressão da pele. Associado a um esporte, ‘radical’ significa que aquele esporte é muito perigoso.

Nesse clipe, não tem nenhum homem bomba, ninguém fazendo rapel e nenhuma idosa usando creme da Avon. Isso significa que ‘radical’ aí é usado como uma gíria, sinônimo de MUITO IRADO. Você conhece alguém que use a gíria ‘radical’ e não faça parte de um desenho animado ou tenha mais de 4 anos?

Nem eu.

Ok, o Cine é a nova sensação do rock nacional (?). Foram contratados pela Universal recentemente, estão aí com esse clipe maravilhoso que graças a deus a gente tem aí essa conexão maravilhosa pra dar pra gente. Têm seu merito ao ser a primeira banda emo a misturar sintetizador e aproveitar a onda fashion da new rave, tudo junto – quer dizer, não sei se eles têm o mérito disso ou quem tem é algum marketeiro muito esperto, mas enfim.

Mas tem um ou dois problemas com eles, não sei se você notou. Como bem observou o @ibere:

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Esse é um deles, e legal que se aplica tanto ao Cine quanto a qualquer grupo que toca em trio elétrico na Bahia, e mesmo a alguns grupos de pagode. O segundo é que, aparentemente, as meninas ficam malucas por eles. As fãs são 90% mulheres e gays. Elas acham todos lindos e sedutores, mas observe bem a cara desses meninos. O vocalista é MUITO FEIO (pros padrões de beleza clássica ok). E não que ele fique bonito nessas roupas ou com esse cabelo lambido, mas por algum motivo isso parece ofuscar a feiúra dele aos olhos das fãs, porque elas amam o menino. E ele é horrível, tadinho. Apesar dos outros meninos da banda serem mais bonitos.

Por isso, acho que o Cine é a comprovação de algumas teorias que rondam o mundo da música desde sempre, relativas ao comportamento humano, e que Darwin esqueceu de mencionar em seus estudos. São elas:

1. Não importa o quão asqueroso você for. Se a sua música agradar alguém, e você estiver em cima de um palco executando-a, você repentinamente se torna o macho alfa mais apto e recomendado para a reprodução aos olhos daqueles a quem sua música agrada.

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O Eugene que o diga.

1.1. Sendo assim, a maioria das pessoas faz bandas para aumentar suas chances de se reproduzir e passar seus genes adiante.

2. O objetivo de um grupo musical deve ser, sempre, agradar às fêmeas da comunidade. Porque no caso de as fêmeas se interessarem pelo grupo, mesmo que o macho não se interesse, repentinamente ele vai começar a mimetizar o comportamento do macho alfa, que é o cara em cima do palco, e isso inclui ouvir aquela música, gostar dela, se vestir como aquele cara e inclusive tocar músicas parecidas.

2.1. sendo assim, a maioria das bandas do mundo foi feita para agradar mulheres.

Obrigada, Cine, por contribuir na comprovação de duas teorias sociais que eu considerava há anos. Só tem algo sobre vocês que eu não consegui explicar, porque não faz sentido, nem do ponto de vista instintivo – a música de vocês é muito ruim. Por deus. NX Zero é chato, mas vocês superam com esse sintetizador distorcendo a voz do IÔ-Ô. Como é possível que as meninas em idade reprodutiva, dos 13 aos 17, gostem tanto de vocês? A única explicação é que o gosto delas seja péssimo, mas não vou considerar isso porque gosto de fugir do óbvio.

Talvez seja algo tipo perfume de ferormônios.

*Editado: maluquinho do Cine respondeu nos comentários, foi fino e profissional. Check it out. Só lembrando que não gostar do som não significa não respeitar.

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Michael Jackson está morto

O hours-concour para o prêmio Troféu Pedobear se foi na noite desta quinta.

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O toque do meu celular  será Billie Jean, como forma de luto. Tudo que eu tenho a dizer é – lembremo-nos dele como ele gostaria de ser lembrado pra sempre:

Dando uma de Jucelino Nóbrega da Luz: vão embalsamar Michael, e o corpo eternamente conservado dele será exposto numa redoma de cristal na entrada de Neverland, que se tornará um grande parque temático em homenagem ao maior astro pop reptiliano que já pisou neste planeta.

E tudo isso será feito por vontade expressa do cantor, via seu testamento. Ah – o parque só será acessível via Moonwalk. Aproveita e aprende (com o vídeo abaixo ou na matéria-tutorial que eu fiz pro estadao.com.br, que provavelmente vai concorrer ao Pullitzer):

Só um palpite.

Brincadeiras à parte, que Michael Jackson descanse em paz, como deve. Ele merecia descanso depois de tudo.

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Cilada Cultural 2009

Da primeira vez em que eu fui na Virada Cultural, no Centro de SP, ano passado, achei que o evento era um modelo de coisa legal pra se fazer numa cidade como São Paulo. Poder andar no centro velho à noite, com tanta gente diferente e todo tipo de maluco – porque São Paulo tem a maior concentração de gente louca por metro quadrado e essa concentração cresce à medida que você se aproxima das regiões centrais – é um desses programas de bicho grilo que pessoas como fazem poucas vezes na vida.

Mas no ano passado eu não consegui ver nada. Apesar de ter me programado, na hora tinha muita gente, era tudo meio longe e no fim só fiquei andando atrás de algo legal e não vi nenhum show.

Ok, FAIL. Daí pensei: esse ano vou me programar. Vai dar tudo certinho. Vou de metrô de um lugar pro outro. Vai ser legal, muitas bandas boas, alegria, azaração.

Mas a prefeitura de SP achou que seria divertido furar não sei o que no metrô República JUSTO NA NOITE DA VIRADA CULTURAL. Temos outros 354 dias no ano pra fazer isso, mas eles escolheram a madrugada da virada.

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LHC e Tatuzão: separados no nascimento

Isso significa que o metrô Anhangabaú estava um caos do cacete.

Some isso ao número infinito de pessoas que resolveram ir ao centro de SP no sábado à noite (muito, muito mais gente que no ano passado) e você tem o seguinte cenário: grupos de pessoas que querem muito ver alguns shows, mas aí não conseguem, porque tem muita gente e não dá pra ver nada, porque tão esperando fulano amigo do ciclano, porque se perderam do beltrano, porque, porque, porque.

Daí eu encontrei outros grupos de amigos e todo mundo tava na mesma. E falei com outras pessoas, depois, e todo mundo falou a mesma coisa. Isso é: a gente não cobseguiu ver nada, porque onde a gente ia tinha muita gente, e ai a gente ia procurar outra coisa pra ver, mas aí sempre tinha muita gente, e daí fomos embora.

Gente demais, sujeira demais, babacas demais. Depredaram uns ônibus e banheiros químicos, eu vi, e todos os idiotas eram uns emos playboys. Sério, todos emos, querendo demonstrar toda a rebeldia contida no rock’n'roll. E é esse tipo de moleque idiota que faz a coisa virar merda.

Foi legal poder andar pelas ruas de SP, apesar do cheiro constante de urina e de outras coisas, e de forma geral a coisa pareceu organizada – shows pontuais, bastante policiamento, poucas (e isoladas) brigas. O som sempre tava ruim, mas não dá pra reclamar – não é uma casa noturna, não tem como exigir acústica boa.

Mas tinha gente demais. O mundo tem gente demais. E, de novo, eu quase acabei cansada, com fome, puta da vida e sem ver nada. Quase porque achamos um concerto de piano ali pelas 5 da manhã, na Praça Dom José Gaspar, e lá ficamos, e foi um dos shows mais agradáveis que eu já fui (acho que porque tinha cadeirinhas e eu tava super cansada).

De qualquer forma, houve sim momentos imperdíveis, que devem ser mencionados:

  • No fim do show de jazz do pianista, um carinha subiu no palco pra afinar o piano. No fim de todas aquelas notas esquisitas e sons dissionantes, um grupo de moleques aplaudiu vigorosamente (e era sério, você tinha que ter visto a cara deles).
  • Um doido escalou o Teatro Municipal com direito a passar de uma quina pra outra, que nem eles fazem nos filmes e dá mó medo. Todo mundo achando que ele ia se jogar, veio ambulância e tudo. Daí ele chegou no terraço e entrou pela porta. Só queria ver o show sem pegar fila, acho.
  • Uma intervenção artística urbana – flashmob bizarro (gosto de chamar de Piracema de Loucos) mobilizou vários grupos durante a virada. As pessoas chegavam, levantavam os braços e ficavam caminhando em círculos. Dasí uma mina e um cara ficavam saltando e dando piruetas e golpes de capoeira. Nesse ponto, outros 30 maolucos ao redor já tinham se juntado ao grupo. Foi provavelmente a cena mais surreal que eu já vi na vida. Filmei um pouco, e apesar da má qualidade (tava muito escuro), dá pra ver os retardados pulando:
  • Vi umas 10 pessoas de máscara contra Gripe Suína, mas acho que era brincadeira. Espero. Gostaria.
  • Esse cara é o bêbado morto mais à vontade que eu já tinha visto:

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Antes que me crucifiquem, eu chequei e ele estava respirando.

A solução: ano que vem, nada de centro de SP. Tem muitas atrações legais rolando fora dos circuito do centro, e em 2010 eu vou escolher apenas um ou dois shows muito legais que acontecerem na puta que pariu e ir até eles. É o único jeito de não passar de novo por uma Virada FAIL.

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Susan Boyle e o segredo para a felicidade

Vou fingir que ninguém passou a tarde inteira falando da Susan Boyle na terça e postar o vídeo aqui.

Basicamente é o seguinte: chegou uma tiazinha lá no programa (tipo um American Idol do UK), bem esquisitinha, dizendo que queria ser cantora profissional e famosa igual a Elaine Paige. Contou que ela costumava ser humilhada na escola porque tinha problemas de aprendizado, mas que sempre quis cantar e que a mãe encorajava. Depois que a mãe morreu, resolveu ir atrás do sonho.

Daí, um corpo de jurados profissional e uma platéia composta por centenas de pessoas não teve pudores e riu dessas ambições na cara dela.

Acontece, a gente faz isso o tempo todo – às vezes com um pouco mais de discrição, de educação, enfim – mas fazemos. E aí a tia abre a boca e destrói a todos com um mega master boga ultra PWNED. Para os não nerds, isso significa que ela acabou com eles.

Não tem nada dessa de ‘Oh, que emocionante, preciso conter as lágrimas’ (coisa que o Ivan criticou aqui). Quer dizer, eu me arrepiei quando ouvi, mais pela cena incrível da mulher quebrando as pernas de centenas de babacas, e por outro motivo. Devo confessar uma coisa: eu me identifiquei com a Susan.

Primeiro, porque mesmo sabendo que olhando pra ela ninguém dá nada, ela subiu lá e se expôs. E ainda riu junto com quem ria dela. Ok. Em segundo, porque em nenhum momento ela se mostrou arrogante ou propotente – havia uma segurança na maneira como dizia que iria cantar, alguma firmeza. Mas nada além disso. Porque ela sabia que quando abrisse a boca não precisaria ser arrogante ou prepotente.

Susan aprendeu a ser low-profile sobre si mesma porque assim a vida a ensinou. Embora existam livros que versem sobre a importância do marketing pessoal, eu aprendi com as crueldades de menininhas desde a pré-escola (Na sexta série, no dia do meu aniversário, minhas amiguinhas me deram um vidrinho escrito ‘semancol’. Juro, elas escreveram) que o melhor jeito de sair por cima quando ninguém acredita que você pode fazer algo é fingir que está tudo bem e que de fato você é tão idiota quanto aquelas pessoas acham que você é.

O único jeito que encontrei de sair de situações opressoras de bullying na escola foi fingir que meus opressores eram realmente espertos como eles achavam que eram e que eu era a burra da situação. Se era isso que os fazia feliz, não me importava. Fingia que não entendia as piadas comigo, e assim fui aperfeiçoando minha empatia e capacidade de reconhecer o caráter da pessoa só pela maneira dela de te olhar ou se dirigir a você.

Além de ser útil para fazer uma triagem das pessoas que se aproximam (quem se acha melhor não chega perto, o que é bom; quem se aproxima vê além daquilo, o que já é bom), abaixa as expectativas das pessoas em relação às suas qualidades. E quando você vai lá e mostra que sabe do que está falando, bem, elas ficam bem mais surpresas do que ficariam se você tivesse vendido o peixe.

Ok que isso não funciona em 100% das ocasiões na vida. Não dá pra chegar numa entrevista de emprego e ser um peixe-morto e tal. Precisa ter um equilíbrio, uma segurança de si sem ser show-off.

Mas essa técnica de fazer com que as pessoas abaixem as expectativas delas em relação a você pode ser aplicada a todas as coisas – no sentido de que se você diminuir suas expectativas em relação às coisas, tem muita mais chances de estar sempre satisfeito com elas.

Não tô dizendo que todo mundo precisa ser horrivelmente pessimista. Mas empolgação demais pode ser um problema. Além disso, quando se trata de esperar demais de pessoas, as chances de decepção são sempre altas.

É meio trágico, mas vivo com a seguinte máxima: se alguém te decepciona, a culpa é sua, que esperou demais daquela pessoa. Simples assim. Reduzir as expectativas (suas em relação às coisas, e dos outros em relação a você) é basicamente o segredo para a felicidade e para o saudável e bom convívio social.

Susan com certeza aprendeu isso a duras penas. Mas acho que não pôde haver recompensa maior do que a cara de ‘Eu estava muito errado, bem feito para mim’ daquelas centenas de pessoas.

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Inquisição virtual: quando vão começar a mandar os piratas pra fogueira?

Ok, teve o julgamento contra o Pirate Bay. Mas no geral, na gringa, parece que o pessoal tá desistindo:

Gravadoras americanas jogam a toalha contra pirataria

Parlamento francês rejeita lei para bloquear internet por download ilegal

Mas como é de praxe, as coisas por aqui sempre chegam com um pouco do atraso natural que é característico do 3º mundo. Se blog e Twitter são agora a sensação tupiniquim, então dá pra estranhar que o governo comece a fechar o cerco para os usuários de internet em tentativas esdrúxulas de conter o incontrolável – com ações-formiguinha como prender moleques que baixam música, ameaçar comunidades que compartilham links de downloads e tirar sites de legendas do ar, que têm o claro objetivo de intimidar grupos de pessoas que em grande parte só compartilham conteúdo sem fins lucrativos.

Quanto mais leio sobre iniciativas de grandes corporações para inibir o acesso do grande público à democracia e liberdade cultural que a pirataria proporciona, mais eu penso que não pode ser verdade que alguém que conheça a dinâmica da internet acredite que ainda é possível reeducar toda uma geração no sentido de ensinar que baixar música é errado.

Em vez de concentrar os esforços em alternativas economicamente viáveis e interessantes pro consumidor e pro artista, os babacas continuam perdendo tempo, prendendo meninos com HD cheio de CDs e usando-os como bode-expiatório de uma situação que é claramente incontrolável.

O projeto de lei francês mencionado no topo foi o que mais me chocou nos últimos tempos. Ele prevê punição os piratas com o banimento do uso da internet por uma quantidade determinada de tempo (dias a meses). E por um breve momento eu tive medo de que a inquisição virtual começasse, de que houvesse de fato o início de uma ditadura maluca na internet – que deveria ser a coisa mais livre do mundo.

Felizmente, foi rejeitado, ao menos em primeira instância, pelo que entendi. Mas aqui no Brasil o projeto do Azeredo continua a pleno vapor.

E eu desconfio que o bicho vai começar a pegar. Sabe por que? Porque as grandes corporações estão começando a perder muito, muito dinheiro por causa da internet no Brasil. Não que já não perdessem, mas a coisa está se espalhando por outros segmentos, coisa que não rolava aqui antes. Olha:

Internet faz receita com ligações internacionais despencarem, diz IBGE

A inclusão digital, a popularização da internet por banda larga, o computador do Milhão e as lan-houses até no inferno conectaram nosso país e estão gerando um fenômeno massivo de gente conectada, coisa que a gente não conhecia antes. O Brasil usa a internet, hoje. Não é mais só a classe média.

Só que o jovem vem pra rede com a mentalidade do nativo digital. E o nativo digital não pensa como o dono da corporações, e nunca vai pensar. Nesse post, Felipe Tofani menciona algumas das características desse grupo. Mas a mais marcante, e que mais contrasta com a vida real – sim, porque a vida na internet é só um reflexo da vida real – é essa aqui:

O poder vem através do compartilhamento de informação, não da mentalidade de escassez. Para ganhar influência e status online, você precisará doar seu conteúdo e conhecimento.

No mundo real, o de carne-e-osso, a mentalidade é a da escassez, a da usura, porque é com a usura que a sociedade capitalista lucra, e time is money – você não perde seu tempo ensinando ou doando nada pra ninguém. Os não-nativos não entendem o poder do compartilhamento, nem compreendem a vontade de compartilhar por compartilhar. No mundo de verdade, há pouco ou nenhum status em compartilhar. Na internet, por um motivo divino e bonito, vale o contrário. Vale a generosidade.

Enquanto os profanos virtuais, os não-nativos, não puderem compreender essa dinâmica, cada dia será um a menos na contagem até a inquisição virtual, em que laranjas serão punidos para ‘dar o exemplo’ à grande comunidade que comete ‘crimes horrendos’, com downloads de música tendo punições comparáveis a homicídio em alguns casos.

Seria fácil se eles aprendessem com os erros dos gringos e observassem que se lá não deu pra proibir, aqui não vai dar. Mas esses caras parecem ser daqueles tipos teimosos, que não aceitam perder milhões. Nós já vimos esse filme. Mas dono de gravadora não pode pedir ajuda pro governo quando perde grana. Sacanagem.

Some isso ao lobby que as grandes e velhas corporações farão contra a cultura do conteúdo livre na web e voilà – no Brasil, nós – usuários de internet – ainda teremos um longo caminho antes que os engravatados percebam que não podem lutar contra o inevitável.

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Skol Sensation, realidade aumentada FAIL

Sábado tive que descolar uma roupa branca. Não tenho nenhuma – peguei um vestido bonito emprestado da minha mãe e fui até o Anhembi pra cobrir o Skol Sensation, festival de música eletrônica que prometia uma aventura bombástica com recursos de realidade aumentada.

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Abertura inovadora FAIL.

Tão alardeada pela divulgação, ela foi bem normalzinha. Realidade aumentada? Se teve, não me avisaram. Vi só umas luzes bonitas numa árvore gigante feita de plástico branco e uns chafarizes iluminados e pá, e acharam que iam me impressionar com isso. Gente que tomou LSD podia até ficar impressionado – eu não fiquei.

Ou seja, ou você tomava drogas pra aumentar sua percepção das cores e tinha a vibe do Sensation ou te garanto que a pirotecnia do show do Muse em SP foi bem mais foda.

Na prática, parecia tipo uma convenção de dentistas ou uma reunião de pais-de-santo, povoada por piriguetes que acharam conveniente ir de biquíni branco (sério), homens muito bombados e com tatuagens feiosas e uma grande parcela de pessoas aparentemente muito ricas e bem-sucedidas. Com câmeras na mão. Muitas. Como você dança e filma um DJ ao mesmo tempo?

Me impressionou o paradoxo entre a presença maciça dessas pessoas aparentemente ricas e falta de educação generalizada no lugar. Costumo ir em shows de rock e apesar de algumas pessoas serem mal educadas, nunca tinha acontecido de gente trombar comigo de propósito ou coisa assim, como rolou nesse lugar. Vi brigas por causa de fila no banheiro e muitos daqueles homens com técnicas de conquista duvidosas (sabe, tipo Piteco – te puxar pelo cabelo e achar que você vai se apaixonar pela selvageria).

Além disso, flagrei algo nojento:

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Embora não pareça e eu esteja muito desfavorecida pela falta de luz e pela falta de qualidade da câmera, esse rapaz estava FAZENDO XIXI DENTRO DE ARMÁRIOS. Ele podia ter feito xixi nos inúmeros banheiros disponíveis, num canto, sei lá, num copo. Ele fez questão de fazer isso dentro de um armário aberto. Não me pergunte o motivo.

Vi alguns menores de idade, muita gente de fora do estado, babacas pagando mil reais só pra chegar de limusine e coisas assim. Também vi o estande da Marlboro, que achei o fim da picada:

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Artistas plásticos pintavam ao vivo, enquanto você ia até um computador, montava sua própria caixinha de Marlboro e adquiria a embalagem personalizada na hora por apenas 3 reais. Esse valor não inclui a cirurgia para nenhum tipo de câncer nas vias respiratórias. Enquanto isso, promotoras gostosas da Marlboro passeavam entre as pessoas perguntando se elas fumavam e se gostariam de se cadastrar no mailing da Philip Morris.

Daí eu te pergunto: ainda que eu fumasse, que motivo teria para me cadastrar numa merda de newsletter que me lembraria todos os dias que estou fudendo meu pulmão?

Não consigo imaginar a resposta – e fico imaginando o desafio que deve ser bolar ações publicitárias pra uma empresa que vende a morte em forma de tubos de nicotina (e me dou conta que nem é um desafio tão grande assim, né, vide a fila no estande da parada).

Mas não vou ser tão dura. O evento foi bem organizadinho, pontual (ok, não tem como DJ não ser pontual, a não ser que o cara não seja FDP), não vi uso de drogas (ok, festas de música eletrônica são frequentadas por gente que toma drogas sintéticas, quase impossíveis de detectar a não ser que o sujeito seja um idiota) e os seguranças agiram com eficácia e bem rapidamente nas poucas brigas que eu vi. Além disso, a música parecia muito boa pra quem curte o estilo, e tiveram alguns momentos altos, com Nirvana, Coldplay, White Stripes e The Killers. O único cara que eu achei que fez muito feio foi um fulaninho que tocou, parece, Trance (me informei sobre os estilos OK). E apesar de não ter dançado NADA, estranhamente me diverti como não me divertia há tempos.

Só continuo achando que 80% do público que frequenta esse tipo de evento de música eletrônica é meio babaca. Não que isso me impeça de me divertir, mesmo com música que eu não gosto, mesmo sóbria. Mas… não dá pra ignorar a babaquice na essência.

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Você gosta mais de assistir show de rock ou de batata*?

Por quê você vai a um show de rock?

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Pra ver o Seu Sílvio

A resposta a uma pergunta dessa deveria ser óbvia. Mas não é mais. Não sei exatamente quando deixou de ser. Eu notei da primeira vez num show do The Rakes, em São Paulo; antes disso, era ingênua (ou burra) demais pra perceber que as pessoas vão a esses lugares para se exibir e falar sobre sua temporada em Londres (e a vida imita a arte que imita a vida). Depois, no Tim Festival (o de 2007) percebi uma movimentação semelhante – até comentei aqui.

Mas eu notei de novo, no show do Radiohead nesse domingo. Só que dessa vez – não sei se feliz ou infelizmente – não se trata (só) da galera cool fashionista de São Paulo batendo cartão num show só pra dizer que esteve lá e bater papo com gente influente. No Just a Fest, o que caracterizou mais a dissolução do conceito ‘vim assistir a um show de uma banda de rock’, infeliz e paradoxalmente, foi a popularização da tecnologia.

Nunca vi tanta gente preocupada em contar pros outros o que estava vendo. O legal agora não é ver o show, é mostrar pra todo mundo que você viu o show e que estava lá. Não tem muita coisa errada com isso, se não fosse o fato de que as pessoas ficam tão preocupadas em registrar o show pros outros que não assistem o show em si.

Dessa vez, não foram só aqueles babacas que ficam 2 horas e 20 minutos com a câmera cybershot levantada, mesmo estando a 70 metros de distância do palco, mesmo filmando um imagem ultra-tremida e som muito estourado, e sem assistir nada do show em si, só preocupado em gravar um vídeo que vai ficar MUITO RUIM; houve também uma invasão de twitteiros e enviadores de SMS.

Observei dezenas de pessoas com seus blackberries, N95 e iPhones interrompendo a experiência para escrever – uma, duas, três, quatro vezes – pros outros o quão fantástico aquilo era, o quão legal era estar lá, o quão idiotas eram os que preferiram ficar em casa.

E eu de repente olhava pra elas, preocupadas em tirar boas fotos pro Orkut (que invariavelmente vão sair ruins, muuuito distantes ou tremidas, mas não importa porque aí você já prova que tava lá), filmar trechos legais pro YouTube e em contar pra todos os 500 seguidores do Twitter o setlist num teclado que não é QWERTY e me lembrava de quando eu fazia isso – isso de me preocupar mais em registrar a coisa do que em vivê-la. Eu fiz isso, veja bem, UMA VEZ. Porque naquele dia, quando fui assistir aos vídeos, percebi que não me lembrava de quase nenhum trecho que havia filmado. De tão preocupada em filmar, eu não fiz o principal – assistir ao show. Me dei conta da idiotice e câmera em show nunca mais (a não ser quanto estive ‘trabalhando’, né).

Estamos falando do Radiohead, um espetáculo de estímulos audiovisuais que necessita muito de imersão e concentração, porque lida com quase todos os sentidos de uma vez. Porque você quer filmar? Seu vídeo vai ficar melhor do que a gravação do Multishow? Você vai poder mostrar pros amigos? Isso te dá status?

É muito legal que as pessoas estejam tão interessadas em compartilhar cada mínimo momento da vida delas com tanta gente. É esquisito, e subverte um pouco o egoísmo característico da nossa espécie, mas no mínimo é legal poder dizer que estou no meio disso. Mas você não vai a um show pra depois poder dizer que foi.  Você vai a um show para estar nele naquela hora e viver aquilo, e isso não inclui se preocupar em segurar uma câmera em cima da sua cabeça.

Olha, não sei se você já vivenciou uma experiência real de show de rock. De comunhão entre banda e público. Uma coisa dessa depende de dezenas de fatores, do estado emocional pessoal de cada um que assiste ao show, da presença de palco e do humor da banda no dia, do tipo de lugar, do tipo da banda, do tipo de fã. Mas quando a sintonia acontece, e é perfeita, é algo religioso. A energia se torna palpável, a banda ganha controle sobre 50 mil pessoas, a comunhão é absoluta, não há nada além da banda e do público – não tem gente empurrando, não tem sede, não tem fome nem dor na perna que te tire do foco.

E ninguém vai, verdadeiramente, entrar em “transe musical” (por assim dizer) se estiver preocupado em contar pros outros o quão privilegiado é por estar ali naquele transe musical. É por isso que eu espero que essa ânsia por compartilhamento de informação, algo que de certo ponto é tão legal (e assustador, ok, mas legal) não tire das pessoas, aos poucos, a verdadeira experiência que é viver um show de rock – e a experiência de viver a vida, sem ficar tão preocupado em contar sobre ela a ponto de não vivê-la.

*O título é uma homenagem ao grande guerreiro Charlinho, numa paródia da frase célebre do repórter – “você gosta mais de estudar ou de batata?” Na nossa versão, o mais próximo seria “você gosta mais de assistir o show ou de ficar contando isso pra todo mundo?”

Observação: Esse post, como a maioria aqui, é também uma autocrítica. Estou em ano de TCC, exausta por causa do trabalho e por causa de investimentos na vida pessoal. Portanto, esperem menos atualizações – idéias de posts não faltam, me falta é saúde pra ficar tão compenetrada assim em algo que eu amo fazer, mas que não posso deixar que me impeça de viver a vida em si. Ou seja – em vez de 5 posts por semana, acho que vai cair pra 3, o que eu ainda considero uma média excelente. Mas só um aviso prévio, caso eu suma por uns dias: é só recarga de bateria. Meu hobby é meu blog. Não daria pra lagar.

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