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Pearl Jam: a ascensão e a queda (?)

Ontem, falando mal do disco do Coldplay, lembrei-me de mim mesma e dos tempos áureos de fanatismo por uma banda.

Se hoje sou fanática por música, e ouço tudo que aparecer pela frente, tive uma época (precisamente dos 14 aos 17 anos) na qual dediquei toda minha vida e ouvidos a uma única banda: o Pearl Jam.

pearl jam

Não que isso limitasse tanto o tipo de música que eu ouvia, já que o Pearl Jam tem um repertório de mais de 200 músicas.

Ok, limitava.

Eu comecei a ouvir o Pearl Jam por causa da música que depois eu (como boa fã fanática) vim a detestar, Last Kiss. Depois disso, um Ten furado de tanto escutá-lo e um Touring Band (DVD do PJ de 2000) de presente de Natal (no lugar do box da primeira temporada de Friends que eu havia pedido; claro que fiquei puta, afinal, Eddie Vedder ain’t no Matthew Perry).

Daí pra frente, foram anos de engajamento e militância pró-Pearl Jam, que envolveram participação ativa na fundação do Fã Clube Brasileiro e do maior fórum da banda no país, milhares de pacotes cheios de bootlegs e gravações raras enviados e recebidos pelo correio e centenas – centenas mesmo – de pessoas que eu conheci por causa da banda. Algumas são minhas amigas até hoje.

Depois que assisti a três shows do Pearl Jam em 2005, quando a banda veio ao Brasil, meu fanatismo arrefeceu. Guardo em casa todos os CDs de estúdio dos caras, DVDs oficiais e a maioria dos bootlegs, além de um pandeiro que ganhei no show do dia 3/12 em São Paulo, do próprio Eddie (tenho testemunhas, ok?). O gosto pela banda… esse, eu não sei onde guardei.

Devo muito ao Pearl Jam, ainda assim. Foi no Restless Souls, o fórum que ajudei a criar, que tive contato com gente que tinha, ainda bem, um gosto musical mais vasto – e foi lá que comecei a ouvir The Who, meu primeiro grande passo para fora do mundo Pearl Jam. Foram as letras do Pearl Jam que me ajudaram a passar pela difícil fase que foi a do ensino médio. E foi com eles que eu aprendi que pra ser famoso não é obrigatório se expôr: basta ter talento.

Falei tudo isso porquê estive visitando o fórum que eu costumava administrar há um tempão e li um tópico incrível, que me lembrou as discussões das antigas, quando não havia Orkut e todo mundo que gostasse da banda na Internet acabava caindo no Restless Souls. O pessoal por lá, os mesmos de sempre, estão como eu: com o gosto calejado. Não existe mais aquele fanatismo adolescente, o amor incondicional à banda e a tudo o que eles fizerem, feliz ou infelizmente.

Quanto ao Pearl Jam, me lembrei aqui porquê comecei a gostar deles:

E aqui, acho que encontrei o motivo pelo qual o gosto esfriou:

Apenas a propósito, esse último vídeo é do DVD mais recentes deles, Imagine In Cornice, que retrata a tour italiana em 2007, e é fantástico… digno da melhor banda do mundo.

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Viva la Vida or death and all his friends, o novo álbum do Coldplay

Aproveitei o final de semana (que costuma ser bem curto, infelizmente), para baixar adquirir de forma perfeitamente legal alguns discos que ainda não tinha ouvido.

Entre eles, além de uma coletânea dos The Kinks e o novo do Peter, Bjorn & John, está a nova tentativa do Coldplay de ser o U2, chamada pelo criativo nome Viva la vida, ou Death and all his friends.

coldplay, viva la vida or death and all his friends
Pelo menos a capa é boa

Minha primeira observação do CD: Viva la vida parece nome de disco do Rick Martin. Minha segunda: sou a favor de campanhas contra nomes duplos de discos. Tipo, quando o nome vem com uma segunda opção. Normalmente, isso parece descolado e extremamente criativo. O cara coloca um nome simples e dá a opção de um bem longo e esquisito depois. E isso soa extremamente legal para os fãs, mas eu acho bem estúpido, porque acho que você precisa escolher o nome do disco e não dar uma opção pra quem lê.

Na verdade, não achei que o disco é muito diferente do que eu pensei do X&Y: quatro músicas muito boas e o resto delas pretensiosamente chatas. Nesse caso, a primeira que é curtinha e instrumental, Life in Technicolor, e a segunda, Cemiteries of London, que tem algo meio tribal, são boas (a segunda é a melhor do disco). Já na terceira, o negócio começa a descambar levemente. Lost! tem uns orgãos meio etéreos, e é bem grudenta, não exatamente boa. No entanto, ouvi uma versão acústica, só piano, dela que tem no final do disco que eu baixei adquiri de maneira perfeitamente legal que valoriza a voz do Chris Martin e melhora ligeiramente a música.

42, a quarta música, que não é infelizmente uma referência à resposta da questão da vida, do universo e de todas as coisas, também é cheia de um piano chato. Lovers in Japan também é chata e quer ser o U2.

Depois vem mais umas duas ou três que são, bem… chatas. E aí uma muito boa, Chinese Sleep Chant. A que dá nome ao disco (Viva la vida) é tão pretensiosa que chega a irritar, sério. Mas não é ruim, é até bem boa.

Depois Violet Hill, uma balada com um tom meio apocalíptico (e provavelmente uma das melhores do disco), Strawberry Swing, que é outra chata e Death and all his friends que, adivinhem, é… chata, mas no final fica bem U2y, com uma cantoria coletiva, à là músicas beneficentes tipo We Are The World. O disco fecha com outra que tem pianos estelares e um orgão chato, chamada The Escapist.

Falar mal do Coldplay é fórmula certa pra ganhar comentários depreciativos, porque os fãs costumam ser meio obcecados. Não os critico porque sei o que é ser uma fã obcecada (aguardem post sobre isso amanhã). Mas minha conclusão para o novo disco do Coldplay é bem simples: eles são chatos. Chatos e pretensiosos. E vêm sendo assim há um tempo. Fazem música pra estádio, e não que isso seja reprovável, mas é que eu acho que no caso deles – e só no deles – essa pretensão irrita. Alguns podem gostar, não é meu caso.

Pensando pelo lado bom, 4 ou 5 músicas boas num álbum que tem 13 é quase 50%, e isso é uma marca alta. E tem uma coisa muito, muito boa no Coldplay: eles querem ser grandes com música relativamente boa. E eles conseguem, cara. Digo, ser grandes. Além disso, são inteligentes, vide a iniciativa de disponibilizar o disco inteiro no Myspace.

Outro mérito do Coldplay é ter uma base de fãs, como eu mencionei, fielmente obcecados, que idolatrariam qualquer coisa que a banda fizesse. Enquanto eu digo que eles são pretensiosos, dão sono e querem parecer o U2, vão ter 30 fulanos dizendo que eles são incríveis, inovadores e geniais.

Mas não tem problema. Eu ainda acho que, com exceção do excelente A Rush of Blood to the Head, o Coldplay tem feitos discos pra dormir.

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Pork and Beans, novo clipe do Weezer, é uma amálgama de virais do Youtube

Esse é o vídeo do novo single do Weezer, que chama Pork and Beans, e cuja idéia é bem legal. Apesar da música não ser nada muito surpreendente, o clipe foi uma puta sacada: a banda reuniu vários personagens de vídeos famosos da internet, tipo o gordinho que canta ‘Dragostead Tin Dei’ (a versão origianal de ‘Festa  no Apê’, do Latino) de um jeito engraçado, Chris Crocker, o rapaz surtado que pediu pra todo mundo deixar a Britney em paz meses atrás, o afroninja, o dramatic chipmunk, a miss teen que falou merda num concurso americano e outras figuras que a gente conhece muito bem do Youtube.

O clipe, que está no ar desde o último dia 23, já está chegando na impressionante marca de 3 milhões de hits no Youtube. O vídeo clipe tem aquele clima de festa e alegria dos clipes do Weezer, nos quais todo mundo canta, dança e participa, além das referências à cultura pop internética nerd serem muito divertidas.

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Ópera do Mallandro traz releitura de hits do mestre da Porta dos Desesperados

Sérgio Mallandro

Vou tentar explicar o que o Sérgio Mallandro representou na minha vida. E não tem nada a ver com Lua de Cristal, pelo menos não a princípio.

Antes de ele se tornar a figura bizarra que é hoje (desconfio de que ele já era uma figura bizarra, e a ausência de um maior senso crítico aos 9 anos me impediu de notar), o Sérgio Mallandro apresentava um programa infantil incrível já na Rede Globo, o Show do Mallandro.

Entre outras confusões que Serginho aprontava em seu programa, havia o quadro mais misterioso e mais aguardado. Toda criança, tenho plena convicção, seria capaz de fazer absolutamente qualquer coisa para participar da Poooorta dos Desesperaaaaaaados. [Insira aqui risada maligna]

Para participar, você precisava ser o mais desesperado. Então uma música MUITO sombria começava a tocar, as luzes do estúdio piscavam e o Sérginho berrava “Tá desesperado? ENTÃO GRITA!” E aí, centenas de crianças aflitas na platéia (e em casa também, não duvide) gritavam e viravam os olhos e se debatiam em seus assentos. Quando mais esquisita e muito louca a manifestação de desespero parecesse, mais chance a criança teria. Claro que as crianças de hoje não seriam páreo para os pobres desesperados dos anos 90. Ah, se naquela época a gente soubesse o que é ser muito louco

Desesperado devidamente escolhido, Serginho colocava o infeliz a pobre criança em frente a três portas. Uma delas teria prêmios mágicos, incríveis e infinitos, inconcebíveis para uma mera criança suburbana: caloi-ceci, aquaplay, pogobol, pense-bem, caixas e caixas de jogos de tabuleiro (nerd desde pequena; meus preferidos) e todos os brinquedos do mundo. Era o meu grande sonho.

Mas o tiro poderia sair pela culatra. Caso escolhesse a porta errada, além de não ganhar porra nenhuma (muito sadismo né? não bastava a criança perder todos os brinquedos legais), o pimpolho em questão se veria obrigado a enfrentar a fúria de uma cruel e implacável…

Monga. A mulher-macaca, sabe? Tipo aquela do Playcenter. É, a das pegadinhas.

Às vezes (CLÁSSICO!!), também saíam monstros das portas. Ou versões anãs bizarras, que pulavam e agarravam as crianças (que, invariavelmente, se desvencilhavam das pequenas criaturas). O vídeo acima nos presenteia com uma adorável versão anã da cantora Mara Maravilha.

Em casa, eu imaginava uma possível ida ao programa, passo-a-passo. Sabia exatamente que coisas desesperadas e o quanto me debateria para ser escolhida; havia desenvolvido técnicas precisas de escuta para saber por trás de qual porta a Monga espreitava. Além disso, também planejava movimentos de esquiva para fugir dos anões perseguidores.

Bom, nunca fui ao programa, mas isso não importa.

Importa que, como vocês podem ver, dizem que trash é coisa dos 80s , mas Sérgio Mallandro bombou é nos 90 e não houve nada mais genial. Mara Maravilha anã correndo atrás de criancinhas indefesas que tinham acabado de errar a porta cheia de brinquedos? Puta merda, ninguém faz igual.

É por isso que fiquei feliz ao saber que, além do Sérgio Mallandro continuar fazendo shows para universitários e incluir neles uma versão adaptada da Poooorta dos Desesperaaaados, ele é o tema principal do Ópera do Mallandro, um curta-musical de um cara chamado André Moraes que relê as músicas do grande mestre do Trash 90s.

Ópera do Mallandro

No curta, um monte de gente que você conhece: de Lúcio Mauro filho e Wagner Moura a Thaís Araújo e Luciano Szafir – entre outros.

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Laura Marling: e a gente se contenta com Mallu Magalhães

Ok que todo mundo já percebeu que eu alfineto a Mallu só pelo prazer de fazer polêmica. Mas o que você, amigo leitor, nem desconfia, é que não é esse o motivo. Eu faço isso para provocar a reflexão em mim e em você uau que pretensão da minha parte sobre a maneira que a gente enxerga as coisas: será a Mallu só hype? Porque ela tem algo que encanta, de fato, mas… as composições dela e mesmo esse ‘algo’ justificam tanto hype?

Acontece que aqui, enquanto menina de 15 anos que toca violão e gosta de Johnny Cash vira notícia, parece que lá no Reino Unido até os talentos são de primeiro-mundo. Minha contraposição é a Laura Marling, é uma moça nascida nascida em Berkshire, em fevereiro de 1990 (isso me assusta, me sinto velha), o que faz com que ela tenha recém-completado apenas 18. E elas tem a melhor voz de todas essas femininas que surgiram depois da Winehouse. Feist, Kate Nash, Adelle: ficam todas no chinelo. Laura Marling só tem 18, mas escreve letras como se já tivesse passado por todas as grandes desilusões amorosas na vida. Alguém se lembra da voz feminina no último disco do Rakes, naquela faixa que fala sobre preconceito no metrô (não sei nomes de músicas)? Lembrou, né? Meet Laura:

Laura Marling
Oi.

Além de todas as outras semelhanças óbvias com a Mallu, Laura Marling tem também uma parecida no quesito sou-menor-de-idade: foi impedida de fazer show numa casa, certa vez, porque era menor. Aí fez show pro pessoal da fila e tudo, como manda o protocolo básico do artista-jovem-descolada-preocupado-com-os-fãs.

Ela lançou alguns singles, dois EPs e um álbum, chamado Alas, I cannot swim, e fez também uma participação legal no novo disco do Mystery Jets. Laura tem um Myspace e um Site Oficial (sim, com maiúsculas).

Ghosts, a que eu mais gosto.

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Embalagem mais barata é alternativa para gravadoras?

Nesse final de semana, visitei um lugar meio inóspito. Uma região quase inabitada, que já foi muito popular, mas que hoje em dia poucos sabem que existem.

Chamavam esse lugar de Loja de CD.

Meu padrasto, que é músico e audiófio-chato, não se rendeu ao MP3 e ainda compra os CDs antes de ouví-los, o que eu acho bem estranho. Ontem acompanhei-o até uma loja bem ruinzinha num shopping aqui perto de casa.

Fuçando no catálogo, descobri (com felicidade) que ainda tenho vontade de comprar CDs e DVDs naquelas capinhas legais, ou seja, que eu nãoi desprezo essa mídia tanto assim. Mesmo assim, preços muito altos me afugentaram.

Até que eu achei a nova ‘carta na manga’ da Universal: o Music Pac.

O Music Pack é uma espécie de nova embalagem, mais econômica. O CD vem em um encarte vagabundo de papelão, espetado num teco vagabundo de plástico. Digamos que é uma versão caprichada da cópia disponível no mercado informal, so que original. Não tem livreto nem nada.

Aí você acha isso lindo. “Uau, as gravadoras finalmente estão se tocando, dando alternativas aos consumidores.”

O preço do Back to Black, da Amy Winehouse, embalagem em acrílico, com encarte bonitinho, tudo lindo: 25 malandros. O preço da versão pirata oficial, no papelão, sem encarte: 18,90.

Desculpa, mas pelo conjunto, eu ainda acho um absurdo. Elas não aprendem: as gravadoras tão mesmo fadadas à destruição.

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All she wants is go out with the boys

Marina Elali é a neta de Zé Dantas, compositor e parceiro de Luís Gonzaga, responsável por aquela baiãozinho maneiro que todo mundo sabe cantar: “Ela só quer, só pensa em namorar…”

A Marina tem uma porção de músicas que entraram em novelas, mas nenhuma me interessa. Me interessa a versão que ela fez para a música que eu mencionei, em inglês, segundo ela a pedido da vó.

Vejam que sex appeal, que sedução sensual.

Ela não é ruim nem nada. O problema é que, não importa o quão sexy ela tente ser, toda a vergonha alheia envolvendo a versão, a letra em inglês e o inglês dela tornam tudo bem pouco sedutor.

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Vale tudo

convitefrentenovo.jpgTô lendo a biografia do Tim Maia pelo Nelson Motta, chamada Vale Tudo. O livro me chamou atenção depois de uma folheada na livraria. Eu não lenbro do episódio da morte do Tim e isso é curioso. Me lembro bem do Senna, do Renato Russo, que foram figuras que morreram antes. Mas não lembro onde eu estava quando Tim Maia morreu.

Me pegar ouvindo Tim é algo inusitado. Minha formação é, essencialmente, roqueira. Por mais ‘eclética’ (sem o tom pejorativo que a expressão adquiriu, qualquer dia falo disso) que eu seja, dificilmente um cara que faz soul vai entrar no meu player. Eu até ouço eventualmente e aprecio. Se tiver tocando no rádio, não mudo e até batuco. Mas só essas biografias doidas pra me fazerem ouvir Tim Maia, cara.

Não me envergonho de dizer que não sabia nada da vida do Tim. Conhecia as músicas famosas, mais algumas nem tão famosas (se é que isso é possível), que ouvi bastante em viagens com os amigos e visitas a baladas de black music, e tudo isso provavelmente totalizava um CD, o suficiente pra eu saber que achava o cara bom e a música divertida, mas que onão era meu tipo de som. Normal. É como eu me sinto em relação a um monte de bandas.

Mas depois que a gente lê essas biografias com estórias legais, como a do Tim, passa a admirar o cara. É essa a pilantragem dos biógrafos, eles criam milhões de fãs paga-paus. Eu fico pagando-pau pros protagonistas das biografias que leio, não posso evitar.

Tim era gênio e o livro é animal mesmo se você não gosta das músicas del. O cara era malandro da mais fina estirpe, e isso já sevia quando ele comia parte das marmitas que entregava. Continuou quando feizsseuscorri pra ir pros EUA e se virou lá sem um puto na carteira, depois quando voltou pra cá e revolucionou a porratoda, que afinal Roberto e Erasmo já não tavam com nada. Jovem Guarda é coisa de maricas.

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Fazendo o Radiohead

Eu tava dando um rolê por aí (leia-se: tava fazendo nada em casa) e de repente me lembrei que, inicialmente, a idéia aqui era falar de música. Tipo, aqui. Olha só como esse mundão gira, né? Então, pra não ficar chato e ninguém achar que foi propaganda enganosa (não foi, gente, é que eu tô em outro momento – sempre quis dizer isso), achei que seria de bom tom dar duas novas diquinhas musicais pra mulecada. Essas duas tem algo de Radiohead, por coincidência (não confunda coinciência com destino, Locke diria):

Kashmir me foi apresentada pelo Pedro, que exageradamente garantiu que é a banda mais superestimada da última década. O Pedro diz que os CDs são bem diferentes um do outro (a banda existe desde 91!) e a Wikipedia diz que eles ganharam vários prêmios na Dinamarca, o país de origem. Os caras do Kashmir cantam em inglês e quando foram criados se chamavam Nirvana, mas tiveram que mudar por causa de uma banda que começou a fazer sucesso na época… bom, eu só ouvi um disco, de 2003, que se chama Zitilities e é excelente. Tem momentos onde Chris Martin encontra Thom Yorke, alguns onde é possível ouvir o Joy Division se els tivessem composto tudo em 2002 e outros que deixariam o Arcade Fire feliz e o In Rainbows soaria plágio (podem ouvir a música, chama The Aftermath). Não sei dos outros álbuns, mas esse é ótimo da primeira à última música. E o vocalista é absolutamente fazível. Eles são tão legais que não dá mesmo pra entender como não ficaram nem ligeiramente famosos. Talvez seja por causa do nome: Kashmir é o nome de uma música muito famosa do Led Zeppelin, de uma cidade e de um tecido. Já tem muita coisa chamada Kashmir… eles não são bons pra nomes.

Essa do vídeo, Surfing the Warm Industry, no Danish Music Awards 2004 (Uau, existe isso), é uma das mais legais do disco.

O Envy Corps eu conheci por causa do Indienation, o outro blog no qual eu não escrevo. Também tem uns momentos Radiohead, mas só de leve. A voz do cara lembra muito a do Thom Yorke, e a banda tem bons momentos, embora alguns sejam chatos – quero dizer, nesse disco que eu ouvi, o Dwell, de 2008. Eles têm mais um, de 2004, chamado Soviet Reunion. Tem uns pianinhos e é bem pop. Esse clipe engraçado de Story Problem simula aqueles programas toscos japoneses, com aqueles circuitos (que o Faustão imitava na década de 90) nos quais as pessoas tem que passar por rios enlamaçados, portas trancadas e tudo o mais. Ecos da ponte do rio que cai. Divertido, mano. Num sei de onde eles são e tô com preguiça de olhar na Wikipedia, brigada.

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‘From UK’

Deu no G1 (sempre ele):

Ex-emos migram para a tribo adolescente ‘from UK’

(um dos meninos pediu pra retirar a foto daqui, e como eles são menores…)

Adoro essas matérias aleatórias de comportamento, que detectam ‘tendências’ mas que não detectam. Tipo, quando um veículo desse porte anuncia uma tendência dessa, mesmo que ela não exista, ela vai passar a existir.

O subtítulo: Cansados do preconceito, jovens criam novo rótulo inspirado na moda do Reino Unido.
Cabelão armado e popularidade na internet são preocupações dessa turma.

I mean, se eles são ex-emos, se a preocupação deles é o cabelão e a popularidade na internet, tipo, não foi uma idéia legal essa de mudar de nome, se eles tão cansados do preconceito. Todo mundo vai chamá-los de ‘emo’ mesmo. Pra ser franca, eu até queria que a moda da adolescência quando eu tinha 15 anos fosse uma coisa mais descolada assim, mas costumava ser axé. E acho que, se fosse a moda na minha época, eu acharia muito estúpido e pegaria raiva dos wannabe UK, o que seria um problema pros meus planos de conhecer o mundo.

Com uma pesquisa mais profunda, achei o fotolog http://www.fotolog.com/im_from_uk, que é uma espécie de certo e errado da Capricho adaptado para a moda From UK: eles analisam o visual dos outros membros da tribo(com direito até a tiração de sarro dos coitados que não sabem se vestir adequadamente, veja só).

A comunidade “A nova moda é From UK” já tem quase 1500 membros e é composta, pelo que pude observar – como em todos os casos de comunidades que satirizam tribos – de próprios membros das tribos que fazem a ressalva estando na comunidade. Tipo, a prerrogativa. Normalmente essas pessoas alegam que os ‘posers’ vieram e imitaram o visual que elas tinham há muito tempo (“me visto assim desde os 14!”), e que deram esse nome estúpido e fudeu tudo. Óbvio, eles são todos iguais.

E pelo que eu saquei, no geral, eles são basicamente uma evolução dos emos, mesmo. Porque tipo, normalmente esses movimentos são motivados pelo gosto musical, e o deles é uma coisa bem emo, foge do NX Zero e tal, mas ainda assim se resume nuns screamo zuados.

E não sou só eu que acho o corte de cabelo desses meninos bem semelhante ao dos pais de SandyJunior do Chitão e do Xororó.

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