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Arquivo: Pois bem

Uma puta falta de sacanagem eu não atualizar mais isso aqui

Melhor vídeo do mês é o seguinte:

Pra quem não entendeu, a banda Restart, que faz parte desse novo rock aí que tem como característica os nomes de banda precedido pela palavra ‘banda’. Tipo ‘banda Cine’. É porque você olha, vê um monte de moleque muito esquisito, de calça verde limão, tênis vermelho, wayfarer de lente de grau e camisa com gola V, e não intui que é uma banda. Acha no máximo que são os novos caras da Malhação, ou então um daqueles programas em que você renova o guarda-roupa da pessoa porque ela se veste muito mal. Daí precisa que o nome venha explicadinho antes, tipo BANDA RESTART.


Praticamente um programa do Discovery Channel sobre
novas e exóticas espécies da costa neo-zelandesa

Mas divago. A BANDA RESTART marcou uma tarde de autógrafos na Fnac da Av. Paulista. Eles esperavam 250 pessoas, apareceram 3 mil. A livraria decidiu cancelar o evento e o que se sucedeu foram essas cenas épicas. A BANDA RESTART bem que podia se engajar em uma causa política qualquer aí e levar toda essa molecada junto, né? Sei lá, aproveitar essa doença dos fãs pra algo produtivo socialmente.

Por um segundo, eu me senti mal de criticar esses jovens. Me lembrei que eu também fui adolescente, também fui fã de uma banda. Daí eu os vi chorando, vindo do interior, as mães junto e a culpa passou, porque há diferenças entre o tipo de fã que eu era e eles. Por exemplo, a minha banda não era super colorida. Os fãs em média eram mais velhos, o que demonstrava toda a minha precoce maturidade. Eu não berrava por eles, não fazia parte de família nenhuma, não ficava sem comer nem nada. E por fim, minha mãe JAMAIS viajaria comigo pro interior pra ver a banda, sabe?

No caso, foram meus avós mesmo que me acompanharam até Curitiba pra ver o show do Pearl Jam! Mas eles nem foram lá no show mesmo viu, só pro seu governo!

E eu tinha pulseirinha. HEH (tinha mesmo, era uma do fã-clube do Pearl Jam que me dava direito a entrar no gig antes)

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Sobre retuítar elogios

Imagine uma pessoa que, quando está perto de você, fique te contando sobre os elogios que outras pessoas fizeram pra ela. Alguém que passasse a maior parte do tempo dizendo que fulano a acha legal, que cicrano gosta muito dela, que beltrano elogiou o trabalho dela.

Imagina ainda que você nem conhece essas pessoas que ficaram elogiando essa pessoa que você conhece.

Imaginou? Constrangedor, né?

É exatamente assim que as pessoas se sentem quando você retuíta um elogio que fizeram pra você, amigo. Elas se sentem constrangidas. Primeiro, porque ela não conhece quem você está retuitando; logo, tanto faz o que essas pessoas acham de você. Em segundo porque quando você faz algo assim ninguém realmente lê os elogios e acredita neles. Tudo que a gente vê é ‘oh meu deus. que carência’.

Só tem uma coisa mais bizarra que gente que retuíta elogio: gente que retuíta qualquer coisa que digam sobre ela. Vide @geisyarruda.

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Por que alguém usa Crocs voluntariamente?

Supondo que você viva em outro planeta, antes de começar vou explicar o que são Crocs.

CORRÃO!11!!ONE

Crocs são essas sandálias horrendas de borracha. AGORA TÁ USANDO MUITO, especialmente por gente que tem grana, e posteriormente por qualquer um, já que as imitações estão infestando o mercado.

Um crossover entre chinelo, sapato de gente com problema mental, tamanco holandês e sapato da Turma da Mônica, os Crocs já inspiraram um post anterior aqui – um que nunca foi publicado. Ele estava programado pro dia 1 de abril, mas se perdeu no limbo do WordPress. Não faço ideia pra onde tenha ido, e só percebi hoje que ele estava ausente; logo, resolvi gastar mais umas palavras falando mal dessa coisa horrenda, prova cabal de mau-gosto de um indivíduo.

Partamos da constatação óbvia: o negócio é horrível. Até minha vó, que digamos assim não está muito a par do que rola nas passarelas de Paris e Milão, acha os Crocs horríveis. Qual, então, será o motivo de alguém usar essa atrocidade?

Clica para ampliar. A armadilha reside nessa promessa de conforto. Os Crocs se vendem como algo extremamente confortável. E aí as pessoas justificam o uso disso baseadas nesse argumento, o da ergonomia podológica.

Não estou dizendo que não é confortável; deve ser. O duro é se enganar desse jeito. A GENTE NUNCA ESTEVE NEM AÍ PRA CONFORTO. Se déssemos a mínima, calça skinny não tinha virado moda suprema. Se estivéssemos preocupados com conforto, todo mundo ia trabalhar de Havaianas e pijama. E mulher nenhuma usaria salto alto. E homem nenhum usaria gravata. E ninguém faria tatuagens. Entre outras coisas absolutamente desconfortáveis, mas que as pessoas fazem o tempo todo.

E veja bem: eu sou a maior partidária de que a pessoa se sinta confortável, bem, antes de se importar com moda ou o que seja. Mas Crocs estão fora da discussão, simplesmente porque eles fazem você parecer alguém que tá de brincadeira. Acho que é essa a melhor definição do Croc: ele é um sapato que faz qualquer pessoa parecer um dinossauro gigante de borracha disfarçado de humano (um que esqueceu de cobrir o pé, veja bem).

Voltando à argumentação, se conforto nunca foi motivo pra fazer a gente vestir coisas, deve existir alguma outra razão pra usar Crocs. E a minha teoria relaciona comportamento ao preço dos Crocs. É mais ou menos assim: já que os “sapatos” não são baratos (ao menos não para algo que se presta a ser um chinelo horrível de uso casual), usar Crocs alça o “indivíduo” a um grupo social mais elevado na pirâmide.

Daí você diz – “ok, mas um relógio caro, uma roupa da Lacoste, um boné de marca também fazem isso”. Certo. Mas nada, nenhum deles é tão feio quanto um Croc, e portanto nenhum chama tanta atenção para o fato de que a pessoa é muito rica. Ponto.

Outra explicação se relaciona ao tédio presente no dia-a-dia das pessoas abastadas. Sem ter o que fazer, elas buscam novas experiências, novos experimentos sociais. A ideia: “será que eu sou tão rico a ponto de usar um sapato horrível e mesmo assim ser imitado pelas pessoas, em vez de recriminado”?

E tudo isso pra falar que não bastasse as pessoas carregarem isso no pé, elas também agora vão levar coisas dentro:

Acho legal que pelo menos quem usa isso (é uma BOLSA CROCS) aí não pode dar desculpa de que é confortável. Porque além de ser (provavelmente) horrível de carregar, é cheio de buracos. É tudo que a pessoa precisa: uma bolsa, onde ela leva as coisas importantes do dia dela, cheia de coisas que vão ocasionalmente provocar o extravio dessas coisas importantes.

Pelo menos os assaltantes não vão chegar perto, apavorados.

Disclaimer necessário: pessoas que eu amo usam Crocs, e tá tudo bem. Não vou amá-las menos por isso. Eu só não entendo, e precisei manifestar essa incompreensão.

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A arte de odiar coisas

Odiar, ao contrário do que pensam essas pessoas que são cheias de amar tudo e a todos, não é uma tarefa fácil. Porque pra amar você não precisa justificar pra ninguém os motivos, né? As pessoas acham tudo lindo quando se trata de amar. Mas pra odiar, é necessário ter algumas boas razões na ponta da língua. E mesmo assim, diante dos olhos da sociedade, talvez elas não sejam boas razões pra se ter ódio no coração.

Esse cara é um odiador profissional:

Todas as razões dele me parecem bem razoáveis. E ele ainda fazendo movimentos laterais com a cabeça, o famoso Black Bitch Moves, o que dá mais profundidade ao ódio impregnado ao discurso dele.

Eu odeio várias coisas, também; e parte do material desse blog se origina no meu ódio das coisas. Digamos que ódio seja uma palavra meio forte, porque eu não chego exatamente a dedicar tanta energia ao “não gostar”. Digamos que eu me incomode bastante com as coisas, e a maioria dos posts desse blog vinha disso.

Só que sei lá como, e eu nem planejei, eu fiquei mais tranquila em relação ao mundo. As coisas ainda me incomodam, sim. Mas acho que estou menos agressiva em relação a elas.

Isso explica eu só postar na nova fase do blog as coisas que eu achei engraçadas, e não as que eu achei engraçadas por me incomodar com elas.

Isso – importante lembrar ue apesar dos ódios ocasionais, eu sempre convertia tudo em piada. Que era pra ficar mais fácil de lidar. E não é que eu seja DA PAZ e não me incomode com mais nada, pelo contrário. É só que escrever sobre essas coisas só fazia elas se consolidarem, então talvez eu escreva menos sobre as coisas que odeio.

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Qual sua desculpa pra ver Big Brother?

(Clique para ampliar)

Geralmente, minha desculpa é a primeira. A sua, qual é?

A verdade é que eu realmente acredito nessa desculpa – na realidade, aprendi umas coisas sobre Big Brother acompanhando Big Brother.

A primeira é que o programa só é uma merda se você pegar do meio. Ligar a TV um dia e tentar ver é constrangedor. Mas ele faz muito sentido se você pegar as nuances do começo, a maneira como as pessoas começam a se relacionar, as cartas que elas jogam… essas coisas. Daí, obviamente, vicia. Quer acompanhar até o final.

A segunda é que Big Brother é mais ou menos como novela: você não precisa assistir todo dia pra sacar o que está acontecendo. Até porque o pessoal do Twitter se encarrega de te manter informado. Eu mesma só assisto alguns trechos pelo YouTube, porque na hora em que o programa passa eu ainda não cheguei do trabalho. E tipo, estou aqui defendendo meu direito de acompanhar BBB, mas se um dia eu vier defender o meu direito de ASSINAR UM PAYPERVIEW 24 HORAS DE ALGO ASSIM, favor checar se sou eu mesma. Grata.

Enfim. A terceira coisa que eu descobriu é que o Bial é quase motivo suficiente pra pessoa desligar a TV de vergonha alheia. Se parte do constrangimento é causado pela galera UHU-I’VE-GOT-A-FEELING, o Bial com seus poemas bisonhos, os comentários esquisitos e ocasionais chiliques constrange ainda mais.

A quarta coisa que aprendi é que… que eu não estou aqui para fazer amigos. Isso é um jogo. Estou aqui pelo 1 milhão e meio de reais.

A quinta: é engraçado. É engraçado ver como gente supostamente madura se reduz a discussões de gente de 12 anos (tipo “SEU BOBO” “BOBO É VOCÊ” sendo repetido durante minutos, aos berros), como uma menina briga com a outra para manter em segredo o fato de que ela PEIDA, ou como uma pessoa sai e diz que AQUILO ALI É VIDA, BIG BROTHER É COMO A VIDA REAL.

Por fim, nossa maior angústia é quando o telefone toca.

Claro. Porque eu e você passamos o dia inteiro na piscina, malhando, contando estalecas. E a noite nos produzimos pra nossa festa temática.

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Pra aquecer

Semana que vem vou visitar meu pai lá no Panamá. Prometo histórias cabulosas direto da América Central. Vai vendo esse videozinho pra pegar a vibe do local.

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Porco-pizza é um estado de espírito

No sábado a noite, depois do rolê, eu passei na padaria aqui perto de casa pra comer uma pizza. Sentei no balcão e pedi um pedaço de uma lá que tinha um monte de coisa nada a ver misturada – calabreza, palmito, catupiry, mussarela – mas parecia boa. E era.

Do meu lado direito, sentou um cara meio esquisito. Ele sentou meio perto demais, tinham mais bancos vazios pra esquerda. Beleza, o rapazinho esquisito pediu uma pizza igual a minha. Pra beber, um chocolate quente.

Com pizza de calabreza, catupiry, mussarela e palmito. Delícia. Aí a mocinha ultrasimpática disse:

- Olha, chocolate quente a gente não vai tá tendo.

Eu torcendo pra ela completar: “Não pra quem pede pizza.” De qualquer forma, ela pegou um lá dá máquina, que esse tinha.

Daí chega outro cara na esquerda… mesmo sabor de pizza. “Vai beber algo, senhor?” “Um chocolate quente.”

Sério. Tava calor, pôxa vida. E mesmo que não tivesse – quando que virou moda comer pizza de calabreza e tomar chocolate quente junto?

Falando em chocolate quente, lá na Espanha tomei um que era chocolate mesmo. Derretido. Não sei se tem aqui porque como não tomo leite nunca me interesso pelo conceito ‘chocolate quente’, deve ter, né? Mas é bom pra cacete, vem com um churros fininhos pra comer junto.

Mas sem pizza.

Eu não sei como não engordei uma grama na semana na Espanha. Bem que dizem que comida mediterrânea é saudável…

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Fuck, o furacão amiguinho

Como a pobre e ingênua Suzy, quando criança eu também criei um personagem de nome Fuck. Fuck era um furacão. Estava mais para um tornado, pensando bem – a gente não desenha um furacão, né. Mas eu achava que aquilo era um furacão então assim vou chamá-lo. Fuck era um furacão simpático, serelepe e bem espevitado.

Fuck foi concebido por mim para ser um personagem de games. Eu ia enviar a sugestão para a revistinha da SEGA, mas antes mostrei para minha mãe, que riu e me alertou para o fato que Fuck era um palavrão em inglês. Desanimada, desconsiderei trocar o nome do bichinho e enviar a sugestão, e o desenho se perdeu no limbo da minha infância.

Mas foi por bem. Fuck, o furacão personificado, era bonzinho, o que provavelmente causaria alguns problemas para pensar o roteiro do game. Seria Fuck um furacão que destruiria casas de gangster malvados? Ou ele causaria tempestades marítimas que, como mágica, limpariam o lixo do mar? Pior – Fuck seria um furacão tradicional, que destruiria tudo pelo caminho, mas sua condição de bonzinho causaria então uma eterna depressão pós-destruição, que faria com que Fuck lutasse contra sua própria natureza de furacão para seguir a verdade em seu coração?

Espero que a SEGA esteja aí, vendo minha sugestão, e possa colocá-la em prática mesmo tanto tempo depois. Essa última ideia ai que eu dei de roteiro dá pra ganhar prêmio, heim.

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Para de ler esse post e vai ler um livro

Sabe essas pessoas que dizem que você ou sei lá quem deveriam parar de fazer alguma coisa e ir ler um livro? Geralmente esse ‘alguma coisa’ é algo considerado fútil pela massa pseudo-intelectual, tipo assistir televisão, ouvir Rebolation, sei lá.

Eu acho que essas pessoas deveriam parar de mandar as pessoas irem ler livros e aproveitar esse tempo para lerem livros elas mesmas. Livros não resolvem todas as coisas – eles são ótimos, adoro livros, não me entenda mal. Mas em vez de ficarem mostrando como são intelectuais e maduras, essas pessoas poderiam ler os livros elas mesmas, se elas gostam tanto de livros quanto parece. E assim, qual o problema de você conciliar a leitura de livros com outros afazeres? Eu não preciso não ver Big Brother pra ler um livro, essas coisas não são excludentes.

O mundo não é tão simples, as pessoas não são tão óbvias. Boa parte é muito igualzinha e faz a mesma coisa, mas você está sendo tão igual quanto as que criticam as pessoas iguais quando as critica – e portanto torna-se igual a elas (as últimas, quero dizer). Acho que compreender que as pessoas têm nuances maiores e que o fato de alguém assistir Big Brother não significa que ele não lê livros faz de você alguém que você mesmo admiraria, porque acho que é preciso ler muitos livros para concluir isso.

É claro que, como eu tô mandando as pessoas lerem livros, e criticando as que criticam, eu tô me encaixando exatamente dentro do grupo das pessoas de quem eu tô falando mal. Mas isso só prova meu ponto, não?

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Infinito enquanto durou

Há um mês mais ou menos eu tava em casa de bobeira no sábado a tarde. Geralmente de sábado a tarde eu tô andando de skate, que eu sou muito radical, mas nesse dia se não me engano tava chovendo. E eu assisti àquele fabuloso programa Estrelas, em que a Angélica bate papo com artistas como se eles estivessem tomando café, assim, com a câmera ligada, sabe?

A convidada desse dia foi a Daniele Winits e seu marido, Cássio Reis. Os dois tavam contando pra Angélica como se conheceram e se apaixonaram. Foi tudo muito bonito, declarações de amor pra lá, olho cheio de lágrima pra cá. Até a Angélica ficou sem graça com o quão melosos eles tavam e fez piada disso. ‘Que bonito’, eu pensei. ‘Vai ver tem casamento de celebridade que dá certo, né?’

FAIL. DOUBLE FAIL, na verdade: esse Jonatas Faro era um Chiquitito. Nada contra os Chiquititos, mas o Cássio deve estar meio deprimido de ter sido trocado por um.

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