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Arquivo: Política

O que é realmente necessário para representar o povo?

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Conhecimentos gerais. É isso que o CQC está checando no mais recente quadro deles, protagonizado pelo conterrâneo Danilo Gentili, que nesta segunda perguntou a parlamentares coisas que são exigidas em provas simples de admissão de estagiário de jornalismo nos lugares mais fuleiros, como ‘o que é a Jihad’, ‘o que é a Convenção de Genebra’ e ‘onde fica Guantánamo’. E alguns parlamentares não faziam idéia das respostas.

O Gravataí argumentou comigo que ele não considera esse tipo de conhecimento superficial necessário para ocupar esse tipo de cargo público. E eu até concordo com ele, mas veja bem – se você não sabe o que é Jihad, isso não significa apenas que você não sabe o que quer dizer uma palavra. Significa que existe todo um conhecimento geral, mesmo que não-aprofundado, sobre geopolítica, incluindo por exemplo acontecimentos recentes, como o ataque das torres gêmeas, que você não sabe dizer porque aconteceram. Porque se você tivesse lido um pouquinho sobre isso certamente teria se deparado aqui e ali com a palavra e saberia.

Ou seja, o que estou questionando é no que implica você não saber o que é a Jihad, onde fica Guantánamo ou o que é a Convenção de Genebra. Implica, por exemplo, em você ter lido muito pouco ou quase nada sobre conflitos armados recentes, porque os três termos curiosamente se relacionam a guerras. E isso, na minha opinião, te faz inapto a me representar em Brasília. Porque exigem de mim conhecimentos muito mais avançados para ocupar cargos de responsabilidade, salário e regalias muito, muito menores. E porque o mínimo que eu quero é que meus representantes saibam o que está acontecendo no mundo e porquê, mesmo que não for de forma aprofundada.

Eu sei que é uma posição polêmica, mas não acho que pra governar seja mandatório que o cara seja um acadêmico das mais altas qualificações. Acho que sim, ajuda muito se ele for, mas no quesito ‘conteúdo’ considero importante mesmo uma vasta cultura geral, que possibilite ao cara falar sobre tudo e ter uma visão ampla das coisas, bastante leitura, essas coisas. Mas não sou partidária dos literatos ocupando as cadeiras do poder.

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Tem aquele adorável discurso reacionário da classe média (ilustrado acima), que a gente costuma escutar da molecada mais não politizada que repete o que dizem os pais. Ele diz mais ou menos o seguinte: “como meu filho vai se sentir estimulado a estudar se o presidente só tem até o Ensino Médio?”

A resposta correta a essa pergunta provavelmente inclui algo como “basta não ter um pai como você”, mas isso é extremamente ofensivo. Então a gente só dá uma risadinha, ou finge que tá tudo ok. Mas o pai que aceitar do filho o argumento de que ele ‘não vai estudar’ porque ‘o presidente não estudou’ deve ser mais burro que o presidente.

O presidente não estudou mesmo, até onde sabemos. O Gravataí (de novo) me informou, inclusive, que ele já chegou a dizer que só leu um livro na vida (“A semente da vitória”, de Nuno Cobra), mas não achei fonte no Google pra essa info, tirando que o Lula cita muito o cara nos discursos. Eu não acho, contudo, que isso o torna menos capaz de exercer o cargo que ele exerce. Acho fundamental, contudo, que o presidente tenha conhecimentos gerais básicos – história, geografia, economia, ciências. O suficiente pra ler o jornal do dia e entender o que está acontecendo ali, o que está por trás daquilo. E eu, sinceramente, acho difícil ele ter chegado ali sem saber isso. É um voto meu, e posso estar enganada; mas acho realmente difícil.

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Habilidades musicais do presidente

De qualquer forma, o quadro me desanimou horrores. Me desanimou de ser cidadã, de ser jornalista, de ser estudante, de votar na próxima eleição. Sério – até desliguei a TV depois do quadro. O Arlindo Chinaglia ficou durante 20 segundos enrolando porque não sabia definir Jihad. Ele nem precisava explicar, sabe? Se ele dissesse ‘é a guerra santa islâmica’, tinha matado. Outro cara, do PMDB (não me pergunte nomes), versou durante um minuto sobre Genebra “e sua ‘sede’, a Suíça (sic)”, dizendo que a Convenção era um tratado muito importante assinado por todos os países que definia assuntos muito importantes a respeito do mundo. Assim que rolar um vídeo, eu coloco aqui e você sofre comigo.

Mas a verdade é que os nossos políticos não passam de um reflexo de nós mesmos. E se algumas dessas pessoas chegaram onde chegaram sem conhecimentos que eu considero tão básicos, a culpa é nossa.

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Inteligência corporal? É com Luiz Inácio!

Não tô pedindo muito. Queria só o básico, sério. O básico. Quem lê o jornal pro Lula não é ele, é o Franklin Martins e outros assessores, segundo entrevista que ele deu pra piauí nos últimos meses. Mas o que eu espero do presidente (e de quem me representa além dele nas instituições do país) é que ele saiba contextualizar o que o Franklin diz sem precisar perguntar “Mas ô companhêro, quem é esse Kremlin? É daquele filme da sessão da tarde?”


*Esse texto foi ilustrado com imagens do genial LulaLOL, que… que você só vai entender depois que entrar. A essa altura todo mundo já conhece, mas reza a lenda que eu tenho um público muito particular que não é antenado nessas coisas de internet então me sinto responsável por informá-los das boas coisas da rede.

*Resultado da promoção na terça à noite, sem falta – dando uma de Lúcio Ribeiro.

* Lúcio Ribeiro ainda existe?
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Na Renascer, o apocalipse chegou antes

Ai, droga. Quando o teto da Igreja Renascer cai, as piadas prontas são (assim como a misericórdia de Deus) infinitas! É duro lutar contra o ímpeto de dizer que essa igreja sim é boa, porque leva todo mundo direto pro céu. Ou que agora é esperar a galera renascer. Ou que o pastor disse ‘que esse teto caia sobre a minha cabeça se eu estiver mentindo’. Ou que, como era domingo, Deus estava descansando e ficou meio desatento. Ou qualquer outra coisa do gênero.

Mas é preciso respeitar a dor daqueles que perderam entes queridos nessa tragédia. Foram 9 mortos e mais de 50 feridos. Portanto, nada de piadas. Só quero tirar uma dúvida: como é que os pastores da igreja Renascer vão explicar isso do ponto de vista espiritual?

Como é que vão explicar de que maneira a ira do Todo-Poderoso se abateu justamente sobre aqueles que mais o idolatravam? E o dízimo? Não era ele que garantia a fé e a proteção? Toda a grana não foi suficiente para pagar um engenheiro decente para projetar a parada? Por que, POR QUE Deus puniria um grupo de 600 pessoas que estavam reunidas para exaltá-lo?

Claro que isso é muito fácil de explicar para quem acredita num Deus impessoal, um Deus que mais se parece com uma lei da física do que com um velho barbudo e meio temperamental. Mas deve ser muito difícil explicar isso se você acreditar que Deus olha por você e que te perdoa de todos teus pecados caso você vá na igreja Renascer todos os domingos e doe 10% do que você ganha para Ele.

O que mais me preocupa é que esse episódio não vai despertar revolta nos fiéis, e nem vai fazê-los abrir os olhos para o fanatismo que depositam nessas crenças. É provável que os pastores revertam a tragédia em benefício da própria fé. Ou dirão que isso aconteceu porque os que ali estavam não acreditavam o suficiente, ou porque não doaram o suficiente. Os sobreviventes serão usados como símbolo do milagre divino, que é capaz de salvar os merecedores mesmo entre aqueles que se foram. E nos outros cultos na Renascer ao redor do país, os fiéis vão orar pelas almas dos que morreram por conta da fatalidade.

E não precisa nem ser pastor pra acreditar nisso. O próprio governador, segundo o G1, atribuiu a Deus o fato de haver menos pessoas na igreja na hora do desabamento. Em tese, era pra ter mais de 2000 pessoas lá; como era hora da troca do culto, havia ‘apenas 600′:

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Fico imaginando Deus planejando a parada e pensando: ‘bom… se é pra desabar o teto da igreja, que seja sobre 600 cabeças, e não sobre 2000 né? Puxa vida, que boa idéia que eu tive. Assim mato menos gente. Boa mesmo. Vou derrubar a parada na troca do culto, então. Sou um gênio.’

De qualquer forma, numa tragédia cheia de ironias, a home da Globo.com foi responsável por mais uma:

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Porque se tem alguém que pode falar com propriedade sobre coisas que caem, esse alguém é Newton.

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É hora de comemorar: como organizar sua festa de despedida de George W. Bush

Você sabia que a posse de Barack Obama vai reunir 4 milhões de pessoas em Washington? Pois é. É a festa da democracia elevada à várias potências, é a consolidação da mudança e a recompensa para quem de fato acreditou.

Eu sei, eu sei. Eu também queria estar lá. Mas é preciso ficar atento para o oooooutro lado da notícia. Sim – a posse de Barack Obama vai ofuscar um acontecimento infinitamente mais ilustre. Digamos que é algo que, por uma coincidência quase inexplicável, vai acontecer exatamente ao mesmo tempo e é muito melhor que Obama como presidente dos EUA.

bush1É que no dia 20 de janeiro de 2008 George W. Bush deixa a presidência dos EUA. E só um outro jeito de olhar a coisa, mas torna tudo muito mais legal.

E a gente não pode ficar parado. Se 4 milhões comemoram a posse de Obama, o mundo inteiro precisa comemorar. É pensando nisso que o site Bush Bye Bye Party foi criado. Lá, você organiza e divulga sua festa de despedida de George W. Bush, em qualquer lugar do mundo. Você pode criar sua festa ou procurar por uma festa perto da sua casa! Eu já achei uma no meu bairro.

Mas tô pensando em organizar eu mesma uma dessas festas. Temática, e grandiosa, como deve ser. Olha aí minhas idéias:

Petiscos: Pretzels, é claro!

Bebida: todos sabemos que o presidente Bush aprecia uma birita (ele era alcoólatra, mas diz que se curou). Em homenagem a ele, pode ser qualquer coisa bem alcoólica, mas ele tem cara de whiskeiro.

No som: o número de bons artistas que se opôs contra Bush nesses 8 anos é imenso. Se no começo era coisa de revoltadinho engajado, no fim até o Green Day gravou música contra. Vale REM, Pearl Jam, Bruce Sprinsgteen e até as Dixie Chicks (só pela intenção).

Na TV: W, documentário-fake do Oliver Stone, é uma boa pedida. Senão, pode deixar os filmes anti-Bush do Michael Moore rolando na TV. Sem som e com legenda, que é pra não atrapalhar a música.

Gincana: que tal uma brincadeira para animar a galera? Essa será uma caça-ao-tesouro adaptada. Diga a todos os convidados que você tem armas de destruição em massa escondidas em pontos estratégicos da casa e que eles devem achá-las. Quando eles completarem algumas horas procurando e parecerem exaustos, conte-lhes a verdade: NÃO HAVIA ARMA NENHUMA! Nossa, isso vai ser engraçado. Queria só ver a cara deles.

Não esquece de pedir pra turma tirar os sapatos ao entrar. E, como lembrancinha no fim da festa,  pode distribuir esse mimo de brinde pros convidados:

Torres gêmeas de pelúcia

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Turismo de realidade: a maior prova de que as pessoas estão entediadas

Puxa vida. Se tem um mercado que eu nunca vou entender, é esse de coisas para cachorros. Não as coisas básicas, tipo ossinhos, brinquedos, comidas recheadas ou coisa assim. Mas as coisas DESNECESSÁRIAS para cachorro, como camas, jóias, roupas. E eles sempre dão um jeito de fazer um trocadilho com a palavra CÃO nos nomes desses produtos, tipo… Cama para cachorros DORMINHOCÃO.

Eu acho que dificilmente algo pode ser tão estúpido quanto vestir um cachorro de papai noel no Natal.

Roupas para cachorros

Atentem para a coleção de FESTA na Bardout – Pret-a-Porter

Não, tem algo mais estúpido que isso. É pagar para visitar favelas.

Cara, legal. As pessoas se orgulham de morar nas favelas. É uma comunidade, tem todo um ecossistema, mas assim, eu tenho umas ressalvas. Primeiro, o estado das casas não é exatamente algo que eu consideraria ideal. Tipo, se me dissessem ‘qual a casa dos seus sonhos’, eu não imaginaria nada que fosse construído com compensados de madeira. E duvido que essas pessoas que se dizem felizes na favela imaginem uma belo barraco com cerquinha branca na frente.

Mas beleza, na favela não tem só barraco, tem umas casas de alvenaria sem reboco e sem pintura. Esteticamente não é uma visão exatamente ideal, como eu disse, ninguém imagina a casa dos sonhos sem pintura. Mas não é tão ruim assim.

Outra ressalva provavelmente é a ausência de poder público em todos os níveis. Tipo, rede de esgoto e de saneamento básico falha ou nula, rede elétrica falha ou nula. Essas coisas são um problema, é preciso admitir. Dá pra ir levando, ok, mas é um problema.

Outra coisa é que o tráfico normalmente vive na favela. E faz os negócios lá. E pô, acho mó legal que eles protejam a comunidade, mas esse negócio de ter as próprias leis eu acho esquisito. Me incomoda um pouco. Me incomoda também, ligeiramente, o fato de eles andarem armados. Armamento pesado, à luz do dia (como se à noite fizesse diferença, mas vocês entenderam), passeando entre as crianças. Repito, nada contra, mas acho que não é o que ninguém idealiza como vizinhança perfeita. Tem os tiroteios com a polícia também, algo que me deixa um pouco desconfortável.

Coisas como essas me afastam da favela e me fazem desejar que as pessoas (as insatisfeitas com a favela) tenham condições de morar mais dignamente.

Ok, daí os gringos acham essas coisas exóticas, né. Pra eles é tudo muito exótico, muito ‘olha como esse seres primitivos se organizam socialmente’. E eles PAGAM para visitar as favelas, no chamado Ghetto Tour ou Tour da Realidade. Puta merda, minha vida inteira eu tenho pagado (e muito) para ficar LONGE delas. E os caras vêm de fora e acham tudo muito interessante.

Beleza. Acho legal, que daí eles gastam dinheiro na favela (mas como bem observou esse post do Cracked, não podem colocar MUITO dinheiro na favela, senão os pobres ficam ricos e aí o propósito se perde), mas é assustador que alguém um dia tenha tido uma idéia dessas. E é por isso que eu não sou rica, me falta esse faro elementar para negócios.

Pelo que andei lendo, o guia turístico deve ser alguém da comunidade, pra conseguir entrar com os gringos lá sem tomar pipoco dos traficantchi. E os traficantchi, que de bobos nada têm, recebem parte da grana para manterem os gringos intocados na inocente excursão.

Isso deveria ser crime, né? Mas acho que não existe nada na constituição que diga que é proibido pagar um traficante para que ele não mate estrangeiros acompanhados de um guia turísticos. Advogados, me corrijam.

Crime ou não, têm um site (aliás, 1995 ligou e pediu o layout de volta): www.favelatour.com

E daí é isso, eles vêm pro BRAZIL, pagam uma FACADA pra poder entrar na favela e comer, sei lá, churrasco grego, jogar sinuca e tomar cachaça no buteco e ver os soldados do morro empunhado os AK-47 à luz do dia. Basicamente tudo que gostaríamos de manter longe (e erradicado, se possível).

E eu posso imaginá-los escolhendo o roteiro de viagem e dispensando as Ilhas Malvinas ou os Alpes. Posso vê-los, entediados com seu dia-a-dia de primeiro mundo, cheio de civilidade e cidadania e Estado atuante. E daí eles pensam: ‘Pô, eu vou agora assistir às pessoas fudidas do mundo. Sim, é isso que vou fazer. E vou pagar por isso. Vou ver de perto.’

E olha, é até menos esquisito do que uma nova modalidade de turismo de realidade que está pegando: vivenciar a tentativa de imigrantes de cruzar ilegalmente a fronteira entre México e os EUA. Lembra da Sol, escondida dentro do porta-luvas debaixo do sol do Atacama Arizona? Pois é, amigo. Tem gente pagando pra viver essa experiência enriquecedora e inesquecível. Duvida?

Perto disso, nem dá mais pra falar um ‘a’ de quem veste o Chow-Chow de papai-noel no fim do ano. Na verdade, isso se torna até muito sensato.

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A sapatada (ou tudo o que ela representa)

No Iraque, mostrar a sola do sapato pra alguém demonstra profundo desrespeito. Outro xingamento muito ofensivo é chamar alguém de ‘cachorro’.

Um cidadão iraquiano acordou num dia como qualquer outro. Mas aquele dia estava longe de ser um dia como qualquer outro, pois o destino designou a ele uma missão. Era uma missão que exigiria bravura e ousadia. E as conseqüências de concluí-la de maneira satisfatória poderiam ser desastrosas para este cidadão.

Ainda assim, ele não desistiu. Sabe porquê?

Porque ele sabia que se conseguisse acertar um sapato no coco de George W. Bush ele seria admirado por todos os homens que pisam e um dia pisarão neste humilde planeta chamado Terra.

E embora o sapato não tenha atingido seu alvo original, o simbolismo do ato foi capaz de causar suficiente repercussão. Muntazar al-Zaidi, o portador da boa-nova, está detido, e foi submetido a testes para detectar a presença de álcool e drogas no sangue.

Pra mim, parece bem óbvio que ele estava mais sóbrio do que qualquer pessoa já esteve – a frase gritada por ele quando do arremesso, inclusive, me parece bem sóbria: “Esse é um beijo de despedida, seu cachorro. Isso é pelas viúvas, pelos órfãos e aqueles que foram mortos no Iraque.”

E mais do que o sangue que uma eventual sapatada bem acertada seria capaz de arrancar da testa de Bush, al-Zaidi arrancou da cara do ex-presidente com cara de bobo o sorriso mais sem-graça da história.Embora quase imperceptível, mesmo em alta-definição e em tela cheia, dá pra notar que ele esboça um sorrisinho envergonhado logo depois de se abaixar.

Você pode pensar que o sorriso é uma manifestação de satisfação de George Walker por ter desviado com sucesso do projétil calçante. Teria ele pensado ‘sou foda’, depois do gesto rápido?

De fato, Bush demonstrou ter reflexos rápidos. Mas aquele sorriso foi um triste reconhecimento de que ele se sentiu sem graça, porque no fundo, sabia que aquele homem tinha motivos pra lhe jogar um sapato na testa.

Quando você cai, o que faz pra amenizar a situação humilhante? Você ri, pra fingir que tá tudo tão bem, que você tá até achando graça naquilo. Sorrir sem-graça é o que a gente faz quando passa vergonha na frente de todo mundo – dá um risinho amarelo, assim, pra mostrar que a gente tá bem e achou até engraçado. Mas porque o presidente dos EUA estaria envergonhado?

Certamente isso é sinal de que ele sabe que aquele homem tinha boas razões para lhe atirar um sapato. Ele sabe, e tem vergonha. Nem cara de bravo ele faz; Bush nem sai do lugar. Junior espera a segunda sapatada com paciência, sem esboçar raiva ou frustração. Ele oferece a outra face.

Existe uma outra possibilidade, muito votada pelas redações ao redor do mundo: Muntazar al-Zaidi sabia que o domingo estava parado demais. Eu estava de plantão e sofri com a falta de notícias. E há dias que não temos fatos verdadeiramente dignos de manchete. Muntazar sentiu que precisava dar ao mundo algo para ser manchetado. Ele sacrificou sua carreira e credibilidade em nome dos colegas ao redor do planeta, e isso é bonito e altruísta.

Graças a Muntazar, podemos nos ocupar escrevendo reportagens interessantíssimas sobre o arremesso de sapato, colhendo curiosidades sobre o histórico de arremessos de sapatos na história, produzindo infográficos com detalhes do trajeto do calçado, entrevistando preparadores físicos que fornecerão dicas sobre como se esquivar de sapatos com tanta destreza – que tal um guia que teste as marcas de sapato para descobrir qual vai mais longe?

Muntazar nos deu possibilidades infinitas para a semana morna que viria. Antes dele, nada acontecia no mundo sem ser Ronaldo no Corinthians e Madonna no Brasil. Esse é o espírito jornalístico: na ausência de notícias, ele mesmo fez a coisa acontecer. Pró-atividade.

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Gostaria de agradecer a todos os amigos e leitores que votaram no blog para o prêmio Best Blogs Brazil 2008. Por enquanto, somos o blog mais votado na categoria Pessoal e Cotidiano, o que é fantástico, e fomos indicados também em outras categorias, como Humor, Entretenimento e Melhor Blog (!). MUITO OBRIGADA! Quem ainda não indicou e não tiver fazendo nada, dá uma passada lá – as votações vão até o dia 17! Para mais detalhes sobre como votar, clica aqui.

Lembrando que só é permitido indicar o blog para duas categorias ao mesmo tempo e que seria melhor concentrar em uma só, para aumentar as chances. E como Pessoal e Entretenimento está (muit0) na frente, seria interessante continuar indicando o blog nessa categoria.

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Nossa vocação oficial é o trambique

Um cidadão com um cargo de tanto prestígio num orgão tão importante para a democracia não deveria subestimar a capacidade do brasileiro de dar um jeito nas coisas.

É absurdo que um orgão oficial não cogite a possibilidade de erro, nem sequer admita a investigação ou trabalhe com a hipótese de fraude. É preciso lembrar que estamos no Brasil, e se existe algo de que brasileiro entende é trambique.

Por causa da educação ruim, não temos tantas mentes brilhantes como os países de primeiro mundo. Exportamos pouca tecnologia e poucos talentos da ciência. É por isso que a gente devia assumir de vez nossa vocação oficial, de fazer as coisas funcionarem do jeito mais rápido, e tentar até investir nisso. Ganhar dinheiro, sabe? Exportar tecnologias de trambique.

A lógica é simples: como há muita demanda por bons fraudadores no país, a concorrência se torna alta entre os praticantes da atividade, o que os obriga a aperfeiçoar as técnicas de trambique. Somos um dos países mais corruptos do mundo; logo, nossos corruptores são os melhores do mundo. E nós deveríamos tirar proveito disso.

O cara que frauda uma urna, por exemplo. Se o secretário de TI do TSE tá dizendo que é inviolável, temos duas hipóteses, a saber: 1) ele está mentindo e sabe disso, 2) ele está enganado e não sabe disso.

Vamos sempre esperar o melhor do ser humano, e por isso escolhemos a opção 2. No caso da fraude ser verdadeira, significa que o fraudador é um cara que sabe mais de TI do que o responsável pelo TI do TSE. Sem dúvida é um talento a ser valorizado e utilizado em prol do bem. (Desconsideremos prontamente a possibilidade do secretário de TI não manjar nada, ok? Por um momento, vamos fingir que acreditamos na incorruptibilidade dos concursos públicos)

Várias técnicas de trambique que poderiam ser utilizados para fins mais honrados e aproveitados pelo país como símbolo da alta qualidade da nossa educação – aqui e, porque não, como embaixadores do nosso país no resto do mundo.

Falsificação de assinaturas, por exemplo: de falsário, o cara pode passar para restaurador das grandes peças nos museus europeus, por seus talentos em mimetização de obras autorais.

Os subornadores, muito numerosos por aqui, são mágicos com a arte dos números: devem pegar uma quantia, subornar todo mundo no caminho e ainda fazer sobrar um lucro enorme para ele e pros interessados no suborno. São, claramente, mestres da negociação e da contabilidade, e poderiam ser usados nesse momento de crise mundial, pelas grandes corporações, para engendrar maneiras práticas de reduzir as perdas.

E até para a técnica da bolinha mais pesada, usada para fraudar aquelas loterias federais, deve haver alguma aplicação prática industrial.

O caminho é esse! Vamos parar de ficar dando murro em prego, tentando educar nossos jovens em ciências para os quais eles claramente não têm vocação. Enquanto a Índia e Cuba exportam médicos talentosíssimos e o Japão exporta gênios em eletrônica e em ciências, já é chegada a hora de assumirmos nosso verdadeiro papel no mundo e dar condições oficiais para que nossos jovens aperfeiçoem aquilo que eles cresceram aprendendo a fazer: dar um jeito.

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Me prestigiem na MTV hoje

Demorei para avisar, mas estarei hoje no programa MTV Debate, às 22h, discutindo se o Obama vai ou não salvar o mundo (e eu estou do lado que acha que não, ele não vai).

Me assistam falando verdades e nem tão verdades hoje à noite e depois digam o que acharam da performance.

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Barack Hussein Obama, o presidente eleito dos EUA

Eu tinha um post engatilhado para hoje. Mas diante das circunstâncias, vou mudar o que estava pré-programado.

Estamos presenciando um momento histórico. E não sabemos a que ponto isso pode mudar nossas vidas – e agora não falo mais como brasileira, mas como cidadã do mundo, que é como eu me sinto de verdade.

Engraçado pensar que a repercussão daquele post do Obama fez com que todo mundo pensasse que eu sou pró-McCain, o que seria virtualmente impossível considerando tudo em que acredito e sempre acreditei. Os EUA elegeram um presidente negro, liberal, que apóia a escolha pelo aborto, a pesquisa com células tronco, restrições a possibilidade de portar armas, é contra guerra. O que mais você pode esperar de um presidente da maior economia do mundo?

Como naturalmente alguns perceberam, o post do Obama foi só um questionamento. Daqueles para mexer com as convicções das pessoas e com a minha. Funcionou.

Aqui do meu lado, eu torço para que ele seja capaz de resistir a todas as investidas dos conservadores, dos fanáticos e de sei lá mais o quê. Lembre-se que todos os grandes liberais da histórias dos EUA foram assassinados. E Obama é um fenômeno. Guarda-costas da Casa Branca, uni-vos!

Enfim, senhores. Vivemos um momento histórico.

(Roubei o mosaico da arte do estadão.com. Foi mal, gente, mas tava lindão, não resisti)

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E se Kassab e Marta fossem candidatos a síndicos?

Se eu votasse em SP, votaria Kassab. E o único motivo não é o fofo Kassabinho.


Ele até faz uma dancinha!

Não precisa ser gênio nem entender muito de política para saber que quem muito ataca é para evitar de ser atacado. No debate da Band de ontem, a Marta se preocupou em bater, para deixar o adversário preocupado em se defender. Acuado e meio sem ver o que lhe atingia, Kassab fez como pôde para tentar manter o nível do debate.

O festival de ‘mentiroso’ para cá, ‘vagabundo’ para lá me lembrou o imperdível episódio do Quércia no Roda Viva em 1994…

Mas é capaz que a agressividade da Marta acabe saindo pela culatra. Se Marta eu fosse, preocupada estaria, já que toda essa hostilidade pode parecer arrogância para os eleitores. E se tem algo que Marta não precisa é parecer mais arrogante.

Mas se o debate não te convenceu, basta transportar as duas personalidades para uma situação mais próxima. E se Marta e Kassab fossem os dois candidatos a síndicos do seu prédio (analogia sugerida pelo cara que foi assaltado por ladrões indie)?

Sabe, eu tenho muita experiência com síndicos. Vivi a adolescência um um condomínio em que as brigas entre nós e os síndicos eram constantes. E é por isso que eu sei avaliar bem um debate para prefeitos – porque é como se eles fossem síndicos. Da cidade, é verdade – mas nada mais do que síndicos.

Síndicos dosam interesses da maioria e transformam esses interesses em ações viáveis para todos. Síndicos são mediadores, administradores. Precisam ser ponderados, calmos, ordeiros.

A Marta seria aquela síndica esnobe. Ela reclamaria das crianças remelentas correndo pelo condomínio. Proibiria os meninos de jogar futebol nas áreas úteis. Limitaria o horário de ficar na quadra pelas 21h. E aí de quem reclamasse.

A Marta gastaria 15 mil do orçamento para decorar os corredores e salas do prédio com aqueles quadros feiosos, supostamente modernos, mas que são de um mau-gosto tremendo.

Marta fingiria que gosta dos seus filhos correndo pelo prédio, mas assim que você virasses as costas ela ia arrastar o moleque pela orelha por ter riscado o carro dela com a bicicleta.

Penso no Kassab como o síndico gente boa. O cara que ouve todo mundo e fica tentando mediar os dois lados? Não ia proibir as crianças de ficar gritando na hora da novela, mas também não ia bater de frente com as senhoras reclamonas. Ele seria aquele síndico boa praça, que trocaria na humildade uma idéia com a molecada. E nada de quadros toscos, Lei Condomínio Limpo na cabeça. E ele trocaria o orçamento dos quadros pela compra de uma mesa de pingue-pongue, que é para ver se acalma os pestinhas.

Pela felicidade das crianças e pela decoração de bom-gosto do grande condomínio que é a cidade de São Paulo, eu votaria Kassab.

No RJ eu sou Gabeira, claro. Mas essa história fica para outro dia.

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Ops

Ai, confundi, hehehe

Peguei no Matias.

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