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Oito coisas que eu observei sobre as eleições de 2008

Acho muito cínico chamar a eleição de ‘Festa da Democracia’. Eu não vejo ninguém se divertindo. E não há democracia nenhuma em uma festa em que você é obrigado a entrar e não pode beber. Definitivamente, a democracia não sabe dar uma festa.

Nossa sorte é que, no Brasil, os candidatos (e alguns eleitores) sabem. Como trabalhei o suficiente nesta eleição para ter lido as histórias mais bizarras possíveis e ter visto coisas que me fizeram pensar e estou cada vez mais viciada em listas, selecionei oito coisas das eleições de 2008 que me fizeram parar para pensar. Ou para rir. Ou os dois.

Ops (ou Rickrolleada)

Cinara Salles Mioso, candidata a vereadora pelo PT em Pejuçara, no RS, cometeu um errinho bobo durante sua candidatura. Nada demais. Ela só passou a campanha inteira usando o número errado. Acontece. Parece que o descuido foi descoberto pela candidata quando as pessoas avisaram que o número dela não retornava nada na urna.

Ainda assim, Cinara recebeu seis votos. Não deixa de ser um mérito já que, em tese, ninguém sabia o número verdadeiro dela. Parabéns, Cinara.

Filas, correria e invasão de colégio eleitoral

Em Itaquera e em Sergipe, o povo demonstrou um paradoxo de civilidade. Na ânsia de exercer o dever cívico, fizeram filas na porta de colégios na madrugada e houve tumulto e até invasão. Mas até a incivilidade é válida na hora de exercer a civilidade, não é mesmo? Um exemplo de… civilidade incivilizada.

Carros de som não são eficazes às sete da manhã do domingo

Não sei por aí, mas aqui onde eu moro, os carros de som são usados em profusão pelos candidatos para demonstrarem a capacidade deles de contratar uma boa empresa de jingles governar de maneira satisfatória. Até posso compreender a necessidade do marketing, de produzir uma cançãozinha grudenta que envolva um slogan cafona e um número. Mas não adianta colocar seu carro para gritar isso no domingo de manhã, meu amigo. Porque aí sim, eu vou me esforçar para ouvir qual é o se número para me certificar que nem eu nem nenhum conhecido vote em você. Aqui em Santo André os candidatos a prefeito parecem concordar que isso é boa técnica eleitoral. Não é. Não acorde as pessoas com seus carros de som. Não funciona.

Abasteço por votos

Em Recife e em Goiás, os candidatos acharam de bom tom presentear os eleitores com gasolina. Houve acusações de candidatos enchendo o tanque de eleitores e dando vale-abastecimento em troca de votos. Achei criativo. E não deixa de ser um serviço de utilidade pública.

Kassab ganhando da Marta

Kassab tem aqueles olhinhos e parece um bonequinho esquisito que fala como o Pato Donald. Só olhando, ninguém dá nada. Mas o malandro foi lá e ganhou da Marta – nada contra a Marta, particularmente, mas acho o Kassab mais engraçadinho. E vai levar fácil o segundo turno. Dá-lhe Kassab, o homem dos olhinhos engraçados.

Gabeira batendo o Crivella

O Gabeira passou de um cara que usava tanga de crochê para um político super respeitado. Ele começou a campanha, no início de agosto, com apenas 4% das eleições de voto e hoje, no RJ, venceu o principal candidato da oposição com 25,6% da votação, garantindo o segundo turno contra Eduardo Paes. Uma façanha, ainda mais para um cara que usou uma tanga de crochê. Vai ser difícil transferir os eleitores de Crivella para Gabeira, já que é de se imaginar que eles sejam opostos. Mas não duvide do homem. Tem que ser muito bom para quintuplicar votos em dois meses. Ou usar uma tanga de crochê.

Essa história de vender votos não faz sentido

Nunca entendi isso muito bem. E o motivo é bem simples: se você vende seu voto, nada garante que você precise entregá-lo. Nunca entendi porque alguém com um mínimo de instrução recebe para votar num candidato sacana e ainda assim vota nele. Seria possível subverter a subversão, votando no candidato que você realmente tem vontade e recebendo dinheiro de um candidato sacana para isso.  Mas as pessoas parecem querer ser honestas dentro da desonestidade. Vender o voto pode, mas depois de vender, não dá para deixar de entregar que isso é sacanagem. Não faz sentido.

Urnas eletrônicas têm semelhança perturbadora com um Pense Bem

Sim. A urna eletrônica não tem aquele visual anos 90 por acaso. Além do fato de ela, hum, ter sido criada nos anos 90, o design do aparelho tem o objetivo de resgatar nossas memórias infantis mais profundas, trazer à tona a nostalgia de nosso primeiro pseudo-computador e fazer com que, dessa forma, nossa mente associe o ‘votar’ com uma situação prazerosa. Ou simplesmente serve para que olhemos para a urna e sejamos arrebatados, imediatamente antes de votar, pelas palavras PENSE BEM, gerando assim uma corrente involuntária de voto consciente e ponderado. Não sei se funciona. Mas que deu uma saudade do meu Pense Bem hoje, quando eu apertei aqueles números, ah… isso deu.

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O início do fim do capitalismo

Eu sou ‘de esquerda’ desde antes de saber o que isso queria dizer. Sempre fui a favor dos direitos das minorias, bem antes de eu saber que isso significaria uma posição política.

Não acho que existe contradição entre ser socialista e, sei lá, comer no McDonalds de vez em quando. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Eu não concordo com as condições do sistema estabelecido, mas ele é o sistema estabelecido e eu vivo sob essas condições. E também não enxergo contradição nenhuma entre querer ganhar dinheiro e ser a favor de um regime de esquerda. Eu gosto de conforto. E para adquirir conforto, preciso de dinheiro. É bem simples. Se eu precisasse de palitinhos, ficaria empenhada em ganhar palitinhos.

Não existe nada de errado com o capitalismo, exceto o fato de que tem muita gente ganhando muito pouco dinheiro, o que não lhes permite ter condições básicas de vida, e pouca gente ganhando mais do que o necessário para ter uma vida confortável. Para mim, isso é o suficiente para dizer que é um sistema que não funciona.

Depois que entrei na faculdade, estudei (muito pouco) sobre os sistemas econômicos, seu início, meio, fim e substituição. E dois professores nos fizeram entender que todo sistema econômico já implantado teve contradições, e ruiu sob suas próprias contradições, dando lugar a outro sistema – esse, que corrigiria as contradições do anterior, mas apresentaria novas contradições, eventualmente, e seria substituído por outro… e assim sucessivamente.

A primeira contradição do capitalismo se apresenta de maneira bem simples. Como é um sistema baseado na acumulação de capital e no lucro, ele gera a redução do poder de compra da população, que vê seu salário reduzido para aumentar os lucros dos donos das empresas. Com salário baixo, não há consumo; se não há consumo, não há lucro.

A outra contradição do capitalismo reside no consumo desenfreado de recursos. A matéria prima para a maioria das coisas é esgotável. E se não há mais petróleo, não se produz plástico; se não há mais ferro, não se fazem mais latinhas. E quanto maior o consumo, maior a produção e maior o consumo etc.

E as coisas estão ficando complicadas para o capitalismo.

A verdade é que o capitalismo é tão frágil quanto qualquer outro sistema. ‘Livre-mercado’ é papo furado – só é defendido quando a intervenção do Estado acaba prejudicando os investidores. Agora, que eles precisam de ajuda financeira do povo – o pacote americano custa 700 bilhões de dólares, o suficiente para comprar, tipo, duas Dinamarcas – a intervenção do Estado não é só bem vinda. É fundamental.

Não me lembro dos investidores de Wall Street recorrendo ao Estado interessados em dividir com a população os lucros astrônomicos  conquistados em épocas de vacas gordas. Ironicamente, há sim algo que os capitalistas ficam felizes em socializar – o prejuízo.

Não costumo falar dessas coisas aqui, mas para começar, é um assunto simples – embora pareça complicado – e que diz respeito a todo mundo. Em segundo, eu esperei muito tempo por esse momento para deixar que ele passe em branco.

Os especialistas dizem que esse é só o primeiro dominó caindo. As conseqüências podem ser gritantes. Mas é a grande chance de tentarmos alguma outra coisa. E aqui não falo de um sistema Marxista propriamente, mas alguma outra coisa, se é que existe um sistema 100% justo.

Enquanto isso, estoure a pipoca, acomode-se em sua poltrona e assista ao espetáculo da queda do capitalismo. Vai ser memorável.

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Você é honesto?

Ah, a honestidade. Bons eram os tempos quando ser honesto era considerado a regra. Era o que se esperava das pessoas. Hoje, a notícia é quando o faxineiro do aeroporto devolve a maleta cheia de dinheiro que achou no banheiro.

Eu acredito que boa parte da honestidade surja a partir da aceitação e compreensão do conceito de coletivo. Na vida em sociedade, organizada em um sistema democrático, é fundamental o reconhecimento do direito e do dever de cada cidadão. Quando um indivíduo reconhece e assume um senso de cidadania, ou seja, o reconhecimento dos direitos e deveres de cada um na sociedade, e resolve respeitar isso, a honestidade surge automaticamente.

A outra parte de ser honesto deve vir do caráter.

Digo isso porque não ser honesto resulta quase sempre em prejudicar alguma outra pessoa com os mesmos direitos e deveres que você. A consciência do igualitarismo e um bom-caráter entram em conflito desonestidade por princípio. Ninguém que sabe que todo mundo é igual e que não prejudica outras pessoas tira vantagem dos outros.

Como sabemos, nosso país carece dessa consciência do outro. Não vou nem me repetir no ‘jeitinho brasileiro’. Tirar vantagem do outro, quando possível, virou praxe. Como isso é desonesto, concluimos que desonestidade virou regra. Ou você não conhece gente que te acharia idiota se você devolvesse intacta ao dono uma carteira que achou cheia de dinheiro?

Vou ser bem sincera: esse é provavelmente um dos principais motivos pelos quais eu que eu quero sair daqui. Eu vejo centenas de exemplos de falta de cidadania todos os dias por todos os lugares que passo. E esse individualismo extremo bizarro, que grita ‘cada um por si e deus por todos na rua’ no metrô, no trânsito e em todos os lugares, que só prejudica, me deixa muito desesperançosa. O país nunca vai sair do lugar enquanto as pessoas acharem que é cada um por si.

O interney disponibiliza aqui um teste de honestidade. Clique, responda (amigo, seja sincero. Se você começar sendo desonesto num teste de HONESTIDADE é porque há algo errado) e veja se você é alguém em quem a sociedade pode confiar. Segundo o teste, eu sou uma pessoa super-honesta.

O CQC – o programa de humor mais legal da televisão brasileira, mas que sub-aproveita geniais Marco Luque e Rafinha Bastos – fez recentemente uma série de testes de honestidade. O repórter Danilo Gentili, conterrâneo desta que vos fala (Santo André é nóis), simulou uma série de situações nas quais a honestidade do povo de três capitais – Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro – foi testada.

Preciso dizer que o resultado não me surpreendeu? Não me surpreendeu, mas me indignou, porque a capacidade de me indignar eu não perco nunca.

São Paulo:

Rio de Janeiro:

Brasília:

Não é prudente culpar os políticos por tudo, mas a deliberada falta de honestidade na política não pode estar servindo de mau-exemplo para essas pessoas? Do tipo ‘já que eles não pensam em mim, eu vou pensar’.

CLARO que isso não justifica nada. Os políticos são os mesmos para mim e eu não fico por aí pegando dinheiro de ceguinhos. Mas é algo a se pensar.

Aliás, você ficou chocado com o policial-ladrão de Brasília? (Sim, porque quem toma sabendo quem é o dono é ladrão)
Ele se arrependeu:

Justo. Todo mundo deve ter direito a uma segunda chance.

Quanto ao CQC, meu professor de crítica da mídia perguntaria ‘Mas… isso é jornalismo?’

Não que isso importe muito, mas não vou me arriscar a entrar nessa questão. Deixo para você.

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Desmascarando o filho da… digo, do Enéas

Ah, a democracia! É fabuloso como a cada dois anos o espírito democrático toma conta do país e ficamos todos imbuídos da vontade de tornar o mundo um lugar mais agradável para viver, escolhendo com parcimônia e muito cuidado nossos futuros representantes… NOT.

Você deve estar achando esse post uma piada (ele é, gênio). Impossível existirem motivos para assistir ao horário político obrigatório. Mas o que você precisa entender é que basta uma boa dose de humor negro e de abstração (é preciso rir de coisas pelas quais deveríamos estar chorando) para que o horário político se torne um programa bem interessante.

E tudo isso porque se a política brasileira é uma palhaçada, o horário político é o sumo concentrado dessa palhaçada. São 15 minutos de pessoas esquisitas, muitas das quais não sabem falar ou olhar para a câmera, dizendo coisas que muitas vezes não interessam, utilizando-se de estúdios e efeitos toscos, slogans toscos e jingles toscos. Não vou nem falar das propostas toscas.

Eliminando uma ou outra feliz exceção, é uma pequena amostra (muito verossímil) do show de horrores que é a política brasileira.

E quer saber? É melhor que Zorra Total. É triste admitir, mas responda rápido: o que é mais engraçado – Zorra Total ou o horário político obrigatório?

Um dos humoristas uma das figuras marcantes que resolveram dar as caras nessas eleições (me refiro ao horário político de São Paulo) é um tal de Enéas Filho, que se apresenta como herdeiro do saudoso Enéas Carneiro (que dispensa apresentações).

Acontece que, a essa altura do campeonato, nós já devíamos ter aprendido que é preciso desconfiar de qualquer elemento que se mexa dentro do horário político obrigatório. Porquê os sacanas fazem de tudo pra conseguir seu voto. Você só não imaginaria que um sósia safado deixaria a barba crescer e mentiria para você dizendo que é filho do Enéas.

O candidato aí em cima não é filho do Enéas. Na realidade, ele nasceu Luciano Martines Nantes Soares, e seu pai se chama Osvaldo Nantes Soares. Os dois, pai e filho, mudaram de nome para incluir um ‘Enéas’ no meio. Assim, ele pode dizer que se chama Enéas Filho, já que não deixa de ser verdade.

O cara ainda tem coragem de dizer ‘vou continuar o trabalho do meu pai’. O pai dele, Osvaldo, chegou a se candidatar a deputado federal em 2002, usando a mesma artimanha (imitar o Enéas Carneiro), mas teve a candidatura cassada pelo TRE por induzir o eleitor a erro, depois de  processo movido pelo falecido Enéas (o original) – que é um dos vereadores mais votados da história do país e morreu em maio de 2007.

Editado: consegui o vídeo da coisa. Agora quem não é de SP pode conferir o golpe.

O Enéas original só tem filhas – uma delas, inclusive, concorre ao cargo de vereadora no RJ.

Falando em RJ, alguém consegue explicar porquê a Lacraia (sim, aquela Lacraia) se candidatou a vereadora em SP, e não no Rio? Tem coisas da política que eu nunca vou entender…

(Via Terra e OFFBlog)

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Olimpíadas: o mundo está em festa (bem, a maior parte dele)


Foto: Wander Roberto/Divulgação COB


Só alegria!

As autoridades gostam de perder o tempo delas (e o meu), em época de Olimpíadas, pedindo pras pessoas não politizarem os Jogos.

“Separe ‘esportes’ de ‘política’”, eles dizem, como se as Olimpíadas não fossem também políticas em muitos aspectos, senão um enorme evento político, especialmente essas, considerando o cenário Chinês. Claro que só é pra separar quando for conveniente.

Mas a maior dicotomia é sempre a bela cerimônia de abertura, que mostra todas as nações desfilando contente e pacificamente. Um mundo muito bonito esse das Olimpíadas – mas que não dura nem 6 horas. Pouco tempo depois da abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, a Rússia declarou guerra contra a Geórgia, um paizinho de nada que fica embaixo dela, em defesa da província separatista Ossétia do Sul.

Os pontos são muitos, tipo, a Rússia não tem nada que se meter com os problemas da Ossétia, por exemplo. Politicamente, o que a Rússia ganha apoiando uma província separatista menor do que São Paulo e que não tem importância expressiva, nem política ou econômica, ou porque lutar contra um país super pequeno como a Geórgia?

Primeiro que a idéia aqui é ‘pegar a Ossétia pra si’, ou seja, anexar a Ossétia a Rússia.

Segundo e mais importante: os Estados Unidos da América apoiam a integridade da Geórgia. Entende agora? Já dá pra visualizar os dois ‘irmãos mais velhos’ brigando pela causa, quando na verdade eles já se odeiam há muito tempo, só queriam um motivo pra brigar.

A Geórgia, aliás, se fu*** mais porquê as tropas dela estão no Iraque, ajudando os EUA. Os Eua só fica pedindo cessar-fogo.

Acho engraçada essa tal ‘síndrome de herói’ dos países grandes, especialmente porque geralmente elas só se aplicam a caso onde haja segundos interesses, e é super-óbvio, mas eles sempre dão outors motivos pra guerra.

Não quero me estender no absurdo de declarar uma guerra a um estado só porque aquele estado não quer fazer parte de um país (tudo bem que a Geórgia é tão pequena que até justifica ela ter medo de perder um pedaço dela, né). O próprio conceito de país e pátria é uma coisa estúpida, quando você pára pra pensar só um pouquinho já percebe. Mas é só pra lembrar vocês que o mundo continua podre, e mesmo que músicas divertidas, roupa colorida e gente balançando bandeira possam nos enganar por alguns minutinhos, uma galera no Leste Europeu não vai assistir o resto das Olimpíadas, não.

Mais info aqui: Tropas russas entram em região separatista da Geórgia

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Para que será que serve o Ministério da Pesca?

Hoje a Nina, que trabalha comigo, tocou numa questão que sempre me intrigou e sobre a qual eu resolvi falar aqui.

Eu sempre achei muito engraçado esse negócio de Ministério da Pesca. Para começar, qual a utilidade de um ministério da pesca? Ele dá incentivos fiscais pra criadores de minhocas e para fábricas de iscas artificiais? Cede verba para o Pesca & Companhia? Fiscaliza e dá alvará de funcionamento para Pesque & Pague? Promove torneios de pesca?

Torneio Pesca & Companhia

Apoio: Ministério da Pesca

E o mascote do ministério da pesca? Ninguém melhor do que…

Chico Bento
Chico Bento, o grande mestre da pescaria em quadrinhos

E considerando que o Ministro de um setor deve ser uma autoridade na área, alguém que saiba muito bem com o que está lidando, seria o Ministro da Pesca o melhor pescador que esse Brasil de meldels já viu? E o mais importante: como comprovar isso, já que todo pescador é um contador de histórias em potencial(não deixa de ser o caso do nosso ministro, Altemir Gregolin, acusado de envolvimento no escândalo dos cartões corporativos)?

A questão mais intrigante fica por conta do maior ditado popular envolvendo pesca: ‘A pesca é inimiga da perfeição’. Não, não é esse. RÁ!

É ‘Tá nervoso? Vá pescar!’ É até tema de música sertaneja, vejam só. E se esse negócio de que pescar relaxa é verdade, seria então o Ministro da Pesca o cara mais zen do mundo? Pra ser Ministro da Pesca, você precisa ser alguém calmo e controlado? Ou melhor, um dos caras mais calmos e controlados DO PAÍS (afinal, você é o Ministro).

O mais peculiar são os comentários sobre a criação efetiva de um Ministério (porque a Pesca não é uma pasta propriamente, é uma Secretaria Especial, embora o Gregolin tenha status de ministro e a secretaria seja comumente chamada de ‘Ministério’ pela imprensa, para facilitar). Nesta matéria, do Terra, você confere a valiosa opinião de Itamar de Paiva Rocha, o presidente da Associação Brasileira de Criadores de CAMARÃO, sem contar as palavras de apoio do ilustríssimo presidente Associação Brasileira dos Criadores de Organismos Aquáticos (Abracoa).

Se nós temos uma associação brasileira de criadores de camarões e outra de organismos aquáticos (me pergunto se o pato de borracha é considerado um organismo aquático. Não sei, criadores de organismos aquáticos me parece tão abrangente), um Ministério da Pesca não é lá grande coisa. Grande coisa seria se tivéssemos um Ministério dos Passos Engraçados, uma tradução livre do Ministry of Silly Walks. O quê? Vai dizer que você nunca ouviu falar disso? Dá o play aí, então:

Clique aqui para encontrar outros esquetes do Monty Python.

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Wikileaks: o maior pesadelo de Brasília

Você é executivo de uma transnacional milionária e tem informações secretas sobre sua companhia que podem afetar o bem-estar da população mundial?

Daniel Dantas
SIM!

Você é um político oprimido, que sabe de todas as mutretas que rolam por trás dos panos, mas não pode falar nada pra ninguém?

Deputado Clodovil Hernandez
SIM, MEU BEM!

Você é um jornalista e apurou um furo bombástico que diz respeito a toda a população, mas corre risco de morte se divulgar o que descobriu?

Carmo Dalla Vecchia - Zé Bob
SIM!

Então, os seus problemas acabaram. Chegou o Wikileaks, um site cuja proposta é que esses grandes detentores de informações sigilosas, mas fundamentais para o interesse público, dêem com a língua nos dentes por lá de forma anônima.

É uma maneira genial de usar internet para veicular informação que é mantida em sigilo. E se a coisa funcionar como os criadores gostariam, poderia ser uma revolução da distribuição de informação secreta.

Aí você pensa o óbvio: que qualquer um pode chegar lá, escrever o que quiser e fingir que é verdade. É, pode. Mas acho que o Wikileaks é uma das últimas provas coletivas de confiança na honestidade do ser humano.

Se essa moda vai pegar por aqui, eu não sei. Sei que as possíveis conseqüências seriam duas:

- O site se torna popular e, minutos depois do estardalhaço inicial, sai do ar misteriosamente, sem deixar vestígios;

- O site se torna popular, os brasileiros descobrem, invadem e começam a publicar informações falsas. Afinal, somos os usuários de internet que passam mais tempo conectados no mundo. Não temos o que fazer. Logo, vandalismo virtual é o que nos resta.

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Senado aprova projeto do Azeredo que criminaliza ações triviais na web

Eu não ia falar dessa história aqui por dois motivos:

1-Todo mundo tá falando, e eu não falo do que todo mundo fala (a não ser que tenha algo diferente a acrescentar);

2-Eu sou uma pessoa fundamentalmente positiva e, crendo no bom-senso dos nossos amáveis senadores, acreditava que o precesso não passaria.

eduardo azeredo

Me enganei. Passou. E eu odeio estar enganada, principalmente numa situação como essa.

O projeto de lei do senador Eduardo Azeredo (PSDB) é baseado numa iniciativa louvável de coibir a pedofilia na rede. Mas na prática ele acaba criminalizando uma série de atitudes do usuário comum da web.

Por curiosidade, caso ninguém se lembre, Eduardo Azeredo (na foto ao lado) foi acusado de ser o chefe do mensalão em MG. Não que isso tenha qualquer importância nesse momento…

O projeto proíbe, por exemplo, que qualquer conteúdo com copyright seja copiado sem autorização prévia e expressa do dono.

Isso significa que, quando você entrar num site de notícias cuja foto tenha direitos autorais, estará cometendo um crime, já que o navegador automaticamente copia a foto para o seu computador pra exibí-la (o ‘cache’). O projeto iguala criminalmente quem baixa música digital a quem compartilha fotos de crianças nuas.

Além disso, proíbe o uso de programas peer-to-peer. É como proibir as pessoas de usar facas só porque elas podem ser usadas para ferir gente. É pré-supôr que todos são criminosos e irão cometer crimes com uma ferramenta que não foi concebida para isso.

O projeto agora segue para a câmara dos deputados e eu acho que, agora ou nunca, devemos fazer barulho. Assine a petição contra o projeto de lei, envie e-mails para seus deputados federais (aqui tem uma lista) e todas essas coisas. Acho que é fundamental impedir a aprovação desse projeto. A internet não pode ser território livre para criminosos, mas igualar quem baixa música a quem faz pedofilia sim deveria ser crime.

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‘Pela liberdade de expressão’: evangélicos protestam contra projeto de lei que torna a homofobia crime

Tem muita coisa errada acontecendo tipo, everywhere. Eu não conseguiria listar todas nem que eu quisesse. Mas uma exceção, entre poucas, é o projeto de lei que torna a homofobia crime, que estava sendo votado no Senado nesta quarta-feira. Eu meio que fiquei surpresa em saber que ainda não é, mas ok. Se o novo projeto de lei for aprovado, vai ser crime “impedir, recusar ou dificultar o acesso ao mercado de trabalho e a ambientes públicos ou privados por causa de orientação sexual.”

Novamente, me surpreende que hoje isso não seja crime. Quer dizer, se hoje eu não deixar um gay entrar na minha loja (hipotética) e disser pra ele que estou fazendo isso porque ele é gay, a constituição não enxerga isso como crime. Claro que tem o negócio da jurisprudência, então o cara pode me processar baseado na lei que diz que todo mundo é igual, e se o juiz for um cara decente, ele pode ganhar… mas assim, literalmente, escritinho lá, não tem não.

Mas ok, vamos pensar pelo lado bom, eles querem mudar as coisas agora. Até aí tudo lindo, super colorido mesmo.

Aí chegaram eles. Os evangélicos. Os evangélicos em questão não são super coloridos – e a pior parte: eles não querem que ninguém mais seja.

No Senado, um grupo (!) de evangélicos (!!) protestou contra a provação do projeto de lei (!!!). Eles carregavam placas com os dizeres “a favor da família” (!!!!), “a favor da liberdade religiosa” (!!!!!), além de coisas bíblicas esquisitas e da pérola abaixo:

evangélicos homofobia

Acho que a essa altura do campeonato todo mundo já deveria saber que o mínimo que a gente pode fazer, assim, pra respeitar os outros, é deixar que eles sejam felizes. Dentro do possível, óbvio, mas acho que deixar os outros serem viados serem gays está dentro do nosso possível no momento. Digo, da parcela não-gay da sociedade.

Como é possível que MUITA GENTE JUNTA que diz que AMA DEUS (que em tese pregada pelas mesmas pessoas é um ser muito amoroso e misericordioso) possa ao mesmo tempo lutar pra que um monte de gente comum não seja feliz e não perceber o quão estúpido isso parece para todo o resto de pessoas que as observa? Não, sério, porque eu não entendo muito de deus, mas pensando bem, ela não parece o tipo do cara que gostaria de ver as pessoas tristes.

Além disso, travestem (usei esse termo de propósito) essa ‘luta’ na luta pela liberdade de expressão e liberdade religiosa. Mas quer saber? Tô na mesma luta dessa tal ‘liberdade de expressão’ que eles pedem. Daí vou poder expressar com liberdade total, sem eufemismos, minha opinião adorável sobre esse tipo de gente.

É por essas e outras que eu digo que o mundo tá acabando.

*Foto por Ed Ferreira, da Agência Estado

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Intromissão infeliz

Depois de uma madrugada no pronto-socorro, retorno às atividades normais do Olhômetro quase completamente recuperada.

Nem o Dr. House soube dizer o que eu tenho, mas continuo na busca por um diagnóstico preciso. Enquanto isso, vou testando minha resistência a dor. Depois dessa noite, parir um filho não será um grande problema.

Contudo, cá estou para falar de uma mania que tem se intensificado no pop: artistas se intrometendo na política. Sério, é super bonito ver um artista engajado. Você sabe que não é mais um idiota cantando, que o cara tem algo a dizer… Fora que muitas das raízes do rock vêm daí, do protesto.

Só que tem um problema. Uma coisa é você pregar uma ideologia política: defender uma corrente de pensamento, ter uma posição diante de uma polêmica e deixá-la clara ou algo assim.

Outra coisa coisa é apoiar um político específico fazendo música em homenagem ao cara. O Pearl Jam fez isso – todos os membros, menos o Eddie, cometeram gravaram uma versão de “Rock Around the Clock” chamada “Rock Around Barack”. A canção (?) pode ser ouvida aqui. Especula-se que o Eddie não a tenha cantado por não apoiar Barack Obama nas prévias americanas, mas ninguém sabe realmente.

Sou contra isso por uma série de motivos. Em primeiro, a música ficou bem ruim. Sério, muito mesmo. E em segundo, eu sei como esse tipo de comportamente pode influenciar – e mal – os fãs da banda. Sei bem, porque aconteceu comigo. Eu era uma fã paga-pau de 15 anos do Pearl Jam. E é claro que eu estava muito feliz em copiar tudo o que eles diziam/faziam/ouviam. Quando eles disseram que eram Ralph Nader, eu fui Ralph Nader. Mas que caralhos eu fui, se eu nem votava, e pior ainda, er aum candidato americano? Não me perguntem. É assim que funciona.

No meu caso, não foi de todo ruim, porque despertou em mim o interesse por política de forma geral. Mas aposto que não é assim que acontece com 90% dos jovens que ouvem os caras. Adolescente é assim mesmo: engole o que ouve sem se questionar, na maioria das vezes. Boa parte dos adultos é asism, também. E isso é um perigo. Os caras do Pearl Jam deveriam ter noção da responsabilidade que têm ao gravar uma música para um candidato à presidência dos EUA. Chega a ser irresponsável, além de poder até soar como propaganda política paga. No caso do PJ, acho difícil que aconteça (sim, meu lado fã ainda fala mais alto), mas não duvido de mais nada nesse mundo.

Por isso, Green Day, System of a Down, Bruce Springsteen e Grateful Dead, tomem vergonha na cara e fiquem fazendo só música boa, que o mundo já carece disso. Tem outras pessoas pra brigarem por políticos.

E como se não bastasse, o baterista do Pearl Jam, Matt Cameron, gravou uma outra música pelo Obama. Também é péssima, então não se animem.

 


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