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	<title>Olhômetro &#187; Rotina</title>
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	<description>Cotidiano, viagens, crônicas, tecnologia e essas coisas</description>
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		<title>Aqui nos Países Baixos</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Mar 2011 19:13:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>olhometro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Holanda]]></category>
		<category><![CDATA[Rotina]]></category>
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		<description><![CDATA[O que eu aprendi sobre os holandeses em duas semanas]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="post-entry-excerpt-4203" class="entry-part"><p>Eu precisei dar uma sumida, veja, porque de repente surgiram três crianças na minha vida. Surgiram também moinhos de vento, igrejas medievais, flores cheirosas, morangos que de tão doces parecem que vêm com açúcar de fábrica, bicicletas e pessoas gentis que falam uma língua estranha, uma mistura de alemão, francês e sons guturais.</p>
<p>Eu não tomei um ácido, gente, embora seja quase isso. Eu me mudei para a Holanda para trabalhar como babá.</p>
<p>Meu trabalho é bem diferente do que eu fazia como jornalista, como você pode imaginar. Cheguei há uma semana e parece que passou um mês &#8211; tanto pela quantidade de coisas diferentes que eu vi e fiz, quanto porque, bem, eu já trabalhei um bocado. E nesses dois aspectos, creia, o trabalho chega bem perto do que eu estava acostumada no jornalismo.</p>
<p>A Holanda, ainda bem, é mais do que tudo aquilo que eu mencione lá em cima. <span style="text-decoration: line-through;">Também é pessoas fumando maconha dentro de bares e prostitutas dançando com pouca roupa em vitrines</span>.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a title="Amsterdam by anafreitas, on Flickr" href="http://www.flickr.com/photos/anafreitas/5571306472/"><img src="http://farm6.static.flickr.com/5142/5571306472_9056ac3e77.jpg" alt="Amsterdam" width="500" height="375" /></a><p class="wp-caption-text">OLHA AÍ O BECK LEGALIZADO</p></div>
<p>Aqui, se vê muito do Brasil na simpatia e hospitalidade do povo &#8211; como estrangeira, eu fui bem recebida onde fui, e todo mundo tá sempre disposto a me ajudar &#8211; e na paixão pelo futebol. Ah, sem falar no hábito constrangedor de ouvir música alta no trem, que também está por aqui.</p>
<p>Mas num resumo, é só isso. Porque, diferente daí, aqui os campinhos (digo, quadras) de futebol são apinhados de meninos loiros, muito loiros, alguns até bons de bola, veja só. Aqui, todo adolescente de 16 anos que você vê na rua está fumando um cigarro. Muitos se acham muito, muito malandros (tadinhos, não durariam por dois minutos no Capão Redondo).</p>
<p>Aqui, crianças de 3 ou 4 anos atravessam a rua sem olhar, e apesar de ser um hábito ruim, elas o adquirem simplesmente porque PODEM, já que têm a certeza de que os carros vão parar (e eles vão). Velhinhas de 80 anos vão ao supermercado de bicileta, e aqueles já com dificuldade de locomoção usam um fantástico andador com um compartimento &#8211; como ninguém pensou nisso antes? Nos pontos de ônibus e nos lagos, em vez de pombos ou lixo, a Holanda tem patos, aqueles dos desenhos, com penas verdes e azuis.</p>
<p>Apesar de comerem pão doce com queijo no almoço, eles inventaram, veja você, a C&amp;A, as Bakfiets, uma torneira de onde sai água fervendo (sério, uma das invenções mais úteis da história), a Kombi (mano, foi um holandês que inventou a Kombi), e bem&#8230; eles aperfeiçoaram MUITO a tecnologia de diques.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a title="108: Stephanie's Bakfiets by grrsh, on Flickr" href="http://www.flickr.com/photos/grrsh/4464924210/"><img src="http://farm5.static.flickr.com/4057/4464924210_45783e3ea4.jpg" alt="108: Stephanie's Bakfiets" width="500" height="376" /></a><p class="wp-caption-text">Caso você esteja se perguntando, ainda, o que são Bakfiets: é esse negócio aí em cima. ATENÇÃO ESSA NÃO SOU EU</p></div>
<p>É que a Holanda (Países Baixos, gente, é o real nome do país) é um país, hum, baixo. Isso significa que boa parte do terreno aqui está abaixo do nível do mar. E aí, pra tornar a terra habitável, os holandeses precisaram BOTAR A MÃO NA MASSA. Pensa que é Ilha de Vera Cruz, onde se plantando, tudo dá? Que é só chegar, montar a barraca e ficar? Não é assim. Ok, pra começar, é abaixo do nível do mar, ou seja, precisava tirar aquela água dali. Em segundo, faz um frio legal no inverno.<br />
Explico-me. Eles precisaram dar um belo trampo pra poder morar nesse lugar, fazê-lo habitável. E para que ele se mantivesse assim, precisaram impôr regras. Precisaram colaborar uns com os outros.</p>
<p>Penso que é daí que vem a gentileza dos holandeses, entre si e com os estrangeiros, seu respeito quase irrestrito às regras (e, bem, o excesso delas também), seu metodismo. É da falta de sol que vêm o hábito, que para nós é hilário, de em um dia quente, sentar-se na calçada com as cadeiras viradas para o sol, como se o astro-rei fosse um espetáculo a ser assistido.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 385px"><a title="Haarlem by anafreitas, on Flickr" href="http://www.flickr.com/photos/anafreitas/5570762029/"><img src="http://farm6.static.flickr.com/5254/5570762029_b003921fed.jpg" alt="Haarlem" width="375" height="500" /></a><p class="wp-caption-text">Sessão de sol, meia-entrada, as 3h15. Sala 8</p></div>
<p>É provavelmente daí também que vem a habilidade de conservar os prédios históricos, já que deu trabalho pra que eles pudessem ser erguidos lá, naquele solo aterrado. Além do mais, não dá pra simplesmente viver ao ar livre por causa das chuvas e do frio, então ninguém vai querer de fato destruir um abrigo que é necessário para a sobrevivência.</p>
<p>Também da necessidade de se concentrar em sobreviver vem o liberalismo a tolerância, o espírito <em>open-minded</em> (troquei a palavra porque, bem, apesar de todo mundo entender o que eu quis dizer, como bem apontou um anônimo chamado Rafael nos comentários, estritamente &#8216;liberalismo&#8217; ainda é sistema político-econômico). Mesmo durante a inquisição, os holandeses recebiam seguidores de outras religiões. Eles não tavam nem aí para quem era seu Deus, porque tinham que se preocupar em manter os diques em pé e a água longe. Essa tolerância é o que permite que a Holanda, hoje, seja tão livre. É o que permite que em Amsterdam você possa se vestir COMO QUISER e não receba nem um olhar esquisito por isso. Tudo é aceito. Tinha um ratinho no Burger King da estação central da cidade e, na boa, ninguém sequer fez nada além de dizer &#8216;olha, um rato&#8217;. Nem levantamos o pé.</p>
<p>Nada disso explica o pão-durismo deles e o fato de eles economizarem até na salada.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a title="Haarlem by anafreitas, on Flickr" href="http://www.flickr.com/photos/anafreitas/5570800297/"><img src="http://farm6.static.flickr.com/5067/5570800297_aba20a03e1.jpg" alt="Haarlem" width="500" height="375" /></a><p class="wp-caption-text">O pôr do sol de um domingo em Haarlem, uma das cidades mais antigas. Tem prédios de 400 anos lá</p></div>
<p>Essas coisas explicam, contudo, alguns efeitos colaterais. Eles são obcecados com conversas sobre o tempo &#8211; sério, um dos assuntos preferidos é falar se nos próximos dias vai estar nublado ou se vai ter sol. Claro que não entra na discussão se vai estar frio ou não, porque certamente estará. O que se discute é se será frio com sol ou frio com chuva.</p>
<p>Além disso, eles são meio metódicos DEMAIS, o que é bom mas pode ser ruim às vezes. O excesso de regras e a necessidade de seguí-las torna os holandeses meio engessados, com uma certa falta de trato social e jogo de cintura. E por fim, esse olhar que aceita tudo tem seu lado negativo, já que eles não se surpreendem com nada. Bem, com exceção do sol &#8211; com isso, eles sempre se surpreendem.</p>
<p>Ah, botei umas fotos <a href="http://www.flickr.com/photos/anafreitas/sets/72157626380321294/" target="_blank">lá no Flickr</a>.</p>
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		<title>O tênue limite entre a simpatia e a loucura</title>
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		<pubDate>Mon, 11 May 2009 22:39:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>olhometro</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Rotina]]></category>
		<category><![CDATA[cotidiano; trolebus; historias;]]></category>
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		<category><![CDATA[pessoal e cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Trem]]></category>

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		<description><![CDATA[Você certamente já encontrou com alguém cuja simpatia ultrapassava o limite do que é considerado socialmente aceito. Se trata daquelas pessoas sorridentes e solícitas, que diante da menor inclinação da sua boca demonstrando um sorriso desatam a falar sobre coisas que você certamente não perguntou e pelas quais, na maioria das vezes, não tem interesse [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="post-entry-excerpt-2812" class="entry-part"><p>Você certamente já encontrou com alguém cuja simpatia ultrapassava o limite do que é considerado socialmente aceito. Se trata daquelas pessoas sorridentes e solícitas, que diante da menor inclinação da sua boca demonstrando um sorriso desatam a falar sobre coisas que você certamente não perguntou e pelas quais, na maioria das vezes, não tem interesse nenhum.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://oesquema.com.br/olhometro/wp-content/uploads/louco2.jpg"><img class="size-full wp-image-2827  aligncenter" title="louco2" src="http://oesquema.com.br/olhometro/wp-content/uploads/louco2.jpg" alt="louco2" width="191" height="300" /></a></p>
<p>Eu posso ser uma dessas pessoas.</p>
<p>É triste admitir. Mas se você somar minha personalidade extrovertida e conciliadora com um dia de bom humor e uma deixa boa, eu posso ser uma daquelas pessoas que se intrometem sem querer na conversa de outras pessoas e, quando vê, já estão palpitando sobre coisas para as quais não foram convidadas.</p>
<p>Junte isso ao meu jeito estranho de falar &#8211; caso você não me conheça, eu falo exatamente como escrevo aqui, com as mesmas palavras e as mesmas pausas e todo o resto &#8211; e você me terá como uma desconhecida louca nos lugares  públicos, dessas que as pessoas evitam.</p>
<p>E assim, é mais forte que eu. Nesse fim de semana, por exemplo, eu estava na fila da Renner, pra pagar uma calça, e uma senhora perguntou (ok, eu achei que era pra mim, mas era pra filha dela que estava na minha frente) se a outra fila estava menor. Eu respondi com desenvoltura, como se ela fosse minha melhor amiga. Normalmente, nessas horas, se a pessoa está acompanhada, ela troca olhares de profunda estranheza com o companheiro, o que é absolutamente constrangedor pras pessoas simpáticas loucas como eu.</p>
<p>Felizmente, minha simpatia louca tem seu lado bom. Não foram poucas as vezes em que fiz amigos <span style="text-decoration: line-through;">e influenciei pessoas</span> desse jeito. E na prática, no fim acabam me considerando só simpática, e um pouco esquisita, mas não exatamente louca.</p>
<p>Isso é porque, na maioria das vezes, eu sei me manter do lado de cá do tênue limite entre a simpatia com estranhos e a intromissão considerada maluca. É, é uma tarefa delicada, e demanda anos de prática e leitura corporal, mas eu só sei que sei e ponto.</p>
<p>Como eu sei disso? Porque já lidei algumas vezes com pessoas simpáticas realmente loucas. E eu não faço, definitivamente, o que elas fazem. Por exemplo: um rapaz que se vestia esquisito me acordou no trem, dizendo que eu ia perder a estação &#8211; como se ele pudesse adivinhar a estação em que eu desceria. Me fez perguntas esquisitas sobre onde eu morava e com quem, conversou comigo como se fôssemos amigos de anos e depois de um tempo tomou seu rumo.</p>
<p>O outro, um tio com crachá da Apae, se sentou ao meu lado e resolveu trocar idéia. Perguntou se eu não queria tomar suco na casa dele, tomar guaraná, ser amiga dele, ser irmã dele, pediu meu telefone (eu passei errado) e toda a sorte de coisas esquisitas. O ônibus inteiro riu da situação até que ele desceu e eu fiquei aliviada, porque ele parecia esquisito além do que podia ser seguro.</p>
<p>Essas pessoas são suicidas sociais, por definição. O primeiro, porque é esquisito. O segundo realmente tinha algum nível de deficiência mental, ou seja, não conta como exemplo. Mas como ser simpático e louco sem ser esquisito e intrometido? Como não parecer um ridículo que quer chamar a atenção?</p>
<p style="text-align: center;"><object width="425" height="344" data="http://www.youtube.com/v/yh6fbAJyZgY&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/yh6fbAJyZgY&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /></object><br />
<em>Não é assim</em></p>
<p>A regra principal é saber se seu comportamento é bem-vindo. Pode parecer uma ilusão, mas existe gente no mundo que é simpática aos malucos-simpáticos (normalmente, outros malucos simpáticos, ou velhinhos). Essas pessoas vão ficar felizes com a sua intromissão. E elas vão demonstrar isso, não sendo monossilábicas e puxando papo.</p>
<p>Acho que a diferença principal entre o simpático e o maluco-simpático é justamente essa &#8211; o maluco não se toca que está sendo inconveniente. Ou, se percebe, realmente não se incomoda com isso. Nós, simpáticos em excesso-quase-malucos, tentamos uma aproximação mas nos afastamos assim que notamos que não somos bem-vindos.</p>
<p>Ou escrevemos um blog.</p>
<p>Mas essa preocupação em se adequar só deve ocorrer porque o comportamento simpático-maluco não é socialmente aceito, e a gente precisa de amigos. Eu não vejo nada de errado com essa extroversão maluca &#8211; até porque não é sinal de saúde estar inserido numa sociedade que não me parece estar muito bem das pernas.</p>
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		<title>O que está acontecendo com as pombas?</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Apr 2009 02:13:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>olhometro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pombas são bichos escrotos por natureza. Elas foram claramente criadas por deus para infestar as grandes cidades, e casam perfeitamente com o visual caótico e cinza das metrópoles. Digo isso pelo seguinte: você consegue imaginar uma pomba selvagem, em habitat natural? Pombas voando livremente por entre as árvores, convivendo amigavelmente com tucanos, capivaras, onças-pintadas e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="post-entry-excerpt-2721" class="entry-part"><p style="text-align: center;"><a href="http://oesquema.com.br/olhometro/wp-content/uploads/thebirds.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2734" title="thebirds" src="http://oesquema.com.br/olhometro/wp-content/uploads/thebirds.jpg" alt="thebirds" width="500" height="500" /></a></p>
<p>Pombas são bichos escrotos por natureza. Elas foram claramente criadas por deus para infestar as grandes cidades, e casam perfeitamente com o visual caótico e cinza das metrópoles.</p>
<p>Digo isso pelo seguinte: você consegue imaginar uma pomba selvagem, em habitat natural? Pombas voando livremente por entre as árvores, convivendo amigavelmente com tucanos, capivaras, onças-pintadas e animais tipicamente brasileiros?</p>
<p>Impossível. Pomba é um bicho branco. No mato, verde, seria presa fácil. Além do mais, em que elas cagariam? Quem lhes daria milho? Não haveria sacada ou beira de prédio pra pousar. Fato: pombas só foram criadas por deus depois da revolução industrial.</p>
<p>Pois bem, mas pombas costumavam ter pudores. Ainda que convivessem conosco nas grandes cidades de forma um pouco invasiva, costumavam saber onde era seu lugar. Você conseguia espantar uma pomba com facilidade, elas não chegavam a menos de um metro e meio de nenhum ser humano. Não entravam debaixo de rodas de carros. Não voavam pra cima de você.</p>
<p>Eu coloquei os verbos no passado porque estou observando um fenômeno muito estranho tomando conta da personalidade das pombas,  fenômeno esse que foi observado também por amigos e pessoas no Twitter: as pombas estão mais ousadas. Agressivas. Destemidas, até.</p>
<p>Tenho notado uma mudança no comportamento delas. Como se as pombas estivessem afetadas pelo vírus bizarro do <a href="http://www.adorocinema.com/filmes/fim-dos-tempos/fim-dos-tempos.asp" target="_blank">último filme do M. Night Shyamalan</a>, elas perderam o medo da morte. Se colocam na frente dos carros de maneira arriscada, voam pra cima das pessoas sem pudores, não fogem desesperadas se você bate o pé ao lado delas.</p>
<p>&#8220;Minha irmã adora assustar pombas. Estávamos na praia, e ela pulou de maneira exagerada para espantar uma delas, mas surpreendentemente a pomba avançou em direção à minha irmã!&#8221;, relatou com temor uma colega de trabalho que preferiu não se identificar, com medo de represálias por parte dos pássaros.</p>
<p>&#8220;Em Florença, as pombas são bobas. Não são como as daqui&#8221;, relatou a mesma pessoa não-identificada, o que comprova minha tese de que o fenômeno está de fato acontecendo e é isolado, característico das pombas da Grande São Paulo.</p>
<p>E do ponto de vista evolutivo, isso não faz sentido nenhum. Pombas mais burras, mais ousadas, e que têm mais chances de morrer, não deveriam estar se multiplicando. Por morrerem com mais facilidade, transmitem menos o gene burro delas. Mas não é isso que está acontecendo &#8211; eu só vejo o fenômeno aumentar.</p>
<p>Olha aqui as pessoas concordando <a href="http://twitter.com/ana_freitas/status/1520173386" target="_blank">comigo</a>:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://oesquema.com.br/olhometro/wp-content/uploads/twitter1.jpg"><img class="size-medium wp-image-2723 aligncenter" title="twitter1" src="http://oesquema.com.br/olhometro/wp-content/uploads/twitter1-300x170.jpg" alt="twitter1" width="300" height="170" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://oesquema.com.br/olhometro/wp-content/uploads/twitter2.jpg"><img class="size-medium wp-image-2724 aligncenter" title="twitter2" src="http://oesquema.com.br/olhometro/wp-content/uploads/twitter2-300x208.jpg" alt="twitter2" width="300" height="208" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://oesquema.com.br/olhometro/wp-content/uploads/twitter3.jpg"><img class="size-medium wp-image-2725 aligncenter" title="twitter3" src="http://oesquema.com.br/olhometro/wp-content/uploads/twitter3-300x171.jpg" alt="twitter3" width="300" height="171" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://oesquema.com.br/olhometro/wp-content/uploads/twitter4.jpg"><img class="size-medium wp-image-2726 aligncenter" title="twitter4" src="http://oesquema.com.br/olhometro/wp-content/uploads/twitter4-300x211.jpg" alt="twitter4" width="300" height="211" /></a></p>
<p>Seria uma temível versão de Os Pássaros acontecendo na vida real? Estariam os sentidos das pombas confusos e distorcidos por causa da poluição, das redes wi-fi, dos celulares, dos telefones sem-fio ou dos microondas? Comida não lhes falta, pois segundo fui informada durante a extensa pesquisa que fiz pra esse post, pombas comem absolutamente de tudo.</p>
<p>Estariam elas arredias pela chegada da crise econômica (a tese é do amigo Gabriel Pinheiro e do <a href="http://twitter.com/leocoelho" target="_blank">@leocoelho</a>)? Com a escassez de comida, elas precisam se arriscar mais pra conseguir alimento e por isso estariam se aproximando dos humanos?</p>
<p>A teoria do meu irmão é um pouco mais simples. Embora ele também acredite que a crise econômica seja o motor dessa refilmagem de <a href="http://www.google.com.br/url?sa=t&amp;source=web&amp;ct=res&amp;cd=1&amp;url=http%3A%2F%2Fpt.wikipedia.org%2Fwiki%2FThe_Birds_(filme)&amp;ei=qnruSa7kD4mqtgfBtunRDw&amp;usg=AFQjCNE8z6d14fmlvu02SrvhYo47SOHIqg&amp;sig2=VaBIdPp33igTHc245Qsyeg" target="_blank">Hitchcock</a> na vida real, a explicação é outra: &#8220;você atribui essa falta de medo delas a uma possível mudança biológica. Eu digo simplesmente que elas estão menos assustadas. Logo, mais calmas. Menos estressadas. Uma reação contrária natural às exigências da grande metrópole, uma tendência natural ao bucolismo, que inclusive já está sendo adotada por alguns indivíduos&#8221;. Ou seja &#8211; segundo meu irmão, o próximo passo dessas pombas-monstro é se mudar para o campo. <a href="http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI3667812-EI5030,00.html" target="_blank">E elas estão até arranjando bicos por fora pra atingirem esse objetivo</a>.</p>
<p>Àquele que acha que isso é uma viagem, peço que antes de dizer qualquer coisa tente observar por um ou dois dias as pombas da sua região. Olhe, veja, perceba e traga seu relato. Se possível, filme. Eu tentei, mas não consegui &#8211; apesar de as pombas estarem mais exibicionistas, constatei, quando se trata de câmeras elas voltam ao estado normal e voam longe. Correm dela como dos paparazzi correm as celebridades &#8211; ou seja, não querem que as pessoas saibam que elas estão mudando.</p>
<p>Fique atento. Uma delas pode estar te observando agora.</p>
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		<title>Acredite nos seus sonhos</title>
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		<pubDate>Wed, 31 Dec 2008 02:29:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>olhometro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Há mais entre o céu...]]></category>
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		<description><![CDATA[Eu sei que a maioria das pessoas não dá play nos vídeos que a gente coloca nos posts. Dá pra ver quantas pessoas viram. São poucas. Eu entendo &#8211; muita gente acessa do trabalho, aí não consegue visualizar. Outros até conseguem, mas é chato. Algumas pessoas até podem visualizar no trabalho, mas dá uma preguiiiiiiiça&#8230; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="post-entry-excerpt-2097" class="entry-part"><p>Eu sei que a maioria das pessoas não dá play nos vídeos que a gente coloca nos posts. Dá pra ver quantas pessoas viram. São poucas. Eu entendo &#8211; muita gente acessa do trabalho, aí não consegue visualizar. Outros até conseguem, mas é chato. Algumas pessoas até podem visualizar no trabalho, mas dá uma preguiiiiiiiça&#8230;</p>
<p>Mas eu lhes prometo, e eu nunca fui tão enfática em relação a um vídeo: isso aqui vale a pena ser visto. Assista esse vídeo para que possamos continuar.</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://oesquema.com.br/olhometro/2008/12/31/acredite-nos-seus-sonhos/"><img src="http://img.youtube.com/vi/KhMJqjfbft0/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>Talvez seja interessante conhecer o <a href="http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=5048733203452646546" target="_blank">perfil do Fabiano no Orkut</a>.</p>
<p>Ok, vamos resumir a situação. Temos aqui um cidadão com claros problemas mentais e que demonstra ser obcecado por uma coelha que é uma personagem (secundária) de animação.</p>
<p>Se por um lado é um vídeo com um apelo cômico claro, acho que depois do divertimento inicial, bate a consciência de que essa é uma situação extremamente triste.</p>
<p>Digo isso porque pessoas esquisitas existem e estão por aí. A gente lida com isso. O Fabiano podia ser um cara esquisito, e só. Podia ser apaixonado, digamos, pela Olívia Palito. A Olívia Palito, apesar de não existir (como a Lola Bunny), é uma mulher. Seria estranho, sim; mas acontece, não é? O coração não escolhe se a pessoa tem duas ou três dimensões.</p>
<p>Mas o cidadão ultrapassa os limites do que pode ser considerado socialmente bizarro. Ele se apaixona por uma híbrida entre coelha e mulher gostosa que não existe. E ele fica obcecado com isso.</p>
<p>Mesmo um pouco alterado, é curioso que o Fabiano pareça saber que sua situação é complicada. Isso se reflete no desespero dele. Fabiano sabe que vive um amor literalmente impossível. E isso deve ser difícil de lidar.</p>
<p>Beleza, eu não me esqueci que provavelmente ele tem algum tipo de problema mental. E é exatamente aí que eu quero chegar.</p>
<p>Eu quero que você entre em 2009 sem duvidar, em absoluto, da capacidade do cérebro do homo sapiens de chegar aos lugares mais obscuros. Quero colocar esperança no seu coração. Porque se é possível que um cidadão seja obcecado por uma coelha-desenho, tudo é  possível. Não duvide dos seus sonhos. Acredite.</p>
<p>Quanto ao Fabiano, ele precisa claramente de ajuda; mas estou certa de que se ele tem um computador e uma webcam, ele tem uma família que provém isso a ele &#8211; e tenho fé que esta família já tenha percebido que há alguma irregularidade em ser apaixonado por uma coelha feita de animação 2D. No mais, só dá pra mandar um scrap de solidariedade pra ele, pedindo para que ele ignore todas as mensagens de gente idiota e procure um psiquiatra.</p>
<p>A você, desejo (sempre, na verdade, mas está convencionado que a gente expresse isso nessas datas) um próximo ano cheio de coisas legais.</p>
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