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O mundo, dublado. E as consequências disso

Você já viveu um momento mágico?

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Oi

Eu sinceramente espero que não, porque isso é uma coisa muito idiota de se dizer. “O momento foi mágico”. Sabe aquelas frases de filme indizíveis, que são fruto de dublagens ou legendagem engraçadas e que às vezes acabam na boca de gente estranha e/ou ingênua? Como as crianças que assistem muita TV e acabam virando pequenas coisinhas esquisitas, dizendo aos amiguinhos ‘VOU TE DESTRUIR! SEUS PODERES NÃO SÃO PÁREOS PARA A FÚRIA DA MINHA LÂMINA, HUMBERTINHO! AAAAAAAAH’, empunhando uma espada de plástico que pisca.

Pra começar que de onde eu venho a gente brincava com pedaços de madeira fingindo que eram espadas. A gente até pregava outro teco de madeira pra fazer a parte onde segura, super artesanal e criativo. Segundo que ela não piscava, que espada que é espada não pisca. E terceiro que não tinha essa palhaçada de falar frases copiadas do roteiro do Yu-Gi-Oh, que isso é bem esquisito.

Daí rolam os anglicismos. E veja bem, eu sou uma grande vítima deles. Quanto mais contato a gente tem com outras línguas, mais propício fica a usar estruturas que só são familiares naquela língua. Ou vocabulário. Ou você conhece alguém que diz “Volte aqui, seu bastardo! Vou te dar uma lição!”? Não, né? Mas certamente já ouviu um personagem falando isso em um filme. E nem estranha mais.

Equivalente a isso, e infelizmente mais contagiante, são os bordões de novela. Tem uma amiga que diz que repetir bordão de seriado americano é brega igual a repetir bordão de novela E EU CONCORDO. Mas paciência, no fundo continuo reprovando mais quem fala HAREBABBA do que quem repete, sei lá, paida do Seinfeld. É o equivalente a falar ME POUPE, SALGADINHO!. Você consegue imaginar o quão ridículo é dizer isso? Ou então “N’é brinquedo não”? Pois é. O HAREBBABA é igual. Só não parece, porque tem a Juliana Paes lá falando. Vai ver daqui a uns dois anos, como você vai perceber o quão esquisito e deslocado era.

3+O+Clone+O+Melhor+Do+Bar+Da+Dona+Jura

Que bela trilha sonora.

Deslocado. Repetir bordões da TV na vida real é deslocado. E é de um humor zorra-totalístico incrível, assustador. Tem a exceção, de quando é um bordão realmente engraçado, mas eu e você sabemos que algo assim só acontece muito ocasionalmente.

Tem o mesmo efeito que aqueles lugares-comum que professor de jornalismo pede pra gente não usar em texto, porque é ridículo: “A nível de…”, começar texto com “Atualmente…”, colocar título de entrevista como “Sem papas na língua”.

Repetir bordão, frase-feita e lugar comum na vida real é um problemão. Começa a parecer que a gente tá dentro de um filme e que todo mundo é dublado. E nada contra dublagem, existem dubladores ótimos, mas não é exatamente a ideia que eu tenho de um mundo legal. Se bem que torna as coisas bem mais engraçadas.

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Interrompemos a transmissão para uma notícia urgente…

OK, essa vinheta já arrancou de você o tom solene e temente que eu precisava. Agora relaxe e sorria, porque vamos falar de A Fazenda.

Sim, A Fazenda, o reality show esquisito da Record, com apresentação genial do Brito Júnior e presenças brilhantes de gente como o Théo Becker e… só. Não assisti A Fazenda 1, porque não tenho paciência pra essas coisas que você precisa sentar todo dia diante da TV no mesmo horário. Mas vi uma cenas de barracos engraçadas no YouTube, fora os momentos geniais de Théo Becker. Se você não viu nenhum (possível, meus leitores desprezam reality shows de celebridades toscas – eu assisto de tudo, como você sabe), vai aí uma palhinha:

Não gosto muito da vibe ‘celebridades cuidando de animaizinhos’, mas gosto da vibe ‘celebridades malucas fingindo coisas bizarras’, então OK. Dispenso os momentos estúpidos que a TV passa, pego só as cenas BRILHANTES direto no YouTube e tô no lucro. É por isso que tive que parar isso aqui pra publicar a lista de participantes do A FAZENDA 2, comentada. Por mim. Vamos a ela:

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Peguei a imagem, e inclusive li a notícia, lá no Poltrona.tv

1. Adriana Bombom
Nota no ranking Subcelebridade: 7
Boa escolha. Ex-paquita, mulher de pagodeiro, vive participando de filmes da Xuxa. E é gostosa. Claramente reúne todas as qualidades que uma mulher deve ter para integrar um reality show tosco. Além disso, supre a necessidade imposta pelo sistema de cotas que todo reality show tem (de ter um negão e um oriental).

2. Ana Paula Oliveira
Nota no ranking Subcelebridade: 6
Se não me engano, é aquela bandeirinha que posou nua. Checking…


Eu realmente fiz isso, parei pra ir no Google e informei você. É mesmo a bandeirinha. Acho adequado. Já se envolveu em polêmica boa, gosta de futebol, é gostosa, já posou nua. NEXT!

3. Andressa Oliveira

Nota no ranking Subcelebridade: 5
Desconheço, nunca ouvi falar. OPA. Minuto.
Segundo me informa o Google, ESSA Andressa é a ex-namorada de Théo Becker, da qual ele falou durante toda a primeira edição de A FAZENDA. Isso promete. Não dá pra garantir, porque não conhecemos a moça. Mas que vai dar pra explorar bem o lance dela falando mal do Théo, ah, isso vai.

4. Maytê Piragibe
Nota no ranking Subcelebridade: 3

Quem? Ah. Protagonista de ‘Os Mutantes’. Não vai durar. Vai ficar conhecida como ‘Franciely Freduzesky de A Fazenda 2′. Mas tadinha. Vai acabar com a carreira antes de começar.

5. Sheila Mello
Nota no ranking Subcelebridade: 8

A Sheila Mello tava tão na dela ultimamente que até tava saindo da categoria de subcelebridade. Mas aí caiu na tentação de voltar pros holofotes, taí. Tem potencial INACABÁVEL de se tornar uma subcelebridade nota 10 no ranking, né. Era dançarina do É o Tchan, e bem, depois de ÁGUA não duvido de mais nada. Não conhece ÁGUA? OI?

6. Stefhany
Nota no ranking Subcelebridade: 7

Aqui temos um caso especial. Caso você não saiba, essa é a Stefhany, do CrossFox, cantora piauiense que ficou famosa por causa de um vídeo no YouTube. Ou seja, é provavelmente o primeiro caso de webcelebridade em reality show no Brasil, QUIÇÁ no mundo. Por um lado, vai deslanchar e começar a vender CD também no sudestes, o que é bom pra ela. Mas é uma menina muito nova. Temo pela imagem que ela vai tentar passar pro público etc. Se se mostrar boazinha e ingênua, vira até favorita.

7. Tânia Oliveira
Nota no ranking Subcelebridade: 7

Na boa, o que é que a produção desse programa tem com o nome Oliveira, hein? Enfim. É uma daquelas dançarinas gostosas do Pânico. Acho que ela PODE TER mais potencial que a Samambaia. Me parece com personalidade mais forte. Mas o que eu sei sobre ela, afinal? Só a vi de bíquini, nunca a vi falando nada. Enfim.

8. André Rocha
Nota no ranking Subcelebridade: 9

Não consegui descobrir quem é o cara. Como o nome é muito comum, apareceram várias referências no Google, de jogador de futebol a jornalista. Só sei que ele com certeza não é nenhum dos dois – é esse aqui, que posou pra G Magazine. Óbvio. Mas quem exatamente ele é, o que faz etc, isso não deu pra saber. Pode ser gay, ou seja, vem substituir Miro Moreira como o possível gay que finge que é hétero.

9. Buchecha
Nota no ranking Subcelebridade: 5

O cara tava sumido e deve ter dado graças Deus (e ao Claudinho, ao lado Dele) por essa chance de voltar pras manchetes. O negócio é não desperdiçar, né? Pode acabar como o exemplar ‘Jonathan Haagensen’ desta edição, mas não dá pra julgar. Também supre bem, com folga, a vaga de cota.

10. Max Fivelinha
Nota no ranking Subcelebridad: 6

Sempre tem que ter uma bicha do tipo escandalosa, e a vaga ficou com Max. Devem ter chamado o Christian Pior, mas ele tá bem demais no Pânico. Não acho que o Max tem chance, e não é por causa de homofobia. É porque ele, apesar de ser uma bicha escandalosa, sempre me pareceu um cara pouco barraqueiro e bem inteligente. E gente com essas qualidades OBVIAMENTE não ganha A Fazenda.

11. Sérgio Mallandro
Nota no ranking Subcelebrida: ARREBENTOU O MEDIDOR, CORRÃO

Tenho medo do que pode acontecer se colocarmos Sérgio Mallandro, o cavaleiro do alazão branco (que era uma motoca bem da sem-vergonha), o apresentador da Porta dos Desesperados, o criador da expressão perene ‘pegadinha do mallandro’, dentro de uma casa com outras pessoas que não são nem de perto tão GENIAIS e ESQUISITAS quanto ele. Até porque a gente vai acabar descobrindo a verdade sobre ele – se ele é o tempo todo daquele jeito ou se é normal. As duas possibilidades são assustadoras. Tem MUITAS chances de ganhar. Finalista, no mínimo.

12. Thiago
Nota no ranking Subcelebridade: 4

Fraco, tadinho. Embora pareça importante por causa da ausência de sobrenome, colocaram pra não fazer injustiça, já que o primo dele tava na versão anterior. Parece ser menino bom e simples. Da roça né? Enfim, filho de Leandro e Leonardo e tal. Essas coisas.

13. Vampeta
Nota no ranking Subcelebridade: 8

Tem potencial. Ex-jogador de futebol, envolvido em um ou dois escândalos, posou nu com grande repercussão (não vi, mas ouvi falar né. Todo mundo ouviu. É tipo a Playboy da Cláudia Ohana, a primeira). Vamos ver como se sai no confinamento e que tipo de personalidade apresenta. Se for da vibe Corinthiano Maloqueiro Sofredor, já dá uma boa briga. Não literal, mas enfim.

14. Vinicius Vieira (Glu Glu)
Nota no ranking Subcelebridade: 4

Acho que morre logo. Me parece bobo. Chato. É uma versão menos potente do Mendigo. Reparem que ele sumiu, SUMIU, depois que foi pra Record. Mas também não sei, vai que o cara é um brigão inveterado. Daí ganha destaque. De qualquer forma, não boto fé.

Ta aí a ESCALAÇÃO. Confiramos no que esse caldeirão de emoções vai resultar a partir do dia 8 de novembro, na Record. Ou no YouTube, quando você quiser. Prefiro assim.

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Um cartão virtual que você não quer receber nunca. Mesmo

Você tem uma Doença Sexualmente Transmíssivel? Você fez sexo com alguém sem preservativo e omitiu essa informação do seu parceiro? Você agora está arrependido, mas não quer passar pelo constrangimento de revelar sua gonorreia para uma pessoa conhecida?

Se você respondeu sim para as três perguntas, você é muito escroto o governo federal tem a solução para você!

Através do site www.aids.gov.br/muitoprazer, você, portador de DSTs diversas e transmisssor dessas doenças pra todo mundo, poderá enviar postais virtuais ANÔNIMOS para as pessoas a quem você contaminou.

Olha só, que alegria receber um cartão virtual desse (clique na imagem para ampliar):

SURPRESA!

“Não sei se essa é a melhor forma de dizer…” é uma bela frase para começar um cartão assim. Há uma melhor forma de dizer que você transmitiu uma doença pra alguém? Se há, com certeza é esse cartão. Porque o governo federal não está disponibilizando, sei lá, agentes de telemarketing ativos para avisar às pessoas. Nem animadores de festa, nem pintores de faixas de rua. Então acho que essa é sim a melhor maneira, por enquanto.

E o cartão diz “Agora eu digo NÃO às Doenças Sexualmente Transmíssiveis”. Eu acho bem apropriado o uso do “agora” aqui, já que se a pessoa tá mandando o cartão ela realmente só diz não agora, porque antes não dizia. Na hora que precisava dizer “não”, não disse. Fora que não adianta nada dizer não agora, que já pegou. E se você recebe um cartão desse, quer saber se o fulaninho disse não? Pô, você quer saber de nada, você sabe que já tá todo fudido. Pode repetir “não” 30 vezes, a doença não vai se curar sozinha.

Gosto também que o postal não específica a DST. Vai na surpresa né? É bom, um pouco de suspense é sempre legal. Vai lá fazer o exame e descobre né. O que vai ser dessa vez? Herpes? HPV? AIDS? Roooooda a roleta!

E se tiver várias DSTs? O cartão diz “…, mas tenho uma DST”. Daí manda vários cartões? Tô confusa.

Benza Deus, que ideia mirabolante. Parece RickRoll. Será que eles não pensaram que vai virar tipo história do Pedro (aquele do ‘Olha o Looooooooooobo’), porque nego vai usar isso adoiado pra sacanear os amigos, e quando alguém receber e for de verdade não vai levar a sério?

Ah, como eu adoro o Brasil.

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Aaaaaahhhh, a medicina moderna

Tem uma coisa bonita em ser médico. Altruísta. Assim eu prefiro acreditar, já que até onde eu sei essa história de que médico ganha muito dinheiro, em parte, não é verdade. Sei que eles precisam estudar muito tempo, depois trabalhar como residente de graça por mais outro tempão, e aí ter oito empregos diferentes para então, sim, ganhar dinheiro.

Ou seja: tecnicamente, ninguém hoje mais escolhe cursar medicina se não estiver compromissado não só com a grana, mas com uma vida que exigirá trabalhar duro, enfrentar situações extenuantes mental e fisicamente e ganhar algum dinheiro, provavelmente sem ficar muito rico.

Mas não conheço nenhum médico pobre, então deve existir alguma falha aí na teoria. De qualquer forma, eu tenho reparado nos hábitos dos médicos que frequento e esses hábitos me dão coisas.

Dr. Chapatin jamais permitira algo assim

Vou explicar. Quando você precisa de um médico, geralmente liga no consultório e agenda um horário. Em alguns casos, só consegue agendar esse horário pra dali a um, dois meses. Ok, você tem paciência. Quando chega no consultório atrasado, liga pra avisar. E se não ligar, quando chega lá perde a vez, muitas vezes precisa remarcar a consulta.

Então porque diabos um senhor com um jaleco branco, assessorado por uma moça da recepção, acha que tem direito de te fazer esperar 2 horas sentado em uma cadeira, tendo à disposição para seu lazer somente revistas Caras velhas e catálogos de medicina? É porque ele estudou por dez anos? Porque se for, isso não me parece um bom motivo. Não existe motivo que justifique desrespeito com ninguém, ainda mais com alguém que está pagando por um serviço.

Outra parada que me corrói por dentro é ligar pra marcar horário e no fim a mulher soltar um ‘É por ordem de chegada, viu?’. OI? EU MARQUEI HORÁRIO. É pegadinha? Se ele vai atender primeiro quem chegar primeiro, porque eu preciso marcar?

Daí você tá lá, marcou horário às 11h da manhã, são dez pras uma e você ve o senhor doutor que iria lhe atender se preparando para sair para almoçar. E você lá. Só que antes de sair o cara ainda resolve atender uma merda de um promotor de vendas de indústria farmacêutica, que vai dar a ele várias amostras grátis e vai coagí-lo a receitar a você os remédios da marca daquele laboratório. Ele tem tempo pra atender este senhor antes do almoço dele, mas não tem tempo pra você.

Você, é claro, deve se recolher à sua insignificância de pessoa que não fez 20 anos entre faculdade e residência. Sim, porque parece que todas as outras pessoas do mundo que não são colegas de trabalho do senhor médico não têm absolutamente mais nada pra fazer, a não ser esperá-lo após ler dois anos de Caras, que é semanal.

E sabe o que dói? Se você for embora, DANE-SE, porque o prejudicado vai ser você. Sempre você. Você vai ter que faltar outro dia no trabalho, porque precisa passar no médico de qualquer forma. Você vai ter perdido aquele tempo em nada, pra nada. E você vai ter que aguentar a cara da recepcionista de OK SENHOR PODE IR PORQUE TEM OUTRAS 30 PESSOAS AQUI MESMO E TODO DIA TEM ESSAS 30 PESSOAS E UMA A MENOS NÃO VAI DEIXAR O DOUTOR MENOS POBRE OBRIGADA. Porque as outras 30 pessoas já estão com o cérebro anestesiado, se submetem ao dotô e esperam, esperam, esperam. Nunca vão embora. Pode ser que elas não possam ir, também, por terem algo grave, sei lá. Só sei que se você sair, ninguém vai dar a mínima.

Mas supondo que você aguarde as 3 horas e seja atendido. E vamos considerar que ele te atenda bem, que não é o que acontece sempre. Bom, você sai dali e passa na farmácia, pra comprar os remédios que o doutor passou. Pede um, dois, três. O balconista fala os preços deles e confere, um por um, os descontos dos remédios. E te fala. E você fica WTF. Todo remédio tem desconto, todos eles. E se todos eles têm desconto então nenhum tem. Sacaram? É só jogar o preço pra cima e dizer que existe um desconto que não existe. E no caixa a mulher ainda te diz – ‘você economizou 8,76, senhora’. Vá pra merda. Economizei nada. Você inventam essas coisas, farmacêuticos safados.

Não vou nem mencionar as festas de medicina, japonês no fundo de piscina, uso excessivo de estimulantes para se manter acordado durante plantões e coisas assim, porque tudo que ouvi sobre isso é boato. Mas não se esqueçam, nunca, daquele episódio em que uns estudantes de medicina malucos invadiram um hospital, soltaram fogos de artifício e ofenderam pacientes quando a residência deles acabou. Tipo uma ‘despedida de residente’. Não viu isso?

Embora me pareça óbvio e eu odeio falar o óbvio, vou fazer isso para me blindar dos xingamentos óbvios – é claro que existem pessoas escrotas em todos os segmentos da sociedade. Eu sei que existem médicos bons e médicos ruins, porque médicos são pessoas e existem pessoas boas e pessoas ruins.

Mas que ser médico e fazer essas coisas é mais escroto que a média, aaah, isso é. Parece que o autoritarismo da sociedade sobe a cabeça, né? Todo mundo é tão subserviente a um título de médico que algumas pessoas começam a achar que elas realmente são melhores que os outros.

O curioso é que, dado que o cara é um médico, provavelmente um dos profissionais que mais lida com a morte, é ele quem deveria melhor reconhecer que, no fim, é todo mundo igual.

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CINE, a nova sensação do rock nacional (?) ajuda a explicar o comportamento humano

Você já ouviu/ouviu o clipe de GAROTA RADICAL, o single de estreia do CINE? Tira dois minutos aí:

Acalme-se.

A palavra ‘radical’ pode assumir vários significados, dependendo do contexto em que é inserida. Pode ser adjetivo para designar alguém ou algo considerado extremista. No termo ‘radicais livres’, ‘radical’ é uma marca de expressão da pele. Associado a um esporte, ‘radical’ significa que aquele esporte é muito perigoso.

Nesse clipe, não tem nenhum homem bomba, ninguém fazendo rapel e nenhuma idosa usando creme da Avon. Isso significa que ‘radical’ aí é usado como uma gíria, sinônimo de MUITO IRADO. Você conhece alguém que use a gíria ‘radical’ e não faça parte de um desenho animado ou tenha mais de 4 anos?

Nem eu.

Ok, o Cine é a nova sensação do rock nacional (?). Foram contratados pela Universal recentemente, estão aí com esse clipe maravilhoso que graças a deus a gente tem aí essa conexão maravilhosa pra dar pra gente. Têm seu merito ao ser a primeira banda emo a misturar sintetizador e aproveitar a onda fashion da new rave, tudo junto – quer dizer, não sei se eles têm o mérito disso ou quem tem é algum marketeiro muito esperto, mas enfim.

Mas tem um ou dois problemas com eles, não sei se você notou. Como bem observou o @ibere:

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Esse é um deles, e legal que se aplica tanto ao Cine quanto a qualquer grupo que toca em trio elétrico na Bahia, e mesmo a alguns grupos de pagode. O segundo é que, aparentemente, as meninas ficam malucas por eles. As fãs são 90% mulheres e gays. Elas acham todos lindos e sedutores, mas observe bem a cara desses meninos. O vocalista é MUITO FEIO (pros padrões de beleza clássica ok). E não que ele fique bonito nessas roupas ou com esse cabelo lambido, mas por algum motivo isso parece ofuscar a feiúra dele aos olhos das fãs, porque elas amam o menino. E ele é horrível, tadinho. Apesar dos outros meninos da banda serem mais bonitos.

Por isso, acho que o Cine é a comprovação de algumas teorias que rondam o mundo da música desde sempre, relativas ao comportamento humano, e que Darwin esqueceu de mencionar em seus estudos. São elas:

1. Não importa o quão asqueroso você for. Se a sua música agradar alguém, e você estiver em cima de um palco executando-a, você repentinamente se torna o macho alfa mais apto e recomendado para a reprodução aos olhos daqueles a quem sua música agrada.

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O Eugene que o diga.

1.1. Sendo assim, a maioria das pessoas faz bandas para aumentar suas chances de se reproduzir e passar seus genes adiante.

2. O objetivo de um grupo musical deve ser, sempre, agradar às fêmeas da comunidade. Porque no caso de as fêmeas se interessarem pelo grupo, mesmo que o macho não se interesse, repentinamente ele vai começar a mimetizar o comportamento do macho alfa, que é o cara em cima do palco, e isso inclui ouvir aquela música, gostar dela, se vestir como aquele cara e inclusive tocar músicas parecidas.

2.1. sendo assim, a maioria das bandas do mundo foi feita para agradar mulheres.

Obrigada, Cine, por contribuir na comprovação de duas teorias sociais que eu considerava há anos. Só tem algo sobre vocês que eu não consegui explicar, porque não faz sentido, nem do ponto de vista instintivo – a música de vocês é muito ruim. Por deus. NX Zero é chato, mas vocês superam com esse sintetizador distorcendo a voz do IÔ-Ô. Como é possível que as meninas em idade reprodutiva, dos 13 aos 17, gostem tanto de vocês? A única explicação é que o gosto delas seja péssimo, mas não vou considerar isso porque gosto de fugir do óbvio.

Talvez seja algo tipo perfume de ferormônios.

*Editado: maluquinho do Cine respondeu nos comentários, foi fino e profissional. Check it out. Só lembrando que não gostar do som não significa não respeitar.

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Uma invenção que pode significar o fim dos paparazzi – ou não

Pessoalmente, não tenho nada contra os paparazzi. Uma vez assisti um filme que chegava a ser engraçado de tão forçado – o nome era Paparazzi mesmo e contava a história de três fotógrafos que eram os vilões e arruinavam a vida de uma celebridade que só queria ser feliz com sua mulher e filhinha. Um deles, se não me engano, era um Baldwin. Um dos 20.

Tenho amigos fotógrafos e sei que eles não são tão maus assim. Não causariam um acidente grave pra conseguir uma foto. Um acidente leve, talvez, mas isso é justificável né? A pessoa precisa trabalhar e tudo.

Eu sei que quando se trata de alguém muito cobiçado, a coisa é realmente feia de se ver. Um bando de fotógrafos ao redor de um fulano super famoso é chocante, parecem urubus atrás de carniça mesmo, se atropelando por um clique. Falo ‘urubu’ aqui e não é no sentido pejorativo, é porque é a referência mais próxima e a cena é bem semelhante.

Acontece que, por outro lado, dá pra entender a vida desses caras, especialmente os freelancers. Eles moram em Hollywood e precisam conseguir as fotos pra vender, não têm salário fixo. E a gente sabe que a indústria das celebridades, em boa parte do tempo, se beneficia dessa superexposição. Muitos wannabe famous são loucos para terem os flashes na cara – já vi mulheres frutas vibrantes por seu momento ter finalmente chegado. Ou existiria outro motivo pra mulherada famosa sair de vestido curto sem calcinha, fazer sexo no mar e aparecer de roupa esquisita?

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É por isso que eu acho que nem toda celebridade moderna vai ficar tão satisfeita com a invenção mostrada nessa foto.

Um cara chamado Adam Harvey desenvolveu um dispostivo supersimples capaz de acabar com a profissão dos paparazzi. É um flash extra, com um LED superbrilhante e acionado por sensibilidade à luz. Assim que ele percebe o flash da câmera, dispara e ofusca a foto. O cara tá tentando inclusive patentear a invenção, porque parece algo simples de fazer até em casa.

E se a moda pegar mesmo, esse é o tipo de invenção que muda o mundo. Não completamente – aqueles flagras de topless no iate no meio do mar que os caras fazem de dia, com teleobjetiva, ainda não poderão ser evitados. Mas se esse dispositivo se tornar comum entre as celebridades, a gente vai saber quem realmente não quer ser fotografado e quem, no fundo, tá precisando muito chamar a atenção. Porque o segundo grupo não vai poder portar a invenção supracitada.

E isso vai criar uma nova lei de mercado maluca. Quem andar com o aparelhinho vai ser ainda mais cobiçado pelos fotógrafos, que vão ter que encontrar outros meios de burlar as barreiras pra fotografar esses caras. E quem não andar com o flash na bolsa vai ser considerado ‘facinho’. Daí nenhuma revista vai querer foto daquela mulher sem calcinha porque, né, é óbvio que ela tirou a calcinha pra ser fotografada, e se não tava com o flash ofuscador master plus…

Óbvio que as revistas vão continuar querendo as fotos. São mulheres sem calcinha, isso vende muito. Elas só vão valer menos.

De qualquer forma, não acho que a invenção chega a acabar com a profissão de paparazzi, como vem sendo anunciada. No máximo, vai criar um novo padrão nos preços que as publicações pagam pelas fotos-flagras. Pelo menos agora não tem mais desculpa pra sair dando chilique e porrada em fotógrafo por aí – nesse  caso sim a gente vai ter como saber se o famoso tava puto mesmo ou se só queria aparecer mais ainda ao quebrar a câmera de seu perseguidor.

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Ai, não gostei dessa invenção

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Apenas o Fim, o metafilme nerd brasileiro bonitinho

Eu não tive feriado, trabalhei normalmente na quinta e na sexta. Mas mesmo na redação o ritmo diminui nesses dias em que tá todo mundo em casa menos você. Então foi mais sossegado, feito um plantão em que nada acontece. Na sexta, fim dela, dei meu primeiro furo, o que fez com que eu me sentisse jornalista segundo a definição do cara que escreveu meu livro preferido:

“Jornalismo de verdade consiste no que alguém não quer ver publicado; o resto é relações públicas.”
George Orwell, escritor inglês

Daí ficou mais agitadinho, mas foi isso. Passei o final de semana em casa, com os amigos, tocando bongô às 2h da manhã, assistindo a 1ª temporada de Os Normais e tomando vinho frisante rosè. Foi demais, no geral.

No fim da tarde do meu feriado encurtado – ou seja, às 16h do domingo – resolvi assistir a Apenas o Fim, o filme bonitinho de baixo orçamento com referências nerds feito por um estudante de cinema da PUC-RJ sobre o qual todo mundo tá falando. Ganhei um par de ingressos pro filme, mais pôster e uns adesivos. Só que os ingressos só valem de segunda à quinta, então eu assisti a uma gravação suspeita aqui na sala mesmo, copiada pelo camarada Lucas. Deu pro gasto. O par de ingressos que a Tayra me mandou, muito gentilmente, vou dar pro primeiro leitor que comentar aqui (de maneira coerente) dizendo qual era seu Power Ranger preferido e porquê.

Apenas o Fim é um filme bonitinho. De tão real, fica constrangedoramente irreal. Explico – parece que o roteirista começou a anotar todos os insights engraçados sobre cultura pop que ele tinha no dia-a-dia durante meses, e depois compilou isso num filme. É um retrato tão fiel de uma vida como a minha, cheia de referências idiotas (que eu acho divertidas) aos jogos que eu joguei na infância, aos filmes que eu vi, aos livros que eu li, que incomoda. Porque a gente se acha tão original e descolado vivendo a vida real citando filmes, livros, sites, seriados. E quando o próprio filme começa a mimetizar essas situações pra poder imitar a vida, como eu me sinto? Parece que tô assistindo algo que é irreal. Clichê.

Na verdade não é, é só alguém vivendo uma vida parecidíssima com a minha. É só o constrangimento de perceber que você não é tão original quanto era, que tem alguém lá no Rio que botou toda essa bobagem de viver assim em um filme. E depois, como você vai citar um filme que é só citação?

Tem também um constrangimento pela atuação da Erika Mader, que eu acho que deixa a desejar. O Gregorio Duvivier parece interpretar ele mesmo, mas não dá pra saber porque não conheço o cara – ou ele é muito bom ator ou é daquele jeito mesmo.

O filme tem umas sacadas boas, esse texto que deixa a gente irritado por não se sentir mais tão original, e faz milagres com um espaço tão pequeno pras filmagens. Parece ligeiramente autobiográfico. Também tem umas metareferências muito boas – o retrato de estudante de cinema pseudo-intelectual padrão é muito verdadeiro, o casal em si, o caráter da produção, Los Hermanos, até o plot principal tornam a história toda uma grande piada sobre essa vida que a gente leva e a vida que o diretor deve levar. Puxa, os sites preferidos do Ton, o protagonista, são o Judão, o Omelete e o Jovem Nerd. Dá pra ser mais legal que isso?

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Esse óculos é um exagero, mas meninas como ela usariam

Se vale a pena gastar o ingresso? Muito. Mesmo. É um metafilme, que fala de filmes que falam da vida, e por isso fala da vida. Estranhamente. Vale pra provar que os filmes sobre o nada, sobre o dia-a-dia fielmente retratado, podem ser tão bons quanto aqueles que mostram coisas impossivelmente reais e que satisfazem aqueles nossos sonhos irrealizáveis. Tipo Harry Potter e Transformers.

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Resultado da promoção do livro: acho que no próximo fim de semana. Mas sem pressa, porque a vida é essa coisa bonita de viver. Aguarde.

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Juventude tem que ‘despendurar’ da internet e voltar a ver TV, diz ministro


Juventude tem que “despendurar” da Internet e voltar a ver TV, diz ministro

Opa. Mas é claro, senhor Ministro das Telecomunicações Hélio Costa. Minha mãe me faz essa recomendação todo dia. Ela diz: “menina, sai desse computador e vai um pouco pra frente da televisão!” ou então “pára de ouvir música nesse computador e liga o rádio!”. É, minha mãe não desiste. Porque ficar pendurado na TV e no rádio é comprovadamente mais saudável do que ficar pendurado no computador.

Mas eu não saio do computador, senhor ministro. E o senhor sabe por quê? Porque o computador é capaz de uma proeza que, vou te contar, é dessas coisas realmente impressionantes. O computador consegue – não me pergunte como – reunir numa coisa só não só a TV e o rádio, mas uma série de outras coisas que a TV e o rádio, inclusive, não oferecem.

Então, as crianças vêem TV sim, e ouvem rádio sim. Mas é no computador, ou seja, provavelmente não do jeito que o senhor gostaria.

Quando eu era pequena e minha mãe realmente me dizia pra sair do computador, eu explicava a ela que a questão não era o computador em si, mas sim a multiplicidade de tarefas que ele proporcionava. Explicava que, se o microondas me permitisse conversar com os amigos de forma instantânea, eu usaria o microondas.

Ok, ela não entendia o argumento. O que quero dizer é – a internet é uma rede de pessoas, não de computadores. Usar o computador pra se comunicar com outras pessoas não diminui o valor desse contato. Ou seja, eu não estava ‘pendurada’ no computador, estava apenas expandindo minha rede social – passava o dia na rua, com os amigos, e à noite continuava com eles, só que na internet.

É a mesma relação nesse caso – o computador é uma central multimídia, e usá-lo em detrimento da TV não significa que não vejo TV. Pelo contrário.

Mas a grande questão aqui é a seguinte: nós deveríamos MESMO ter que explicar isso pra um cara cujo cargo é MINISTRO DAS TELECOMUNICAÇÕES?

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É que tô com tendinite de tanto mexer no PC tá ligado

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Uma análise da Season Finale de Lost por alguém que está provavelmente tão confuso quanto você

Eu evitei falar sobre Lost por muito tempo, porque é um post segregador. Nem todo mundo vê a série, nem todo mundo está no mesmo episódio que estou. Mas o fim da 5ª temporada me deu algumas dúvidas e muitas certezas, certezas que eu não vi ninguém mais comentar. Se você não vê Lost ou vê mas ainda não viu o último episódio da 5ª temporada, não leia o texto abaixo. Vou dar alternativas pra todos os gostos e perfis:

Avisado? Ok.

Spoilers TENSOS a partir daqui.

Seguinte. Eu sempre achei que Lost fosse seguir as leis da física, no geral. Não há distorções, se você estudar um pouquinho de física quântica (eu sei muito pouco). Conceitualmente, buracos de minhoca e os paradoxos que as viagens no tempo são capazes de criar sempre foram muito bem retratados no plot da série. Tem até referência a teoria das cordas. Eu sempre achei os caras geniais por isso – um plot enroladíssimo, com conceitos complicados, sem que no geral se pudesse apontar uma falha sequer.

Claro que isso, por um lado, é porque eles não responderam muitas coisas. Quando responderem, poderemos ver se houve falhas ou não. Mas divago. A questão é que minha teoria em Lost se baseava na seguinte premissa – o que aconteceu aconteceu. Ponto. Não há como explodir uma bomba que impeça o avião de cair, porque se o avião não cair, os Losties não estariam ali explodindo a bomba pra que ele não caísse. O tempo é uma linha contínua.

A não ser que consideremos a teoria dos universos paralelos. De qualquer forma, o último episódio, que deixa claro que a série é sobre bem x mal, livre arbítrio x destino, fé x ciência, me fez ver que Lost não está seguindo a regra que eu achei que estivesse – o que aconteceu pode não ter acontecido. Você sempre tem a escolha. Jacob repetiu isso muitas vezes.

Porque eu digo isso? Ok, está claro pra mim que, de certa forma, o incidente que Jack tentou evitar é exatamente o incidente que ele causou. Isso fica óbvio quando o Dr. Chang tem a mão machucada.

Mas o anti-Jacob, que certamente estava representado como Locke por causa das referências iniciais e finais ao ‘Loophole’, (deveríamos ter dado ouvidos às declarações dos produtores, que disseram que em Lost, quem está morto está morto), precisou intervir nesse suposto LIVRE-ARBÍTRIO para que Locke pudesse estar morto. Então HÁ A POSSIBILIDADE DE MUDAR. Explico.

O anti-Jacob foi quem disse a Richard pra que orientasse Locke (o de verdade) a voltar pra ilha e morrer por isso. Assim, o anti-Jacob garantiu que seus planos fossem cumpridos, porque aparentemente ele só pode ‘incorporar’ gente que já morreu (aí, têm referências às divindades egípcias do mundo inferior). Se ele não tivesse feito isso, haveria um futuro paralelo, em que algo diferente aconteceria. Ou não, mas acho que consegui provar o ponto.

Se o anti-Jacob manipulou uma pessoa comum pra que ela interferisse num ato do passado para causar uma ação futura, então qualquer um pode. Lembre-se que quem interferiu foi Alpert, e não o anti-Jacob ele mesmo, ou seja, ele não pode se envolver, mas sempre pode manipular alguém para fazer o que ele quer que aconteça.

Mas Jacob, parece, teria como saber o que aconteceria. Ele foi quem arquitetou, de certa forma, a volta de alguns dos Losties pra ilha. Ele estava sempre lá. Tipo o careca de Fringe. Ou o Linderman, de Heroes.

No geral, o que temos: duas divindades, uma representando o bem – provavelmente Jacob – e outra o mal, que é o moço de preto do início do episódio, e provavelmente o monstro de fumaça, e o Locke de volta à ilha. Jacob acredita nos homens. Acredita que no fim sai algo bom deles. O outro, não. E eles ficam brincando de provar um pro outro seu ponto. 

Sinceramente, não sei o que significa a morte de Jacob, porque acho que não existe, com Jacob e anti-Jacob, a morte literal, do corpo físico. Se eu fosse chutar, diria que a ilha é análoga a um graaande campo de xadrez, em que os dois ficam brincando de mostrar um pro outro quem tá certo e quem tá errado. Os dois estão na luta pelo controle dos ‘experimentos’ na ilha há milhões de anos; quando um consegue manipular o ser-humano pra vencer o argumento do outro, game0-over pro que foi destruído, ele sai do controle da ilha e no lugar dele entra o outro cara, que fica lá brincando com os peões atééé ser derrubado pelo outro fulano. Tipo um jogo eterno, em que dá um game-over e aí o fulano perde a vez, mas tem vidas infinitas.

Hum… alguém assistiu Constantine?

E pros que duvidavam que esse plot estava arquitetado desde o início, refresquemos a memória com uma cena que, agora, faz todo o sentido do mundo:

Não sou dessas especialistas em cultura pop. Tem muita coisa velha e legal, tipo Arquivo X, Twilight Zone e Twin Peaks, que não vivi e só vi depois de crescida. Mas a trama de Lost me lembra algo em Harry Potter – a referência em tramas desse tipo mais próxima da minha geração, por isso mencionei o ponto anterior.

Em Lost, como em Harry Potter, está tudo lá, sempre esteve – o início, o meio e o fim. Nós é que não estamos vendo as coisas na ordem. No fim, quando o quebra-cabeça estiver montadinho, veremos que não faltará quase nenhuma peça. As pessoas pensavam nos acontecimento da 5ª temporada como fatos que alterariam o futuro que já tínhamos visto, mas a gente só viu a coisa fora de ordem. Se você ordenar, está quase tudo ali.

Quase. Porque parece que dá pra mudar as coisas. Talvez, e só talvez, anti-Jacob ter interferido na linha do tempo (orientando Alpert pra que ele falasse que o Locke deveria morrer) pode ter gerado um futuro paralelo em que ele, o Anti-Jacob, se ferra. Ou não.

Chutar o que acontece na última temporada? Não faço idéia. Mas existe redenção ali. Existe redenção de Jack, o cara que era pura ciência e virou pura fé; existe redenção de Kate, que não se importava em tirar uma vida se fosse necessário e acabou disposta a se sacrificar pra não deixar que nenhuma vida fosse perdida; existe redenção de Sawyer, um cara que vivia uma mentira na verdade e depois foi viver uma verdade, ainda que na mentira. E tem Hurley, o cara que pode falar com os mortos; tem Walt (Waaaaaaaaaaaalt); tem Sayid baleado, e Desmond, ao qual as regras não se aplicam.

Agora, só em 2010. Sorte que o fim do mundo tá marcado pra 2012.

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Sexy Dolls, as Pussycat Dolls do hemisfério sul

O grupo é formado por Julia Paes (?), Sabrina Boing-Boing (??) e Carol Miranda (???).

A primeira é ex-namorada da filha da Gretchen. A segunda eu não sei. A terceira é a que fez filme pornô e ainda é virgem. E eu não acho que explicar isso tornou as coisas melhores.

De qualquer forma, não tenho muito a dizer. Em horas como essas, é importante agir rápido. Por isso, seguem abaixo algumas recomendações aos leitores que, como eu, clicaram no play:

1. Construa um abrigo nuclear. O porão de casas antigas serve perfeitamente para esse propósito.

2. Armazene mantimentos. Prefira alimentos não perecíveis e enlatados, para o caso de uma queda repentina de energia elétrica provocada pelos abalos sísmicos.

3. Entre em contato com as pessoas próximas – amigos e parentes – e procure manter todos juntos. Em horas difíceis como essa, o contato e a lembrança de pessoas queridas podem ser um combustível a mais na luta pela sobrevivência.

4. Protetores auriculares e máscaras para dormir – como essas – podem ser de grande valia para parentes e familiares que ainda não viram o videoclipe. Lembre-se: máscara contra Gripe Suína já era. O importante é proteger os ouvidos contra essa nova ameaça.

5. Se tudo falhar, corra o mais rápido que puder por sua vida. Procure a colina mais alta e fique por lá, orando para que a Gripe Suína ou outra epidemia acabem com ameaças como essa.

O Apocalipse se aproxima, mas teremos mais chances de sobreviver se permanecermos unidos.

Que deus nos ajude.

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