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Menina Maisa e seus medos improváveis

Esse é o famigerado vídeo da Maísa, a menina louca anã do SBT, chorando e berrando de medo no palco do Sílvio, enquando ele gargalha de prazer do espanto da menina.

O que fez Maísa surtar? Não digo, pra te obrigar a assistir. Afinal, é difícil imaginar algo que deixa a menina maluca apavorada. Ela é um adulto de Q.I. 180 aprisionado no corpo de uma criança de 8 anos, como todos sabemos. Daí, por lógica, não dá pra pensar em nada que fizesse a Menina Maísa e toda sua desenvoltura infantil saírem gritando de medo do palco do programa do Sílvio Santos.

Pois bem. O que assustou Maísa foi uma criança mais ou menos da mesma idade dela maquiada como um monstro. Era uma maquiagem bem mal-feita, nada que a astuta menina Maísa pudesse confundir com um monstro de verdade. Ela explica isso no fim do programa, segundo fontes: quando volta, diz que ‘tem medo de maquiagem’.

A menina Maísa é tão bizarramente desenvolta que todo mundo – até o Sílvio – pareceu esquecer que ela não passa de uma criança, que pode sair berrando diante de uma outra criança maquiada como monstro.

Não consigo suportar a imagem mental desta criança surtada numa Noite do Terror do Playcenter. Berrando assim, ela se tornaria ela mesma uma atração. De qualquer forma, esse episódio foi fundamental na vida dos fãs e detratores da menina anã-robô-miniatura, pra lembrar a gente que ela não é nada disso – é só uma menininha de 8 anos, mesmo, que pode ter medo de coisas irracionais como qualquer criança de oito anos.

Maisa faz com classe e elegância coisas que muita gente não conseguiria sem molhar as calças: apresenta programa de TV, segura piada ao vivo, tira com a cara de Sílvio Santos, versa com eloquência sobre as notícias da semana e os fatos marcantes como se falasse do último lançamento da Barbie. Mas caga de medo de gente maquiada.

Ok que ela não era normal de qualquer forma, mas eu já vi criança com medo de palhaço, medo de papai-noel e até medo de gente com barba, mas aos 8 anos ter medo de maquiagem não é exatamente algo dentro dos padrões de normalidade.

E o Sílvio, que parecia só um cara excêntrico, é um vilão horrível sem coração. Se fosse minha filha, eu entrava no palco socando o véio.

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Quem canta, seus males espanta. Ou não


Lavagem das mãos deve durar dois “Parabéns a você”, diz OMS

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Então, funciona assim. A lavagem de mãos IDEAL, pra deixar você completamente longe de todas as pragas malditas que infestam esse mundo sujo, precisa durar de 15-20 segundos.

Basicamente, a notícia é essa. Lave as mãos, cante Parabéns e evite a Gripe Suína.

Só que a OMS quis fazer uma brincadeira. Não saquei qual foi, sério. Deve ter um assessor de imprensa que disse ‘precisamos tornar as coisas divertidas pras crianças. Precisamos traduzir esses 20 segundos numa linguagem que a população saiba entender’.

Na verdade, na faculdade de jornalismo a gente aprende que precisa levar pro leitor a notícia de um jeito que ele entenda. Então, em vez de dizer que ‘X hectares da Mata Atlântica foram desmatados em um ano’, é mais impactante explicar que isso equivale a sei lá quantos campos de futebol. Trazer a notícia pra uma dimensão que o leitor conheça.

Só que eu desconfio que mesmo uma boa parcela dos analfabetos no mundo saiba contar pelo menos até 20. É só um feeling, porque não é exatamente algo muito sofisticado, e essas pessoas precisam aprender a contar de qualquer forma – elas contam filhos, contam telhas da casa, contam dinheiro. Até 10 todo mundo sabe – 20 é dez duas vezes, pronto. Mas ainda assim a OMS resolveu fazer a piadinha.

De acordo com eles, enquanto a gente lava as mãos precisa cantar Parabéns a Você duas vezes. Mas sem a parte do É pique, é pique…. Entendeu? Tipo, só até …muitos anos de vida!, ai começa de novo.

Acessibilidade, essa é a palavra. Porque na mesma matéria uma enfermeira diz que outra solução é ‘pensar no alfabeto’, sem especificar se a gente deve falar todas as letras de A a Z ou sei lá, o que se torna estranho. E um analfabeto pode até pensar no alfabeto, mas não pode recitá-lo, e isso o excluiria automaticamente de lavar as mãos caso a OMS dissesse ‘lavar as mãos deve ter a duração de um alfabeto’. Então tá explicado o negócio do ‘conte até vinte’.

Só tem um problema: quero ver alguém fazer esta merda. Porque me parece a cena mais ridícula pela qual alguém pode passar voluntariamente (excetuando-se eventos de Cosplay). Vai no banheiro do trabalho, finge que não tem ninguém lá se tiver, aperta o botãozinho do sabão, abre a torneira e começa ‘Parabééééns…’. O legal é que quando todo mundo começar a te olhar estranho, você vai RECOMEÇAR, essa é a parte mais interessante. Se der, grava um vídeo, e manda pra OMS, pra eles deixarem de ser otários. Porque vão resolver problema de gripe mas vão acabar criando um monte de gente com distúrbio psíquico. Porque se você canta Parabéns enquanto lava as mãos, e duas vezes, e acha isso OK, tem algo de errado com você.

Mas se tiver mesmo, quero ver você lavar as mãos cantando Parabéns e fazendo cosplay.

E se você assistiu Castelo Rá-Tim-Bum, então sabe que a gente não precisa parecer COMPLETAMENTE LOUCO pra deixar as mãos limpinhas:

A propósito, se quiser usar essa música como marcação em vez do ‘Parabéns’, esfregue as mãos até a parte em que o fabuloso Arnaldo Antunes diz ‘Depois de brincar no chão de areia a tarde inteira’. Daí dá certinho. Bem mais legal, né?

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Inquisição virtual: quando vão começar a mandar os piratas pra fogueira?

Ok, teve o julgamento contra o Pirate Bay. Mas no geral, na gringa, parece que o pessoal tá desistindo:

Gravadoras americanas jogam a toalha contra pirataria

Parlamento francês rejeita lei para bloquear internet por download ilegal

Mas como é de praxe, as coisas por aqui sempre chegam com um pouco do atraso natural que é característico do 3º mundo. Se blog e Twitter são agora a sensação tupiniquim, então dá pra estranhar que o governo comece a fechar o cerco para os usuários de internet em tentativas esdrúxulas de conter o incontrolável – com ações-formiguinha como prender moleques que baixam música, ameaçar comunidades que compartilham links de downloads e tirar sites de legendas do ar, que têm o claro objetivo de intimidar grupos de pessoas que em grande parte só compartilham conteúdo sem fins lucrativos.

Quanto mais leio sobre iniciativas de grandes corporações para inibir o acesso do grande público à democracia e liberdade cultural que a pirataria proporciona, mais eu penso que não pode ser verdade que alguém que conheça a dinâmica da internet acredite que ainda é possível reeducar toda uma geração no sentido de ensinar que baixar música é errado.

Em vez de concentrar os esforços em alternativas economicamente viáveis e interessantes pro consumidor e pro artista, os babacas continuam perdendo tempo, prendendo meninos com HD cheio de CDs e usando-os como bode-expiatório de uma situação que é claramente incontrolável.

O projeto de lei francês mencionado no topo foi o que mais me chocou nos últimos tempos. Ele prevê punição os piratas com o banimento do uso da internet por uma quantidade determinada de tempo (dias a meses). E por um breve momento eu tive medo de que a inquisição virtual começasse, de que houvesse de fato o início de uma ditadura maluca na internet – que deveria ser a coisa mais livre do mundo.

Felizmente, foi rejeitado, ao menos em primeira instância, pelo que entendi. Mas aqui no Brasil o projeto do Azeredo continua a pleno vapor.

E eu desconfio que o bicho vai começar a pegar. Sabe por que? Porque as grandes corporações estão começando a perder muito, muito dinheiro por causa da internet no Brasil. Não que já não perdessem, mas a coisa está se espalhando por outros segmentos, coisa que não rolava aqui antes. Olha:

Internet faz receita com ligações internacionais despencarem, diz IBGE

A inclusão digital, a popularização da internet por banda larga, o computador do Milhão e as lan-houses até no inferno conectaram nosso país e estão gerando um fenômeno massivo de gente conectada, coisa que a gente não conhecia antes. O Brasil usa a internet, hoje. Não é mais só a classe média.

Só que o jovem vem pra rede com a mentalidade do nativo digital. E o nativo digital não pensa como o dono da corporações, e nunca vai pensar. Nesse post, Felipe Tofani menciona algumas das características desse grupo. Mas a mais marcante, e que mais contrasta com a vida real – sim, porque a vida na internet é só um reflexo da vida real – é essa aqui:

O poder vem através do compartilhamento de informação, não da mentalidade de escassez. Para ganhar influência e status online, você precisará doar seu conteúdo e conhecimento.

No mundo real, o de carne-e-osso, a mentalidade é a da escassez, a da usura, porque é com a usura que a sociedade capitalista lucra, e time is money – você não perde seu tempo ensinando ou doando nada pra ninguém. Os não-nativos não entendem o poder do compartilhamento, nem compreendem a vontade de compartilhar por compartilhar. No mundo de verdade, há pouco ou nenhum status em compartilhar. Na internet, por um motivo divino e bonito, vale o contrário. Vale a generosidade.

Enquanto os profanos virtuais, os não-nativos, não puderem compreender essa dinâmica, cada dia será um a menos na contagem até a inquisição virtual, em que laranjas serão punidos para ‘dar o exemplo’ à grande comunidade que comete ‘crimes horrendos’, com downloads de música tendo punições comparáveis a homicídio em alguns casos.

Seria fácil se eles aprendessem com os erros dos gringos e observassem que se lá não deu pra proibir, aqui não vai dar. Mas esses caras parecem ser daqueles tipos teimosos, que não aceitam perder milhões. Nós já vimos esse filme. Mas dono de gravadora não pode pedir ajuda pro governo quando perde grana. Sacanagem.

Some isso ao lobby que as grandes e velhas corporações farão contra a cultura do conteúdo livre na web e voilà – no Brasil, nós – usuários de internet – ainda teremos um longo caminho antes que os engravatados percebam que não podem lutar contra o inevitável.

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Sobre a experiência de comer uma larva tailandesa frita

A verdade é que eu comi uma larva.

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Ok, acho que isso seria o suficiente pra te fazer continuar lendo. Pois é, comi uma larva. Uma editora daqui do lugar onde eu trabalho foi para a Tailândia e trouxe de volta um potinho cheio delas, fritinhas, crocantes e reluzentes, e saiu oferecendo os petiscos pela redação. Quando ela chegou até mim, eu estiquei a mão, peguei uma e coloquei na boca.

Se eu dissesse que fiz sem pensar, estaria mentindo. Eu pensei, sim – e o primeiro pensamento foi ‘cacete, se milhares de pessoas comem isso na Tailândia, não deve ser tão ruim assim’. Claro que o volume de pessoas que faz algo nunca é indicador qualitativo (e muitas vezes a razão é proporcionalmente inversa), mas ao menos eu conclui que as chances de morrer seriam mais baixas. Também pensei que eu não vislumbro uma oportunidade próxima de visitar a Tailândia e provar as larvas, e isso foi o fator decisivo pra que eu esticasse a mão e pegasse o bicho.

Foi corajoso, porque se tem algo que eu tenho nojo nesse mundão véio de deus, são larvas. Ô, coisa nojenta. Não tenho nojo de barata, nem de minhoca; de mariposa, tenho mais medo do que nojo. Mas de larvas e ovinhos de insetos, argh, eu tenho muito nojo. Muito. Nunca esqueci daquele cena em ‘O Rei do Gado’ em que o Antônio Fagundes se perde no meio do mato e acaba comendo uma larva de alguma coisa pra poder sobreviver [achei a cena, mas só com dublagem Romena (!)]. E no clipe de Hakuna Matata, sempre preciso pular a parte do ‘viscoso, mas gostoso!’.

É, mas aí eu comi. O gosto é assim: no começo, é um salgadinho vagabundo beeeem engordurado, sem gosto de nada, só de fritura. Daí, quando você tá pensando “nossa, não é tão ruim ass-” você é interrompido por um gostinho final um pouco nojento, que não sei comparar a nada que conheço – meio amargo, talvez – algo muito ligeiro, mas suficiente pra te lembrar que tem algo errado com o salgadinho.

Tente formular a imagem mental de alguém comendo isso – primeiro, a pessoa põe na boca e mastiga, e faz uma cara de ‘está tudo bem’, e em seguida contorce muito ligeiramente a face, num início muito sutil de careta que indica ‘é, na verdade de fato não é exatamente bom, mas não chega a ser ruim’. E sim, tudo isso expresso num movimento muscular facial. Fascinante.

E não me arrependo. Até explico porque: a gente come merda diariamente. É, eu sei que é triste, mas tá numa resolução de 2001 da Anvisa (que você pode ler aqui, mas que está mais didática num texto da Folha Online): a agência impõe um limite de 100 organismos fecais por grama de comida. Mais que isso, o alimento é considerado contaminado e impróprio pra consumo.

Vamos assumir que SÓ COMAMOS alimentos cujo índice de organismos fecais fique abaixo de 100, o que é improvável. Vamos supôr, ainda, que toda a comida que a gente ingere tenha o nível de contaminação muito abaixo do limite, algo como 50 organismos a cada 1 grama de comida – ou 50.000 organismos a cada 1 quilo. Prossigamos.

O ser humano ingere, em média, 3 quilos de comida por dia, ou cerca de uma tonelada/ano. No mínimo, segundo essa estimativa bem otimista, você tá comendo 150.000 organismos fecais por dia, ou cerca de 50.000.000  – 50 MILHÕES – de nanounidades de merda por ano. E a lei permite isso por escrito.

Eu prefiro ficar com a minha larva. E pensando bem, numa saladinha esses bichinhos substituiriam bem aqueles ‘crôutons’.

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Doritos, a homofobia e a armadilha do preconceito

Assiste o vídeo. Te dou os 30 segundos.

Beleza. O que você achou? Pensa um pouco. Te dou mais 30.

A resposta mais preconceituosa que alguém pode dar para a pergunta “Você é homofóbico?” é “Claro que não, até tenho muitos amigos gays.” Porque caracteriza que a orientação sexual de alguém é uma informação importante para sua escolha de amigos e não-amigos. Denota que você acha que o homossexualismo a homossexualidade poderia de alguma forma influenciar a personalidade dele a ponto de vocês não poderem ser amigos só porque ele é gay – mas não, você é bom e misericordioso e não tem preconceito. Logo, “até tem alguns amigos gays”.

Por outro lado, a resposta a essa pergunta que denota menos preconceito poderia ser algo do tipo “claro que não. O cara mais burro e desagradável que eu conheço é gay”.

Todo mundo te olharia com uma cara esquisita, achando que você não entendeu a pergunta, daí você confirmaria e eles te achariam muito homofóbico. Você poderia continuar: o “segundo mais burro e desagradável, por sua vez, é heterossexual. Curiosamente, desconheço a orientação sexual da terceira pessoa mais burra e desagradável que conheço.” Daí alguns deles sairiam andando, outros te julgariam com olhares horríveis e você sairia caminhando com a consciência de que não tem, absolutamente, nenhum tipo de preconceito contra homossexuais.

Eu acredito no seguinte: essa propaganda tem sim um quê homofóbico. E reconhecer isso é caracterizar-se, infeliz e involuntariamente, como alguém ligeiramente preconceituoso (no mínimo). Não preconceituoso daquele jeito pejorativo e horrível – não significa que você deixa de se aproximar de gays por eles serem gays (ou então se aproxima de gays por eles serem gays, o que também denota alguma espécie de preconceito, a não ser que você também seja gay, porque aí é interesse mesmo).

Se preconceito é pré-conceito, é rotular e conceituar indivíduos que são únicos por definição a partir de uma característica qualquer que não diz 1/100 do que a pessoa é na verdade, então considerar essa propaganda homofóbica denota pelo menos dois pré-conceitos:

1. Você acha que todo gay gosta de YMCA.

2. Você acha que dançar YMCA é coisa de gay.

Eu por exemplo, acho que YMCA antes de tudo é uma música brega. Daí, logo de cara, poderia achar que ele está sendo zuado pelos amigos por dançar uma música brega. Plenamente plausível, embora dê margem pra discussão da Doritos criticando que o “ser diferente”, ou “gostar de brega”, é ruim, mas não entremos nessa hoje.

Vou dar um outro exemplo, que me foi sugerido pelo Gustavo Miranda.

Você é casado? Tem filhos?

Fui preconceituosa ao perguntar isso pra você? Claro que não, não é?

Então porque a Marta foi quando perguntou isso para o Kassab?

A questão aqui é que numa sociedade em que o preconceito é velado cria-se uma redoma em volta das minorias. As pessoas têm medo que manifestações contra essas minorias, manifestações que nem têm relação com a orientação ou a cor de pele, possam ser confundidas com preconceito só por estarem sendo direcionadas para um membro da minoria.

Amigo, aqui você é vítima da sua própria vontade de tratar todo mundo igual: se você se controla pra não dizer coisas pras pessoas por medo de ser considerado preconceituoso, então você está automaticamente tratando essas pessoas de maneira diferente só por causa da cor da pele delas, do quanto elas pesam ou do parceiro sexual delas.

Qualquer tipo de estereótipo pré-formado a respeito de qualquer pessoa é preconceito. Infelizmente. Ou seja, somos preconceituosos o tempo todo. Essa matéria, por exemplo:

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FOTO: Jairo treina de vestido rosa como castigo adotado por Roberto Fernandes

Você acha que existe preconceito na atitude do técnico? Porque ele considera que vestir um jogador com uma camisola feminina é algo que pode ser considerado vergonhoso? Porque caracterizá-lo assim é um “mico”?

Não tô dizendo nada, até porque são perguntas pras quais não sei a resposta. A própria ingenuidade do técnico em fazer algo assim sem esperar retaliações já pode denotar total ausência de preconceito – lembre-se, quem não deve, não teme. Mas viver num país em que assumir intolerância é intolerável, mas em cujo a discriminação se faz presente em vários níveis da sociedade, demanda que você dê toda atenção pra questões delicadas assim e realmente analise as reações que tem diante desse tipo de coisa. O preconceito é uma armadilha na qual é muito fácil de cair, especialmente porque alguns indivíduos de determinadas minorias, acostumados a sofrer preconceito, se aproveitam disso para criar situações que eu chamo de “só porque eu sou _________” (insira aqui qualquer classe que sofra preconceito, tipo “negro”, “gay”, “mulher”, “deficiente físico” etc).

Assim: existe preconceito na sociedade, fato. Quem sofre preconceito frequentemente encontra mais dificuldades e menos oportunidades, fato. Mas sempre tem o cara que culpa todas as desgraças da vida dele no preconceito que têm contra ele. Atribui tudo ao fato dele pertencer a determinado grupo que é excluído. Se você não gosta dele, é porque você é homofóbico. Se ele não conseguiu emprego, é porque a empresa não contrata negros. Se ele não tem namorada, é porque as mulheres só gostam de caras magros.

Esses indivíduos existem e só servem para fomentar a existência da tal redoma de imunidade das minorias. Se há uma  pessoa acha que tudo o que acontece com ela tem raiz no preconceito, então é melhor você fingir que gosta dela, mesmo que não goste e que isso não tenha nada a ver com a cor dela. Vai que ela o acusa de preconceito?

É um assunto delicado e muito específico – cada situação envolve milhares de variáveis. Mas o que quero concluir aqui é que na maioria dos casos a nossa cabeça é que está cheia de estereótipos e por isso enxerga o politicamente incorreto em tudo. Os preconceitos que a gente enxerga em um monte de relações são um espelho dos nossos próprios preconceitos. O medo de ser preconceituoso é tanto – por causa do tabu – que as pessoas acabam agindo diferente com as minorias mesmo sem perceber. E esse talvez seja o tipo de discriminação mais perigosa que existe – aquela que é tratada justamente como a ausência de discriminação.

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Uma ótima idéia de TCC (se você não tiver um olho)

Vamos supôr que você não tenha um olho.

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Esse camarada claramente tem um, embora não esteja exatamente no lugar tradicional

Provavelmente é uma situação difícil, no começo. Mas devem ser daquele tipo de coisas às quais você logo se acostuma. Olhos de vidro e próteses são bem parecidas com os de verdade, quase não dá pra notar a diferença. E também existem alternativas: usar um tapa-olho e parecer o cara mais legal da sua escola (ou bairro, ou trabalho, ou hospício) e pedir dinheiro no trem sem o olho. Uma mulher pede, e o efeito que a falta do olho causa nas pessoas aparentemente é bem eficiente para que elas lhe dêem dinheiro (e ela suma logo da frente delas, porque é uma visão esteticamente desagradável).

Mas sempre dá para fazer limonada se te dão limões, não é? Foi isso que fez o canadense Rob Spence, o camarada da foto ali em cima, que perdeu um dos olhos há 3 anos (perdeu tipo, porque tinha um problema desde um acidente na infância e o olho precisou ser retirado. Ele não deixou cair ou esqueceu no bolso da jaqueta). Rob teve uma dessas idéias animais, dessas que gente que não tem um olho pula da cadeira e diz ‘como não tinha pensado nisso antes?’

Ele buscou patrocínio de centros acadêmicos de pesquisa em tecnologia e de empresas que desenvolvem equipamentos microscópicos e conseguiu que desenvolvessem para ele um olho prostético com uma câmera dentro. A idéia é que a câmera enxergue exatamente o que Rob enxergaria e transmita os dados através de um dispositivo wi-fi acoplado.

Ele até se auto-apelidou de Eyeborg, e em seu site oficial um vídeo (em inglês, sem legendas) conta toda a história de Rob – que veja você, teve a fantástica idéia do tapa-olho de pirata antes do olho ferido ter de ser retirado! Imagina o quão LEGAL é ser amigo de um cara que usa um tapa-olho.


EYEBORG– The Two Week Trial from eyeborg on Vimeo

A questão é que Rob vai filmar um documentário usando a câmera acoplada à sua prótese ocular. O tema: a ‘orwellização’ da sociedade, ou seja, para os que ouvem Lil’ Wayne, a massificação da instalação de câmeras de vigilância em todas as instâncias dos espaços sociais públicos e privados. Ele vai entrevistar as pessoas sobre o que elas acham de estarem sendo espionadas o tempo todo, muitas vezes sem saberem – e elas estarão sendo espionadas durante esse processo!

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Se os tradutores forem espertos, chamarão a versão brasileira do documentário de ‘Olhômetro’ (e se eu for esperta, os processarei)

Naturalmente, Rob pretende avisar depois da entrevista que filmou tudo usando seu olho (claro que isso vai parecer perfeitamente natural para o entrevistado) e pedir autorização para a veiculação da entrevista no documentário. Ele quer discutir essas questões de privacidade e tudo mais. 

Tem toda uma questão muito doida aí, que envolve Big Brother, Google Maps e no que essa sociedade está se tornando – ao mesmo tempo que as pessoas cada vez mais se fecham dentro de condomínios fechados, com cercas elétricas e carros blindados, nunca a vida das pessoas esteve tão exposta, e tudo isso por causa da internet.

Mas isso não é importante. Importante é você voltar na primeira foto, ampliar e olhar muito, muito bem para a cara desse camarada. Assista ao vídeo, ouça a história dele e grave a fisionomia. Se um dia ele vier falar com você, corra para as montanhas.

E não confie em gente com próteses nos olhos. Se todo celular tem câmera, daqui a uns 10 anos todo olho protético vai ter. Mesmo que seja uma VGA, não confie mais em pessoas com olhos de vidro. É mais seguro, embora assustador, encarar a tiazinha que deixa a órbita à mostra. E caras com tapa-olho serão, além de muito legais, ultra-confiáveis.

É um futuro esquisito. Acho que por essa nem Orwell esperava.

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O que é realmente necessário para representar o povo?

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Conhecimentos gerais. É isso que o CQC está checando no mais recente quadro deles, protagonizado pelo conterrâneo Danilo Gentili, que nesta segunda perguntou a parlamentares coisas que são exigidas em provas simples de admissão de estagiário de jornalismo nos lugares mais fuleiros, como ‘o que é a Jihad’, ‘o que é a Convenção de Genebra’ e ‘onde fica Guantánamo’. E alguns parlamentares não faziam idéia das respostas.

O Gravataí argumentou comigo que ele não considera esse tipo de conhecimento superficial necessário para ocupar esse tipo de cargo público. E eu até concordo com ele, mas veja bem – se você não sabe o que é Jihad, isso não significa apenas que você não sabe o que quer dizer uma palavra. Significa que existe todo um conhecimento geral, mesmo que não-aprofundado, sobre geopolítica, incluindo por exemplo acontecimentos recentes, como o ataque das torres gêmeas, que você não sabe dizer porque aconteceram. Porque se você tivesse lido um pouquinho sobre isso certamente teria se deparado aqui e ali com a palavra e saberia.

Ou seja, o que estou questionando é no que implica você não saber o que é a Jihad, onde fica Guantánamo ou o que é a Convenção de Genebra. Implica, por exemplo, em você ter lido muito pouco ou quase nada sobre conflitos armados recentes, porque os três termos curiosamente se relacionam a guerras. E isso, na minha opinião, te faz inapto a me representar em Brasília. Porque exigem de mim conhecimentos muito mais avançados para ocupar cargos de responsabilidade, salário e regalias muito, muito menores. E porque o mínimo que eu quero é que meus representantes saibam o que está acontecendo no mundo e porquê, mesmo que não for de forma aprofundada.

Eu sei que é uma posição polêmica, mas não acho que pra governar seja mandatório que o cara seja um acadêmico das mais altas qualificações. Acho que sim, ajuda muito se ele for, mas no quesito ‘conteúdo’ considero importante mesmo uma vasta cultura geral, que possibilite ao cara falar sobre tudo e ter uma visão ampla das coisas, bastante leitura, essas coisas. Mas não sou partidária dos literatos ocupando as cadeiras do poder.

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Tem aquele adorável discurso reacionário da classe média (ilustrado acima), que a gente costuma escutar da molecada mais não politizada que repete o que dizem os pais. Ele diz mais ou menos o seguinte: “como meu filho vai se sentir estimulado a estudar se o presidente só tem até o Ensino Médio?”

A resposta correta a essa pergunta provavelmente inclui algo como “basta não ter um pai como você”, mas isso é extremamente ofensivo. Então a gente só dá uma risadinha, ou finge que tá tudo ok. Mas o pai que aceitar do filho o argumento de que ele ‘não vai estudar’ porque ‘o presidente não estudou’ deve ser mais burro que o presidente.

O presidente não estudou mesmo, até onde sabemos. O Gravataí (de novo) me informou, inclusive, que ele já chegou a dizer que só leu um livro na vida (“A semente da vitória”, de Nuno Cobra), mas não achei fonte no Google pra essa info, tirando que o Lula cita muito o cara nos discursos. Eu não acho, contudo, que isso o torna menos capaz de exercer o cargo que ele exerce. Acho fundamental, contudo, que o presidente tenha conhecimentos gerais básicos – história, geografia, economia, ciências. O suficiente pra ler o jornal do dia e entender o que está acontecendo ali, o que está por trás daquilo. E eu, sinceramente, acho difícil ele ter chegado ali sem saber isso. É um voto meu, e posso estar enganada; mas acho realmente difícil.

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Habilidades musicais do presidente

De qualquer forma, o quadro me desanimou horrores. Me desanimou de ser cidadã, de ser jornalista, de ser estudante, de votar na próxima eleição. Sério – até desliguei a TV depois do quadro. O Arlindo Chinaglia ficou durante 20 segundos enrolando porque não sabia definir Jihad. Ele nem precisava explicar, sabe? Se ele dissesse ‘é a guerra santa islâmica’, tinha matado. Outro cara, do PMDB (não me pergunte nomes), versou durante um minuto sobre Genebra “e sua ‘sede’, a Suíça (sic)”, dizendo que a Convenção era um tratado muito importante assinado por todos os países que definia assuntos muito importantes a respeito do mundo. Assim que rolar um vídeo, eu coloco aqui e você sofre comigo.

Mas a verdade é que os nossos políticos não passam de um reflexo de nós mesmos. E se algumas dessas pessoas chegaram onde chegaram sem conhecimentos que eu considero tão básicos, a culpa é nossa.

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Inteligência corporal? É com Luiz Inácio!

Não tô pedindo muito. Queria só o básico, sério. O básico. Quem lê o jornal pro Lula não é ele, é o Franklin Martins e outros assessores, segundo entrevista que ele deu pra piauí nos últimos meses. Mas o que eu espero do presidente (e de quem me representa além dele nas instituições do país) é que ele saiba contextualizar o que o Franklin diz sem precisar perguntar “Mas ô companhêro, quem é esse Kremlin? É daquele filme da sessão da tarde?”


*Esse texto foi ilustrado com imagens do genial LulaLOL, que… que você só vai entender depois que entrar. A essa altura todo mundo já conhece, mas reza a lenda que eu tenho um público muito particular que não é antenado nessas coisas de internet então me sinto responsável por informá-los das boas coisas da rede.

*Resultado da promoção na terça à noite, sem falta – dando uma de Lúcio Ribeiro.

* Lúcio Ribeiro ainda existe?
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Devo sim, e to pagando. Me desculpe. Quer um café?

Alguém teve uma idéia muito, muito assustadora, lá na Espanha. Já ouviu falar dos Cobradores de Fraque?

Cobrador de Fraque

Uma empresa disponibiliza uma série de sujeitos especializados em cobrar devedores de uma forma bem mais inteligente, específica e ‘sob demanda’. Esses sujeitos, vestidos de fraque (de um jeito até meio circense), visitam os devedores que já foram cobrados pelos ‘métodos tradicionais’ mas ainda assim não pagaram a dívida.

O Cobrador tem como objetivo constranger o devedor. Ele vai até sua casa, te diz alegremente que você está devendo. Se você disser que vai pagar, e não pagar, ele volta e toca a campainha de todos seus vizinhos e os avisa que você está devendo, quanto e para quem. Se for o caso, volta para o escritório e faz um intenso trabalho de pesquisa para descobrir alguns de seus contatos profissionais, potenciais clientes e parceiros, liga para todos e conta tudo sobre sua dívida e a maneira como você não a paga desde 2002. A Band fez uma matéria sobre eles no fim do ano passado:

Na Espanha, a prática já está tão difundida que o cobrador não chega ao nível do ‘vou espalhar pra todo mundo’. Normalmente, a pessoa trata de pagar rapidinho se receber o cobrador em sua porta, que é pra evitar todo o resto. A idéia é basicamente o seguinte – se você deve, vou fazer com que todo mundo saiba disso. A probabilidade de que você pague é maior.

Os serviços estão funcionando, e a Cobrador recebe como pagamento parte da dívida paga. Em alguns casos, chega a comprar toda a dívida por um desconto, e quando recebe tem bons lucros. Apesar de estar se expandindo e abrindo filiais na Itália e em Portugal, no Brasil ela nunca vai chegar. O Código de Defesa do Consumidor veta qualquer tipo de ‘constrangimento’ público por parte de credores pra forçar o pagamento de dívida.

Bom para mim, já que ninguém me deve. Mas se devesse, eu juro que ia gostar de ter um serviço desse à disposição.

Muita gente deve desde sempre, a crise só intensificou a coisa. Tirando o possível aumento depois da invenção do cheque especial e do cartão de crédito, porque merda acontece, e às vezes você gasta com a certeza de que terá um dinheiro que por algum motivo não vem.

E ai começam as cobranças. Fica um fulano de uma financeira ligando pra você pra supostamente te lembrar o tempo todo que você deve, o que é absolutamente ineficaz. Normalmente ninguém que pretende pagar esquece que deve. A não ser que seja uma conta que você esqueceu de pagar, você sabe quando deveria ter pago algo e deliberadamente não pagou porque não teve dinheiro para isso. Acho que a maioria das pessoas normais é assim. E se você esqueceu que deve e precisa ser lembrado seguidamente, é provavelmente porque não tem intenção de quitar a dívida. Embora talvez Alzheimer também gere sintomas semelhantes.

De qualquer forma, o objetivo da mulher que te liga da financeira pra ‘te lembrar’ que você precisa pagar alguma coisa é te encher o saco até que você desista de ouvir encheção (e fique com medo de ter o nome registrado no SPC, também) e pague.  Claro que há maneiras de contornar isso, o que torna o sistema todo ainda mais ineficaz. Você pode não atender telefones na sua casa, e pedir pra que ninguém te passe telefonemas provenientes do Banco Y; você pode instalar um bina e decorar pelo menos o prefixo do número que normalmente liga cobrando, daí não atende mais àquelas ligações;  e, no último caso, se você quiser for do tipo estelionatário, não paga, deixa teu nome ir pro SPC e espera ele sair, três anos depois. A dívida continua existindo, mas seu nome não está mais sujo e você pode contrair mais delas.

Tudo isso, no fim, significa o seguinte: pagar uma equipe de telemarketing pra cobrar indivíduos devedores não compensa financeiramente. Quem quer e pode pagar não precisa ser cobrado duas vezes por semana. E quem não quer não vai fazê-lo porque tem uma mulher que fica ligando. Pros credores, uma empresa dessa é muito, muito mais eficiente. E destaca a bizarrice do sistema, que consegue capitalizar tudo, até mesmo a não-capitalização.

(Li sobre a Cobradores na piauí do mês de fevereiro, e boa parte das informações do texto vem de lá. Tem também uma matéria no G1, da qual eu tirei a foto)

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Sequestrador ameaçou polícia com pistola difícil de encontrar

Na semana passada, no município de Samambaia, no Distrito Federal, um senhor que responde pelo nome incomum de Bejamiro Emídio de Jesus, ficou bem louco num bar e decidiu que faltavam R$42 em sua carteira. Talvez ele tenha se dado conta disso depois de gastar R$42 em cachaça, mas isso não vem ao caso.

Eu nem preciso ficar bêbada pra abrir a carteira e perceber que falta bela muito, muito dinheiro. Mas Bejamiro não é homem que leva desaforo pra casa (quer dizer, ele levou pra casa, mas não pra dele): ele ponderou e decidiu invadir a residência de algumas das pessoas que estavam com ele no bar, para reaver os R$42 na marra, e fez quatro pessoas de reféns por cerca de 10 horas.

A polícia militar do DF prendeu Bejamiro, e divulgou as fotos da operação policial. Agora vamos brincar do jogo dos 7 erros, mas finja que você só precisa encontrar um deles (clique na imagem para ampliar).

Sequestro no DF com Light Phaser

Nada de errado? Ok, vou te dar uma dica. Leia este link na Wikipedia.

800px-sega_master_system_lightphaser

Sim, meu caro. Este senhor ameaçou a polícia por cima de uma mureta com uma pistola a laser usada no Master System, uma Light Phaser. Muita gente já falou desse FAIL policial, mas Bejamiro também portava facas quando foi preso, e em uma das fotos ele ameaça uma das reféns com uma faca, então ele não era de todo inofensivo.

O G1 conversou com alguns especialistas em games que deram quase 100% de certeza que é uma Light Phaser. Mas não precisa ser especialista em game pra reconhecer, comparando as duas fotos. A polícia disse que vai ‘periciar’ a arma pra descobrir se não é uma arma de verdade disfarçada de Light Phaser (tudo bem que seria extremamente engenhoso e, sem querer desdenhar de Bejamiro, não acho que ele perderia tempo construindo tal equipamento – ele é do tipo de pessoa que invade casa de gente aleatória supondo que roubaram-lhe R$42), e eu gostei da palavra ‘periciar’, porque ela concede um aspecto muito mais profissional e científico ao ato de olhar a parte da frente do cano da pistola e ver se ali tem um buraco por onde poderiam sair balas ou se tem um pedaço de plástico transparente.

O mais triste de tudo é que o o moleque (um dos sequestrados é um menino de 15 anos, que eu suponho que tenha herdado a raridade de outro deles, o irmão de 19) tinha um fucking Master System, um videogame que foi criado antes de eu nascer. Mas não era tão ruim – apesar dos gráficos pífios, ele tinha uma pistolinha de luz, que elevava a diversão e a interatividade da coisa a uma potência quase comparável a de um Nintendo Wii. E agora tudo que ele tem é um Master System.

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Post it #04

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Promoção Olhômetro

E não se trata de tapetes persas, anéis de brilhantes ou lindos quadros. É a 1ª e badalada promoção cujos prêmios não fazem sentido, aqui mesmo, neste blog. Dá pra ganhar camisetas, vale-compras no Submarino de até 100 pilas e um chocolate. Corre e participa.

#Interação ferroviária
Tava no trem, com uma gripe do cacete. Nariz escorrendo à beça e tal, muitos lencinhos nos bolsos. Aí tava de pé de frente pra um moço que tava sentado; fui tirar um lencinho do bolso, já usado, mas saíram dois e um caiu na mão do moço.

Não sei o que me deu, mas como ele não reagiu – tipo balançou a mão pra jogar o negócio longe ou mexeu a cabeça em direção à mão pra ver que porra era aquela – supus que ou ele estivesse dormindo ou estivesse morto. Peguei o papel de cima da mão dele e eu, ele e todo mundo ao redor fingiu que nada tinha acontecido. Tudo isso numa fração de segundo, claro.

#Laiá-laiááá
Pagode sempre me atrapalhou, mas acho que ninguém nunca pensou que pagode poderia atrapalhar tanto tanta gente. O ônibus do Exaltasamba tombou nesta terça na Régis Bittencourt, bem na volta do feriado, e bloqueou o trânsito por duas horas e meia.

Mas fique tranquilo. Não houve nenhum ferimento grave. Aliás, sabia que o Exaltasamba, assim como Danilo Gentili, Dani Calabresa, Lucélia Santos e eu, é de Santo André? Só orgulho.

#Vida bandida
Chorei de rir, e fazia tempo que um vídeo não fazia isso.

Queria ter as manhas de fazer essas legendas. Meu ouvido não funciona assim, foneticamente. Nunca consegui, nem aqueles vídeos literais nem nada assim.

#Maconha na cultura escandinava
Thor era adepto do uso da droga. (Esqueci de dizer – CLICA na imagem pra ver o que há de engraçado nela, por favor)

2ch9cid

#Jornalismo moleque
Tudo a Ver, da Record, soltou essa pérola terça na hora do almoço (não sei o nome da âncora, mas vamos lá):
“Agora, essa dica é pra quem ainda acha que dá tempo de aprender a tocar tamborim neste carnaval”.

O comentário do meu irmão (que nem é da área, mas deve ter ficado crica de tanto conviver comigo) foi absolutamente pertinente – algo como “puta merda, isso que é matéria direcionada a público de nicho”.

#Como fazer um lago desaparecer em menos de uma hora
Nem Harry Potter conseguiria, na boa. Só em São Paulo, mesmo

#Acharam a Atlântida no Google Ocean

Atlântida no Google Earth
Sério, olha aqui. E o Google já desmentiu, dizendo que a foto é real mas que isso não é Atlântida, não. Mas pensa comigo – isso é óbvio, né? O Google não poderia confirmar e passar como doido. Pra mim, acharam Atlântida mesmo. Mas se mantiveram a coisa escondida por tanto tempo, não ia ser agora que iam revelar, não é? Você vai ver – daqui a algum tempo, o assunto vai morrer e essas coordenadas no Google Ocean vão surpreendentemente virar uma tela azul, sem textura nenhuma.

#Você vai conhecer agora a história de um menininho muito guerreiro

Charlinho só queria estudar – embora ele também quisesse um pouco de batata. Mas ele queria estudar, e queria batata.

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