OEsquema

Pearl Jam: a ascensão e a queda (?)

Ontem, falando mal do disco do Coldplay, lembrei-me de mim mesma e dos tempos áureos de fanatismo por uma banda.

Se hoje sou fanática por música, e ouço tudo que aparecer pela frente, tive uma época (precisamente dos 14 aos 17 anos) na qual dediquei toda minha vida e ouvidos a uma única banda: o Pearl Jam.

pearl jam

Não que isso limitasse tanto o tipo de música que eu ouvia, já que o Pearl Jam tem um repertório de mais de 200 músicas.

Ok, limitava.

Eu comecei a ouvir o Pearl Jam por causa da música que depois eu (como boa fã fanática) vim a detestar, Last Kiss. Depois disso, um Ten furado de tanto escutá-lo e um Touring Band (DVD do PJ de 2000) de presente de Natal (no lugar do box da primeira temporada de Friends que eu havia pedido; claro que fiquei puta, afinal, Eddie Vedder ain’t no Matthew Perry).

Daí pra frente, foram anos de engajamento e militância pró-Pearl Jam, que envolveram participação ativa na fundação do Fã Clube Brasileiro e do maior fórum da banda no país, milhares de pacotes cheios de bootlegs e gravações raras enviados e recebidos pelo correio e centenas – centenas mesmo – de pessoas que eu conheci por causa da banda. Algumas são minhas amigas até hoje.

Depois que assisti a três shows do Pearl Jam em 2005, quando a banda veio ao Brasil, meu fanatismo arrefeceu. Guardo em casa todos os CDs de estúdio dos caras, DVDs oficiais e a maioria dos bootlegs, além de um pandeiro que ganhei no show do dia 3/12 em São Paulo, do próprio Eddie (tenho testemunhas, ok?). O gosto pela banda… esse, eu não sei onde guardei.

Devo muito ao Pearl Jam, ainda assim. Foi no Restless Souls, o fórum que ajudei a criar, que tive contato com gente que tinha, ainda bem, um gosto musical mais vasto – e foi lá que comecei a ouvir The Who, meu primeiro grande passo para fora do mundo Pearl Jam. Foram as letras do Pearl Jam que me ajudaram a passar pela difícil fase que foi a do ensino médio. E foi com eles que eu aprendi que pra ser famoso não é obrigatório se expôr: basta ter talento.

Falei tudo isso porquê estive visitando o fórum que eu costumava administrar há um tempão e li um tópico incrível, que me lembrou as discussões das antigas, quando não havia Orkut e todo mundo que gostasse da banda na Internet acabava caindo no Restless Souls. O pessoal por lá, os mesmos de sempre, estão como eu: com o gosto calejado. Não existe mais aquele fanatismo adolescente, o amor incondicional à banda e a tudo o que eles fizerem, feliz ou infelizmente.

Quanto ao Pearl Jam, me lembrei aqui porquê comecei a gostar deles:

E aqui, acho que encontrei o motivo pelo qual o gosto esfriou:

Apenas a propósito, esse último vídeo é do DVD mais recentes deles, Imagine In Cornice, que retrata a tour italiana em 2007, e é fantástico… digno da melhor banda do mundo.

12 Comentários

Viva la Vida or death and all his friends, o novo álbum do Coldplay

Aproveitei o final de semana (que costuma ser bem curto, infelizmente), para baixar adquirir de forma perfeitamente legal alguns discos que ainda não tinha ouvido.

Entre eles, além de uma coletânea dos The Kinks e o novo do Peter, Bjorn & John, está a nova tentativa do Coldplay de ser o U2, chamada pelo criativo nome Viva la vida, ou Death and all his friends.

coldplay, viva la vida or death and all his friends
Pelo menos a capa é boa

Minha primeira observação do CD: Viva la vida parece nome de disco do Rick Martin. Minha segunda: sou a favor de campanhas contra nomes duplos de discos. Tipo, quando o nome vem com uma segunda opção. Normalmente, isso parece descolado e extremamente criativo. O cara coloca um nome simples e dá a opção de um bem longo e esquisito depois. E isso soa extremamente legal para os fãs, mas eu acho bem estúpido, porque acho que você precisa escolher o nome do disco e não dar uma opção pra quem lê.

Na verdade, não achei que o disco é muito diferente do que eu pensei do X&Y: quatro músicas muito boas e o resto delas pretensiosamente chatas. Nesse caso, a primeira que é curtinha e instrumental, Life in Technicolor, e a segunda, Cemiteries of London, que tem algo meio tribal, são boas (a segunda é a melhor do disco). Já na terceira, o negócio começa a descambar levemente. Lost! tem uns orgãos meio etéreos, e é bem grudenta, não exatamente boa. No entanto, ouvi uma versão acústica, só piano, dela que tem no final do disco que eu baixei adquiri de maneira perfeitamente legal que valoriza a voz do Chris Martin e melhora ligeiramente a música.

42, a quarta música, que não é infelizmente uma referência à resposta da questão da vida, do universo e de todas as coisas, também é cheia de um piano chato. Lovers in Japan também é chata e quer ser o U2.

Depois vem mais umas duas ou três que são, bem… chatas. E aí uma muito boa, Chinese Sleep Chant. A que dá nome ao disco (Viva la vida) é tão pretensiosa que chega a irritar, sério. Mas não é ruim, é até bem boa.

Depois Violet Hill, uma balada com um tom meio apocalíptico (e provavelmente uma das melhores do disco), Strawberry Swing, que é outra chata e Death and all his friends que, adivinhem, é… chata, mas no final fica bem U2y, com uma cantoria coletiva, à là músicas beneficentes tipo We Are The World. O disco fecha com outra que tem pianos estelares e um orgão chato, chamada The Escapist.

Falar mal do Coldplay é fórmula certa pra ganhar comentários depreciativos, porque os fãs costumam ser meio obcecados. Não os critico porque sei o que é ser uma fã obcecada (aguardem post sobre isso amanhã). Mas minha conclusão para o novo disco do Coldplay é bem simples: eles são chatos. Chatos e pretensiosos. E vêm sendo assim há um tempo. Fazem música pra estádio, e não que isso seja reprovável, mas é que eu acho que no caso deles – e só no deles – essa pretensão irrita. Alguns podem gostar, não é meu caso.

Pensando pelo lado bom, 4 ou 5 músicas boas num álbum que tem 13 é quase 50%, e isso é uma marca alta. E tem uma coisa muito, muito boa no Coldplay: eles querem ser grandes com música relativamente boa. E eles conseguem, cara. Digo, ser grandes. Além disso, são inteligentes, vide a iniciativa de disponibilizar o disco inteiro no Myspace.

Outro mérito do Coldplay é ter uma base de fãs, como eu mencionei, fielmente obcecados, que idolatrariam qualquer coisa que a banda fizesse. Enquanto eu digo que eles são pretensiosos, dão sono e querem parecer o U2, vão ter 30 fulanos dizendo que eles são incríveis, inovadores e geniais.

Mas não tem problema. Eu ainda acho que, com exceção do excelente A Rush of Blood to the Head, o Coldplay tem feitos discos pra dormir.

4 Comentários

Prevendo o pior: como Oscar Quiroga sabia que meu notebook quebraria

Me chamem de ingênua (ou de burra mesmo), mas eu leio e acredito em horóscopo diário. Não se trata, porém, qualquer horóscopo diário: eu acompanho exclusivamente as previsões do grande mestre Oscar Quiroga.

E nesse post eu vou provar, com um exemplo prático, como a sabedoria das previsões do Oscar podem ser verificadas nas adversidades diárias.

O horóscopo de ontem (3 de junho) para o meu signo, Touro, dizia:

Sua alma não possui todas as informações, pois o futuro reserva surpresas, o inesperado está à caminho. Por isso, ainda que você tenha a pretensão de assegurar-se de todas as formas possíveis, sempre ficará uma brecha por onde entrar o inesperado.

Corta para uma cena minha, de um mês atrás. Decidi, finalmente, que compraria um notebook – com ou sem lucros no Adsense. Dando início à minha pesquisa de preços e modelos, tentei escolher a marca mais confiável em custo/benefício, e que tivesse a menor probabilidade de me oferecer problemas, já que eu tenho um longo e familiarmente conhecido histórico de desentendimentos com aparelhos eletrônicos de todos os tipos, marcas e modelos (coisas minhas que deram problemas irresolvíveis em menos de 3 meses de uso nos últimos 3 anos: desktop, mp4, câmera canon, discman panasonic, impressora epson e pelo menos três aparelhos de celular, um siemens, um motorola e um nokia).

Baseada nisso, acabei me decidindo pela Dell e seu então incrível Inspiron 1525:

dell inspiron 1525

O notebook chegou em inacreditáveis CINCO dias úteis, contra os 13 prometidos pelo vendedor e os mais de 30 dos quais muitos consumidores têm se queixado pela internet afora. Eu deveria ter desconfiado logo ali que havia algo de errado.

Volto ao horóscopo. Na madrugada de segunda pra terça, li o Quiroga e fiquei pensando sobre o que ele poderia estar falando. Chegou a passar – bem rápido – pela minha cabeça que a única coisa com que tenho tentado me certificar era o notebook, mas seria o clichê do clichê, afinal, comigo sempre acontece, então descartei.

Poucas horas depois, estava usando o computador e absolutamente sem aviso (claro que foi sem aviso, mas peço licença para usar este belo recurso discursivo) a luz de fundo do LCD apagou-se completamente. Puff.

ÓBVIO que o horóscopo estava dizendo que não importou o quanto eu procurei e tomei precauções para adquirir o note com menor probabilidade de quebrar, a maldição da zica de equipamentos está sobre mim eternamente e nada, nada que eu compre vai ficar sem dar problema no terceiro dia. Nada.

Ou então eu, de alguma maneira, sou capaz de provocar interferências involuntárias em equipamentos eletrônicos. Eu não duvidaria: afinal, seria mais um argumento para a tese de que eu sou uma alienígena.

E na boa, sempre que eu chego perto de uma TV chuviscando ela pára. Sério.

Nota: ainda não tive tempo de ligar no suporte da Dell. Pretendo pedir a troca por um notebook novo, já que segundo o código de defesa do consumidor, é possível devolver um produto comprado por internet/telefone dentro de sete dias sem nenhum motivo – bem, eu tenho um ótimo, já que não quero um notebook refurbished com 4 dias de uso. Tirando o pequeno inconveniente, o 1525 é muito bonito e rápido, e tem um bom custo benefício. Talvez role um review depois que eu resolver o problema, mas antes será necessário observar de perto como isso vai se desenrolar. Como já mencionei, não tenho exatamente muita sorte com aparelhos eletrônicos, suportes e assistências técnicas…

9 Comentários

Cersibon e a revolução do humor (aka ‘crdei kr ppoca’)

qq isso mnera cersibonEu já me perguntei muitas vezes sobre os mecanismos que tornam alguma coisa engraçada. Deve haver uma espécie de tabela cerebral (fictícia, óbvio) de situações que geram comicidade, mesmo que algumas pessoas não achem graça naquilo que as outras acham divertidíssimo.

Quando falamos do cersibon, fica bem clara essa história de relatividade humorística. O blog tem tirinhas de humor cuja graça reside na tosquice dos desenhos (rabiscos às vezes incompreensíveis) misturados a diálogos nonsense numa língua esquisita, que já é chamada de tiopês (essa matéria do caderno Link, do Estadão, explica melhor essa estória de tiopês). O que me impressiona nesse ‘novo’ tipo de humor são os recursos simples mas eficazes na provocação de risadas. Sim, eu me interesso por teoria humorística (isso existe?)

Eu, que sou meio boba, acho que o cersibon é uma pérola do cyber-humor. Mas já mostrei pra algumas pessoas que foram incapazes de achar graça na coisa. Algumas reclamaram de não entender nada, mas o legal é que isso é justamente o que torna as tiras engraçadas em boa parte dos casos.

De qualquer forma, se você não entende nada no blog do cersi, dá pra passar em um dos vários blogs que surgiram inspirados pelo humor cersiboniano nos últimos tempos.

O cersiencia se dedica exclusivamente a explicar o teor das tiras e as particularidades do idioma rico que é o tiopês. Fino. Além dele, o Blog da Galere, o cersifan e o Zezuis são cópias assumidas das tiras do cersibon – o segundo parece inclusive ser administrado pelo próprio cersibon-original, que receberia as tiras feitas por fãs e as colocaria no blog. Mas nunca dá pra saber se, de fato, é ele – vocês sabem, a identidade verdadeira do cersi é um dos grandes mistérios da rede.

A opção para os maiores de idade é o pornibon, com tirinhas apimentadas e cheias de sedução e volúpia, com apelo pornográfico explícito.

Todo mundo reclamava do miguxês, mas dá pra notar que o tiopês é uma evolução dele, uma maneira bizarra de zuar quem escreve desse jeito esquisito. Sim, porque tem gente que escreve daquele jeito de verdade. Duvidam?*

*Outras dessa na Pérolas da Gramática.

4 Comentários

A união faz a força

Ato ou Efeito blogs

É com imenso prazer e satisfação que anuncio que uma nova era se aproxima para o Olhômetro. Uma era de força, de poder e de muitos cliques no Adsense.

O Olhômetro (adoro falar do blog assim, dá a ele um ar importante) agora faz parte do AOE Blogs. E o AOE Blogs une os blogs mais quentes da galáxia dentro de um único portal, ancorado pelo magnífico AOE, que é o site mais quente da galáxia.

Dentre os meus agora parceiros de… sei lá, de blogagem, temos o já consagrado e admirado Grande Abóbora, o Odeio e Justifico e outros blogs quentes que eu não conhecia mas que são igualmente legais, e com quem eu terei IMENSO prazer em dividir esses bytes. <modo brega off> Daqui a pouco, aqui do lado direito, todos os links pros blogs parceiros estarão disponíveis em um menuzinho bonito pra caramba.

O que isso muda para quem já acessa o Olhômetro? Surge para os visitantes a possibilidade de conhecer e se identificar (ou não) com uma porção de outros blogs legais, que vocês talvez não conhecessem.

Legal, beleza. Um pequeno passo para o homem, um grande para a humanidade, blá blá blá.

Queria agradecer ao tanga Théo, que me convidou para participar da bagaça, ao Eric que foi quem deu a idéia, aos meus poucos e fiéis leitores e a todos os amigos e blogueiros que ajudaram desde sempre.

6 Comentários

Um dia de loser

*Esse post está sendo republicado para fazer parte da Promoção de Aniversário do Grande Abóbora. A princípio, ele havia sido criado com esse intuito; depois, mudei de idéia, e agora, mudei de idéia de novo. Desejem-me sorte (mais do que eu tive nesse dia horrível, por favor!): se eu ganhar, recebo dois livros (um dos quais eu já tenho, então posso trocar por qual quiser), e vamos combinar que livros nunca são demais, ainda mais pra mim.

No começo de 2006, eu tinha 17 anos e não gostava muito do meu então emprego. Não tinha nem começado a faculdade ainda; pra ser sincera, estava tentando desesperadamente conseguir uma vaga no lugar onde eu estudo agora, depois de perder o prazo de matrícula.

Por sorte, soube que uma escola de inglês da minha rua estava à procura de novos professores. Era a minha chance de ganhar mais, trabalhar com algo que sempre gostei e que fosse muto perto de casa. Fui até lá, fiz o teste e alguns dias depois fui chamada para uma entrevista com o diretor, mas na unidade de São Bernardo, que foi marcada para as 19 horas do dia seguinte.

Eu trabalhava na Av. Jabaquara e saía as 18h do trabalho. Chegar de trólebus em uma hora em São Bernardo seria tarefa para, tipo, o padre voador. Eu jamais conseguiria. Minha vó, então, como sempre, veio em meu resgate: ofereceu-se para me buscar no trabalho e me levar de carro até a entrevista.

Ótimo. Às 18h, me esperava pontualmente minha adorável vovó. Entrei no carro e o pesadelo começou a tomar forma.

O trânsito. Ah, o trânsito. Havia chovido durante o dia, e essa era a provável causa DE ESTAR TUDO ABSOLUTAMENTE E INACREDITAVELMENTE ESTÁTICO. Era 18h40 e estávamos ainda na divisa com Diadema, e as vias não davam sinal de trégua.

Foi então que tive a idéia brilhante do dia. Estávamos do lado do corredor de trólebus, que é exclusivo e portanto, livre de trânsito; eu desceria do carro, pegaria um trólebus e chegaria no lugar a tempo. Minha vó seguiria para lá de carro e esperaria o término da entrevista. Resolvido.

Desci do carro, entrei no ônibus e meia hora depois lá estava eu, no centro de São Bernardo, de baixo de uma garoa e sem saber exatamente para onde deveria ir se quisesse chegar até a tal escola de inglês. Me informei e descobri que uma longa subida me esperava.

Respirei fundo e, fôlego renovado, me pus a caminhar no canteiro centro do corredor de trólebus, para atravessar a rua no ponto certo e começar a longa caminhada.

Agora, peço uma pausa para falar sobre os sulcos.

sucos

Esses não são os sulcos.

Os sulcos são cavidades longitudinais formadas nas vias usadas por veículos de grande porte. O asfalto é uma substância em estado líquido (é sério), mas de espessura e viscosidade muito altas. Por isso, ele se altera de acordo com o peso aplicado sobre ele. Nas vias de trólebus, duas ‘valetas’ fundas são formadas no lugar onde passam as rodas dos ônibus que trafegam ali.

Pois bem. Havia chovido razoavelmente naquele dia.

Espero que você já tenha conseguido imaginar o resultado da combinação. Mas eu sou didática, então vamos lá: a água da chuva se acumulou em forma de enormes lagos poças na rua. E eu caminhava distraída quando tudo aconteceu – parece câmera lenta. Vi e tomei conhecimento, de canto de olho, da existência dum acúmulo anormal de água nas poças ao meu lado. Minha visão periférica também foi capaz de ver um trólebus se aproximando pela via em alta velocidade. O canteiro central é estreito. Ouço o barulho de outro ônibus se aproximando pela mão oposta, um pouco mais distante e junto tudo.

Não fui rápida o bastante. Tomei o primeiro banho a tempo de ver as pessoas do trólebus olhando para a minha cara de decepção com a vida. E não deu tempo de xingar, porque daí veio o segundo, da outra pista.

Eu nunca me senti tão fracassada e perdedora em toda a minha vida, e isso não é exagero. É impressionante o simbolismo que tomar um banho assim na rua carrega, acho que por causa dos filmes: sempre que acontece isso com alguém é depois do ‘que droga! o que mais pode acontecer agora???’

Cheguei na escola encharcada e ofegante meia hora depois, após uma subida muito íngreme e longa. Na porta, minha vó esperava sorridente. Ela havia chegado antes. Tentou me ajudar pelo menos a tirar as manchas encardidas da roupa (a água, como vocês devem esperar, estava suja).

Entrei e, fingindo que eu não estava com as roupas grudando no corpo de tão molhadas nada tinha acontecido, perguntei pelo meu entrevistador.

- Ah! Ele teve um imprevisto e só vai chegar daqui uma hora. Você pode esperar?

15 Comentários

Pork and Beans, novo clipe do Weezer, é uma amálgama de virais do Youtube

Esse é o vídeo do novo single do Weezer, que chama Pork and Beans, e cuja idéia é bem legal. Apesar da música não ser nada muito surpreendente, o clipe foi uma puta sacada: a banda reuniu vários personagens de vídeos famosos da internet, tipo o gordinho que canta ‘Dragostead Tin Dei’ (a versão origianal de ‘Festa  no Apê’, do Latino) de um jeito engraçado, Chris Crocker, o rapaz surtado que pediu pra todo mundo deixar a Britney em paz meses atrás, o afroninja, o dramatic chipmunk, a miss teen que falou merda num concurso americano e outras figuras que a gente conhece muito bem do Youtube.

O clipe, que está no ar desde o último dia 23, já está chegando na impressionante marca de 3 milhões de hits no Youtube. O vídeo clipe tem aquele clima de festa e alegria dos clipes do Weezer, nos quais todo mundo canta, dança e participa, além das referências à cultura pop internética nerd serem muito divertidas.

4 Comentários

Ópera do Mallandro traz releitura de hits do mestre da Porta dos Desesperados

Sérgio Mallandro

Vou tentar explicar o que o Sérgio Mallandro representou na minha vida. E não tem nada a ver com Lua de Cristal, pelo menos não a princípio.

Antes de ele se tornar a figura bizarra que é hoje (desconfio de que ele já era uma figura bizarra, e a ausência de um maior senso crítico aos 9 anos me impediu de notar), o Sérgio Mallandro apresentava um programa infantil incrível já na Rede Globo, o Show do Mallandro.

Entre outras confusões que Serginho aprontava em seu programa, havia o quadro mais misterioso e mais aguardado. Toda criança, tenho plena convicção, seria capaz de fazer absolutamente qualquer coisa para participar da Poooorta dos Desesperaaaaaaados. [Insira aqui risada maligna]

Para participar, você precisava ser o mais desesperado. Então uma música MUITO sombria começava a tocar, as luzes do estúdio piscavam e o Sérginho berrava “Tá desesperado? ENTÃO GRITA!” E aí, centenas de crianças aflitas na platéia (e em casa também, não duvide) gritavam e viravam os olhos e se debatiam em seus assentos. Quando mais esquisita e muito louca a manifestação de desespero parecesse, mais chance a criança teria. Claro que as crianças de hoje não seriam páreo para os pobres desesperados dos anos 90. Ah, se naquela época a gente soubesse o que é ser muito louco

Desesperado devidamente escolhido, Serginho colocava o infeliz a pobre criança em frente a três portas. Uma delas teria prêmios mágicos, incríveis e infinitos, inconcebíveis para uma mera criança suburbana: caloi-ceci, aquaplay, pogobol, pense-bem, caixas e caixas de jogos de tabuleiro (nerd desde pequena; meus preferidos) e todos os brinquedos do mundo. Era o meu grande sonho.

Mas o tiro poderia sair pela culatra. Caso escolhesse a porta errada, além de não ganhar porra nenhuma (muito sadismo né? não bastava a criança perder todos os brinquedos legais), o pimpolho em questão se veria obrigado a enfrentar a fúria de uma cruel e implacável…

Monga. A mulher-macaca, sabe? Tipo aquela do Playcenter. É, a das pegadinhas.

Às vezes (CLÁSSICO!!), também saíam monstros das portas. Ou versões anãs bizarras, que pulavam e agarravam as crianças (que, invariavelmente, se desvencilhavam das pequenas criaturas). O vídeo acima nos presenteia com uma adorável versão anã da cantora Mara Maravilha.

Em casa, eu imaginava uma possível ida ao programa, passo-a-passo. Sabia exatamente que coisas desesperadas e o quanto me debateria para ser escolhida; havia desenvolvido técnicas precisas de escuta para saber por trás de qual porta a Monga espreitava. Além disso, também planejava movimentos de esquiva para fugir dos anões perseguidores.

Bom, nunca fui ao programa, mas isso não importa.

Importa que, como vocês podem ver, dizem que trash é coisa dos 80s , mas Sérgio Mallandro bombou é nos 90 e não houve nada mais genial. Mara Maravilha anã correndo atrás de criancinhas indefesas que tinham acabado de errar a porta cheia de brinquedos? Puta merda, ninguém faz igual.

É por isso que fiquei feliz ao saber que, além do Sérgio Mallandro continuar fazendo shows para universitários e incluir neles uma versão adaptada da Poooorta dos Desesperaaaados, ele é o tema principal do Ópera do Mallandro, um curta-musical de um cara chamado André Moraes que relê as músicas do grande mestre do Trash 90s.

Ópera do Mallandro

No curta, um monte de gente que você conhece: de Lúcio Mauro filho e Wagner Moura a Thaís Araújo e Luciano Szafir – entre outros.

11 Comentários

O mundo está acabando e eu tenho certeza disso

Ok, vai parecer piada, mas não ria agora porquê isso é sério. Desde pequena, eu tenho essa sensação estranha de que não pertenço a… aqui. Não quero discutir se fui abduzida, se minha mãe foi abduzida e eu sou fruto da união dela com um ET (meu pai é esquisito, mas acho que ele é daqui mesmo), ou se sou apenas portadora de um distúrbio psicológico severo (ou tenho Lua em Leão e coisa assim).

Essa sensação de não-pertencimento existe desde que eu tenho auto-consciência (tipo 5 anos) e nunca desapareceu. Além disso, eu sempre carreguei uma toalha comigo, sem saber exatamente o porquê – só sabia que era essencial ter uma sempre a mão (Ok, e isso não é mentira. Eu juro).

Minha família extraterrestre
Desenho da minha família feito por mim aos 4 anos.

Uma sensação semelhante tem se intensificado nos últimos anos, mas essa é relacionada a um tema que permeia toda a humanidade: o fim do mundo. Eu tenho sentido que estamos no fim dos tempos. O fim do mundo como conhecemos. And I feel fine.

Vou explicar: não acho que o apocalipse bíblico se aproxima, e que veremos os corcéis de fogo cruzando os céus (tem algo assim, não tem?). Mas todas as coisas que estão acontecendo no mundo são pra mim provas de que tá todo mundo muito fudido.

Beleza. Mas se eu não acho que o mundo não vai acabar literalmente, como é que ele vai acabar então?

Eu não faço idéia, ok? Eu só tenho a sensação. E ela se fortalece a cada dia, a cada tragédia, a cada funk proibidão que eu ouço.

Quais são os sinais? Vejam bem, em menos de duas semanas, tivemos..:

- Terremoto na China. Sim, tem chinês saindo pela culatra no mundo, mas ai do nada vem um ciclone e mata muitos de uma vez. Alguns chamam de equilíbrio de densidade demográfica, mas sei lá, acho meio cruel. Fora que, quem vai vender iPod balatinho pla gente? Blincadeila.

- Ciclone em Mianmar. Pegue um país. Tire 300 milhões de dólares do PIB dele. Tire mais 600 milhões. Coloque muita água, coqueiros, bananeiras e palafitas. Coloque-o na parte miserável da Ásia. Tire muita comida de lá, coloque muitas epidemias e, como toque final, acrescente um ditador que não aceita ajuda de ONGs estrangeiras. Você acharia suficiente? Deus (ou sei lá, a metereologia, ou São Pedro, seja lá quem forem os responsáveis por essas adversidades climáticas) não achou.

- Tempestade nas Filipinas. Água demais, espaço de menos. Quase o mesmo problema de São Caetano, em escala gigante.

- Tornado nos EUA. Nada demais, virou rotina. Mas contabiliza pro relatório de tragédias de fim de mundo 2008.

Beleza, e essas foram só as tragédias pontuais. E o trânsito de São Paulo, que é uma tragédia diária? E a absolvição do cara que matou a Dorothy Stang? E os ataques de xenofobia ao redor do globo, não só na França, na Itália, na Espanha e na Inglaterra, mas também na África do Sul? E um Indiana Jones de 65 com condicionamento físico de 17?

E isso é só um… panorama inicial.

As coisas estão feias pro nosso lado. De acordo com os Maias, o ano é 2012. Vocês provavelmente já ouviram essa história, não? Pois é, o calendário Maia anuncia o fim do mundo para 2012. Ninguém sabe muito bem o que isso significa, embora alguns achem que tenha havido um acordo dos Maias com o Discovery Channel (contrato de especulação de lendas apocalípticas inclui pelo menos 65 documentários entre 2008 e 2012, dizem minhas fontes). Sabe-se, no entanto, que os Maias era uma minissérie da Globo eram uma civilização muito avançada em astrologia astronomia e matemática. Claro que isso não quer dizer nada, mas a gente gosta de acreditar que quer. Torna a coisa toda mais misteriosa.
Acreditando ou não, eu acho que alguma coisa cabulosa vai acontecer em 2012. Pode ser… o fim de LOST. Ou a ascensão da Rede Record como maior emissora de TV do país. Deus me livre. E é melhor que vocês se cuidem; porque, ao que parece, quando tudo acontecer, minha nave-mãe vai vir me tirar do meio da bagunça. É, acho que tem a ver com o senso de não-pertencimento. E com essa minha cabeça, que sempre teve um formato meio esquisito.

Esclarecimentos pós-postagem: devido à imensa (e bem-vinda) repercussão desse post, esclareço que 1. Sim, sempre carrego uma toalha comigo, 2. O desenho era uma brincadeira, achei no Google e 3. Não sei se tenho Lua em leão ou coisa assim.

109 Comentários

Saldo do final de semana

Não quero transformar isso num blog (muito) pessoal, mas hoje vai ser inevitável.

Dormi o fim de semana inteiro, como se deve ser, mas ainda assim me sinto cansada. A boa notícia é que estarei de folga nos 4 dias do feriado da semana que vem, e provavelmente recarregarei as baterias e terminarei os 35 rascunhos de posts que comecei nos últimos 5 dias. Ou não, mas quero acreditar no melhor.

Gostaria de agradecer a todos que deram idéias para posts, que serão devidamente aproveitadas em momento oportuno.

Vou dormir.

1 Comentário