OEsquema

Mi Buenos Aires queridos

Eu estive em Buenos Aires nos últimos dez dias pela primeira vez. E minha principal impressão é que a a cidade é tudo o que São Paulo poderia ser e não foi, e isso tem muito mais vantagens do que desvantagens.


Buenos Aires, sua linda

O sotaque porteño é uma versão mooquense do castellano. Também descendentes de italianos e de espanhóis, os porteños falam alto, com as mãos, com aquela entonação que os espectadores de Passione conhecem tão bem. São bonitos, os argentinos: vi lixeiros bonitos, motoristas de caminhão bonitos, taxistas bonitos, carregadores de verduras bonitos. E educados, também, o que joga no lixo mesmo aquele papo que diz que são arrogantes. Os argentinos são simpáticos e amáveis com estrangeiros: gostam de garantir que a gente se sinta muito, muito bem na cidade deles. Dos porteños, recebi desde dicas de restaurantes baratos até companhia voluntária para um lugar difícil de encontrar – uma senhora me acompanhou até meu destino, na direção oposta da casa dela, se despediu e foi-se.

Mesmo o jeito terrivelmente estúpido não prático de darem informações – algo do tipo “vire ali, depois três quadras lá, e mais três quadras para cima” – não é um hábito cultivado por mal ou à toa. É que as ruas da capital argentina são todas planas, a maioria de mão única. Daí, especificar direita ou esquerda acaba sendo substituído por gestos e ‘para lá’ e ‘para cá’.

Eu fiquei em San Telmo, o único bairro que eu visitei na vida que realmente merece o adjetivo ‘charmoso’, ainda que muitos bairros sejam assim classificados por corretores de imóveis. Nas ruas de paralelepípedos, ficam casinhas de estilo colonial super conservadas, que abrigam desde senhorinhas respeitáveis até dezenas de imigrantes no estilo cortiço. Não importa, na verdade. As lojas de antiguidade, as livrarias, os mercadinhos e açougues – tudo contribui para a atmosfera de ‘meu tempo já passou’ de San Telmo.


Tiozinho anda de bike em uma rua de San Telmo

A Argentina passa por uma crise de inflação curiosa. Não há moeda. Sacar dinheiro é impossível – de banco em banco, todos os caixas eletrônicos nos informam que não há ‘billetas disponibles’. O lado bom (para nós) é que, nesse cenário, o preço do real dispara. O lado ruim é que o preço das coisas lá também sobe. Ainda assim, elas custam metade do que custam aqui – de comida em restaurantes a mantimentos, de presentes a roupas.

Disseram que o ano novo Argentino é caído. Quem disse isso não foi pra mesma Buenos Aires que eu fui. Meus amigos brasileiros transformaram Puerto Madero em um caos. E eu, que fiquei em San Telmo, primeiro dançando salsa e cumbia no hostel, e depois vendo um grupo de cumbia ao vivo na Plaza Dorrego, tive um dos anos-novos mais surpreendentes da minha vida. Imagine 200 pessoas de nacionalidades diversas dançando ao som de um batuque maluco, uma espécie de maracatu com baião, enquanto três ou quatro argentinos no centro da roda dançavam uma coreografia que lembrava frevo com capoeira. Por uma hora e meia, sem parar.

O tal Puerto Madero, ao que parece, costumava ser uma região portuária perigosíssima. Aí o governo revitalizou a parada e agora é um lugar lindo, lindo, cheio de turistas babacas e restaurantes caros.

Puerto Madero

A Plaza Dorrego abriga todos os dias e noites grupos de estrangeiros e de locais afim de tomar Quilmes, ver apresentações de Tango e conhecer gente. De domingo, rola a feira de antiguidades, que tem de relógios antigos a discos de vinil e obras de artistas independentes.

Hipster porteño na Plaza Dorrego

Andar de skate ou de bike em Buenos Aires é moleza. As ruas são bem asfaltadas e, apesar do trânsito maluco, todos os lugares com exceção do centro e do microcentro têm calçadas e ruas largas. Mas a pé e de taxi também se faz muito – com a cidade plana e os taxis baratos, dá pra visitar muito por muito pouco. Atravessando a cidade, gasta-se no máximo 30 pesos.

Alugando bikes na rua da Universidad del Cine, uma travessa da Calle Defensa, em San Telmo

Come-se de tudo por pouco, e bebe-se de tudo, também por pouco. Mas também come-se uma torrada com queijo por 20 pesos e cobram pelos seus talheres, se você não ficar esperto. Conheci um mineiro gente fina que tem um monte de TOCs curiosos, um hippie peruano que vende pulseiras e viaja, um grupo de atores cariocas, um turco que mora há dois anos em um hostel e cuja história de verdade ninguém sabe, mesmo. Aprendi a falar um portuñol ainda mais elaborado. Cozinhei risotto para uma sueca, uma inglesa e dois brasileiros (eles aprovaram). Fui ao zoológico, mas também vi animais ao ar livre, perto da Reserva Ecológica Costanera, em Puerto Madero.

Buenos Aires é uma cidade para casar – e no dicionário das cidades, isso significa que ela é apaixonante, completa e do tipo em que se pensa em morar. Subiu ao topo da minha lista de ‘cidades para viver um dia’, tomando o lugar de Barcelona, que é demais, mas mais cara e menos acessível para mim. Não vá a Buenos Aires se você não quer ter vontade de viver lá.

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Eu em Aparecida

Eu, que fui criada para respeitar os mais velhos sempre e sem questionar, devo dizer que nunca foi um problema ceder assento ou o meu lugar nas filas para idosos (ainda que eu seja contra a meritocracia baseada no tempo em que se viveu, porque aquele velho/a pode ser muito bem um escroto, e nesses casos ele deveria ser punido por viver tanto sendo um escroto ficando de pé nos lugares). Mas basicamente, eu respeito as leis em relação a velhinhos sem maiores problemas. Simples assim.

É importante notar, contudo, que se você for à cidade de Aparecida e resolver ceder seu lugar na fila para todo indivíduo com mais de 60 anos que estiver atrás de você, é muito possível que você fique eternamente sendo recolocado no fim da fila, em looping, sempre sem chances reais de se aproximar do caixa.


Vamo dá preferença pros idosos, gente

O lance é: se você é velho ou velha e você está em Aparecida, por favor, abra mão do seu direito de preferencial porque a coisa fica ridícula a partir do momento que o sr./sra. está em maioria no local, competindo para ver quem nasceu em 1935 e quem nasceu em 1936 e, portanto, pode se aproximar primeiro do caixa 7.

Eu fui a Aparecida duas semanas atrás pagar uma promessa da minha vó. É, eu sei, ela faz a promessa e eu pago, é estranho. Acontece que foi uma promessa feita enquanto eu me encontrava na UTI, minha vó é demais, e vai demorar até que eu seja mesquinha o suficiente pra negar algo tão simples assim pra minha vó. Além do mais, eu imaginei que seria uma experiência interessante ir conhecer a cidade.

E realmente foi (sem brinks). Foi curioso, por exemplo, observar que toda a grana que a cidade arrecada com turismo não é revertida nem em infra-estrutura para os moradores (sério, a cidade tem várias partes bem miseráveis) nem em infra-estrutura para os turistas. As salas do santuário enorme são todas ventiladas com a maravilhosa tecnologia do VENTILADOR que, todos sabemos, num calor de 40º vira um circulador de ar quente. Pensa em dezenas de velhinhas com os cabelinhos ralos empapados de suor, grudados na testa. :/

Aparecida vive – abusa, até – do consumo bizarro que tem como álibi a fé. É todo tipo de lembrança e souvenir bizarro, coisas que devem fazer com que Nossa Senhora Aparecida queira desaparecer de vergonha (GENTE, OLHA O TROCADILHO MARAVILHOSO). Dentre as bizarrices, elegi como vencedores as velas em formato de partes do corpo, de pés e mãos e braços a BAÇOS, pâncreas, rins e pulmões, e a VELA ELETRÔNICA ECOLOGICAMENTE CORRETA, que é nada mais nada menos que um brinquedo de plástico, a pilha, com um LED vermelho em cima. O produto é vendido sob o mote de que é econômico e consome menos matéria prima do que as tradicionais e ultrapassadas velas de cera. Quando eu questionei a validade da vela perante Deus (tipo, ‘senhor, vou ligar minha vela para pedir proteção’ é patético), uma senhora que estava na frente da minha vó argumentou, convicta e sorridente, que ‘Deus acompanha essas modernidades’. Ainda assim, ela optou pelo o modelo tradicional e conservador, aquele que demanda fósforo pra acender.


Tô perdida. Deus podia ter acrescentado um mandamento esclarecendo se essas velas valem ou não

Chegando na sala das promessas, O HORROR. Manja aqueles filmes de terror na cena em que encontram o covil (vazio) do assassino e ele está cheio de recortes de jornal, fotos de vítimas e PRINCIPALMENTE souvenirs bizarros? Isso é a sala das promessas. A começar pela encenação de belíssimo bom gosto (bonecos horríveis de argila em tamanho real dentro de barcos feitos de papel laminado, algo entre o trabalho de artes da quarta série e uma escultura disforme de argila que você faz e pinta com guache quanto tem cinco anos), as coisas ficam piores quando chegamos na parte em que as pessoas contam suas histórias – as de promessas que deram certo.


Edward Mãos de Tesoura pediu uma noiva – e conseguiu (não tô zuando, isso ESTAVA LÁ E É ASSUSTADOR, EU SEI)

É meio escrota a lógica da promessa. Entendo mais que se trata da fé e da confiança que a pessoa adquire quando a faz, a mas a ideia de que um Deus onipresente e todo misericordioso está disposto a trocar favores esdrúxulos com seres que ele tanto ama é negar a própria natureza que é atribuida a esse Deus. Mano, que tipo de pessoa diz “Ok, eu salvo sua filha do câncer, mas você precisa acender uma vela da altura dela e subir uma escadaria de joelhos”? É ser muito sacana. Fora que é possível presumir que, para esse Deus, quem não acende uma vela em uma cidade quente no interior de SP merece menos do que quem faz isso, o que também é bem escroto. Na boa, quem inventou essa lógica da promessa provavelmente trabalhava com testes laboratoriais envolvendo ratos.


Vencendo Nsa. Sra. Aparecida pelo cansaço

Mas aí grande vencedora, no fim, foi um manequim todo vestido de motoqueiro, do qual eu me aproximei crente de que se trataria de uma linda história de superação envolvendo Os Abutres, muito álcool e algum acidente de moto. Quando li o sulfite anexado ao manequim bizarro, a promessa alardeada se tratava do seguinte: o MOTOCLUBE DE VARGINHA não conseguia fazer um encontro de seus membros há dois anos, gente. DOIS ANOS. SEM. ENCONTRO. DE MOTOQUEIROS. DE VARGINHA. Daí eles disseram pra Nossa Senhora Aparecida que se ela conseguisse fazer com que a parada acontecesse, eles iriam até Aparecida (de moto, ou seja, viajariam de moto, o que é tecnicamente o que eles mais gostam de fazer, pois fazem parte de um motoclube. E eu aqui achando que promessa tinha que envolver um sacrifício) e vestiriam um manequim de motoqueiro.

Deu certo.

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O mundo, os hackers e o viquiliques


“Cuméquichama… viquiliques lácumé”

Todo mundo mantém em segredo alguma parcela da opinião que tem sobre os outros. Às vezes, porque os defeitos não importam muito quando a gente gosta do outro. Às vezes, porque sinceridade demais é indelicado e, às vezes, porque sua opinião simplesmente não foi requisitada.

Imagina só se, de repente, todas as nossas opiniões desimportantes e um pouco críticas sobre os outros, aquelas que a gente diplomaticamente mantém em segredo pra garantir bom convívio social e sobrevivência, de alguma maneira viessem a tona? Consegue imaginar o casos? Provavelmente não sobraria ninguém gostando de ninguém. Seria um mundo repleto de rancor, fofocas, despeito e vingança.

O mundo diplomático está passando por uma crise parecida com essa aí por causa de um maluco chamado Julian Assange, um cara que criou um site – o Wikileaks, para quem ainda não fez a ligação, o Viquiliques, para o presidente – para onde qualquer um pode mandar documentos confidenciais, aqueles segredos de estado top secret. Pela primeira vez na história, as pessoas que definem como são as relações entre os países, e portanto, definem se estaremos vivos ou se seremos atingidos por um míssil nuclear na semana que vem, precisam tomar cuidado com o que dizem.

Elas não estão acostumadas a isso, e eu não as culpo; ninguém está. No lugar delas, eu também gostaria de ver o responsável por isso morto. No meu lugar, eu acho tudo muito engraçado e revolucionário (desde que não chegue na parte que envolve os mísseis nucleares).

A parte ruim é que estão querendo encurralar o pobre do Julian Assange (é o cara que criou o site, gente).

Jornalista só se fode

Acusaram-no de estupro lá na Suécia. Acabou que o crime foi não usar camisinha com duas mulheres com quem ele se relacionou em uma semana (a maior prova que ter um site famoso faz você comer mais gente), e isso pode ser considerado uma espécie de assédio sexual de menor intensidade lá na Suécia. Pra começar, se vira moda isso ser crime, eu não quero nem pensar no que aconteceria. Em segundo, a moça que o acusou tem ligações com a CIA e não é a primeira vez que trabalha para a organização nessa história de incriminar alguém sexualmente. Em terceiro, colocar a INTERPOL atrás de um cara porque ele transou sem camisinha, novamente, abre uma jurisprudência perigosa.

Julian não cometeu crime nenhum. Ele divulga documentos liberados por informantes – não é que ele invade os escritórios e rouba papéis das pastas -, trabalha em conjunto com grandes jornais como o El País e o The New York Times, que o ajudam a checar a veracidade das informações que recebe e divulgou, na metade do ano, crimes de guerra importantes cometidos pelos EUA no Iraque.

E a cruzada contra ele é GERAL. Da Amazon à Visa, todos estão tentando impedir que o cara continue fazendo o que faz, e ele já se entregou pelos crimes dos quais é acusado na Suécia (RISOS, CRIME, RISOS). E como mencionou o copanhêro lá em cima, são todas formas de mascarar violações severas da liberdade de expressão.

Ainda bem que podemos contar com o submundo da internet para garantir que nossos direitos não sejam cerceados. Há uma CYBERGUERRA em andamento, agora: um grupo organizado de ativistas hackers está focando as organizações que boicotaram deliberadamente o Wikileaks e provocando ataques organizados contra os sites dessas empresas. Mastercard e Visa já caíram; Paypal é o próximo alvo.

Julian Assange não é ingênuo – provavelmente, em algum momento nas últimas semanas depois do cablegate, ele soube que DEU MERDA. Por isso, se eu (que sou menos inteligente) estivesse no lugar dele, a essa hora já teria criado centenas de mirrors (cópias online) do Wikileaks, (QUER DIZER, http://213.251.145.96/mirrors.html, obrigada @felds) além de orientar algumas outras pessoas para que elas continuassem recebendo os documentos enviados pelos informantes. Se eu estiver certa, a treta felizmente está longe de acabar.

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O vento e os patos

O que fazer quando uma tempestade tropical – sim, porque proporcionalmente, é isso que atingiu essa família – pega você e sua vasta cria de patos de surpresa, deixa todo mundo catando cavaco no meio da poeira, desnorteado?

Você, mãe de família, pula de supetão, bota todo mundo de pé e continua caminhando. Porque assim é a vida, ela continua, ninguém morreu e tá tudo certo. Observe que eles sequer param para comentar o acontecido entre si. Ninguém lança um MAAAANO QUE VENTO FOI ESSE, CÊ VIU? ROLEI MUITO ACHEI QUE FOSSE MORRER PUTA MERDA! O negócio é bola pra frente, mesmo.

Esse vídeo serve como metáfora pra vida, sabe. Porque agir assim pode ser muito bom, às vezes, e às vezes pode ser muito ruim. Explico.

Se você estiver andando na rua com seus doze patinhos e bater um vento que faça vocês todos saírem rolando, se recompôr rapidamente é uma demonstração de que você é forte. É recomeçar ali mesmo, sem se lamentar pela tragédia. Chega a ser bonito.

Por outro lado, agir como se essa situação fosse completamente normal e não demonstrar sequer surpresa por ter sido arremessada (como pata) uns cinco metros pela ventania também demonstra frieza e falta de capacidade de se impressionar, além de provavelmente significar que você é uma pata muito sofrida e calejada. Se isso não te assusta, pelo que você já passou?

E a moral que fica é: na vida, temos que escolher qual pata queremos ser – a que se recompõe rapidamente mas não se surpreende nem reflete diante das adversidade ou a que, mesmo voltando à vida imediatamente como se nada tivesse acontecido, é corajosa, brava e guerreira.

Reflita.

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Os homens, as máquinas e os óculos de sol

Chilli Beans lança máquina de venda semelhante às de refrigerante

Essas medidas que apontam para uma gradativa substituição do homem pelas máquinas são sempre preocupantes, mas no caso da Chiili Beans pode causar um problema social grande nos círculos descolados. A Chilli Beans tem uma função social importante, que é a de empregar todas as pessoas cheias de tatuagens, piercings e alargadores, que não conseguiriam emprego em quase nenhum outro lugar além de a Chilli Beans e um estúdio de tatuagens, piercings e alargadores.

Além disso, ela também preenche a função de ser a empresa que emprega estudantes de moda que ainda não conseguiram um emprego na área (mas que, trabalhando na Chilli Beans, podem dizer que trabalham “na área”) e de empresas que empregam gente que fala usando as mesmas gírias e cadência do Paulo Vilhena e de artistas da Malhação.

As consequências econômicas da implantação em larga escala dessas máquinas de óculos serão desastrosas. Os festivais descolados vão perder público, bem como as marcas hypados. É possível que a blogosfera e o Twitter cresçam, contudo, meio a essa desocupação generalizada de gente descolada. Mas a crise econômica que essa medida irresponsável pode gerar na região do baixo-Augusta é sem precedentes; só um Bolsa Descolados poderia resolver.

Pelo menos, ao comprar óculos nessas máquinas, você não vai ser abordado de maneira invasiva por um vendedor jovem e cheio de disposição que parece que está sob efeito de ecstasy de tão animado de trabalhar na Chilli Beans, que quer muito saber se o “óculos é pra você mesmo, brother?” E a máquina, se você resolver comprar um óculos pra sua namorada, certamente não vai mandar um “Pô, mas que tipo de lupa sua mina curte, você acha que é algo mais moderno? Chegou uma coleção nova aqui irada, viu!”, ou então te oferecer dezenas de cases coloridos para óculos, pintados como uma banana ou como uma melancia, além de relógios, bonés, mochilas, sprays de limpar lentes e essa coisa toda.


Isso tudo considerando que o software que opera as máquinas da Chilli Beans não tenha sido inspirado no animado computador de bordo da nave Coração de Ouro, cujo entusiasmo irritante fica claro no fim do vídeo acima.

A máquina de óculos provavelmente não vai fazer todas essas coisas que eu falei. Mas a Funhouse vai precisar abaixar o preço da entrada.

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As maçãs podres

Mais uma sobre a ação no Rio: enquanto tá todo mundo aí com esses espírito muito assustador de ‘vencemos’ (semelhanças com o orgulho americano das tropas na invasão do Iraque são mera coincidência), todo mundo que vê isso como um grande Tropa de Elite 3 esquece que, se isso é o Tropa de Elite 3, alguns policiais ainda representam o capitão Fábio Rosa – é, aquele cara que é um sacana corrupto.

O duro é ver a população honesta do morro – certamente uns 99% dela, aliás -, mesmo diante de toda a humilhação e preconceito, apoiando a ação. Em vez de comemorar nossa vitória, a gente devia cobrar das autoridades que esses bandidos de farda, que mancham toda a corporação e destroem o sentido de ações consideradas vitoriosas, como essa, sejam afastados imediatamente. Eu tenho certeza que esses tipos são minoria, bem como são minoria os criminosos dentro de favelas. Mas enquanto eles existirem, eu não vou apoiar 100% ações como no Alemão.

Basta inverter a situação: e se um grupo de policiais simplesmente invadisse sua casa e revirasse tudo? Não estou falando nem de sumir com bens de valor ou plantar drogas, como é o caso deste rapaz do vídeo. Estou falando só de invasão de domícilio, já que esses policiais não tem mandado e o estado de sítio não foi declarado no Rio (ao menos oficialmente). Nesse caso, qualquer morador do Alemão teria direito de negar a revista da polícia. E aí você acha que o policial ia dar meia volta e ir atrás de um mandado? Não, daí a gente teria provavelmente um caso de violência policial e de abuso de poder, calcada numa tão justificada legitimidade que se assume num momento ‘de vitória tão importante como essa’.

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Consequências irreparáveis da situação no Rio

Tenho que dizer que o país vai lembrar pra sempre desse momento como um momento extremamente doloroso. Imagine as vítimas desse cancelamento de show, passando pela humilhação de ter que devolver o ingresso que compraram e retirar outro, para uma outra data – se é que as autoridades responsáveis se preocuparão em fornecer outra data a elas. Logo a internet será tomada por protestos e frases de revolta, mas será tudo em vão. Ainda que o show não seja cancelado, só a notícia já instaura uma sensação de terror iminente entre a população. Triste.

Enquanto isso, meia dúzia de policiais e traficantes se degladiam em uma favela próxima, como se isso fosse realmente importante perto do real cenário. Eu, no lugar desses agentes do BOPE ou desses criminosos, me envergonharia por tamanha inversão de prioridades.

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O que está acontecendo no Rio for dummies


O Meia Hora com serviço de interesse público pra trafica

Tem algo muito interessante acontecendo no RJ nesse momento, às 22h desse sábado, 27 de novembro de 2010. É uma situação única, que provavelmente será lembrada por anos e que está redefinindo alguns paradigmas que acabaram estabelecendo-se sobre a cidade do Rio de Janeiro nos últimos anos.

Eu vou fazer um briefing pra quem não faz ideia do cenário: no Rio, não existe crime organizado, como é o PCC em São Paulo. As facções e as milícias dominam os complexos de uma maneira ligeiramente diferente do que acontece aqui, onde as coisas são menos ostensivas. Lá, os grupos criminosos se beneficiam muito do controle territorial dos morros. Eles podem, com isso, estabelecer as próprias regras, vender gás, GatoNET, fazer os moradores reféns de uma situação que provavelmente não lhes agrada e impedir que aquele território tenha qualquer presença do estado, de escolas a hospitais, além de garantir que nenhuma outra facção tome aquele morro. Eles brigam entre si, e sempre brigaram, o que torna mais fácil para que o estado os combata. E não têm ideologia política que os una, o que dificulta as tentativas de se organizar e formar um grupo só.

Beleza, aí chegaram as UPPs. Basicamente, a polícia AVISA que vai tomar uma favela (isso é para evitar o conflito e facilitar a entrada, e tem funcionado, segundo a secretaria de segurança pública do RJ), o BOPE entra, instala um contâiner e começa a ocupação do território. Os policiais que comandam UPPs são todos recém-contratados e, portanto, supostamente sem os vícios e os traumas que ser PM no Rio pode causar. E aí a vida na favela começa, pela primeira vez, a se aproximar da vida urbana e cidadã: o estado pode fornecer (se faz isso, é outro papo) água, luz, telefone, coleta de lixo, escolas, hospitais. Muitos lugares têm instalações já, mas a prefeitura não conseguia contratar profissionais pra trabalhar nesses lugares por conta do risco.


E você pagando pau pro BOPE. Mano, olha esse babaca

Com a retomada do território pelo estado, a secretária de segurança (segundo eles) cobra as outras secretarias para implantação de políticas sociais e de lazer, para realocar a força de trabalho que perdeu o emprego quando a presença de tráfico ostensivo termina. Porque a UPP não tem o objetivo de acabar com o tráfico – ela quer, sim, acabar com o domínio territorial das facções sobre a comunidade.

Mas há alguns líderes que, é claro, não veem vantagem em permanecer no morro e deixar o crime, seja porque ganham mais no tráfico ou por curtirem essa vida mesmo (nada contra). Estes fogem para outras comunidades ou complexos dominados pela mesma facção. Uma hora, essa panela de pressão explodiria – essa hora chegou.

Acontece que essa panela de pressão é formada, em maioria, por garotos entre 16 e 20 e poucos anos, muito bem armados mas pouco treinados e sem ideologia. Gostam de ostentar o armamento e o ‘luxo’, representado por correntes de ouro e tênis importados. Estão assustados com a perda daquilo que era a fonte de grana deles: fazer os moradores reféns. Esse susto, a princípio, parece tê-los unido – mais um ‘já que estamos na merda, estamos na merda juntos’, mas ainda assim, sem um objetivo comum específico além do ‘vamo pegar nas armas e revidar’.

E nesse momento específico existem interesses muito maiores do que eles por trás. Interesses de bandidos mais perigosos que Elias Maluco e Marcinho VP, gente de gravata, que precisa garantir que o Rio seja (ou pareça) seguro porque Copa e Olimpíadas vêm aí. Não vai sobrar pedra sobre pedra desses garotos que estão impedindo isso – eles vão todos pra vala. Quando a gente vir as imagens, vão parecer todos iguais. Pretos, pobres, armados. E todo mundo vai dizer – ‘bem feito, é bandido’. Só as mães deles vão saber diferenciar um dos outros, no fim disso.


Observe este policial excêntrico. Judeu ortodoxo? Discípulo de Raul? Gaúcho garimpeiro loco? Talvez nunca saibamos

O lance é que, apesar de ser contra a morte (é isso aí: por mim, ninguém mais morria. No mundo. Isso tudo faz parte da minha nova fase zen, e ainda resolveria a falta de cemitérios, por exemplo – daqui um tempo, não teremos espaço pra enterrar tanta gente) eu me vejo bastante escrota quando penso que, a partir do momento que você é um criminoso no Rio de Janeiro e está em combate aberto com uma polícia notoriamente melhor armada, melhor treinada e mais numerosa do que seu grupo, em que lhe foi dada a chance de se render (isso está rolando – muitos já se entregaram) e em que a sociedade inteira parece aprovar sua execução sumária, se você CONTINUA trocando tiros com a polícia, eu penso que você está assumindo um risco bem claro. E que se algo te acontecer, bem, você sabia que isso poderia acontecer.


Esse é um dos que já se entregaram – chama Mister M, é braço direito do chefe do tráfico no Morro do Alemão segundo a polícia, segurava uma bandeira com a palavra PAZ quando foi preso e, como você pode ver, parece muito mais simpático do que muito vizinho meu

A polícia vai invadir o Alemão a qualquer momento. Além do sangue dos criminosos, pode ter certeza que muita gente inocente já morreu e vai morrer no confronto. E eu peço que você pense nisso quando se sinta inclinado a pensar, assim como eu, que a polícia deve mesmo invadir a parada e atirar, porque é o que resta fazer, porque é o preço a se pagar.

É um sacrifício que a gente, a classe média, aceita, porque não envolve matar com bala perdida ou executar sumariamente ninguém que a gente conhece. Um confronto direto desse poderia ter sido evitado com trabalho de inteligência da polícia durante a implantação das UPPs e a evasão dos criminosos pra outros complexos, e o nosso papel seria cobrar isso, e não apoiar que o BOPE saia distribuindo bala. Por mais emocionante que isso pareça para algumas pessoas, gostaria de lembrá-las que quando você liga a TV lá na Globo News, aquilo – apesar de parecer – não é Tropa de Elite: é gente de verdade morrendo.


Trem bala? O RIO JÁ TÁ CHEIO DELES RISOS

Esses enfrentamentos VÃO ACONTECER DE NOVO E DE NOVO, já que o estado vai continuar pacificando as favelas com as UPPs (e olha, eu não sou nada contra as UPPs, pelo contrário). Imagina quanta gente inocente vai morrer com tiro até lá? Quanta gente vai sofrer a humilhação de ter que esvaziar a bolsa pra ir pra casa, gente que vai ter que abaixar quando ouvir barulho de tiro?

Eu penso que, no fim disso – lá na frente, com esses meninos todos no caixão, as comunidades pacificadas, as guerras travadas e ‘vencidas’ pelo estado, o crime no Rio vai se tornar muito, muito parecido com o crime em São Paulo: controlado por uma única e grande facção criminosa que acaba se tornando uma grande empresa do crime, que age por debaixo dos panos mas que é praticamente onipresente. Me diga você: isso é bom?

No meio do caos, umas coisas legais de se ver: o @CasodePolicia, do jornal Extra, do RJ, tem feito um trabalho legal esclarecendo o que é boato e o que é verdade sobre arrastões e incêndios e realiza twittcams periódicas com informações de repórteres direto DO FRONT. Há também garotos que moram no Complexo do Alemão usando o Twitter pra informar a galera em tempo real do que está realmente acontecendo lá dentro. Tem o @igorcomunidade e o @Rene_Silva_RJ, que desde os 11 anos publica um jornal lá, o chamado www.vozdacomunidade.com.br, @vozdacomunidade. Eles ajudam a dissipar boatos e manter moradores e gente de fora atualizados. E tem gente que diz que precisa de diploma pra fazer jornalismo…


Já pedindo perdão pelo clichê, espero que ele continue lindo <3

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Um belo presente de Natal e como ficar invisível

Eu, como tô meio sem grana, já decidi o presente de Natal que vou dar pras pessoas próximas: a capa da invisibilidade do Harry Potter.


Olha ela aí


A descrição da oferta IMPERDÍVEL

Claro que o valor que esse vendedor está pedindo é um absurdo; dá pra encontrar umas coisas genéricas bem mais baratas lá na Santa Ifigênia – é o que eu vou fazer, aliás. Outra alternativa pra ficar invisível gastando pouco ou quase nada é um feitiço do livro de São Cipriano pra ficar invisível; minha vó jura que nos tempos de juventude dela um rapaz que era procurado pela polícia executou a parada e não era encontrado de jeito nenhum.

Mas eu fui dar uma olhada e quero ver neguinho conseguir fazer o feitiço: envolve matar um gato preto e enterrar ele sob determinada fase da lua, e tirar um osso, e COLOCAR O OSSO NA BOCA (entre outras coisas). Toda vez que você colocar o osso na boca, ficará invisível (o osso também, RISOS). E faz sentido: se você está colocando na boca um osso de gato, é importante que ninguém esteja te vendo. O lance é que, se não funcionar, São Cipriano pode ser considerado o maior troll da história.

Outra possibilidade mais acessível está disponível no site http://www.thesecretofinvisibility.com/. Por cerca de 25 doletas, você recebe um e-book com o segredo para ficar invisível, e ainda ganha de brinde o livro com as dicas para controlar animais e reviver bichos mortos (uma pechincha, né). Tem até relatos de usuários satisfeitos com o produto – sem fotos, é claro. HEH

Aguarde, porque eu vou comprar essa parada pra fazer um teste. Assim, quem sabe, posso voltar ao cinema e assistir – dessa vez de graça – Harry Potter and the Deatlhy Hallows PARTE I, que eu vi na quinta-feira a noite, na primeira sessão, como é de costume. Todos os anos eu acabo comprando ingresso pra estreia e vou com os amigos que, como eu, leem Harry Potter desde que tinham 11 anos e blá blá blá. Você já deve ter lido sobre essas pessoas estranhas; eu sou uma delas.


São elas que colam essas coisas nas paredes dos shopping antes da estreia do filme

Bem, o filme é o melhor de todos os 7 já lançados até agora. E é importante que você saiba que eu estou dizendo isso porque sou uma fã que veio dos livros; do contrário, eu provavelmente acharia que ele desperdiça uns 40 minutos mostrando a jornada de Harry, Rony e Hermione num momento em que virtualmente nada acontece. O lance é que no livro é exatamente assim: tem um longo período em que, hum, nada acontece. E o que é engraçado é que isso fica muito claro pro leitor e é tão real que o Rony se irrita e deixa o grupo justamente porque nada acontece. E não venha me falar de spoiler; isso está em um livro que foi lançado em 2007, eu acho que posso falar três anos depois.

É o mais fiel aos livros, e isso se justifica pela divisão em duas partes: no fim, terão sido umas seis horas de filme, e ainda que muita coisa fique de fora, o essencial para o fã estava lá. E eu achei uma boa maneira de deixar satisfeito aquela pessoa que é a única que, nesses tantos anos, se dispôs a comprar o ingresso para a estreia, ir fantasiado (BRINKS amicos) e a coisa toda. A GENTE MERECE!

E por último: não leve seu filho de 3 anos pra assistir! Ele pode gostar de Harry Potter, mas a primeira ou segunda cena mostra uma mulher ensanguentada presa de cabeça pra baixo sobre uma mesa cheia de caras maus, muito maus, que depois de rirem dela, matam-na com uma maldição imperdoável (é, o Avada). E isso não é material pra crianças, é coisa séria. Harry Potter não é bagunça.

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Planeta Terra Parte II – Cai a noite

Cai a noite no Playcenter e a coisa esquenta loucamente. Meu joelho diz “não” e eu digo “sim”. Tá complicado.

A superprodução (nem foi tão super assim vai, mas até agora foi das mais legais que vi) do Mika, com direito a balão inflável em formato de salto alto e banner gigante, foi demais!

Muita gente pulando e cantando junto. Uma cena bizarra que vou guardar na memória foi ver um cara todo tatuado tipo fã de Metalica cantando alegremente “We are not what you think we are, WE ARE GOLDEN!”. Estranho.

Mika e seu Billy Brown

O pouco que vi do Passion Pit foi emocionante. Essa era uma das bandas que eu mais queria assistir e infelizmente tive que abandonar o show bem antes do fim pra poder assistir Phoenix.

Make Light

Minha alegria em Moth’s Wings

O que falar do Phoenix? Começou explodindo com Liztomania e continuou o show lindamente.
Dizem que o Thomas Mars mergulhou na galera (se segurou na grua e deu um jump no meio do povão) durante 1901, porém, novamente, estava eu mudando de palco para ver Hot Chip e perdi.

Thomas Mars me fazendo chorar

23h00 e a platéia do palco indie vira uma pista de dança. É o Hot Chip e cia. limitada que vêm chegando.

Os ‘tiozinhos’ do Hot Chip

Em 10 minutos começa Empire Of The Sun. FUI.

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