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Arquivo: apocalipse

Sobre tatuagens bluetooth, Tarso e um futuro apocalíptico

Às vezes minha cabeça pára de funcionar. E não é quando eu durmo. É como se, atrapalhada pelo excesso de informação e principalmente preocupada pela quantidade enorme de coisas na lista de tarefas e obrigações praquele dia, a parte que se comunica do meu cérebro ficasse momentaneamente incapacitada de produzir.

Eu tô experimentando essa situação nesse momento, já que faz algumas linhas que venho tentando começar um texto sobre uma tatuagem bizarra sobre a qual li esses dias. É uma mistura de tatuagem de Harry Potter (elas se mexem) com chip futurista à là Tarso (clique para ampliar):

montagem

É uma tattoo de interface digital, implantada na pele via microcirurgia, que interage com Bluetooth e usa como energia pra funcionar o nosso próprio sangue, por um processo explicado bem por cima no link original. Sério. Ela tem interface touchscreen, mas não é touchscreen porque NÉ, não tem uma tela. Mas poderia ser touchskin, daria certinho e ainda rolaria um trocadilho maroto.

Não sei se essa parada funciona em seres humanos, se não é uma pegadinha de primeiro de abril, se dá câncer ou interfere no sinal do telefone-sem-fio. Na verdade, ainda estou meio chocada. Sei que depois que você tiver uma pode atender seu celular pela tatuagem. Ela pode exibir vídeos e fotos. Puxa, eu não me surpreenderia se ela tocasse música, tivesse 8GB de memória interna. Ela tem bluetooth! Daria até pra usar fone sem fio. Eu assistiria LOST no meu antebraço, e cara, o quão legal isso seria?

A gente fica discutindo aí a revolução do mobile, da música digital, como a internet vai mudar a maneira de fazer jornalismo… mas daqui a pouco a parada está debaixo da nossa pele e a gente nem vai precisar ser abduzido pra isso. A gente vai QUERER por essa parada debaixo da pele. Especialmente se for um modelo Apple.

É mesmo tão assustador e futurista e Jetsons-like quanto parece, e os Testemunhas de Jeová vão dizer que isso é a prova de que o Messias está chegando, e os evangélicos dirão que essa é a marca da Besta que será implantada em todos os pulsos das pessoas… tanto faz, é sempre a mesma coisa, mesmo. A questão é que está chegando uma era em que os profetas mendigos de rua vão começar a anunciar o apocalipse, e eu vou acreditar neles. Um era em que nos confudiremos com as máquinas. Em que nanorobôs viajarão pela nossa corrente sanguínea curando doenças e aquelas capas aparentemente fictícias da SuperInteressante farão sentido.

Pra mim, só interessa que inventem um dispositivo bluetooth que seja semelhante à penseira do Harry Potter – através de um botão na minha têmpora, eu transmitiria todo o excesso de dados para um cartão microSD localizado, digamos, na unha do meu polegar. Assim, talvez, eu conseguisse organizar meus pensamentos e ideias em pastas e minha mente não fosse essa bagunça. Com ou sem anúncio de apocalipse, aguardo por esse dia.

Por enquanto, fico com minha tatuagem analógica de Dr. Manhattan.

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Project Natal: parece que o futuro chegou, e eu tenho medo dele

Tá rolando a E3 nos EUA. Como sei que meu público é plural e diversificado, peço uma pausa para explicar aos não-nerds o que é a E3.

E3 é a maior feira de games do mundo, palco para as fabricantes apresentarem as tecnologias que possivelmente dominarão o mundo no ano vindouro.

Explico também ao leitor leigo que os videogames, antes considerados artigos de nicho, reservados somente a um grupo restrito de aficionados, acabaram popularizados entre todos os gêneros e idades pela Nintendo com o lançamento do Nintendo Wii, aquele videogame maneiro que tem um controle em formato de tijolo que reconhece os movimentos do jogador.

(Aproveitando, deixo um apelo: nunca joguei Wii. É, eu sei. Vergonhoso. Portanto, caso alguém esteja pensando em dar uma Wiiparty na Grande São Paulo, enviem o convite. Grata)

Obrigada pela paciência. Na E3, a Microsoft apresentou um esquema que chama Project Natal, um acessório para Xbox 360 que transforma o próprio jogador no controle.

Sim, aparentemente é tão preciso e assustador quanto o vídeo mostra. O acessório é capaz de reconhecer o corpo do jogador e transportar isso para dentro da interface do jogo, tornando desnecessário o uso de um controle plástico para direcionar seus movimentos. A idéia é – apenas faça o movimento e isso será replicado na tela.

Mais assustador ainda é o próximo vídeo, que dá uma dimensão de outra tecnologia de inteligência artificial que está sendo desenvolvida para funcionar junto com o Project Natal e que, tecnicamente, já poderia ser colocada a disposição para o consumidor final através de um console e do acessório necessário:

Nesta simulação (em inglês, e sem versão com legendas no YouTube, sorry), um personagem de dentro de um videogame conversa com alguém da vida real. Ele é capaz de reconhecer faces, então identifica quem essa pessoa é, e a chama pelo nome. Também é capaz de reconhecer expressões faciais e tons de voz, por isso, identifica a inclinação emocional da pessoa. Através de uma interação por câmera, a pessoa DESENHA ALGO EM UM PAPEL e mostra isso ao garoto do vídeo, que PEGA O PAPEL, olha o desenho, reconhece-o e comenta o desenho.

Parece filme de ficção científica daqueles que de tão exageradamente futuristas viraram trash-cult. Não são poucos os roteiros em que gente de verdade caminha e interage fisicamente dentro de um mundo virtual, e a concretização disso me parece, ao mesmo tempo que fantástica, assustadora.

Primeiro, tem a inteligência artificial dessa parada, que de tão próxima a nossa maneira de relacionar dá medo. Quanto mais próximo um organismo com IA é ao interpretar e responder a estímulos de seres humanos, mais a gente falha em reconhecer esse sistema como uma máquina desprovida de ‘personalidade’, ‘sentimentos’ ou seja lá o que isso for. A gente acaba atribuindo essas características àquilo sem querer, por instinto, porque bem ou mal aquela imagem ou robô se comporta como um de nós se comportaria.

Se isso já perturba pessoas que tem apenas leves desvios de personalidade (eu), imagina o que vai se tornar uma tecnologia dessa na mão das milhões de pessoas no mundo que tem problemas de interação social? Se você tem um computador que te trata melhor do que qualquer ser humano que você conhece, porque você vai tentar se relacionar com pessoas?

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Pra pedir cigarros

Num mundo onde as pessoas estão gradualmente mais individualistas, mais mal-educadas, mais egoístas, nem vai ser muito difícil desenvolver um robô que seja mais educado e simpático que a maioria das pessoas que a gente encontra por aí.

E eu fico pensando nas consequências sociais. Na adolescência, o período difícil, é possível que os jovens se enclausurem mais dentro de seus quartos, na frente dos videogames. Vão aparecer aqueles casos bisonhos, de gente que se apaixona por Lucy, a moça de dentro do videogame; do rapaz que entrou em depressão depois que o Xbox 360 deu 3 red lights e ele não pôde mais papear com Fred, seu melhor amigo virtual (virtual de ‘não existir’, e não como aquele conceito antigo, que diz que amigo virtual é amigo feito pela rede), e uma série de outras esquitices dignas da editoria Mundo Bizarro do G1.

Meu parecer? Prato cheio pra pós-graduandos em psiquiatria, psicanálise e campo de estudos muito vasto pros profissionais dessa área (vão ganhar grana pra caramba). Ademais, estamos entrando numa era que muitos escritores de ficção científica previram, e que muitos de nós duvidaram que seria verdade – um tempo em que se tornará cada vez mais difícil distinguir máquinas de gente.

Pela minha idade (se eu ignorar os índices de criminalidade do Brasil, as possibilidades de morrer em catástrofes naturais e o próprio fim do mundo em 2012), provavelmente estarei aqui pra ver isso. No fundo tenho medo, mas quer saber? Mal posso esperar pra testemunhar a tecnologia que deve selar nossa ascensão ou destruição definitiva. Ou não.

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Sexy Dolls, as Pussycat Dolls do hemisfério sul

O grupo é formado por Julia Paes (?), Sabrina Boing-Boing (??) e Carol Miranda (???).

A primeira é ex-namorada da filha da Gretchen. A segunda eu não sei. A terceira é a que fez filme pornô e ainda é virgem. E eu não acho que explicar isso tornou as coisas melhores.

De qualquer forma, não tenho muito a dizer. Em horas como essas, é importante agir rápido. Por isso, seguem abaixo algumas recomendações aos leitores que, como eu, clicaram no play:

1. Construa um abrigo nuclear. O porão de casas antigas serve perfeitamente para esse propósito.

2. Armazene mantimentos. Prefira alimentos não perecíveis e enlatados, para o caso de uma queda repentina de energia elétrica provocada pelos abalos sísmicos.

3. Entre em contato com as pessoas próximas – amigos e parentes – e procure manter todos juntos. Em horas difíceis como essa, o contato e a lembrança de pessoas queridas podem ser um combustível a mais na luta pela sobrevivência.

4. Protetores auriculares e máscaras para dormir – como essas – podem ser de grande valia para parentes e familiares que ainda não viram o videoclipe. Lembre-se: máscara contra Gripe Suína já era. O importante é proteger os ouvidos contra essa nova ameaça.

5. Se tudo falhar, corra o mais rápido que puder por sua vida. Procure a colina mais alta e fique por lá, orando para que a Gripe Suína ou outra epidemia acabem com ameaças como essa.

O Apocalipse se aproxima, mas teremos mais chances de sobreviver se permanecermos unidos.

Que deus nos ajude.

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Cinco motivos para não temer o Large Hadron Collider

Acho engraçado que tenham feito tanto alarde em cima do Cern, o Centro Europeu de Pesquisas Nucleares, e o Large Hadron Collider. É claro que a maioria das pessoas não fica exatamente satisfeita quando lê que uma máquina pode ser capaz de criar um buraco negro que engoliria a terra em algumas frações de segundo.


Olhando assim dá medo mesmo

É claro também que muita da implicância com o experimento vem da ignorância. Muitas entidades religiosas acusaram os cientistas do Cern de estarem ‘brincando de Deus’.

Mas eu, ao contrário do Quase-físico, francamente, não vejo motivos para temer.

1) Rápido e indolor
Para começar, se a coisa de fato acabar, vai ser muito rápido. Ninguém sai sentir nada. O buraco negro e sua gravidade altíssima acabaria com a terra em centésimos de segundos.


2) O fim não é tão ruim assim
Em segundo, se você for religioso e acreditar em vida após a morte, vai ter a oportunidade de, finalmente, se unir ao seu criador. Você deveria estar feliz, afinal, você tem esperado esse momento por toda a sua vida, e como bom cristão/muçulmano/etc, não há o que temer. Fora que, sendo Deus onisciente, ele não está exatamente surpreso, pois sempre soube que o Cern seria criado e destruiria a Terra. Lembre-se que tudo que acontece aqui é por vontade dele.

Se você acreditar que a morte é o fim, e que não há nada além da carne, então não há com o que se preocupar, já que o fim absoluto é algo indolor e bem passivo, e não mais existir não vai demandar muito esforço de você.


3) Vai ser melhor desse jeito
Em terceiro lugar, acho que no fundo vai ser melhor para nós. É, a Terra não tá exatamente do jeito que nós gostaríamos. A receita desandou. Acho que todo mundo que tem bom-senso concorda com isso. E as coisas só tendem a piorar. Lembra do que disse Neil Young (e reproduziu Kurt Cobain)? ‘É melhor apagar de uma vez do que ir desaparecendo aos poucos’. Acho que, na história do universo, seria mais digno que desaparecêssemos antes de termos mais oportunidades de destruir mais coisas. Pelo menos a gente ia sair melhor na foto.


4) É tudo mentira


Se você achou perturbadoramente grande, não clique para ampliar

O quarto motivo para não ter medo do Large Hadron Collider é que ele é inofensivo. Essa tese é defendida por gente importante, gente que realmente entende do assunto. Ao contrário do que se disse, a experiência do Cern não vai reproduzir o big-bang. Neste artigo imperdível do Aliás (o caderno mais legal do jornal O Estado de S. Paulo), o coordenador do Instituto de Cosmologia, Relatividade e Atrofísica, Mário Novello, que além disso tudo ainda é doutor em física, explica:

“Embora as experiências no Cern possam reproduzir condições de energia que existiram livremente no universo quando ele estava altamente condensado, elas não reproduzirão as condições do big-bang, se com esse termo se está identificando o suposto momento único de criação do universo. Tecnicamente, isso é impossível, já que na versão big-bang para o começo do universo as quantidades físicas seriam infinitas, um valor que não poderemos jamais atingir.”


5) Gente legal não destrói a Terra

Depois de tanta perseguição, os cientistas do Cern, responsáveis pelo projeto, resolveram se explicar. E o jeito mais legal que encontraram para fazer isso foi através de um rap. A letra explica direitinho a função do LHC, como ele vai funcionar e quais descobertas científicas poderão surgir do experimento. Infelizmente, as legendas tão em inglês. Esses caras parecem legais, divertidos e tal. Você acha que eles seriam capazes de destruir a Terra?

(Via Estadão)

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O mundo está acabando e eu tenho certeza disso

Ok, vai parecer piada, mas não ria agora porquê isso é sério. Desde pequena, eu tenho essa sensação estranha de que não pertenço a… aqui. Não quero discutir se fui abduzida, se minha mãe foi abduzida e eu sou fruto da união dela com um ET (meu pai é esquisito, mas acho que ele é daqui mesmo), ou se sou apenas portadora de um distúrbio psicológico severo (ou tenho Lua em Leão e coisa assim).

Essa sensação de não-pertencimento existe desde que eu tenho auto-consciência (tipo 5 anos) e nunca desapareceu. Além disso, eu sempre carreguei uma toalha comigo, sem saber exatamente o porquê – só sabia que era essencial ter uma sempre a mão (Ok, e isso não é mentira. Eu juro).

Minha família extraterrestre
Desenho da minha família feito por mim aos 4 anos.

Uma sensação semelhante tem se intensificado nos últimos anos, mas essa é relacionada a um tema que permeia toda a humanidade: o fim do mundo. Eu tenho sentido que estamos no fim dos tempos. O fim do mundo como conhecemos. And I feel fine.

Vou explicar: não acho que o apocalipse bíblico se aproxima, e que veremos os corcéis de fogo cruzando os céus (tem algo assim, não tem?). Mas todas as coisas que estão acontecendo no mundo são pra mim provas de que tá todo mundo muito fudido.

Beleza. Mas se eu não acho que o mundo não vai acabar literalmente, como é que ele vai acabar então?

Eu não faço idéia, ok? Eu só tenho a sensação. E ela se fortalece a cada dia, a cada tragédia, a cada funk proibidão que eu ouço.

Quais são os sinais? Vejam bem, em menos de duas semanas, tivemos..:

- Terremoto na China. Sim, tem chinês saindo pela culatra no mundo, mas ai do nada vem um ciclone e mata muitos de uma vez. Alguns chamam de equilíbrio de densidade demográfica, mas sei lá, acho meio cruel. Fora que, quem vai vender iPod balatinho pla gente? Blincadeila.

- Ciclone em Mianmar. Pegue um país. Tire 300 milhões de dólares do PIB dele. Tire mais 600 milhões. Coloque muita água, coqueiros, bananeiras e palafitas. Coloque-o na parte miserável da Ásia. Tire muita comida de lá, coloque muitas epidemias e, como toque final, acrescente um ditador que não aceita ajuda de ONGs estrangeiras. Você acharia suficiente? Deus (ou sei lá, a metereologia, ou São Pedro, seja lá quem forem os responsáveis por essas adversidades climáticas) não achou.

- Tempestade nas Filipinas. Água demais, espaço de menos. Quase o mesmo problema de São Caetano, em escala gigante.

- Tornado nos EUA. Nada demais, virou rotina. Mas contabiliza pro relatório de tragédias de fim de mundo 2008.

Beleza, e essas foram só as tragédias pontuais. E o trânsito de São Paulo, que é uma tragédia diária? E a absolvição do cara que matou a Dorothy Stang? E os ataques de xenofobia ao redor do globo, não só na França, na Itália, na Espanha e na Inglaterra, mas também na África do Sul? E um Indiana Jones de 65 com condicionamento físico de 17?

E isso é só um… panorama inicial.

As coisas estão feias pro nosso lado. De acordo com os Maias, o ano é 2012. Vocês provavelmente já ouviram essa história, não? Pois é, o calendário Maia anuncia o fim do mundo para 2012. Ninguém sabe muito bem o que isso significa, embora alguns achem que tenha havido um acordo dos Maias com o Discovery Channel (contrato de especulação de lendas apocalípticas inclui pelo menos 65 documentários entre 2008 e 2012, dizem minhas fontes). Sabe-se, no entanto, que os Maias era uma minissérie da Globo eram uma civilização muito avançada em astrologia astronomia e matemática. Claro que isso não quer dizer nada, mas a gente gosta de acreditar que quer. Torna a coisa toda mais misteriosa.
Acreditando ou não, eu acho que alguma coisa cabulosa vai acontecer em 2012. Pode ser… o fim de LOST. Ou a ascensão da Rede Record como maior emissora de TV do país. Deus me livre. E é melhor que vocês se cuidem; porque, ao que parece, quando tudo acontecer, minha nave-mãe vai vir me tirar do meio da bagunça. É, acho que tem a ver com o senso de não-pertencimento. E com essa minha cabeça, que sempre teve um formato meio esquisito.

Esclarecimentos pós-postagem: devido à imensa (e bem-vinda) repercussão desse post, esclareço que 1. Sim, sempre carrego uma toalha comigo, 2. O desenho era uma brincadeira, achei no Google e 3. Não sei se tenho Lua em leão ou coisa assim.

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