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Paulo Coelho, o sobrevivente

Semana passada, eu terminei de ler o livro responsável pela maior quantidade de olhares de reprovações, muxoxos e resmungos literários de toda a minha vida. Nem quando eu li ‘Deus: um delírio’ diante do pastor que pregava dentro do trem fui tão crucificada só por querer conhecer o conteúdo de algumas páginas.

Curioso? Prepare as pedras:

‘O Mago’ é a biografia do escritor mais amado e odiado do mundo, Paulo Coelho, escrita e apurada fantasticamente pelo jornalista Fernando Morais.

Nunca li nenhum livro do Paulo inteiro, mas desde que tomei contato com todos os meus ‘formadores’ de opinião – literária, inclusive – ouço que o que ele escreve é lixo. Desde pequena, familiares, professores e amigos que também são fãs de livros desrecomendaram qualquer coisa dele. Desrecomendaram o próprio e qualquer referência a ele, se possível. E o cara é tão odiado, tão odiado, que até ler a história da vida dele causa repulsa. Até meu chefe fez ‘aaaargh’ quando viu o livro.

Desde que decidi ser jornalista, decidi também que para isso seria fundamental me livrar de todos os preconceitos. Não aqueles feios, que dão cadeia, porque quanto àqueles nunca tive problemas. Falo dos pequenos, os cotidianos, aquelas generalizações do dia-a-dia – meus preconceitos musicais, os culturais, os sociais e os literários.

É óbvio que ainda estou distante de atingir o objetivo de forma plena (ainda odeio nova MPB e livros de auto-ajuda), mas por mais chato que pareça esse papinho, sigo tentando e tenho conseguido resultados extraordinários. Por exemplo: nos meus tempos rebeldes, não assistiria Superpop e portanto não tinha tanta noção da magnitude da estupidez do homem. Naquela época, também não teria tido a chance de ler um livro tão incrível.

Não sei se Paulo Coelho escreve mal, mas ele é um dos escritores mais prestigiados do mundo e isso é mérito dele. Não sei dizer porquê, por aqui ele não tem tamanho prestígio, o que para ele deve ser muito chato, uma ironia triste. E por mais que você, pseudo-intelectual, queira, não dá para negar a importância do cara. Cedo ou tarde, precisaremos reconhecer que ele deve ter algum talento, afinal, vender tanto, para tanta gente e ser aclamado assim não é para qualquer um.

O cara é tão popular que até a máxima dos shows de rock tem a ver com ele, afinal se o ‘toca Raul’ fizer referência a qualquer um dos clássicos do Maluco Beleza, então Paulo Coelho foi responsável pela letra.


Você sabe, então canta: VIVA! VIVA!

E, sendo ruim ou mau escritor, nenhum impede que sua história de vida seja interessante, ainda mais nas palavras de um escritor tão talentoso, com um texto tão natural. A ‘interessância’ da vida de Paul Rabbit é algo que se torna inegável ao ler o livro: um cara que sonha em ser um escritor ‘lido em todo o mundo’ desde os oito anos, foi internado em hospício e tomou eletrochoque, usou drogas , compôs clássicos do rock nacional que estão até hoje na ponta da língua de todo mundo, e ascensão a grande escritor e a fama e prestígio mundiais, a ponto de lotar livrarias ao redor do mundo para dar autógrafos, entre outras nuances fantásticas (como a verdade por trás das sociedades secretas das quais ele participou e ainda participa, coisas que nem são contadas no livro). As passagens extremas em ‘O Mago’ são tantas que o autor, a princípio, iria chamar o livro de ‘O sobrevivente’.

Mas só leia o livro se você gosta do cara ou não tem opinião formada. Os que já tem pé atrás correm o risco de começar a admirá-lo, e isso seria inadmissível. Se eu fosse um Paulo Coelho hater, não correria o risco.

Acima de tudo, o mais importante é tirar a prova por si mesmo. Fucei aqui em casa e achei umas cópias de O Alquimista e Diário de um Mago. Vou encapar com uma capa falsa bem chata pseudo-intelectual, tipo ‘Crime e Castigo’ ou algo do Nietzche que é para ninguém me encher o saco ou me olhar feio e vou finalmente ver, por mim mesma, se esse cara é bom ou ruim.

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Vale tudo

convitefrentenovo.jpgTô lendo a biografia do Tim Maia pelo Nelson Motta, chamada Vale Tudo. O livro me chamou atenção depois de uma folheada na livraria. Eu não lenbro do episódio da morte do Tim e isso é curioso. Me lembro bem do Senna, do Renato Russo, que foram figuras que morreram antes. Mas não lembro onde eu estava quando Tim Maia morreu.

Me pegar ouvindo Tim é algo inusitado. Minha formação é, essencialmente, roqueira. Por mais ‘eclética’ (sem o tom pejorativo que a expressão adquiriu, qualquer dia falo disso) que eu seja, dificilmente um cara que faz soul vai entrar no meu player. Eu até ouço eventualmente e aprecio. Se tiver tocando no rádio, não mudo e até batuco. Mas só essas biografias doidas pra me fazerem ouvir Tim Maia, cara.

Não me envergonho de dizer que não sabia nada da vida do Tim. Conhecia as músicas famosas, mais algumas nem tão famosas (se é que isso é possível), que ouvi bastante em viagens com os amigos e visitas a baladas de black music, e tudo isso provavelmente totalizava um CD, o suficiente pra eu saber que achava o cara bom e a música divertida, mas que onão era meu tipo de som. Normal. É como eu me sinto em relação a um monte de bandas.

Mas depois que a gente lê essas biografias com estórias legais, como a do Tim, passa a admirar o cara. É essa a pilantragem dos biógrafos, eles criam milhões de fãs paga-paus. Eu fico pagando-pau pros protagonistas das biografias que leio, não posso evitar.

Tim era gênio e o livro é animal mesmo se você não gosta das músicas del. O cara era malandro da mais fina estirpe, e isso já sevia quando ele comia parte das marmitas que entregava. Continuou quando feizsseuscorri pra ir pros EUA e se virou lá sem um puto na carteira, depois quando voltou pra cá e revolucionou a porratoda, que afinal Roberto e Erasmo já não tavam com nada. Jovem Guarda é coisa de maricas.

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