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Só um motivo para odiar Carnaval. Um só

Nada contra, heim. Não curto essa vibe ESCOLAS DE SAMBA DO GRUPO ESPECIAL, SPTV fazendo matéria sobre samba-enredo… mas não chega, digamos, a me fazer odiar o Carnaval. É um feriado, acima de tudo. Não há como odiar feriados.

Talvez Finados. É triste gostar de Finados. Enfim.

Mas o Neguinho da Beija-Flor conseguiu a proeza de compôr a pior “”"”música”"”" de Carnaval de toda a história de todos os Carnavais. E você só precisa dessa música pra ficar puto com o Carnaval. Sério.

Cante comigo enquanto assiste o clipe dessa ABERRAÇÃO SONORA.


MULHER

Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher

A mulher é a mulher
A mulher é a mulher
A mulher é a mulher
A mulher, a mulher
A mulher, a mulher!

Melhor que uma mulher
Só dez mulher
Só dez mulher
Melhor que dez mulher
Só mil mulher
Só mil mulher

Uma mulher, duas mulher,
Três mulher, quatro mulher
Cinco mulher, seis mulher
Sete mulher, oito mulher
Nove mulher, dez mulher

[refrão]
Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher

A mulher é a mulher
A mulher é a mulher
A mulher é a mulher
A mulher, a mulher
A mulher, a mulher!

Melhor que uma mulher
Só dez mulher
Só dez mulher
Melhor que dez mulher
Só mil mulher
Só mil mulher

Uma mulher, duas mulher,
Três mulher, quatro mulher
Cinco mulher, seis mulher
Sete mulher, oito mulher
Nove mulher, dez mulher

[refrão]
Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher

Eu eu consigo ver o Faustão perguntando pra ele no que ele se inspirou pra compôr esse samba.
Que bela homenagem. Ao menos o Martinho da Vila, quando fez a sua, não ficou repetindo a mesma palavra.

(Via MTV)

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10 coisas que eu adoro sobre o Carnaval


1. Folga no feriado

Funciona assim: tem uns 3 dias, parece, em que você pode comer carne e fazer todo tipo de excesso porque depois vai passar 40 dias como padre sem poder fazer nada. Isso se você for católico. Praticante. Muito. Daí, esse feriado religioso foi incorporado de forma generalizada pela sociedade num estado laico, e todo mundo tira folga nesses três dias pra poder cometer os excessos à vontade. Mas depois, na quarentena, ninguém entra em abstinência de nada (como a gente bem sabe), então nada faz sentido aqui, só o fato de não ter que ir pro trabalho.

Só que eu trabalho no Carnaval, então não acho que esse item se aplica a mim. Ignore essa informação quase insignificante.

 

2. Sorvetes de graça

sorvete apetitosíssimo
Aparência convidativa, mas foi o mais próximo do original que consegui achar

Quando tinha uns 10 anos, passando o Carnaval numa colônia de férias, teve uma gincana relâmpago em que qualquer criança que subisse no palco naquela hora pra cantar uma marchinha de Carnaval (seja lá qual fosse) ganharia um sorvete. Eu não sabia nenhum, mas a então namorada do meu pai – hoje mulher dele - me ensinou um trechinho: “‘Ó jardineira, por que estás tão triste? Mas o que foi que te aconteceu?’ ‘Foi a camélia que caiu do galho, deu dois suspiros, e depois, morreu’”.

Decorei esse trecho, subi lá e, enfrentando a vergonha e os olhares reprovadores dos coleguinhas – afinal, era só UM sorvete, e quem subisse primeiro e cantasse qualquer marchinha ganhava - e cantei esse negócio. Daí ganhei um vale sorvetinho.

Parece que na hora eu fiquei meio confusa: primeiro, porque era uma música trágica pra cacete pra ser cantada alegremente pelas pessoas, com dedinhos levantados, ainda por cima, como se fazia no carnaval. Depois, acho que nem sabia que a camélia era uma flor – provavelmente pensei que era o nome de uma mulher, tipo Amélia (só que com C antes), o que provavelmente também causou alguma confusão, já que fiquei me perguntando o que ela fazia em cima daquele galho.

O problema é que nunca aprendi o resto da marchinha, e até hoje me pergunto que fim levou a camélia e a moça, jardineira, que por ela chorava. E fico pensando, também, se na época em que a marchinha foi escrita as pessoas tinham mesmo tempo de chorar por camélias que caem de galhos.

 

3. Enfrentar reprovação de grupos socialmente opressores

Na mesma colônia de férias, mas num carnaval anterior, houve uma oficina de fantasias. Eu, sempre muito precoce e à frente do meu tempo, resolvi também confeccionar a minha, ainda que todas as outras meninas que participassem do grupo tivessem 13 anos e eu tivesse uns 7, talvez menos.

Era de se esperar que menininhas nessa idade, já com instinto maternal possivelmente aflorado, me acolhessem como a mascote da turma que confecciona fantasias de fadinha. Mas não foi o que aconteceu, como você observa com exclusividade nesse clique certeiro da minha avó (clique na foto para ampliar):

 Fadas mais velhas me desprezando

Mesmo assim, enfrentei os preconceitos e desfilei na avenida (acho que era só na área aberta da colônia, mas eu tenho imaginação, ok?) ao lado de todas as garotas grandes e invejosas da minha astúcia e sagacidade precoces.

 (Nesse item, agradecimentos ao meu irmão que passou na Unesp direto sem cursinho e nem é nerds PARABÉNS VC É FODA PQPQPQPQPQP, pelo trabalho imenso executado ao ter de me enviar a foto por e-mail)

 

4. Camisinhas de graça

camisinhas_1196438610_51

Aparentemente, o Ministério da Saúde está bem mais otimista em relação ao meu Carnaval do que eu. Na porta da estação de trem, ganhei duas camisinhas meio vagabundas e um livretinho ensinando que coisas transmitem AIDS e que coisas não transmitem AIDS (mas ali não tinha todas as coisas que NÃO TRANSMITEM, nem todas que TRANSMITEM, só as mais populares e relacionadas ao carnaval, acho. Não tava escrito que soltar pipa não transmite AIDS, por exemplo, mas acho que é porque as pessoas não soltam muita pipa no Carnaval. De qualquer forma, você entendeu o espírito), além de ensinar também a colocar a camisinha e de ter a Negra Li na capa perguntando “Qual é sua atitude na luta contra a AIDS”?

Resolvi deixar as camisinhas na gaveta.

Do trabalho. Porque vou trabalhar no Carnaval. E se eu me f*der no plantão, ao menos estarei protegida.

(A piada completa foi construída num diálogo descompromissado pelo Twitter com o Dieguito. Créditos também pra ele, portanto)

 

5. Hum…

Não achei mais nada que adoro no Carnaval. Desculpe. Os itens 6 a 10 ficarão vazios, mas pra página não ficar feia, vou colocar uns personagens irados pra você se inspirar na hora confeccionar sua fantasia (e não cair no ridículo de participar de uma oficina onde todas as meninas façam a mesma fantasia de fada. Vou te dar opções).

 

 

6. Sonic: the Hedgehog

Sonic: the hedgehog

7. Bob Esponja

bobesponja

8. Mickey Mouse

mickey

9. Bidu

bidu2

10. O Homem-Aranha

homem_aranha_saltando1

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Balanço do feriado: Carnaval, Britney e Amy, Big Brother, Lost, Skins

E não falo do suíngue do carnaval. Balanço do feriado é um resumo do que aconteceu esses dias, já que ninguém teve saco de ficar acompanhando notícias. Embarquem na vibe Leitura Dinâmica e vamos nessa:

Eu não sei quem ela é. Nem por qual escola e em que ano ela desfilou.
A modelo Silvia Soares foi um dos destaques da Rosas de Ouro este ano

Resumo do Carnaval: Em São Paulo, a Vai-Vai ganhou. No Rio, foi a Beija-Flor. Juliana Paes disse que desfilou fora de forma, uma mulher desfilou pela São Clemente com um tapa-sexo de 4 centímetros, um dirigente de scola de samba foi atropelado por um carro alegórico e a Viradouro substitutiu o carro com o Hitler sambista por um com um monte de gente com mordaças, simbolizando o cerceamento da liberdade de expressão. Diante de todos esses acontecimento importantíssimos, eu sofri de insônia por algumas noites, mas já estou retomando o ritmo normal.

Britney Spears: Ela estava internada como louca, certo? Bom, muito aconteceu nesse feriado. O pai ganhou direito de controlar a fortuna dela, porque os médicos constataram que ela não estava em condições de cuidar dos bens materias que possui. Daí, ele foi até a casa dela para trancar e tal e descobriu que tinham roubado uma monte de coisas, incluindo fotos e vídeos comprometedores. Desconfiaram do Sam Lutfi, que é empresário e amigo aproveitador e controlador da Britney e das coisas dela. Aí, hoje mesmo a mãe da Britney apresentou queixa oficial, pedindo para que a justiça obrigasse o Sam a ficar longe dela. No documento, a mãe afirma que el drogava a Britney, escondia as baterias do celular dela e cortava os cabos do telefone, orientava paparazzi para tirarem fotos dela, tratava ela super mal, inclusive dizendo que ela é uma péssima mãe e coisa e tal. E, hoje mesmo, a Britney foi liberada da. Os médicos não mais a consideram um perigo para si mesma. No TMZ.com tem a íntegra do processo que impede Sam Lutfi de chegar perto dela, e vale a leitura.

Amy Winehouse: continua na clínica de reabilitação. De novidade, teve que ela saiu às pressas pro hospital por causa de desidratação e vômitos, mas esses são sintomas comuns de abstinência e desintoxicação. E Amy foi interrogada por causa do vídeo dela fumando crack, mas nenhuma acusação formal foi feita.

Big Brother: assistir assim, na TV, eu ainda não vi. Mas recebi uns links de um barraco que rolou no feriado e resolvi ver. Daí que o Marcelo ficou putinho que foi pro paredão, falou uma pá pra Thalita, e ela foi lá e fez a fofoca pro Fernando, que voltou pra tirar satisfação. No final, não deu em nada, a Thalita acabou saindo e eu fiquei espantada de como aquelas pessoas levam tudo aquilo tão a sério. Tá, eu sei que é um milhão, mas mesmo assim ainda me dá vergonha alheia.

Lost: o seriado voltou na última quinta-feira e eu vi o novo capítulo, que está, como sempre, fantástico. Spoilers, resumos e todo o resto no Lost In Lost.

Skins: terminei de assistir a primeira temporada de Skins, um seriado inglês que é uma espécie de The O.C. mais hardcore. É bem legal. Downloads e outras informações aqui.

Estou ligeiramente incomodada com uma dor lancinante nas costas e no estômago e por isso estou indo ao pronto-socorro. Agora. Por isso resumi bastante os seriados.

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Eu poderia me acostumar a essa vida

Meu carnaval pode ser resumido assim: cinco dias sem fazer absolutamente nada. Não viajei, saí pouco, não estudei, não resolvi assuntos pendentes. Com exceção de alguns bons momentos ao lado de bons amigos – coisas simples e tal, – não fiz nada.

Alguns podem ficar entediados com essa rotina (com a falta dela, na realidade). Outros acabariam se desmotivando, a preguiça embola com uma vontade de ficar debaixo das cobertas e você não é capaz de fazer mais nada. Nunca. E isso soa terrível.

Não pra mim.

Eu poderia me acostumar a essa vida. Sim, eu não ligo de não fazer nada o dia inteiro… eu leria mais. Teria mais tempo para mim e para as pessoas que eu gosto. Não seria tão estressada. Não precisaria viajar por duas horas, todos os dias, para ir ao trabalho.

Eu provavelmente também não teria dinheiro. Mas quem liga?

O engraçado é que eu não consigo sequer imaginar (mesmo!) como seria, por exemplo, minha mãe brigando comigo para arranjar um emprego. É algo que nunca esteve nem perto de acontecer.

Se eu não fizesse nada da vida, e vivesse como eu vivi esses cinco dias, provavelmente todo mundo na família me acharia uma vagabunda – não no sentido bitch da palavra. Vagabunda de não fazer nada, mesmo. As pessoas têm essa espécie de cultura ao trabalho, porque o trabalho dignifica e sei lá mais o quê. Mas trabalhar é uma merda. A gente passa mais tempo com o chefe do que com a família. A gente vive em função das responsabilidades profissionais. E a gente faz isso muito tempo, ganha muito pouco e vai continuar fazendo isso até o fim da vida, quando vai começar a receber menos ainda pra não fazer nada. Aí a gente vai ter tempo de fazer tudo o que quiser, mas talvez não tenha grana e nem disposição.

Eu sempre acreditei que a vida não pode ser isso. Trabalhar é preciso, porque a gente dedica nossa força física e criativa em prol de criar algo, e isso sem dúvida é enriquecedor. Só que eu duvido que se matar a vida inteira e deixar, de fato, de viver, seja realmente a vida. Eu não posso acreditar que estamos aqui pra isso. Deve haver alguma coisa errada com a gente, pra pensar assim e nem se questionar. Ou talvez a gente só trabalhe demais e não tenha tempo pra isso.

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Humor negro?

Tá mais pra humor bem branquelo. Quase ariano.

Tudo bem você morar num país que pare durante duas semanas no ano (provavelmente mais) pra beber, pegar mulher e dançar ao som de música ruim. Tudo bem que todas aquelas pessoas da comunidade carente, que sambam durante 12 horas de maneira frenética e incessante na Sapucaí, não ganhem um tostão e dediquem sua vida a isso, e que os famosos fiquem na área vip, falando com o Amaury Junior sobre quanto o Carnaval é alegria e descontração. E tudo, tudo bem mesmo se as escolas de samba estão associadas ao tráfico de drogas, ao jogo do bicho, se recebem patrocínio de países comunistas estrangeiros e faturam milhões todos os anos. Isso a gente pode superar! Fácil.

Eu só não posso entender como uma escola de samba acha legal fazer uma ‘homenagem’ ao holocausto colocando no carro alegórico um monte de cadáveres e alguém vestido de Hitler sambando em cima deles.

Tipo. SAMBANDO.

Desculpem a falta de sensibilidade pra piada, sério.

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