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TPM: um guia para leigos (relato em tempo real de uma pessoa completamente surtada)

Até há pouco tempo, eu não sabia muito bem o que era esse negócio de TPM. Achava que era lenda. Feliz ou infelizmente, em algum momento no meio dos últimos três anos venho me deparando com uma semana todos os meses em que chocolate fica muito, muito, muito mais gostoso, e em que coisas absolutamente ridículas irritam profundamente, e durante a qual preciso controlar cada fio de cabelo pra não fazer um escândalo por coisa nenhuma.

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Pois é. Esta merda é TPM. E pior, meus amigos, do que sentir-se irritada por causa de absolutamente TUDO, é saber que essa irritação é muito irracional, e se irritar muito com ela. Quando a sua própria irritação te irrita, daí você desiste e se joga da sacada, porque não há saída.

Espero profundamente passar pra você a irritação pelo nada que estou sentindo nesse momento em que soco o teclado como se estivesse sentada diante de uma máquina de escrever. Digo isso porque é fundamental que você, leitor do sexo masculino, entenda a delicadeza desse período na vida de uma mulher.

Quando eu comia (muito) mais chocolate, o meu acabava e eu ia pedir pro meu irmão, e ele brigava comigo. ‘Por que você não come um quadradinho por vez? Daí vai durar mais que dois dias!’, ele dizia, irritado. Homens, não suponham que vocês têm a ligeira ideia da magnitude do sabor de um chocolate durante uma TPM, porque você não estão sequer próximos disso. Não me peça para explicar – tem a ver com o sistema de recompensa e a liberação de serotonina. Só sei que a sensação é impressionantemente reconfortante. E se você soubesse disso, providenciaria um estoque de barras de chocolate belga pra sua namorada.

Entenda, por favor, que nossos sentidos se tornam mais sensíveis, e de um jeito ruim. Eu acabo de me irritar profundamente com meu pobre padrasto, que usava uma tesoura de canivete (este acoplado às chaves de casa) pra cortar um punhado de fita adesiva. O barulho que as chaves não paravam de fazer, como se durante meia hora sempre tivesse alguém chegando ou saindo de casa, quase me fizeram voar no pescoço do homem – era como se alguém tivesse balançando o molho assim, ao lado da minha orelha. Há meia hora, me irritei com meu irmão entrando na cozinha enquanto eu jantava; com a minha mãe no computador; com um idiota no trem que entrou, ficou bloqueando o caminho e me fez perder todos os lugares livres pra sentar (eram vários, juro). O barulho da TV está me irritando. E no fim desse texto, quando eu tentava arquitetar melhor as idéias, minha mãe entrou no quarto reclamando que eu comi laranja na cozinha e deixei cair na mesa, e que vai encher de formigas, blá, blá, blá e eu quase virei Suzane Von Richthofen.

Credo, to brincando. Agora foi piada, sério.

Mas eu garanto a você, amigo do sexo masculino que me acha uma maluca, que dói mais em mim do que em você. E eu não estou falando sequer das cólicas arrebatadoras ou do incômodo que é estar menstruada em si.

Eu falo da plena e dolorida consciência de estar completamente doida durante alguns dias e, pelo bem da humanidade e das suas relações sociais, ter que suprimir isso. Você não conseguiria lidar. Homens pensam que isso tudo é muito fácil – mas cara, te garanto que se você passasse uma semana por mês completamente maluco, se irritando por nada e por tudo, com a plena consciência de que você está maluco, e tendo que reprimir isso pra não estragar sua vida, você não aguentaria viver mais de 3 meses assim. Desistiria.

Portanto, acreditem quando a gente diz que está muito puta. E tragam o maldito chocolate.

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Dos nacionais, o Milka é o melhor. E é baratinho.

Engraçado que ficou parecendo post patrocinado no final, e fiquei com vontade de esclarecer e dizer que não é – mas veja bem, EU DEVO EXPLICAÇÃO DE ALGUMA COISA PRA ALGUÉM? DEVO? POR ACASO?

Não né? Ainda bem.

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Sobre ser sexy (e o oposto disso)

Eu sempre achei que essa palavra, sexy, era uma daquelas que a gente tem que ter vergonha de usar. Como… balada. Ou Mara, essa praga infeliz que se alastrou não sei como e que me causa arrepios toda vez que ouço ou leio.

É que eu achava que sexy era uma palavra totalmente desnecessária. Temos termos em português que se adequam ao conceito que sexy tem no inglês. Quando leio aquelas listas de 10 mais sexies não concordo com quase nenhuma. Porque eu discordo do conceito padrão de sexy – que pra mulher, é gostosa, e pra homem é qualquer coisa que que orbite a beleza do Gianechinni ou do Brad Pitt.

Sexy, a palavra que eu odeio usar, se diferencia do conceito padrão de ‘homem ou mulher desejável, porque semanticamente carrega algo a mais do que simplesmente alguém bonito. Se trata de uma aura, algo que não é físico. O cara pode ser bonito e não ser sexy. E pode ser sexy sem ser bonito.

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Este cidadão se chama Alex Kapranos, é escocês e é feio pra porra – se a gente considerar os padrões de beleza e tal. Além disso, se veste de um jeito esquisito – não mal, mas estranhamente fashion. Mas não consigo pensar em ninguém mais sexy que ele depois desse clipe:

Daí concluo – não há palavra em português que substitua com perfeição esse conceito de sexy. Não tem a ver com beleza física, e nem com identificação de personalidade. É um combo bizarro de características, e que de alguma forma varia (ainda que levemente) de pessoa pra pessoa. Gosto para beleza varia bastante, mas reconhecimento de alguém sexy é algo que normalmente tem uma unanimidade maior.

Ou não. Ah, e eu não sei como funciona para identificar mulheres sexy.

Mas falando em ser sexy (e não em estar cansado de ser, porque evito esses hypes), temos aí na praça um novo site que mostra como esse fantástico conceito de sexy pode ser tão pessoal.

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Esse é um dos retratos de beleza e sensualidade incontestáveis que podem ser encontrados no Sexy People, um blog cujo único objetivo é reunir retratos de gente muito, muito não sexy. Pra provar que a democracia está presente até nos conceitos de atração sexual, o site conta com toda sorte de tipos físicos, etnias, idades e origens. E não se trata de gente feia. Tem umas fotos de pessoas bem bonitas lá. É só sobre não ser sexy, o que prova que beleza não tem nada a ver com isso.

É difícil definir exatamente o que torna alguém sexy, mas olhando essas fotos a gente tem um sentimento intenso de que é exatamente o oposto do que está nelas, e isso é interessante – se você sabe o que não é sexy, já é um passo a mais pra descobrir o que é.

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Os 5 melhores pedidos nerds de casamento

Nerds também amam. E essa é uma semana feliz para o amor nerd. Afinal, pelo menos dois pedidos geeks de casamento foram sensação na web. Inspirada pelo clima de wireless love is in the air , e um pouco baseada nessa lista do Switched, escolhi as 5 melhores propostas de casamento nerds da história. Atenção, amigo geek: se estiver pensando em juntar os trapos com sua senhora, apresento aqui cinco opções criativas. Apenas não mostre esse texto para ela, ok? Vai estragar a surpresa.

5 – Pelo seu site muito visitado

Não existe site mais nerd que o slashdot.org. E seu fundador, conhecido como CmdrTaco, resolveu pedir a namorada em casamento publicando o pedido no site. A mensagem começava com ‘Kathleen, eu quero fazer isso da maneira mais constrangedora possível, e achei que fazer aqui e agora, na frente de 250 mil estranhos era o melhor jeito.’ Ele acertou – 15 minutos depois, a resposta de Kathleen: ‘Assunto: Sim, Mensagem: Idiota. Você me fez chorar. :) ’ O casal recebeu mais de 13 páginas de congratulações.

4 – Pelo seu Twitter

No último dia 10 de outubro, Sean Bonner pediu sua namorada, Tara Brown, em casamento – pelo Twitter. E ela aceitou. Sean relata que recebeu mais de 10 páginas de ‘parabéns’ pelo Twitter de “amigos, amigos de amigos e gente que eu nunca vi”. E isso foi o que ele pode fazer em 140 toques – em seu blog, com mais toques, Sean conta como conheceu Sara e como surgiu a idéia de pedí-la em casamento pelo Twitter.

3 – Nos resultados do site de buscas em que você trabalha

Trabalhar em um site de busca pode ter muitas utilidades. Para pedir em casamento sua namorada Yisha, Barry criou uma página dentro do mecanismo de busca e deu um jeito para que Yisha buscasse por seu próprio nome no navegador. O resultado era o pedido de casamento, com a foto do casal. Quando se virou na cadeira, Yisha deu de cara com Barry, de joelhos, com flores e a aliança. Eles se casaram em 2006. E a história está toda aqui.

2 – Por um jogo que você mesmo desenvolveu

O jogo favorito de Tammy é Bejeweled. Seu namorado – e agora marido -, Bernie, passou algumas semanas desenvolvendo para ela uma versão do jogo para o Nintendo DS.

Mas essa não era qualquer versão de Bejeweled. Quando Tammy atingiu uma determinada pontuação, um anel surgiu na tela. E foi assim que Bernie a pediu em casamento. Ela aceitou.

1 – Ao vivo no telejornal

Essa jornalista americana teve uma surpresa ao chamar o link de ‘breaking news’. Em vez do repórter de sempre, quem apareceu foi seu namorado. Ele a pediu em casamento ao vivo, no ar. Claro que já estava tudo combinado com a produção. E ele, pelo jeito de falar, é claramente um nerd.

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Agora é oficial: pode meter a colher

Eu tenho um hábito curioso, mas que desconfio que seja mais comum do que imagino.

Quando eu me envolvo em alguma discussão ou impasse que envolve dois lados – usualmente, o meu (certo) e o de uma outra pessoa -, e o outro lado não cede, eu tendo a perguntar aos meus amigos se a minha posição é muito absurda.

Ajo dessa maneira porque eu sou flexível, e por isso, acabo entendendo que se a outra pessoa não cede, é porque algo deve ter de válido na convicção dela. Para me isentar da minha visão de ‘envolvida’, pergunto a um amigo. Que é meu amigo e vai me dar razão, claro. Então estamos todos felizes.

O que me favorece nesse sentido é outro aspecto comum nas pessoas: a necessidade de aconselhar e opinar sobre os problemas dos outros. O ser humano médio gente-boa é geralmente atenciosos e solícito às desventuras dos amigos. Logo, quando eu termino de explicar o imbróglio, por mais pessoal e privado que seja, as pessoas já descarregam suas impressões a respeito dele, sobre quem está certo ou errado etc. É uma espécie de passatempo social: escolher de qual lado ficar em uma história que envolve dois lados.

Acontece que muitas vezes não nos preocupamos ou nem lembramos de ouvir o famoso outro lado. Só o outro lado pode nos dar uma visão completa do que está acontecendo e permite emitir uma opinião válida.

O Sidetaker foi criado com esse propósito. Ele abriga todos os tipos de palpiteiros e apreciadores de palpites e ainda dá suporte às duas versões da história.

Sob o slogan ‘deixe o mundo decidir quem é o culpado’, o site permite que casais se cadastrem e publiquem seus problemas conjugais. Cada um dos membros da relação expõe seu lado da história.

E o nosso papel é METER A COLHER!

Basta fazer o cadastro e votar em quem você acha que está com a razão. Também dá para comentar em cada caso.

Os casos são dos mais curiosos – desde reclamações como ele não dá descarga após ir ao banheiro (não é preguiçoso, é econômico)’ até insatisfação com um namorado que acha que mandar flores resolve todos os problemas. Ler os comentários é diversão a parte, já que todo mundo sempre tem algo a dizer, e as defesas são acaloradas.

Eu imagino que o vencedor nos votos populares no Sidetaker.com utilize isso como argumento durante uma das discussões. Tipo, ‘você viu o que todas aquelas 60 pessoas que nunca nos viram e nunca nos verão disseram! EU ESTOU CERTA!’

Divertido observar que na maioria das vezes os usuários homens defendem os homens, e as usuárias defendem as mulheres. Típico.

No fim das contas, o Sidetaker é uma dessas experiências big-brotherianas da internet simples e geniais, que dão um bom passatempo numa tarde de tédio.

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