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Arquivo: chris mccandless

Sem opção: como o sistema te obriga a fazer o mal

As próximas linhas, de certa forma, serão um desabafo. É que todas as coisas que tenho visto e pensado, nos últimos meses – e não foi coincidência, mas sincronicidade – me levam cada vez mais à certeza que viver nesse mundo é muito prejudicial pra você, se você for alguém preocupado com o bem estar alheio.

Pode parecer óbvio para as pessoas iluminadas – a gente aprende já na escola que o capitalismo é um sistema baseado na exploração de mão-de-obra – mas essa coisa só me atingiu, na totalidade, nas últimas semanas.

O negócio é que, se você vive nesse sistema, não basta ser alguém bom, que não faz o mal diretamente. Nada basta, porque viver em sociedade hoje é, direta e indiretamente, causar sofrimento a um monte de bichos e gente ao redor do mundo. E o que fazer a respeito disso?

Compre um carro e remonte, na sua cabeça, o caminho que todas aquelas toneladas de ferro e borracha percorreram para estar ali, e você vai perceber que houve países de terceiro mundo explorados, gente recebendo centavos pela extração de determinado commoditie e você, indiretamente, causando o mal (fora a poluição que vai gerar depois, mas nem entremos nesse mérito).

Compre um tênis e leia onde ele foi produzido. Dos R$300 que você pagou, a mão-obra-explorada tirou menos de R$2. E você só quer vestir um tênis legal e sair com os seus amigos.

Coma um belo bifinho, frito pela sua mãe com tanto amor, com arroz e fritas, e pergunte-se o quanto aquele boi sofreu pra carne estar ali. OK, e se não liga pros bichos, pense nos salários baixos e condições desumanas dos funcionários de matadouros.

E quando eu digo ‘pense’, cara, me desculpe. Não quero te deixar com a consciência pesada, porque apesar de ter culpa, você não tem. É só uma constatação de que estamos imersos em algo que nos obriga a provocar o mal, massivamente. E não há escolha. Porque você é um cara legal, que é educado com todo mundo, ajuda sua mãe em casa, dá um beijo na avó quando tá com vontade, tem vários amigos e só quer ter um tênis que achou bonito, comer a comida que acha gostosa, ter um carro legal. Não há nada de errado nisso na essência, e justamente por isso é assustador: a gente causa o mal sem sequer desejá-lo.

Comecei a pensar em alternativas, OK? Eu juro. Algo pro futuro, porque não é assim também – não vou virar hippie, e a história de Christopher McCandless é admirável, mas eu não tenho, nem de longe, essa iluminação espiritual, essa coragem e esse desprendimento. Só que eu não encontrei nenhuma saída viável. Pensei em ficar rica (muito rica) e comprar uma fazenda auto-sustentável, mas o mundo é tão babaca que a própria fazenda auto-sustentável demanda muito dinheiro, adquirido – veja só – fazendo mal para as pessoas indiretamente. O caminho até ficar rica é cruel, sem mencionar que não é algo que eu possa simplesmente fazer acontecer. Nada garante que eu vá ficar rica.

Olha, nem penso nas obviedades. Viver sem iPod, sem internet – isso seria o de menos, sério. Estive pensando que, com a cabeça ocupada em tirar leite da vaca, regar horta e essas coisas de gente sustentável, que precisa produzir seu próprio alimento, nem teria tempo para internet. Mas se fosse para abdicar completamente da civilização, isso significaria excluir remédios.

E eu não tô disposta a voltar ao século XIII e morrer com uma infecção idiota provocada, sei lá, por uma picada de pernilongo que coçou demais, só porque não havia antibiótico. Sem mencionar a facilidade proporcionada pela invenção do absorvente, e isso seria impossível de abdicar.

Eu não posso escolher viver totalmente fora disso. Não sendo radical, é possível viver uma vida menos dependente dos bens de consumo, sim. Mas acho que se você pode ter um papel higiênico, vai poder ter também lenços de papel. Daí vai comprar papel toalha, uma privada, vai precisar ter água encanada, luz… e aí, meu amigo, ferrou.

Fico pensando que poderia tentar viver numa comunidade indígena, abdicar dos meus hábitos de civilizada e começar uma nova vida. Mas esses índios de hoje estão muito integrados na sociedade, né? Acho que não seria, ainda, o ideal.

Como eu disse no começo, é um desabafo diante da minha impotência e do duplipensar. Porquê se de um lado eu estou extremamente insatisfeita com o que o estilo de vida que eu levo causa no mundo, de outro eu não vejo compensação prática em abandonar todo o conforto que ele me proporciona – exceto, é claro, o meu karma, que vai ficar muuuito mais leve (pra quem acredita nessas coisas).

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O texto pode soar demagogo, e até ingênuo, mas juro que é sincero. Foi escrito numa tacada só há cerca de um mês, mas não tive coragem de publicar na ocasião. Achei legal soltar hoje, porque reli e achei que é provavelmente uma das coisas mais automáticas que eu já escrevi, quase uma psicografia (só que não de terceiros).

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Into The Wild (Na Natureza Selvagem)

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Em outros tempos, um filme cuja trilha sonora fosse composta inteira pelo Eddie Vedder seria visto por mim, tipo, antes da estréia. Digamos que as coisas mudaram: o dólar caiu, Fidel renunciou, Nostradamus errou e eu me contentei, por muito tempo, em só baixar o CD que o Eddie compôs pro filme do Sean Penn, Into The Wild.

Into The Wild, o CD, é tipo composto e tocado inteirinho pelo Eddie. Todos os intrumentos. É bonito, instrospectivo e totalmente igual a todas as músicas solo que o Eddie já fez. Ainda que muito semelhantes entre si, tanto na temática das letras, como na maneira como o instrumental conduz a música, elas normalmente valem a pena.

Tinha baixado alguns filmes para assistir no final de semana (Across the Universe era um deles, Juno era outro), mas como acabei quebrando meu computador e tive que dar outro jeito. Assim, baixei Into The Wild, recomendação insistente de duas pessoas cuja opinião eu levo muito em consideração. Assisti e tomei uns seis tapas na cara.

Pra mim, especialmente, o filme teve algum significado. É porquê eu sempre me questionei muito sobre os propósitos da vida que a gente é obrigado a levar, e até sofri muito com isso (e sofro, algumas vezes, é só olhar meus posts revoltados sobre trabalho). Chris McCandless é um jovem rico, bonito e inteligente, que aos 21 larga tudo rumo à grande aventura no Alaska, como ele chama. O storyboard é baseado no filme livro de Jon Krakauer, de mesmo nome, em que a estória de Chris foi contada pela primeira vez. McCandless percorre os EUA vivendo à própria sorte; às vezes, trabalhando por um pouco de grana, às vezes dormindo em albergues. Ele chega até o México, através do Golfo da Califórnia, e depois sobre de volta até o Alaska. Chris não avisou ninguém quando partiu, e acho que dá pra perceber que fez isso pra tornar as coisas (a despedida) mais fácil em todos os aspectos.

chris_mccandless.jpgA discussão principal do filme, acredito, gira em torno da coragem e da obstinação de Chris, que são admiráveis – mas, ao mesmo tempo, levam à sua ruína. Ou seja: será que vale à pena? O ser humano domesticado é capaz de viver Into The Wild? Legal notar, também, que a sociedade não permite que um indivíduo escolha viver fora das regras impostas por ela. Não existe escolha – você nasce dentro de um modelo social, se cria nele e não pode, em hipótese alguma, escolher viver de outro modo. Chris tentou, e acho que os méritos dele vêm daí.

Esse é um auto-retrato de Chris enquanto ele estava no Alaska. No filme, ele é interpretado pelo Emile Hirsch, aquele que fez ‘Show de Vizinha’, um menino duns 20 anos que promete ser, tipo, o próximo Heath Ledger. No bom sentido. E eu pretendo completar a trilogia: li o filme, ouvi o disco… e quero ler o livro.

Eu tô apanhando do template. ‘Apanhando’ é generoso. Eu tô tomando um pau. Tenho vários plugins que não estão funcionando, as fotos tão com vários problemas… alguém aí tem experiência com a plataforma (wordpress.org) e pode se dispôr a dar um help? Se eu não conseguir arrumar nada, provavelmente vou ter que mudar completamente de layout…

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