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Arquivo: como ganhar dinheiro na internet

Inquisição virtual: quando vão começar a mandar os piratas pra fogueira?

Ok, teve o julgamento contra o Pirate Bay. Mas no geral, na gringa, parece que o pessoal tá desistindo:

Gravadoras americanas jogam a toalha contra pirataria

Parlamento francês rejeita lei para bloquear internet por download ilegal

Mas como é de praxe, as coisas por aqui sempre chegam com um pouco do atraso natural que é característico do 3º mundo. Se blog e Twitter são agora a sensação tupiniquim, então dá pra estranhar que o governo comece a fechar o cerco para os usuários de internet em tentativas esdrúxulas de conter o incontrolável – com ações-formiguinha como prender moleques que baixam música, ameaçar comunidades que compartilham links de downloads e tirar sites de legendas do ar, que têm o claro objetivo de intimidar grupos de pessoas que em grande parte só compartilham conteúdo sem fins lucrativos.

Quanto mais leio sobre iniciativas de grandes corporações para inibir o acesso do grande público à democracia e liberdade cultural que a pirataria proporciona, mais eu penso que não pode ser verdade que alguém que conheça a dinâmica da internet acredite que ainda é possível reeducar toda uma geração no sentido de ensinar que baixar música é errado.

Em vez de concentrar os esforços em alternativas economicamente viáveis e interessantes pro consumidor e pro artista, os babacas continuam perdendo tempo, prendendo meninos com HD cheio de CDs e usando-os como bode-expiatório de uma situação que é claramente incontrolável.

O projeto de lei francês mencionado no topo foi o que mais me chocou nos últimos tempos. Ele prevê punição os piratas com o banimento do uso da internet por uma quantidade determinada de tempo (dias a meses). E por um breve momento eu tive medo de que a inquisição virtual começasse, de que houvesse de fato o início de uma ditadura maluca na internet – que deveria ser a coisa mais livre do mundo.

Felizmente, foi rejeitado, ao menos em primeira instância, pelo que entendi. Mas aqui no Brasil o projeto do Azeredo continua a pleno vapor.

E eu desconfio que o bicho vai começar a pegar. Sabe por que? Porque as grandes corporações estão começando a perder muito, muito dinheiro por causa da internet no Brasil. Não que já não perdessem, mas a coisa está se espalhando por outros segmentos, coisa que não rolava aqui antes. Olha:

Internet faz receita com ligações internacionais despencarem, diz IBGE

A inclusão digital, a popularização da internet por banda larga, o computador do Milhão e as lan-houses até no inferno conectaram nosso país e estão gerando um fenômeno massivo de gente conectada, coisa que a gente não conhecia antes. O Brasil usa a internet, hoje. Não é mais só a classe média.

Só que o jovem vem pra rede com a mentalidade do nativo digital. E o nativo digital não pensa como o dono da corporações, e nunca vai pensar. Nesse post, Felipe Tofani menciona algumas das características desse grupo. Mas a mais marcante, e que mais contrasta com a vida real – sim, porque a vida na internet é só um reflexo da vida real – é essa aqui:

O poder vem através do compartilhamento de informação, não da mentalidade de escassez. Para ganhar influência e status online, você precisará doar seu conteúdo e conhecimento.

No mundo real, o de carne-e-osso, a mentalidade é a da escassez, a da usura, porque é com a usura que a sociedade capitalista lucra, e time is money – você não perde seu tempo ensinando ou doando nada pra ninguém. Os não-nativos não entendem o poder do compartilhamento, nem compreendem a vontade de compartilhar por compartilhar. No mundo de verdade, há pouco ou nenhum status em compartilhar. Na internet, por um motivo divino e bonito, vale o contrário. Vale a generosidade.

Enquanto os profanos virtuais, os não-nativos, não puderem compreender essa dinâmica, cada dia será um a menos na contagem até a inquisição virtual, em que laranjas serão punidos para ‘dar o exemplo’ à grande comunidade que comete ‘crimes horrendos’, com downloads de música tendo punições comparáveis a homicídio em alguns casos.

Seria fácil se eles aprendessem com os erros dos gringos e observassem que se lá não deu pra proibir, aqui não vai dar. Mas esses caras parecem ser daqueles tipos teimosos, que não aceitam perder milhões. Nós já vimos esse filme. Mas dono de gravadora não pode pedir ajuda pro governo quando perde grana. Sacanagem.

Some isso ao lobby que as grandes e velhas corporações farão contra a cultura do conteúdo livre na web e voilà – no Brasil, nós – usuários de internet – ainda teremos um longo caminho antes que os engravatados percebam que não podem lutar contra o inevitável.

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Como ganhar dinheiro na internet (e perder todos os seus amigos)

Então lá fui eu, toda feliz, digitar no Google “como ganhar dinheiro na internet”, contrariando o senso comum (e aqui inclua meu pai e minha mãe) que diz que:

- Dinheiro fácil não existe;

- Se alguém ganhasse dinheiro sem fazer nada, essa pessoa não contaria pra ninguém o segredo;

- Só ganha dinheiro quem trabalha muito;

Como eu já me convenci exatamente do contrário, ou seja, de que quem trabalha muito não tem tempo de ganhar dinheiro, resolvi confiar no meu talento (?) e acreditar que eu posso ser mais uma daquelas pessoas que ganham milhões de um dia pro outro porquê acreditaram e se empenharam no Programa de Pirâmide da empresa y.

Riquinho, meu filme preferido
Riquinho é meu filme preferido (e eu não tô zuando).

Tem só um problema nessa história toda. Olhando todos os programas de ganhar dinheiro na internet, desde os que você recebe para clicar em anúncios, para ver sites, para ler e-mails, daqueles que você manda dois reais pra próxima pessoa da lista – todos eles – funcionam melhor através do esquema de indicações. Ou seja: você ganha mais se conseguir fazer algum idiota amigo entrar no programa, e ganha mais ainda se o idiota amigo conseguir mais idiotas amigos, e por aí vai.

De onde eu concluo que todas as pessoas que ganham dinheiro com a internet não têm amigo nenhum, porque puta merda, existe nego mais chato do que aquele que fica te pedindo pra entrar em tal lugar, se cadastrar e colocar o nome dele na indicação? Agora, imagine alguém que faz isso várias vezes por semanas, porque convenhamos, pra ganhar o mínimo de dinheiro você precisa participar de pelo menos 20 programas que pagam pra você perder amigos entrar em sites. Então fica aquele cara, dizendo pra você votar na frase dele, se cadastrar no programa de navegação premiada, no outro que dá dinheiro pra quem busca, e você acaba querendo ficar bem longe da pessoa.

Indique amigos e perca-os em seguida
Troque 10 amigos por um iPod Touch!

As promoções entram no mesmo patamar. Hoje em dia, elas se encaixam em duas categorias:

- Promoções que você nunca vai ganhar que pedem indicações de amigos para aumentar suas chances;

- Promoções que você nunca vai ganhar cuja proposta é fazer algo idiota e enviar um vídeo disso;

Às vezes, a categoria 2 ganha uma sub-categoria, que é “Promoções que você nunca vai ganhar cuja proposta é fazer algo idiota, enviar um vídeo disso e depois pedir pro maior número possível de futuros-ex amigos votar nesse vídeo”

Nas duas categorias, e mais especialmente na sub-categoria, sua vida social vai caindo em quantidade e qualidade, até seus únicos amigos serem fakes no Orkut e outros participantes de comunidades do gênero “Ganhe Dinheiro na Internet”, todos mal-sucedidos nesses programas, que se ajudam entre si mas que continuam pobres.

A conclusão: Quer ganhar dinheiro na internet? Basta ter coragem de ser chato pra cacete.

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