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Arquivo: Comunicação

De volta às origens, mas nem tanto

Você já escreveu uma carta?

Para ser sincera, escrever qualquer coisa à mão pra mim tem se tornado cada vez mais difícil. Acostumei a velocidade do meu pensamento (que já era ligeiro) à rapidez que a digitação permite. Quando escrevo à mão, tento acompanhar, e o resultado é o pulso doendo já antes da terceira linha.

Mas antes do computador eu escrevi à mão sim, e escrevia cartas. Fiz amigos por correspondência naquelas seções que as revistas e suplementos de jornais costumavam ter, com os interesses de cada um e o endereço para trocar escritos. Mas eu nem lembro como é escrever uma, e digo isso porque sei que a etiqueta da correspondência é super diferente da usada no e-mail.

Se você é dos nostálgicos que sentem falta do papel, pode usar a meia (e criativa) solução do Bureau of Communication. Ele não vai te entregar o papel (resigne-se, afinal, papel significa árvores derrubadas, então melhor assim), mas oferece sugestões fantásticas para o envios de e-mails pré-escritos e com aspecto de cartas antigas.

Também serve para você que não tem habilidade com as palavras e quer economizar tempo e criatividade.

São formulários pré-redigidos, com campos personalizáveis e aspecto de memorando antigo e papel timbrado. Tudo muito vintage, como deve ser para alguém extremamente descolado como VOCÊ.

Os temas são variados: desculpas formais, convite oficial e o mais legal deles, retorno não solicitado, que serve para você se você for do tipo que aprecia dar palpites sem que seus palpites tenham sido solicitados.

Pena que não pode ser anônimo.

Ao terminar, basta enviar por e-mail ao destinatário. O serviço é gratuito, mas só está disponível em inglês.

Vi no twitter da Bia Granja

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Agora vocês sabem porque eu não fui no JUCA

Eu estudo jornalismo há 3 anos. Desde o primeiro ano, rola um frenesi em torno do tal do JUCA, os Jogos Universitários de Comunicação e Artes.

Existem alguns motivos pelos quais eu nunca fui ao JUCA e eu vou enumerá-los aqui:

  • Custa uma grana, e as instalações são precárias.
  • Eu me irrito muito fácil com gente idiota, a ponto de ficar absolutamente mal-humorada, e eu tenho motivos para crer que existe uma concentração alta delas no JUCA.
  • No JUCA, as pessoas manifestam um amor incondicional pela camisa que vestem, ou seja, a da respectiva faculdade. Numa boa, eu NUNCA vou ficar gritando ‘METÔÔÔÔÔ!’ Também nunca vou xingar pessoas que estudam em outra faculdade só porquê elas estudam em outra faculdade, mesmo que seja de brincadeira. Acho esses ‘bairrismos’ (‘campismos?’) muito idiotas. E não gosto de gritar coisas em que não acredito. Gritar é muito… explícito.
  • São quatro dias de álcool e outras drogas, sexo e micareta, e eu acho um belo dum desperdício de dinheiro pagar 250 paus pra viver tudo isso numa cidade perdida com gente desconhecida e idiota. Ainda tem o ônus da micareta.
  • Eu acho sacanagem fantasiarem uma festa loca dessa sob o pretexto eufemista de ‘Jogos Universitários’. Na boa, nós sabemos que se tirassem as competições, talvez ninguém percebesse. É a mesma coisa que chamar Rave de FESTA DE MÚSICA ELETRÔNICA quando todo mundo sabe que hoje boa parte das pessoas só vai lá pra usar drogas.

Já fiquei muito tentada a ir. Eu tenho muitos amigos, alguns idiotas e outros não, que freqüentam o JUCA religiosamente e depois passam o ano falando sobre os jogos. Alguns deles insistem bastante pra que eu vá, e isso me deixa lisonjeada, mas eu sempre resisto, porque sei que chegando lá eu me irritaria com toda aquela glorificação do nada e acabaria ficando o dia inteiro trancada dentro da barraca. É, são barracas.

Esse ano eu também tava sem dinheiro, então foi mais fácil de argumentar e acabei não indo. E quer saber? Não me arrependo de não ter ido nos 3 anos.

Pra vocês terem idéia, um desses rapazes terminou o curso de Jornalismo há dois anos. E ele continua indo nessa parada. É tipo… religioso. Ele é do fã-clube da Lipstick**. Construam o perfil mentalmente.

Natural que nem todo mundo que vai ao JUCA é idiota assim, mas tenho motivos pra acreditar que a maioria é. Natural que parece que eu sou uma chata, velha… sou meio reclamona, sim, mas certamente sou mais jovem (e é óbvio que não tô falando de idade biológica) que a maioria das pessoas no vídeo. Natural também que isso é uma edição, e se alguém falou algo coerente, eles devem ter cortado (embora eu duvide!); outra coisa natural é pensar que alguns dos meus amigos que vão ao JUCA fazem todas essas coisas do vídeo, de maneira quase igual, mas eu gosto deles mesmo assim.

De qualquer maneira, meu veredicto é esse mesmo: se eu quiser me drogar, dançar sensualmente, beber até cair, dá pra fazer tudo por aqui, longe de um monte de gente patética e perto de amigos, com instalações higiênicas e agradáveis, sem ouvir música ruim.

Mas como disse um cara que comentou o vídeo no Youtube, eu deveria é estar comemorando a idiotice dessas pessoas. A vida deve, eventualmente, ficar mais fácil pra quem não é idiota.

*Esse post tá sendo adiado desde que o JUCA ia acontecer, no último feriado prolongado, que não lembro exatamente quando foi. Um blog famoso aí postou esse vídeo e eu resolvi finalmente publicar, já que teoricamente o tema volta a tona por um ou dois dias.

**Lipstick é uma banda de feminina de rock para adolescentes. Não posso dizer que tenho nada contra elas, já que a baixista é tipo uma das minhas melhores amigas, mas não entra na minha cabeça que um marmanjo de 25 anos ou coisa assim faça parte do fã-clube delas.

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