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Arquivo: Crônicas

Meu jeito de viajar

Quando eu viajo, eu costumo ser uma companhia frustrante pra maioria das pessoas que viajam comigo. É que eu não sinto vontade, exatamente, de visitar os pontos turísticos “imperdíveis”. Na verdade, eu acho a maioria deles bem perdíveis.

Só que isso geralmente provoca indignação nas pessoas que me perguntam o que eu fiz e onde fui. Na verdade, elas parecem achar meus programas bem entediantes. E acaba que eu fico meio sem graça de contar o que eu fiz, porque pra algumas pessoas, se eu não fui no museu, no bairro dos turistas ou nos monumentos históricos, eu não fiz nada que valesse a viagem.

Você achava que entendia de Matrioshkas? Essas estão à venda no Waterlooplein Market, em Amsterdam

Acontece que, quando eu viajo, meu barato é ler um pouco sobre a cidade, aprender duas dúzias de expressões, mais meia dúzia de pratos típicos, pegar o mapa e sair andando. Se possível, de bicicleta ou de skate. E aí eu vou vendo as pessoas e os lugares, aprendendo a me locomover, olhando os nomes das ruas, vez ou outra parando em um ou outro ponto turístico que cruzar meu caminho. Gosto de comprar umas tranqueiras, de parar pra comer algo e pedir alguma coisa que eu nunca provei antes na vida.

Esses são os famosos campos de tulipas. Esse fica em Den Haag

Em dois meses aqui, eu já fui a Amsterdam umas três ou quatro vezes, pra passar o dia, quase sempre. Eu moro mais ou menos a uma hora e pouco de lá, o que dá um ônibus e um trem e demanda certo planejamento, mas nada que alguém que seja de Santo André não esteja acostumada. Daí eu volto pra casa, e ouço: “E aí, o que você fez em Amsterdam?”

Sucateada mesmo essa profissão, gente. OAB duvido que eles tenham

Eu tenho vontade de responder que fiquei horas só olhando os canais, olhando pra dentro daqueles barcos-casas, observando os moradores na varanda enquanto eles, bem europeus, leem um livro e tomam chá. Que depois, eu fiquei mais meia hora brincando de tentar adivinhar de que país as pessoas são só de olhar pra elas. E que aí eu fui no Vondelpark e fiquei sentada na grama só vendo como os holandeses transformam qualquer dia de sol em um grande festival ao ar livre improvisado de última hora. Ou que depois, eu fiquei meia hora sentada no meio da Dam Square, assistindo uma dupla tocar algo que lembrava Dire Straits, e em seguida fui à Spui pra garimpar livros baratos em uma daquelas livrarias geniais. Que eu passei horas só tirando fotos, e outra hora conversando em uma mistura de italiano e espanhol com o tiozinho da barraquinha de hot dog americano. Que eu preferi passar uma estação de trem e depois voltar só pra poder assistir um pouco mais da paisagem, que eu peguei a bicicleta e sai pedalando entre uma cidade e outra só pra saber onde ia dar.

6 graus na Dam, e a galera fazendo fogueira "em homenagem à vítimas do Tsunami no Japão". Sei

Mas quando eu tento dizer essas coisas, parece tudo um pouco chato. Até pra mim não soa como algo grande e empolgante pra se fazer em Amsterdam, sabe? Porque eu não vi o museu do Van Gogh, nem a casa da Ana Frank, nem o museu de cera, muito menos o museu da Heineken. Não tirei foto em I Amsterdam. Na Argentina, eu não fui ao Caminito. Em Barcelona, eu não vi a Sagrada Família. No Rio, Cristo Redentor e Pão de Açúcar, só em cartão postal.

SCIENTOLOGY CHURCH! ESTOU SALVA!

E não é que eu me programei pra não fazer o roteiro turístico, porque isso também seria de uma estupidez absurda. É simplesmente que eu prefiro que meu primeiro contato com a cidade, nossa primeira troca de olhares e tal, seja a mais pessoal possível. Gosto de andar nela, fazer parte dela, entendê-la de verdade. Museu e ponto turístico eu deixo pra quando o nosso relacionamento já estiver bem maduro.

A VILA, num bosque entre Leiden e Den Haag

Então eu acabo dizendo que eu comi alguma coisa, tomei um café, encontrei um amigo, essas coisas mais aceitas socialmente. Eles perguntam dos museus, insistem, e eu fico meio sem graça, tipo.. “aaahhn, não fui em nenhum museu”. E eu obviamente tenho nada contra museus (a propósito, existe alguém contra ou a favor de museus? Tipo, da existência deles? “Museus” não costuma ser um tópico polêmico). Mas sempre deixo eles (os museus) pro final. E se tenho poucas horas ou dias na cidade, bem, museus definitivamente não são prioridade.

A melhor casa de todas, com a bike mais legal de todas. Na água

 

E as pessoas que escutam parecem sempre me achar meio estúpida por ir a Amsterdam só pra comer e tomar um café, afinal, não é como se Wassenaar não tivesse restaurantes e cafeterias. Por isso inclusive que eu incluo o “encontrar um amigo” no roteiro, porque aí se torna mais compreensível. Dizer que eu fui tomar um café e passei a tarde inteira observando as pessoas sozinha é algo teoricamente inaceitável.

É assustador, eu sei. Em Leiden

As fotos desse post são de coisas que eu achei só porque saí sozinha por aí nos lugares mais improváveis. Não tenho fotos óbvias, mas tenho essas. Elas provam que meu jeito estranho de viajar às vezes me rende achados curiosos, sim. E vou ter tempo suficiente pra tirar as fotos óbvias, também. :) Porque é meio como a Helô me disse no GTalk:

quando vc quiser ver obra de arte do século 16, é só ir ao museu e ver
é claro que se der vontade de ir ao museu, vá
porque museu é legal
(…)
mas importante mesmo é entender a cidade
ver como as pessoas vivem
zanzar
comer na barraquinha
aprender a gíria
andar de metro
essas coisas
igreja e museu vc pode ver quando tiver 40 anos, casada, com filhos

O pôr-do-sol que eu teria perdido, pra sempre, se tivesse escolhido ir de ônibus e não de bike até Den Haag um dia desses

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O vento e os patos

O que fazer quando uma tempestade tropical – sim, porque proporcionalmente, é isso que atingiu essa família – pega você e sua vasta cria de patos de surpresa, deixa todo mundo catando cavaco no meio da poeira, desnorteado?

Você, mãe de família, pula de supetão, bota todo mundo de pé e continua caminhando. Porque assim é a vida, ela continua, ninguém morreu e tá tudo certo. Observe que eles sequer param para comentar o acontecido entre si. Ninguém lança um MAAAANO QUE VENTO FOI ESSE, CÊ VIU? ROLEI MUITO ACHEI QUE FOSSE MORRER PUTA MERDA! O negócio é bola pra frente, mesmo.

Esse vídeo serve como metáfora pra vida, sabe. Porque agir assim pode ser muito bom, às vezes, e às vezes pode ser muito ruim. Explico.

Se você estiver andando na rua com seus doze patinhos e bater um vento que faça vocês todos saírem rolando, se recompôr rapidamente é uma demonstração de que você é forte. É recomeçar ali mesmo, sem se lamentar pela tragédia. Chega a ser bonito.

Por outro lado, agir como se essa situação fosse completamente normal e não demonstrar sequer surpresa por ter sido arremessada (como pata) uns cinco metros pela ventania também demonstra frieza e falta de capacidade de se impressionar, além de provavelmente significar que você é uma pata muito sofrida e calejada. Se isso não te assusta, pelo que você já passou?

E a moral que fica é: na vida, temos que escolher qual pata queremos ser – a que se recompõe rapidamente mas não se surpreende nem reflete diante das adversidade ou a que, mesmo voltando à vida imediatamente como se nada tivesse acontecido, é corajosa, brava e guerreira.

Reflita.

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Manifestando intimidade com taxistas e porteiros

Olá, Stepan Nercessian. Posso te cumprimentar? Só um beijo de despedida.

Sabe quando você, sem querer, acaba tratando como íntimo alguém que não é? Tipo quando o porteiro interfona pra dizer que chegou um Sedex e você agradece e emenda um ‘beijo, tchau!’?

(Peço licença para contar o causo que aconteceu com uma amiguinha de quarta série que eu nunca esqueci – a menina, eu nunca mais vi e nem lembro direito da cara, mas a história jamais me saiu da cabeça: ela tinha acabado de falar com a mãe pelo telefone e se despediu como a gente se despede de mãe, ‘beijo, te amo, tchau’. O porteiro interfonou pra dizer que a Capricho tinha chegado. Ela, é claro, repetiu: ‘Ok, obrigada. Te amo, tchau.’ HEH)

Bom. O que acontece comigo é que sempre que eu uso serviços de motorista, isso é, pego um taxi ou sou levada para casa pelos motoristas da empresa, quando eu vou descer do carro eu quase sempre quase (sim, ‘quase sempre quase’, mesmo) dou um beijo no rosto do cara, sabe? De despedida. É terrível, eu preciso sempre ficar me policiando pra não deixar todo esse carinho transbordante se manifestar com um desconhecido. Fica ainda mais forte o ímpeto se eu tiver passado a viagem inteira conversando com o tiozinho.

Alguém tem solução pra esse distúrbio social grave? Nem me venha dizer que é carência. No máximo, excesso de simpatia.

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Uma carta para uma senhora desconhecida que me abordou na rua

Você talvez já conheça a história: no fundo, acho que fiz jornalismo pra poder ter uma desculpa pra conversar com qualquer pessoa. Ou seja – eu gosto de falar, né. Não é exatamente que eu não goste.

Mas se eu tô de fone de ouvido, minha senhora, provavelmente estou entretida no som que sai do fone. Então, em primeiro lugar, não comece a falar comigo como se eu estivesse escutando desde o início.

Em segundo, mesmo que a senhora tenha uma bengala, não adianta me perguntar se VAI DAR TEMPO DA SENHORA ATRAVESSAR A RUA. É muito mais eficaz e tradicional seguir os seguintes passos:

- Olhar o semáforo de pedestres, que naquele momento estava piscando em vermelho. Vermelho usualmente significa NÃO VÁ

- Olhar para os carros parados antes da faixa, que aceleram ferozmente. Isso provavelmente indica que a senhora não pode atravessar

- Olhar para sua bengala, que indica que sua velocidade está seriamente reduzida, e combinar isso com os dois outros fatores analisados anteriormente

- Não confiar sua VIDA a uma transeunte desconhecida de 21 anos, que nem ouviu o que a senhora dizia porque escutava o Nerdcast. Se eu dissesse que sim, dava tempo, a senhora ia se jogar na rua e ser feliz?

Me faça o favor.

Abraços,

O calor afetou meu cérebro, derreteu tudo e ando com preguiça de passar por aqui (e por qualquer lugar, na verdade). Mas ás vezes dá pra me encontrar no http://aprendendoskate.wordpress.com
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A prova de que a humanidade não evoluiu nada

Várias coisas provam que a humanidade é bem menos evoluída do que a gente gosta de pensar, em termos tecnológicos e espirituais até. Guerras são uma dessas coisas. Hummers são outra. O reggaeton é uma bela evidência.

Mas você só se dá conta realmente de que a nossa medicina e ciência não chegou a lugar nenhum quando um médico resolve te pedir um exame de fezes.

Já adianto que o papo só vai ser escatológico até o necessário, e não vai ter nada de gráfico, então fique tranquilo. Eu também não sou exatamente fã de falar de cocô. Mas dessa vez foi inevitável. Peço licença.

Acontece que eu fui a uma médica endocrinologista, pra fazer um checkup geral depois da minha internação, e ela pediu vários exames, incluindo fezes e urina. Daí eu fui fazer um deles, de sangue, e descobri que ela pediu tudo na mesma guia, ou seja, eu estava fazendo o de sangue então deveria necessariamente levar urina e fezes lá.

Mas não podia simplesmente cagar num potinho e levar. Eu tinha que fazer isso por três dias, com intervalo de um dia entre eles. Isso dá seis dias de pura tensão.

Tirando a situação deplorável que fazer cocô no potinho deve configurar, e o fato de eu nem sequer imaginar como conseguiria fazer isso, tem que ser num pote transparente. Então você vai lá, FAZ O QUE TEM QUE FAZER e depois é obrigado a ficar olhando para O QUE VOCÊ FEZ. E precisa levar aquilo até o laboratório, ou seja, de repente você chega lá e põe um pote de merda no balcão. E quando você pensa ‘ufa, pelo menos estou livre’, você se dá conta que vai precisar fazer isso mais duas vezes, com uma pausa interminável entre elas.

Ia ser engraçado se um ladrão resolvesse roubar sua bolsa bem no dia em que você resolveu levar o exame.

Tem outra parte triste, que é pensar nas pessoas que avaliam essas AMOSTRAS. Puxa.

Mas assim. Se você, médico, suspeita que a pessoa tem vermes, custa de repente dar a ela o remédio mais forte para vermes que existe e ver o que acontece? Por que assim, se ela não tiver, você vai poupá-la desse ‘trabalho’ desnecessário. E mal o remédio não vai fazer, se não tiver verme pra matar, não mata e pronto. E se tiver, fim. Sabe?

Pois bem. Não vou fazer e pronto. E acho que todas as pessoas do mundo deveriam ter o direito de não precisar fazer exames de fezes.

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A função de uma vendedora

Acho sacanagem que a gente saia por aí e tenha uma porção de regras de etiqueta pra atender e os vendedores de lojas, essas criaturas peculiares que ficam sorridentes, à espreita atrás das gôndolas esperando pela presa pelo cliente, não tenham que seguir nenhum estatuto. Me proponho, portanto, a formular uma série básica de leis para os vendedores de lojas:

1. Não falar com o cliente nada além de ‘Boa tarde, estou à disposição’ a não ser que seja requisitado;

2. Não oferecer nada ao cliente que não lhe foi pedido;

3. Em caso de dúvida sobre como proceder com determinado cliente, confira as regras 1 e 2.

Esses três mandamentos praticamente contemplam toda e qualquer situação constrangedora pela qual o consumidor passa com vendedores em loja. Inclui ser abordado de maneira passivamente-agressiva enquanto olha uma vitrine (O SENHOR GOSTARIA DE ESTAR ENTRANDO PRÁ TAR DANDO UMA OLHADA NESSAS PEÇA?), ter que calçar oito pares de tênis em cores e modelos semelhantes porém diferentes daquele que você pediu e receber aquela opinião sincera sobre a roupa que você está provando.

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“Ah, e não, eu não quero tá dando uma olhada em nada pra minha mãe, meu pai ou meu namorado. Não tenho namorado, sou um desastre com homens. E meus pais morreram quando eu tinha 8 anos.

Falando em sinceridade, tem uma perfumaria aqui em Santo André que aparentemente incentiva issso nas vendedoras. Ou a intimidação, não sei. É um lugar bem grande, que vende todo tipo de cosméticos. Vou lá mais ou menos uma vez a cada 45 dias, pra repor shampoo e condicionador, além de hidratante pro corpo e essas coisas de mulherzinha. Há um ano e meio que uso o mesmo shampoo, um pra cabelos lisos que tem me deixado muito feliz. Entrei, coloquei dois frascos na cestinha e fui interceptado por uma alegre PROMOTORA DE VENDAS:

COLABORADORA: Amiga, posso tár te oferecendo um shampoo melhor? Porque assim, não é que esse shampoo que você tá levando é ruim, mas ele não tem vitamina. Esse aqui ó, tá super em conta e tem vitaminas A, B e D, 30 nutrientes, protetor solar, reparador de pontas duplas e silicone.

EU: Oi? HEH. Não é por nada moça, MUITO OBRIGADA, mas a verdade é que eu não sinto que tô assim precisando de todas essas coisas, sabe?

COLABORADORA: Olha, não tá mesmo, porque seu cabelo é bom sabe? Mas assim, você que tem assim um corte fashion, descolado assim, moderno, precisa tár hidratando seu cabelo.

EU: Obrigada moça, mas hoje vou ficar com o de sempre.

Daí me desvencilhei do ATAQUE daquela que me julgava amiga dela, pois assim me chamou durante todo o diálogo, além de elogiar meu cabelo (senti uma inveja ok) e contornei outra gôndola atrás de um gel da Nivea. Procurei outra vendedora e antes que eu pudesse perguntar sobre o gel, ela bradou indignada:

COLABORADORA II: Olha amiga, esse shampoo na sua cesta não é pra você não, né?

EU (num mundo divertido): Claro que não! É PRA VOCÊ, GOSTARIA DE PRESENTEÁ-LA!

EU (no mundo real do que aconteceu de verdade): Humm… é…?

COLABORADORA II: Olha, desculpa mas a minha função como vendedora é tá te informando sobre isso, e esse shampoo vai acabar com o seu cabelo.

EU: Veja só, a moça ali já me falou tudo sobre…

COLABORADORA II: Não, vai estragar tudo o seu cabelo. Porque seu cabelo é bom, mas é oleoso na raiz e seco nas pontas né?

EU (assustada): Hum, mas moça, tenho usado esse shampoo por mais de um ano.

COLABORADORA II: Esse shampoo vai acabar com seu cabelo. Ele vai estar entupindo seus bulbos capilares a longo prazo, sabe? Olha, eu sou cabeleireira, então aqui meu dever é tá instruindo tá amiga? E vai entupir seus bulbo capilares e aí seu cabelo vai tá caindo. E quando você for no médico, ele vai dizer “por que não tratou antes”?

EU:

COLABORADORA II: O que você tem que levar é esse aqui, ó (e me mostra um tubo com 100ml a menos que o shampoo que eu tinha pegado, mas que custava 5 vezes mais). Esse aqui vai hidratar seu cabelo, olha aqui, é pra quem tem cabelo oleoso na raiz e seco nas pontas.

Agora eu te pergunto, leitor. O que você faria no meu lugar? Ignoraria o SEGUNDO alerta, já se imaginando tão careca quanto a Britney Spears quando raspou a cabeça? Você certamente não faria isso, leitor. Até porque, nesse ritmo quando até você chegar no caixa seria interpelado por pelo menos mais três dessas. E se você insistisse no shampoo de má qualidade, provavelmente a mulher no caixa não deixaria você levar.

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“Passei dois anos usando shampoo barato.

Como toda pessoa temente a promotoras de vendas obcecadas, levei o shampoo sugerido. Gastei um montão de dinheiro a mais. Se funciona? Sim, meu cabelo parece menos oleoso, ainda que não seja nada marcante, que vá mudar minha vida. Mas preferi não desafiar a gangue uniformizada das vendedoras agressivas.

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“Puxa, que coisa chata” é o…

Eu vejo com maus olhos essa popularização da expressão ‘Puxa, que coisa chata’. Eu vejo com maus olhos a popularização da expressão ‘eu vejo com maus olhos’. Mas sobre a segunda faço um post outro dia.

Então, sério. As pessoas tem que entender que só deveriam soltar um ‘Puuuuuxa, que coisa chata, hein…’ diante de coisas realmente chatas. E por ‘chatas’, entenda constrangedoras, nesse contexto. Exemplos: um atropelamento não é uma coisa chata. Perder o emprego: não é ‘puxa, uma coisa chata’. Sua mãe morreu: nada chato.

E sabe porque? Porque algumas coisas exigem adjetivos fortes. Se sua mãe morrer, não é uma coisa chata, é uma merda foda. Se você foi atropelado, puta que pariu, é uma tragédia desgraçada. Não tem nada de ‘chato’, o eufemismo genérico pra tragédias. Não menospreze o valor do palavrão caracterizando algo intenso. Ele precisa estar lá. ‘Chato’ é aguado, não diz nada. É simplesmente algo que incomoda, só.

Semana passada fiquei doente. Doente não, eu quase morri. Internei na UTI em estado grave, com pneumonia e infecção generalizada. Daí fica todo mundo perguntando: ‘nossa, mas como você tá?’, ‘Nossa, mas o que aconteceu?’. Ok que dá vontade de fazer um comunicado oficial e salvar no notepad, daí tu só copia e cola. Mas não vou fazer isso, né? É sacanagem. Não posso culpar os amigos por quererem saber como eu estou.

Aí falo: puxa, me fudi. Tô internada, fiquei na UTI, toda cheia de picadas, catéteres, sonda pro xixi, tomei morfina. Vou ter que ficar um tempão ainda em recuperação, de repouso em casa, e cuidar da saúde depois disso por mais um booom tempo.

Beleza. E nego me responde ‘Puxa, que chato’? Pô. Chato é chutar a quina da cama, amigo. Ficar na UTI não dá para caracterizar como chato. E pronto.

Você pode até ser uma pessoa legal. Mas se usa a expressão ‘coisa chata’ pra tudo, fique atento. Isso pode estar depondo contra a sua personalidade. Seja mais espontâneo e mais preciso nos seus adjetivos. As pessoas que se fodem ao seu redor agradecem.

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Saboreando as ilusões do mundo moderno

Vai ver eu tô meio velha.

É que eu sou de uma época, desculpa a caretice, em que se você tá com vontade de comer, digamos, um frango assado, vai à padaria de domingo e pede um frango assado. Se tá com vontade de comer peito de peru, vai lá, manda fatiar 300 gramas, embrulha, chega em casam bota no pão e come. Tradicional mesmo, sabe? Culinária moleque. Uma época em que, se você quisesse tomar Coca-Cola com limão, você espremia o limão no copo, colocava a Coca e tomava. Lembra aquele barulho da Coca caindo no copo? Você bebendo? O “aaaaaaaaaahhh”?

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Sim, essa batata frita é sabor champanhe. Não, não quero falar sobre isso. Grata.

Sou dessa época aí. É que hoje em dia tá tudo meio esquisito. Você chega pra comprar refrigerante, já tem a opção que vem com limão. Vai pegar a batata frita, e encontra as versões frango assado, presunto e queijo, azeitonas… peraí, bicho. Se eu quiser frango assado, vou comprar um. Eu quero batata frita, pô. É tão mais barato comprar azeitona. Se eu quisesse azeitona, comprava um potinho de azeitona. E eu tenho capacidade mental de espremer o limão num copo antes de tomar o refri.

Daí, vai comprar Miojo. Miojo tem de tudo né – galinha (e é caipira, não é de granja. É sabor ‘galinha caipira’), bacon, carne, churrasco, caldo de feijão, creme de brócolis, pizza, quatro queijos… porra, tu quer me fazer acreditar que eu vou simular, com 10 gramas de pó amarelo, um molho quatro queijos?

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Desconfio que o sabor picanha é um meio termo entre o sabor churrasco e o sabor carne. Mas é só suposição

Pior é aquelas coisas sabor ‘churrasco’. Veja bem, ‘churrasco’ não é nada. Pode ser qualquer coisa que vai na brasa. O mais curioso é que esses quitutes têm de fato o poder de ter gosto de qualquer coisa que vai na brasa! Não sei o que é, talvez uma mistura de fumaça com curry. É tipo o ‘sabor pizza’. É uma puta invenção sacana o tal sabor pizza, porque não existe ser nesse mundo que ligue na pizzaria e peça uma pizza sem especificar um outro elemento, que geralmente é o sabor dela. Ou seja, pizza necessariamente tem sabor da outra coisa que tá em cima dela. Mas ninguém vai fazer um salgado sabor ‘pizza de quatro queijos’.

Outra parada que virou moda, sério, é doce de limão. Tipo, não torta e bolo de limão, que são bons – tipo WAFER DE LIMÃO e TRAKINAS DE LIMÃO, de cor verde, com o corante gritando desesperado EU NÃO PERTENÇO A ESTE LUGAR, POR FAVOR, ME TIRE DAQUI. Quem gosta de limão (e na boa, eu posso falar de limão) sabe que limão é tipo das melhores coisas do mundo, e justamente por isso sabor artifical de limão é uma merda, porque qualquer pessoa que tentar copiar um dos melhores sabores do mundo falhará miseravelmente. Não é bom. Por favor, não façam mais bolachas de limão.

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A cor dá uma aparência bem natural pras bolachinhas

E há, também nesse campo dos sabores, o grande mistério do tutti-frutti. Outro dia li assim numa embalagem: ‘sabor artificial idêntico ao natural de tutti-frutti’. Alguém já comeu um tutti-frutti? Não existe sabor natural de tutti-frutti, a não ser que alguém tenha sido capaz de misturar todas as frutas numa grande… argh. Mesmo assim, tenho uma certa quantidade de certeza que o gosto dessa gororoba não seria parecido com o dessas coisas tutti-frutti.

É a concretização daquelas previsões de filmes de ficção científica antigos, que mostravam astronautas consumindo comida em forma de pílulas. Nessa toada, isso não tá muito distante. Pílula sabor pizza. Pílula sabor Miojo de galinha caipira. Pílula sabor Miojo sabor pizza sabor frango com catupiry. É a beleza da metalinguagem da flavorização.

Pois bem. Voltando ao que rolava na minha época, lá quando você queria ter um cachorro, comprava um cachorro. Queria um lhama, comprava um lhama. Um caracol? Comprava um. Uma fada? Comprava uma fada.

Nos nossos tempos, um filho da puta vai lá e transforma o pobre poodle dele nesses bichos.

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Conheça assuste-se com o garboso Poodle-Camelo. E fica mais cruel que isso, porque não chegamos ainda ao Poodle-Panda (imagens fortes):

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Clica no link lá em cima, por favor. Tem Poodle-Cavalo, Poodle-Jack Sparrow, Poodle-Galinha e até, deus me perdoe, Poodle-Buffalo. O ser humano dá passos longos em direção ao inferno quando bola essas aberrações.

Tudo o que consigo pensar ao olhar para a cara desses cãezinhos é: ainda bem que você são cãezinhos. Porque têm mães que fazem coisas parecidas com os filhos, vestindo eles com fantasias e achando tudo muito bonitinho.

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Sobre o destino e cocô de pombo

Você acredita em destino? Acredita que o universo arranja as coisas para que você esteja na hora certa, no lugar certo para que as coisas aconteçam (ou não) com você?

Se você assiste Lost, pode ser que seja um believer. Uma pessoa que, como eu, acredita que os planetas podem se alinhar e coisas estranhas podem acontecer, e que nenhuma delas é por acaso.

Vamos ser estatisticamente diretos. Quais as chances de um cocô de pomba cair na sua cabeça? Por sua, entenda a minha. Minha cabeça.

pombo

Elas devem ser altas se você estiver, por exemplo, embaixo de uma marquise em que as pombas costumam pousar. Mas caem se você estiver embaixo de um lugar coberto. Caem mais se você estiver caminhando. Mais ainda, suponho, se estiver a três ou quatro passos da porta do trem que vai pegar.

Embora eu estivesse em condições em que, aparentemente, as chances de que uma pomba cagasse na minha cabeça fossem mínimas, eu demonstrei que sou uma garota de sorte. No breve espaço de tempo (e de plataforma) que me separava da porta aberta do trem, senti algo batendo na cabeça.

Andar na cidade e ter que lidar com o ‘algo batendo na cabeça’, como você que anda na cidade sabe, é um momento crítico. O momento entre sentir o pingo, se dar conta dele e criar coragem para levar a mão até o cabelo e olhar parece uma eternidade, especialmente porque você sabe que elas (as pombas) estão por todos os lugares, cagando sobre você quando podem. Naquele momento, porém, não tive medo. Frações de segundo antes do tiro, minha melhor amiga @gabrielahesz alertou (não a tempo, mas alertou): “Cuidado! Um pingo!”

Pois bem. Era um pingo. Se era um pingo, eu não precisava me preocupar – bastava entrar no trem, encontrar um lugar, sentar-me e então ver se tinha molhado meu cabelo ou coisa assim. Mas quando o fiz, eis que tive uma desagradável e inesperada surpresa.

Fez coco

Não era um pingo comum. Quando olhei minha mão, ela estava – desculpe ser tão descritiva – suja com um negócio verde que claramente não era um pingo, a não ser que água fosse verde, o que eu sei que não é, perspicaz que sou.

Meu caro amigo, é com tristeza que lhe digo que o momento em que você se dá conta que se fudeu é desses únicos. Mas eu sou prática, sou alegre, tenho desenvoltura. Enquanto minha amiga @gabrielahesz chorava de rir da minha situação deprimente, eu sugeri que ela pegasse a toalha na minha bolsa (VIU PORQUE A GENTE SEMPRE PRECISA DE UMA TOALHA NA BOLSA MEU DEUS) e tentasse me ajudar a limpar… a merda.

Não vou nem mencionar a sorte de estar acompanhada, e mais, por alguém que me limpasse sem reclamar, exigindo em troca apenas a chance de rir descontroladamente da minha cara. Terminado o asseio, @gabrielahesz me informou que a situação estava sob controle. Eu havia tomado apenas um tiro de raspão, e a toalha tinha feito um bom trabalho. Naquele momento, meu cabelo parecia apenas ensebado.

Já tendo enfrentado o pior, antes de respirar aliviada, sugeri – até agora não sei se por sorte ou não – que a prestativa @gabrielahesz desse uma olhada no lado esquerdo da minha blusa, já que a toca poderia estar tampando algum respingo maroto ou algo assim. Me inclinei e, certa de que estaria tudo bem, soltei a respiração. Até que ouvi o grito de @gabrielahesz, que disse algo mais ou menos assim, antes de cair em prantos provocados por uma alegria descontrolada – AH MEU DEUS TEM MUITA MERDA

Eu visualizei uma piscina de cocô de pombo dentro da toquinha da minha blusa. @gabrielahesz não se controlava, e a enquanto tentava em vão usar a toalhinha para minimizar o dano, murmurava desesperada AH MEU DEUS NÃO TÁ SAINDO, TEM MUITA MERDA AQUI, enquanto eu procurava me manter calma.

Esqueci de mencionar que o vagão estava cheio.

Mas isso, no fim, não foi algo ruim. Uma senhora na nossa frente se solidarizou e forneceu lencinhos umedecidos, que por hora tiraram ao menos o que era visível da minha cabeça. Outra moça deu um saquinho plástico pra jogar a toalhinha inutilizada.

Eu cheguei em casa e tomei um banho. A @gabrielahesz ficou dizendo que era sorte, mas eu não vi sorte nenhuma – desde então, só tive stress e dor de cabeça. Até já achei a causa – deve ser criptococose, doença causada por um fungo no cocô de pombo e que dá dor de cabeça crônica. O nome é apropriado.

Aprendi várias coisas nesse dia. A primeira delas é que você nunca está a salvo de merda de pombo, mesmo se estiver andando dentro de uma estação de trem coberta. A segunda é que cocô de pombo não fede. A terceira, não menos importante, é que as pessoas podem ser solidárias ainda nesses dias frios e individualistas. A quarta é que quando algo é pra acontecer, acontece – eu estava voltando de uma confraternização com meu grande parceiro de olhos claros, o Alex, do Move That Jukebox!, carioca que passava por São Paulo, e seu truta Marçal Righi. Tinha marcado com eles às 14h, eles chegaram às 17h. Se Alex tivesse chegado no horário, aquela pomba jamais teria cagado na minha cabeça e eu não teria um post pra hoje. EVERYTHING HAPPENS FOR A REASON

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Eu, Alex (@movethatjukebox) me segurando pelo braço numa tentativa vã de me atrasar para o tiro do pombo, Marçal (@marcall), Gabi (@gabrielahesz), Zorzo (sem Twitter) e Kelly, suja única coisa que sei sobre é o nome

Mas o mais importante: aprendi que, quando você resolve tatuar na nuca algo que é muito parecido com um alvo, deve aguentar as consequências.

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Resultado da promoção (aquela em que você tinha que escrever um texto…)

Ok, demorei eras. Mas acordei nesse domingo – meio tarde, é verdade, porque ontem foi divertido – e tomei como resolução organizar a minha vida. Significado prático disso: resolver todos os assuntos pendentes possíveis.

Arrumei minha estante de livros, as revistas que eu guardo, as gavetas… claro que na prática não funciona, porque eu acabo aumentando a fila de coisas pra ler e reler, e a tarde que serviria para organizar minha vida e eliminar coisas pendentes acaba como uma verdadeira maternidade de pendências.

De qualquer forma, a última delas seria escolher o vencedor da última grande promoção aqui do blog, que dará hoje e neste momento um livro ao autor do melhor texto de tema ‘A pessoa mais idiota que conheci’.

Eu recebi pouco mais de dez textos, pro meu espanto, todos muito acima da média. Muito MESMO. Não li um texto ruim, que fosse. Por isso, embora eu tenha que escolher um só pra ganhar o livrinho, digo a todos os que participaram que publiquem estas coisas em algum lugar. Alguns me mandaram textos publicados em seus blogs, ou seja, já seguiram o conselho antes que ele fosse dado. Mas praqueles que mandaram texto por e-mail ou mesmo nos comentários do post (é, eu aceitei e tal, tenho coração mole), publiquem.

Mas vamos ao vencedor:

Descontrole Remoto

por Gustavo Carnelós

Com licença, se não for tomar muito do seu tempo, eu gostaria de desabafar sobre um vício que eu tenho. É televisão. O pior da televisão. Sabe aqueles programas tão ruins, mas tão ruins, que você começa a assistir e não consegue parar? Que você continua assistindo só pra ver o quanto é ruim e o quanto pode piorar? Eu sou assim. Mas de um jeito patológico mesmo. A qualquer hora, em qualquer canal, há um programa feito especialmente pra mim, telespectador idiota que engole tudo o que resolvem mostrar!

Decidi relatar meu caso porque sei que existem mais pessoas como eu. Inclusive há outros casos assim na minha família. Caiu no canal, é peixe. Peixe na rede. Rede de televisão. Ligou, ficou. Não consigo desligar porque não quero perder a próxima besteira. Pura insanidade! Quero ver do que eles são capazes de fazer, quero ver que pela audiência realmente tudo é possível, que topam tudo por dinheiro. As coisas mais inúteis, absurdas e constrangedoras. É um circo de horrores, uma zona, uma zorra, vergonha alheia total! Aliás, a vergonha é mais minha mesmo, que assisto. Estou aqui pra confessar: também gosto de me sentir o ser humano mais inteligente do mundo por odiar esses programas infernais que são exibidos em rede nacional como algo super legal, super pop, super na moda. E quero ver até onde pode chegar o nível de ridículo, que infelizmente não é só do programa, é meu também, por assistir. É uma palhaçada na tela e um palhaço no sofá.

Fico repetindo comigo mesmo: só mais um pouco, só mais um pouco, só até o comercial… que nada! No comercial eu zapeio os canais até achar um programa pior do que aquele, e se não achar, já é hora de voltar ao mesmo.

E eu sei que tenho muita coisa melhor pra fazer com a TV desligada. Até mesmo admirar meus ídolos, pois eles não são feitos de exposição na TV. Mas na TV, fama não falta, mesmo pra quem não sabe fazer nada. Aliás, hoje em dia, principalmente pra esses, que tanto contribuem pra que eu desperdice preciosas horas da minha vida assim, vendo e ouvindo pessoas que não têm nada pra mostrar ou dizer. Embora algumas até tenham o que mostrar, tipo peito, bunda…

Tem gosto pra tudo, é o que dizem. Gosto não se discute. Mas qualidade sim, penso eu. Ok, ok, a televisão não tem obrigação de educar ninguém, mas precisava emburrecer? Porque só por me fazer perder tanto tempo já me torna um idiota, além de queimar meus olhos e entupir meus ouvidos com bobagens, fazendo do meu cérebro um caldeirão de merda.

Algumas pessoas falam assim: assisto a esse programa porque não tem nada melhor em outros canais. Pô, mas quem disse que precisa assistir alguma coisa? Se não tem nada de bom, desliga, ué! Vamos procurar algo melhor pra saúde física e mental. Principalmente mental, né? Leitura, esporte, malhação, passear numa praça, é nossa escolha. É fantástico descobrir o quanto podemos fazer se não estivermos catatônicos em frente àquela maldita tela. Mas aí o viciado aqui chora: “Eu sei! Eu sei! Mas é mais forte do que eu, mimimi…”

E tem outra: ficar preso à TV igual inseto em volta da lâmpada nem sempre significa que dedico toda a minha profunda atenção ao que está sendo exibido. Eu queria entender o que é que acontece no meu cérebro que me faz ligar a TV pra não assistir. NÃO assistir! Às vezes me deparo com a TV ligada e não lembro de ter ligado. Pior: não lembro nem de ter desligado. Quando me dou conta, é tarde demais. E fico furioso comigo mesmo. “Casseta! De novo!” Ou minha TV tem um poltergeist ou realmente estou fazendo isso automaticamente. Um sonambulismo televisivo. Medo. O que mais posso estar fazendo sem perceber? Comprando no Polishop? (apareceu um fazedor de suco aqui em casa que eu não sei da onde veio…)

Diz o sábio e verdadeiro ditado: cabeça vazia, oficina do diabo. Quando estou em casa supostamente sem nada pra fazer, ligo a TV procurando qualquer bobagem, feito um ratinho atrás do queijo. E meu tempo livre escorre pelo ralo. É hipnotizante. Se a tarde era minha, já não é mais. Perco meu sábado, meu domingo, e isso não é nada legal. Novela então, é um perigo. É mais do que uma lavagem cerebral, os neurônios entram em verdadeira hibernação enquanto aquela caixa emite suas ondas. Ondas sonoras, visuais e débil mentais.

Eu, telespectador hipnotizado, passivo, manipulado, engolindo tudo o que a TV joga na minha cara, como sou idiota! “Ô da poltrona, toma essa!” Pois é, meu irmão, grande idiota eu sou! Quer saber? Chega de televisão! Internet é a salvação! Pelo computador vejo só o que me interessa, na hora que eu quiser, sem reclames do plim plim. É isso! É minha cura! Conquistarei assim minha liberdade! Vamos ver o que tem de legal no Youtube…

O texto do Gustavo foi meu preferido porque muito embora eu dificilmente pare pra ver TV, quando páro sou exatamente o tipo de pessoa idiota que assiste programa ruim só pra ver o quão pior ele pode ficar.

Eu não quis ser gentil quando disse que todos os textos estavam muito legais. Menções honrosas pra outros dois, Interação com (ex-)descohecidos, Ação e Reação e um que passou da data e só por isso não ganhou – A pessoa mais idiota que eu conheço, um fabuloso TOP5 de idiotices. HEH

Fico por aqui antes que o lado direito da minha cabeça exploda de dor, e volto no meio da manhã de segunda com um post supimpa pra começar a semana de pé direito. É nóis.

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