OEsquema

Arquivo: crianças

Só mais um pouco delas

Mas agora, sem destruir castelo de areia e botar fogo em casa. Saca esse coral infantil cantando música pop:

Não sei se o mais legal é a versão ou as crianças dançando O mesmo coral canta outras músicas, disponíveis nos vídeos relacionados:

Na boa: puta ideia. A gente sempre vê coral de criança cantando música gospel ou qualquer outra coisa chata. Ou tocando bateria num grupo de Olodum. Pelo menos isso aí dá uma variada no padrão de grupos infantis.

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Crianças…

Eu gargalhei alto com essa foto. E tem outras imagens divertidas protagonizadas por crianças, por aí. Uma das minhas preferidas:

Nunca descobri se isso é montagem, mas não parece, e mesmo se for é genial.

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Pegadinha da Mattel

Vamos supôr que você tem uma carruagem. É um meio de transporte um pouco ultrapassado, mas use sua imaginação. Imagine que você está dando um rolê de carruagem com seu namorado, e ele se chama Ken. Se você for um homem, você está dando um rolê com sua namorada, chamada Barbie.

Se você for gay, adapte as descrições. Você entendeu.

É uma linda tarde de verão e vocês dois estão passeando alegremente pelo bosque. Vamos imaginar que você está em algo como o século XIV, mais ou menos. De repente, num ato que seria considerado bruxaria naquela época, sua carruagem se transforma em balão. E sai voando.

Tente realmente se colocar no lugar de uma pessoa que está numa carruagem que é subitamente ejetada. Pânico. Desespero. Você não sai simplesmente voando num balão – que costumava ser uma carruagem – e tá tudo bem. No século XIV nem existiam balões, puxa vida.

Mas depois dá tudo com você. O balão pousa e você volta pro seu castelo. Dai vai subir a escada e FAIL. Os degraus, como numa armadilha medieval, se achatam. E a escada vira uma perigosa e escorregadia rampa. Sem aviso, você desliza. Sabe-se lá quantos ossos terá quebrado quando chegar lá embaixo, todo esfolado e fudido.

A essa altura, você já estaria desconfiando de algumas possibilidades. A saber:

- alguém está armando contra você e te quer morto;

- alguém quer tirar uma com a sua cara;

- você comeu um cogumelo.

Contei a historinha acima pra ilustrar a divertida e pacata vida da BARBIE 3 MUSKETEERS, que está passeando com o Ken e – SURPRESA – a carruagem vira um balão! Favor ver vídeo abaixo.

Enquanto criarmos crianças que não se importam que escadas virem escorregadores de repente, amigos, não poderemos dormir tranquilos.

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O mundo, dublado. E as consequências disso

Você já viveu um momento mágico?

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Oi

Eu sinceramente espero que não, porque isso é uma coisa muito idiota de se dizer. “O momento foi mágico”. Sabe aquelas frases de filme indizíveis, que são fruto de dublagens ou legendagem engraçadas e que às vezes acabam na boca de gente estranha e/ou ingênua? Como as crianças que assistem muita TV e acabam virando pequenas coisinhas esquisitas, dizendo aos amiguinhos ‘VOU TE DESTRUIR! SEUS PODERES NÃO SÃO PÁREOS PARA A FÚRIA DA MINHA LÂMINA, HUMBERTINHO! AAAAAAAAH’, empunhando uma espada de plástico que pisca.

Pra começar que de onde eu venho a gente brincava com pedaços de madeira fingindo que eram espadas. A gente até pregava outro teco de madeira pra fazer a parte onde segura, super artesanal e criativo. Segundo que ela não piscava, que espada que é espada não pisca. E terceiro que não tinha essa palhaçada de falar frases copiadas do roteiro do Yu-Gi-Oh, que isso é bem esquisito.

Daí rolam os anglicismos. E veja bem, eu sou uma grande vítima deles. Quanto mais contato a gente tem com outras línguas, mais propício fica a usar estruturas que só são familiares naquela língua. Ou vocabulário. Ou você conhece alguém que diz “Volte aqui, seu bastardo! Vou te dar uma lição!”? Não, né? Mas certamente já ouviu um personagem falando isso em um filme. E nem estranha mais.

Equivalente a isso, e infelizmente mais contagiante, são os bordões de novela. Tem uma amiga que diz que repetir bordão de seriado americano é brega igual a repetir bordão de novela E EU CONCORDO. Mas paciência, no fundo continuo reprovando mais quem fala HAREBABBA do que quem repete, sei lá, paida do Seinfeld. É o equivalente a falar ME POUPE, SALGADINHO!. Você consegue imaginar o quão ridículo é dizer isso? Ou então “N’é brinquedo não”? Pois é. O HAREBBABA é igual. Só não parece, porque tem a Juliana Paes lá falando. Vai ver daqui a uns dois anos, como você vai perceber o quão esquisito e deslocado era.

3+O+Clone+O+Melhor+Do+Bar+Da+Dona+Jura

Que bela trilha sonora.

Deslocado. Repetir bordões da TV na vida real é deslocado. E é de um humor zorra-totalístico incrível, assustador. Tem a exceção, de quando é um bordão realmente engraçado, mas eu e você sabemos que algo assim só acontece muito ocasionalmente.

Tem o mesmo efeito que aqueles lugares-comum que professor de jornalismo pede pra gente não usar em texto, porque é ridículo: “A nível de…”, começar texto com “Atualmente…”, colocar título de entrevista como “Sem papas na língua”.

Repetir bordão, frase-feita e lugar comum na vida real é um problemão. Começa a parecer que a gente tá dentro de um filme e que todo mundo é dublado. E nada contra dublagem, existem dubladores ótimos, mas não é exatamente a ideia que eu tenho de um mundo legal. Se bem que torna as coisas bem mais engraçadas.

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Governo apóia ensino ‘religioso’ nas escolas. Tsc

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O INRI APROVA ESTA IDEIA

Negócio é o seguinte, governo aprovou ensino religioso nas escolas e tal. Faz uns dias já, mas tava querendo falar sobre isso há tempos.

Só o fato de o estado ser laico, em tese, já deveria proibir uma lei dessa de ser cogitada. Mas vamos ignorar este pormenor.

Os defensores dessa lei argumentam que é educação religiosa genérica, não-atrelada a nenhuma religião específica, e que é sempre importante ensinar princípios religiosos, porque eles agregam moral e valores. Vamos supor que eu concorde com isso (não concordo, e acho que se você precisa ter medo de Deus pra ser um cara legal você é um babaca).

Você acredita que o ensino religioso vai ser genérico? Abranger todas as crenças? Que além do pai nosso, as crianças vão aprender dogmas islâmicos, judaicos, do candomblé…? Tipo, é óbvio que não. Os professores nem têm preparação pra isso (na verdade não sei se isso é verdade, mas acho importante afirmar que os professores não têm preparação, no Brasil é legal falar isso). O termo ‘ensino religioso’ já assume por definição a ideia de ensinar doutrinas católicas. E quem eles querem enganar? Tipo, o acordo foi fixado com o Vaticano. Não foi com Israel ou com o Dalai Lama. Crianças vão receber ensino católico nas escolas, ponto.

Será que eles vão ensinar a rodar? Tipo, claro que não.

O que eu acho mais prejudicial disso é que o catocilismo tem como base o tal mistério da fé. Que significa basicamente que tudo o que é inexplicável é mistério da fé e pronto, favor não questionar. E quanto mais absurdas forem as coisas inexplicáveis, mais fé você precisa ter pra se manter católico. Logo, quem abaixa a cabeça pra dogmas bizarros é muito mais querido por Deus, porque tem mais fé. Tipo, lê esse texto que você vai entender.

O que se traduz em: as crianças não serão encorajadas a questionar. Imagina uma criancinha lá de 7 anos tendo aula de religião. Daí o professor explica que Deus fez Eva de uma costela de Adão. A criança vai perguntar como isso é possível, já que teria machucado Adão em primeiro lugar, e em segundo lugar é muito complicado transformar uma costela em uma mulher. E dirão para ele que é assim porque deus quis assim. Pronto. Mistério da fé. E imagina as consequências infelizes de crianças que não questionam as paradas.

Na melhor das hipóteses, teremos uma geração revoltada porque ninguém explica nada pra elas. Boa. Na pior, um monte de crianças alienadas, conformistas e fanáticas.

PIOR: e se lá eles ensinarem que usar camisinha é ruim? Além de alienadas, conformistas e fanáticas, as crianças com ensino católico terão todas AIDS. E filhos, muitos filhos. Católicos. Que mundo horrível, que vibe incorreta.

jesus-e-as-criancas

Jesus era a sensação da criançada

Eu tive educação ‘religiosa’, amigo. Leia-se católica. Uma vez eu perguntei na aula de ‘religião’ como teriam surgido diferentes etnias, se no início só havia Adão e Eva. A professora explicou que a história de Adão e Eva era uma metáfora. Engenhoso, mas tem muita gente, inclusive na própria igreja, que jura que a parada é literal.

E eu era sacana. Escrevi na prova de religião que acreditava em Jesus Cristo como meu único pai e salvador e tirei 10. Mas nem acreditava naquilo.

Pior era ter que rezar pai nosso todo dia de manhã. Eu não queria, mas se não rezasse todo mundo ficava olhando, e era um saco parecer que você não tá rezando porque é revoltado e quer ser o rebelde. Daí eu rezava junto.

O Richard Dawkins, autor de Deus: um delírio, diz que dizer que uma criança é católica ou judia ou protestante é como dizer que uma criança é comunista. Eu concordo. É uma coisa cruel pra cacete.

*Tirei os ‘tipos’, para agradar aos professores pasquales de plantão. Agora sim o texto vai ficar bom. Abs

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Na Suécia, pais se recusam a revelar o gênero do/a filho/a

Acho interessante que alguns pais optem por não saber o sexo da criança antes do nascimento. A gente vive numa era de ansiedades. Não conheço nenhum casal que tenha feito isso nos últimos tempos e essa expectativa, que era bem comum antes da evolução da medicina, ninguém mais sabe direito como é. Quando a criança nasce, ela já tem nome, quarto da cor certa, enxoval e um monte de planos – se for menina vai fazer balé, tocar piano e usar aquele vestido amarelinho. Se for menino será São Paulino, vai gostar de Motorhead e ser advogado como o pai. Bleh.

Mas tudo que é demais é exagero. Tipos que tem um casal na Suécia (eta país maluco, sempre eles) que não revela o sexo do filho/a de dois anos e meio, nem pra ninguém, nem pra criança. E não a/o caracteriza de forma nenhuma, nem com pronome, nem com roupa e nem com o nome.

Eles chamam a criança de Pop.

pop

Isso é Pop.

Pop. Pop. Pop.

Quando POP começar a ir pra escola, eu não consigo entender se POP será zuado por se chamar POP ou por não ser, aos olhos dos outros coleguinhas, nem menininho nem menininha.

Além da grande sacanagem de fazer isso com uma criança sem pensar nas possíveis consequências (mal posso esperar pra descobrir se POP será assexuado, homossexual, transgênero ou vai só mudar de nome mesmo – PRA PUNK, HAHAHAHAHAH), os pais escolheram um nome altamente infeliz pra dar pra essa criança. POP não é nada. Parece a onomatopéia de alguém abrindo uma garrafa de champanhe. É sonoro, divertido, mas ninguém pode se chamar POP.

Entendo a necessidade de dar um nome de duplo gênero, né. Não dá pra esconder o sexo da criança se você chamá-la de Camila. Mas tem outras opções de nomes que servem tanto pra homem quanto pra mulher. Tipo… Allison. Yumi. Nadir. Há quem juraria que Nadir é nome de mulher, mas esse é controverso, então entra na lista. Outro controverso: Lucimar. Ainda assim, o mais adequado seria algo como José Maria / Maria José, contanto que os pais alternassem o uso do primeiro e do segundo nome pra chamar a criança.

Os pais dizem que estão fazendo isso para que POP (pfff) cresça com liberdade, sem ser forçado a nenhum gênero. Bonito. Pra mim, soa mais como uma experiência antropológica cruel, uma mistura de Mengele com Mogli, o menino lobo, e tudo isso com seu próprio filho. Repito – não dá pra prever as consequências de algo assim pra uma criança. Mas a certa altura, quando ela começa a identificar que é diferente, de alguma forma, de outras crianças, deve sim se tornar perturbador.

Na matéria que eu linkei, uma pediatra sueca diz que não sabe como isso afetará a criança, mas que certamente ela será ‘diferente’. Os pais querem que ela seja diferente? Se eles estão forçando essa diferença, então pra mim não há a ‘liberdade’ de que eles falam. Não é natural.

É como um Bonsai – parece natural e bonitinho, e a gente fica maravilhado com a magia da natureza. Mas na boa, você colocou uma semente de árvore dentro de um potinho. A natureza não é idiota – o mínimo que ela pode fazer é perceber isso e crescer pouquinho. Mas se ele pudesse, cresceria muito mais. Aliás, é isso que ela faria em condições normais.

bonsai
Meu próximo Bonsai se chamará POP.

Os pais dizem que só vão revelar o sexo de POP quando ele ou ela quiser. O que vai acontecer, hum, digamos, amanhã. Quero dizer, assim que POP perceber que não tá de rosa nem de azul, e as outras crianças tão, ela vai perguntar isso pros pais. Mistério FAIL.

E esse papo de dar liberdade à criança não faz sentido. O único jeito de fazer isso sem ser forçado ou prejudicá-la seria se mudar pro meio do mato e se isolar do contato com o resto da sociedade.

Eu não chamaria de ‘liberdade’ vesti-la com roupas unissex, chamá-la por um nome que, além de ser um palíndromo, é onomatopéico e tão emblemático (imagina como ele/ela se sentiu quando o Michael Jackson morreu semana passada) e subverter totalmente tudo aquilo que ele/a inevitavelmente terá contato. Isso só pode transformá-lo/a numa criança perturbada. Aliás, falando em Michael Jackson, até dá pra supôr o resultado da criação hetedoroxa de POP.

(dica do Brunão)

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Menina Maisa e seus medos improváveis

Esse é o famigerado vídeo da Maísa, a menina louca anã do SBT, chorando e berrando de medo no palco do Sílvio, enquando ele gargalha de prazer do espanto da menina.

O que fez Maísa surtar? Não digo, pra te obrigar a assistir. Afinal, é difícil imaginar algo que deixa a menina maluca apavorada. Ela é um adulto de Q.I. 180 aprisionado no corpo de uma criança de 8 anos, como todos sabemos. Daí, por lógica, não dá pra pensar em nada que fizesse a Menina Maísa e toda sua desenvoltura infantil saírem gritando de medo do palco do programa do Sílvio Santos.

Pois bem. O que assustou Maísa foi uma criança mais ou menos da mesma idade dela maquiada como um monstro. Era uma maquiagem bem mal-feita, nada que a astuta menina Maísa pudesse confundir com um monstro de verdade. Ela explica isso no fim do programa, segundo fontes: quando volta, diz que ‘tem medo de maquiagem’.

A menina Maísa é tão bizarramente desenvolta que todo mundo – até o Sílvio – pareceu esquecer que ela não passa de uma criança, que pode sair berrando diante de uma outra criança maquiada como monstro.

Não consigo suportar a imagem mental desta criança surtada numa Noite do Terror do Playcenter. Berrando assim, ela se tornaria ela mesma uma atração. De qualquer forma, esse episódio foi fundamental na vida dos fãs e detratores da menina anã-robô-miniatura, pra lembrar a gente que ela não é nada disso – é só uma menininha de 8 anos, mesmo, que pode ter medo de coisas irracionais como qualquer criança de oito anos.

Maisa faz com classe e elegância coisas que muita gente não conseguiria sem molhar as calças: apresenta programa de TV, segura piada ao vivo, tira com a cara de Sílvio Santos, versa com eloquência sobre as notícias da semana e os fatos marcantes como se falasse do último lançamento da Barbie. Mas caga de medo de gente maquiada.

Ok que ela não era normal de qualquer forma, mas eu já vi criança com medo de palhaço, medo de papai-noel e até medo de gente com barba, mas aos 8 anos ter medo de maquiagem não é exatamente algo dentro dos padrões de normalidade.

E o Sílvio, que parecia só um cara excêntrico, é um vilão horrível sem coração. Se fosse minha filha, eu entrava no palco socando o véio.

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10 coisas que eu adoro sobre o Carnaval


1. Folga no feriado

Funciona assim: tem uns 3 dias, parece, em que você pode comer carne e fazer todo tipo de excesso porque depois vai passar 40 dias como padre sem poder fazer nada. Isso se você for católico. Praticante. Muito. Daí, esse feriado religioso foi incorporado de forma generalizada pela sociedade num estado laico, e todo mundo tira folga nesses três dias pra poder cometer os excessos à vontade. Mas depois, na quarentena, ninguém entra em abstinência de nada (como a gente bem sabe), então nada faz sentido aqui, só o fato de não ter que ir pro trabalho.

Só que eu trabalho no Carnaval, então não acho que esse item se aplica a mim. Ignore essa informação quase insignificante.

 

2. Sorvetes de graça

sorvete apetitosíssimo
Aparência convidativa, mas foi o mais próximo do original que consegui achar

Quando tinha uns 10 anos, passando o Carnaval numa colônia de férias, teve uma gincana relâmpago em que qualquer criança que subisse no palco naquela hora pra cantar uma marchinha de Carnaval (seja lá qual fosse) ganharia um sorvete. Eu não sabia nenhum, mas a então namorada do meu pai – hoje mulher dele - me ensinou um trechinho: “‘Ó jardineira, por que estás tão triste? Mas o que foi que te aconteceu?’ ‘Foi a camélia que caiu do galho, deu dois suspiros, e depois, morreu’”.

Decorei esse trecho, subi lá e, enfrentando a vergonha e os olhares reprovadores dos coleguinhas – afinal, era só UM sorvete, e quem subisse primeiro e cantasse qualquer marchinha ganhava - e cantei esse negócio. Daí ganhei um vale sorvetinho.

Parece que na hora eu fiquei meio confusa: primeiro, porque era uma música trágica pra cacete pra ser cantada alegremente pelas pessoas, com dedinhos levantados, ainda por cima, como se fazia no carnaval. Depois, acho que nem sabia que a camélia era uma flor – provavelmente pensei que era o nome de uma mulher, tipo Amélia (só que com C antes), o que provavelmente também causou alguma confusão, já que fiquei me perguntando o que ela fazia em cima daquele galho.

O problema é que nunca aprendi o resto da marchinha, e até hoje me pergunto que fim levou a camélia e a moça, jardineira, que por ela chorava. E fico pensando, também, se na época em que a marchinha foi escrita as pessoas tinham mesmo tempo de chorar por camélias que caem de galhos.

 

3. Enfrentar reprovação de grupos socialmente opressores

Na mesma colônia de férias, mas num carnaval anterior, houve uma oficina de fantasias. Eu, sempre muito precoce e à frente do meu tempo, resolvi também confeccionar a minha, ainda que todas as outras meninas que participassem do grupo tivessem 13 anos e eu tivesse uns 7, talvez menos.

Era de se esperar que menininhas nessa idade, já com instinto maternal possivelmente aflorado, me acolhessem como a mascote da turma que confecciona fantasias de fadinha. Mas não foi o que aconteceu, como você observa com exclusividade nesse clique certeiro da minha avó (clique na foto para ampliar):

 Fadas mais velhas me desprezando

Mesmo assim, enfrentei os preconceitos e desfilei na avenida (acho que era só na área aberta da colônia, mas eu tenho imaginação, ok?) ao lado de todas as garotas grandes e invejosas da minha astúcia e sagacidade precoces.

 (Nesse item, agradecimentos ao meu irmão que passou na Unesp direto sem cursinho e nem é nerds PARABÉNS VC É FODA PQPQPQPQPQP, pelo trabalho imenso executado ao ter de me enviar a foto por e-mail)

 

4. Camisinhas de graça

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Aparentemente, o Ministério da Saúde está bem mais otimista em relação ao meu Carnaval do que eu. Na porta da estação de trem, ganhei duas camisinhas meio vagabundas e um livretinho ensinando que coisas transmitem AIDS e que coisas não transmitem AIDS (mas ali não tinha todas as coisas que NÃO TRANSMITEM, nem todas que TRANSMITEM, só as mais populares e relacionadas ao carnaval, acho. Não tava escrito que soltar pipa não transmite AIDS, por exemplo, mas acho que é porque as pessoas não soltam muita pipa no Carnaval. De qualquer forma, você entendeu o espírito), além de ensinar também a colocar a camisinha e de ter a Negra Li na capa perguntando “Qual é sua atitude na luta contra a AIDS”?

Resolvi deixar as camisinhas na gaveta.

Do trabalho. Porque vou trabalhar no Carnaval. E se eu me f*der no plantão, ao menos estarei protegida.

(A piada completa foi construída num diálogo descompromissado pelo Twitter com o Dieguito. Créditos também pra ele, portanto)

 

5. Hum…

Não achei mais nada que adoro no Carnaval. Desculpe. Os itens 6 a 10 ficarão vazios, mas pra página não ficar feia, vou colocar uns personagens irados pra você se inspirar na hora confeccionar sua fantasia (e não cair no ridículo de participar de uma oficina onde todas as meninas façam a mesma fantasia de fada. Vou te dar opções).

 

 

6. Sonic: the Hedgehog

Sonic: the hedgehog

7. Bob Esponja

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8. Mickey Mouse

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9. Bidu

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10. O Homem-Aranha

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As coisas que a pré-escola nos ensina sobre as pessoas (mas que nós somos jovens demais para enxergar)

Tem um monte de músicas em inglês com a seguinte letra em algum ponto: “If I knew then what I know now”. Numa tradução rústica, isso é algo como “Ah, se eu soubesse então o que sei agora.” Em português, não soa bem numa música (a não ser que seja uma do Los Hermanos), mas é a mais pura verdade – ou você nunca parou pra pensar no sofrimento que teria evitado no passado se tivesse a experiência de vida que tem hoje?

Eu não me lembro se a minha mãe me deu alguma orientação específica antes do meu primeiro dia de aula na vida, nos idos do pré. Algo do tipo “seja boazinha com seus amigos”, “não aceite lanche de estranhos” ou “não atinja a tia com esses lápis”. Me lembro que chorei quando ela me deixou na porta do Mundo Mágico (que de mágico tinha muito pouco), e que o primeiro diálogo que travei nesse ambiente inóspito e desconhecido (enquanto me esgoelava, me esforçava para responder) foi:

- Oi. Por que você está chorando?
- Porque (suspiro) eu (suspiro) quero (suspiro) a minha (suspiro) mããããããããe (berro)!!!!!!!!!!!!!!
- Qual seu nome?

Veja, que simpatia. Crianças de 6 anos, largadas à própria sorte durante 5 longas horas no pátio de uma escolinha de bairro são capazes de, em poucos minutos, sentirem compaixão umas pelas outras. Esse rapazinho veio até mim e se interessou pelo meu sofrimento, então comecei a me acalmar e respondi:

- É Ana Paula.
- Ah. Então para de chorar senão vou contar pra tia que a Ana Paula tá chorando.

E daí que eu concluo que, apesar de a minha mãe não ter me dado nenhuma indicação antes do primeiro dia, ela deveria. Ela deveria ter me alertado já naquela hora: filha, os filhos da puta existem. São congênitos e estão por toda parte. Você vai começar a encontrá-los hoje.

Pré-escola
Hostilidade, selvageria e Lei do Mais Forte são as palavras de ordem aqui

Quero abrir seus olhos para isso. A maioria das pessoas com quem você gostaria ou não de sair é reconhecível já na pré-escola. E não se trata daquele menino gordinho que senta em cima dos outros garotinhos, ou da menina loira com olhos estranhos que te morde. Esses são óbvios. Tô falando de nuances mais sutis da personalidade, de características que aqueles doces pimpolhos virão a demonstrar quando adultos, mas que já na pré-escola dão as caras.

Eu me lembro com certa clareza que costumava jogar as coisas na mochila – lápis, borracha, régua – de maneira aleatória, por algum motivo que eu desconheço, em vez de agrupá-los na bolsinha que eu tinha e que havia sido criada para isso (conhecida popularmente como estojo). Isso já no pré. Daí eu não achava nada na mochila (estava tudo lá, mas eu não achava), então pedia um lápis emprestado para minha amiga Beatriz*, que tinha um estojo com toda a sorte de lápis e canetas possíveis, incluindo aquelas com brilhinhos, cheirinhos, luzinhas e todas essas firulinhas.

A minha amiguinha Beatriz*, em vez de me emprestar a porra de um lápis pra eu desenhar na aula da tia, dizia: “Minha mãe não me deixa emprestar material”.

Eu tinha vontade de dizer à minha amiguinha Beatriz* que ela estava sendo uma escrota, já que a mãe dela não estava ali naquele momento, e que por esse motivo não a veria me emprestando o lápis. Como a mãe dela não tinha, até onde eu soubesse, mediunidade, ela não saberia que a Beatriz* tinha me emprestado o lápis se ela não contasse. Daí eu devolveria o lápis no fim da aula e tudo estaria bem.

Mas eu não dizia nada disso. Afinal, minha amiguinha Beatriz* poderia ficar magoada. E eu acho que essas coisas não passavam de verdade pela minha cabeça de 6 anos.

Mas nesse pequeno exemplo hipotético, já pudemos identificar dois comportamentos que se estenderam pro resto das nossas vidas (minha e da Beatriz*):

Eu continuo desorganizada. Coloco as coisas na mochila por impulso, em vez de alocá-las nos compartimentos reservados para elas, de modo que quando preciso de coisas como as chaves de casa ou uma caneta, não as encontro mesmo evirando a mochila, e preciso pedir (no caso da caneta) uma emprestada aos colegas de sala, que felizmente não dizem mais “minha mãe não me deixa emprestar material”, mas sim “eu só tenho essa”, o que é uma mentira muito mais convincente;

A Beatriz* continuou uma egoistinha mimada, com sua lancheirinha, mochilinha, estojinho e sandalinhas da Barbie, e hoje provavelmente mantém o estojo cheio de canetas com cheirinhos e brilhinhos e coisinhas, e provavelmente até empresta o material para suas asseclas, mas em troca de favores sociais;

E é só se lembrar de todas as pessoas que estudaram com você na vida inteira: mesmo depois que a gente cresce e vai, sei lá, pro ginásio, e depois pro colégio e depois pra faculdade, todos esses perfis continuam existindo (e aqui só dou exemplos reais): a menina que te regula um gole de água, o cara que rouba chaveiros das bolsas das meninas, o outro que nunca leva caderno, nem caneta e sempre que tem atividade pede uma folha de fichário emprestada… eles estão lá, e sempre estiveram. É que na pré-escola você ainda não tinha experiência suficiente pra notá-los. Bem que nossas mães poderiam ter nos avisado. Vai ver que é por isso que a gente chora no primeiro dia.

*Nome provavelmente fictício. Não lembro do nome de nenhuma dessas meninas que regulavam lápis com a desculpa idiota de que a mãe não deixava emprestar, mas uma delas podia muito bem se chamar Beatriz. Mas isso é mera coincidência.

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Criança, a alma do negócio

Mais um da série ‘fim do mundo’, bem assustador.

Vi no Descolex.

É apenas o trailer do documentário, mas já dá arrepios.

Protejam seus filhos, sobrinhos, priminhos ou o que seja. Para isso, basta quebrar as TVs e videogames, além de destruir o modem que permite que ele acesse a internet, tirá-lo do convívio social com os amiguinhos da escola e isolá-lo completamente do mundo moderno. Se ele sobreviver vai precisar de terapia, mas as chances que se aliene desde cedo são menores. Boa sorte!

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