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Arquivo: crime

Pelo direito de dirigir embriagado

Primeiro, assiste o vídeo:

Ok, o cara é um babaca. Mas ele não tá dizendo mentira nenhuma. Parece que repetir esse discurso com certo orgulho é uma maneira que ele encontrou de ridicularizar a falta de rigor da legislação pra acidentes de trânsito. Claro que assumir isso é confiar no melhor cenário, mas acho que eu sou otimista.

E aí eu achei esse manifesto pelo direito de dirigir embriagado, que prega o fim da proibição de beber e dirigir, alegando que o crime que deve ser punido não é o de ter no sangue uma substância, mas sim o crime EM SI, no caso de a pessoa com a substância no sangue acabar fazendo alguma merda grande.

Eu não sei sobre isso. Se você raciocionar, existe realmente um aspecto Minority Report nas leis que proibem álcool e volante. Pos outro lado, punir só os motoristas embriagados que efetivamente cometerem algum crime parece impraticável num mundo com tanta gente (veja, talvez funcionasse em outros tempos: populações menores, maior senso de proximidade e cidadania etc).

E aí? Opiniões?

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Canção para o estuprador

O Autotune The News é um site que pega vídeos noticiosos, tirados de jornais gringos, e mete-lhes o Autotune. O Autotune, aos que não sabem, é um programa que o Sean Kingston e o Akon e o Kanye West curtem muito, mas que curtem também praticamente todos os artistas de hoje em dia. Ele serve para afinar um trecho desafinado, mas basicamente, pode musicar qualquer trecho falado e transformá-lo em qualquer melodia.

Assim fizeram as versões musicadas do Double Rainbow, Oh My God.

Mas a melhor versão do Autotune The News é recente. O vídeo que deu origem à música é esse:

É que, como você já notou, apesar de ser uma notícia série, é impossível levar a parada a sério uma vez que o irmão da menina atacada aparece. Ele me lembra alguém, inclusive:

JAZZY!!!

Transformada em música, o episódio do estuprador louco ganha uma outra dimensão (e o nome genial de The Rapist Song):

Habilite as legendas e cante junto. Ouça uma, duas, três vezes. Hoje eu cantei no banho, palminhas no segundo refrão. Ou fique com uma versão mais étnica (na boa, o YouTube tem centenas de covers, já, é só fuçar):

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Inquisição virtual: quando vão começar a mandar os piratas pra fogueira?

Ok, teve o julgamento contra o Pirate Bay. Mas no geral, na gringa, parece que o pessoal tá desistindo:

Gravadoras americanas jogam a toalha contra pirataria

Parlamento francês rejeita lei para bloquear internet por download ilegal

Mas como é de praxe, as coisas por aqui sempre chegam com um pouco do atraso natural que é característico do 3º mundo. Se blog e Twitter são agora a sensação tupiniquim, então dá pra estranhar que o governo comece a fechar o cerco para os usuários de internet em tentativas esdrúxulas de conter o incontrolável – com ações-formiguinha como prender moleques que baixam música, ameaçar comunidades que compartilham links de downloads e tirar sites de legendas do ar, que têm o claro objetivo de intimidar grupos de pessoas que em grande parte só compartilham conteúdo sem fins lucrativos.

Quanto mais leio sobre iniciativas de grandes corporações para inibir o acesso do grande público à democracia e liberdade cultural que a pirataria proporciona, mais eu penso que não pode ser verdade que alguém que conheça a dinâmica da internet acredite que ainda é possível reeducar toda uma geração no sentido de ensinar que baixar música é errado.

Em vez de concentrar os esforços em alternativas economicamente viáveis e interessantes pro consumidor e pro artista, os babacas continuam perdendo tempo, prendendo meninos com HD cheio de CDs e usando-os como bode-expiatório de uma situação que é claramente incontrolável.

O projeto de lei francês mencionado no topo foi o que mais me chocou nos últimos tempos. Ele prevê punição os piratas com o banimento do uso da internet por uma quantidade determinada de tempo (dias a meses). E por um breve momento eu tive medo de que a inquisição virtual começasse, de que houvesse de fato o início de uma ditadura maluca na internet – que deveria ser a coisa mais livre do mundo.

Felizmente, foi rejeitado, ao menos em primeira instância, pelo que entendi. Mas aqui no Brasil o projeto do Azeredo continua a pleno vapor.

E eu desconfio que o bicho vai começar a pegar. Sabe por que? Porque as grandes corporações estão começando a perder muito, muito dinheiro por causa da internet no Brasil. Não que já não perdessem, mas a coisa está se espalhando por outros segmentos, coisa que não rolava aqui antes. Olha:

Internet faz receita com ligações internacionais despencarem, diz IBGE

A inclusão digital, a popularização da internet por banda larga, o computador do Milhão e as lan-houses até no inferno conectaram nosso país e estão gerando um fenômeno massivo de gente conectada, coisa que a gente não conhecia antes. O Brasil usa a internet, hoje. Não é mais só a classe média.

Só que o jovem vem pra rede com a mentalidade do nativo digital. E o nativo digital não pensa como o dono da corporações, e nunca vai pensar. Nesse post, Felipe Tofani menciona algumas das características desse grupo. Mas a mais marcante, e que mais contrasta com a vida real – sim, porque a vida na internet é só um reflexo da vida real – é essa aqui:

O poder vem através do compartilhamento de informação, não da mentalidade de escassez. Para ganhar influência e status online, você precisará doar seu conteúdo e conhecimento.

No mundo real, o de carne-e-osso, a mentalidade é a da escassez, a da usura, porque é com a usura que a sociedade capitalista lucra, e time is money – você não perde seu tempo ensinando ou doando nada pra ninguém. Os não-nativos não entendem o poder do compartilhamento, nem compreendem a vontade de compartilhar por compartilhar. No mundo de verdade, há pouco ou nenhum status em compartilhar. Na internet, por um motivo divino e bonito, vale o contrário. Vale a generosidade.

Enquanto os profanos virtuais, os não-nativos, não puderem compreender essa dinâmica, cada dia será um a menos na contagem até a inquisição virtual, em que laranjas serão punidos para ‘dar o exemplo’ à grande comunidade que comete ‘crimes horrendos’, com downloads de música tendo punições comparáveis a homicídio em alguns casos.

Seria fácil se eles aprendessem com os erros dos gringos e observassem que se lá não deu pra proibir, aqui não vai dar. Mas esses caras parecem ser daqueles tipos teimosos, que não aceitam perder milhões. Nós já vimos esse filme. Mas dono de gravadora não pode pedir ajuda pro governo quando perde grana. Sacanagem.

Some isso ao lobby que as grandes e velhas corporações farão contra a cultura do conteúdo livre na web e voilà – no Brasil, nós – usuários de internet – ainda teremos um longo caminho antes que os engravatados percebam que não podem lutar contra o inevitável.

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Sequestrador ameaçou polícia com pistola difícil de encontrar

Na semana passada, no município de Samambaia, no Distrito Federal, um senhor que responde pelo nome incomum de Bejamiro Emídio de Jesus, ficou bem louco num bar e decidiu que faltavam R$42 em sua carteira. Talvez ele tenha se dado conta disso depois de gastar R$42 em cachaça, mas isso não vem ao caso.

Eu nem preciso ficar bêbada pra abrir a carteira e perceber que falta bela muito, muito dinheiro. Mas Bejamiro não é homem que leva desaforo pra casa (quer dizer, ele levou pra casa, mas não pra dele): ele ponderou e decidiu invadir a residência de algumas das pessoas que estavam com ele no bar, para reaver os R$42 na marra, e fez quatro pessoas de reféns por cerca de 10 horas.

A polícia militar do DF prendeu Bejamiro, e divulgou as fotos da operação policial. Agora vamos brincar do jogo dos 7 erros, mas finja que você só precisa encontrar um deles (clique na imagem para ampliar).

Sequestro no DF com Light Phaser

Nada de errado? Ok, vou te dar uma dica. Leia este link na Wikipedia.

800px-sega_master_system_lightphaser

Sim, meu caro. Este senhor ameaçou a polícia por cima de uma mureta com uma pistola a laser usada no Master System, uma Light Phaser. Muita gente já falou desse FAIL policial, mas Bejamiro também portava facas quando foi preso, e em uma das fotos ele ameaça uma das reféns com uma faca, então ele não era de todo inofensivo.

O G1 conversou com alguns especialistas em games que deram quase 100% de certeza que é uma Light Phaser. Mas não precisa ser especialista em game pra reconhecer, comparando as duas fotos. A polícia disse que vai ‘periciar’ a arma pra descobrir se não é uma arma de verdade disfarçada de Light Phaser (tudo bem que seria extremamente engenhoso e, sem querer desdenhar de Bejamiro, não acho que ele perderia tempo construindo tal equipamento – ele é do tipo de pessoa que invade casa de gente aleatória supondo que roubaram-lhe R$42), e eu gostei da palavra ‘periciar’, porque ela concede um aspecto muito mais profissional e científico ao ato de olhar a parte da frente do cano da pistola e ver se ali tem um buraco por onde poderiam sair balas ou se tem um pedaço de plástico transparente.

O mais triste de tudo é que o o moleque (um dos sequestrados é um menino de 15 anos, que eu suponho que tenha herdado a raridade de outro deles, o irmão de 19) tinha um fucking Master System, um videogame que foi criado antes de eu nascer. Mas não era tão ruim – apesar dos gráficos pífios, ele tinha uma pistolinha de luz, que elevava a diversão e a interatividade da coisa a uma potência quase comparável a de um Nintendo Wii. E agora tudo que ele tem é um Master System.

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‘Pela liberdade de expressão’: evangélicos protestam contra projeto de lei que torna a homofobia crime

Tem muita coisa errada acontecendo tipo, everywhere. Eu não conseguiria listar todas nem que eu quisesse. Mas uma exceção, entre poucas, é o projeto de lei que torna a homofobia crime, que estava sendo votado no Senado nesta quarta-feira. Eu meio que fiquei surpresa em saber que ainda não é, mas ok. Se o novo projeto de lei for aprovado, vai ser crime “impedir, recusar ou dificultar o acesso ao mercado de trabalho e a ambientes públicos ou privados por causa de orientação sexual.”

Novamente, me surpreende que hoje isso não seja crime. Quer dizer, se hoje eu não deixar um gay entrar na minha loja (hipotética) e disser pra ele que estou fazendo isso porque ele é gay, a constituição não enxerga isso como crime. Claro que tem o negócio da jurisprudência, então o cara pode me processar baseado na lei que diz que todo mundo é igual, e se o juiz for um cara decente, ele pode ganhar… mas assim, literalmente, escritinho lá, não tem não.

Mas ok, vamos pensar pelo lado bom, eles querem mudar as coisas agora. Até aí tudo lindo, super colorido mesmo.

Aí chegaram eles. Os evangélicos. Os evangélicos em questão não são super coloridos – e a pior parte: eles não querem que ninguém mais seja.

No Senado, um grupo (!) de evangélicos (!!) protestou contra a provação do projeto de lei (!!!). Eles carregavam placas com os dizeres “a favor da família” (!!!!), “a favor da liberdade religiosa” (!!!!!), além de coisas bíblicas esquisitas e da pérola abaixo:

evangélicos homofobia

Acho que a essa altura do campeonato todo mundo já deveria saber que o mínimo que a gente pode fazer, assim, pra respeitar os outros, é deixar que eles sejam felizes. Dentro do possível, óbvio, mas acho que deixar os outros serem viados serem gays está dentro do nosso possível no momento. Digo, da parcela não-gay da sociedade.

Como é possível que MUITA GENTE JUNTA que diz que AMA DEUS (que em tese pregada pelas mesmas pessoas é um ser muito amoroso e misericordioso) possa ao mesmo tempo lutar pra que um monte de gente comum não seja feliz e não perceber o quão estúpido isso parece para todo o resto de pessoas que as observa? Não, sério, porque eu não entendo muito de deus, mas pensando bem, ela não parece o tipo do cara que gostaria de ver as pessoas tristes.

Além disso, travestem (usei esse termo de propósito) essa ‘luta’ na luta pela liberdade de expressão e liberdade religiosa. Mas quer saber? Tô na mesma luta dessa tal ‘liberdade de expressão’ que eles pedem. Daí vou poder expressar com liberdade total, sem eufemismos, minha opinião adorável sobre esse tipo de gente.

É por essas e outras que eu digo que o mundo tá acabando.

*Foto por Ed Ferreira, da Agência Estado

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