21 de maio de 2008 às 4h08
Ópera do Mallandro traz releitura de hits do mestre da Porta dos Desesperados
Vou tentar explicar o que o Sérgio Mallandro representou na minha vida. E não tem nada a ver com Lua de Cristal, pelo menos não a princípio.
Antes de ele se tornar a figura bizarra que é hoje (desconfio de que ele já era uma figura bizarra, e a ausência de um maior senso crítico aos 9 anos me impediu de notar), o Sérgio Mallandro apresentava um programa infantil incrível já na Rede Globo, o Show do Mallandro.
Entre outras confusões que Serginho aprontava em seu programa, havia o quadro mais misterioso e mais aguardado. Toda criança, tenho plena convicção, seria capaz de fazer absolutamente qualquer coisa para participar da Poooorta dos Desesperaaaaaaados. [Insira aqui risada maligna]
Para participar, você precisava ser o mais desesperado. Então uma música MUITO sombria começava a tocar, as luzes do estúdio piscavam e o Sérginho berrava “Tá desesperado? ENTÃO GRITA!” E aí, centenas de crianças aflitas na platéia (e em casa também, não duvide) gritavam e viravam os olhos e se debatiam em seus assentos. Quando mais esquisita e muito louca a manifestação de desespero parecesse, mais chance a criança teria. Claro que as crianças de hoje não seriam páreo para os pobres desesperados dos anos 90. Ah, se naquela época a gente soubesse o que é ser muito louco…
Desesperado devidamente escolhido, Serginho colocava o infeliz a pobre criança em frente a três portas. Uma delas teria prêmios mágicos, incríveis e infinitos, inconcebíveis para uma mera criança suburbana: caloi-ceci, aquaplay, pogobol, pense-bem, caixas e caixas de jogos de tabuleiro (nerd desde pequena; meus preferidos) e todos os brinquedos do mundo. Era o meu grande sonho.
Mas o tiro poderia sair pela culatra. Caso escolhesse a porta errada, além de não ganhar porra nenhuma (muito sadismo né? não bastava a criança perder todos os brinquedos legais), o pimpolho em questão se veria obrigado a enfrentar a fúria de uma cruel e implacável…
Monga. A mulher-macaca, sabe? Tipo aquela do Playcenter. É, a das pegadinhas.
Às vezes (CLÁSSICO!!), também saíam monstros das portas. Ou versões anãs bizarras, que pulavam e agarravam as crianças (que, invariavelmente, se desvencilhavam das pequenas criaturas). O vídeo acima nos presenteia com uma adorável versão anã da cantora Mara Maravilha.
Em casa, eu imaginava uma possível ida ao programa, passo-a-passo. Sabia exatamente que coisas desesperadas e o quanto me debateria para ser escolhida; havia desenvolvido técnicas precisas de escuta para saber por trás de qual porta a Monga espreitava. Além disso, também planejava movimentos de esquiva para fugir dos anões perseguidores.
Bom, nunca fui ao programa, mas isso não importa.
Importa que, como vocês podem ver, dizem que trash é coisa dos 80s , mas Sérgio Mallandro bombou é nos 90 e não houve nada mais genial. Mara Maravilha anã correndo atrás de criancinhas indefesas que tinham acabado de errar a porta cheia de brinquedos? Puta merda, ninguém faz igual.
É por isso que fiquei feliz ao saber que, além do Sérgio Mallandro continuar fazendo shows para universitários e incluir neles uma versão adaptada da Poooorta dos Desesperaaaados, ele é o tema principal do Ópera do Mallandro, um curta-musical de um cara chamado André Moraes que relê as músicas do grande mestre do Trash 90s.
No curta, um monte de gente que você conhece: de Lúcio Mauro filho e Wagner Moura a Thaís Araújo e Luciano Szafir – entre outros.




23 anos, jornalista, curiosa dos mistérios do mundo, odeia inveja e falsidade. 

