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Do dia em que eu virei a Dra. Manhattan

Tatuagem é uma dessas coisas que eu sempre soube que faria, mas nunca pensei muito sobre o assunto, porque sabia que só ia tomar a atitude quando encontrasse algo que valesse a pena tatuar. Eu sabia que seria assim, de cara, e foi. Literalmente.

Eu comecei a (e terminei de) ler Watchmen na semana passada. Não, não vi o filme. E pirei no conceito por trás da HQ e especialmente desse cara azul aqui:

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Ele é o Dr. Manhattan, um camarada que acabou dentro de uma câmara de separação de campos intrínsecos junto com um relógio de pulso e se tornou um ser azul capaz de manipular atomicamente todas as coisas e para o qual o tempo é uma dimensão diferente.

Brisas do Dr. Manhattan à parte, acabou que gostei muito dessa parada que ele tem tatuada na testa, uma bolinha com uma outra bolinha no centro e uma terceira ‘orbitando’. Viajei na idéia de que isso tinha a ver com o fato de o tempo, pra ele, não ser presente, passado ou futuro, fiz uma puta relação bizarra do símbolo com a idéia, e no fim descobri que não passava da representação simbólica de um átomo de hidrogênio.

Oh.

Um átomo de hidrogênio. O elemento mais abundante do universo, constitui 75% dele – não me pergunte como alguém calcula isso. É a primeira coisa na tabela periódica. Estrelas, o berço da vida, as fênix espaciais, são tipo abarrotadas com essa coisa. Hidrogênio é o início, o fim e o meio. De tudo.

E foi nessa hora que soube que era isso que deveria tatuar. No dia seguinte levei o desenho para o tatuador, que tinha um horário livre e perguntou se eu queria fazer na hora. Eu fiz. Eu, a pessoa do mundo que mais pensa e cogita milhões de possibilidades antes de fazer as coisas, fiz uma tatuagem assim, de um minuto pro outro.

E ficou legal pra cacete.

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Legal. Só tem um problema. Eu inventei alguns significados falsos pra tatuagem, porque acho que uma das coisas legais de ter tatuagem é poder ficar explicando pros outros o signifcado dela (quando ela não é óbvia) e inventando novos a cada semana. Como os caras que inventam significados nada a ver pros nomes de bandas. Alguns deles são:

  • É a representação do plug do Neo em Matrix.
  • O círculo externo representa a maldade orbitando ao meu redor, e a bolinha central é a minha essência, que fica isolada dessa influências negativas.
  • É um alvo.
  • É o logo do meu blog.
  • É a reprodução do Crop Circle que apareceu misteriosamente da noite pro dia nos campos de trigo da minha fazenda.
  • O centro representa o universo, e a bolinha em volta representa eu orbitando em volta de tudo.
  • Não sei como isso apareceu aí. Da última vez que me lembro, estava caminhando pela rua – depois, acordei e estava no meio de um matagal com esse negócio no pescoço.

Beleza, algumas colaram. A do blog, e a a das ‘influências negativas’. A do alvo, também. Só tem um problema – TODAS as pessoas pra quem eu contei a piada ficaram mais satisfeitas com a explicação falsa do que com a verdadeira. Diante da revelação de que aquilo era, na verdade, um átomo de hidrogênio, elas deram o famoso sorrisinho-amarelo-de-quem-não-aprovou-sua-tatuagem.

O sorrisinho amarelo existe por uma demanda de manutenção das relações sociais e só vem provar que a sinceridade, muitas vezes, pode ser prejudicial. Explico: você poder ser o cara chato e sincero que vai dizer pro teu amigo que a camisa dele é brega ou que tem um feijão no dente dele (alto e na frente de todo mundo). Você pode ser esse cara, essas pessoas existem e estão por aí. Mas não existe o ‘inconveniente da tatuagem’. Não existe um chato que olhe uma tatuagem que ache uma bosta e diga ‘sua tatuagem é uma merda’. Porque não é como uma calça feia que você pode trocar. Então as pessoas ativam o sorrisinho amarelo, que normalmente é acompanhado de um silêncio e um “-ah.” E foi essa a reação delas em todos os casos. Teve gente que aceitou melhor que eu tatuasse o logo do blog do que um átomo de hidrogênio, puta merda. Borboletinha e estrelinha pode, né. Porque não pode um átomo de hidrogênio?

Mas acho que ok, vou superar a desaprovação popular. Até porque estou bem satisfeita com o desenho. E doeu menos que depilação.

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Já participou da Promoção cujos prêmios não fazem sentido?

Promoção Olhômetro

Hoje é o último dia pra mandar sua participação pra nossa fantástica promoção. Eu sei que o nome não encoraja muito as pessoas a participarem, mas os prêmios fazem muito sentido, sim! Olha só o que dá pra ganhar:

1º lugar: Vale-compras Submarino de R$100 + camiseta Mädels + Livro Antologia Casseta Popular

2º lugar: Vale-compras Submarino de R$50 + camiseta Mädels

3º lugar: Vale-compras Submarino de R$50 + camiseta Mädels

Para participar, é ridiculamente simples. Basta entrar na comunidade do Orkut e dizer de qual post do blog você gosta mais e de qual você gosta menos. Todas as instruções pra facilitar sua vida e regras da promoção estão nesse post, clique e leia.

Até agora, obtive pouco mais de 20 colaborações, o que eu considero um número fantástico – a última promoção que eu fiz aqui só teve, juro, três participantes. FAIL

Eu sei que sempre que alguém faz uma promoção que foi um fracasso, eles dizem ‘devido ao ENORME SUCESSO dessa promoção estamos prolongando o prazo para as participações’. E todo mundo na hora percebe que ninguém participou, e é por isso que eles estão aumentando os dias.

Mas vou aumentar o prazo dessa bagaça pra sexta-feira, 6, até 23h59. E incrivelmente não é porque eu acho que as participações foram poucas, é só porque eu dei falta ali de um monte de nomes que são recorrentes nos comentários. E 20 participações, diante do número de assinantes do feed, é nem 10%.

Assim, quem não participou ainda pode ter mais tempo para executar a TRABALHOSÍSSIMA TAREFA de colocar dois links num tópico do Orkut. :)

Corre que ainda dá, e o negócio e até bem simples de fazer. R$100 no Submarino dá até pra comprar um box de Lost na promoção.

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1ª Promoção cujos prêmios não fazem sentido do Olhômetro

Promoção Olhômetro

Passei um tempão pensando em que tipos de prêmios poderia dar numa promoção dessas. E passei mais outro tempo pensando numa maneira de pelo menos favorecer a participação de quem já é leitor do blog há um bom tempo.

Peguei parte do dinheiro que ganhei nos posts patrocinados sobre o On The Road Again e comprei vales-compras no Submarino, pedi patrocínio pra Mädels Camisetas (que nos concedeu prontamente três camisetas pra dar pros leitores e tem estampas fantásticas de séries de TV, bandas legais e essas coisas descoladas) e tive a sorte, nesse meio tempo, de uma editora também ter oferecido um livro pra engrossar.

Ok, vou explicar como é que faz pra ganhar um monte de coisa tão legal. É super-ultra simples.

REGRAS:

1. Já conhece a comunidade do Olhômetro no Orkut? Não? Entra aqui e join.

2. Entra no tópico Promoção cujos prêmios não fazem sentido.

3. Lá, você precisa postar o seguinte: o post que você mais gosta do blog até esta data, 18/02/2009, e porquê; e o post que você menos gosta no blog até esta data, 18/02/2009, e porquê. Não esqueça de publicar os links para os dois posts mencionados. Cada perfil só tem direito a uma postagem no tópico. (A busca pode ser útil aqui, e tem uma ali em cima, do lado direito. Acessa também o índice, com todos os posts já publicados). Só serão aceitos mensagens publicadas no tópico até o dia 4 de março 6 de março de 2009, às 23h59. O resultado deve sair até o domingo seguinte, 8 de março de 2009.

4. As três melhores respostas com justificativas, selecionadas por mim com base em critérios como criatividade, bom gosto e meu humor na ocasião da escolha dos ganhadores, vão ganhar o seguinte:

1º lugar: Vale-compras Submarino de R$100 + camiseta Mädels + Livro Antologia Casseta Popular

2º lugar: Vale-compras Submarino de R$50 + camiseta Mädels

3º lugar: Vale-compras Submarino de R$50 + camiseta Mädels

Sim, você não leu errado. A premiação do segundo lugar é precisamente igual à do terceiro. Isso ocorreu porque fiquei com dó de dar um vale-compras de 25 reais pro terceiro lugar, e quando vi tava tudo igual mesmo. Por isso a promoção se chama “Promoção cujos prêmios não fazem sentido”. Ainda assim, podemos acertar um bônus pro segundo lugar, no valor máximo de 5 reais. Dois tridents, um sorvete, uma barra de chocolate – sei lá.

5. Os ganhadores poderão escolher qualquer camiseta da Mädels, mas a escolha está condicionada à disponibilidade do modelo em estoque. O frete das camisetas será responsabilidade minha.

6. Não pode participar dessa promoção ninguém que é da minha família ou agregados/cônjuges de familiares.

7. Caso algum dos ganhadores não apresente forma de contato direto (e-mail ou telefone) no Orkut, eles devem entrar em contato comigo através do meu perfil e informar um desses dados em no máximo 5 (cinco) dias, contando a partir da data de publicação dos resultados. Caso o e-mail seja informado, também deve ser respondido em até 5 (cinco) dias, a contar da data de envio. No caso de eu não obter resposta e não conseguir entrar em contato com a pessoa em até 7 (sete) dias da divulgação dos resultados, ela estará desclassificada e outro participante entrará no pódio.

POSSÍVEIS DÚVIDAS:

- Não tenho Orkut. Como faço?
Desculpa, não participa. Criar interação e movimentar a comunidade é um dos objetivos da promoção – o menor deles, de fato, mas é.

- Por que perguntar sobre o melhor e pior post?
Pra eu ter um feedback preciso de que tipo de texto agrada aos meus leitores mais assíduos e, principalmente, para beneficiar esses leitores. Esse tipo de promoção não vai impedir completamente a participação de gente perdida que não lê o blog, mas certamente vai dar uma vantagem àqueles que já lêem.

- Mas não adianta nada – alguém que não lê o blog pode entrar no tópico, ler um apanhado de respostas e escrever a dele copiando uma ou várias delas.
Sim, pode. Mas você também pode tropeçar nesse tapete velho, bater com a cara na quina da cama amanhã e morrer. E eu também. E o que a gente pode fazer pra isso não acontecer? Virtualmente nada, exceto tomar cuidado. Não dá pra estar completamente livre dos espertinhos, mas a gente tenta.

No caso de qualquer dúvida, qualquer coisa que tenha ficado de fora ou qualquer sugestão, por favor, entre em contato através desse link.

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As coisas que a pré-escola nos ensina sobre as pessoas (mas que nós somos jovens demais para enxergar)

Tem um monte de músicas em inglês com a seguinte letra em algum ponto: “If I knew then what I know now”. Numa tradução rústica, isso é algo como “Ah, se eu soubesse então o que sei agora.” Em português, não soa bem numa música (a não ser que seja uma do Los Hermanos), mas é a mais pura verdade – ou você nunca parou pra pensar no sofrimento que teria evitado no passado se tivesse a experiência de vida que tem hoje?

Eu não me lembro se a minha mãe me deu alguma orientação específica antes do meu primeiro dia de aula na vida, nos idos do pré. Algo do tipo “seja boazinha com seus amigos”, “não aceite lanche de estranhos” ou “não atinja a tia com esses lápis”. Me lembro que chorei quando ela me deixou na porta do Mundo Mágico (que de mágico tinha muito pouco), e que o primeiro diálogo que travei nesse ambiente inóspito e desconhecido (enquanto me esgoelava, me esforçava para responder) foi:

- Oi. Por que você está chorando?
- Porque (suspiro) eu (suspiro) quero (suspiro) a minha (suspiro) mããããããããe (berro)!!!!!!!!!!!!!!
- Qual seu nome?

Veja, que simpatia. Crianças de 6 anos, largadas à própria sorte durante 5 longas horas no pátio de uma escolinha de bairro são capazes de, em poucos minutos, sentirem compaixão umas pelas outras. Esse rapazinho veio até mim e se interessou pelo meu sofrimento, então comecei a me acalmar e respondi:

- É Ana Paula.
- Ah. Então para de chorar senão vou contar pra tia que a Ana Paula tá chorando.

E daí que eu concluo que, apesar de a minha mãe não ter me dado nenhuma indicação antes do primeiro dia, ela deveria. Ela deveria ter me alertado já naquela hora: filha, os filhos da puta existem. São congênitos e estão por toda parte. Você vai começar a encontrá-los hoje.

Pré-escola
Hostilidade, selvageria e Lei do Mais Forte são as palavras de ordem aqui

Quero abrir seus olhos para isso. A maioria das pessoas com quem você gostaria ou não de sair é reconhecível já na pré-escola. E não se trata daquele menino gordinho que senta em cima dos outros garotinhos, ou da menina loira com olhos estranhos que te morde. Esses são óbvios. Tô falando de nuances mais sutis da personalidade, de características que aqueles doces pimpolhos virão a demonstrar quando adultos, mas que já na pré-escola dão as caras.

Eu me lembro com certa clareza que costumava jogar as coisas na mochila – lápis, borracha, régua – de maneira aleatória, por algum motivo que eu desconheço, em vez de agrupá-los na bolsinha que eu tinha e que havia sido criada para isso (conhecida popularmente como estojo). Isso já no pré. Daí eu não achava nada na mochila (estava tudo lá, mas eu não achava), então pedia um lápis emprestado para minha amiga Beatriz*, que tinha um estojo com toda a sorte de lápis e canetas possíveis, incluindo aquelas com brilhinhos, cheirinhos, luzinhas e todas essas firulinhas.

A minha amiguinha Beatriz*, em vez de me emprestar a porra de um lápis pra eu desenhar na aula da tia, dizia: “Minha mãe não me deixa emprestar material”.

Eu tinha vontade de dizer à minha amiguinha Beatriz* que ela estava sendo uma escrota, já que a mãe dela não estava ali naquele momento, e que por esse motivo não a veria me emprestando o lápis. Como a mãe dela não tinha, até onde eu soubesse, mediunidade, ela não saberia que a Beatriz* tinha me emprestado o lápis se ela não contasse. Daí eu devolveria o lápis no fim da aula e tudo estaria bem.

Mas eu não dizia nada disso. Afinal, minha amiguinha Beatriz* poderia ficar magoada. E eu acho que essas coisas não passavam de verdade pela minha cabeça de 6 anos.

Mas nesse pequeno exemplo hipotético, já pudemos identificar dois comportamentos que se estenderam pro resto das nossas vidas (minha e da Beatriz*):

Eu continuo desorganizada. Coloco as coisas na mochila por impulso, em vez de alocá-las nos compartimentos reservados para elas, de modo que quando preciso de coisas como as chaves de casa ou uma caneta, não as encontro mesmo evirando a mochila, e preciso pedir (no caso da caneta) uma emprestada aos colegas de sala, que felizmente não dizem mais “minha mãe não me deixa emprestar material”, mas sim “eu só tenho essa”, o que é uma mentira muito mais convincente;

A Beatriz* continuou uma egoistinha mimada, com sua lancheirinha, mochilinha, estojinho e sandalinhas da Barbie, e hoje provavelmente mantém o estojo cheio de canetas com cheirinhos e brilhinhos e coisinhas, e provavelmente até empresta o material para suas asseclas, mas em troca de favores sociais;

E é só se lembrar de todas as pessoas que estudaram com você na vida inteira: mesmo depois que a gente cresce e vai, sei lá, pro ginásio, e depois pro colégio e depois pra faculdade, todos esses perfis continuam existindo (e aqui só dou exemplos reais): a menina que te regula um gole de água, o cara que rouba chaveiros das bolsas das meninas, o outro que nunca leva caderno, nem caneta e sempre que tem atividade pede uma folha de fichário emprestada… eles estão lá, e sempre estiveram. É que na pré-escola você ainda não tinha experiência suficiente pra notá-los. Bem que nossas mães poderiam ter nos avisado. Vai ver que é por isso que a gente chora no primeiro dia.

*Nome provavelmente fictício. Não lembro do nome de nenhuma dessas meninas que regulavam lápis com a desculpa idiota de que a mãe não deixava emprestar, mas uma delas podia muito bem se chamar Beatriz. Mas isso é mera coincidência.

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De volta às origens, mas nem tanto

Você já escreveu uma carta?

Para ser sincera, escrever qualquer coisa à mão pra mim tem se tornado cada vez mais difícil. Acostumei a velocidade do meu pensamento (que já era ligeiro) à rapidez que a digitação permite. Quando escrevo à mão, tento acompanhar, e o resultado é o pulso doendo já antes da terceira linha.

Mas antes do computador eu escrevi à mão sim, e escrevia cartas. Fiz amigos por correspondência naquelas seções que as revistas e suplementos de jornais costumavam ter, com os interesses de cada um e o endereço para trocar escritos. Mas eu nem lembro como é escrever uma, e digo isso porque sei que a etiqueta da correspondência é super diferente da usada no e-mail.

Se você é dos nostálgicos que sentem falta do papel, pode usar a meia (e criativa) solução do Bureau of Communication. Ele não vai te entregar o papel (resigne-se, afinal, papel significa árvores derrubadas, então melhor assim), mas oferece sugestões fantásticas para o envios de e-mails pré-escritos e com aspecto de cartas antigas.

Também serve para você que não tem habilidade com as palavras e quer economizar tempo e criatividade.

São formulários pré-redigidos, com campos personalizáveis e aspecto de memorando antigo e papel timbrado. Tudo muito vintage, como deve ser para alguém extremamente descolado como VOCÊ.

Os temas são variados: desculpas formais, convite oficial e o mais legal deles, retorno não solicitado, que serve para você se você for do tipo que aprecia dar palpites sem que seus palpites tenham sido solicitados.

Pena que não pode ser anônimo.

Ao terminar, basta enviar por e-mail ao destinatário. O serviço é gratuito, mas só está disponível em inglês.

Vi no twitter da Bia Granja

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10 coisas que você acha que te fazem parecer descolado, mas não fazem

Esse texto do Holy Taco, muito espirituoso, compilou 10 itens de vários gêneros que são usados por pessoas que pensam que isso as faz parecer descoladas quando, na verdade, não as faz.

Como também sou muito espiritualizada espirituosa e estou em sintonia com as maiores tendências do wannabe-descoladismo, compilei eu mesma (com co-autoria do meu pai) minha lista de 10 coisas que você acha que te fazem parecer descolado, mas não fazem – versão Brasil 2008. Acompanhe e concorde:

10) Ir ao restaurante de comida japonesa e não comer comida japonesa

Yuki's - Dinner
Creative Commons License photo credit: VirtualErn

Olha, eu nem ligo que os restaurantes estejam se popularizando. Acho ótimo, na verdade – cria concorrência e os preços caem. Eu gosto bastante de comida japonesa e acho que a ‘moda’, sem sentido pejorativo, veio justamente por essa concorrência, que tornou os preços mais acessíveis. Mas assim, OU VOCÊ GOSTA OU VOCÊ NÃO GOSTA. Não tem essa de ‘eu gosto, só não gosto do peixe-cru’. Amigo, você não pode ir a um restaurante japonês, pagar 35 reais e comer manga enrolada no arroz e um Yakissoba, ok? Então, se você não gosta, não precisa ir só porquê você acha que te faz parecer descolado. Porque ir ao restaurante japonês e não comer comida japonesa, olha só, provoca justamente o contrário.

9) Ouvir música alta no celular

Cara, essa é sintomática. Porque é visível no olhar desafiador da pessoa que faz isso que ela realmente se acha muito descolada por ter alto-falantes em seu Sony w300i. Pois eu tenho uma novidade pra você, amigo: não é legal. Não importa o gênero que você ouve, não importa quantas músicas ou o motivo pelo qual você está fazendo isso: todas as outras pessoas ao teu redor, dentro do ônibus, no metrô ou na rua, nesse momento, te acham um babaca. Inclua a  variação ‘ouvir música muito alta no seu carro’, e a outra variação, ‘acelerar sua moto e fazer aqueles barulhos de tiros’. Ambas NÃO te fazem parecer descolado, embora você aparente estar se sentindo muito descolado, e ambas acabam interseccionadas com o próximo item, que é…

8 ) Tunar o carro

Olha, eu não quero ser polêmica. Mas tunar o carro é meio como fazer cirurgia plástica: as pessoas começaram fazendo pequenos retoques, porque era bonito ou porque era preciso. Mas depois a coisa descambou, perdeu-se a referência e hoje em dia todo mundo faz 30 mil modificações e isso acaba resultando em aberrações. Fica ridículo, mas ninguém tem coragem de falar, porque deu um trabalhão para fazer. E não é descolado.

7) Usar buttons

Olha, esse item é controverso. Eu mesma tenho alguns buttons de bandas descoladinhas que gosto de ouvir. Mas cheguei a conclusão que buttons não te fazem parecer descolado, por mais que dêem essa ilusão. É uma pena, pois seria uma maneira relativamente fácil de parecer descolado. Só que não funciona. Embora o design moderno e as cores dos buttons possam enganar alguns incautos, não se iluda: na maioria das vezes você só vai parecer alguém tentando parecer descolado e usando buttons para isso.

6) Tatuar o nome da sua banda preferida aos 15 anos

Olha, eu tenho uma coisa para te falar, se você tem 15 anos. Eu sei (e eu realmente sei do que estou falando) que o mundo parece ser pequeno, mas olha, ele é muito maior. E eu posso te garantir que em menos de, digamos, 5 anos, você não vai mais ouvir as mesmas músicas que ouvia. Além disso, sabe aquela cara de ‘…ah.’ que as pessoas fazem quando você explica para elas o que significa sua tatuagem escrito ‘NX S2′? Então, aquela cara significa que você falhou profundamente na sua intenção de parecer descolado.

5) Ler Paulo Coelho

Gente, que fique claro que eu não tenho nada contra ler Paulo Coelho, nem acho que é literatura pobre ou coisa assim. A questão aqui é que ler os livros dele, sinto informar, não faz ninguém parecer mais descolado. Eu sei que esse é um item perigoso. Você pode pensar que chegar numa roda de descoladinhos com ‘O Alquimista’ debaixo do braço fará milagres, mas não. Falar sobre os livros dele que você leu também não ajuda. Alguém precisa te avisar.

4) Usar o penteado da Amy Winehouse

Gente, ELA pode. Ela é louca. Mas ninguém que não fuma crack pode, de livre e espontânea vontade, fazer aquilo no cabelo. Ninguém vai te olhar e dizer ‘uau, que pessoa legal’. A reação vai ser algo mais como ‘olha, ela quis parecer legal imitando a Amy Winehouse mas não deu muito certo’. Confie em mim.

3) Ficar com um cabinho de pirulito na boca

Calma que eu vou explicar. A moda das raves trouxe junto alguns hábitos curiosos, que rapidamente se espalharam entre os jovens. Um deles foi o uso compulsório de pirulitos. É porque o ecstasy gera alguma brisa maluca que a pessoa fica mordendo (eu acho bem horrível, mas ok, sem lição de moral) então precisa ter algo na boca para morder. Aí, nas festas, a galera fica com cabinhos de pirulitos na boca. Só que a moda se espalhou para os outros ambientes, e as pessoas (talvez querendo dar a entender que estão sob efeito do ecstasy sem estarem) ficam com esse negócio na boca. Isso não faz você parecer descolado, ok? Só em caso de você não saber. E só aqui tem 439 que não fazem idéia…

2) Usar um chapéu que quer ser parecido com o do Justin (Timberlake)

Eu preciso explicar porque isso não é descolado?

1) Ter um blog

Ok, eu sei como é. Você tá de bobeira em casa e sua mãe lê sua redação do colégio. Aí ela te diz que você escreve bem e isso vira sua cabeça. A idéia soa legal. Você vai poder dizer para as pessoas ‘olha, entra no meu blog’. Vai poder mostrar ao mundo o que você pensa dele. Mas enquanto você pensa que todo mundo deve estar te achando muito legal por isso, a maioria das pessoas só te vê como um… nerd. Sim, talvez um nerd antenado, mas nada além de um nerd. E nerds, na visão tradicional (que não inclui vida pós-tecnologica), não são descolados.

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