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Arquivo: deus?

Vou xingar muito no Twitter hoje. Sério


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Explicando a onipresença divina através da gastronomia

Quem vinha duvidando da onipresença de deus vai ter que morder a língua com as últimas descobertas da gastronomia contemporânea. Jesus, o filho do pai, está por aí fazendo a festa nos produtos alimentícios. É como se ele tivesse no céu sem nada pra fazer e resolvesse carimbar sua cara nas coisas por aí.

Os seres-humanos, que são malucos por definição (e passíveis de um fenômeno chamado pareidolia) veem jesus em tudo, o que é bonito e só comprova a tese de que ele está mesmo, em todo lugar. Quem não lembra dessa belíssima frase do (apócrifo) Evangelho de Tomé: “O Reino de Deus está dentro de Você e a Sua volta; nao em prédios de madeiras ou pedras. Rache uma lasca de madeira e EU estarei lá; Levante uma pedra e ME encontrará”.

Significa que você não precisa ir na igreja pra encontrar deus. Ele tem habitado mais as lojas de conveniência, mesmo:

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Observe com atenção (e fé) esse Kit Kat mordido. Lembra-se dele, o Kit Kat? Aquela versão genérica e, na minha opinião, mais saborosa do Bis? Pois é. Clique na imagem para ampliá-la e você vai se deparar com o poder de cristo de se materializar em qualquer lugar.

Não gosta de doces? Não tem problema. Jesus não faz distinção entre ninguém, e por isso, ele também se manifesta em aperitivos salgados:

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Batizado de ‘Cheesus’, esse salgadinho de queijo tem a forma de jesus orando, como é bem óbvio, e foi encontrado por um casal norte-americano. Apenas coincidência?

E, justiça seja feita, jesus demonstra humildade até na escolha dos lugares em que ele dá as caras. A foto abaixo é a maior prova de que ele está EM TODOS OS LUGARES:

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Pena que oportunistas se aproveitam de manifestações gastronômicas (e anatômicas) divinas tão verdadeiras para tentar enganar os fiéis mais afoitos. Esse vendedor do eBay, por exemplo, está vendendo uma torrada com a face de Jesus:

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Numa situação dessa, é importante se ater aos detalhes para não ser enganado. Primeiro, repare que não há coroa de espinhos nessa reprodução. A coroa de espinhos é item obrigatório em qualquer manifestação gastronômica de Jesus.

Além disso, a barba está muito rala, o que não caracteriza o salvador. Em terceiro lugar, a avidência mais marcante: o indivíduo na torrada usa óculos de natação, e todos sabemos que Jesus nunca precisou disso, porque caminhava pelas águas com destreza.

Ao fim, desvenda-se o mistério: a figura na torrada não é jesus coisa nenhuma. Não passa do saudoso Cersibon, mostrando que também o eterno personagem das webcomics  tem algo de místico e inexplicável.

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cersie jeus: separoadfos n nassimento1!”"!

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Uma análise da Season Finale de Lost por alguém que está provavelmente tão confuso quanto você

Eu evitei falar sobre Lost por muito tempo, porque é um post segregador. Nem todo mundo vê a série, nem todo mundo está no mesmo episódio que estou. Mas o fim da 5ª temporada me deu algumas dúvidas e muitas certezas, certezas que eu não vi ninguém mais comentar. Se você não vê Lost ou vê mas ainda não viu o último episódio da 5ª temporada, não leia o texto abaixo. Vou dar alternativas pra todos os gostos e perfis:

Avisado? Ok.

Spoilers TENSOS a partir daqui.

Seguinte. Eu sempre achei que Lost fosse seguir as leis da física, no geral. Não há distorções, se você estudar um pouquinho de física quântica (eu sei muito pouco). Conceitualmente, buracos de minhoca e os paradoxos que as viagens no tempo são capazes de criar sempre foram muito bem retratados no plot da série. Tem até referência a teoria das cordas. Eu sempre achei os caras geniais por isso – um plot enroladíssimo, com conceitos complicados, sem que no geral se pudesse apontar uma falha sequer.

Claro que isso, por um lado, é porque eles não responderam muitas coisas. Quando responderem, poderemos ver se houve falhas ou não. Mas divago. A questão é que minha teoria em Lost se baseava na seguinte premissa – o que aconteceu aconteceu. Ponto. Não há como explodir uma bomba que impeça o avião de cair, porque se o avião não cair, os Losties não estariam ali explodindo a bomba pra que ele não caísse. O tempo é uma linha contínua.

A não ser que consideremos a teoria dos universos paralelos. De qualquer forma, o último episódio, que deixa claro que a série é sobre bem x mal, livre arbítrio x destino, fé x ciência, me fez ver que Lost não está seguindo a regra que eu achei que estivesse – o que aconteceu pode não ter acontecido. Você sempre tem a escolha. Jacob repetiu isso muitas vezes.

Porque eu digo isso? Ok, está claro pra mim que, de certa forma, o incidente que Jack tentou evitar é exatamente o incidente que ele causou. Isso fica óbvio quando o Dr. Chang tem a mão machucada.

Mas o anti-Jacob, que certamente estava representado como Locke por causa das referências iniciais e finais ao ‘Loophole’, (deveríamos ter dado ouvidos às declarações dos produtores, que disseram que em Lost, quem está morto está morto), precisou intervir nesse suposto LIVRE-ARBÍTRIO para que Locke pudesse estar morto. Então HÁ A POSSIBILIDADE DE MUDAR. Explico.

O anti-Jacob foi quem disse a Richard pra que orientasse Locke (o de verdade) a voltar pra ilha e morrer por isso. Assim, o anti-Jacob garantiu que seus planos fossem cumpridos, porque aparentemente ele só pode ‘incorporar’ gente que já morreu (aí, têm referências às divindades egípcias do mundo inferior). Se ele não tivesse feito isso, haveria um futuro paralelo, em que algo diferente aconteceria. Ou não, mas acho que consegui provar o ponto.

Se o anti-Jacob manipulou uma pessoa comum pra que ela interferisse num ato do passado para causar uma ação futura, então qualquer um pode. Lembre-se que quem interferiu foi Alpert, e não o anti-Jacob ele mesmo, ou seja, ele não pode se envolver, mas sempre pode manipular alguém para fazer o que ele quer que aconteça.

Mas Jacob, parece, teria como saber o que aconteceria. Ele foi quem arquitetou, de certa forma, a volta de alguns dos Losties pra ilha. Ele estava sempre lá. Tipo o careca de Fringe. Ou o Linderman, de Heroes.

No geral, o que temos: duas divindades, uma representando o bem – provavelmente Jacob – e outra o mal, que é o moço de preto do início do episódio, e provavelmente o monstro de fumaça, e o Locke de volta à ilha. Jacob acredita nos homens. Acredita que no fim sai algo bom deles. O outro, não. E eles ficam brincando de provar um pro outro seu ponto. 

Sinceramente, não sei o que significa a morte de Jacob, porque acho que não existe, com Jacob e anti-Jacob, a morte literal, do corpo físico. Se eu fosse chutar, diria que a ilha é análoga a um graaande campo de xadrez, em que os dois ficam brincando de mostrar um pro outro quem tá certo e quem tá errado. Os dois estão na luta pelo controle dos ‘experimentos’ na ilha há milhões de anos; quando um consegue manipular o ser-humano pra vencer o argumento do outro, game0-over pro que foi destruído, ele sai do controle da ilha e no lugar dele entra o outro cara, que fica lá brincando com os peões atééé ser derrubado pelo outro fulano. Tipo um jogo eterno, em que dá um game-over e aí o fulano perde a vez, mas tem vidas infinitas.

Hum… alguém assistiu Constantine?

E pros que duvidavam que esse plot estava arquitetado desde o início, refresquemos a memória com uma cena que, agora, faz todo o sentido do mundo:

Não sou dessas especialistas em cultura pop. Tem muita coisa velha e legal, tipo Arquivo X, Twilight Zone e Twin Peaks, que não vivi e só vi depois de crescida. Mas a trama de Lost me lembra algo em Harry Potter – a referência em tramas desse tipo mais próxima da minha geração, por isso mencionei o ponto anterior.

Em Lost, como em Harry Potter, está tudo lá, sempre esteve – o início, o meio e o fim. Nós é que não estamos vendo as coisas na ordem. No fim, quando o quebra-cabeça estiver montadinho, veremos que não faltará quase nenhuma peça. As pessoas pensavam nos acontecimento da 5ª temporada como fatos que alterariam o futuro que já tínhamos visto, mas a gente só viu a coisa fora de ordem. Se você ordenar, está quase tudo ali.

Quase. Porque parece que dá pra mudar as coisas. Talvez, e só talvez, anti-Jacob ter interferido na linha do tempo (orientando Alpert pra que ele falasse que o Locke deveria morrer) pode ter gerado um futuro paralelo em que ele, o Anti-Jacob, se ferra. Ou não.

Chutar o que acontece na última temporada? Não faço idéia. Mas existe redenção ali. Existe redenção de Jack, o cara que era pura ciência e virou pura fé; existe redenção de Kate, que não se importava em tirar uma vida se fosse necessário e acabou disposta a se sacrificar pra não deixar que nenhuma vida fosse perdida; existe redenção de Sawyer, um cara que vivia uma mentira na verdade e depois foi viver uma verdade, ainda que na mentira. E tem Hurley, o cara que pode falar com os mortos; tem Walt (Waaaaaaaaaaaalt); tem Sayid baleado, e Desmond, ao qual as regras não se aplicam.

Agora, só em 2010. Sorte que o fim do mundo tá marcado pra 2012.

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Pro inferno, sem escalas: eu expulsei o pregador do trem

Se você lê o blog há algum há algum tempo, sabe que eu odeio a CPTM. A CPTM é a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos. Existem alguns motivos pra isso – entre eles, está o intervalo longo e irregular entre os trens e a duração da viagem, igualmente longa e irregular.

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FAIL

É exatamente por isso que ponderei sobre escrever esse post – pela primeira vez neste blog, estarei relatando uma típica história de trem com um final feliz.

No começo do Expansão SP, o plano que promete revolucionar e integrar os transportes sobre trilhos no estado e projetar o governador a presidente do país, eu li na parede da estação um cartaz anunciando uma nova medida: o SMS denúncia. Além do 0800 tradicional, pro qual o usuário de trens podia ligar em caso de reclamação ou denúncia de atividade irregular dentro das ‘composições’ (como os maquinistas chamam os trens), agora dava também pra enviar as reclamações via mensagem de texto.

Anotei o número na agenda. Pessoalmente, achei medida extremamente prudente, já que é realmente complicado ligar pro disque-denúncia da CPTM pra caguetar, digamos, um vândalo no seu vagão, já que o vândalo pode escutar e o que acontece em seguida normalmente não faz parte de histórias que podemos classificar como “casos de denúncia bem sucedida num trem”.

Daí que uma vez tinha um maluco pregando no trem, que são os tipos mais insuportáveis de infratores de trem depois dos vândalos.


Pegrando a Bibra

E eu mandei um SMS denúncia e nada aconteceu: ele continuou lá, o que me fez odiar mais a CPTM e continuar vivendo em seguida.

Ontem eu tava ouvindo música e me entra mais um desse distintos senhores que, por motivos desconhecidos até provavelmente pelo próprio deus, acha que as pessoas têm obrigação de ser doutrinadas.

Ele tava lá gritando e eu pensei: “Porque não f*der com um filho da p*ta hoje?” É dessas coisas que passam pela sua cabeça. Pois bem, mandei um SMS pro número de denúncia, que tinha salvado na minha agenda.

Mas informei o vagão errado. FAIL

Disse que estava no último, e tava no primeiro. Olha, acontece; eu pego o trem no mesmo vagão pros dois lados, então ora ele é o primeiro e ora é o último, o que justifica minha confusão. De qualquer forma, eu não estava confiante de que a coisa funcionaria, então desencanei.

Mas o inimaginável aconteceu. Ao passar pela plataforma na estação seguinte, observei os guardinhas se dirigindo ao último vagão. ‘Puta merda’, eu pensei. ‘Funcionou’.

Mandei outra mensagem pro mesmo número, me desculpando pelo erro e informando o vagão correto e tudo de novo – sentido do trem, em que estação pararíamos etc.

Eu me sinto ligeiramente cruel ao confessar isso, mas a cena foi épica. Assim que vi os seguranças se aproximando do nosso vagão quando o trem encostou na plataforma, eu fiquei muito feliz. Eles entraram, rapidamente identificaram a pessoa que estava gritando com uma bíblia na mão (embora o profeta tivesse tentado disfarçar ao ver os policiais) e o levaram, gentilmente, para fora. Um cara na minha frente lia Kafka e começou a gargalhar. E foi tudo genial! Um cara estava ali, falando de deus, e foi proibido de fazer isso por seguranças da estação! Ok que na cabeça dele essa repressão está inclusive prevista por Jesus na bíblia, e vai encorajá-lo mais ainda a pregar, mas na hora foi uma vitória gigante pra todo mundo que se sente desconfortável com qualquer tipo de pregação religiosa num lugar público e não tem coragem de se levantar contra.

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E de repente, eu subi no banco, e gritei, gargalhando de prazer: FUI EU! FUI EU QUE DENUNCIEI ESSE BABACA.

Ok, eu não fiz isso. Mas eu me imaginei fazendo, eu juro. Porque eu queria muito contar pra todas aquelas pessoas que se alguém estivesse fazendo algo errado no trem elas poderiam denunciar de maneira discreta e anônima, e funcionaria. Eu queria compartilhar com eles minha alegria de ter uma reclamação cívica atendida. Não fiz isso com medo de represálias de outros adoradores do senhor (o Senhor, não o senhor pregador) no mesmo vagão. Mas compartilho aqui:

FUI EU! EU QUE DENUNCIEI ESSE MALA QUE TAVA ENCHENDO O SACO DE TODO MUNDO! EU! PODEM ME ACLAMAR, ME AGRADECER! EU FUI A RESPONSÁVEL POR SALVAR-NOS DESSE SPAM DE JESUS, DESSAS PALAVRAS DO SENHOR NÃO SOLICITADAS. EU!

Vou pro inferno sem escala quando morrer, mas pelo menos posso ouvir música em paz no trem. Hunft.

*Coloquei asteriscos nos palavrões porque meu digníssimo pai fica um pouco incomodado quando eu faço uso desse tipo de vocabulário no meu blog. Nesse caso, pai, espero que você note que a frase em si tem uma carga que demanda o uso do palavrão. Até pelo teor humorístico da coisa. Ou seja, não dava pra não usar.

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Deus está precisando urgentemente de Media Training

Eu sempre achei estranho que quem fizesse as leis para as mulheres fossem os homens. Eu sei que existem mulheres no poder por aí. Mas sabemos que elas são minoria, e quem vota em leis que dizem respeito a assuntos relacionados unicamente a mulheres – como, por exemplo, a legalização do aborto – são, em maioria, os homens.

Da mesma maneira, são os homens que decidem o que deus pensa sobre as coisas e devo dizer que isso também me incomoda. E gostaria de dizer que aqui uso o termo ‘homens’ me referindo à humanidade, mas não, falos de seres humanos do sexo masculino, mesmo: os altos cargos da Igreja Católica são sempre ocupados por homens.

Como se isso não fosse suficiente – quer dizer, falar por deus e pelas mulheres, ao mesmo tempo, sendo o oposto dos dois - eles querem decidir que uma menina de 9 anos que foi estuprada pelo padrasto e engravidou de gêmeos não merece entrar no reino dos céus. Veja bem, quem decidiu isso foi um homem, de não deus, de forma que fico feliz que provavelmente essa sentença do homem não tenha validade nenhuma. A não ser que deus seja um cara esquisito.

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Achei uma foto do arcebispo de Olinda e Recife caindo dentro de uma vala e achei adequada

Ainda assim, segundo os mesmos homens, o padrasto que estuprou a menina de 9 anos ainda merece a chance de tentar entrar. Quer dizer, ele provavelmente vai ser barrado na porta (ok, isso se deus não for um cara esquisito, de novo), mas tem a chance de tentar. À mãe e à menina (aos médicos, também), o direito foi negado. Aposto que eles não dormem mais à noite por isso.

Até porque a igreja provavelmente não mantém um banco de dados atualizado em tempo real com o nome dos excomungados. Então se você for lá, em outra paróquia, e fingir que nada aconteceu, vai poder continuar fazendo todas as coisas – se confessando, tomando hóstia e casando, se quiser (e pagar). Eu sempre me perguntei o que aconteceria se eu entrasse na igreja no meio de uma missa e tomasse uma hóstia. O pãozinho queimaria minha boca porque eu não fiz primeira-comunhão e crisma?

Excomunhão por excomunhão, eu acho que, se deus não for mesmo um cara esquisito, a palavra desses caras de chapéu e roupa esquisita não vale merda nenhuma. Especialmente depois desse episódio, que me fez perder um pouco mais de respeito por alguns dogmas absolutamente incompreensíveis da Igreja Católica. Pra quem também se encheu, tá rolando um modelo de carta pra você enviar pra sua diocese, com um pedido formal de excomunhão. Experimenta enviar e depois tomar a hóstia pra ver se a língua queima – eu nunca tive coragem. Deus pode ser um cara esquisito. Antes, lê o melhor texto sobre esse episódio que eu li na internet, no blog do Marcos Guterman.

Mas tem mais gente falando em nome de deus – e eu nem tô falando do Inri Cristo. Eu, no lugar dele, já estaria chateada. Acontece que na última semana o Submarino disponibilizou sua mais nova super-oferta na área de informática, o moderno e arrojado PC Gospel. Eles já tiraram a oferta do ar (acredito eu que tenha sido obra divina), o PC seria uma iniciativa da – adivinheeeeem? – Fundação Renascer e consiste simplesmente no seguinte: lembra como era seu PC em 1997?

Eu lembro. Ele tinha de HD o que eu tenho no meu pen drive, 8GB. Ele tinha de RAM menos que o meu iPod tem, 64MB. Ele lia CDs e só acessava a internet por linha telefônica, a 56kbp/s. E ele rodava Windows 98.

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Criador durante teste do PC Gospel

O PC Gospel é isso. Quase isso. Porque usa peças remanufaturadas – na época, meu PC só usava novas. E roda Linux. E CUSTA NOVECENTOS E VINTE E NOVE REAIS. O blog ‘Uma Visão do Mundo’ conseguiu dar print antes da parada sair do ar, e até fez comparação com o PC mais barato da linha atual da Positivo. PC Gospel pra mim, tem um nome – e é estelionato de Jesus. É tanta, mas tanta picaretagem, que até os insiders sacaram – leia este texto no site Notícias Gospel Mais.

Seja lá onde deus estiver, se ele não for um cara esquisito, talvez já fosse hora de ele fazer alguma coisa a respeito desse monte de gente que decide as coisas em nome dele. Deve ser muito chato esse negócio de ver os outros falando por você, especialmente quando você é o criador de todo o universo. Talvez ele precisasse de um porta-voz oficial… isso, um assessor de imprensa! Vai ver eu encontrei minha vocação. Vou mandar meu currículo.

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Deus onisciente versus livre-abrítrio

Meu truta Marcus, do Grande Abóbora, que me perdoe, mas vou me antecipar a ele e explicar por que diabos um Deus onisciente é um conceito que se opõe ao livre-arbítrio (ele questiona isso no fim do post). Apesar de ser um pouco óbvio pra quem já parou pra pensar, sempre existe aqueles que nunca pararam.

Essa pergunta foi uma das primeiras que eu me fiz na escola católica em que estudei dos 10 aos 15 anos. Vamos analisar os conceitos:

  • Onisciência significa que Deus sabe tudo. TUDO. Mesmo. Tudo o que aconteceu e tudo o que vai acontecer. Ever. Mais que o Quiroga, por mais surpreendente que pareça.


Sauron é uma representação gráfica mais precisa de Deus do que aquela pomba voadora. Se bem que a pomba é o espírito santo… eu não sei bem como é deus, não.

  • Livre-arbítrio é um conceito que parece muito bonito. É o nosso direito de fazer o que quiser da vida, sem que Deus nos impeça. É a imprevisibilidade dos nossos atos, e a nossa responsabilidade pelas conseqüências deles. Uma puta liberdade. Mas é que nem, tipo, o comunismo, ou então a CPMF. Explicando parece fantástico. Só que na prática não funciona.

Ele, e depois eles aí em cima, já cantavam uma espécie de livre-arbítrio há um tempão. O primeiro de um jeito mais legal, claro: “Do what thou wilt shall be the whole of the Law.”*

Se Deus sabe de todas as coisas, então Deus já sabe o que você vai fazer antes que você faça. E nem pense em mudar de idéia na última hora, pois o canalha também tá ligado. É, mano. Você tá indo com a farinha, Deus tá voltando com o bolo já confeitado.

Supondo que Deus já saiba exatamente o que você vai fazer antes que você faça, isso de alguma maneira significa que o livre-arbítrio não exatamente funciona. Não existe imprevisibilidade de atos nem de conseqüências, porque o Cara já sabe de tudo. Aí fica chato, né? Ninguém quer um destino já escrito. É como fazer um mochilão e ter que ir só a lugares pré-selecionados, na ordem certa. E sem sequer perceber que está fazendo tudo porque está num itinerário pré-fabricado.

Ainda bem que, na verdade, esses conceitos não podem ser analisados assim, de maneira racional. Não tenho religião, e apesar da Bíblia ser um puta livro, ela tem umas contradições bem absurdas, e essa é uma delas. Mas essa contradição surge, especialmente, da nossa ingenuidade de querer interpretar o conceito de onisciência de ‘deus’ (veja bem, aqui não me refiro ao deus católico, falo de um ‘algo’ que governe as regras do universo – o ‘grande arquiteto’) dentro das nossas limitações mentais – não conseguimos conceber que ao mesmo tempo que somos livres para fazermos o que quiser, já se sabia o que faremos antes de fazermos (congratulem minha exímia habilidade em conjugar verbos), embora isso talvez seja absolutamente concebível em um espaço-tempo diferente do nosso. Ou não.

Ao misturar ‘livre-arbítrio’ a que temos direito com a onisciência das ‘leis do universo’ e colocá-los para brigar, esbarramos na questão da vida, do universo e de todas as coisas, cuja resposta é 42 – mas cuja pergunta ainda estamos longe de descobrir.

*Apesar da frase parecer ter um algo de ‘livre-arbítrio’, essa citação do Crowley é relacionada à Thelema, a ‘vontade verdadeira’, teorizada por ele e vendida como carne de segunda nesses livros que ensinam ‘O Segredo’. Mais info no Google. Ou aqui.

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