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Um cara ocupado

Como não dá pra prever de jeito nenhum os caminhos pelos quais a vida nos leva, eu tenho feito muitas coisas sobre as quais eu, em outros tempos, faria piada. Uma delas é um curso de Cabala. Outra é que eu ando ATACANDO DE DJ. Muita coisa mudou na minha vida ultimamente – uma que não mudou foi a minha capacidade de fazer piada de uma pessoa que faz curso de Cabala, é jornalista e ataca de DJ.

Jornalista + DJ + Cabala = Madonna + Jesus Luz


O lance é que meu ATACAR DE DJ é bem amador. Eu não sei direito mexer no CDJ, que é aquele aparelho em que você coloca os dois CDs e vai alternando o que quer tocar. Você precisa fazer algo que pode ser fácil pro Jesus Luz, mas pra mim exige mais processamento do que meu chip permite, que é basicamente igualar as batidas por minuto das músicas pra fazer a transição de uma faixa pra outra de maneira não traumática pras pessoas que naquele momento se ocupam com mexer o corpo no ritmo do que você toca.
Como se não bastasse eu não ser capaz de fazer isso, no último sábado, em que eu toquei em Santo André, eu usei um programa no notebook que simula o CDJ, a porra do programa travou e a música parou, entrou uma do iTunes em cima, ai parou de novo, aí voltou a tocar uma que já tinha tocado. Depois desse caos eu toquei HEAVEN KNOWS IM MISERABLE NOW, que é chata pra cacete, mas eu achei que era apropriada.
A banda da noite era o Cícero – que não é uma banda, cara, é um cara chamado Cícero. Eu sei que isso é o óbvio, mas eu quando vi o cover so Strokes dos caras, eu pensei “PUXA, se fosse mesmo um cara chamado CÍCERO com uma banda de apoio, seria SEI LÁ, CÍCERO & banda, ou então algo como CÍCERO MARTINS, sei lá. DEVE SER UM BOM NOME DE BANDA”. Em todo caso, cagou tudo o set e eu fiquei com vergonha dos caras da banda porque o show deles foi tão bom que a primeira música até me deixou meio emocionada (sério, meio sem ar). Eu tinha ouvido só aquele cover dos Strokes, e pra ser sincera, o Cícero e a banda dele de Cíceros tem muito, muito mais a mostrar ao vivo.


Essa é boa, mas ao vivo é muito melhor

O lance é que quando vc é DJ as pessoas pedem música, o que eu acho extremamente deselegante. No sábado, o garçon veio me falar que ‘o pessoal tá pedindo uma MPB ali (!), você tem alguma coisa?’, e puxa, o que é MPB em 2011? É Jorge Vercilo? É Ivete? É os dois ou nada disso? Mas o grande lance é que ser DJ atrai gente doida e tal. Segue o diálogo mais surreal que minha nova ocupação nas horas de lazer me proporcionou. Pra efeitos ilustrativos, vamos chamar o protagonista dessa cena de CARA OCUPADO:
cara ocupado: MEU! Que demais essa música, meu, que som irado, curti muito esse som!
eu: pôxa, obrigada! :)
cara ocupado: não, mas eu curti MUITO MESMO esse som. Queria ouvir ele assim no meu carro, sabe, num momento de lazer… sabe?
eu: sei… é, bora ouvir né! rs (rs é o que melhor descreve a maneira como eu sorri pra ele naquela hora)
cara ocupado: você não tem mais desse som aí?
eu: tenho, claro… vou tocar mais umas coisas assim.
cara ocupado: não, é que eu queria um CD!
eu, preocupada: mas… mas… eu não tenho um CD, amigo.
cara ocupado: mas eu queria que você gravasse um pra mim.
eu: …
cara ocupado: tem como gravar um cd desse pra mim, a gente vê um esquema de eu te encontrar pra pegar esse CD…
(nesse momento eu pensei que ele pudesse estar dando em cima de mim, mas VEJA, ele estava com a garota dele. Então não fazia sentido)
eu, mais preocupada: nossa, cara, mas isso vai dar um trabalhão… você não acha mais fácil eu te passar o nome da música, daí você baixa?
cara ocupado: não, meu! isso não funciona pra mim, não tenho tempo de ficar procurando, baixar. Eu sou um cara ocupado, trabalho demais. Eu faço adesivação de móveis, sabe?
eu: CLARO, FRITAS ACOMPANHAM?
Importante dizer que ele se manteve com um sorriso eufórico e maníaco durante toda conversa. E enquanto os fiéis do Edir Macedo passam anos doando os tubos pra comprar vaga no céu, eu garanti a minha sábado PASSANDO MEU E-MAIL PRA ESSE MANO. Eu continuo sem acreditar, mas acho que ele era meio doido. Aguardemos os próximos capítulos.
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Festa estranha com gente esquisita

O Coletivo Marte é um projeto totalmente independente, idealizado pelas pessoas com quem passo a maioria dos meus finais de semana (ou seja, os meus amigos) e colocado em prática por todos nós. No próximo sábado, 29, rola a terceira festa do Coletivo, chamada MARTE ATACA!, que como as anteriores tem música, exposição de arte e moda.

Além disso, tem eu discotecando ao lado da @navarrocarol, baixista do Lipstick. Na festa, tocam também as bandas Marco Nalesso and the Big Bang Band (uma viagem instrumental que tem jazz, funk, samba, rock e percussão), El Paso (the next big thing do rock independente brasileiro, escreva o que digo) e The Orange Disaster (banda paralela do Vini e do Davi, dois dos Ecos Falsos). Clique e ouça tudo antes de ir, você não vai se arrepender.

A 3ª MARTE ATACA! acontece no Espaço Serafa, na Rua Nossa Senhora da Lapa, 724. Olha o mapa aqui embaixo:


Exibir mapa ampliado

Não tem desculpa pra não ir: é colado na Estação Lapa da CPTM (trem) e começa cedo, às 20h, justamente para contemplar os pobres que não possuem carro. E custa só 3 reais com nome na lista, que pode ser colocado se você mandar o nome pra mim pra anabsf@gmail.com com o assunto LISTA MARTE ATACA até sábado às 12h.

Caso você esteja se pergunta que negócio é esse Swing de Roupas (e não, não é um swing sem tirar a roupa), dá uma lida aqui. Aproveite pra dar uma olhada no blog do Coletivo Marte: http://coletivomarte.wordpress.com

Como eu ainda não terminei de escolher o que vou tocar, aceito(e clamo por) sugestões nos comentários. Pode ser qualquer coisa agradável de ouvir, mas o julgamento final é meu, naturalmente. Apareça e me procure, que a gente troca uma ideia sobre a vida, o universo e tudo mais, e você ainda pode me fazer todas aquelas perguntas fabulosas do Formspring.me pessoalmente.

Obrigada aos amigos @rafaoncoffee, @gabrielahesz, @andr_oid, @euamotubaina e tantos outros que curtiram essa ideia de me convidar pra dar play em umas músicas.

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Agora todo mundo é DJ

Falando em Orkut, tem dias em que perco horas numa atividade que chamo de intromissão falta do que fazer check out: me certifico de que meus velhos amigos e conhecidos, com os quais não tenho contato há tempos, estejam contentes e tendo uma vida alegre.

Sim, eu fuço, mas óbvio que isso não é condenável, porque o Orkut está lá para ser visto por outras pessoas. E fuçando descubro que agora a moda é ser DJ.

Explico: não se trata do lance de ser DJ no trem ou na rua, tipo colocar música super alto pros outros ouvirem. É ser DJ de verdade, mexer nas pickups e tudo mais. É que agora rola a moda das festas de música eletrônica, as raves. E essas figuras provavelmente sonham em ganhar dinheiro com a coisa que mais gostam: tomar drogas e ficar pulando ao som de músicas incompreensíveis pra quem não toma essas drogas.

Não é condenável querer ganhar dinheiro com algo prazeroso. É, na verdade, o que eu faço aqui (ou pretendo fazer). Mas é que meio que banaliza a coisa, sabe? Não sei, é só o que eu penso.

Por exemplo: meu amigo Júlio César é freqüentador de raves e nóia declarado. Posso falar à vontade, porque ele nunca vai ler (ele não lê), e se ler vai dar risada. Se eu digitar ‘DJ’ na busca de amigos dele, tenho duas páginas de respostas, uma e meia delas contendo o termo no nick dos sujeitos, sempre acompanhado do símbolo de Ohm.

Desses DJs da lista do meu amigo Júlio, conheço pelo menos quatro. Um deles é um dos meninos mais bobos que eu conheço. Posso dizer isso, porque o conheço desde que ele tinha uns 8 anos. Ele sempre foi bobo, sempre vai ser. E se não acreditam, saibam que até seis meses atrás, a banda preferida dele era…


…o Aqua. …

Como se não bastasse, o perfil dele atualmente traz a transcrição de uma letra do grupo Chiclete com Banana (algo como ‘Sou praieiro, sou guerreiro,…’ etc)

Os outros são pessoas que eu também conheço há anos e sei – SEI – que não entendem nada de música. Tipo, são aquelas pessoas que não gostam de música, sabe? Eu costumo perguntar pras pessoas se elas gostam de música, quando conheço gente nova, e alguns respondem ‘quem não gosta?’

E eu respondo: a maioria das pessoas não gosta de música. A maioria das pessoas ouve o que dizem pra elas ouvirem, ou o que os amigos delas ouvem, ou o que toca nos lugares que elas freqüentam, ou o que toca nos filmes que elas assistem. E tipo, elas gostam daquelas músicas, mas sério: elas não gostam de música. Elas gostam do que é fácil gostar… E esses novos DJs são desse tipo.

Posso entender que, desde o início dos tempos, as pessoas querem subir no palco pra comer alguém. Tipos que, no fundo, todo mundo faz música (mesmo que goste) porque sabe que isso vai aumentar consideravelmente suas possibilidades com o sexo oposto. É fato, não podemos fugir disso. Mas eu ainda acho que é preciso gostar (e conhecer) um pouquinho de música. Sabe? Pra ser DJ de qualquer estilo não basta gostar de tomar drogas, de mulher e de ser popular. Tipos, nem é pré-requisito, acho.

Duvido que esses caras gostem de música. Eles gostam é de drogas. Para preservar minha integridade (a maioria prega a paz e o amor nas raves, mas costuma sair socando gente nas sextas à noite e eu não quero correr o risco), não vou colocar links para profiles, mas se vocês pudessem ver o naipe dos figuras, tenho certeza que concordariam.

Mas, bem, como devemos incentivar a democracia musical, e hoje é tão fácil fazer música, vou até ajudar aqueles que ficaram empolgados com a perspectiva de pegar muitas mulheres encher o cu de drogas virar DJ.

No http://www.tony-b.org, você tem uma espécie de… sei lá, não sei o nome dessas coisas de DJ, mas é uma bela aparelhagem virtual à disposição. Tem vários efeitos, samplers e um tecladinho supimpa. Eu fiz uns sons à là New Order e já dava pra animar uma galera. O programinha permite salvar as músicas que você criar no database do site, mudar skins e até escolher o tom da batida, entre outras opções muito legais.

O http://www.ampledesign.co.uk/va/index.htm é mais um experimento musical, mas é mais legal ainda. É uma espécie de tradutor sinestésico: o programinha, em flash, traduz os movimentos que você faz com o mouse (a rapidez deles, também) e as cores e formas dos traços em notas e timbres musicais. É bonito de ver e legal de brincar.

 

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