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Um roteiro da cobertura jornalística na tragédia do Rio

A cobertura da chacina na escola no Realengo, no RJ, tá seguindo um roteiro bizarro, quase sempre igual, nos grandes portais de notícia. Segundo minha observação minuciosa, os elementos principais da cobertura geral do caso consistem, já nas manchetes, em vídeos e fotos muito, muito gráficos – geralmente envolvendo sangue – do louco (Wellington era o nome dele) morto ou das crianças correndo por suas vidas.

Carta do Assassino do Rio de Janeiro

A essa altura, você já sabe que essa é a carta bizarra que ele deixou. Não vou por a foto do cara morto aqui porque seria um pouco contraditório e a foto é realmente forte - e não que eu me importe muito com a contradição, é mais por causa do teor da imagem mesmo. De todo modo, ela está disponível no Flickr do Jornal da Tarde.

Daí, segue um vídeo ou entrevista em texto com um pesquisador em educação ou violência e um jornalista procurando um padrão em um caso que é, claramente, uma exceção bizarra. É fora da curva, gente. Não adianta tentar analisar a situação como um fenômeno social, não é. O assassino era doente mental, fez uma barbaridade, mas felizmente é uma exceção. Certamente, não é com esse tipo de violência em escolas que devemos nos preocupar – a violência que acontece em colégios como padrão é outra, uma que de tanto a gente ler por aí nem é mais notícia.

Aí tem sempre alguém culpando o fato de o Wellington ter conseguido entrar na escola sem ser funcionário ou professor, e esquecendo que a escola é um espaço público, comunitário, e que o ponto não é ele ter entrado ou não na escola – afinal, ele é ex-aluno, provavelmente conseguiria entrar de um modo ou de outro. No entanto, ninguém questiona o fato de que o problema é ele entrar na escola ARMADO COM TRÊS PISTOLAS E MUNIÇÃO PRA MATAR TRÊS CRIANÇAS.

Ontem, tínhamos elementos até humorísticos na cobertura. Na Record, parece, rolou um GC (gerador de caracteres, aquela faixa que vai embaixo da tela explicando o que tá acontecendo) escrito URGENTE: DILMA CHORA.

Dilma chora durante discurso em reunião do Diretório Nacional do PT

Gente, não é assim tão novidade. Ela chorou na posse, lembram? Acho que já não há mais dúvida que a presidenta é capaz, SIM, de chorar!

Em seguida, vem uma matéria endeusando o policial que pegou o assassino. Não desmerecendo o PM, mas devemos reconhecer que ele estava (felizmente) no lugar certo e na hora certa fazendo a obrigação dele. Aliás, obrigação dele era ter impedido, mas enfim, ele era PM Rodoviário, então esse caso é provavelmente a coisa mais emocionante que aconteceu na vida dele (ei vô, to brincando. Eu respeito muito Policiais Rodoviários, sei que o senhor teve muitas histórias emocionantes).

Mas tratar o cara como herói? Ele nem sequer matou o assassino (VEJA, não estou dizendo que isso é ruim. Pelo contrário, achei muito responsável atirar só na perna, só quero saber se foi proposital ou se ele errou o tiro mesmo, dado que Wellington corria no momento em que foi antigido).

Nos comentários, tem sempre alguém dizendo-se infeliz pelo rapaz ter se matado, porque acha que ele sofreu pouco, e gostaria de poder vê-lo ser torturado na cadeia ou morrer, sei lá, de repente de maneira mais cruel, né? Ou então, gente dizendo que ele é a prova de que todos os fanáticos religiosos deveriam morrer, sem notar que pregar isso também é uma maneira de fanatismo tão escrota quanto.

Não se trata de fanatismo religioso, de padrão social. Wellington era desequilibrado, ponto. O que deveria ser questionado, o que a cobertura do caso deveria realmente trazer à tona, não é a falta de segurança nas escolas estaduais. É o acesso fácil que uma pessoa desequilibrada como ele, que além de louco era pobre – ganhava 400 reais por mês num emprego que tinha largado há seis meses – tem a muito armamento e munição.

Relatos dão conta que ele não tinha amigos, era introspectivo e vivia na internet. Eu não me espantaria se começassem a culpar a falta de vida social e o excesso internet pelo crime, ou então A PRÓPRIA INTERNET, quando vasculharem os históricos de acesso dele e descobrirem o tipo de material que ele lia. Mas questionar a questão do armamento, em um país cuja população há poucos anos votou contra o desarmamento, isso não rola. Ontem vi uma materiazinha em algum portal dando conta que entre cada 10 armas ilegais apreendidas pela polícia, 8 são de fabricação nacional. Quédizê

E a cereja do bolo na cobertura são os relatos da menina Jade. Menina Jade, como Menina Isabela e Menina Eloá, vai virar uma entidade assim, com esse recém chegado status de ‘Menina’. E não é pra muitas: ela e a Menina Maísa são as duas únicas figuras nesse panteão de Meninas que continuam vivas – as outras duas ganharam o status de Menina, coitadas, justamente por terem sido mortas.

A foto é do Tasso Marcelo, lá da Agência Estado (gente, que saudade de fazer uma legenda de foto com /AE)

Eloquente e incisiva, a Menina Jade descreve com desenvoltura detalhe por detalhe do que passou dentro da escola. Sua falta de emoção e racionalidade, provocados suponho pelo choque pelo qual ela passou – não me surpreenderia se ele desenvolvesse algum trauma ou, sei lá, chorasse sem parar pelos próximos 20 dias seguidos – chega a assustar. Ela repete as frases do assassino, a das crianças. Descreve o que viu, sangue e gritos inclusos. A parte preferida dos jornalistas é aquela em que Jade diz que, para se acalmar, desenhou na própria mão (não os culpo, colegas; a imagem é forte mesmo, também seria minha preferida. Instintivamente). Aí os caras de bloquinho na mão piram. Os que seguram câmeras pediram até pra ela mostrar (Consigo ouvir um “Jade, você pode mostrar pra gente como foi que desenhou na sua mão?”, um pedido que soa estúpido porque né, eu e você e todos sabemos com o que se parece alguém desenhando na própria mão. Mas a foto valia o pedido estúpido).

A única coisa que ninguém fez ainda foi prender a mãe dessa menina PELO CORTE DE CABELO QUE ELA COMETEU NESSA CRIANÇA. Gente, o que está acontecendo ali?

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Um jogo que ajuda a estudar pro Enem

Aaah, o período de vestibulares.A época mais conturbada da vida de um jovem, que aos 17 anos precisa escolher o que vai fazer pro resto da vida. E depois, se dá errado, ainda há quem o culpe.De qualquer maneira, os meus 17 foram muito, muito turbulentos. Muito embora eu já soubesse que faculdade cursaria, houve um belo percurso, cheio de obstáculos, que precisou ser percorrido para conseguir chegar lá. Eu fiz o ENEM, e fui muito bem, obrigada – mas naquela época, ENEM era prova pra mobral. Hoje em dia parece que o negócio é sério, né?Tipo, é uma FUVEST. A galera se mata estudando e tal, até porque muitas faculdades – a própria UFABC, aqui perto de casa, na qual eu juro que queria fazer algo mas não tinha nenhum curso que me apetecia na época – usam somente o ENEM como vestibular.

Outra coisa que eu odiei nos meus 17: perdi shows, ‘baladas’ (eu odeio essa palavra, mas na falta de outra…) e outros eventos característicos da juventude PORQUE TINHA SIMULADO QUASE TODO FIM DE SEMANA. O colégio em que estudei é daqueles super APROVAMOS SEU FILHO e tal, então tinha toda uma pressão. Se você vai fazer ENEM ou prestar vestibular esse ano (aos 17 ou não), com certeza vai ter que ir dormir cedo no dia antes da prova, mas pode ser que troque um ou outro simulado por esse jogo aqui, do Guia do Estudante, o Bixo Evolução. Senti uma vibe Spore nele, mas não tem muito a ver: é mais um simulado interativo do ENEM. Pra mim, foi excelente pra perceber como eu tô ruim nessas matérias de escola. Errei quase tudo, e não evolui nada. Se quisesse voltar pra faculdade ia precisar estudar muito – que só prova que boa parte do conhecimento adquirido na escola é inútil depois na vida profissional, ou que eu sou uma completa ignorante, você escole.

Mas a pegada do jogo é que você anda com seu bichinho primitivo, responde às perguntinhas e vai evoluindo pra se tornar um BIXO (ahn, sacou o trocadilho?).

Aproveita que ainda tem dois meses antes da prova (que vai ser nos dias 6 e 7 de novembro) e dá uma olhada no game. No site também dá para tirar dúvidas, participar de grupos de estudo e enviar suas redações pra correção (o que é muito legal – na minha época, a gente tinha que esperar o professor corrigir, mesmo). E se precisar reforçar o conhecimento para a prova, conte com o Curso Preparatório ENEM 2010. É bem prático e fácil de estudar, e você pode comprar em qualquer banca e livraria (no Brasil inteiro).

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25 de maio é dia do Orgulho Nerd (e Dia da Toalha)

Uma vez, contei aqui minha trajetória nerd. Eu era nerd antes de saber o que isso significava. De maneira completamente inesperada, aos 7 anos eu me interessava por card games, revistas sobre U.F.O.s e Combustão Humana Espontânea e já me aventurava pelo Windows 3.0.

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Sério, eu era uma criança nerd insuportável. Dá uma olhada nessa redação que eu escrevi na quarta série, “O Passeio”, e nos adjetivos malas que eu usava. Tem também um excerto pessoal, uma auto-análise, que já dava sinais de que eu me interessava por nerdices (e tinha potencial pra me tornar eco-xiita), e cujo título demonstrava toda minha criatividade nerd: “Eu” (Relevem as duas caligrafias ABSOLUTAMENTE OPOSTAS, que provavelmente só indicavam que na ocasião eu já era meio maluca e tinha desdobramentos de personalidade).

E a prova final, meu boletim cheio de notas próximas ao 10.

boletim
Com 8 de atitude não dava pra cogitar fazer parte do Charlie Brown Jr.

Naquela época, eu só não era uma pária no colégio e não sofria bullying porque passava cola e fazia trabalhos pros amigos sempre tive a favor de mim essa personalidade exuberante e conciliadora extrovertida. Ou seja, além de nerd, eu pagava de louca-engraçada, daí meus amiguinhos acabavam aceitando a parada.

Quando a adolescência cruel semi-chegou, as coisas pioraram e eu fui duramente oprimida. Eu achava que o ginásio e o colégio representavam o fim do mundo, a constatação de que eu jamais seria realmente legal, e que aquilo não teria fim.

Sabe o que? Teve. E eu acabei teorizando que na faculdade não existem nerds. Explico: na faculdade, mesmo os nerds mais nerds são ligeiramente descolados. Bebem, fumam, têm namoradas que gostam de nerds, contam piadas que às vezes até são boas…

Mas isso não significa que o orgulho nerd se acaba quando as pessoas saem do colégio. Significa só que vivemos num mundo mais bonito, colorido, diverso e tolerante, que aceita que nerds se integrem socialmente depois da adolescência sem maiores traumas.

Quando a tormenta passou, e eu me deparei com a quase adulta que eu me tornei, percebi que tudo aquilo de que eu me orgulhava era proveniente da minha nerdice juvenil. Devo agradecimentos a todos os bullyings que sofri, a todas as broncas que levei da família por querer ler Vampiro: a Máscara em vez de entrar na piscina, de todos os olhares estranhos por andar com um exemplar completo da trilogia de Senhor dos Anéis pelo pátio do colégio no intervalo. Porque essas dificuldades idiotas, os pequenos obstáculos, me ajudaram a ser mais forte e a ter orgulho disso. Ser nerd foi fundamental pra ser quem eu sou hoje, com todas as coisas boas e ruins.

Hoje sei que não há nenhum problema nisso. E sobre a toalha, é verdade: eu sempre a carrego comigo. Se um dia me encontrar na rua, pode perguntar e conferir. Até tirei uma foto dela (e de mim):

didatoalha

E antes que alguém possa mencionar: a cara de doente é porque estou doente. Benzetacil hoje, e a dor de garganta nem passou por completo. Ou seja – agora to com duas dores pra me preocupar. Ainda assim, te desejo feliz dia do Orgulho Nerd. Nos merecemos.

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Univerxadrez

E daí que cheguei na faculdade esse ano e encontrei os batentes das portas ornados por uma caixinha preta com um led que, dependendo da situação, era verde ou vermelho.

A única vez em que tinha me deparado com algo parecido foi quando me aventurava na Rússia soviética como agente secreta da coroa britânica. No Nintendo 64, jogando 007 Goldeneye – as caixinhas nas quais você deveria encostar as credenciais que abriam as portas eram iguaizinhas.

007

Normalmente a gente não precisa alvejar os soldados antes, mas acho que é uma das próximas medidas

Um pouco de conversa com os amiguinhos foi o suficiente para sacar que, muito embora eu não fosse mais agente secreta na Rússia soviética, aquelas caixinhas eram mesmo autenticadores de credenciais. As portas da universidade não usam mais o defasado sistema de chave na fechadura. As portas só se abrem com o professor passando o crachá.

Moderno, arrojado, primeiro mundo. Economiza tempo, porque o professor não precisa ir até a sala dos professores buscar a chave quando chega. E aumenta a segurança. Lindo.

Só tem uma coisa. Junto com as caixinhas pretas, veio uma nova política gatekeeper na faculdade – uma vez fechada pelo professor que entrou na sala, a porta não abre mais pelo lado de fora. Lá, encontra-se apenas uma maçaneta falsa, travada, pura ilusão para constranger o aluno que pegou recorde de trânsito em SP ou que só quis mesmo passar no bar antes de entrar – só pra ver se tinha alguém lá, sabe como é – ou seja lá o que for que fez o cidadão atrasar.

A política nova obriga ao aluno bater na porta e esperar que o professor abra. Toda vez em uma aula que um aluno chegar atrasado o professor será obrigado a parar a aula, desviar a atenção de toda a sala para o aluno em questão e abrir a porta pra ele. Para cada aluno atrasado. Todas as vezes que um aluno chegar atrasado, o professor terá oportunidade de olhar bem para a cara dele, pois terá sido ele mesmo quem abriu a porta. E como eu sei que tem uns professores bem loucos, tenho certeza que algum deles será capaz de negar ao aluno a abertura da porta.

Eu não consigo expressar minha indignação diante de tamanha… sei lá, catracalização. Porque quero usar palavra de redação da FUVEST. Porra, será que teve mamãezinha ligando e reclamando que o filho tava indopro bar? Estamos numa faculdade, não na oitava série. Daqui a pouco, a gente vai ter que pedir pra sair da sala se quiser ir no banheiro.

Fico imaginando sob qual pretexto um grupo de pessoas resolve tomar uma atitude dessa numa universidade. Tem lá a mesa diretora, com o reitor, o conselho educacional e sei lá. E alguém sugere inutilizar as maçanetas do lado de fora – como um grupo de pessoas concorda com isso? Que explicação eles pretendem dar aos alunos para justificar uma decisão dessas?

O mais frustrante é o contraste diante de uma situação recente – meu irmão, que passou na Unesp, veio com seu ‘Manual do Bixo’ para casa. O livro, que explica toda a dinâmica dos cursos, todas as atividades possíveis disponíveis aos alunos na faculdade, tudo mesmo, é escrito pelos próprios. Eles até falam mal da reitoria. E o livro é impresso na gráfica da Unesp. A diferença entre a minha e a dele podia ser só o ‘n’, mesmo. Pena que é mais que isso.

A única coisa que aluno imprime na minha faculdade é resumo de livro que não leu, 10 minutos antes da prova. Gráfica? A faculdade deve ter, mas alunos não usam, óbvio. O contato mais próximo que os alunos têm com organização espontânea de coisas dentro do ambiente acadêmico é a organização de festas, atividade desempenhada, aliás, com muita maestria.

Não bastavam as catracas na entrada e a obrigatoriedade de carteirinha pra uma delas, agora você precisa da permissão e da ação do professor pra entrar na aula. Aguardem o próximo capítulo, em que minha mãe terá que assinar com um visto de ‘ciente’ um bilhete escrito por um dos meus professores dizendo que eu não me comporto na aula. Pff.

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Sinais gráficos que as pessoas não sabem usar

O fato é que as pessoas não sabem usar aspas. Eu já discuti isso com algumas pessoas porque é um assunto que passa batido pela maioria delas e, quando você encontra alguém que “também” fica “indignado” com quem usa “aspas” pra “enfatizar”, bate um sentimento forte de “identificação” com o “outro” e de “não-estou-sozinho-nesse-mundo”.

Até porque a utilização inadequada de aspas em lugares desnecessários é capaz de gerar estranhos efeitos cômicos. Aspas serve pra duas coisas – destacar um conteúdo que está sendo reproduzido literalmente da boca de outro indivíduo que não o autor do texto ou denotar que a palavra que você está usando, no contexto, não apresenta significado literal.

Cuidado: cão bravo

Isso significa que essas placas que a gente vê direto por aí, nas quais a gente vê aspas como se fosse vírgula, acabam não significando nada. Se o “Cão Bravo” está entre aspas, você parece um idiota escrevendo isso numa placa, porque parece estar reproduzindo algo que alguém disse. E se você colocar aspas só no “Bravo”, vai parecer que 1. ou você foi irônico e seu cão é dócil ou 2. ou “bravo” é seu eufemismo para dizer que seu cachorro é absolutamente sanguinário.

Conclusão: aspas não se aplicam em nenhum dos dois casos.

Ok. Daí alguém – alguém foda, alguém muito esperto – teve a idéia de fazer um blog só sobre placas que usam aspas de maneira indevida. Vi lá no blog do Matias, e fiquei pensando que o Unnecessary Quotes é uma daquelas idéias que eu gostaria de ter tido, como o Coma com os olhos.

Felizmente, essa idéia que eu não tive antes me inspirou a colocar em prática outra que eu já tenho há tempos – um blog com prints e fotos de uso indevido de outro sinal gráfico profundamente injustiçado no uso cotidiano da língua portuguesa, o apóstrofo (cujo endereço ainda não sei qual será, porque “apostrofosdesnecessarios.com” seria o maior FAIL da história das URLs que queriam ser fáceis e diretas*)

O apóstrofo, por definição, já é um sinal gráfico um pouco incompleto. Ele é praticamente uma vírgula de cabeça pra baixo ou, se você preferir, um acento agudo sem letra embaixo, o que é bem triste, se você considerar que ele já é um acento, que é uma função secundária no idioma (pelo menos alguns níveis abaixo das letras na hierarquia alfabética, até onde eu sei)

Mas depois que dar nome de bar com apóstrofo no final virou moda, a coisa degringolou de uma maneira assustadora e o apóstrofo, outrora apenas um sinal gráfico solitário, incompleto e que servia – veja você, que ironia – para substituir qualquer letra faltante em uma palavra (tipo Rock and Roll, que vira Rock’n'roll), como o coringa de um baralho, se alastrou como peste nos nomes de lugares por esse Brasilzão. Ele teve seus momentos de glória, mas durou pouco.

Apesar de muito usado, o apóstrofo sempre foi mal compreendido. Agora estamos rodeados por Bar do Johnny’s e Bar do Zé’s, o que nem é tão condenável, afinal nem João e nem José têm obrigação de usar corretamente o possessivo num idioma estrangeiro. Assustador MESMO é ver professor escrevendo “CD’s” e “DVD’s” na lousa da faculdade, e isso eu já vi várias vezes.

Repita comigo, amigo. Plural em inglês é igual a plural em português – você coloca o “s” e pronto, pode ficar feliz pois terá multiplicado seu substantivo por vários sem nenhuma dificuldade. É quase mágica. O apóstrofo não entra no plural, ele tem outra função. Você NUNCA vai comprar CD’s, nem DVD’s, nem digitar URL’s, muito menos baixar MP3′s, sendo todos eles uma sigla ou não. Você pode até ter AID’s, que com essas coisas não se brinca. Mas tira o apóstrofo. Vai ser muito mais digno.

Eu sei que fica mais bonito, parece estiloso, algo meio “dos EUA”. Mas tá errado. Te garanto’s.

(Se alguém tiver uma idéia “legal” para o nome do blog, por favor, me avise nos “comentário’s”)


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