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Arquivo: esquisitice

Você pagaria para quebrar coisas?

Taí algumas coisas que me irritam:

- As gíria mára, peguete e fodástico;

- Quem faz aqueles ‘quizzes’ do Twitter e manda os resultados via Twitter;

- Sites com musiquinhas de fundo, sejam elas quais forem;

- Gente ouvindo música no alto-falante do celular no trem/ônibus/metrô, não importa que música for;

- Insetos;

- Filas;

- Pegar gripe.

Hoje eu só tive que aturar um mára, alguns quizzes do Twitter e uma desgraça de uma gripe fortíssima, pior do que qualquer uma que eu já tive, e isso sem dúvida foi o suficiente pra me irritar.

Liga aqueles rolos-compressores de sucata, que transformam um carro num cubinho de metais? Eu me sinto como se tivesse passado por um deles. Cada centímetro de cada articulação minha dói. Minha cabeça dói. Respirar muito fundo também dói.

sucata

Enquanto vou passando os dias à base de Resfenol, Cimegripe, sopinha e cama, resolvi compartilhar com você, amigo que não está infectado, minha descoberta mais divertida da semana.

Voltando à parada da irritação. Tem gente histérica no mundo. Gente barraqueira, sem limites, que deixa a raiva tomar o controle e nesses estados acaba cometendo atos violentos. Existe também aquela pessoa que se controla, mas guarda tudo e dias depois acaba virando o tiozinho do Dia de Fúria.

Infelizmente, no Brasil nenhum empresário visionário teve capacidade de explorar o mercado das pessoas surtadas. Mas no berço do capitalismo ocidental moderno, alguém teve essa ideia. Em vez de clubes de tiro e casas de massagem para aliviar o stress, vem aí uma nova categoria de negócio, encabeçada nos EUA pelo Sarah’s Smash Shack (numa tradução imprecisa e duvidoda, galpão de esmagamento (ou de destruição) da Sarah.)

sarah

Tá rolando promoção de aniversário no site!

Não se engane: o cubinho de sucata a que eu mencionei me sentir semelhante não tem nada a ver com o ‘esmagamento’ aqui prometido. Na casa de alivio de stress da Sarah, você pode alugar cômodos privativos para destruir coisas. Essas coisas são cedidas pelo próprio estabelecimento, e pelo que eu entendi, podem variar de pratos a celulares.

Fala a verdade – todo mundo sempre quis jogar o telefone no chão quando o medidor de sinal não passava de dois indicadores. Ou tacar um prato de porcelana na parede durante uma discussão. A gente só é civilizado demais para fazer isso.

A Sarah atua no centro de São Diego e promete muita diversão em seus cômodos privativos. Ela aluga o lugar para despedidas de solteiro, festas corporativas, aniversários ou mesmo reuniões com os amigos. E você pode plugar seu MP3 Player ou iPod na sala para ter sua própria trilha sonora de som ambiente – embora, vamos concordar, não há prazer em quebrar um prato se você não puder ouví-lo se despedaçando.

Pra garantir sua satisfação, a Sarah disponibiliza no site do empreendimento fotos e testemunhos de gente que frequenta o lugar e se sente muito bem, obrigada, em pagar para quebrar coisas. Todos relatam uma sensação inexplicável de bem-estar depois das sessões e muitos classificam-na como ‘terapia que realmente funciona’.

Os preços variam de acordo com o tipo e quantidade de objetos que você quer quebrar. 10 pratos saem por US$35; se quiser um refil com mais 10 deles, paga só U$20. Estão disóníveis também vasos, copos, cinzeiros e porta-retratos pra você colocar a foto que quiser e destruí-la também. Levar seus próprios objetos também é permitido, por preços que variam de acordo com a quantidade. Ainda assim, acho que o kit mais legal é a Mystery Box, que por US$29 entrega 10 itens surpresa para que você destrua sem arrependimentos.

O mais legal é que depois de quebrar tudo, por US$10 você pode levar os cacos pra casa dentro de um belíssimo aquário de vidro.

Agora fala pra mim – vale ou não vale a pena?

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As coisas que a pré-escola nos ensina sobre as pessoas (mas que nós somos jovens demais para enxergar)

Tem um monte de músicas em inglês com a seguinte letra em algum ponto: “If I knew then what I know now”. Numa tradução rústica, isso é algo como “Ah, se eu soubesse então o que sei agora.” Em português, não soa bem numa música (a não ser que seja uma do Los Hermanos), mas é a mais pura verdade – ou você nunca parou pra pensar no sofrimento que teria evitado no passado se tivesse a experiência de vida que tem hoje?

Eu não me lembro se a minha mãe me deu alguma orientação específica antes do meu primeiro dia de aula na vida, nos idos do pré. Algo do tipo “seja boazinha com seus amigos”, “não aceite lanche de estranhos” ou “não atinja a tia com esses lápis”. Me lembro que chorei quando ela me deixou na porta do Mundo Mágico (que de mágico tinha muito pouco), e que o primeiro diálogo que travei nesse ambiente inóspito e desconhecido (enquanto me esgoelava, me esforçava para responder) foi:

- Oi. Por que você está chorando?
- Porque (suspiro) eu (suspiro) quero (suspiro) a minha (suspiro) mããããããããe (berro)!!!!!!!!!!!!!!
- Qual seu nome?

Veja, que simpatia. Crianças de 6 anos, largadas à própria sorte durante 5 longas horas no pátio de uma escolinha de bairro são capazes de, em poucos minutos, sentirem compaixão umas pelas outras. Esse rapazinho veio até mim e se interessou pelo meu sofrimento, então comecei a me acalmar e respondi:

- É Ana Paula.
- Ah. Então para de chorar senão vou contar pra tia que a Ana Paula tá chorando.

E daí que eu concluo que, apesar de a minha mãe não ter me dado nenhuma indicação antes do primeiro dia, ela deveria. Ela deveria ter me alertado já naquela hora: filha, os filhos da puta existem. São congênitos e estão por toda parte. Você vai começar a encontrá-los hoje.

Pré-escola
Hostilidade, selvageria e Lei do Mais Forte são as palavras de ordem aqui

Quero abrir seus olhos para isso. A maioria das pessoas com quem você gostaria ou não de sair é reconhecível já na pré-escola. E não se trata daquele menino gordinho que senta em cima dos outros garotinhos, ou da menina loira com olhos estranhos que te morde. Esses são óbvios. Tô falando de nuances mais sutis da personalidade, de características que aqueles doces pimpolhos virão a demonstrar quando adultos, mas que já na pré-escola dão as caras.

Eu me lembro com certa clareza que costumava jogar as coisas na mochila – lápis, borracha, régua – de maneira aleatória, por algum motivo que eu desconheço, em vez de agrupá-los na bolsinha que eu tinha e que havia sido criada para isso (conhecida popularmente como estojo). Isso já no pré. Daí eu não achava nada na mochila (estava tudo lá, mas eu não achava), então pedia um lápis emprestado para minha amiga Beatriz*, que tinha um estojo com toda a sorte de lápis e canetas possíveis, incluindo aquelas com brilhinhos, cheirinhos, luzinhas e todas essas firulinhas.

A minha amiguinha Beatriz*, em vez de me emprestar a porra de um lápis pra eu desenhar na aula da tia, dizia: “Minha mãe não me deixa emprestar material”.

Eu tinha vontade de dizer à minha amiguinha Beatriz* que ela estava sendo uma escrota, já que a mãe dela não estava ali naquele momento, e que por esse motivo não a veria me emprestando o lápis. Como a mãe dela não tinha, até onde eu soubesse, mediunidade, ela não saberia que a Beatriz* tinha me emprestado o lápis se ela não contasse. Daí eu devolveria o lápis no fim da aula e tudo estaria bem.

Mas eu não dizia nada disso. Afinal, minha amiguinha Beatriz* poderia ficar magoada. E eu acho que essas coisas não passavam de verdade pela minha cabeça de 6 anos.

Mas nesse pequeno exemplo hipotético, já pudemos identificar dois comportamentos que se estenderam pro resto das nossas vidas (minha e da Beatriz*):

Eu continuo desorganizada. Coloco as coisas na mochila por impulso, em vez de alocá-las nos compartimentos reservados para elas, de modo que quando preciso de coisas como as chaves de casa ou uma caneta, não as encontro mesmo evirando a mochila, e preciso pedir (no caso da caneta) uma emprestada aos colegas de sala, que felizmente não dizem mais “minha mãe não me deixa emprestar material”, mas sim “eu só tenho essa”, o que é uma mentira muito mais convincente;

A Beatriz* continuou uma egoistinha mimada, com sua lancheirinha, mochilinha, estojinho e sandalinhas da Barbie, e hoje provavelmente mantém o estojo cheio de canetas com cheirinhos e brilhinhos e coisinhas, e provavelmente até empresta o material para suas asseclas, mas em troca de favores sociais;

E é só se lembrar de todas as pessoas que estudaram com você na vida inteira: mesmo depois que a gente cresce e vai, sei lá, pro ginásio, e depois pro colégio e depois pra faculdade, todos esses perfis continuam existindo (e aqui só dou exemplos reais): a menina que te regula um gole de água, o cara que rouba chaveiros das bolsas das meninas, o outro que nunca leva caderno, nem caneta e sempre que tem atividade pede uma folha de fichário emprestada… eles estão lá, e sempre estiveram. É que na pré-escola você ainda não tinha experiência suficiente pra notá-los. Bem que nossas mães poderiam ter nos avisado. Vai ver que é por isso que a gente chora no primeiro dia.

*Nome provavelmente fictício. Não lembro do nome de nenhuma dessas meninas que regulavam lápis com a desculpa idiota de que a mãe não deixava emprestar, mas uma delas podia muito bem se chamar Beatriz. Mas isso é mera coincidência.

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Conheça Marli, a Björk do agreste

Eu ponderei um pouco antes de veicular isso aqui. Pesquisei e descobri que é bem velho; ou seja, não estou falando de nada super novo e legal na internet. Além disso, é completamente trash e muito, muito perturbador.

Mas na possibilidade de alguns de vocês ainda desconhecerem a Marli, gostaria de fazer as honras.

Marli é doméstica de Ipirá, na Bahia, e seu talento para uma emulação trash com estética da fome da Björk foi descoberta pelo filho de seu patrão, que explica tudo detalhadamente aqui no FAQ do site da Marli.

Lembre-se: quando eu publico esse tipo de conteúdo, é só para garantir que você não se esqueça de que não é prudente duvidar das capacidades do ser humano. Reflita.

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