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Muito bem bolado esse Canal do Panamá

Eu finalmente visitei a única coisa que realmente importa sobre o Panamá pra maioria das pessoas: o Canal. Agora, elas vão parar de me encher o saco quando eu disser que estive no Panamá, porque elas sempre perguntavam se eu tinha ido ao Canal e eu dizia que não. Não aguentava mais o ‘coooooomo assim você não foi no Canal?’, perguntado sempre com tom de indignação e voz estridente.

Canal do Panamá

É por aí que os navios passam - não essas portinhas, esse vão paralelo

O negócio é que assim, puxa, que obra fantástica de engenharia, eu reconheço… mas sério, grandes navios passando? Não via e não vejo grande atração nisso. ME CRUCIFIQUEM, mas é isso. Vale a visita se você tiver tempo, mas não é nada que se diga OH MEU DEUS.

Sem querer desanimar ninguém, claro. É interessante.

De todo modo, na última sexta-feira eu e um amigo norueguês, que conheci no Couchsurfing, resolvemos que iríamos nos aventurar pelo transporte público panamenho, ou seja, que iríamos tomar os Diablos Rojos – assim se chamam os ônibus – para ir ao Canal. Foi mais tranquilo do que imaginamos, apesar de eles dirigirem muito, muito mal. Só que isso não é nada que assusta ou surpreende depois de um mês observando o trânsito panamenho, então você deve ficar bem se optar, como nós, pela EXPERIÊNCIA ANTROPOLÓGICA.

Indo para o Canal

Olha o SACA aí!

Assim, antropológica mesmo não foi, até porque, não é como se eu precisasse ver mais panamenhos, eu os vejo todos os dias por todos os lados. Mas foi legal quando entrou um tipo caipira, que aliás, é igual aos tipos caipiras do Brasil: chapéu de palha com aba virada pra cima (à moda sertão-Panamá), mascando um galhinho, calça jeans, bota, mochilinha. Coisa fina. E quando um vendedor ofereceu duas escovas de dentes por 1 dólar (eram daquelas boas, com mil cerdas e borrachas!), e quando uma senhorinha foi à frente do ônibus e disse:

“Algum cavalheiro poderia ceder o lugar a essa velha senhora?”

E um tiozinho lá atrás, uma espécie de Hector Bonilha depois dos 50, fez a gentileza. É que os ônibus panamenhos não têm assentos preferenciais, obviamente. Outra coisa legal (“legal”) é que aqui os bancos dos ônibus são, como quase todos os bancos de ônibus do mundo, projetados para comportar duas pessoas, ainda que meio desconfortáveis. Até aí, nada de mais – o lance é que eles fazem do limão limonada, e é comum ocupar um banco com três pessoas. E elas simplesmente vão chegar e sentar-se, apertando você e seu brother de banco. Se um dia você vier e isso lhe acontecer, não estranhe (ou estranhe, mas de todo modo, você já foi avisado, então apenas dê uma risadinha e lembre-se desse blog).

E aí, bem, o Canal.

Olho no mapa!

A história é assim: desde que descobriram essas terras, já sacaram que a distância entre o Atlântico e o Pacífico por terra era tipo supercurta. Há registros de cartas dos exploradores para o rei da Espanha mencionando que seria legal ter um canal aqui pra não precisar dar tooooda a volta. Eu fico me perguntando como é que o cara saiu andando, chegou em outro pedaço de água e soube que não era o mesmo. Porque ele certamente não contornou a costa do continente inteira a pé pra ter certeza, e a terra podia muito bem acabar ali na frente, mais adiante. Podia já existir um vão no meio, aliás. Não sei como eles sabiam, MISTÉRIOS DA FÉ.

De todo modo, primeiro os franceses tentaram construir o Canal e fracassaram – esquema MAD MARIA, nego morrendo por causa de Malária e Febre Amarela. Foram 20 mil trabalhadores franceses pra vala. Daí anos depois vieram os americanos fazer o negócio direito. Aproveitaram escavações começadas pelos franceses, mandaram bala e, com mais grana, investiram em pesquisas pra tentar achar uma solução pra Febre Amarela. Erradicaram o mosquito, o que diminuiu as epidemias, e no fim, os surtos acabaram imunizando a população do Panamá contra Malária – hoje, tem Malária na América Central e Latina inteira, praticamente, menos aqui.

A construção do Canal era um acordo dos EUA com o governo daqui e era super justo: os EUA pagavam 10 milhoes de dólares, construiam o Canal e praticamente toda a arrecadação do Canal depois de pronto iria para os EUA, e a área se tornaria território americano. PERPETUAMENTE. FOR GOOD.

E aí você diz: ‘mano, como eles toparam?’

Naquela época, no começo do séc. XX, o Panamá ainda fazia parte da Colômbia (ololco, dessa você não sabia). Os EUA tentaram negociar a construção do Canal com a Colômbia, que ficou enrolando. Daí, DIZEM QUE eles apoiaram os rebeldes panamenhos que queriam a independência, colocando inclusive barcos na costa da Colômbia sob o pretexto de ‘treinamento’, só pra por aquela pressão, né? O Panamá conseguiu a independência e devolveu o favor. É, o mundo é sujo.

Aí, milhares de trabalhadores do muuuuundo inteiro, dezenas de milhares mesmo, vieram ajudar a cavar um riozinho entre o lado A e o lado B do mar, igual a gente faz quando quer ligar aqueles dois pocinhos de água que fez na areia da praia. E já tinha um lago no meio, o que só ajudou.

Dez anos depois, em 1913, estava pronto o Canal do Panamá. Ficou lindão, os EUA começaram a cobrar uma bica dos barcos que passavam, obviamente porque qualquer valor cobrado provavelmente seria menor do que dar a volta lá por baixo no continente, e começaram a fazer grana. Nos anos 70, rolaram uns protestos dos panamenhos, coisa EGÍPCIA ASSIM, PANCADARIA, e o Panamá conseguiu um acordo com os EUA para retomar aos poucos o controle do Canal, chegando a 100%  em 1999.

Canal do Panamá

Eu estava lá e posso afirmar, REALMENTE FUNCIONA. 'Bem bolado', diria Silvio Santos

E assim foi. Exceto que quando os EUA saíram, em 1999, eles deixaram um monte de gente sem emprego, HEH. E geral achou que o Panamá, então com desemprego recorde, não ia saber gerir o Canal sozinho nem realocar essas pessoas apropriadamente no mercado de trabalho. Mas ó, tá rolando. Eles reformaram as estruturas, aumentaram o tráfego de barcos e a arrecadação, estão construindo novas eclusas e é por causa da grana que tiram de lá que as coisas aqui melhoraram – tipo a segurança, ou a modernização da cidade, por exemplo.

Moral da história: o vilão é sempre os EUA. Exceto quando ele é o terceiro país que mais lê o blog, depois de Brasil e Portugal. Aí ele é mocinho.

O Canal tem um prédio turístico, com um museu bem legal que conta a história da construção e vááárias espécies de insetos e peixes que vivem ali na região biodiversidade essa que foi toda prejudicada com a construção do Canal, provavelmente, mesmo que isso não seja mencionado em nenhuma plaquinha explicativa do museu. Acho que foi a parte em que mais diverti, gosto de insetos.

E tem uma varanda grande, de onde é possível ver – tchanam! – as eclusas funcionando e os grandes barcos passando! É interessante, mas um pouco monótono porque demora uma meia hora ou até demais dependendo do tamanho do barco. Basicamente, o sistema tem várias comportas que se abrem e fecham para encher os compartimentos de água, igualar os níveis e transportar a embarcação… é, eu sei que não fez sentido. Mas é meio difícil de explicar, mesmo, então olha aí como funciona:

Ah: tem uma loja de souvenirs, óbvio, mas concluí que é, sem dúvida, o estabelecimento comercial com preços mais desproporcionalmente caros do país.

Quero ir ao Canal!

A parte que inclui vir ao Panamá eu não preciso explicar, né? Bem, considerando que você já está aqui, o melhor horário em dias de semana é chegar lá até umas 13h30, no máximo. Mais tarde do que isso, começa a encher.

Você é rico e quer contratar um guia? Ótimo, mas é meio desnecessário. O museu é cheio de plaquinhas bem explicativas e, além disso, se você comprar a entrada completa, de 8 dólares, tem direito a um filme de 15 minutos com toda história do Canal e muita propaganda governista e a conhecer o museu. A entrada que dá acesso somente à varanda pra ver as eclusas custa 5 dólares.

Há dois jeitos de ir até o Canal, que fica cerca de 30 minutos do centro da cidade (sem trânsito, e se você conseguir isso no Panamá, você não está no Panamá). É possível negociar com um taxista por uns 40 dólares, se você falar um ótimo espanhol, que ele te leve ao Canal e depois de volta ao hotel. Se negociar em inglês, o preço pode passar dos 60 dólares. Essa é a opção COXINHA.

O outro jeito é se aventurar nos fantásticos ônibus panamenhos, que aqui custam no máximo 35 centavos de dólar. O roteiro é o seguinte:

1. da cidade, tome um ônibus até a estação de Allbrook. Há vários, basta se informar na recepção do hotel em qual ponto você deve pegá-lo. Outra opção é ir de táxi até a estação – das regiões centrais e hoteleiras, não deve sair por mais do que 2 dólares.

2. quando chegar na estação de Allbrook, siga até a praça de alimentação, ache o Burger King escondido lááá no fundo e vire à direita ali. Você vai sair no pequeno terminal de onde saem os ônibus para o Canal – o nome do ônibus é Saca. É um Diablo Rojo igual aos outros, aliás. Dali, pegue o busão. Até agora, você deve ter gastado no máximo 3 dólares e no mínimo 75 centavos com transporte. AH: no Panamá, você paga o ônibus na saída.

3. para descer, peça ao motorista para avisar ou então desça no ponto em que saírem as únicas pessoas loiras ou caucasianas que estiverem no ônibus, ou seja, os gringos.

4. na volta, você pode esperar pelo mesmo ônibus no ponto do lado oposto da estrada, e ele demora meia hora, dar a sorte de avistar um taxi e fazer sinal (e gastar uma bica) ou então aproveitar os ‘taxis clandestinos’. Espere no ponto e cedo ou tarde um carro vai parar e perguntar ‘Donde te quedas?’. Diga a onde vai e ele dirá um preço, geralmente muito mais baixo do que um taxista cobraria de um turista – algo como entre 2 e 3 dólares. Se são seguros? Eu usei um e foi. O cara dirigia feito um maluco, mas no Panamá, quem não dirige? Peguei muito taxista pior que ele. E ainda rolava um reggaeton de trilha sonora.

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A sapatada (ou tudo o que ela representa)

No Iraque, mostrar a sola do sapato pra alguém demonstra profundo desrespeito. Outro xingamento muito ofensivo é chamar alguém de ‘cachorro’.

Um cidadão iraquiano acordou num dia como qualquer outro. Mas aquele dia estava longe de ser um dia como qualquer outro, pois o destino designou a ele uma missão. Era uma missão que exigiria bravura e ousadia. E as conseqüências de concluí-la de maneira satisfatória poderiam ser desastrosas para este cidadão.

Ainda assim, ele não desistiu. Sabe porquê?

Porque ele sabia que se conseguisse acertar um sapato no coco de George W. Bush ele seria admirado por todos os homens que pisam e um dia pisarão neste humilde planeta chamado Terra.

E embora o sapato não tenha atingido seu alvo original, o simbolismo do ato foi capaz de causar suficiente repercussão. Muntazar al-Zaidi, o portador da boa-nova, está detido, e foi submetido a testes para detectar a presença de álcool e drogas no sangue.

Pra mim, parece bem óbvio que ele estava mais sóbrio do que qualquer pessoa já esteve – a frase gritada por ele quando do arremesso, inclusive, me parece bem sóbria: “Esse é um beijo de despedida, seu cachorro. Isso é pelas viúvas, pelos órfãos e aqueles que foram mortos no Iraque.”

E mais do que o sangue que uma eventual sapatada bem acertada seria capaz de arrancar da testa de Bush, al-Zaidi arrancou da cara do ex-presidente com cara de bobo o sorriso mais sem-graça da história.Embora quase imperceptível, mesmo em alta-definição e em tela cheia, dá pra notar que ele esboça um sorrisinho envergonhado logo depois de se abaixar.

Você pode pensar que o sorriso é uma manifestação de satisfação de George Walker por ter desviado com sucesso do projétil calçante. Teria ele pensado ‘sou foda’, depois do gesto rápido?

De fato, Bush demonstrou ter reflexos rápidos. Mas aquele sorriso foi um triste reconhecimento de que ele se sentiu sem graça, porque no fundo, sabia que aquele homem tinha motivos pra lhe jogar um sapato na testa.

Quando você cai, o que faz pra amenizar a situação humilhante? Você ri, pra fingir que tá tudo tão bem, que você tá até achando graça naquilo. Sorrir sem-graça é o que a gente faz quando passa vergonha na frente de todo mundo – dá um risinho amarelo, assim, pra mostrar que a gente tá bem e achou até engraçado. Mas porque o presidente dos EUA estaria envergonhado?

Certamente isso é sinal de que ele sabe que aquele homem tinha boas razões para lhe atirar um sapato. Ele sabe, e tem vergonha. Nem cara de bravo ele faz; Bush nem sai do lugar. Junior espera a segunda sapatada com paciência, sem esboçar raiva ou frustração. Ele oferece a outra face.

Existe uma outra possibilidade, muito votada pelas redações ao redor do mundo: Muntazar al-Zaidi sabia que o domingo estava parado demais. Eu estava de plantão e sofri com a falta de notícias. E há dias que não temos fatos verdadeiramente dignos de manchete. Muntazar sentiu que precisava dar ao mundo algo para ser manchetado. Ele sacrificou sua carreira e credibilidade em nome dos colegas ao redor do planeta, e isso é bonito e altruísta.

Graças a Muntazar, podemos nos ocupar escrevendo reportagens interessantíssimas sobre o arremesso de sapato, colhendo curiosidades sobre o histórico de arremessos de sapatos na história, produzindo infográficos com detalhes do trajeto do calçado, entrevistando preparadores físicos que fornecerão dicas sobre como se esquivar de sapatos com tanta destreza – que tal um guia que teste as marcas de sapato para descobrir qual vai mais longe?

Muntazar nos deu possibilidades infinitas para a semana morna que viria. Antes dele, nada acontecia no mundo sem ser Ronaldo no Corinthians e Madonna no Brasil. Esse é o espírito jornalístico: na ausência de notícias, ele mesmo fez a coisa acontecer. Pró-atividade.

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Gostaria de agradecer a todos os amigos e leitores que votaram no blog para o prêmio Best Blogs Brazil 2008. Por enquanto, somos o blog mais votado na categoria Pessoal e Cotidiano, o que é fantástico, e fomos indicados também em outras categorias, como Humor, Entretenimento e Melhor Blog (!). MUITO OBRIGADA! Quem ainda não indicou e não tiver fazendo nada, dá uma passada lá – as votações vão até o dia 17! Para mais detalhes sobre como votar, clica aqui.

Lembrando que só é permitido indicar o blog para duas categorias ao mesmo tempo e que seria melhor concentrar em uma só, para aumentar as chances. E como Pessoal e Entretenimento está (muit0) na frente, seria interessante continuar indicando o blog nessa categoria.

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Como estragar um post divertido de maneira rápida e efetiva

Na sexta, no Goma de Mascar, um inocente post sobre fantasias nerds de Halloween levou a uma discussão acalorada sobre a dominação cultural dos EUA sobre o Brasil.

As pessoas começaram a repetir que ‘brasileiro fica imitando americano, que a festa nunca teve a ver com as nossas raízes culturais e por isso somos idiotas em reproduzí-la’.

Nesse raciocínio muito estúpido, teríamos que crucificar Mallu Magalhães porque ela toca folk, um estilo musical tradicionalmente americano e que nunca teve nada a ver com as nossas raízes culturais.

Esse discurso, junto com o ‘não coma no McDonalds, capitalismo grrrrrr’ e o ‘nada que não seja rock’n'roll é bom’ é muito, muito chato.

Como qualquer pessoa menos idiota sabe, o estilo de vida americano – música, moda, comemorações e todo o resto – é incorporado de maneira imperceptível, não só por nós, mas pelo mundo inteiro desde que a TV e o cinema começaram a mostrar essas coisas. E todo mundo é e está influenciado por isso, não há meio de escapar.

É bem engraçada essa mania que a gente, brasileiro, tem de nos referirmos a nós mesmos na terceira pessoa. Sempre que a gente tem uma crítica ao nosso país, diz ‘o brasileiro’, e em nenhum momento pensa que isso provavelmente inclui a gente. É um distanciamento que não funciona.

As festas de Halloween se ‘popularizaram’ aqui só por causa das escolas de inglês. Mas não passam de uma festa à fantasia com nome diferente e temas supostamente sombrios.

Não faz parte das nossas ‘raízes culturais’, seja lá o que isso signifique, mas o sentido original, mesmo nos EUA, já se perdeu. Para quem não sabe, a comemoração faz parte da cultura bretã, e sua origem se mistura com rituais druidas de comemoração da chegada do verão e comemorações cristãs para festejar o dia de ‘todos os santos’.

Ou seja, tanto faz aqui como lá, já que passou de um ritual religioso para um motivo para encher a cara e usar roupas engraçadas. E no fim das contas a gente sabe que é só isso mesmo: só mais um motivo para festejar, já que se brasileiro pudesse, festejava o ano inteiro.

Me chamem de, sei lá, ‘colonizada pelo imperialismo cultural americano’, mas eu sou muito mais festejar na festa de Halloween do que no show do Chiclete. Embora a coisa tenha ficado tão desvirtuada que não deve ser incomum tocar Chiclete na festa de Halloween.

Mas o mais importante: era só um post sobre fantasias de Halloween nerds. As fantasias nem eram de brasileiros, aliás. Por que existem pessoas chatas a ponto de questionar a discussão nesse sentido? Por quê as pessoas levam um post que era para ser divertido tão a sério? Quem é e de onde surgiu esse grupo chato de pessoas, que às vezes passa aqui também, e que tem como mote transformar todas as discussões descompromissadas e/ou leves em debates supostamente relevantes?

Talvez essas pessoas estejam precisando de mais festas de Halloween.

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A verdade sobre Barack Obama


Ei, vocês aí embaixo? Otários!

Acompanhar a eleição americana um pouco mais de perto surpreende. Você chega, olha os resultados das pesquisas e não entende como os candidatos podem estar empatados. Afinal, daqui do Brasil a gente só vê Obama. Os jornalistas amam o Obama, e lá nos EUA também, com a imprensa tradicionalmente republicana. Obama é jovem e carismático. Além disso, tem o nome parecido com o de Osama (o Bin Laden) e é negro.

No início, eu já gostava do cara pela ironia da coisa e pelo conceito revolucionário: o primeiro presidente negro dos EUA, país com especial histórico de repressão aos negros, com Klu Klux Klan, os guetos, as guerras entre brancos e negros nas ruas, o assassinato de Martin Luther King. Aqui no Brasil, como os jornais só nos trazem Obama, é Obama quem temos.

Mas Obama não tá nem aí para nós, não. E disso ninguém fala. Obama não quer ter nada a ver com a parte de baixo da América. Obama apóia parcerias comerciais dos EUA com a Europa. Ele nem menciona os países da América Latina na parte de ‘política internacional’ dos debates.

Mas ele tem planos para a América Latina, sim. E eles envolvem não apoiar nossa produção de etanol e consideram a Amazônia um recurso global.

Em maio deste ano, quando ainda era pré-candidato, Obama propôs um plano para o continente que chamou de ‘Nova parceria para as américas’. A proposta é ‘reestabelecer a liderança americana no hemisfério’. O texto tem uma parte dedicada ao Brasil, que foi traduzida pelo jornalista Luiz Carlos Azenha, publicado no Terra Magazine na ocasião, e pode ser encontrado na íntegra aqui (ou aqui em inglês), já que o blog do Azenha não está mais no Terra. Vou reproduzir alguns trechos:

O caso do Brasil: O Brasil é um exemplo do grande potencial das energias renováveis na América Latina, além dos riscos que devem ser evitados. (…) A região da Amazônia, um importante recurso global na batalha contra o aquecimento do planeta, cobre quase 60% do Brasil. Perdeu 20% da floresta – 1,6 milhão de milhas quadradas – para o desenvolvimento, a exploração da madeira e a agricultura. (…) Os produtores domésticos de etanol nos Estados Unidos se preocupam com razão com a competição do Brasil, que é o maior exportador de etanol do mundo. (…) Barack Obama quer expandir a produção de energia renovável por toda a América Latina de forma a que ao mesmo tempo promova a auto-suficiência e a criação de mercados para os fabricantes americanos de energia verde e de biocombustíveis.

Deu para entender a idéia? Barack Obama não quer etanol brasileiro. Ele acredita que estimular a produção de etanol pode estimular a plantação de cana na Amazônia, desmatando florestas que ele considera ‘recurso global’ no combate ao aquecimento. ‘Recurso Global’ é estranho, um pouco megalomaníaco.

Então, se Obama for eleito, esqueçam as promessas de que o Brasil é o paraíso futuro do etanol. Ele quer dar incentivos à produção americana desse combustível e torná-los auto-suficientes.

A moral: Obama é fofo, alegre, sorridente, tem carisma e uma série de outras coisas que fazem ser quase irresístivel não votar nele (no nosso caso, torcer por ele). Parece ser o tipo de cara que vai fazer as coisas mudarem. E ele vai, mas não para nós.

E McCain, apesar de feioso, esquisito, meio velho, de ter braços curtos e de ter uma vice lamentável, tem propostas de política externa muito mais compatíveis com os interesses do Brasil.

Se nada disso te convenceu, no vídeo abaixo Obama mostra quão importante a América Latina é para ele:

(Colaborou indiretamente Gabriel Pinheiro)

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Olimpíadas: o mundo está em festa (bem, a maior parte dele)


Foto: Wander Roberto/Divulgação COB


Só alegria!

As autoridades gostam de perder o tempo delas (e o meu), em época de Olimpíadas, pedindo pras pessoas não politizarem os Jogos.

“Separe ‘esportes’ de ‘política’”, eles dizem, como se as Olimpíadas não fossem também políticas em muitos aspectos, senão um enorme evento político, especialmente essas, considerando o cenário Chinês. Claro que só é pra separar quando for conveniente.

Mas a maior dicotomia é sempre a bela cerimônia de abertura, que mostra todas as nações desfilando contente e pacificamente. Um mundo muito bonito esse das Olimpíadas – mas que não dura nem 6 horas. Pouco tempo depois da abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, a Rússia declarou guerra contra a Geórgia, um paizinho de nada que fica embaixo dela, em defesa da província separatista Ossétia do Sul.

Os pontos são muitos, tipo, a Rússia não tem nada que se meter com os problemas da Ossétia, por exemplo. Politicamente, o que a Rússia ganha apoiando uma província separatista menor do que São Paulo e que não tem importância expressiva, nem política ou econômica, ou porque lutar contra um país super pequeno como a Geórgia?

Primeiro que a idéia aqui é ‘pegar a Ossétia pra si’, ou seja, anexar a Ossétia a Rússia.

Segundo e mais importante: os Estados Unidos da América apoiam a integridade da Geórgia. Entende agora? Já dá pra visualizar os dois ‘irmãos mais velhos’ brigando pela causa, quando na verdade eles já se odeiam há muito tempo, só queriam um motivo pra brigar.

A Geórgia, aliás, se fu*** mais porquê as tropas dela estão no Iraque, ajudando os EUA. Os Eua só fica pedindo cessar-fogo.

Acho engraçada essa tal ‘síndrome de herói’ dos países grandes, especialmente porque geralmente elas só se aplicam a caso onde haja segundos interesses, e é super-óbvio, mas eles sempre dão outors motivos pra guerra.

Não quero me estender no absurdo de declarar uma guerra a um estado só porque aquele estado não quer fazer parte de um país (tudo bem que a Geórgia é tão pequena que até justifica ela ter medo de perder um pedaço dela, né). O próprio conceito de país e pátria é uma coisa estúpida, quando você pára pra pensar só um pouquinho já percebe. Mas é só pra lembrar vocês que o mundo continua podre, e mesmo que músicas divertidas, roupa colorida e gente balançando bandeira possam nos enganar por alguns minutinhos, uma galera no Leste Europeu não vai assistir o resto das Olimpíadas, não.

Mais info aqui: Tropas russas entram em região separatista da Geórgia

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O mundo está acabando e eu tenho certeza disso

Ok, vai parecer piada, mas não ria agora porquê isso é sério. Desde pequena, eu tenho essa sensação estranha de que não pertenço a… aqui. Não quero discutir se fui abduzida, se minha mãe foi abduzida e eu sou fruto da união dela com um ET (meu pai é esquisito, mas acho que ele é daqui mesmo), ou se sou apenas portadora de um distúrbio psicológico severo (ou tenho Lua em Leão e coisa assim).

Essa sensação de não-pertencimento existe desde que eu tenho auto-consciência (tipo 5 anos) e nunca desapareceu. Além disso, eu sempre carreguei uma toalha comigo, sem saber exatamente o porquê – só sabia que era essencial ter uma sempre a mão (Ok, e isso não é mentira. Eu juro).

Minha família extraterrestre
Desenho da minha família feito por mim aos 4 anos.

Uma sensação semelhante tem se intensificado nos últimos anos, mas essa é relacionada a um tema que permeia toda a humanidade: o fim do mundo. Eu tenho sentido que estamos no fim dos tempos. O fim do mundo como conhecemos. And I feel fine.

Vou explicar: não acho que o apocalipse bíblico se aproxima, e que veremos os corcéis de fogo cruzando os céus (tem algo assim, não tem?). Mas todas as coisas que estão acontecendo no mundo são pra mim provas de que tá todo mundo muito fudido.

Beleza. Mas se eu não acho que o mundo não vai acabar literalmente, como é que ele vai acabar então?

Eu não faço idéia, ok? Eu só tenho a sensação. E ela se fortalece a cada dia, a cada tragédia, a cada funk proibidão que eu ouço.

Quais são os sinais? Vejam bem, em menos de duas semanas, tivemos..:

- Terremoto na China. Sim, tem chinês saindo pela culatra no mundo, mas ai do nada vem um ciclone e mata muitos de uma vez. Alguns chamam de equilíbrio de densidade demográfica, mas sei lá, acho meio cruel. Fora que, quem vai vender iPod balatinho pla gente? Blincadeila.

- Ciclone em Mianmar. Pegue um país. Tire 300 milhões de dólares do PIB dele. Tire mais 600 milhões. Coloque muita água, coqueiros, bananeiras e palafitas. Coloque-o na parte miserável da Ásia. Tire muita comida de lá, coloque muitas epidemias e, como toque final, acrescente um ditador que não aceita ajuda de ONGs estrangeiras. Você acharia suficiente? Deus (ou sei lá, a metereologia, ou São Pedro, seja lá quem forem os responsáveis por essas adversidades climáticas) não achou.

- Tempestade nas Filipinas. Água demais, espaço de menos. Quase o mesmo problema de São Caetano, em escala gigante.

- Tornado nos EUA. Nada demais, virou rotina. Mas contabiliza pro relatório de tragédias de fim de mundo 2008.

Beleza, e essas foram só as tragédias pontuais. E o trânsito de São Paulo, que é uma tragédia diária? E a absolvição do cara que matou a Dorothy Stang? E os ataques de xenofobia ao redor do globo, não só na França, na Itália, na Espanha e na Inglaterra, mas também na África do Sul? E um Indiana Jones de 65 com condicionamento físico de 17?

E isso é só um… panorama inicial.

As coisas estão feias pro nosso lado. De acordo com os Maias, o ano é 2012. Vocês provavelmente já ouviram essa história, não? Pois é, o calendário Maia anuncia o fim do mundo para 2012. Ninguém sabe muito bem o que isso significa, embora alguns achem que tenha havido um acordo dos Maias com o Discovery Channel (contrato de especulação de lendas apocalípticas inclui pelo menos 65 documentários entre 2008 e 2012, dizem minhas fontes). Sabe-se, no entanto, que os Maias era uma minissérie da Globo eram uma civilização muito avançada em astrologia astronomia e matemática. Claro que isso não quer dizer nada, mas a gente gosta de acreditar que quer. Torna a coisa toda mais misteriosa.
Acreditando ou não, eu acho que alguma coisa cabulosa vai acontecer em 2012. Pode ser… o fim de LOST. Ou a ascensão da Rede Record como maior emissora de TV do país. Deus me livre. E é melhor que vocês se cuidem; porque, ao que parece, quando tudo acontecer, minha nave-mãe vai vir me tirar do meio da bagunça. É, acho que tem a ver com o senso de não-pertencimento. E com essa minha cabeça, que sempre teve um formato meio esquisito.

Esclarecimentos pós-postagem: devido à imensa (e bem-vinda) repercussão desse post, esclareço que 1. Sim, sempre carrego uma toalha comigo, 2. O desenho era uma brincadeira, achei no Google e 3. Não sei se tenho Lua em leão ou coisa assim.

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