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Os homens, as máquinas e os óculos de sol

Chilli Beans lança máquina de venda semelhante às de refrigerante

Essas medidas que apontam para uma gradativa substituição do homem pelas máquinas são sempre preocupantes, mas no caso da Chiili Beans pode causar um problema social grande nos círculos descolados. A Chilli Beans tem uma função social importante, que é a de empregar todas as pessoas cheias de tatuagens, piercings e alargadores, que não conseguiriam emprego em quase nenhum outro lugar além de a Chilli Beans e um estúdio de tatuagens, piercings e alargadores.

Além disso, ela também preenche a função de ser a empresa que emprega estudantes de moda que ainda não conseguiram um emprego na área (mas que, trabalhando na Chilli Beans, podem dizer que trabalham “na área”) e de empresas que empregam gente que fala usando as mesmas gírias e cadência do Paulo Vilhena e de artistas da Malhação.

As consequências econômicas da implantação em larga escala dessas máquinas de óculos serão desastrosas. Os festivais descolados vão perder público, bem como as marcas hypados. É possível que a blogosfera e o Twitter cresçam, contudo, meio a essa desocupação generalizada de gente descolada. Mas a crise econômica que essa medida irresponsável pode gerar na região do baixo-Augusta é sem precedentes; só um Bolsa Descolados poderia resolver.

Pelo menos, ao comprar óculos nessas máquinas, você não vai ser abordado de maneira invasiva por um vendedor jovem e cheio de disposição que parece que está sob efeito de ecstasy de tão animado de trabalhar na Chilli Beans, que quer muito saber se o “óculos é pra você mesmo, brother?” E a máquina, se você resolver comprar um óculos pra sua namorada, certamente não vai mandar um “Pô, mas que tipo de lupa sua mina curte, você acha que é algo mais moderno? Chegou uma coleção nova aqui irada, viu!”, ou então te oferecer dezenas de cases coloridos para óculos, pintados como uma banana ou como uma melancia, além de relógios, bonés, mochilas, sprays de limpar lentes e essa coisa toda.


Isso tudo considerando que o software que opera as máquinas da Chilli Beans não tenha sido inspirado no animado computador de bordo da nave Coração de Ouro, cujo entusiasmo irritante fica claro no fim do vídeo acima.

A máquina de óculos provavelmente não vai fazer todas essas coisas que eu falei. Mas a Funhouse vai precisar abaixar o preço da entrada.

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Planeta Terra Parte II – Cai a noite

Cai a noite no Playcenter e a coisa esquenta loucamente. Meu joelho diz “não” e eu digo “sim”. Tá complicado.

A superprodução (nem foi tão super assim vai, mas até agora foi das mais legais que vi) do Mika, com direito a balão inflável em formato de salto alto e banner gigante, foi demais!

Muita gente pulando e cantando junto. Uma cena bizarra que vou guardar na memória foi ver um cara todo tatuado tipo fã de Metalica cantando alegremente “We are not what you think we are, WE ARE GOLDEN!”. Estranho.

Mika e seu Billy Brown

O pouco que vi do Passion Pit foi emocionante. Essa era uma das bandas que eu mais queria assistir e infelizmente tive que abandonar o show bem antes do fim pra poder assistir Phoenix.

Make Light

Minha alegria em Moth’s Wings

O que falar do Phoenix? Começou explodindo com Liztomania e continuou o show lindamente.
Dizem que o Thomas Mars mergulhou na galera (se segurou na grua e deu um jump no meio do povão) durante 1901, porém, novamente, estava eu mudando de palco para ver Hot Chip e perdi.

Thomas Mars me fazendo chorar

23h00 e a platéia do palco indie vira uma pista de dança. É o Hot Chip e cia. limitada que vêm chegando.

Os ‘tiozinhos’ do Hot Chip

Em 10 minutos começa Empire Of The Sun. FUI.

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O Planeta Terra até então

O que rolou (ou melhor,  o que eu vi rolar) nas primeiras horas de Planeta Terra.

Style:

Gente com cola na mão pra não perder nada:

Os gaaaatos do Holger:

Of Montreal performático:

Eu pagando uma leve pizza suvacal no Of Montreal:

Agora estou me preparando psico e fisicamente para pular horrores no Mika e Passion Pit.

Let’s go!

PS: Não fiz a Aretuza nem na montanha russa nem no Evolution. BOA!

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Cá estamos

“Chééguei, estou no paraíso! Que abundância merrrmão!” (créditos: É o Tchan)

Abundância de camisas xadrez, bottons, raybans wayfarer multicoloridos, camisetas de bandas e estilo, muito estilo. Esse é o cenário do Planeta Terra Festival 2010.

O caminho pro Playcenter foi tranquilíssimo. Peguei um ônibus especial na estação do metrô Barra Funda (por R$2,00) que me deixou na porta do evento. O ônibus estará a disposição até as 7h00 de domingo (21), facilitando o ir e vir da galera.

Uma notícia para quem está sem ingresso:  Cambistas são coisa rara por aqui. A polícia está fazendo seu papel e tirando os caras do caminho. Eles, como sempre, encontraram uma alternativa e estão vendendo os ingressos longe dos portões, nos bares ao redor do Playcenter.  Se você estiver preparado para gastar (eles não pedem menos de R$250,00 por ingresso), venha!

Agora quem vai sou eu. Virar de ponta cabeça no Evolution enquanto aguardo o Holger, que sobe ao palco 18h30, parece uma boa.

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Uma intrusa no ninho

Apresentações são sempre meio bizarras, mas necessárias, então vamos lá.
Eu sou Camile Liguori (@camile_liguori), jornalista, com quase 23 anos, trabalho com moda, esportes e mídias sociais (não exatamente nessa ordem) e estou adentrando pela primeira vez um ambiente totalmente desconhecido, porém nada hostil.

Pra chegar até aqui passei por uma seleção e derrotei 558 candidatos. Fiz uma prova e respondi questões sobre física quântica, indie pop britâncio, química e rock&roll anos 00.
Pra que tudo isso?
Oras… Pra ter a oportunidade de cobrir o sen-sa-cional Planeta Terra Festival 2010 para o in-crí-vel Olhômetro (juro que não sou puxa saco!).

A bem da verdade é que estou mais ansiosa do que nunca pra sábado (20). Essa é a terceira edição do festival que participo e nunca tinha ficado tão empolgada com o line-up como dessa vez.

Talvez tenham faltado alguns nomes mais mainstream dentro das escolhas para o palco principal, mas nem assim consigo reclamar. Poder assistir a essa penca de bandas indies de uma só vez é algo único e (antes) inimaginável no Brasil.

Escolher as bandas não será tarefa fácil. Tenho algumas prioridades, mas não quero influenciar ninguém (não?). Por isso, confiram os horários e decidam-se sozinhos!

Sonora Main Stage

16h – Mombojó
17h30 – Novos Paulistas
19h – Of Montreal
20h30 – Mika
22h – Phoenix
23h30 – Pavement
1h30 – Smashing Pumpkins

Gillette Hands Up o/ Indie Stage

16h – República
17h – Hurtmold
18h30 – Holger
20h – Yeasayer
21h30 – Passion Pit
23h – Hot Chip
0h40 – Empire of the Sun
2h – Girl Talk

Amanhã estarei twittando (na medida do possível), escrevendo e fotografando e colocarei tudo no ar aqui no Olhômetro. Por isso, acompanhem!

Pra matar as saudades da edição de 2009 e aumentar a ansiedade pra amanhã, deixo umas fotos pessoais do que assisti no ano passado.


Maximo Park applying some pressure!


The Ting Tings fazendo a platéia pular


Metronomy  exquisitões

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Planeta Terra 2010: ganhe um ingresso!

Não sei se você sabe. De qualquer forma, vai saber agora. Eu criei esse blog, no longínquo ano de 2007, com a intenção de que ele fosse um semanário musical. Fui inspirada pelo Festival Planeta Terra, que aconteceria tipo no mês seguinte e inspirou uma cobertura gigante aqui.

Queria ter um espaço pra falar do festival e, quem sabe, um dia me tornar um blog relevante o suficiente pra ganhar ingressos pra ir nos shows que gosto. No ano seguinte, eu fui convidada pra ser um dos blogs embaixados do Planeta Terra. E assim foram nos anos seguintes. Inclusive na edição desse ano. MISSION: ACOMPLISHED

É verdade: em 2010, esse festival tá indie demais. Mas tem Smashing Pumpkins e Pavement pra quem não curte essas coisas novas. E, pra quem curte, aí é imperdível mesmo: Of Montreal, Phoenix, Hot Chip e Empire of the Sun.

Beleza, os ingressos acabaram, MAS nós estamos sorteando um. É sorteio, não é concurso cultural nem nada.

É assim: basta preencher os comentários com seu nome, e-mail, @ no Twitter e a banda que você quer assistir no Terra até amanhã, sexta, às 14h. E precisa me seguir no Twitter. Não, sério – não reclama. Eu podia pedir pra você TWITTAR a promoção.

EDITADO: A vencedora foi a @biapoiani:

O resultado será divulgado na sexta, 19 de novembro, as 15h. E só participará do sorteio quem se encaixar em todos os critérios. O ingresso deverá ser retirado em mãos comigo até sábado, as 13h. Combinaremos o melhor jeito de fazer isso uma vez que eu souber quem é o grande vencedor.

Enquanto isso, vou te dando umas ideias do que EU quero ver no Playcenter:

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Ei, você! SIGA AQUELE ÔNIBUS!

Ano passado, por volta dessa época, fiz cobertura do Planeta Terra, festival em SP que rola de 2007 e costuma trazer umas bandas supimpas pra tocar. Esse ano, a brincadeira vai ser no Playcenter com o Macaco Bong, Movéis Coloniais de Acaju, Copacabana Club, Primal Scream, Ting Tings, N.A.S.A, Iggy and The Stooges e Sonic Youth.

Se você mora em SP, capital ou região metropolitana, já fez várias excursões pro Playcenter e se divertiu à beça. Pois é: os brinquedos vão ficar abertos e funcionando no dia do festival. Música no fundo, e você curtindo a vibe da montanha-russa.

Mas o ingresso, te digo, tá meio caro. O line-up, apesar de legal, tem algumas bandas que já vieram pra cá outras vezes. No primeiro ano do Terra, a parada tava cheia de nomes inéditos por 80,00 de ingresso. Esse ano, o lote atual já está em 190 malandros. Facada.

Sou, de novo, embaixadora do Terra. E isso significa que tenho uns ingressinhos pra dividir com você, amigo. E vamos a coméqui funcionará a bagaça:

- Eu tenho um ÔNIBUS DO TERRA. Isso significa que eu estou concorrendo a um camarote em forma de ônibus lá no dia do festival.

- Se meu ônibus, ao final do dia 23, tiver o maior número de seguidores, os seguidores do meu ônibus concorrem a 15 ingressos com acesso ao meu ônibus/camarote.

Vamos ao dilema: eu tô MUITO ATRÁS do primeiro lugar. E além de ser EXCELENTE poder ter um camarote só meu, com várias tranqueiras legais (tipo bebidas, DJ e outras coisas), eu vou fazer isso com UM MONTE DE LEITOR DAQUI. Vai ser tipo o encontro anual de leitores do Olhômetro.

E vou sortear um par de ingressos entre os que me seguirem. Para me seguir, basta clicar aqui. Só rola até dia 23, então CORRE!

Mesmo se eu não ganhar, no dia 24 vou sortear um nominho para ganhar o par de ingressos. E mesmo se eu não ganhar, ainda topo o encontro anual lá no festival. Mas sinceramente: sei que tenho potencial. São 1.300 leitores de feed. Preciso de você. Nós somos a turma mais humilde da galera que tá concorrendo e ganhando: Lalai e Baunilha são gente fina, mas não será nenhuma surpresa se elas ganharem. Se eu ganhar, ah, será.

E olha como é bonito o negócio:

BTerra_0008

É só clicar, seguir e sentir a felicidade invadindo. Não tem erro. RUMO À VITÓRIA.

Editado: agora tem um embed.


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Você gosta mais de assistir show de rock ou de batata*?

Por quê você vai a um show de rock?

roque
Pra ver o Seu Sílvio

A resposta a uma pergunta dessa deveria ser óbvia. Mas não é mais. Não sei exatamente quando deixou de ser. Eu notei da primeira vez num show do The Rakes, em São Paulo; antes disso, era ingênua (ou burra) demais pra perceber que as pessoas vão a esses lugares para se exibir e falar sobre sua temporada em Londres (e a vida imita a arte que imita a vida). Depois, no Tim Festival (o de 2007) percebi uma movimentação semelhante – até comentei aqui.

Mas eu notei de novo, no show do Radiohead nesse domingo. Só que dessa vez – não sei se feliz ou infelizmente – não se trata (só) da galera cool fashionista de São Paulo batendo cartão num show só pra dizer que esteve lá e bater papo com gente influente. No Just a Fest, o que caracterizou mais a dissolução do conceito ‘vim assistir a um show de uma banda de rock’, infeliz e paradoxalmente, foi a popularização da tecnologia.

Nunca vi tanta gente preocupada em contar pros outros o que estava vendo. O legal agora não é ver o show, é mostrar pra todo mundo que você viu o show e que estava lá. Não tem muita coisa errada com isso, se não fosse o fato de que as pessoas ficam tão preocupadas em registrar o show pros outros que não assistem o show em si.

Dessa vez, não foram só aqueles babacas que ficam 2 horas e 20 minutos com a câmera cybershot levantada, mesmo estando a 70 metros de distância do palco, mesmo filmando um imagem ultra-tremida e som muito estourado, e sem assistir nada do show em si, só preocupado em gravar um vídeo que vai ficar MUITO RUIM; houve também uma invasão de twitteiros e enviadores de SMS.

Observei dezenas de pessoas com seus blackberries, N95 e iPhones interrompendo a experiência para escrever – uma, duas, três, quatro vezes – pros outros o quão fantástico aquilo era, o quão legal era estar lá, o quão idiotas eram os que preferiram ficar em casa.

E eu de repente olhava pra elas, preocupadas em tirar boas fotos pro Orkut (que invariavelmente vão sair ruins, muuuito distantes ou tremidas, mas não importa porque aí você já prova que tava lá), filmar trechos legais pro YouTube e em contar pra todos os 500 seguidores do Twitter o setlist num teclado que não é QWERTY e me lembrava de quando eu fazia isso – isso de me preocupar mais em registrar a coisa do que em vivê-la. Eu fiz isso, veja bem, UMA VEZ. Porque naquele dia, quando fui assistir aos vídeos, percebi que não me lembrava de quase nenhum trecho que havia filmado. De tão preocupada em filmar, eu não fiz o principal – assistir ao show. Me dei conta da idiotice e câmera em show nunca mais (a não ser quanto estive ‘trabalhando’, né).

Estamos falando do Radiohead, um espetáculo de estímulos audiovisuais que necessita muito de imersão e concentração, porque lida com quase todos os sentidos de uma vez. Porque você quer filmar? Seu vídeo vai ficar melhor do que a gravação do Multishow? Você vai poder mostrar pros amigos? Isso te dá status?

É muito legal que as pessoas estejam tão interessadas em compartilhar cada mínimo momento da vida delas com tanta gente. É esquisito, e subverte um pouco o egoísmo característico da nossa espécie, mas no mínimo é legal poder dizer que estou no meio disso. Mas você não vai a um show pra depois poder dizer que foi.  Você vai a um show para estar nele naquela hora e viver aquilo, e isso não inclui se preocupar em segurar uma câmera em cima da sua cabeça.

Olha, não sei se você já vivenciou uma experiência real de show de rock. De comunhão entre banda e público. Uma coisa dessa depende de dezenas de fatores, do estado emocional pessoal de cada um que assiste ao show, da presença de palco e do humor da banda no dia, do tipo de lugar, do tipo da banda, do tipo de fã. Mas quando a sintonia acontece, e é perfeita, é algo religioso. A energia se torna palpável, a banda ganha controle sobre 50 mil pessoas, a comunhão é absoluta, não há nada além da banda e do público – não tem gente empurrando, não tem sede, não tem fome nem dor na perna que te tire do foco.

E ninguém vai, verdadeiramente, entrar em “transe musical” (por assim dizer) se estiver preocupado em contar pros outros o quão privilegiado é por estar ali naquele transe musical. É por isso que eu espero que essa ânsia por compartilhamento de informação, algo que de certo ponto é tão legal (e assustador, ok, mas legal) não tire das pessoas, aos poucos, a verdadeira experiência que é viver um show de rock – e a experiência de viver a vida, sem ficar tão preocupado em contar sobre ela a ponto de não vivê-la.

*O título é uma homenagem ao grande guerreiro Charlinho, numa paródia da frase célebre do repórter – “você gosta mais de estudar ou de batata?” Na nossa versão, o mais próximo seria “você gosta mais de assistir o show ou de ficar contando isso pra todo mundo?”

Observação: Esse post, como a maioria aqui, é também uma autocrítica. Estou em ano de TCC, exausta por causa do trabalho e por causa de investimentos na vida pessoal. Portanto, esperem menos atualizações – idéias de posts não faltam, me falta é saúde pra ficar tão compenetrada assim em algo que eu amo fazer, mas que não posso deixar que me impeça de viver a vida em si. Ou seja – em vez de 5 posts por semana, acho que vai cair pra 3, o que eu ainda considero uma média excelente. Mas só um aviso prévio, caso eu suma por uns dias: é só recarga de bateria. Meu hobby é meu blog. Não daria pra lagar.

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Como foi o Festival Planeta Terra 2008

No sábado, peguei o trem em Santo André e quase duas horas de CPTM depois estava chegando à Villa dos Galpões para conferir as atrações do Festival Planeta Terra.

No saldo geral, o festival foi positivo. O preço das entradas foi honesto e a organização, embora com algumas falhas, entregou o que prometeu.

Ao meu ver, os dois principais problemas foram a falta de água para lavar as mãos nos banheiros e a superlotação da praça de alimentação. No ano passado, a quantidade menor de pessoas fez com que o lugar se mantivesse confortável, mas com os ingressos esgotados a organização poderia ter pensado em duas praças de alimentação. Os preços estavam na média (cara) dos festivais de música: 3 reais por água ou refrigerante, 4 ou 5 pela cerveja, a partir de 5 pela comida, com opções variadas – e a pior esfiha-enroladinho-qualquercoisa de queijo que eu já tive o desprazer de experimentar. Mas o hot dog estava bom.

De resto, pavilhões e setores bem distribuídos, banheiros praticáveis e cheirosos por causa das folhas de eucalipto espalhadas pelo chão, seguranças educados e até a presença de policiais civis à paisana.

Uma grande sacada foi a área de chill out (olha aí em cima), que esse ano, além das mesinhas e pufes ao ar livre, também ganhou esteiras, que permitiram sonecas estratégicas nos intervalos entre as atrações desejadas e garantiram disposição no show seguinte.

Outra coisa legal é que, apesar da pontualidade monstruosa do início dos shows, os pequenos intervalos entre um e outro eram preenchidos por vídeos no telão, da TV Terra, com Sabrina Parlatore e outro apresentador esquisito entrevistando gente. OK, a intenção é legal. Pena que os temas e os entrevistados fossem tão bizarros. Por exemplo, antes do Bloc Party foi possível acompanhar um relato emocionante de Luciana Vendramini sobre sua… síndrome do pânico. Relevante.

Um desabafo: tenho muita preguiça dessas pessoas que levantam suas câmeras digitais e as mantém lá por todo o show, impedindo a visão de quem está atrás. Até entendo querer tirar uma foto ou outra, filmar uma ou outra música. Mas gravar o show inteiro é coisa de idiota, afinal você passa o show inteiro preocupado em filmar, não aproveita e vai chegar em casa e assistir um vídeo tosco. Melhor comprar o DVD da banda, né? No Kaiser Chiefs, eu estava a um metro da grade, mas na minha frente tinha um cidadão de 1.85 de altura que segurou a câmera em cima da cabeça – sem exagero – por TODO o show. Isso quando ele não filmava o telão, o que é uma coisa ridícula de absurda. Um saco ter que ficar procurando espaço para enxergar quando você tá na cara do palco.

Mas falemos de música. Quanto a ela, assisti Vanguart, um trecho de Mallu Magalhães, Offspring, um trecho de Animal Collective, Foals, Bloc Party e Kaiser Chiefs – e falo deles agora:

Vanguart

17h30 no palco principal o lugar ainda estava relativamente vazio, mas um bom número de fãs compareceu ao show dos moços de Cuiabá, que foi bem legal, mas nada além disso.

O som, àquela hora ao menos, estava ótimo. Destaque para a postura de rockstar blasé de Helio Flanders, o vocalista, que disparou frases divertidas como ‘obrigada, você são muito especiais’, e me deixou perguntando que tipo de pessoa realmente elogia usando o termo ‘especial’ na vida real.

Mallu Magalhães

Finalmente vi a Mallu ao vivo! Estava bem longe do palco então não tirei foto (alguém?), mas ela entrou de sobretudo e cartola, parecendo uma adulta que encolheu dentro das roupas (ou o Arnaldo Baptista). Não tive paciência para mais de duas ou três músicas, quase entrei em coma por causa da letargia das canções, mas achei o seguinte: ela está cantando muito bem, cada vez melhor, e as letras dela não são ruins. Está no caminho mais do que certo – vai compôr melhor e cantar cada vez melhor, e daí não tem porquê não ser sucesso, já que meio mundo já a ama. No fim, a impressão que eu tive é que as músicas ficam mais suaves ao vivo, quase como um folk de ninar.

Animal Collective

Dormi.

Foals

Melhor show da noite, de longe. No ano passado, no mesmo Indie Stage, o The Rapture colocou tudo abaixo num show que nem era tão esperado (ao menos se comparado com outros do festival). O Foals fez o mesmo esse ano, numa vibe até parecida: ofuscado pelas outras atrações, acabou se destacando entre os shows que vi, e acabou fazendo todo mundo se mexer muito mesmo de onde eu estava assistindo, que era beeeem longe do palco. Faltaram algumas músicas, mas no geral todas ganham um peso absurdo ao vivo, já que no CD eles parecem até experimentais e ‘lounge’ demais. Gravei uns vídeos (quase inúteis, mas dá para ver que as pessoas estavam descontroladas, ao menos) que serão disponibilizados eventualmente, quando eu conseguir subir tudo.

O vocalista esquisito também ganhou o público falando palavras aleatórias malandras, tipo ‘maconha’ e ‘garota bonita’.  A única ressalva fica para a acústica do Indie Stage, que não tem jeito: é bem ruim, deixa tudo abafado.

Offspring

Já disse muitas vezes: foi a primeira banda de rock que eu ouvi, primeiro CD de rock que eu ganhei. O show foi lotado de hits, um atrás do outro, e isso foi muito esperto – satisfez os fãs e os paraquedistas, já que os hits do Offspring são bem conhecidos até por quem nem é tão fã dos caras. Mas achei o show meio burocrático. Honesto, mas burocrático – faltou a catarse que se espera de um show desse, mas ok, eu estava distante do palco. Vi, pelo telão, umas rodinhas lá no meio.

Bloc Party

Frio. Meia boca. Foi isso que eu achei, e veja bem, eu estava na grade, praticamente. Eles optaram por tocar músicas dos três discos, e eu atribui a isso minha insatisfação (porque só gosto do primeiro), mas percebi que os fãs dos três discos também acharam o show bem morno: vide o que disse o Ian ou a confissão do meu amigo Felipe, via Gmail, que é fanático pelos caras:

Viu? Não sou eu que tô dizendo. E eu nem sei explicar porque eles são tão fracos. Onde eu tava, o som tava bem legal. As músicas eu não conhecia, mas é de se esperar que os fãs conhecessem todas… bom, pelo menos esse letreiro no palco é bonito:

Antes que eu me esqueça: Kele Okereke pediu desculpas pelo playback no VMB. Achei gentil, mas não desfez a má impressão.

Kaiser Chiefs

Qual foi o critério para deixá-los fechando a noite, como atração principal? Afinal, são um grupo divertido, mas em termos de importância eu colocaria o The Jesus and Mary Chain ou mesmo o Offspring encerrando o festival. Mas as dúvidas foram anuladas quando a banda de Leeds subiu ao palco. Porque é assim: vi uma vez uma presença de palco melhor que a de Ricky Wilson, o vocalista, e essa presença de palco foi a de Eddie Vedder. Só.

Nunca vi outro show em que o cara tivesse tanto domínio sobre o público, e chegasse inclusive a brincar com esse domínio. Ficou engraçado assisti-lo fazendo uns movimentos com a mão só para observar a platéia repetindo (eu não fiz para evitar me sentir um mico amestrado, mas eu acho que eu faria o mesmo no lugar dele então achei bem divertido). Ricky impede que as pessoas cantem os refrões em voz baixa, não se contenta enquanto não vê todo mundo pulando e gritando muito alto, se joga na platéia uma, duas, três vezes, sobe na lateral do palco, recita frases em português… Ele comentou inclusive, em português muito capenga, a internação do tecladista Peanuts por causa de apendicite. Peanuts chegou ao palco carregado e Ricky disse algo como ‘ili é un hirói’, além de agitar os gritos de ‘hirói, hirói’ na platéia.

Tudo isso somado aos ilimitados hits do Kaiser Chiefs se converte na fórmula ideal para que todo mundo saia de lá elogiando o show e o vocalista. Não foi a catarse do Foals, mas é um show muito bom, bem acima da média, capaz de envolver até quem não conhece a banda.

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Quem vai na faixa no Planeta Terra?

E os ganhadores são…


Elisa de Oliveira Mafra


Jorge Anderson de Souza Gomes

Obrigada aos que participaram e até lá. Na sexta entrarei em contato com os felizardos.

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