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Eu e o SWU


Em ritmo de SWU

Escrevi esse há uma semana, mas resolvi postar só hoje. Antes tarde do que nunca – o timing já passou, mas não ia deixar o texto mofando aqui.

Acho que a lição mais importante que o Eduardo Fischer, empresário responsável pelo SWU, aprendeu nesses três dias, foi que não é prudente batizar um festival com um nome que rime tão facilmente com ‘cu’. Porque na hora que a coisa apertar, as pessoas estiverem putas com a organização e o caos lembrar um Titanic sem o barco e sem a água, vai ser muito fácil entoar um SWU! VAI TOMAR NO CU!. Ninguém vai precisar nem fazer esforço pra xingar o festival, saca?

Foi bem isso que aconteceu. O ‘Titanic sem água nem barco’ rolou na saída do primeiro dias de show. Acrescente nesse clássico de Hollywood uma pitada de zumbis – era como se zumbis náufragos vagassem sem rumo por uma estrada de terra no interior de SP, no escuro. Sem informações (zumbis geralmente não se importam muito com isso, mas a metáfora dos zumbis só se aplica à maneira como as pessoas vagavam). Ninguém sabia informar nada, filas se formavam sem que ninguém soubesse exatamente pra quê. As pessoas se agarravam na janela da minha van pedindo pra que eu, pelo amor de Deus, as tirasse dali. Que elas iriam até no teto, se preciso. Que pagariam o quanto fosse.

A van estava cheia e eu me senti aquela pessoa no bote do navio afundando que precisa dizer “NÃO! O SENHOR NÃO PODE ENTRAR AQUI, SENÃO MORREREMOS TODOS!”, e mal dormi à noite. O problema é que, muitas vezes, problemas de organização acabam superando bons shows. E infelizmente parece ter sido o caso nesse festival, ao menos pra uma boa quantidade de gente. Não pra mim, mas eu preciso contar o que vi e ouvi.

É preciso valorizar a iniciativa dos caras de resolver, já no dia seguinte, os problemas de transporte pra volta. Liberaram a estradinha, colocaram mais ônibus e MUITOS TAXIS, de modo que a saída do domingo e da segunda não podem, de maneira nenhuma, serem comparadas à putaria que rolou lá na sexta. Isso é louvável; louvável também é recolher todo lixo e reciclar, é treinar a segurança pra devolver carteiras e celulares no Achados e Perdidos (conheço várias pessoas que encontraram essas coisas lá depois dos shows).

Mas porra. Deve ter algo de errado em um festival em que é mais fácil entrar com um baseado do que com uma bandeja de mussarela e uma cartela de anticoncepcional (true story).

Não vou reclamar de comida cara, que isso acho que é algo que, embora absurdo, se espera de um festival. O duro é pagar 12 reais em um hambúrguer que demora não menos de uma hora para ser conseguido e vem frio – ou seja, o número de barracas de comida naõ deu conta da demanda. Não vou reclamar que a água e as bebidas eram vendidas em garrafas e copos, porque considero difícil encanar água para colocar bebedouros em uma fazenda, mas vou reclamar que as latas de lixo pra jogar essas coisas eram mais difíceis de encontrar do que, sei lá, alguém me arrume uma comparação engraçada pra colocar aqui.

E, finalmente: não há nada de sustentável em uma área vip. Não é só uma área vip na frente do palco, é toda uma área vip, com restaurante vip, atrações vip. Sério, não dá.

Agora, os shows (aqueles sobre os quais tenho algo a dizer):

Black Drawing Chalks

Foi bem no começo do festival e, ainda assim, lotou. Eu já tinha visto-os tocando em lugares menores e fiquei surpresa de perceber que o som poderia funcionar em um palco grande. Funcionou, e muito. Ficou super pesado, o baixo marcante, mais metal do que nunca. Muita gente assistindo e gostando, especialmente porque eles poderiam ali ganhar uma boa parcela dos fãs que tinham ido pra ver Rage ou Infectious Groove (há fãs do Infectious Groove?). Foi bom.

Mutantes

Ah, vai ser polêmico? Vai. Mas também, quem disse que eu preciso manter aparências sobre gostos musicais, né? Eu nunca gostei de Mutantes. Não gosto. E o show foi chato. Assim, pra dormir mesmo. E aquela vocalista grávida sorri demais, sério, de um jeito doentio e perturbador. Só valeu por ver o mito Sérgio Dias ao vivo.

Los Hermanos

Achei caído. Posso? Desculpe aos amigos que entraram em comunhão com os malas, mas na boa, não sei realmente porque, mas Los Hermanos já era pra mim. Não me tocou – eu cantei todas as músicas, que sei de cor, no automático. E nem sei explicar porque, mas se eles não conseguiram me cativar como costumavam (e como não conseguiram naquele show também meia boca em que abriram pro Radiohead), a culpa não é minha, que continuo achando as músicas do Bloco do Eu Sozinho e do Ventura tão boa quanto sempre foram. Não gostei.

Mars Volta

Achei o show um pouco tezzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz….

Rage Against The Machine

Matador. Arrepiaram os pelos do meu braço (sérião) quanto entraram tocando Testify, e eu nem sou super fã – só conheço meia dúzia de músicas e olhe lá. Sabe quando você ouve um baixo num show e ele é tão marcante que parece que seu coração tá compassado junto? O show foi catártico, a presença de palco deles é absurda. A maior prova é que a banda fez um show em que o áudio foi cortado duas vezes e, ainda assim, foi lembrada pelas músicas que tocou, e não por esse episódio infeliz.

Mas lá vou eu como as minha observações sociais… os caras pregam a revolução pela violência, e eu não vou discutir se isso é certo ou errado. Mas acontece que isso os torna responsáveis pela parcela de fãs deles que é violenta usando essa suposta revolução como desculpa, mas no fim, só quer mesmo é a violência. A galera lá tentando arrebentar a área vip: do caralho, sério. Eu tava na área vip e a perspectiva não me assustou, pelo contrário, eu estava é fascinada com o poder que um mito da cultura pop pode ter sob tanta gente ao mesmo tempo. Aí param o show porque a coisa estava insustentável, as barreiras iam cair… e ele me conta e toca SLEEP NOW IN THE FIRE? Pareceu até sarcasmo, quase um AGORA SE FODE AÍ. Eu achei que as pessoas iam se machucar seriamente. Eu fui xingada por uma galera da área normal (eles cuspiram em mim, inclusive, e me acusaram de vender meu corpo em troca de dinheiro com o uso de alguns termos que designam essa profissão) só porque eu estava olhando pra eles, em vez de olhar pro show. Os caras não sacaram que boa parte do show estava NELES – na fúria meio vazia que eles demonstravam, na possibilidade de uma tragédia iminente e em tudo aquilo ser provocado por uma banda de rock.

O que eu queria ter visto e não vi:

Superguidis
Mallu Magalhães
The Apples In Stereo


:(

No domingo eu não fui, mas sei FOR A FACT que o show do Kings of Leon foi ruim. Me disseram que o highlight do dia foi Otto, apesar de eu não curtir muito o cara.

Incubus

Pô, tem um disco do Incubus do qual eu sou super fã, e chama A Crow Left Of The Murder, eu até comprei ele (sabe, CD físico, assim?). Das outras coisas gosto só dos hits – Drive, Wish You Were Here. Sabe como é, a gente colocava essas coisas em mixtapes na adolescência, a galera tocava nas rodinhas de violão. O show foi assim: eles abriram com a última música deles que ficou muito, muito famosa. Chama Megalomaniac, é daquelas que vão crescendo e explodem no refrão, é boa e é uma música contra o Bush (em 2004 tava na moda fazer música contra o Bush). O que se destacou foi a voz do gatinho lá, o Brandon Boyd. Ele canta muito e isso, ao vivo, fica gritante (no pun intended). Vai pra uns agudos bizarros sem desafinar, a voz dele é um show à parte. De resto, a apresentação foi consistente e só. Misturou hits desse disco que eu gosto com uns clássicos mais pesados deles, tipo Nice To Know You. Bom show, mas não mudou minha vida.

Queens of the Stone Age

Eu e todo mundo que estava ao meu redor, a uns 4 metros da grade da pista vip, ficamos putos com uma série de coisas antes desse show. A saber:

- Um atraso de 50 minutos que já estava nos fazendo considerar a possibilidade de cancelamento;
- As pessoas em volta, que eram todas fãs de Linkin Park, e em dado momento começaram a gritar Linkin Park;
- E a coisa mais engraçada do festival, um grupo de três garotas que poderiam facilmente serem transportadas para a tenda do Tiësto (elas tavam vestidas pra rave), mas que aparentemente tinham ido para ver Linkin Park, e criaram uma barricada à nossa direita. O lema delas era DAQUI NINGUÉM PASSA, e funcionava assim: qualquer pessoa que tentasse passar por elas, seja para ficar entre as garotas ou cruzar para o outro lado, não poderia fazer isso. Elas ficavam assim, estáticas, rígidas, e evitavam a passagem. E diziam “se quiser, dá a volta”, o que era impossível porque tava muito cheio tanto na frente quanto atrás.
Apesar de me indignar e iniciar um leve bate-boca com as garotas, como afinal meu lema é espalhar o amor, no final ficou tudo bem.

Mas vamos à parte que interessa. Queens of the Stone Age tem, em todas as músicas, esse ar hipnotizante, um pouco ébrio. É isso, somado ao peso das músicas, aos riffs de guitarra que se entrelaçam e à voz meio bêbada do Josh Homme, que provavelmente atrai a maioria dos fãs dos caras. Ao vivo, o clima meio nebuloso que é criado por todos esses elementos na música gravada é palpável, real. Ganha um peso indescritível. Felizmente, mesmo com os fãs do Linkin Park ao redor, havia fãs de QOTSA suficiente pra que eu não fosse a única a cantar todas as músicas ou a dançar Sick Sick Sick e Little Sister (aliás, essa música fala sobre incesto?).

Pixies

Não vi. Mas foi um showzão.

Linkin Park

CRAWWWWWLING IN MY SKIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIN. E I CAAAAAN FAAAAAAINT. Só, né.

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Skol Sensation, realidade aumentada FAIL

Sábado tive que descolar uma roupa branca. Não tenho nenhuma – peguei um vestido bonito emprestado da minha mãe e fui até o Anhembi pra cobrir o Skol Sensation, festival de música eletrônica que prometia uma aventura bombástica com recursos de realidade aumentada.

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Abertura inovadora FAIL.

Tão alardeada pela divulgação, ela foi bem normalzinha. Realidade aumentada? Se teve, não me avisaram. Vi só umas luzes bonitas numa árvore gigante feita de plástico branco e uns chafarizes iluminados e pá, e acharam que iam me impressionar com isso. Gente que tomou LSD podia até ficar impressionado – eu não fiquei.

Ou seja, ou você tomava drogas pra aumentar sua percepção das cores e tinha a vibe do Sensation ou te garanto que a pirotecnia do show do Muse em SP foi bem mais foda.

Na prática, parecia tipo uma convenção de dentistas ou uma reunião de pais-de-santo, povoada por piriguetes que acharam conveniente ir de biquíni branco (sério), homens muito bombados e com tatuagens feiosas e uma grande parcela de pessoas aparentemente muito ricas e bem-sucedidas. Com câmeras na mão. Muitas. Como você dança e filma um DJ ao mesmo tempo?

Me impressionou o paradoxo entre a presença maciça dessas pessoas aparentemente ricas e falta de educação generalizada no lugar. Costumo ir em shows de rock e apesar de algumas pessoas serem mal educadas, nunca tinha acontecido de gente trombar comigo de propósito ou coisa assim, como rolou nesse lugar. Vi brigas por causa de fila no banheiro e muitos daqueles homens com técnicas de conquista duvidosas (sabe, tipo Piteco – te puxar pelo cabelo e achar que você vai se apaixonar pela selvageria).

Além disso, flagrei algo nojento:

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Embora não pareça e eu esteja muito desfavorecida pela falta de luz e pela falta de qualidade da câmera, esse rapaz estava FAZENDO XIXI DENTRO DE ARMÁRIOS. Ele podia ter feito xixi nos inúmeros banheiros disponíveis, num canto, sei lá, num copo. Ele fez questão de fazer isso dentro de um armário aberto. Não me pergunte o motivo.

Vi alguns menores de idade, muita gente de fora do estado, babacas pagando mil reais só pra chegar de limusine e coisas assim. Também vi o estande da Marlboro, que achei o fim da picada:

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Artistas plásticos pintavam ao vivo, enquanto você ia até um computador, montava sua própria caixinha de Marlboro e adquiria a embalagem personalizada na hora por apenas 3 reais. Esse valor não inclui a cirurgia para nenhum tipo de câncer nas vias respiratórias. Enquanto isso, promotoras gostosas da Marlboro passeavam entre as pessoas perguntando se elas fumavam e se gostariam de se cadastrar no mailing da Philip Morris.

Daí eu te pergunto: ainda que eu fumasse, que motivo teria para me cadastrar numa merda de newsletter que me lembraria todos os dias que estou fudendo meu pulmão?

Não consigo imaginar a resposta – e fico imaginando o desafio que deve ser bolar ações publicitárias pra uma empresa que vende a morte em forma de tubos de nicotina (e me dou conta que nem é um desafio tão grande assim, né, vide a fila no estande da parada).

Mas não vou ser tão dura. O evento foi bem organizadinho, pontual (ok, não tem como DJ não ser pontual, a não ser que o cara não seja FDP), não vi uso de drogas (ok, festas de música eletrônica são frequentadas por gente que toma drogas sintéticas, quase impossíveis de detectar a não ser que o sujeito seja um idiota) e os seguranças agiram com eficácia e bem rapidamente nas poucas brigas que eu vi. Além disso, a música parecia muito boa pra quem curte o estilo, e tiveram alguns momentos altos, com Nirvana, Coldplay, White Stripes e The Killers. O único cara que eu achei que fez muito feio foi um fulaninho que tocou, parece, Trance (me informei sobre os estilos OK). E apesar de não ter dançado NADA, estranhamente me diverti como não me divertia há tempos.

Só continuo achando que 80% do público que frequenta esse tipo de evento de música eletrônica é meio babaca. Não que isso me impeça de me divertir, mesmo com música que eu não gosto, mesmo sóbria. Mas… não dá pra ignorar a babaquice na essência.

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A sublimação do instantâneo

Para os padrões de internet, estou meio atrasada. Mas acho legal falar do Twitter, a nova ferramenta interativa que promete algo na Web.

O Twitter funciona sob o mote “What are you doing?” (“O que você está fazendo?”), ou seja… exatamente isso. Os membros criam perfis e o atualizam minuto a minuto com suas atividades corriqueiras, por meio de uma ou duas frases. Coisas do tipo “estou tomando café da manhã”, “lendo as notícias do Uol”, “tentando falar com fulano”. O perfil permite só uma foto e uma pequena descrição, e você pode acompanhar as atualizações alheias – existe a opção de recebê-las por celular ou e-mail. Você também pode enviar atualizações direto do celular ou por e-mail, caso esteja na rua, pra que nenhum movimento seu seja perdido.

Dizer que isso é voyeurismo barato é a crítica óbvia. As pessoas gostam de saber da vida das outras. E a possibilidade de postar de qualquer lugar através de dispositivos móveis torna tudo mais divertido. É possível, também, acompanhar o twitter de quantos amigos você quiser.

Assustador, não? Eu já tenho um, mas não atualizo com freqüência: faltam paciência, algum amigo interessante que use ou tanto tempo assim sobrando. Além disso, penei e penei mas não consegui configurar meu Nokia 5200 para receber e enviar mensagens no Twitter. Quem sabe, caso eu conseguisse, teria me familiarizado mais com a ferramenta. Deus sabe quantas coisas bizarras eu vejo todo dia andando de trem…

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