OEsquema

Arquivo: fim do mundo

Sobre tatuagens bluetooth, Tarso e um futuro apocalíptico

Às vezes minha cabeça pára de funcionar. E não é quando eu durmo. É como se, atrapalhada pelo excesso de informação e principalmente preocupada pela quantidade enorme de coisas na lista de tarefas e obrigações praquele dia, a parte que se comunica do meu cérebro ficasse momentaneamente incapacitada de produzir.

Eu tô experimentando essa situação nesse momento, já que faz algumas linhas que venho tentando começar um texto sobre uma tatuagem bizarra sobre a qual li esses dias. É uma mistura de tatuagem de Harry Potter (elas se mexem) com chip futurista à là Tarso (clique para ampliar):

montagem

É uma tattoo de interface digital, implantada na pele via microcirurgia, que interage com Bluetooth e usa como energia pra funcionar o nosso próprio sangue, por um processo explicado bem por cima no link original. Sério. Ela tem interface touchscreen, mas não é touchscreen porque NÉ, não tem uma tela. Mas poderia ser touchskin, daria certinho e ainda rolaria um trocadilho maroto.

Não sei se essa parada funciona em seres humanos, se não é uma pegadinha de primeiro de abril, se dá câncer ou interfere no sinal do telefone-sem-fio. Na verdade, ainda estou meio chocada. Sei que depois que você tiver uma pode atender seu celular pela tatuagem. Ela pode exibir vídeos e fotos. Puxa, eu não me surpreenderia se ela tocasse música, tivesse 8GB de memória interna. Ela tem bluetooth! Daria até pra usar fone sem fio. Eu assistiria LOST no meu antebraço, e cara, o quão legal isso seria?

A gente fica discutindo aí a revolução do mobile, da música digital, como a internet vai mudar a maneira de fazer jornalismo… mas daqui a pouco a parada está debaixo da nossa pele e a gente nem vai precisar ser abduzido pra isso. A gente vai QUERER por essa parada debaixo da pele. Especialmente se for um modelo Apple.

É mesmo tão assustador e futurista e Jetsons-like quanto parece, e os Testemunhas de Jeová vão dizer que isso é a prova de que o Messias está chegando, e os evangélicos dirão que essa é a marca da Besta que será implantada em todos os pulsos das pessoas… tanto faz, é sempre a mesma coisa, mesmo. A questão é que está chegando uma era em que os profetas mendigos de rua vão começar a anunciar o apocalipse, e eu vou acreditar neles. Um era em que nos confudiremos com as máquinas. Em que nanorobôs viajarão pela nossa corrente sanguínea curando doenças e aquelas capas aparentemente fictícias da SuperInteressante farão sentido.

Pra mim, só interessa que inventem um dispositivo bluetooth que seja semelhante à penseira do Harry Potter – através de um botão na minha têmpora, eu transmitiria todo o excesso de dados para um cartão microSD localizado, digamos, na unha do meu polegar. Assim, talvez, eu conseguisse organizar meus pensamentos e ideias em pastas e minha mente não fosse essa bagunça. Com ou sem anúncio de apocalipse, aguardo por esse dia.

Por enquanto, fico com minha tatuagem analógica de Dr. Manhattan.

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Quem tem medo da Gripe Suína?

Agora todo mundo tem medo desse negócio. Me dá coisas quando ando na rua e vejo gente de máscara. Acho que dá um certo glamour pro país, sabe? Porque a gente é atrasado até na chegada das epidemias. Tava o mundo desenvolvido inteiro já na vibe das máscaras antigripe. Europa, EUA, todo mundo. Por aqui só chegou agora, como sempre.

mascara

Não basta estar protegido, você tem que fazer isso com estilo

Quando vejo pessoas de máscara na rua alguns pensamentos intrigantes me acometem. A saber:

1) Será que ele sabe que a máscara não previne que o indivíduo contraia o vírus, só diminui a chance de transmití-lo caso ele esteja com sintomas da doença?

1.1) Se sabe, então há suspeitas de que ele esteja infectado? Devo correr?

1.2) Se não sabe, eu deveria avisá-lo para poupá-lo do constrangimento que essa postura patética está causando ao redor?

A questão é que eu não consigo entender tanto alarde por causa da doença. Quer dizer, consigo – é que os jornais tratam como se fôssemos todos morrer de dor de garganta e febre alta. As manchetes da semana passada diziam “Morrem mais dois infectados pela gripe suína. Vírus já está a solta no país”. Oi? “A solta”? É tipo “Prendam este vírus!”

A Gripe Suína é só uma variação um pouco mais letal da gripe comum. Pode afetar gravemente gente com problemas respiratórios, idosos e crianças. Mas é só isso. Tem tratamento, o índice de mortalidade é menor de 10% e é capaz que alguns de nós já tenhamos pego a gripe nos curado dela achando que era a comum.

Se pegar, pegou. O tratamento é IDÊNTICO ao da outra gripe, àquela que todo mundo já teve. Repouso, remédio que alivia os sintomas e só. Ou seja, não tem nenhum motivo pra sofrer por antecipação. Se tiver que pegar, vai pegar. Daí vai no médico e trata. Máscara não vai te proteger. Não há nada que possamos fazer pra evitar o contágio.

AAAHH, sim. Há sim, segundo infectologistas. Primeiros, as mãos. Você precisa lavá-las muito, sempre, evitar contato com as mucosas. Até aí ok. Mas gosto mais da segunda principal recomendação – evite multidões. Gente aglomerada. Lugares fechados.

Como é que você evita multidões no esse mundo onde tem gente saindo pela culatra? E como é, EM NOME DE DEUS, que você evita lugares fechados? Só sendo morador de rua pra ficar livre da Gripe A, portanto?

cracolandia

Já consigo ver os hipocondríacos se mudando pra Cracolândia

Po, segundo essa lógica todo mundo se isola em casa. Pra evitar multidões eu não posso sair do meu quarto, porque na minha casa moram cinco, e se a gente se enfiar, digamos, no quarto do meu irmão, já vira uma multidão relativa. Não posso ir trabalhar, porque o trem pode se caracterizar como multidão confinada em lugar fechado. Não posso ficar dentro da empresa, é tudo fechado lá e tem um monte de gente.

Ou seja, é aquilo que eu disse: você não pode correr. Esse negócio passa pelo ar, máscaras não o intimidam, as dicas pra não pegar são impraticáveis e se você tiver que pegar, vai pegar. Depois disso, você se descabela. Não dê ouvidos às manchetes que dizem que o vírus já corre solto do Oiapoque ao Chuí. 70.000 pessoas morreram de gripe comum no Brasil no ano passado e eu não vi ninguém usando máscara e mandando prender vírus.

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Project Natal: parece que o futuro chegou, e eu tenho medo dele

Tá rolando a E3 nos EUA. Como sei que meu público é plural e diversificado, peço uma pausa para explicar aos não-nerds o que é a E3.

E3 é a maior feira de games do mundo, palco para as fabricantes apresentarem as tecnologias que possivelmente dominarão o mundo no ano vindouro.

Explico também ao leitor leigo que os videogames, antes considerados artigos de nicho, reservados somente a um grupo restrito de aficionados, acabaram popularizados entre todos os gêneros e idades pela Nintendo com o lançamento do Nintendo Wii, aquele videogame maneiro que tem um controle em formato de tijolo que reconhece os movimentos do jogador.

(Aproveitando, deixo um apelo: nunca joguei Wii. É, eu sei. Vergonhoso. Portanto, caso alguém esteja pensando em dar uma Wiiparty na Grande São Paulo, enviem o convite. Grata)

Obrigada pela paciência. Na E3, a Microsoft apresentou um esquema que chama Project Natal, um acessório para Xbox 360 que transforma o próprio jogador no controle.

Sim, aparentemente é tão preciso e assustador quanto o vídeo mostra. O acessório é capaz de reconhecer o corpo do jogador e transportar isso para dentro da interface do jogo, tornando desnecessário o uso de um controle plástico para direcionar seus movimentos. A idéia é – apenas faça o movimento e isso será replicado na tela.

Mais assustador ainda é o próximo vídeo, que dá uma dimensão de outra tecnologia de inteligência artificial que está sendo desenvolvida para funcionar junto com o Project Natal e que, tecnicamente, já poderia ser colocada a disposição para o consumidor final através de um console e do acessório necessário:

Nesta simulação (em inglês, e sem versão com legendas no YouTube, sorry), um personagem de dentro de um videogame conversa com alguém da vida real. Ele é capaz de reconhecer faces, então identifica quem essa pessoa é, e a chama pelo nome. Também é capaz de reconhecer expressões faciais e tons de voz, por isso, identifica a inclinação emocional da pessoa. Através de uma interação por câmera, a pessoa DESENHA ALGO EM UM PAPEL e mostra isso ao garoto do vídeo, que PEGA O PAPEL, olha o desenho, reconhece-o e comenta o desenho.

Parece filme de ficção científica daqueles que de tão exageradamente futuristas viraram trash-cult. Não são poucos os roteiros em que gente de verdade caminha e interage fisicamente dentro de um mundo virtual, e a concretização disso me parece, ao mesmo tempo que fantástica, assustadora.

Primeiro, tem a inteligência artificial dessa parada, que de tão próxima a nossa maneira de relacionar dá medo. Quanto mais próximo um organismo com IA é ao interpretar e responder a estímulos de seres humanos, mais a gente falha em reconhecer esse sistema como uma máquina desprovida de ‘personalidade’, ‘sentimentos’ ou seja lá o que isso for. A gente acaba atribuindo essas características àquilo sem querer, por instinto, porque bem ou mal aquela imagem ou robô se comporta como um de nós se comportaria.

Se isso já perturba pessoas que tem apenas leves desvios de personalidade (eu), imagina o que vai se tornar uma tecnologia dessa na mão das milhões de pessoas no mundo que tem problemas de interação social? Se você tem um computador que te trata melhor do que qualquer ser humano que você conhece, porque você vai tentar se relacionar com pessoas?

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Pra pedir cigarros

Num mundo onde as pessoas estão gradualmente mais individualistas, mais mal-educadas, mais egoístas, nem vai ser muito difícil desenvolver um robô que seja mais educado e simpático que a maioria das pessoas que a gente encontra por aí.

E eu fico pensando nas consequências sociais. Na adolescência, o período difícil, é possível que os jovens se enclausurem mais dentro de seus quartos, na frente dos videogames. Vão aparecer aqueles casos bisonhos, de gente que se apaixona por Lucy, a moça de dentro do videogame; do rapaz que entrou em depressão depois que o Xbox 360 deu 3 red lights e ele não pôde mais papear com Fred, seu melhor amigo virtual (virtual de ‘não existir’, e não como aquele conceito antigo, que diz que amigo virtual é amigo feito pela rede), e uma série de outras esquitices dignas da editoria Mundo Bizarro do G1.

Meu parecer? Prato cheio pra pós-graduandos em psiquiatria, psicanálise e campo de estudos muito vasto pros profissionais dessa área (vão ganhar grana pra caramba). Ademais, estamos entrando numa era que muitos escritores de ficção científica previram, e que muitos de nós duvidaram que seria verdade – um tempo em que se tornará cada vez mais difícil distinguir máquinas de gente.

Pela minha idade (se eu ignorar os índices de criminalidade do Brasil, as possibilidades de morrer em catástrofes naturais e o próprio fim do mundo em 2012), provavelmente estarei aqui pra ver isso. No fundo tenho medo, mas quer saber? Mal posso esperar pra testemunhar a tecnologia que deve selar nossa ascensão ou destruição definitiva. Ou não.

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Uma análise da Season Finale de Lost por alguém que está provavelmente tão confuso quanto você

Eu evitei falar sobre Lost por muito tempo, porque é um post segregador. Nem todo mundo vê a série, nem todo mundo está no mesmo episódio que estou. Mas o fim da 5ª temporada me deu algumas dúvidas e muitas certezas, certezas que eu não vi ninguém mais comentar. Se você não vê Lost ou vê mas ainda não viu o último episódio da 5ª temporada, não leia o texto abaixo. Vou dar alternativas pra todos os gostos e perfis:

Avisado? Ok.

Spoilers TENSOS a partir daqui.

Seguinte. Eu sempre achei que Lost fosse seguir as leis da física, no geral. Não há distorções, se você estudar um pouquinho de física quântica (eu sei muito pouco). Conceitualmente, buracos de minhoca e os paradoxos que as viagens no tempo são capazes de criar sempre foram muito bem retratados no plot da série. Tem até referência a teoria das cordas. Eu sempre achei os caras geniais por isso – um plot enroladíssimo, com conceitos complicados, sem que no geral se pudesse apontar uma falha sequer.

Claro que isso, por um lado, é porque eles não responderam muitas coisas. Quando responderem, poderemos ver se houve falhas ou não. Mas divago. A questão é que minha teoria em Lost se baseava na seguinte premissa – o que aconteceu aconteceu. Ponto. Não há como explodir uma bomba que impeça o avião de cair, porque se o avião não cair, os Losties não estariam ali explodindo a bomba pra que ele não caísse. O tempo é uma linha contínua.

A não ser que consideremos a teoria dos universos paralelos. De qualquer forma, o último episódio, que deixa claro que a série é sobre bem x mal, livre arbítrio x destino, fé x ciência, me fez ver que Lost não está seguindo a regra que eu achei que estivesse – o que aconteceu pode não ter acontecido. Você sempre tem a escolha. Jacob repetiu isso muitas vezes.

Porque eu digo isso? Ok, está claro pra mim que, de certa forma, o incidente que Jack tentou evitar é exatamente o incidente que ele causou. Isso fica óbvio quando o Dr. Chang tem a mão machucada.

Mas o anti-Jacob, que certamente estava representado como Locke por causa das referências iniciais e finais ao ‘Loophole’, (deveríamos ter dado ouvidos às declarações dos produtores, que disseram que em Lost, quem está morto está morto), precisou intervir nesse suposto LIVRE-ARBÍTRIO para que Locke pudesse estar morto. Então HÁ A POSSIBILIDADE DE MUDAR. Explico.

O anti-Jacob foi quem disse a Richard pra que orientasse Locke (o de verdade) a voltar pra ilha e morrer por isso. Assim, o anti-Jacob garantiu que seus planos fossem cumpridos, porque aparentemente ele só pode ‘incorporar’ gente que já morreu (aí, têm referências às divindades egípcias do mundo inferior). Se ele não tivesse feito isso, haveria um futuro paralelo, em que algo diferente aconteceria. Ou não, mas acho que consegui provar o ponto.

Se o anti-Jacob manipulou uma pessoa comum pra que ela interferisse num ato do passado para causar uma ação futura, então qualquer um pode. Lembre-se que quem interferiu foi Alpert, e não o anti-Jacob ele mesmo, ou seja, ele não pode se envolver, mas sempre pode manipular alguém para fazer o que ele quer que aconteça.

Mas Jacob, parece, teria como saber o que aconteceria. Ele foi quem arquitetou, de certa forma, a volta de alguns dos Losties pra ilha. Ele estava sempre lá. Tipo o careca de Fringe. Ou o Linderman, de Heroes.

No geral, o que temos: duas divindades, uma representando o bem – provavelmente Jacob – e outra o mal, que é o moço de preto do início do episódio, e provavelmente o monstro de fumaça, e o Locke de volta à ilha. Jacob acredita nos homens. Acredita que no fim sai algo bom deles. O outro, não. E eles ficam brincando de provar um pro outro seu ponto. 

Sinceramente, não sei o que significa a morte de Jacob, porque acho que não existe, com Jacob e anti-Jacob, a morte literal, do corpo físico. Se eu fosse chutar, diria que a ilha é análoga a um graaande campo de xadrez, em que os dois ficam brincando de mostrar um pro outro quem tá certo e quem tá errado. Os dois estão na luta pelo controle dos ‘experimentos’ na ilha há milhões de anos; quando um consegue manipular o ser-humano pra vencer o argumento do outro, game0-over pro que foi destruído, ele sai do controle da ilha e no lugar dele entra o outro cara, que fica lá brincando com os peões atééé ser derrubado pelo outro fulano. Tipo um jogo eterno, em que dá um game-over e aí o fulano perde a vez, mas tem vidas infinitas.

Hum… alguém assistiu Constantine?

E pros que duvidavam que esse plot estava arquitetado desde o início, refresquemos a memória com uma cena que, agora, faz todo o sentido do mundo:

Não sou dessas especialistas em cultura pop. Tem muita coisa velha e legal, tipo Arquivo X, Twilight Zone e Twin Peaks, que não vivi e só vi depois de crescida. Mas a trama de Lost me lembra algo em Harry Potter – a referência em tramas desse tipo mais próxima da minha geração, por isso mencionei o ponto anterior.

Em Lost, como em Harry Potter, está tudo lá, sempre esteve – o início, o meio e o fim. Nós é que não estamos vendo as coisas na ordem. No fim, quando o quebra-cabeça estiver montadinho, veremos que não faltará quase nenhuma peça. As pessoas pensavam nos acontecimento da 5ª temporada como fatos que alterariam o futuro que já tínhamos visto, mas a gente só viu a coisa fora de ordem. Se você ordenar, está quase tudo ali.

Quase. Porque parece que dá pra mudar as coisas. Talvez, e só talvez, anti-Jacob ter interferido na linha do tempo (orientando Alpert pra que ele falasse que o Locke deveria morrer) pode ter gerado um futuro paralelo em que ele, o Anti-Jacob, se ferra. Ou não.

Chutar o que acontece na última temporada? Não faço idéia. Mas existe redenção ali. Existe redenção de Jack, o cara que era pura ciência e virou pura fé; existe redenção de Kate, que não se importava em tirar uma vida se fosse necessário e acabou disposta a se sacrificar pra não deixar que nenhuma vida fosse perdida; existe redenção de Sawyer, um cara que vivia uma mentira na verdade e depois foi viver uma verdade, ainda que na mentira. E tem Hurley, o cara que pode falar com os mortos; tem Walt (Waaaaaaaaaaaalt); tem Sayid baleado, e Desmond, ao qual as regras não se aplicam.

Agora, só em 2010. Sorte que o fim do mundo tá marcado pra 2012.

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Sexy Dolls, as Pussycat Dolls do hemisfério sul

O grupo é formado por Julia Paes (?), Sabrina Boing-Boing (??) e Carol Miranda (???).

A primeira é ex-namorada da filha da Gretchen. A segunda eu não sei. A terceira é a que fez filme pornô e ainda é virgem. E eu não acho que explicar isso tornou as coisas melhores.

De qualquer forma, não tenho muito a dizer. Em horas como essas, é importante agir rápido. Por isso, seguem abaixo algumas recomendações aos leitores que, como eu, clicaram no play:

1. Construa um abrigo nuclear. O porão de casas antigas serve perfeitamente para esse propósito.

2. Armazene mantimentos. Prefira alimentos não perecíveis e enlatados, para o caso de uma queda repentina de energia elétrica provocada pelos abalos sísmicos.

3. Entre em contato com as pessoas próximas – amigos e parentes – e procure manter todos juntos. Em horas difíceis como essa, o contato e a lembrança de pessoas queridas podem ser um combustível a mais na luta pela sobrevivência.

4. Protetores auriculares e máscaras para dormir – como essas – podem ser de grande valia para parentes e familiares que ainda não viram o videoclipe. Lembre-se: máscara contra Gripe Suína já era. O importante é proteger os ouvidos contra essa nova ameaça.

5. Se tudo falhar, corra o mais rápido que puder por sua vida. Procure a colina mais alta e fique por lá, orando para que a Gripe Suína ou outra epidemia acabem com ameaças como essa.

O Apocalipse se aproxima, mas teremos mais chances de sobreviver se permanecermos unidos.

Que deus nos ajude.

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Gripe suína, a moda e as lendas urbanas

É, a gripe suína se consolidou mesmo como a mais nova febre (há!) do verão outono. Mais contagiosa que música do Latino (que bela piada heim? Mas tem um paralelismo, juro), ela esta nós fazendo regredir um pouco na outrora fabulosa medicina moderna e serve como uma overdose de humildade pros que realmente acreditavam na supremacia da raça humana.

Topo da cadeia alimentar? Não sei não. Afinal, é tão século 12 as pessoas morrerem por causa de gripe. Eu já disse: o planeta tem meios de espirrar nossa espécie pra fora quando ele quiser, se julgar necessário. A possibilidade de uma pandemia no séc. XXI é só a prova.

Mas a vida continua, ainda que com máscaras cirúrgicas ridículas sendo usadas por 90% da população mundial. E eu fico imaginando se um acessório tão sóbrio pode, daqui algumas décadas, se tornar um adorno de vaidade. Porque assim que as pessoas começaram a usar colares e correntes com pingentes – acreditava-se que esses ‘patuás’ protegiam contra doenças e maldições dos deuses malignos da antiguidade.

Em décadas, quando as mutações dovirus da gripe forem tão letais, diversas e frequentes que não vai ser possível sair de casa sem máscara, a coisa vai passar a fazer parte da cultura humana. E ainda que a medicina futura encontre uma vacina contra todas as mutações, o uso da máscara perdurará. E como pra toda tendência moderna, já temos os vanguardistas. Já consigo até prever os editoriais de moda:

1
Esse mexicano abusou do bom humor e dos estereótipos de seu país pra tornar o acessório único

FLU/
Uma borboleta, o símbolo da feminilidade, foi o tema escolhido por essa funcionária de um aeroporto mexicano

MÉXICO-GRIPE PORCINA
Rebeldia, criatividade e improvisação: três palavras que têm tudo a ver com juventude e com máscaras cirúrgicas

Daí vão te ensinar como combinar sua máscara com os outros acessórios, variações divertidas (máscara de bandido do faroeste; fantasia de médico). Pelo menos ainda não caímos no ridículo de colocar máscaras nos porquinhos. Aliás, uma máscara com um nariz de porquinho seria de uma criatividade e ironia formidáveis.

Mas a realidade é: eu tô morrendo de medo dessa gripe. Só consigo fazer um paralelo com a Peste Bubônica (sem exagero), com o fim do mundo, o apocalipse bíblico, Nostradamus, Inri Cristo (?) e todas essas figuras de fim do milênio. Mas sabe que essas coisas são necessárias de vez em quando, né? Pra dar uma segurada no crescimento populacional. A gente sabe que as pessoas morrem mais nos países mais pobres, que não contam com condições sanitárias adequadas pra suportar uma epidemia desse tipo. E é nos países mais pobres que as taxas de natalidade bombam. A natureza sabe das coisas.

E enquanto o governo brasileiro diz que reforça medidas contra a chegada da gripe por aqui, apesar de termos 12 casos de suspeita (impossível conter; não adianta mascarar os viajantes nos aeroportos, já que já tem gente contaminada nos países que fazem fronteira com a gente), hackers usam a história pra vender remédios falsos sobre a doença, eu fico pensando numa coisa só.

Me chame de maluca paranóica por teorias da conspiração. Mas se é sabido que as empresas que desenvolvem softwares de antivírus precisam investir na criação de novas tecnologias de vírus, porque isso não seria uma verdade no mundo real? Só dois laboratórios fabricam remédios que podem combater a gripe do porco.

E no mais, sábias mesmo são as palavras de @RonaldRios:

ronald

Eu também nunca conheci ninguém. Aliás, nem discuto mais esse negócio do Acre não existir. Pra mim, até Dengue é lenda.

artigoironico

PS.: Escrevi esse depois de assistir Charlie: the Unicorn 3. Acho que daí vem a psicodelia e a ausência de sentido.

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A Hora do Planeta e a esmola energética

Esse é um exercício conduzido de auto-crítica. Se você não gosta da idéia de achar coisas ruins em você mesmo, feche o navegador.

Ok, comecemos.

Você dá esmola? Por que? Você se sente bem dando esmola?

E eu tô pedindo pra você analisar isso lá no fundo do sentimento que te acomete quando você, tomado pela generosidade e magnanimidade, enfia a mão no bolso, tira 50 centavos e entrega praquele moleque malabarista no farol.

Ou mesmo quando você, que não dá esmola nem ferrando, se dispõe muito prontamente a pagar um lanche pro menino que te pediu dinheiro pra comer na rua. O quão satisfeito você se sente consigo mesmo por tão nobre ato?

Se você analisar, verá que sente um prazer. Um leve prazer. Há uma satisfação consigo mesmo. Um orgulho de ser tão bom, tão generoso. Esse orgulho, no caso de algumas pessoas, as isenta de algumas outras responsabilidades para com o mundo. Explico: quando vem um menino pedir dinheir no vidro e você diz “Ah, já dei dinheiro hoje” – sério, tem gente que usa esse argumento – o que você quer dizer com isso? Porque não faz nenhum sentido. Você deu dinheiro, mas não praquele menino. Aquele menino vai continuar sem dinheiro, não importa o quanto você já tenha dado em moedas no mesmo dia. Logo, você doa pra se sentir bem, pra satisfazer sua necessidade básica diária de filantropia e se sentir um cidadão bom, homem de bem, e depois ainda falar pros amigos nas rodas, todo feliz: “eu não dôo dinheiro, de jeito nenhum. Se me pedir um lanche, pago com maior prazer. Outro dia, um menino me pediu um lanche, daí eu fui lá…”

Eu dou esmola, e sempre me sinto ligeiramente angustiada com isso, e analiso que é por uma série de motivos. O primeiro é que não vou resolver o problema do pedinte em questão e nem o problema em si; o segundo é que normalmente eu dou moedas, sendo que sei que é bem pouco, mas não tenho coragem de dar mais, porque sou mesquinha; o terceiro é que me sinto mal por ser mesquinha, mesmo tendo tão mais que aquele cara e gastando tanto com coisas supérfluas; o quarto é que junto com tudo isso já percebo minha satisfação comigo mesma por ter dado esmola vindo à tona, daí sinto raiva de mim mesma por ser tão escrota. Ok.

Eu falei tudo isso pra dizer como é que vou me sentir se resolver apagar as luzes por uma hora no próximo sábado, das 20h30 às 21h30. Organizado pela WWF, o ato sugere que todas as pessoas apaguem as luzes de suas salas por uma hora.

Naturalmente, com a repercussão que o movimento está ganhando, a WWF depois demonstrará que na Hora do Planeta a energia economizada daria pra abastecer sei lá quantas Nova Yorks, e espera que isso conscientize as pessoas sobre o quanto pequenos gestos podem fazer a diferença. É louvável, teoricamente.

Pena que na prática é mais ou menos uma esmola energética. Não vai resolver o problema, não comove as pessoas porque elas já são bombardeadas minuto-a-minuto com informações sobre o quanto o planeta está fudido e continuam não ligando pra isso, é muito pouco diante do que a gente realmente precisa contribuir e todo mundo tem condições de contribuir muito mais, e no fundo, todo mundo vai se sentir muuuuuuuito bem de ter ajudado a salvar o planeta, ganhando uma dose extra de antídoto contra culpa, que dá a ela mais auto-créditos pra jogar lixo no chão pelo resto da semana e deixando TV ligada e luz acesa à toa.

É, eu sei que nesse momento eu deveria sugerir a outra opção. Mas eu não sei o que sugerir. Sei que do ponto de vista de conceito, a WWF teve uma idéia formidável. Mas as pessoas são mesquinhas, e mesmo que muita gente entre na onda da Hora do Planeta, a maioria esmagadora dela vai fazer isso pra aplacar um pouco da culpa por nunca ter feito nada e depois vai voltar pra vida normal.

É por isso que eu peço a todo mundo que está considerando seriamente aderir à “causa”: se odeie se, quando você apagar a luz, começar a se sentir bem. Quando a descarga de serotonina começar a invadir seu cérebro e a satisfação tomar conta, lute contra ela. Você não está fazendo nada, NADA, diante do que realmente poderia fazer, pra impedir que o planeta cuspa nossa espécie daqui. Sinta isso no fundo do seu coração, e veja como você é mesquinho, hipócrita e egoísta, e como faz as coisas só para se sentir bem, porque essa frieza deve te ajudar a entender. Feliz ou infelizmente, a Hora do Planeta só será eficaz se as pessoas perceberem que ela é um ato insignificante diante do que a gente pode e realmente precisa fazer.

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Criança, a alma do negócio

Mais um da série ‘fim do mundo’, bem assustador.

Vi no Descolex.

É apenas o trailer do documentário, mas já dá arrepios.

Protejam seus filhos, sobrinhos, priminhos ou o que seja. Para isso, basta quebrar as TVs e videogames, além de destruir o modem que permite que ele acesse a internet, tirá-lo do convívio social com os amiguinhos da escola e isolá-lo completamente do mundo moderno. Se ele sobreviver vai precisar de terapia, mas as chances que se aliene desde cedo são menores. Boa sorte!

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Calendário com fotos de padres bonitões é lançado em Roma

Eu sou uma espécie de mendigo barbudo locão hollywoodiano, que sempre aparece nos filmes para anunciar o fim do mundo. Mas em vez de plaquinhas, eu uso meu blog. Então, sempre que eu escrever um post que na minha opinião é mais uma prova de que estamos chegando à derrocada desse mundo muito doido, vou usar a ilustração acima.

Bom. É que aconteceu uma outra coisa que para mim denota a aproximação do fim do mundo como conhecemos (and I feel fine).

Gostaria de esclarecer, neste momento, que quando me refiro ao tal ‘fim do mundo’ (o que não é incomum nesse blog), falo de uma crença minha (mais um feeling, na verdade) de que se aproxima o fim dessa era de absurdos e abusos incontáveis. Não é o fim físico do mundo, com fogo e destruição.

Como em outras vezes, vou deixar a manchete do Ego dar o tom. Só que essa é meio chocante e parece fake, então já mando o link antes.

Quis reforçar.

A Igreja lançou um calendário com padres supostamente bonitos, embora eu esteja certa de que esse da direita não passa de um ator pornô de bata.

EDITADO: isso que dá confiar no EGO. O calendário não é oficial do Vaticano, embora a instituição não se oponha – até porque se esse fosse o caso, não permitiria que seus padres fotografassem para a parada. Creio que seja o tipo de coisa que a Igreja permite hipocritamente, porque é publicidade, mas não teria coragem de fazer ela mesma. Ou seja, pela ‘permissão’, ou ‘não-oposição’, a piada continua. Agradeço às informações do comentário do Vinicius, que me permitiram Googlar e descobrir que eu falei merda. Vivendo e aprendendo. Aliás, segue link do Pedro Dória que comenta o ‘boato’.

A melhor parte é que o Vaticano diz que o objetivo do calendário é LEVAR INFORMAÇÃO SOBRE A SANTA SÉ. Claro que um calendário cheio de DATAS e FOTOS é um meio ultra eficaz de informação. Aliás, não dá pra entender como os grandes jornais ainda não adotaram esse formato inovador e vanguardista de levar informação ao leitor – calendários com fotos de homens e mulheres bonitos que não têm objetivo de ‘instigar desejos pecaminosos’.

Engraçado que padre véio e feio não tem vez no calendário. Será que eles não passam informação tão bem? Pobres homens de deus.

A igreja está assustada com a onda da ‘fé evangélica’ a ponto de tentar atrair fiéis, mulheres, com um apelo baixo desse? Porque se for isso mesmo, já podemos esperar o Padre Marcelo na Revista G de fevereiro.

Amém!

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Eu quero é sossego

Uma vez, a minha tia disse que ia me ensinar um truque para fazer o tempo passar mais devagar ou mais rápido. Eu tinha que me concentrar, estender as mãos (uma de frente para a outra) e imaginar que o tempo estava entre as duas palmas. Daí, quando eu sentisse o tempo ali (é, a idéia é que eventualmente eu sentiria o tempo, seja lá o que isso signifique), eu deveria aproximar ou afastar as mãos para comprimir ou expandir o tempo.

Nunca deu certo (você está me imaginando tentando isso?), então tive que pensar em outras técnicas para conseguir tempo livre. Afinal, eu durmo oito horas por noite (por necessidade), trabalho mais oito, passo três dentro do trem… sobram cinco. Meia hora para tomar banho (acredite se quiser!), três horas e meia na faculdade, daí sobra uma hora. Pra viver, assim.

Se eu, aos 20 anos, tenho só uma hora de tempo livre por dia para estudar, me divertir, ver minha família, meus amigos… o que será de mim aos 40?

Mesmo considerando a anulação do horário de estudo, me sobrariam aí apenas 4 horas e meia por dia para fazer todas as coisas que dizem respeito a mim e a minha vida, incluindo lazer, hobbies, viajar, ter amigos e família, descansar, ler e todas essas coisas bestas, que acabaram se tornando supérfluas na vida moderna, mas que são elas mesmas a vida. A gente só se esqueceu que viver é isso, acho.

E foi daí que eu conclui que tem algo errado na maneira como a gente leva a vida.

Todo mundo brada aos sete ventos que o trabalho dignifica o homem e eu não estou contestando a capacidade ‘edificadora’ de caráter que o trabalho pode ter. Mas nós não fomos feitos para trabalhar tanto, por tanto tempo. Há uma vida para ser vivida fora do trabalho. E não é justo ter que trabalhar 35 anos para então se aposentar com qualidade de vida péssima e não ter saúde nem disposição nem todas as outras coisas para viver a vida que você não pode viver aos 20, porque estava trabalhando.

Por isso que eu odeio quando digo que estou trabalhando demais e algum retruca ‘ah, que bom, ruim é se não tivesse trabalhando, né?’. Ruim o cacete. Quem é que gosta de trabalhar? Ou melhor, quem é que, entre trabalhar e viajar, escolheria trabalhar?

Claro que você pode minimizar os danos da labuta escolhendo fazer algo que gosta, mas ainda assim em 90% das vezes você estará sendo submetido a milhares de outras regras e obrigações, ainda que faça o que você gosta. OK, eu faço o que eu gosto, mas preferiria fazer por duas horas do dia, e não por oito.

Natural que o conceito de trabalho tenha sido subvertido. Se antes ele era o meio pelo qual o ser humano descolava o que precisava para sobreviver, para ele e para a tribo – nada além disso – hoje é ferramenta de aquisição de lucros, lucros, lucros. E como lucro nunca é demais, trabalho também não é.

Estamos tão imersos na cultura ao deus-trabalho que a mera contestação dessa imersão é vista com maus olhos. Mas qual o real problema em querer trabalhar menos? Por que isso é tão horrível, denota tanta fraqueza e falta de caráter?

Uma vez, eu li um artigo de uma pesquisadora que dizia que a economia mundial não seria afetada caso a carga horária média do trabalhador fosse reduzida para pouco mais da metade do que é hoje. Óbvio que não encontrei a tese de novo para linkar aqui: ELES devem ter providenciado o sumiço absoluto desse material para todo o sempre. Pode ser perigoso deixar manuscritos altamente subversivos a solta por aí.

No Manifesto Contra o Trabalho (texto cuja leitura eu recomendo fortemente), de um grupo alemão chamado Krisis, a citação final é uma frase que sintetiza aquilo no que o trabalho se tornou:

“Nossa vida é o assassinato pelo trabalho, durante sessenta anos ficamos enforcados e estrebuchando na corda, mas não a cortamos.”  (Georg Büchner – A Morte de Danton, 1835).

Não entendo nada sobre o sentido da vida. Não sei por que estamos aqui. Mas sei porque não estamos: para trabalhar mais do que viver.

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