OEsquema

Arquivo: fim do mundo

Um pequeno lapso de solidariedade

Embora eu me considere na essência uma realista, alguns me chamariam de pessimista. Eu não acredito na bondade do ser humano. Não acredito que o mundo tem jeito. E não pude conter minha surpresa diante da notícia que a solidariedade de desconhecidos havia salvado um estranho na tarde desta segunda.

Assisti à matéria na terça, no SPTV, e apesar de reconhecer que quase todo bom herói do cotidiano busca a auto-promoção (ou senão não teria dado entrevistas à TV com aquele brilho no olhar de ‘eu salvei um cara’), há de se reconhecer que as pessoas agiram com solidariedade e bravura pouco vistas numa cidade tão maluca quanto São Paulo.

Fiquei emocionada (eu sempre choro com essas coisas, sou uma besta) e comecei a questionar o julgamento que eu costumo fazer das pessoas comuns. Poxa – tanta gente diferente junto, gente que normalmente a gente veria se xingando no trânsito, motoboys e motoristas de taxi, passageiros, pedestres – se unindo para impedir que uma pessoa numa situação extrema morresse. Se arriscando até, de certa forma, já que estava todo mundo no meio da enchente, com água na canela, para tirar alguém de dentro da água (e aparecer um pouquinho na TV, mas ok, isso eu posso perdoar).

Então o mundo tinha jeito. Não era nada daquilo que eu estava pensando. As coisas não estavam tão perdidas.

Mas aí, no fim da matéria, o Chico Pinheiro chamou o link no qual a repórter disse que, apesar de todas as manifestações fantásticas de solidariedade, a enfermeira que fez os primeiros-socorros em um dos rapazes que caiu na água voltou para o carro e não encontrou sua bolsa lá.

Respirei aliviada. Parece que o mundo estava voltando ao normal.

4 Comentários

Recursos naturais não renováveis e palitos de dente


Estilo de vida do homem supera capacidade do planeta

A Terra perdeu, em pouco mais de um quarto de século, quase um terço de sua riqueza biológica e recursos, e no atual ritmo, a humanidade necessitará de dois planetas, em 2030, para manter seu estilo de vida, adverte o Fundo Mundial para a Natureza (WWF, na sigla em inglês).

Porque acho que não é nada que alguém mais observador não possa concluir depois de alguns anos habitando o planeta. Mas sei lá, né.

Sábado me deparei com o maior símbolo do capitalismo e de como a mente bizarra do ser humano funciona. Não achei que fosse encontrar elemento tão emblemático, assim, numa mesa de bar. Mas lá estava ele, discreto mas destacado à sua maneira.

Palitos de dentes plastificados individualmente e com menta na ponta.

Sim, meu caro. O bar em que eu fui na última semana disponibiliza gratuitamente aos clientes palitos de dente com embalagens plásticas individuais e uma pontinha mentalizada.

Quando me dei conta, já comecei a imaginar um idiota tendo uma idéia que prometia revolucionar um mercado já estabelecido e consolidado. Ele juntou uns conceitos idiotas que chamou de ‘valor agregado’, ‘público diferenciado’ e ‘sofisticação’ e chegou à conclusão que seria interessante e lucrativo plastificar e mergulhar pontas de palitos de dente na menta.

Eu me pergunto: será que esse cidadão dorme todos os dias sabendo que ele criou algo que aumenta o consumo de petróleo e colabora para o desmatamento de uma maneira estúpida e inútil?

Será que o dono do bar acha realmente que isso é um diferencial que vai influenciar a escolha do cliente entre esse ou o outro bar?

Será que as pessoas realmente acham que esse palito de dente é algo legal?

E a última coisa, porém não menos importante: palitar os dentes não era falta de educação? Não é só porquê o palito vem num plastiquinho e tem ponta verde que a coisa se torna agradável de assistir ou a regra de etiqueta muda.

Esse palito é o maior exemplo de como a gente vive de criar e satisfazer necessidades inexistentes. E isso tem um papel bem grande no fato de que, segundo o texto da EFE lá em cima, nesse ritmo em 2030 precisaremos de duas Terras para agüentar o tranco.

Eu não sou eco-xiita. Faço o básico, sabe? Fecho a torneira na hora de escovar os dentes. Jogo o lixo no lixo. Não imprimo papel à toa – as coisas que todo mundo deveria fazer. Mas esse palito de dente é uma afronta. E quer saber? Quase nem dá para sentir o gosto de menta.

18 Comentários

Chegou a hora: já dá para colocar e compartilhar tags de objetos do mundo real

Eu sempre pensei que as coisas na tecnologia iam começar a esquentar quando a interação entre o mundo de verdade e o mundo virtual fosse concebível e possível de ser colocada em prática. Meio Minority Report, sabe? Mas sem a parte dos oráculos, que aquilo é fake demais até para mim.

E todo mundo sempre soube que esse momento está cada vez mais perto. Mas parece que, embora ainda de uma maneira meio indireta, ele chegou. Já é possível relacionar informação digital com tempo e espaço real.

No início do mês, uma feira de tecnologia em São Francisco, a TechCrunch, foi palco para a mais nova criação da japonesa TonchiDot: a Sekai Camera, um software para iPhone que permite colocar tags em objetos, produtos, serviços e lugares no mundo real.

Você insere seus comentários sobre uma loja ou um restaurante em áudio, imagem ou texto através do software. Depois, qualquer outro usuário de iPhone com o software instalado que estiver buscando info sobre aquele lugar poderá vê-la na tela. Basta ligar a Sekai Camera. Dá para colocar ‘marcações’, tipo um post-it, em qualquer coisa que seja filmável. Para se localizar em meio a tantas tags num mesmo lugar, se você estiver num shopping ou coisa assim, o software vem com um sistema de agrupamento por categorias de serviços, o Air Filter, tipo ‘lojas de roupas’, ‘restaurantes italianos’, ‘escolas de idiomas’.

Confuso? Parece inconcebível? Olha o vídeo:

É isso mesmo, exatamente o que parece, japoneses realmente não conseguem falar inglês de um jeito que não seja engraçado, e para mim parece revolucionário – assim como para todo mundo que assistiu à demonstração, como dá para sentir pela empolgação deles no vídeo. A empresa são informou alguns detalhes importantes, como quem vai gerar mesmo o conteúdo (só os usuários? empresas podem anunciar?), preço, data de lançamento. E só serve para quem tem iPhone, e eu não tenho um e nem pretendo ter (ainda mais depois disso, que me fez pensar um bocado).

As possibilidades que um software desse pode gerar são infinitas. A nós, meros mortais, residentes no Brasil e não possuidores do iPhone, resta aguardar até que o Google compre a TonchiDot por milhões e adapte a tecnologia inteiramente e de forma gratuita ao Android. E se a coisa for tão impressionante quanto parece, isso não deve demorar…

(Dica do camarada César Marins, publicada também aqui)

Comente

Cinco motivos para não temer o Large Hadron Collider

Acho engraçado que tenham feito tanto alarde em cima do Cern, o Centro Europeu de Pesquisas Nucleares, e o Large Hadron Collider. É claro que a maioria das pessoas não fica exatamente satisfeita quando lê que uma máquina pode ser capaz de criar um buraco negro que engoliria a terra em algumas frações de segundo.


Olhando assim dá medo mesmo

É claro também que muita da implicância com o experimento vem da ignorância. Muitas entidades religiosas acusaram os cientistas do Cern de estarem ‘brincando de Deus’.

Mas eu, ao contrário do Quase-físico, francamente, não vejo motivos para temer.

1) Rápido e indolor
Para começar, se a coisa de fato acabar, vai ser muito rápido. Ninguém sai sentir nada. O buraco negro e sua gravidade altíssima acabaria com a terra em centésimos de segundos.


2) O fim não é tão ruim assim
Em segundo, se você for religioso e acreditar em vida após a morte, vai ter a oportunidade de, finalmente, se unir ao seu criador. Você deveria estar feliz, afinal, você tem esperado esse momento por toda a sua vida, e como bom cristão/muçulmano/etc, não há o que temer. Fora que, sendo Deus onisciente, ele não está exatamente surpreso, pois sempre soube que o Cern seria criado e destruiria a Terra. Lembre-se que tudo que acontece aqui é por vontade dele.

Se você acreditar que a morte é o fim, e que não há nada além da carne, então não há com o que se preocupar, já que o fim absoluto é algo indolor e bem passivo, e não mais existir não vai demandar muito esforço de você.


3) Vai ser melhor desse jeito
Em terceiro lugar, acho que no fundo vai ser melhor para nós. É, a Terra não tá exatamente do jeito que nós gostaríamos. A receita desandou. Acho que todo mundo que tem bom-senso concorda com isso. E as coisas só tendem a piorar. Lembra do que disse Neil Young (e reproduziu Kurt Cobain)? ‘É melhor apagar de uma vez do que ir desaparecendo aos poucos’. Acho que, na história do universo, seria mais digno que desaparecêssemos antes de termos mais oportunidades de destruir mais coisas. Pelo menos a gente ia sair melhor na foto.


4) É tudo mentira


Se você achou perturbadoramente grande, não clique para ampliar

O quarto motivo para não ter medo do Large Hadron Collider é que ele é inofensivo. Essa tese é defendida por gente importante, gente que realmente entende do assunto. Ao contrário do que se disse, a experiência do Cern não vai reproduzir o big-bang. Neste artigo imperdível do Aliás (o caderno mais legal do jornal O Estado de S. Paulo), o coordenador do Instituto de Cosmologia, Relatividade e Atrofísica, Mário Novello, que além disso tudo ainda é doutor em física, explica:

“Embora as experiências no Cern possam reproduzir condições de energia que existiram livremente no universo quando ele estava altamente condensado, elas não reproduzirão as condições do big-bang, se com esse termo se está identificando o suposto momento único de criação do universo. Tecnicamente, isso é impossível, já que na versão big-bang para o começo do universo as quantidades físicas seriam infinitas, um valor que não poderemos jamais atingir.”


5) Gente legal não destrói a Terra

Depois de tanta perseguição, os cientistas do Cern, responsáveis pelo projeto, resolveram se explicar. E o jeito mais legal que encontraram para fazer isso foi através de um rap. A letra explica direitinho a função do LHC, como ele vai funcionar e quais descobertas científicas poderão surgir do experimento. Infelizmente, as legendas tão em inglês. Esses caras parecem legais, divertidos e tal. Você acha que eles seriam capazes de destruir a Terra?

(Via Estadão)

13 Comentários

O mundo está acabando e eu tenho certeza disso

Ok, vai parecer piada, mas não ria agora porquê isso é sério. Desde pequena, eu tenho essa sensação estranha de que não pertenço a… aqui. Não quero discutir se fui abduzida, se minha mãe foi abduzida e eu sou fruto da união dela com um ET (meu pai é esquisito, mas acho que ele é daqui mesmo), ou se sou apenas portadora de um distúrbio psicológico severo (ou tenho Lua em Leão e coisa assim).

Essa sensação de não-pertencimento existe desde que eu tenho auto-consciência (tipo 5 anos) e nunca desapareceu. Além disso, eu sempre carreguei uma toalha comigo, sem saber exatamente o porquê – só sabia que era essencial ter uma sempre a mão (Ok, e isso não é mentira. Eu juro).

Minha família extraterrestre
Desenho da minha família feito por mim aos 4 anos.

Uma sensação semelhante tem se intensificado nos últimos anos, mas essa é relacionada a um tema que permeia toda a humanidade: o fim do mundo. Eu tenho sentido que estamos no fim dos tempos. O fim do mundo como conhecemos. And I feel fine.

Vou explicar: não acho que o apocalipse bíblico se aproxima, e que veremos os corcéis de fogo cruzando os céus (tem algo assim, não tem?). Mas todas as coisas que estão acontecendo no mundo são pra mim provas de que tá todo mundo muito fudido.

Beleza. Mas se eu não acho que o mundo não vai acabar literalmente, como é que ele vai acabar então?

Eu não faço idéia, ok? Eu só tenho a sensação. E ela se fortalece a cada dia, a cada tragédia, a cada funk proibidão que eu ouço.

Quais são os sinais? Vejam bem, em menos de duas semanas, tivemos..:

- Terremoto na China. Sim, tem chinês saindo pela culatra no mundo, mas ai do nada vem um ciclone e mata muitos de uma vez. Alguns chamam de equilíbrio de densidade demográfica, mas sei lá, acho meio cruel. Fora que, quem vai vender iPod balatinho pla gente? Blincadeila.

- Ciclone em Mianmar. Pegue um país. Tire 300 milhões de dólares do PIB dele. Tire mais 600 milhões. Coloque muita água, coqueiros, bananeiras e palafitas. Coloque-o na parte miserável da Ásia. Tire muita comida de lá, coloque muitas epidemias e, como toque final, acrescente um ditador que não aceita ajuda de ONGs estrangeiras. Você acharia suficiente? Deus (ou sei lá, a metereologia, ou São Pedro, seja lá quem forem os responsáveis por essas adversidades climáticas) não achou.

- Tempestade nas Filipinas. Água demais, espaço de menos. Quase o mesmo problema de São Caetano, em escala gigante.

- Tornado nos EUA. Nada demais, virou rotina. Mas contabiliza pro relatório de tragédias de fim de mundo 2008.

Beleza, e essas foram só as tragédias pontuais. E o trânsito de São Paulo, que é uma tragédia diária? E a absolvição do cara que matou a Dorothy Stang? E os ataques de xenofobia ao redor do globo, não só na França, na Itália, na Espanha e na Inglaterra, mas também na África do Sul? E um Indiana Jones de 65 com condicionamento físico de 17?

E isso é só um… panorama inicial.

As coisas estão feias pro nosso lado. De acordo com os Maias, o ano é 2012. Vocês provavelmente já ouviram essa história, não? Pois é, o calendário Maia anuncia o fim do mundo para 2012. Ninguém sabe muito bem o que isso significa, embora alguns achem que tenha havido um acordo dos Maias com o Discovery Channel (contrato de especulação de lendas apocalípticas inclui pelo menos 65 documentários entre 2008 e 2012, dizem minhas fontes). Sabe-se, no entanto, que os Maias era uma minissérie da Globo eram uma civilização muito avançada em astrologia astronomia e matemática. Claro que isso não quer dizer nada, mas a gente gosta de acreditar que quer. Torna a coisa toda mais misteriosa.
Acreditando ou não, eu acho que alguma coisa cabulosa vai acontecer em 2012. Pode ser… o fim de LOST. Ou a ascensão da Rede Record como maior emissora de TV do país. Deus me livre. E é melhor que vocês se cuidem; porque, ao que parece, quando tudo acontecer, minha nave-mãe vai vir me tirar do meio da bagunça. É, acho que tem a ver com o senso de não-pertencimento. E com essa minha cabeça, que sempre teve um formato meio esquisito.

Esclarecimentos pós-postagem: devido à imensa (e bem-vinda) repercussão desse post, esclareço que 1. Sim, sempre carrego uma toalha comigo, 2. O desenho era uma brincadeira, achei no Google e 3. Não sei se tenho Lua em leão ou coisa assim.

98 Comentários
Página 2 de 212