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As coisas sempre podem estar piores

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Eu lembro da primeira vez que ouvi esse negócio de “tudo é relativo”. Óbvio que eu devia ter menos idade do que a necessária pra compreender que se tratava de um conceito relacionado à física, e não de um criado pras coisas do cotidiano. Acontece que é um conceito físico tão foda que ele é aplicável a tudo. Tudo mesmo.

A coisa mais fantástica da maneira como a gente enxerga todas as coisas da vida é que todas essas impressões, sem exceção, são baseadas em experiências anteriores e em expectativas que você cria em em cima das coisas.

Isso significa, a grosso modo, que se você tomar sorvete e depois tomar água gelada, a água não vai parecer tão gelada. Ou que, se você for atropelado e sobreviver, provavelmente não vai ficar tão triste quando tomar um tombo de bicicleta. Ou seja – diminuir as expectativas é o caminho mais curto para a felicidade.

Apesar disso, por outro lado, não acho que aquele discurso que diz pra que a gente não reclame, pois as coisas poderiam estar piores, é válido. As coisas SEMPRE podem estar piores. Sempre vai existir alguém numa situação pior que você, mas a vivência dos problemas é individual, e ninguém pode julgar pra você o quão importante ou dolorido algo é, porque só você está vivendo aquilo.

Embora algumas pessoas claramente exagerem.

Infelizmente, a maioria das pessoas parece incapaz de aprender com a dor alheia. Dessa forma, a gente baseia nossas expectativas naquilo que a gente vivenciou. Não dá pra ser de outro jeito, ainda mais se você for meio cético e quiser comprovar as coisas por si mesmo. Deve ser mais dolorido desse jeito, mas garanto que é mais efetivo.

Ainda assim, se você estiver muito fudido e quiser se sentir melhor, visite o F*** My Life.com

Lá, as pessoas relatam situações extremamente tristes e constrangedoras pelas quais passaram, e dá pra gente se sentir um pouquinho melhor quando acha que a vida tá uma merda. Mesmo se não se sentir – pelo menos vai ficar de bom humor dando risada.

É mais um daqueles ‘juízes sociais web 2.0′ que servem pra diminuir sua produtividade no PC. Daí você coloca lá sua história de fracasso e as pessoas podem votar – tipo, se elas concordam com você que a sua vida é uma merda ou que não, você se ferrou e mereceu aquela. Bom pra um dia ruim e pra você ter certeza que a máxima “podia ser pior” é sempre verdadeira.

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Cinco motivos para não temer o Large Hadron Collider

Acho engraçado que tenham feito tanto alarde em cima do Cern, o Centro Europeu de Pesquisas Nucleares, e o Large Hadron Collider. É claro que a maioria das pessoas não fica exatamente satisfeita quando lê que uma máquina pode ser capaz de criar um buraco negro que engoliria a terra em algumas frações de segundo.


Olhando assim dá medo mesmo

É claro também que muita da implicância com o experimento vem da ignorância. Muitas entidades religiosas acusaram os cientistas do Cern de estarem ‘brincando de Deus’.

Mas eu, ao contrário do Quase-físico, francamente, não vejo motivos para temer.

1) Rápido e indolor
Para começar, se a coisa de fato acabar, vai ser muito rápido. Ninguém sai sentir nada. O buraco negro e sua gravidade altíssima acabaria com a terra em centésimos de segundos.


2) O fim não é tão ruim assim
Em segundo, se você for religioso e acreditar em vida após a morte, vai ter a oportunidade de, finalmente, se unir ao seu criador. Você deveria estar feliz, afinal, você tem esperado esse momento por toda a sua vida, e como bom cristão/muçulmano/etc, não há o que temer. Fora que, sendo Deus onisciente, ele não está exatamente surpreso, pois sempre soube que o Cern seria criado e destruiria a Terra. Lembre-se que tudo que acontece aqui é por vontade dele.

Se você acreditar que a morte é o fim, e que não há nada além da carne, então não há com o que se preocupar, já que o fim absoluto é algo indolor e bem passivo, e não mais existir não vai demandar muito esforço de você.


3) Vai ser melhor desse jeito
Em terceiro lugar, acho que no fundo vai ser melhor para nós. É, a Terra não tá exatamente do jeito que nós gostaríamos. A receita desandou. Acho que todo mundo que tem bom-senso concorda com isso. E as coisas só tendem a piorar. Lembra do que disse Neil Young (e reproduziu Kurt Cobain)? ‘É melhor apagar de uma vez do que ir desaparecendo aos poucos’. Acho que, na história do universo, seria mais digno que desaparecêssemos antes de termos mais oportunidades de destruir mais coisas. Pelo menos a gente ia sair melhor na foto.


4) É tudo mentira


Se você achou perturbadoramente grande, não clique para ampliar

O quarto motivo para não ter medo do Large Hadron Collider é que ele é inofensivo. Essa tese é defendida por gente importante, gente que realmente entende do assunto. Ao contrário do que se disse, a experiência do Cern não vai reproduzir o big-bang. Neste artigo imperdível do Aliás (o caderno mais legal do jornal O Estado de S. Paulo), o coordenador do Instituto de Cosmologia, Relatividade e Atrofísica, Mário Novello, que além disso tudo ainda é doutor em física, explica:

“Embora as experiências no Cern possam reproduzir condições de energia que existiram livremente no universo quando ele estava altamente condensado, elas não reproduzirão as condições do big-bang, se com esse termo se está identificando o suposto momento único de criação do universo. Tecnicamente, isso é impossível, já que na versão big-bang para o começo do universo as quantidades físicas seriam infinitas, um valor que não poderemos jamais atingir.”


5) Gente legal não destrói a Terra

Depois de tanta perseguição, os cientistas do Cern, responsáveis pelo projeto, resolveram se explicar. E o jeito mais legal que encontraram para fazer isso foi através de um rap. A letra explica direitinho a função do LHC, como ele vai funcionar e quais descobertas científicas poderão surgir do experimento. Infelizmente, as legendas tão em inglês. Esses caras parecem legais, divertidos e tal. Você acha que eles seriam capazes de destruir a Terra?

(Via Estadão)

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