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Tô de folga

Me dou folga daqui essa semana, até segunda ordem (ou seja, a não ser que eu psicografe algum texto, o que ocorre eventualmente). Semana cheia de frilas pra cumprir, TCC, muita tosse e cansaço (os dois últimos sendo os principais motivos da fadiga de produção). Lembre-se que estou todo dia no Eles3 e no Twitter.

Voltamos ou segunda ou quando eu psicografar o texto, o que vier antes, à programação normal.

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Eu poderia me acostumar a essa vida

Meu carnaval pode ser resumido assim: cinco dias sem fazer absolutamente nada. Não viajei, saí pouco, não estudei, não resolvi assuntos pendentes. Com exceção de alguns bons momentos ao lado de bons amigos – coisas simples e tal, – não fiz nada.

Alguns podem ficar entediados com essa rotina (com a falta dela, na realidade). Outros acabariam se desmotivando, a preguiça embola com uma vontade de ficar debaixo das cobertas e você não é capaz de fazer mais nada. Nunca. E isso soa terrível.

Não pra mim.

Eu poderia me acostumar a essa vida. Sim, eu não ligo de não fazer nada o dia inteiro… eu leria mais. Teria mais tempo para mim e para as pessoas que eu gosto. Não seria tão estressada. Não precisaria viajar por duas horas, todos os dias, para ir ao trabalho.

Eu provavelmente também não teria dinheiro. Mas quem liga?

O engraçado é que eu não consigo sequer imaginar (mesmo!) como seria, por exemplo, minha mãe brigando comigo para arranjar um emprego. É algo que nunca esteve nem perto de acontecer.

Se eu não fizesse nada da vida, e vivesse como eu vivi esses cinco dias, provavelmente todo mundo na família me acharia uma vagabunda – não no sentido bitch da palavra. Vagabunda de não fazer nada, mesmo. As pessoas têm essa espécie de cultura ao trabalho, porque o trabalho dignifica e sei lá mais o quê. Mas trabalhar é uma merda. A gente passa mais tempo com o chefe do que com a família. A gente vive em função das responsabilidades profissionais. E a gente faz isso muito tempo, ganha muito pouco e vai continuar fazendo isso até o fim da vida, quando vai começar a receber menos ainda pra não fazer nada. Aí a gente vai ter tempo de fazer tudo o que quiser, mas talvez não tenha grana e nem disposição.

Eu sempre acreditei que a vida não pode ser isso. Trabalhar é preciso, porque a gente dedica nossa força física e criativa em prol de criar algo, e isso sem dúvida é enriquecedor. Só que eu duvido que se matar a vida inteira e deixar, de fato, de viver, seja realmente a vida. Eu não posso acreditar que estamos aqui pra isso. Deve haver alguma coisa errada com a gente, pra pensar assim e nem se questionar. Ou talvez a gente só trabalhe demais e não tenha tempo pra isso.

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