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10 motivos pelos quais o VMB 2008 foi um fiasco

Estive no VMB esse ano. De certa forma. Eu quase não assisti à premiação, porque acompanhei da sala de imprensa e estava empenhada na ingrata tarefa de tentar falar com os inúmeros ‘artistas’ que por lá davam o ar da graça (aguardem exclusiva com a Mulher Moranguinho). Mas mezzo-acompanhei de lá – e assisti à reprise depois. E saí fora do VMB antes do fim, porque tava achando tudo bem chato.

Nunca achei que um VMB podia ser tão chato.

Os motivos pelos quais a premiação foi um fiasco estão bem claros, mas eu acho que se faz necessário enumerá-los aqui. Só para organizar as coisas na cabeça.


Na festa pós-VMB, eles estavam servindo macarrão

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Creative Commons License photo credit: giovanniscanavino

Legal a preocupação do buffet em alimentar geral, louvável e tal. Mas numa festa cheia de gente muito bonita, azaração, bebida de graça, alpinistas sociais… quem ia mandar um pratão de penne com molho de tomate?

A piada não tem graça pela segunda vez

O Mion é um cara engraçado, mas ele já deu o que tinha que dar. Acho que é hora de outra pessoa apresentar o VMB, talvez o Marcelo Adnet. O Mion apresenta dois programas na MTV e tudo que é engraçado nele já é largamente explorado todos os dias. Repetir isso no VMB é roubada. Apesar de algumas sacadas serem boas, a maioria só dá vergonha alheia. Inclua aí a piada sobre ele ficar pelado de novo.

A piada não tem graça pela segunda vez [2]

O Adnet é um cara realmente engraçado. Mas não dá para achar que ele vai ser engraçado se repetir a mesma piada várias vezes. No final do VMB, ninguém achava mais graça naquelas improvisações dele. Não que não fosse algo legal – só não era legal pela décima vez.

O Bonde do Rolê é bem sem graça

Eu gostava do lado piada do Bonde do Rolê, de não se levar a sério e continuar sendo muito ruim. Mas se torna constrangedor o constante esforço do Pedro e daquelas moças novas de ser muito engraçado. ‘Mais uma vez’, a versão bizarra de ‘One More Time’ do Daft Punk, até que foi engraçadinho. O resto da apresentação deles foi extremamente tosco. A cereja da vergonha alheia se deu quando a Ana Bernardino quis ser engraçada e subiu no palco quando o NX Zero foi escolhido a banda do ano, para reivindicar o prêmio para a banda dela. Patético.

Mallu Magalhães não ganhou nada

A MTV e todo mundo fez todo esse hype em cima da menina e ela acabou não levando nenhuma das três indicações. Não que isso queira dizer alguma coisa, mas ela é sem dúvida muito mais uma revelação do que o tal Strike, só para começar.

As mulheres frutas apresentaram uma atração

Eu tive alguns momentos para contemplar as mulheres frutas sendo clicadas pelos fotógrafos na sala de imprensa. E, sem nenhum exagero, poucas vezes vi pessoas tão eufóricas. Satisfeitas. Quase dava gosto de ver.

Na boca das mulheres frutas, José Wilker virou Zezé Wilker, e Bonde do Rolê foi Bonde do Rolééééééé. Com língua de fora no ‘ééééé’.

Mas eu não fiquei na superfície. Conversei com a Mulher Moranguinho e descobri qual livro ela está lendo, além do que gosta de ouvir. Na segunda, só aqui.

Não é uma premiação que você possa levar a sério

Strike ganhou como revelação? Que revelação? Não discuto os prêmios do NX Zero, porque eles são realmente populares. Eu não ouço rádio e dificilmente assisto TV, por falta de tempo. Quando uma música chega em mim sem ser porque eu a busquei, sei que ela ficou famosa, e eu até sei cantar algumas do NX Zero. Mas eu nem nunca tinha ouvido FALAR desse tal de Strike.

O melhor show da premiação foi Fresno + Chitãozinho & Chororó

Não que isso seja um demérito, mas…

O Bloc Party fez playback!

O Bloc Party fez playback. Descaradamente. Nem se deram ao trabalho de fingir que não faziam. Não dá para entender porque uma banda viaja, vem se apresentar numa premiação e se presta a colocar um CD. Também não sei qual foi a da MTV em colocá-los no palco com playback. O blog do VMB diz que assim eles quiseram. Mas jamais vamos nos esquecer da vergonha alheia.

Definitivamente, não é mais sobre música

Foto: Blog do VMB

Não tem sido, por muito tempo. Mas os esforços da MTV em tirar os clipes de boa parte da programação, que começaram com a reestruturação da grade da emissora, ficaram escancarados nesse VMB. A música é coadjuvante; personagens principais são quem dá as caras no VMB, se essas pessoas fazem algo que possa ser comentado depois, o que acontece na festa depois da premiação.

Editado: o Mion escreveu no blog dele um post que eu considerei muito sensato e justo a respeito do VMB. Concordo com boa parte do que ele disse, apesar de não ter gostado da premiação. Além do que, também achei absurdo o Thiago Ney dizer que o o Bloc Party é super cool porque zuou no VMB. Se é que eles fizeram isso para tirar uma com a nossa cara, então é pior ainda. E o Thiago ainda acha isso legal.

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Fresno x Chitaozinho & Chororó: a mistura mais lógica do mundo

Não sou fã da tal música que é conhecida como ‘emo’. Também não sou fã de Chitãozinho & Chororó, apesar de conhecer todas as músicas – qualquer criança que cresceu nos anos 90 conhece. Mas gosto de MÚSICA, respeito qualquer um que estiver em cima do palco tocando música (até o Jay Vaquer), sou eclética (no bom-sentido) e sou viciada em versões, remixes, arranjos diferentes e essas coisas.

Por esses motivos, achei muito boa a idéia do tal Estúdio Coca-Cola Zero, que reúne dois artistas aparentemente opostos para tocarem juntos.

Foto: http://www.fotolog.com/fresnoticas/29214283

‘Um fio de cabelo no meu paletóóóÓÓÓÓÓÓHHH’

A última edição do projeto uniu o Fresno, banda de gaúchos do cabelo ensebado que fazem rock muito, muito meloso aos pais da sandyjunior gênios da popularização do sertanejo roots: os mestres Chitãozinho & Chororó. E tipo, logo fica evidente que alguém devia ter pensado nisso antes.

Acontece que o mote da campanha é ‘Estúdio Coca-Cola Zero: Lógica Zero’. Ou seja, juntar dois artistas numa mistura que não teria, em tese, lógica nenhuma. Os fãs das bandas, quando entrevistados, respondiam que uma não tinha nada a ver com a outra e que a mistura seria curiosa, imprevisível – demonstrando uma incapacidade básica de análise de compatibilidade entre gêneros musicais. Se é que alguém demonstra algo desse tamanho sem esquecer o que ia demonstrar.

Cara, não tem nada de ‘lógica zero’ aqui. A lógica é 1000. Ch&X e Fresno são duas ‘bandas’ absolutamente compatíveis. As letras emuxas são idênticas às sertanejas; a melodia de corno já existe no emo, basta colocar um acordeão; o cabelo dos caras da banda, inclusive, foi assumidamente inspirada no visual Chitãozinho & Chororó. A mistura aqui, combina super bem, e isso fica bem evidente ao ver o resultado da coisa. Pelas óbvias semelhanças entre as duas coisas, não poderia ter ficado ruim.

As melhores versões coloco abaixo: duas do Ch&X que ficaram bem legais com os arranjos do Fresno..:

Evidências

Brincar de ser feliz

E uma do Fresno que Ch&X DESTRUÍRAM de tão boa que ficou. Tipo, se eu fosse do Fresno manteria o mínimo de dignidade e DARIA a música pros caras. Se eles quisessem, né. Porque se você achava que ‘Duas Lágrimas’ era fossa (eu não conhecia a música antes, mas era chata e bem triste), conheça dois caras do sertão que sabem ser emos DE VERDADE:

Duas lágrimas

No final, só acho que as versões das músicas do Ch&X podiam ter ficado bem mais rock’n'roll. Os Fresno-boys podiam ter pesado bem mais a mão na guitarra. Mas eles não conseguiriam – eles estão muito, muito mais pro lado do sertanejo.

O estúdio Coca-Cola tem algumas edições anteriores. Não ouvi a primeira (porquê desprezo Charlie Brown e ignoro Vanessa da Mata), mas posso garantir que Natiruts e DJ Marlboro, outra mistura que de ‘lógica zero’ não tem nada, resultam em reggae e funk de altíssima qualidade. A próxima edição vai reunir Paralamas e CALYPSO! Ok, essa eu vou precisar ver.


*E antes que qualquer um diga algo, não recebi nada pra falar sobre o Estúdio. É uma opinião espontânea gerada pelo contentamento diante de uma ação genial e produtiva. Ah, e eu só fui realmente conferir o resultado da mistura depois que a @flaviadurante, o @hectorlima e a @lulualencar deram a dica no Twitter.


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