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Arquivo: futuro

E o Qwiki, você conhece?

Que Google e Wikipedia, que nada. O jeito mais legal de descobrir coisas hoje se chama Qwiki.

Quik

O que faz do leite uma alegria?

Não é desse Quik que eu to falando, muito embora esse tenha um significado muito maior pra mim. Só o cheiro já me lembra a minha mais tenra infância. De todo modo falo do Qwiki, que como o Murilo, violeiro de mão cheia, bem explicou nesse post lá no Link, é aposta até do Eduardo Saverin, o brasileiro que é sócio do Facebook.

Felismente, O Qwiki não é mais uma rede social, não é mais uma ferramenta de geolocalização ou um microblog. Trata-se de um sistema de busca que exibe os resultados de uma maneira muito mais amigável e multimídia, usando para isso conteúdo aberto, um gerador de vídeos e uma tecnologia de simulação de voz humana que deixaria o mais simpática PABX de SAC ao telefone completamente desconcertado, se sentindo um robô sem emoção. Microsoft Sam chora ao ouvir a moça do Qwiki contando histórias.

O Qwiki, aliás, é bem isso: um buscador que conta histórias. Olha aí um exemplo legal:

E bastou digitar NETHERLANDS no campo de busca para que o Qwiki retornasse com esse vídeo, que aliás é perfeitamente embedável. Aí você diz – mas Bial, eu não falo inglês, não entendo porra nenhuma do que essa mulher fala! E eu respondo: amigo, se a essa altura do campeonato você não fala inglês, corre atrás do prejuízo. E respondo também: mas tudo bem, você entendeu a lógica do negócio e entendeu que isso seria muito, muito legal se tivesse uma versão em português.

Os verbetes são bem variados, mas por enquanto as buscas funcionam melhor para nomes de pessoas e de lugares, acontecimentos importantes, instituições de grande prestígio, além de coisas importantes, tipo… cerveja. Eu já migrei pro Qwiki quando preciso de uma definição rápida de um lugar. O importante é ter em mente que toda e qualquer coisa cuja Wikipedia apresentar uma boa definição a respeito estará em um vídeo detalhado no Qwiki.

Enquanto você pensa em como a aquisição de conhecimento pode se tornar uma coisa mais simples e divertida se iniciativas como o Qwiki se tornarem padrão na internet, e faz apostas de quanto tempo vai demorar para que o Google compre e implemente a tecnologia do Qwiki em suas buscas, conheça um pouco mais sobre o bacon, um oferecimento Qwiki. Escolhi o bacon por ser algo que quase todo mundo gosta.


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Tecnologia a serviço do ridículo na sua vida

Ridículo I: a câmera digital

Não sei como você é pra comprar tranqueira tecnológia. Eu sou aquela pessoa que faz as tais mídias sociais terem tanto valor: leio uns cinco reviews, impressão de usuários em fórum, em Orkut, essas coisas.

Mas às vezes eu compro no impulso, mesmo. Foi o caso dessa câmera digital, que eu tinha resenhado pro jornal então sabia que era legal, mas acabei nem lendo mais nada a respeito. Quando ela chegou, há mais ou menos um mês, tinha um monte de funções interessantes que eu não fazia ideia de como usar.

Uma delas continua sendo um mistério e é dessas coisas que hoje eu vou chamar de Evolução Tecnológica Para Inglês Ver. É o seguinte – a minha câmera tem um acelerômetro, um dispositivo dentro dela que detecta movimentos e tal. Parece fantástico, e é em alguns aspectos. Se você tira a foto com a câmera em pé, ele vira a foto pra você já na posição certa, por exemplo. Na hora de visualizar, ele adequa a imagem à posição dela. E por último, você pode trocar de foto na visualização só com um movimento da câmera.

Em tese.

É o tipo do feature que não funciona quando você  quer, só quando você tá vendo uma foto e vai mostrar pros amigos. Aí quando estica a mão, pá, a foto é outra e as risadas acompanham sim, por gentileza. O barulho que a câmera faz quando ela troca de foto é tipo o que faz o monstro de fumaça de Lost.E quando a pessoa percebe que a câmera faz isso, exclama ‘Que legaaal!’ e começa a chacoalhar a câmera pra ver como a parada funciona, mas aí como não funciona, eu sempre fico diante de pessoas que começam a chacoalhar os braços loucamente, depois o corpo. Isso quando não começam a pular. Sem perceber, elas já são protagonistas de uma cena altamente bizarra. E nada dessa porra funcionar. Na prática, é um feature que faz as pessoas dançarem, basicamente.

Ridículo II: o banco do século XXI

Daí ontem eu fui no banco pra oficializar uma operação bancária de quatro dígitos (eufemismo FTW). Tive que acordar cedo depois de ter ido dormir às 4h30 da manhã, porque há um mês  a gerente tinha me dito que se eu fosse lá conseguiria vantagens nessa operação bancária, o que não aconteceria se oficializasse via internet ou telefone.

Tipos que cheguei lá e o atendente ficou vendo aquelas telas dele com aqueles códigos – duas coisas que não se adequam mais ao mundo em que vivemos são sistemas de banco e telas de e-mails nos filmes – por um tempinho e daí brilhantemente me disse: “Olha Ana, você é uma cliente SUPREME, então você tem pré-aprovada aí a oportunidade de fazer essa transação TOOODA por telefone, lá um gerente exclusivo vai fazer cálculos para você, oferecer possibilidades…”

Então eu vou até o banco pra você me dizer que eu tenho pré-aprovada a possibilidade de FALAR AO TELEFONE? Amigo, se eu tô no banco, faça o favor de me atender você mesmo. Acho que se eu fui até lá e não liguei é porque não quero ligar agora. Então você liga e a opção que você quer poder ser a do botão 2, e você guarda ela, mas aí vem a do botão 4 e você já se perdeu, e aperta o 4. Daí não é. Volta pro menu anterior, ouve tudo, grava o 2 e o 4, vai no 2. Ouve tudo até a opção 9, acha que a 6 tem potencial, mas quando chega na 9 esquece qual a que tem potencial. Aperta 0 pra ouvir de novo as opções, pressiona a 6, não é. Se perde nos menus. Chega no menu principal, descobre que a 9 é ‘falar com nossos atendentes’, e você fala seu problema.

E a pessoa resolve tudo. Do aparelho de telefone do banco.

Ridículo III: o fone de ouvido Bluetooth

Meu vô não se acostuma às minhas agora 3 tatuagens, às roupas que a gente usa, aos programas que assiste. Não sei quando o mundo começou a ficar esquisito demais pra ele, mas tenho certeza que não foi aos 21. E ele então é mais tolerante que eu, porque aos meus 21 eu já não consigo me acostumar à gente que está andando na rua assim e fala com um ser invisível que, pelo olhar, não se localiza exatamente à frente ou em cima. É uma atenção que não tem foco, expressões faciais, risadas, tudo sem direção. Falar no celular usando fone de ouvido e microfone bluetooth são uma dessas coisas que fazem os pregadores crerem que o demônio está chegando à Terra através da tecnologia, e eu concordo com ele.

Ridículo IV: retrovisor que é câmera

Responda rápido – porque colocar uma tela a mais dentro do seu carro para fazer a mesma coisa que um espelhinho faz há uns 100 anos?

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Uma viagem no tempo


Essa é uma experiência bizarra, mas excitante. Primeiro, será que você (eu) estará achando que eu escrevo de maneira bizarra, quase poser? Espero que não. No dia 03-01-2010, daqui a dois anos (e eu espero, espeeeeeeeero que este email chegue), eu devo estar formada (e com diploma, i hope), feliz, bonita, com muitos amigos (ou seja, manter meu status atual social), mais modesta… é brincadeira. Eu vou tentar adivinhar sobre o quê foi meu TCC: documentário, música… acertei?

Em 2010, eu preciso estar com a minha partida engatilhada. Com dinheiro o suficiente, ânimo o suficiente, coragem, roteiro… espero que quando eu ler isso, esteja sorrindo com a minha previsão perspicaz.

Também vou formular outras previsões.

Em 2010, eu já terei um notebook. Com conexão de no mínimo 4MB, que é o básico em 2010. Eu tenho um emprego legal num grande veículo, rádio ou impresso. Eu já sei surfar, andar de skate e sou incrivelmente engraçada. Não namoro, mas tenho uma vida sexual ativa e feliz aos 21 anos. Tenho um iPhone. Melhor, um google phone. Tenho uma câmera digital profissional.

E tenho uma bela família. Vovó, vovô, papai, léo e mamãe. E todas as outras pessoas, também.

Acho que os computadores vão ser mais baratos, o brasil vai se rum pouco mais legal mas eu ainda vou querer ir embora e os estados unidos vão ter invadido o irã.

legaaaal.

Você está se perguntando que porra é essa?

É o seguinte. Se você já lia esse blog em 2007, talvez se lembre do meu post naquela virada do ano (2007-2008). Nele, eu falei sobre o FutureMe.org, um site que permite que você envie um e-mail a si mesmo, agendado para o futuro.

E foi o que eu fiz: programei o e-mail para que eu o recebesse dois anos depois, ou seja, ontem. Foi essa a mensagem que recebi. E queria compartilhar e comentar minhas previsões, os erros e acertos, além de dar um briefing do próximo e-mail que vou me enviar (pra daqui a dois anos poder ter um post na manga de novo).

Erros e acertos

  • Em primeiro lugar, algo importante que mudou sobre mim em dois anos, e pelo quê eu sinto orgulho: eu não uso mais o termo “excitante”, nem para me referir a algo sexualmente excitante, o único contexto em que essa palavra se aplica sem provocar vergonha alheia. Isso significa que cresci como pessoa.
  • Acertei sobre estar formada, mas isso era algo simples de acertar, quase óbvio. Sobre o diploma eu errei, mas quem é que precisa de um? De fato estou feliz, bonita e um pouco mais modesta. HEH. E com MAIS amigos, o que é fantástico. Todos eles também são muito bonitos e felizes, o que superou minha expectativa.
  • Errei 50% do meu TCC. Foi sobre música, mas (ainda bem) não foi um documentário. Caso você não tenha visto, corra antes que o domínio expire: www.amplicomunicacao.com. Tiramos 10, aliás. E a @flaviadurante foi a convidada da minha banca. How cool is that?
  • Não estou com a “minha partida engatilhada”, mas isso não me assusta, porque as coisas estão acontecendo como deveriam, de modo geral. “Minha partida”, caso alguém não saiba, se refere a grande diáspora que eu pretendo realizar assim que possível. Felizmente, o “assim que possível” está mais próximo do que nunca, inclusive financeiramente falando.
  • Eu tenho um notebook com uma conexão de internet de 4MB. Isso é realmente fantástico, porque minha mãe deu um upgrade na velocidade há tipo um mês. E eu também ando de skate, e isso também é fantástico porque comecei a andar há uns 3 meses. E eu juro que não lembrava desse e-mail, óbvio. Ah, e tenho um emprego legal – legal a ponto de superar qualquer expectativa de “emprego legal” que eu tivesse naquela época.
  • Errei sobre as outras coisas materiais – nada de iPhone, ou Google phone (que hoje seria um Android, né), nem uma câmera profissional. Acertei sobre não namorar, mas mudei minha opinião sobre o que é ter uma vida sexual ativa e feliz, então essa previsão ficou meio truncada.
  • Realmente tenho uma bela família, com todas as pessoas mencionadas e os outros também.
  • Acertei sobre o Brasil, sobre os computadores mais baratos, sobre eu querer ir embora mas errei sobre o Irã. Obviamente, já que eu jamais poderia ter previsto Obama.

Percebi, com certa satisfação, que continuo praticamente a mesma idiota de sempre. Dois anos e pouca coisa mudou. Não sei se isso é bom ou ruim. O que você acha?

A outra carta

Acabei de me enviar um outro e-mail, no futuro. Agendado pro dia 04/01/2013, a mensagem agradece por ter chegado (porque se chegar, o mundo não acabou) e reconhece que, se não acabou, ele mudou. E pra melhor.

Fiz outras previsões meio hipongas, acho que tô muito nessa vibe nova era, sabe? Mas elas não dizem nada que você não saiba: espero estar no Brasil, ainda solteira, provavelmente sem emprego, com uma ideia bem legal de estilo de vida pra botar em prática, recém “de-volta” do exterior (ou não).

Vamos ver se dá tudo certo. Vou ler esse post de novo em 3 anos.

Sobre 2010

Então é o seguinte: chegamos em 2010, quem diria. E por “chegamos”, entenda “todos nós”: eu, você, o blog, a humanidade, o Calypso, o Irã. Todo mundo mesmo.

Estive na última semana em um retiro espiritual em Santa Rita do Passa Quatro, rodeada por camaradas da mais alta estirpe. Obviamente, foi por isso que desapareci do mapa, ainda que brevemente, já que neste momento estou de volta – revigorada, um pouco mais velha, mais experiente e mais feliz.

Saiba que desejo um bom ano pra todo mundo que me lê, mas desejo sempre, na realidade. Menos aos mobrais, mesmo que eles me leiam.

Mentira. Não desejo um mal ano pra ninguém, não.

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Project Natal: parece que o futuro chegou, e eu tenho medo dele

Tá rolando a E3 nos EUA. Como sei que meu público é plural e diversificado, peço uma pausa para explicar aos não-nerds o que é a E3.

E3 é a maior feira de games do mundo, palco para as fabricantes apresentarem as tecnologias que possivelmente dominarão o mundo no ano vindouro.

Explico também ao leitor leigo que os videogames, antes considerados artigos de nicho, reservados somente a um grupo restrito de aficionados, acabaram popularizados entre todos os gêneros e idades pela Nintendo com o lançamento do Nintendo Wii, aquele videogame maneiro que tem um controle em formato de tijolo que reconhece os movimentos do jogador.

(Aproveitando, deixo um apelo: nunca joguei Wii. É, eu sei. Vergonhoso. Portanto, caso alguém esteja pensando em dar uma Wiiparty na Grande São Paulo, enviem o convite. Grata)

Obrigada pela paciência. Na E3, a Microsoft apresentou um esquema que chama Project Natal, um acessório para Xbox 360 que transforma o próprio jogador no controle.

Sim, aparentemente é tão preciso e assustador quanto o vídeo mostra. O acessório é capaz de reconhecer o corpo do jogador e transportar isso para dentro da interface do jogo, tornando desnecessário o uso de um controle plástico para direcionar seus movimentos. A idéia é – apenas faça o movimento e isso será replicado na tela.

Mais assustador ainda é o próximo vídeo, que dá uma dimensão de outra tecnologia de inteligência artificial que está sendo desenvolvida para funcionar junto com o Project Natal e que, tecnicamente, já poderia ser colocada a disposição para o consumidor final através de um console e do acessório necessário:

Nesta simulação (em inglês, e sem versão com legendas no YouTube, sorry), um personagem de dentro de um videogame conversa com alguém da vida real. Ele é capaz de reconhecer faces, então identifica quem essa pessoa é, e a chama pelo nome. Também é capaz de reconhecer expressões faciais e tons de voz, por isso, identifica a inclinação emocional da pessoa. Através de uma interação por câmera, a pessoa DESENHA ALGO EM UM PAPEL e mostra isso ao garoto do vídeo, que PEGA O PAPEL, olha o desenho, reconhece-o e comenta o desenho.

Parece filme de ficção científica daqueles que de tão exageradamente futuristas viraram trash-cult. Não são poucos os roteiros em que gente de verdade caminha e interage fisicamente dentro de um mundo virtual, e a concretização disso me parece, ao mesmo tempo que fantástica, assustadora.

Primeiro, tem a inteligência artificial dessa parada, que de tão próxima a nossa maneira de relacionar dá medo. Quanto mais próximo um organismo com IA é ao interpretar e responder a estímulos de seres humanos, mais a gente falha em reconhecer esse sistema como uma máquina desprovida de ‘personalidade’, ‘sentimentos’ ou seja lá o que isso for. A gente acaba atribuindo essas características àquilo sem querer, por instinto, porque bem ou mal aquela imagem ou robô se comporta como um de nós se comportaria.

Se isso já perturba pessoas que tem apenas leves desvios de personalidade (eu), imagina o que vai se tornar uma tecnologia dessa na mão das milhões de pessoas no mundo que tem problemas de interação social? Se você tem um computador que te trata melhor do que qualquer ser humano que você conhece, porque você vai tentar se relacionar com pessoas?

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Pra pedir cigarros

Num mundo onde as pessoas estão gradualmente mais individualistas, mais mal-educadas, mais egoístas, nem vai ser muito difícil desenvolver um robô que seja mais educado e simpático que a maioria das pessoas que a gente encontra por aí.

E eu fico pensando nas consequências sociais. Na adolescência, o período difícil, é possível que os jovens se enclausurem mais dentro de seus quartos, na frente dos videogames. Vão aparecer aqueles casos bisonhos, de gente que se apaixona por Lucy, a moça de dentro do videogame; do rapaz que entrou em depressão depois que o Xbox 360 deu 3 red lights e ele não pôde mais papear com Fred, seu melhor amigo virtual (virtual de ‘não existir’, e não como aquele conceito antigo, que diz que amigo virtual é amigo feito pela rede), e uma série de outras esquitices dignas da editoria Mundo Bizarro do G1.

Meu parecer? Prato cheio pra pós-graduandos em psiquiatria, psicanálise e campo de estudos muito vasto pros profissionais dessa área (vão ganhar grana pra caramba). Ademais, estamos entrando numa era que muitos escritores de ficção científica previram, e que muitos de nós duvidaram que seria verdade – um tempo em que se tornará cada vez mais difícil distinguir máquinas de gente.

Pela minha idade (se eu ignorar os índices de criminalidade do Brasil, as possibilidades de morrer em catástrofes naturais e o próprio fim do mundo em 2012), provavelmente estarei aqui pra ver isso. No fundo tenho medo, mas quer saber? Mal posso esperar pra testemunhar a tecnologia que deve selar nossa ascensão ou destruição definitiva. Ou não.

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O que está acontecendo com as pombas?

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Pombas são bichos escrotos por natureza. Elas foram claramente criadas por deus para infestar as grandes cidades, e casam perfeitamente com o visual caótico e cinza das metrópoles.

Digo isso pelo seguinte: você consegue imaginar uma pomba selvagem, em habitat natural? Pombas voando livremente por entre as árvores, convivendo amigavelmente com tucanos, capivaras, onças-pintadas e animais tipicamente brasileiros?

Impossível. Pomba é um bicho branco. No mato, verde, seria presa fácil. Além do mais, em que elas cagariam? Quem lhes daria milho? Não haveria sacada ou beira de prédio pra pousar. Fato: pombas só foram criadas por deus depois da revolução industrial.

Pois bem, mas pombas costumavam ter pudores. Ainda que convivessem conosco nas grandes cidades de forma um pouco invasiva, costumavam saber onde era seu lugar. Você conseguia espantar uma pomba com facilidade, elas não chegavam a menos de um metro e meio de nenhum ser humano. Não entravam debaixo de rodas de carros. Não voavam pra cima de você.

Eu coloquei os verbos no passado porque estou observando um fenômeno muito estranho tomando conta da personalidade das pombas,  fenômeno esse que foi observado também por amigos e pessoas no Twitter: as pombas estão mais ousadas. Agressivas. Destemidas, até.

Tenho notado uma mudança no comportamento delas. Como se as pombas estivessem afetadas pelo vírus bizarro do último filme do M. Night Shyamalan, elas perderam o medo da morte. Se colocam na frente dos carros de maneira arriscada, voam pra cima das pessoas sem pudores, não fogem desesperadas se você bate o pé ao lado delas.

“Minha irmã adora assustar pombas. Estávamos na praia, e ela pulou de maneira exagerada para espantar uma delas, mas surpreendentemente a pomba avançou em direção à minha irmã!”, relatou com temor uma colega de trabalho que preferiu não se identificar, com medo de represálias por parte dos pássaros.

“Em Florença, as pombas são bobas. Não são como as daqui”, relatou a mesma pessoa não-identificada, o que comprova minha tese de que o fenômeno está de fato acontecendo e é isolado, característico das pombas da Grande São Paulo.

E do ponto de vista evolutivo, isso não faz sentido nenhum. Pombas mais burras, mais ousadas, e que têm mais chances de morrer, não deveriam estar se multiplicando. Por morrerem com mais facilidade, transmitem menos o gene burro delas. Mas não é isso que está acontecendo – eu só vejo o fenômeno aumentar.

Olha aqui as pessoas concordando comigo:

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Seria uma temível versão de Os Pássaros acontecendo na vida real? Estariam os sentidos das pombas confusos e distorcidos por causa da poluição, das redes wi-fi, dos celulares, dos telefones sem-fio ou dos microondas? Comida não lhes falta, pois segundo fui informada durante a extensa pesquisa que fiz pra esse post, pombas comem absolutamente de tudo.

Estariam elas arredias pela chegada da crise econômica (a tese é do amigo Gabriel Pinheiro e do @leocoelho)? Com a escassez de comida, elas precisam se arriscar mais pra conseguir alimento e por isso estariam se aproximando dos humanos?

A teoria do meu irmão é um pouco mais simples. Embora ele também acredite que a crise econômica seja o motor dessa refilmagem de Hitchcock na vida real, a explicação é outra: “você atribui essa falta de medo delas a uma possível mudança biológica. Eu digo simplesmente que elas estão menos assustadas. Logo, mais calmas. Menos estressadas. Uma reação contrária natural às exigências da grande metrópole, uma tendência natural ao bucolismo, que inclusive já está sendo adotada por alguns indivíduos”. Ou seja – segundo meu irmão, o próximo passo dessas pombas-monstro é se mudar para o campo. E elas estão até arranjando bicos por fora pra atingirem esse objetivo.

Àquele que acha que isso é uma viagem, peço que antes de dizer qualquer coisa tente observar por um ou dois dias as pombas da sua região. Olhe, veja, perceba e traga seu relato. Se possível, filme. Eu tentei, mas não consegui – apesar de as pombas estarem mais exibicionistas, constatei, quando se trata de câmeras elas voltam ao estado normal e voam longe. Correm dela como dos paparazzi correm as celebridades – ou seja, não querem que as pessoas saibam que elas estão mudando.

Fique atento. Uma delas pode estar te observando agora.

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Eu tenho medo da evolução da tecnologia

Eu temo o dia em que a tecnologia, de fato, dominar nossas vidas. Digo, quando todas as coisas de fato tiverem inteligência artificial e tudo, tudo mesmo, estiver informatizado.

Primeiro porquê, por mais entusiasta que eu seja de tecnologia, existe uma nostalgia em mim – inexplicável, mas que sempre esteve aqui – de como algumas coisas eram feitas antigamente. Desde o que a gente comia até o que a gente assistia, o que fazia pra se divertir e tudo o mais.

Como eu sou de 88, sinto falta de algo que não vivi, o que é mais estranho ainda.

Mas o que me dá medo na tecnologia é que ela faz todo mundo parecer idiota sem perceber. Com a evolução dos chips, cada vez mais as coisas pequenas são capazes de nos trazer informações e, com isso, gerar reações emocionais.

O resultado é um bando de retardado gargalhando (ou chorando, até) na frente do computador. É perfeitamente compreensível para quem está vivendo a sensação, mas para quem olha de fora, parece simplesmente… idiota.

E se tem algo nessa linha com o qual eu nunca vou me acostumar são aquele microfones/fones de lapela ou bluetooth para celular, que são responsáveis por vermos pela rua pessoas caminhando e falando sozinhas, gesticulando, sorrindo e se expressando. Pro nada. Do nada.

Além disso, eu sempre fui idiota tecnologicamente, porquê a tecnologia sempre me fez de boba. A contar:

- Sempre que eu finalmente decido comprar um gadget que eu queria parcelando em 80 suaves parcelas, um melhor, mais legal e mais barato sai na semana seguinte;

- As coisas sempre quebram na minha mão, então eu me sinto sendo feita de idiota sempre que compro alguma coisa;

- Eu sinto que aqueles livros de ficção científica nos quais os robôs se voltam contra os humanos (e tem centenas deles) vão, de alguma maneira (não literalmente, penso, mas também, quem garante) se tornar realidade;

- Também acho que estamos próximos de termos chips implantados em nós. Tipo gado marcado. E com o nosso consentimento, sob o pretexto de proteção de um mal maior ou coisa assim. Lembre-se sempre que o Google sabe tudo sobre você…

Ponderando todos os prós e contras, e imaginando um futuro doido, onde todo mundo andará pela rua falando sozinho e recorrerá ao computador quando precisar se relacionar, prefiro que tudo voltasse a ser como era antes – que ficássemos só na calculadora, mesmo.

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