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Arquivo: gente esquisita

O mundo, dublado. E as consequências disso

Você já viveu um momento mágico?

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Oi

Eu sinceramente espero que não, porque isso é uma coisa muito idiota de se dizer. “O momento foi mágico”. Sabe aquelas frases de filme indizíveis, que são fruto de dublagens ou legendagem engraçadas e que às vezes acabam na boca de gente estranha e/ou ingênua? Como as crianças que assistem muita TV e acabam virando pequenas coisinhas esquisitas, dizendo aos amiguinhos ‘VOU TE DESTRUIR! SEUS PODERES NÃO SÃO PÁREOS PARA A FÚRIA DA MINHA LÂMINA, HUMBERTINHO! AAAAAAAAH’, empunhando uma espada de plástico que pisca.

Pra começar que de onde eu venho a gente brincava com pedaços de madeira fingindo que eram espadas. A gente até pregava outro teco de madeira pra fazer a parte onde segura, super artesanal e criativo. Segundo que ela não piscava, que espada que é espada não pisca. E terceiro que não tinha essa palhaçada de falar frases copiadas do roteiro do Yu-Gi-Oh, que isso é bem esquisito.

Daí rolam os anglicismos. E veja bem, eu sou uma grande vítima deles. Quanto mais contato a gente tem com outras línguas, mais propício fica a usar estruturas que só são familiares naquela língua. Ou vocabulário. Ou você conhece alguém que diz “Volte aqui, seu bastardo! Vou te dar uma lição!”? Não, né? Mas certamente já ouviu um personagem falando isso em um filme. E nem estranha mais.

Equivalente a isso, e infelizmente mais contagiante, são os bordões de novela. Tem uma amiga que diz que repetir bordão de seriado americano é brega igual a repetir bordão de novela E EU CONCORDO. Mas paciência, no fundo continuo reprovando mais quem fala HAREBABBA do que quem repete, sei lá, paida do Seinfeld. É o equivalente a falar ME POUPE, SALGADINHO!. Você consegue imaginar o quão ridículo é dizer isso? Ou então “N’é brinquedo não”? Pois é. O HAREBBABA é igual. Só não parece, porque tem a Juliana Paes lá falando. Vai ver daqui a uns dois anos, como você vai perceber o quão esquisito e deslocado era.

3+O+Clone+O+Melhor+Do+Bar+Da+Dona+Jura

Que bela trilha sonora.

Deslocado. Repetir bordões da TV na vida real é deslocado. E é de um humor zorra-totalístico incrível, assustador. Tem a exceção, de quando é um bordão realmente engraçado, mas eu e você sabemos que algo assim só acontece muito ocasionalmente.

Tem o mesmo efeito que aqueles lugares-comum que professor de jornalismo pede pra gente não usar em texto, porque é ridículo: “A nível de…”, começar texto com “Atualmente…”, colocar título de entrevista como “Sem papas na língua”.

Repetir bordão, frase-feita e lugar comum na vida real é um problemão. Começa a parecer que a gente tá dentro de um filme e que todo mundo é dublado. E nada contra dublagem, existem dubladores ótimos, mas não é exatamente a ideia que eu tenho de um mundo legal. Se bem que torna as coisas bem mais engraçadas.

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Menina Maisa e seus medos improváveis

Esse é o famigerado vídeo da Maísa, a menina louca anã do SBT, chorando e berrando de medo no palco do Sílvio, enquando ele gargalha de prazer do espanto da menina.

O que fez Maísa surtar? Não digo, pra te obrigar a assistir. Afinal, é difícil imaginar algo que deixa a menina maluca apavorada. Ela é um adulto de Q.I. 180 aprisionado no corpo de uma criança de 8 anos, como todos sabemos. Daí, por lógica, não dá pra pensar em nada que fizesse a Menina Maísa e toda sua desenvoltura infantil saírem gritando de medo do palco do programa do Sílvio Santos.

Pois bem. O que assustou Maísa foi uma criança mais ou menos da mesma idade dela maquiada como um monstro. Era uma maquiagem bem mal-feita, nada que a astuta menina Maísa pudesse confundir com um monstro de verdade. Ela explica isso no fim do programa, segundo fontes: quando volta, diz que ‘tem medo de maquiagem’.

A menina Maísa é tão bizarramente desenvolta que todo mundo – até o Sílvio – pareceu esquecer que ela não passa de uma criança, que pode sair berrando diante de uma outra criança maquiada como monstro.

Não consigo suportar a imagem mental desta criança surtada numa Noite do Terror do Playcenter. Berrando assim, ela se tornaria ela mesma uma atração. De qualquer forma, esse episódio foi fundamental na vida dos fãs e detratores da menina anã-robô-miniatura, pra lembrar a gente que ela não é nada disso – é só uma menininha de 8 anos, mesmo, que pode ter medo de coisas irracionais como qualquer criança de oito anos.

Maisa faz com classe e elegância coisas que muita gente não conseguiria sem molhar as calças: apresenta programa de TV, segura piada ao vivo, tira com a cara de Sílvio Santos, versa com eloquência sobre as notícias da semana e os fatos marcantes como se falasse do último lançamento da Barbie. Mas caga de medo de gente maquiada.

Ok que ela não era normal de qualquer forma, mas eu já vi criança com medo de palhaço, medo de papai-noel e até medo de gente com barba, mas aos 8 anos ter medo de maquiagem não é exatamente algo dentro dos padrões de normalidade.

E o Sílvio, que parecia só um cara excêntrico, é um vilão horrível sem coração. Se fosse minha filha, eu entrava no palco socando o véio.

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Sobre ser sexy (e o oposto disso)

Eu sempre achei que essa palavra, sexy, era uma daquelas que a gente tem que ter vergonha de usar. Como… balada. Ou Mara, essa praga infeliz que se alastrou não sei como e que me causa arrepios toda vez que ouço ou leio.

É que eu achava que sexy era uma palavra totalmente desnecessária. Temos termos em português que se adequam ao conceito que sexy tem no inglês. Quando leio aquelas listas de 10 mais sexies não concordo com quase nenhuma. Porque eu discordo do conceito padrão de sexy – que pra mulher, é gostosa, e pra homem é qualquer coisa que que orbite a beleza do Gianechinni ou do Brad Pitt.

Sexy, a palavra que eu odeio usar, se diferencia do conceito padrão de ‘homem ou mulher desejável, porque semanticamente carrega algo a mais do que simplesmente alguém bonito. Se trata de uma aura, algo que não é físico. O cara pode ser bonito e não ser sexy. E pode ser sexy sem ser bonito.

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Este cidadão se chama Alex Kapranos, é escocês e é feio pra porra – se a gente considerar os padrões de beleza e tal. Além disso, se veste de um jeito esquisito – não mal, mas estranhamente fashion. Mas não consigo pensar em ninguém mais sexy que ele depois desse clipe:

Daí concluo – não há palavra em português que substitua com perfeição esse conceito de sexy. Não tem a ver com beleza física, e nem com identificação de personalidade. É um combo bizarro de características, e que de alguma forma varia (ainda que levemente) de pessoa pra pessoa. Gosto para beleza varia bastante, mas reconhecimento de alguém sexy é algo que normalmente tem uma unanimidade maior.

Ou não. Ah, e eu não sei como funciona para identificar mulheres sexy.

Mas falando em ser sexy (e não em estar cansado de ser, porque evito esses hypes), temos aí na praça um novo site que mostra como esse fantástico conceito de sexy pode ser tão pessoal.

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Esse é um dos retratos de beleza e sensualidade incontestáveis que podem ser encontrados no Sexy People, um blog cujo único objetivo é reunir retratos de gente muito, muito não sexy. Pra provar que a democracia está presente até nos conceitos de atração sexual, o site conta com toda sorte de tipos físicos, etnias, idades e origens. E não se trata de gente feia. Tem umas fotos de pessoas bem bonitas lá. É só sobre não ser sexy, o que prova que beleza não tem nada a ver com isso.

É difícil definir exatamente o que torna alguém sexy, mas olhando essas fotos a gente tem um sentimento intenso de que é exatamente o oposto do que está nelas, e isso é interessante – se você sabe o que não é sexy, já é um passo a mais pra descobrir o que é.

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