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Arquivo: Globo

A super reportagem sobre blogs do Jornal da Globo

Não gosto de meta-falar aqui, é muito chato falar de blog em blog. Pra ler sobre blog em blog, leio blogs sobre blogs, e não blogs sobre qualquer outra coisa, mas esse assunto tá dando muito pano pra manga e eu preciso, muito, falar o que eu acho.

Primeiro, assiste a matéria aí:

É a Globo mostrando que não entende cazzo nenhum de web. Essa matéria é tão equivocada que poderia ter sido feita em 2005. Notaram como ela mostra os bloggers como ETs, e os blogs como se fosse uma coisa muito vanguardista, distante?

Do ponto de vista informativo, a matéria também é um lixo. Falou, falou e não explicou como é que os blogueiros, afinal, ganham dinheiro, e essa, pelo que eu percebo, é a maior dúvida das pessoas quando elas ficam sabendo que eu ganho dinheiro com o blog.

Pra quem ainda não tinha percebido – é, eu ganho. Varia, tem mês que não dá nada, tem mês que eu consigo pagar a pizza pros amigos (e eles vão cobrar, porque isso foi uma metáfora e eu nunca paguei pizza pra eles de verdade). Não é o suficiente pra que eu considere viver só disso, e sinceramente, nunca acho que será, já que não acredito que o que eu faço aqui possa vir a se tornar popular. De qualquer forma, é dinheiro bem vindo, que complementa o – e na maioria das vezes, tapa os buracos do – dinheiro que ganho como estagiária.

A consciência sobre ganhar dinheiro com isso aqui na maioria das vezes se mantém limpa. Quando pensei em criar esse blog, lá atrás, não sabia da possibilidade de ganhar grana e os principais objetivos eram escrever sobre o que eu quisesse como quisesse e também abrir portas profissionais. Não posso reclamar se a coisa que eu mais gosto de fazer se apresenta como um meio de ganhar um pouco de dinheiro.

Acho que o texto mais lúcido que li sobre essa história toda foi o do Kid, do HBDia, um blog que eu coloco no topo do ‘o que eu gostaria que o Olhômetro se tornasse um dia’. O texto, ‘profissão blogueiro‘, coloca alguns pingos nos ‘i’s. Mas é ai que eu quero propôr a discussão.

O Kid critica os blogueiros por venderem sua opinião. Mas até que ponto isso é reprovável? Você pode culpar alguém por querer ganhar dinheiro de alguma outra forma, que não seja o tradicional 8h às 6h corporativo, trabalhando de casa?

A arrogância blogueirística é criticável, e aqui eu concordo 200% com o Kid. Acho que qualquer qualidade acaba ofuscada pela arrogância. E há, na ‘blogosfera’, (odeio essa palavra, mas sou obrigada a usá-la por falta de outra. Mesma coisa com ‘balada’) alguns casos de presunção de importância.

Mas essa prepotência é demonstrada, veja bem, até pelo próprio Kid, que no começo do post fala da mocinha da matéria como alguém que ainda não é ‘importante o suficiente para que ele a conheça’. Não dá pra saber se ele quis dizer simplesmente que não a conhece porque ela não é famosa (o problema é que a menina é, ligeiramente, daquele jeito ‘famoso’ na blogosfera, sabe?), mas do jeito que ele falou soou presunçoso.

Ganhando dinheiro ou não, tendo um bom blog ou não, sendo babaca ou não, a arrogância pode te atingir. Basta que o analytics comece a bater lá em cima e teus leitores comecem a te elogiar. Nunca é tarde demais para lembrar-se que somos todos, famosos o suficiente ou não, apenas blogueiros.

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‘Capitu’ estréia na Globo com trilha sonora muito, muito boa

Acabo de assistir ao primeiro capítulo de Capitu, a nova minissérie brasileira da Globo. ‘Minissérie brasileira’ porque é assim que a Globo anuncia suas minisséries, com um adjetivo de ‘brasileira’, como se não fosse óbvio.

Deixando de lado os textos bizarros de chamadas da Rede Globo, o que tenho a dizer sobre a estréia é que a série parece muito legal. A fotografia, os figurinos e as maquiagens são meio circenses, e oníricos, pra quem gosta dessas coisas à là Circo du Soleil (mas eu não gosto e achei foda mesmo assim). A narração do Bentinho é fantástica, e a adaptação manteve boa parte dos diálogos literais, tudo muito teatral. E dizendo assim pode parecer que ficou forçado, piegas, mas não ficou não.

Acho que o maior trunfo da série é mostrar todos esses elementos pretensiosos (circo, teatro, música, surrealismo, tudo meio lúdico) mas corresponder a essa pretensão. Não gosto dessas babaquices artísticas que falam os críticos musicais, mas acho que o texto do Machado encontrou interpretação à altura na Rede Globo. Não me lembro de ter gostado tanto de uma minissérie da Globo já no primeiro capítulo – se bem que, devemos lembrar, Dom Casmurro por si só é uma história muito boa, o que já ajuda um bocado.

Uma pena que só vá ter 5 capítulos. Pelos meus cálculos, vai até sábado.

A atmosfera de Capitu não estaria completa sem música à altura. A trilha sonora pode ser considerada heterodoxa, porque tem até Sex Pistols, mas colocar o Beirut como música tema foi uma idéia muito boa. O diretor, Luiz Fernando Carvalho, disse nessa matéria do G1 que a escolha de música pop foi proposital, para aproximar a linguagem da série dos jovens. Ele também fala da estética plástica da fotografia e das outras coisas legais que eu mencionei na mesma entrevista.

E eu achei a idéia muito legal. Parece que funcionou, porque 1. eu sou jovem, 2. eu gostei, e também porque 3. meu irmão é jovem, 4. ele gostou. Mas é muito bom que alguém faça uma montagem de qualidade de uma obra tão importante direcionada aos jovens, porque na escola as coisas ficam muito mais ásperas. Imagina que legal se, depois de Capitu, todo mundo que não leu Dom Casmurro quisesse tirar o atraso da obra de Machado?

A música é tão importante na série que a Capitu não largou o iPod nem na hora do casamento. Não entendeu? Amplia.

Mas voltando a falar de música, peço ao leitor que não pule essa parte só porque ela vai falar de música (sei que alguns pulam). Ao menos hoje, leia essa parada inteira, porque o Beirut é diferente dessas bandinhas efêmeras e apenas divertidas das quais eu falo aqui sempre.

O responsável pelo projeto se chama Zach Condon, mas infelizmente eu não saberia descrever o estilo musical do grupo. ‘Música mediterrânea’ seria uma boa, porque tem influência forte de música árabe, mas tem ukulele, uns batuques, acordeão, uma voz meio bêbada e músicas muito, muito lindas.

Dá uma chance para Elephant Gun, a música-tema de Capitu:

Não sei se foi impressão, mas acho que a minissérie tá usando outras músicas deles na trilha. A propósito, a que eu mais gosto se chama The Penalty e é assim:

Pra quem não viu, no site oficial tem vídeo, umas fotos e o link para o projeto Mil Casmurros, o site da maior leitura coletiva do país.

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TOP 5: programas de TV que não fazem nenhum sentido

A TV mente. De maneira extraordinariamente surpreendente, o único meio de comunicação que seria, em tese, inquestionável – já que trabalha com o que se pode ver e ninguém duvida daquilo que vê com os próprios olhos – é o mais fake de todos.

A TV é ruim. A produção televisiva de canal aberto é relativamente fraca, pobre, literalmente risível dado os absurdos que a gente vê. Alguns canais são tão toscos que vira tudo um grande bloco de programa humorístico não-intencional.

Acontece o seguinte: não sei se vocês já perceberam, mas alguns programas simplesmente não fazem sentido. Algumas produções de TV, apesar de supostamente tratarem da realidade, partem de uma premissa totalmente absurda. E ninguém fala disso.

Vamos conhecer agora os 5 programas de TV que, descaradamente não fazem nenhum sentido (mas ninguém fala nada sobre isso e todo mundo finge que tá tudo OK):

5. O Jogador (Record), Nada Além da Verdade (SBT) e qualquer jogo de perguntas e respostas cujos participantes são artistas

britto junior e ana hickman
Oi.

Vamos dividir a sociedade em dois times:

- Time das pessoas anônimas;
- Time das pessoas que trabalham na TV;

Na nossa competição, ganha a equipe com o maior capital de dinheiro acumulado. Você sabe a resposta?
Ok, ignorem as variáveis e sejam práticos: atores de novelas, cantores, apresentadores – essas pessoas ganham dinheiro. Muito. E se não muito, é bem mais que você.
Então não faz sentido nenhum colocá-las em um programa de perguntas e respostas pra que eles possam ganhar ainda mais dinheiro, eletrodomésticos e outras coisas. Não faz nenhum sentido, já que elas poderiam facilmente comprar todas essas coisas com O DINHEIRO QUE JÁ GANHAM TRABALHANDO.
Como costuma dizer meu pai, o mundo está tão de ponta-cabeça que as pessoas que têm grana são as que ganham coisas de graça e não pagam pra entrar nos lugares, o que também não faz nenhum sentido.
Mas eles são artistas, a gente vai lá, assiste, torce por eles e beleza. É nóis.

4. Quebra-galho (MTV)

Esse programa é um mezzo-reality-show mezzo-programa-descolado da MTV. Funciona assim: vai um fulano lá e diz que quer alguma coisa. Varia; tem o cara que quer andar de skate, o que quer ser emo, o que quer fazer uma reforma no apê… a proposta da MTV é escalar um ‘especialista’ naquela coisa, e dar 50 reais pro fulano aspirante a algo conseguir o que ele quiser.

Até aí, beleza. Mas quem já viu sabe que ESSA-PORRA-NÃO-FUNCIONA. Todas soluções encontradas em todos os programas custam bem mais de 50 reais, mas aí vai o tal especialista lá e diz que conseguiu que o dono do estabelecimento vendesse coisas por 1/18 do preço original. Todos sorriem, talvez celebrando a sorte e o bom coração desse comerciante, e os espectadores vibram. Além disso, quase nunca a pessoa realmente se torna (na vida real, pra sempre) aquilo a que havia se proposto. Por coincidências, tive oportunidade de conhecer três infelizes que se submeteram à suposta transformação. Nenhum dos três logrou sucesso ou estendeu a tal ‘mudança’ pro dia-a-dia. Quebra-galho? Pffff.

3. Casos de Família com Regina Volpato (SBT)

Ah, o grande clássico das tardes entediadas. Como não mencionar as discussões enriquecedoras da televisão brasileira, que esmiuçaram temas de interesse da humanidade, como ‘minha mãe transformou nossa casa num lixão‘, ‘minha família não aceita meu estilo‘, ‘eu não agüento as piadas do meu sogro‘, entre outros grandes questionamentos.

Importantíssimo destacar a desenvoltura e simpatia da apresentadora Regina Volpato, que se envolve de corpo, alma e coração nos dramas e dilemas dessa gente sofrida que vai ao programa em busca de solução. Olha só, encontrei inclusive um vídeo comovente, homanegeando a sabedoria dessa grande profissional, feito pelo fã-clube de Regina Volpato (PUTA MERDA, CLICA QUE EU NÃO TÔ ZUANDO!)

Ok. Não tá óbvio PRA TODO MUNDO que eles recebem cada um 15 contos pra mentir nesse programa?


Na mesma linha, programa Márcia Goldschmidt, com um dos meus temas preferidos: “Mulher pede ajuda: ‘meu marido não toma banho!’”

2. Malhação

malhação 1996 logoComecemos analisando o nome da novelinha. ‘Malhação’ iniciou como uma série cuja trama se passava em uma academia. O Vídeo Show nos ajuda a relembrar no vídeo aí embaixo. Ah, como o Mocotó aprontava (e pesava 40 quilos a menos).

De alguma maneira alquímica, Malhação se transformou numa novela que não tem nada a ver com Malhação. Não. Se passa numa escola.  E não tem nada de academia. Sinto falta de cantarolar ‘ainda vai levar um tempo / pra curar o que feriu por dentro…’

Tirando isso, a Malhação é o retrato mais inverossímil possível da juventude brasileira, mas a mesma juventude continua dando audiência pra essa novela. Mas o motivo é óbvio: eles querem que os pais fiquem pensando que eles não usam drogas, não matam aula pra tomar cerveja (e só tomam suco, isso depois que o sinal bate) e são maduros como alguém de 25, mesmo tendo 16. Para isso, fingem se identificar com um programa que une todas essas características. Brilhante! Sem contar os alunos que passam 6 anos no ensino-médio, os vilões e mocinhos, as armações estudantis e todo o resto.


Mocotó saiu da Malhação, acabou com 50 quilos a mais. RÁ! Got it?

1. Domingão do Faustão
Eu não preciso explicar, né? Um tio sem graça que interrompe os entrevistados o tempo todo, globais comendo pizza e gente empilhando cadeiras no queixo em até 30 segundos. O líder de audiência do show de horrores da TV de domingo tem um dos maiores salários da televisão brasileira: mais de R$1 milhão de reais por mês. OLÔCO, MEU! BRINCADÊRA! Sem contar que o Domingão do Faustão guarda o maior enigma da TV do país, um tema que é até tabu, já que todo mundo já vIu tanto que nem nota a estranheza da cena: QUEM, EM NOME DE DEUS, SÃO AQUELAS PESSOAS CUJOS NOMES ELE LÊ NO PAPELZINHO ANTES DAS CASSETADAS? E PORQUÊ ELE FAZ ISSO?

faustão
Ih. Boa pergunta!

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