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Arquivo: guia do mochileiro das galáxias

Os homens, as máquinas e os óculos de sol

Chilli Beans lança máquina de venda semelhante às de refrigerante

Essas medidas que apontam para uma gradativa substituição do homem pelas máquinas são sempre preocupantes, mas no caso da Chiili Beans pode causar um problema social grande nos círculos descolados. A Chilli Beans tem uma função social importante, que é a de empregar todas as pessoas cheias de tatuagens, piercings e alargadores, que não conseguiriam emprego em quase nenhum outro lugar além de a Chilli Beans e um estúdio de tatuagens, piercings e alargadores.

Além disso, ela também preenche a função de ser a empresa que emprega estudantes de moda que ainda não conseguiram um emprego na área (mas que, trabalhando na Chilli Beans, podem dizer que trabalham “na área”) e de empresas que empregam gente que fala usando as mesmas gírias e cadência do Paulo Vilhena e de artistas da Malhação.

As consequências econômicas da implantação em larga escala dessas máquinas de óculos serão desastrosas. Os festivais descolados vão perder público, bem como as marcas hypados. É possível que a blogosfera e o Twitter cresçam, contudo, meio a essa desocupação generalizada de gente descolada. Mas a crise econômica que essa medida irresponsável pode gerar na região do baixo-Augusta é sem precedentes; só um Bolsa Descolados poderia resolver.

Pelo menos, ao comprar óculos nessas máquinas, você não vai ser abordado de maneira invasiva por um vendedor jovem e cheio de disposição que parece que está sob efeito de ecstasy de tão animado de trabalhar na Chilli Beans, que quer muito saber se o “óculos é pra você mesmo, brother?” E a máquina, se você resolver comprar um óculos pra sua namorada, certamente não vai mandar um “Pô, mas que tipo de lupa sua mina curte, você acha que é algo mais moderno? Chegou uma coleção nova aqui irada, viu!”, ou então te oferecer dezenas de cases coloridos para óculos, pintados como uma banana ou como uma melancia, além de relógios, bonés, mochilas, sprays de limpar lentes e essa coisa toda.


Isso tudo considerando que o software que opera as máquinas da Chilli Beans não tenha sido inspirado no animado computador de bordo da nave Coração de Ouro, cujo entusiasmo irritante fica claro no fim do vídeo acima.

A máquina de óculos provavelmente não vai fazer todas essas coisas que eu falei. Mas a Funhouse vai precisar abaixar o preço da entrada.

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Spore, Douglas Adams e a crise existencial

Como todo bom fã de The Sims, Sim City e todos os outros ‘Sims’, eu esperei Spore por muitos anos. O jogo foi anunciado há uns 7 anos, com outro nome (que eu nem me lembro). Comprei uma cópia original pelo Submarino nessa sexta, aproveitando o frete grátis.

Spore é provavelmente o jogo mais legal que eu já joguei em tempos. É um jogo para qualquer idade e qualquer gênero. Até a trilha sonora casa com perfeição com o jogo.

Spore é um simulador de criação de espécies. Você começa como um microorganismo, num lugar gigantesco chamado ‘água primordial’, comendo outros microorganismos menores que você, sejam vegetais ou animais, para assimilar os DNAs dessas outras espécies e evoluir.

Não demora, você já pode acrescentar mais flagelos (para correr mais rápido) ou mais quatro pares de olhos (para deixar seu bicho bem esquisito). As possibilidades de personalização de cada espécie são infinitas. É quase impossível que um bichinho seja igual a outro, depois que ele evolui. Além disso, Spore é jogado online, com milhares de outras pessoas ao redor do mundo jogando e desenvolvendo suas espécies.

Crescendo bastante na água primordial, você desenvolve pernas, chega à superfície e começa a desenvolver habilidades que te permitem caçar em bando, formar uma civilização e coisas assim. O último passo é a exploração do espaço sideral, de outros planetas. É inesgotável.

Eu era isso…

…e me tornei isso!

Por coincidência, acabo de terminar O Restaurante no Fim do Universo, e já comecei o volume seguinte da série de Douglas Adams, chamado A Vida, o Universo e Tudo Mais.

A combinação de um jogo desse com uma série dessas me tem feito refletir seguidamente sobre a absoluta insignificância da espécie humana na grande linha do tempo que é a história do universo. Eu entrei em crise existencial por causa de um jogo e uma série literária.

Ok, eu sou uma pessoa permanentemente em crise existencial, mas o combo Spore mais Guia do Mochileiro tem provocado reflexões muito freqüentes, reveladoras e um pouco fatalistas.

Nós somos só um pedaço do que já passou e vamos acabar muito antes do que ainda vai passar. Não falo de mim, ou de você, particularmente; falo do planeta terra. Somos um episódio num imenso livro de histórias. Se houvesse um livro de história contando o início, meio e fim do ‘tudo’, seríamos sortudos se fôssemos mencionados em um ou dois parágrafos.

Você consegue imaginar um mundo sem grandes intervenções humanas? Um mundo no qual as modificações da nossa espécie tivessem sido mínimas – sei lá, moradia, domínio da agricultura, da caça. O que a gente fez com o mundo é realmente admirável do ponto de vista das habilidades que isso demandou, mas basta um pouco mais de sensibilidade e a gente percebe que o planeta terra virou uma aberração. O progresso é uma coisa esquisita.

A verdade é que nós não entendemos nada. E não sei se iremos chegar a entender qual o real sentido disso tudo. Enquanto a gente não descobre, eu sigo jogando Spore e lendo ficção científica. Afinal, alguém precisa continuar fazendo algo de realmente produtivo nesse planeta.

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Celebrando a estupidez humana

Ouvi um barulho alto de TV na cozinha e fui até lá desligar. Aqui em casa tem muitas TVs e, por algum motivo, todos acham que têm que deixá-las ligadas, ao mesmo tempo, num volume bem alto e sem ninguém pra assistir. Eu sou a maluca que vou atrás dos outros desligando, o que acaba resultando numa cena engraçada.

Pois bem… chego perto e apuro o ouvido: é a dança do créu. Segundos antes do meu olho bater na tela, as sinapses já associaram a música ao BBB8, já que tô mais ou menos acompanhando pelo Twitter. Congelei, um pouco embasbacada (não sei prque, foi a reação imediato, reflexiva), assistindo àquelas pessoas vestidas com túnicas verdes, postadas contra o chão e mexendo a pélvis sensual e velozmente (eu poderia escrever contos eróticos, não? e só com essa menção vou conseguir dezenas de pára-quedistas do Google).

De repente, começa um “parára para para”, a introdução da popular “dança do adultério”. Não sei se esse é o nome, exatamente, mas sei que a palavra “adultério” está envolvida, e sei que quem canta é o Mr. Catra.

Meu dedo, involuntariamente, quase como um espasmo, foi de encontro ao botão de on/off, e uma sensação estranha tomou conta do meu estômago. Uma espécie de frio na barriga, mas ruim.

Imediatamente, tentei comprender os motivos que me fizeram ter asco imediato da cena que eu vi. Primeiro, cheguei à conclusão que poderia ser uma revolta contra a felicidade cega de uma dúzia de pessoas estúpidas, uma felicidade forjada, sendo exaltada por milhões de TVs ligadas no país.

Não, não era.

“Então”, penso eu, “é despeito. Eu queria estar lá.”

Não… não queria.

Daí, achei que poderia ser uma irritação gerada pela maneira como eles se comportam uns em relação aos outros, agindo como se fossem melhores amigos de décadas, tendo se conhecido há três horas.

Ok, isso me irrita, mas não me teria feito desligar a TV assim, por reflexo.

Foi aí que eu soube. Era só vergonha alheia. Eu tava morrendo de vergonha por aqueles infelizes. Daquelas que você vira o rosto pra não ver, sabe? Tipo, na novela, quando a mocinha vai encontrar o mocinho com outra, mas é tudo um grande mau-entendido, e tipo, ela está super apaixonada, e chega lá, e o cara tá beijando a outra (na verdade, a outra agarrou, mas enfim)? E a gente vira o rosto nessas horas, ou fecha os olhos, não é? É isso. Eu me senti exatamente assim em relação ao Big Brother Brasil 8 hoje.

Sei lá, acho que só não consigo ver… derrete meu cérebro, é tipo um duplipensar que eu não suporto.

E falando em duplipensar, hoje eu terminei de ler O Guia do Mochileiro das Galáxias. O primeiro volume, mesmo. Achei bem genial, mas curto. Tem umas passagens fantásticas, que demandam uma imaginação, um humor e uma inteligência absurdas pra terem sidos boladas. E fiquei pensando no meu hamster, que sem querer (eu juro!) eu ‘matei’ (está mais para homicídio culposo, já que foi negligência, porque eu o deixei morrer) lá pra 2001. Sempre soube que ele era esperto (e agressivo) demais pra ser só um ratinho malhado.

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