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Na Suécia, pais se recusam a revelar o gênero do/a filho/a

Acho interessante que alguns pais optem por não saber o sexo da criança antes do nascimento. A gente vive numa era de ansiedades. Não conheço nenhum casal que tenha feito isso nos últimos tempos e essa expectativa, que era bem comum antes da evolução da medicina, ninguém mais sabe direito como é. Quando a criança nasce, ela já tem nome, quarto da cor certa, enxoval e um monte de planos – se for menina vai fazer balé, tocar piano e usar aquele vestido amarelinho. Se for menino será São Paulino, vai gostar de Motorhead e ser advogado como o pai. Bleh.

Mas tudo que é demais é exagero. Tipos que tem um casal na Suécia (eta país maluco, sempre eles) que não revela o sexo do filho/a de dois anos e meio, nem pra ninguém, nem pra criança. E não a/o caracteriza de forma nenhuma, nem com pronome, nem com roupa e nem com o nome.

Eles chamam a criança de Pop.

pop

Isso é Pop.

Pop. Pop. Pop.

Quando POP começar a ir pra escola, eu não consigo entender se POP será zuado por se chamar POP ou por não ser, aos olhos dos outros coleguinhas, nem menininho nem menininha.

Além da grande sacanagem de fazer isso com uma criança sem pensar nas possíveis consequências (mal posso esperar pra descobrir se POP será assexuado, homossexual, transgênero ou vai só mudar de nome mesmo – PRA PUNK, HAHAHAHAHAH), os pais escolheram um nome altamente infeliz pra dar pra essa criança. POP não é nada. Parece a onomatopéia de alguém abrindo uma garrafa de champanhe. É sonoro, divertido, mas ninguém pode se chamar POP.

Entendo a necessidade de dar um nome de duplo gênero, né. Não dá pra esconder o sexo da criança se você chamá-la de Camila. Mas tem outras opções de nomes que servem tanto pra homem quanto pra mulher. Tipo… Allison. Yumi. Nadir. Há quem juraria que Nadir é nome de mulher, mas esse é controverso, então entra na lista. Outro controverso: Lucimar. Ainda assim, o mais adequado seria algo como José Maria / Maria José, contanto que os pais alternassem o uso do primeiro e do segundo nome pra chamar a criança.

Os pais dizem que estão fazendo isso para que POP (pfff) cresça com liberdade, sem ser forçado a nenhum gênero. Bonito. Pra mim, soa mais como uma experiência antropológica cruel, uma mistura de Mengele com Mogli, o menino lobo, e tudo isso com seu próprio filho. Repito – não dá pra prever as consequências de algo assim pra uma criança. Mas a certa altura, quando ela começa a identificar que é diferente, de alguma forma, de outras crianças, deve sim se tornar perturbador.

Na matéria que eu linkei, uma pediatra sueca diz que não sabe como isso afetará a criança, mas que certamente ela será ‘diferente’. Os pais querem que ela seja diferente? Se eles estão forçando essa diferença, então pra mim não há a ‘liberdade’ de que eles falam. Não é natural.

É como um Bonsai – parece natural e bonitinho, e a gente fica maravilhado com a magia da natureza. Mas na boa, você colocou uma semente de árvore dentro de um potinho. A natureza não é idiota – o mínimo que ela pode fazer é perceber isso e crescer pouquinho. Mas se ele pudesse, cresceria muito mais. Aliás, é isso que ela faria em condições normais.

bonsai
Meu próximo Bonsai se chamará POP.

Os pais dizem que só vão revelar o sexo de POP quando ele ou ela quiser. O que vai acontecer, hum, digamos, amanhã. Quero dizer, assim que POP perceber que não tá de rosa nem de azul, e as outras crianças tão, ela vai perguntar isso pros pais. Mistério FAIL.

E esse papo de dar liberdade à criança não faz sentido. O único jeito de fazer isso sem ser forçado ou prejudicá-la seria se mudar pro meio do mato e se isolar do contato com o resto da sociedade.

Eu não chamaria de ‘liberdade’ vesti-la com roupas unissex, chamá-la por um nome que, além de ser um palíndromo, é onomatopéico e tão emblemático (imagina como ele/ela se sentiu quando o Michael Jackson morreu semana passada) e subverter totalmente tudo aquilo que ele/a inevitavelmente terá contato. Isso só pode transformá-lo/a numa criança perturbada. Aliás, falando em Michael Jackson, até dá pra supôr o resultado da criação hetedoroxa de POP.

(dica do Brunão)

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Post it #02

Post it no Olhômetro - logoEdição recheada. Vamos aos acontecimentos da semana que passou – os que valem a pena serem comentados, ao menos.

#Pra não ter fama de gay, vale até dar o *
Lê aqui - Jovem fingia ser mulher no Facebook para receber fotos de homens nus – e depois volta.
Pensa comigo. Você é um jovem estudante que, enganado, manda uma foto sua peladão para uma suposta gatinha no Facebook. A gatinha se revela meio, hum, cheia de barba, e ameaça divulgar sua foto nu para todo mundo da escola (além dizer a todos que você mandou sua foto nu a um cara) se você não se permitir ser molestado por ele.
31 garotos preferiram serem violentados em silêncio do que aparecerem pelados e pagarem de viados na frente da escola inteira? Na boa, o mundo está fora de controle.

#Analisando o jornalismo sensacionalista de fim de tarde
Puta alarde, helicóptero, Datena gritando e o GC piscando. Daí você pensa que outro avião caiu né. E vai ler:
URGENTE:
Árvore pega fogo na Zona Oeste

Desde quando isso é notícia, cazzo? Maya se casa com árvore, isso é notícia. Ou Piscina pega fogo, isso também é notícia. Árvore pegar fogo não é. Ainda mais “urgente”.

#Não tem como não gostar…
Você pode ser como eu: não pagaria pra ir no show do Little Joy pra evitar encontrar a possível enxurradas de fãs malas do Los Hermanos. Mas não tem como não achar o som alegrinho. E não tem como não simpatizar com os caras depois de uma entrevista dessas:


#Olha o retrato do suspeito
A menina tá desaparecida. Daí o telejornal foi mostrar o retrato falado do suspeito de ter sequestrado a pobre.

#McGyver está de volta no corpo de uma mulher
Detentas fogem de presídio em SP usando alicate de unha

#No meu tempo…
…o cara que denunciasse uma mulher por abuso sexual seria zuado de viadinho pro resto da vida. Mas quer saber? Sempre achei machismo que homens não pudessem denunciar mulheres por abuso sexual. Conheço umas histórias…

#O mais assustador comentário que já recebi neste blog em quase um ano e meio de existência
Clica e lê. O negócio é sério.

#Tá chegando a hora…

Olha a capa da Time dessa semana:

TIME - How to save your newspaper

Matéria completa aqui.

#Alçamos voos mais altos
Olha a gente no site da Rexona. Vai rolar sempre.

#Tá explicada a dieta hipercalórica do Phelps
12 mil calorias por dia e você queria que eu acreditasse que tinha a ver com o supercondicionamento físico dele? Nada. LARICA. Mas falando sério, eu sou partidária do ‘deixem o cara paz’. Eu, o Chong (isso, o amigo do Cheech!), o Christian Bale e um monte de gente achamos que ele deveria ter aproveitado pra mandar a real – o site reasononline escreveu “O que Phelps deveria ter dito“, e deveria mesmo.

#Bruno Aleixo
Tava vendo todo mundo falar disso aí e não entendia. Tentei ver um vídeo outro dia mas não entendi nada do que eles tavam falando – português de portugal parece uma língua desconhecida, às vezes. Mas todo mundo continuou falando tanto que dei uma nova chance – e não é que é engraçado pra cacete?

#E o prêmio ‘Vergonha Alheia do Ano’ vai para…
Engraçado, pessoal do Big Brother teve um concorrente forte. Duvido que alguém supere essa entrevista do Lucas Celebridade até o fim de 2009.

#Todo mundo já viu, mas pros retardatários (sempre tem):
Não sou só eu que fico locona com anestesia. Mas não cheguei nem perto do David, que fez sucesso essa semana porque tem 7 anos e ficou doidão depois do dentista:

Já tem remix, e é do bom. Vi no Matias.

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Beleza, mas… E o que você faria se seu filho fosse BURRO?

Por mais que o mundo esteja mais liberal, não é difícil encontrar por aí uns cabeças-duras no que tange respeitar a orientação sexual alheia.

Conheço muita gente com alto nível de instrução que diz muita besteira sobre os gays.

Eu acho que cada um pode ser o que quiser desde que não encha o saco de ninguém. Não há ponto em impedir a felicidade alheia se ela não prejudica ninguém – é racionalmente estúpido, baseado puramente num ódio infundado.

Aliás, invadir a liberdade individual alheia é algo que eu considero altamente reprovável. Acho surpreendente que as pessoas odeiem gays mas finjam não ligar praqueles tipos que ouvem música alta no celular dentro do ônibus. Aliás, celular com alto-falante e MP3 player só devia ser vendido sob assinatura de um termo de uso E rigorosos testes de boa-educação e de noções de convívio social.

Mas estou divagando. A questão é que muita gente, pra essas questões que envolvem homossexualidade, além de limitada, é burra. E embora essas coisas possam ser sinônimos em alguns casos, aqui elas não são:

(Via vende-se churros)

Moral da história? Prefiro ter um filho viado do que um filho que não saiba a diferença entre ser viado e não ser.

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‘Pela liberdade de expressão’: evangélicos protestam contra projeto de lei que torna a homofobia crime

Tem muita coisa errada acontecendo tipo, everywhere. Eu não conseguiria listar todas nem que eu quisesse. Mas uma exceção, entre poucas, é o projeto de lei que torna a homofobia crime, que estava sendo votado no Senado nesta quarta-feira. Eu meio que fiquei surpresa em saber que ainda não é, mas ok. Se o novo projeto de lei for aprovado, vai ser crime “impedir, recusar ou dificultar o acesso ao mercado de trabalho e a ambientes públicos ou privados por causa de orientação sexual.”

Novamente, me surpreende que hoje isso não seja crime. Quer dizer, se hoje eu não deixar um gay entrar na minha loja (hipotética) e disser pra ele que estou fazendo isso porque ele é gay, a constituição não enxerga isso como crime. Claro que tem o negócio da jurisprudência, então o cara pode me processar baseado na lei que diz que todo mundo é igual, e se o juiz for um cara decente, ele pode ganhar… mas assim, literalmente, escritinho lá, não tem não.

Mas ok, vamos pensar pelo lado bom, eles querem mudar as coisas agora. Até aí tudo lindo, super colorido mesmo.

Aí chegaram eles. Os evangélicos. Os evangélicos em questão não são super coloridos – e a pior parte: eles não querem que ninguém mais seja.

No Senado, um grupo (!) de evangélicos (!!) protestou contra a provação do projeto de lei (!!!). Eles carregavam placas com os dizeres “a favor da família” (!!!!), “a favor da liberdade religiosa” (!!!!!), além de coisas bíblicas esquisitas e da pérola abaixo:

evangélicos homofobia

Acho que a essa altura do campeonato todo mundo já deveria saber que o mínimo que a gente pode fazer, assim, pra respeitar os outros, é deixar que eles sejam felizes. Dentro do possível, óbvio, mas acho que deixar os outros serem viados serem gays está dentro do nosso possível no momento. Digo, da parcela não-gay da sociedade.

Como é possível que MUITA GENTE JUNTA que diz que AMA DEUS (que em tese pregada pelas mesmas pessoas é um ser muito amoroso e misericordioso) possa ao mesmo tempo lutar pra que um monte de gente comum não seja feliz e não perceber o quão estúpido isso parece para todo o resto de pessoas que as observa? Não, sério, porque eu não entendo muito de deus, mas pensando bem, ela não parece o tipo do cara que gostaria de ver as pessoas tristes.

Além disso, travestem (usei esse termo de propósito) essa ‘luta’ na luta pela liberdade de expressão e liberdade religiosa. Mas quer saber? Tô na mesma luta dessa tal ‘liberdade de expressão’ que eles pedem. Daí vou poder expressar com liberdade total, sem eufemismos, minha opinião adorável sobre esse tipo de gente.

É por essas e outras que eu digo que o mundo tá acabando.

*Foto por Ed Ferreira, da Agência Estado

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