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Arquivo: horário político obrigatório

Juventude tem que ‘despendurar’ da internet e voltar a ver TV, diz ministro


Juventude tem que “despendurar” da Internet e voltar a ver TV, diz ministro

Opa. Mas é claro, senhor Ministro das Telecomunicações Hélio Costa. Minha mãe me faz essa recomendação todo dia. Ela diz: “menina, sai desse computador e vai um pouco pra frente da televisão!” ou então “pára de ouvir música nesse computador e liga o rádio!”. É, minha mãe não desiste. Porque ficar pendurado na TV e no rádio é comprovadamente mais saudável do que ficar pendurado no computador.

Mas eu não saio do computador, senhor ministro. E o senhor sabe por quê? Porque o computador é capaz de uma proeza que, vou te contar, é dessas coisas realmente impressionantes. O computador consegue – não me pergunte como – reunir numa coisa só não só a TV e o rádio, mas uma série de outras coisas que a TV e o rádio, inclusive, não oferecem.

Então, as crianças vêem TV sim, e ouvem rádio sim. Mas é no computador, ou seja, provavelmente não do jeito que o senhor gostaria.

Quando eu era pequena e minha mãe realmente me dizia pra sair do computador, eu explicava a ela que a questão não era o computador em si, mas sim a multiplicidade de tarefas que ele proporcionava. Explicava que, se o microondas me permitisse conversar com os amigos de forma instantânea, eu usaria o microondas.

Ok, ela não entendia o argumento. O que quero dizer é – a internet é uma rede de pessoas, não de computadores. Usar o computador pra se comunicar com outras pessoas não diminui o valor desse contato. Ou seja, eu não estava ‘pendurada’ no computador, estava apenas expandindo minha rede social – passava o dia na rua, com os amigos, e à noite continuava com eles, só que na internet.

É a mesma relação nesse caso – o computador é uma central multimídia, e usá-lo em detrimento da TV não significa que não vejo TV. Pelo contrário.

Mas a grande questão aqui é a seguinte: nós deveríamos MESMO ter que explicar isso pra um cara cujo cargo é MINISTRO DAS TELECOMUNICAÇÕES?

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É que tô com tendinite de tanto mexer no PC tá ligado

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O que é realmente necessário para representar o povo?

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Conhecimentos gerais. É isso que o CQC está checando no mais recente quadro deles, protagonizado pelo conterrâneo Danilo Gentili, que nesta segunda perguntou a parlamentares coisas que são exigidas em provas simples de admissão de estagiário de jornalismo nos lugares mais fuleiros, como ‘o que é a Jihad’, ‘o que é a Convenção de Genebra’ e ‘onde fica Guantánamo’. E alguns parlamentares não faziam idéia das respostas.

O Gravataí argumentou comigo que ele não considera esse tipo de conhecimento superficial necessário para ocupar esse tipo de cargo público. E eu até concordo com ele, mas veja bem – se você não sabe o que é Jihad, isso não significa apenas que você não sabe o que quer dizer uma palavra. Significa que existe todo um conhecimento geral, mesmo que não-aprofundado, sobre geopolítica, incluindo por exemplo acontecimentos recentes, como o ataque das torres gêmeas, que você não sabe dizer porque aconteceram. Porque se você tivesse lido um pouquinho sobre isso certamente teria se deparado aqui e ali com a palavra e saberia.

Ou seja, o que estou questionando é no que implica você não saber o que é a Jihad, onde fica Guantánamo ou o que é a Convenção de Genebra. Implica, por exemplo, em você ter lido muito pouco ou quase nada sobre conflitos armados recentes, porque os três termos curiosamente se relacionam a guerras. E isso, na minha opinião, te faz inapto a me representar em Brasília. Porque exigem de mim conhecimentos muito mais avançados para ocupar cargos de responsabilidade, salário e regalias muito, muito menores. E porque o mínimo que eu quero é que meus representantes saibam o que está acontecendo no mundo e porquê, mesmo que não for de forma aprofundada.

Eu sei que é uma posição polêmica, mas não acho que pra governar seja mandatório que o cara seja um acadêmico das mais altas qualificações. Acho que sim, ajuda muito se ele for, mas no quesito ‘conteúdo’ considero importante mesmo uma vasta cultura geral, que possibilite ao cara falar sobre tudo e ter uma visão ampla das coisas, bastante leitura, essas coisas. Mas não sou partidária dos literatos ocupando as cadeiras do poder.

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Tem aquele adorável discurso reacionário da classe média (ilustrado acima), que a gente costuma escutar da molecada mais não politizada que repete o que dizem os pais. Ele diz mais ou menos o seguinte: “como meu filho vai se sentir estimulado a estudar se o presidente só tem até o Ensino Médio?”

A resposta correta a essa pergunta provavelmente inclui algo como “basta não ter um pai como você”, mas isso é extremamente ofensivo. Então a gente só dá uma risadinha, ou finge que tá tudo ok. Mas o pai que aceitar do filho o argumento de que ele ‘não vai estudar’ porque ‘o presidente não estudou’ deve ser mais burro que o presidente.

O presidente não estudou mesmo, até onde sabemos. O Gravataí (de novo) me informou, inclusive, que ele já chegou a dizer que só leu um livro na vida (“A semente da vitória”, de Nuno Cobra), mas não achei fonte no Google pra essa info, tirando que o Lula cita muito o cara nos discursos. Eu não acho, contudo, que isso o torna menos capaz de exercer o cargo que ele exerce. Acho fundamental, contudo, que o presidente tenha conhecimentos gerais básicos – história, geografia, economia, ciências. O suficiente pra ler o jornal do dia e entender o que está acontecendo ali, o que está por trás daquilo. E eu, sinceramente, acho difícil ele ter chegado ali sem saber isso. É um voto meu, e posso estar enganada; mas acho realmente difícil.

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Habilidades musicais do presidente

De qualquer forma, o quadro me desanimou horrores. Me desanimou de ser cidadã, de ser jornalista, de ser estudante, de votar na próxima eleição. Sério – até desliguei a TV depois do quadro. O Arlindo Chinaglia ficou durante 20 segundos enrolando porque não sabia definir Jihad. Ele nem precisava explicar, sabe? Se ele dissesse ‘é a guerra santa islâmica’, tinha matado. Outro cara, do PMDB (não me pergunte nomes), versou durante um minuto sobre Genebra “e sua ‘sede’, a Suíça (sic)”, dizendo que a Convenção era um tratado muito importante assinado por todos os países que definia assuntos muito importantes a respeito do mundo. Assim que rolar um vídeo, eu coloco aqui e você sofre comigo.

Mas a verdade é que os nossos políticos não passam de um reflexo de nós mesmos. E se algumas dessas pessoas chegaram onde chegaram sem conhecimentos que eu considero tão básicos, a culpa é nossa.

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Inteligência corporal? É com Luiz Inácio!

Não tô pedindo muito. Queria só o básico, sério. O básico. Quem lê o jornal pro Lula não é ele, é o Franklin Martins e outros assessores, segundo entrevista que ele deu pra piauí nos últimos meses. Mas o que eu espero do presidente (e de quem me representa além dele nas instituições do país) é que ele saiba contextualizar o que o Franklin diz sem precisar perguntar “Mas ô companhêro, quem é esse Kremlin? É daquele filme da sessão da tarde?”


*Esse texto foi ilustrado com imagens do genial LulaLOL, que… que você só vai entender depois que entrar. A essa altura todo mundo já conhece, mas reza a lenda que eu tenho um público muito particular que não é antenado nessas coisas de internet então me sinto responsável por informá-los das boas coisas da rede.

*Resultado da promoção na terça à noite, sem falta – dando uma de Lúcio Ribeiro.

* Lúcio Ribeiro ainda existe?
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Fique longe da SPTrans enquanto puder

Na segunda passada, 2, passou a valer a nova lei do telemarketing. Para quem tá por fora, basicamente o novo estatuto proíbe que babacas cometam com a gente boa parte dos abusos aos quais já estamos acostumados – inclua aí espera infinita na linha, milhões de transferências antes de conseguir falar com a pessoa certa, dificuldade ilimitada para cancelar e outras coisas – leia todos os detalhes aqui.

Devo confessar que eu acreditei. Sim, acreditei que era tudo verdade e que as empresas cumpririam a lei no primeiro dia. Sou partidária da segunda chance. Devemos dar a todas as pessoas (ou instituições) a oportunidade de mostrar que são capazes de se redimir de erros cometidos anteriormente.

Como sempre acontece comigo quando concedo o direito à segunda chance, fui decepcionada. As empresas de telemarketing não cumpriram as regras. E não estamos falando só das clássicas Telefônica e Tim, amigos: nem a Anatel se adequou.

É por isso que não deveria ter me surpreendido com a saga que enfrentei para conseguir tirar a segunda via do meu Bilhete em SP, na semana passada. O cartão paulistano, maneira usada pela empresa para me pagar o vale-transporte e que permite pegar até 3 ônibus em até 3 horas por apenas uma passagem (e mais um metrô ou trem por 1,20 cada), parou de funcionar na terça passada e a partir de então eu comecei a gastar 10 mangos por dia para ir e voltar do trabalho.

Na quinta retrasada, levei meu cartão ao guichê da SPTrans na Santa Cecília e uma mulher que claramente não havia sido treinada para a função me atendeu muito rapidamente, quase sem fila. Pena que ela não seguia procedimento nenhum e foi muito difícil estabelece rum diálogo com ela e tirar algumas dúvidas básicas. No meio da conversa, ela achou uma rachadura de meio centímetro na parte de baixo do meu cartão (que de tão mínina eu não tinha reparado), alegou que era esse o motivo do problema e que se o cartão quebra o usuário deve pagar uma taxa humilde de – por favor, segure-se na cadeira – DEZESSEIS REAIS E DEZ CENTAVOS, que para o meu alívio e praticidade, já eram descontados diretamente do saldo do cartão.

Nessa, ela já tinha me acusado de ter mentido que o cartão estava quebrado para não pagar a taxa. De cara feia e insinuando minha desonestidade, rabiscou um número num papel e disse que eu podia retirar meu Bilhete em qualquer ‘terminal’, ainda que não soubesse dizer onde estavam os terminais, só onde não estavam.

Na segunda, 2, sai de Santo André e antes de ir trabalhar fui até o Terminal Lapa tentar retirar meu cartão. FAIL. Um papel sulfite pendurado porcamente no vidrinho, por trás do qual não havia nenhuma atendente, informava SEM SISTEMA. Tinha gastado condução a mais para ir até lá (é MUITO longe da minha casa) e voltei de mãos abanando.

No dia seguinte, liguei para a SPTrans antes de sair de casa e confirmei que o sistema havia voltado e eu poderia ir sem medo. Cheguei na Lapa às 12h30, atrás de uma fila de umas 8 pessoas.

Meia hora de fila e a coisa não andou. Um passo sequer. E cara, se esperar sem pagar por isso já é horrível, imagine esperar pagando DEZESSEIS E DEZ $$$$.

Acabou que a atendente era muito lerda e não dava a mínima se a fila estava dobrando a esquina. E eu, que entro (entraria) no trabalho às 14h e estava sem celular para avisar do atraso (estava decidida a resolver aquilo, já que cada dia adiado eram menos 10 pilas no bolso), tive que pedir para que um tiozinho guardasse meu lugar e fui comprar cartão telefônico para ligar pro trabalho e dizer que atrasaria.

Só consegui ser atendida às 14h30. DUAS HORAS DEPOIS, NUMA FILA DE APENAS OITO PESSOAS. É o cúmulo, deveria ser proibido que um serviço público fosse tão moroso e imprestável.

E é por isso que eu não me surpreendo que a Anatel, uma instituição do Estado, não cumpra as regras estabelecidas pelo próprio Estado. É porque aqui nesse país as coisas de fato não funcionam na ordem que deveriam. Não há qualquer sinal de respeito com quem é cidadão (ou consumidor, como bem observa o Doni nesse post). E eu nem tenho esperanças de que seja diferente…

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E se Kassab e Marta fossem candidatos a síndicos?

Se eu votasse em SP, votaria Kassab. E o único motivo não é o fofo Kassabinho.


Ele até faz uma dancinha!

Não precisa ser gênio nem entender muito de política para saber que quem muito ataca é para evitar de ser atacado. No debate da Band de ontem, a Marta se preocupou em bater, para deixar o adversário preocupado em se defender. Acuado e meio sem ver o que lhe atingia, Kassab fez como pôde para tentar manter o nível do debate.

O festival de ‘mentiroso’ para cá, ‘vagabundo’ para lá me lembrou o imperdível episódio do Quércia no Roda Viva em 1994…

Mas é capaz que a agressividade da Marta acabe saindo pela culatra. Se Marta eu fosse, preocupada estaria, já que toda essa hostilidade pode parecer arrogância para os eleitores. E se tem algo que Marta não precisa é parecer mais arrogante.

Mas se o debate não te convenceu, basta transportar as duas personalidades para uma situação mais próxima. E se Marta e Kassab fossem os dois candidatos a síndicos do seu prédio (analogia sugerida pelo cara que foi assaltado por ladrões indie)?

Sabe, eu tenho muita experiência com síndicos. Vivi a adolescência um um condomínio em que as brigas entre nós e os síndicos eram constantes. E é por isso que eu sei avaliar bem um debate para prefeitos – porque é como se eles fossem síndicos. Da cidade, é verdade – mas nada mais do que síndicos.

Síndicos dosam interesses da maioria e transformam esses interesses em ações viáveis para todos. Síndicos são mediadores, administradores. Precisam ser ponderados, calmos, ordeiros.

A Marta seria aquela síndica esnobe. Ela reclamaria das crianças remelentas correndo pelo condomínio. Proibiria os meninos de jogar futebol nas áreas úteis. Limitaria o horário de ficar na quadra pelas 21h. E aí de quem reclamasse.

A Marta gastaria 15 mil do orçamento para decorar os corredores e salas do prédio com aqueles quadros feiosos, supostamente modernos, mas que são de um mau-gosto tremendo.

Marta fingiria que gosta dos seus filhos correndo pelo prédio, mas assim que você virasses as costas ela ia arrastar o moleque pela orelha por ter riscado o carro dela com a bicicleta.

Penso no Kassab como o síndico gente boa. O cara que ouve todo mundo e fica tentando mediar os dois lados? Não ia proibir as crianças de ficar gritando na hora da novela, mas também não ia bater de frente com as senhoras reclamonas. Ele seria aquele síndico boa praça, que trocaria na humildade uma idéia com a molecada. E nada de quadros toscos, Lei Condomínio Limpo na cabeça. E ele trocaria o orçamento dos quadros pela compra de uma mesa de pingue-pongue, que é para ver se acalma os pestinhas.

Pela felicidade das crianças e pela decoração de bom-gosto do grande condomínio que é a cidade de São Paulo, eu votaria Kassab.

No RJ eu sou Gabeira, claro. Mas essa história fica para outro dia.

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Oito coisas que eu observei sobre as eleições de 2008

Acho muito cínico chamar a eleição de ‘Festa da Democracia’. Eu não vejo ninguém se divertindo. E não há democracia nenhuma em uma festa em que você é obrigado a entrar e não pode beber. Definitivamente, a democracia não sabe dar uma festa.

Nossa sorte é que, no Brasil, os candidatos (e alguns eleitores) sabem. Como trabalhei o suficiente nesta eleição para ter lido as histórias mais bizarras possíveis e ter visto coisas que me fizeram pensar e estou cada vez mais viciada em listas, selecionei oito coisas das eleições de 2008 que me fizeram parar para pensar. Ou para rir. Ou os dois.

Ops (ou Rickrolleada)

Cinara Salles Mioso, candidata a vereadora pelo PT em Pejuçara, no RS, cometeu um errinho bobo durante sua candidatura. Nada demais. Ela só passou a campanha inteira usando o número errado. Acontece. Parece que o descuido foi descoberto pela candidata quando as pessoas avisaram que o número dela não retornava nada na urna.

Ainda assim, Cinara recebeu seis votos. Não deixa de ser um mérito já que, em tese, ninguém sabia o número verdadeiro dela. Parabéns, Cinara.

Filas, correria e invasão de colégio eleitoral

Em Itaquera e em Sergipe, o povo demonstrou um paradoxo de civilidade. Na ânsia de exercer o dever cívico, fizeram filas na porta de colégios na madrugada e houve tumulto e até invasão. Mas até a incivilidade é válida na hora de exercer a civilidade, não é mesmo? Um exemplo de… civilidade incivilizada.

Carros de som não são eficazes às sete da manhã do domingo

Não sei por aí, mas aqui onde eu moro, os carros de som são usados em profusão pelos candidatos para demonstrarem a capacidade deles de contratar uma boa empresa de jingles governar de maneira satisfatória. Até posso compreender a necessidade do marketing, de produzir uma cançãozinha grudenta que envolva um slogan cafona e um número. Mas não adianta colocar seu carro para gritar isso no domingo de manhã, meu amigo. Porque aí sim, eu vou me esforçar para ouvir qual é o se número para me certificar que nem eu nem nenhum conhecido vote em você. Aqui em Santo André os candidatos a prefeito parecem concordar que isso é boa técnica eleitoral. Não é. Não acorde as pessoas com seus carros de som. Não funciona.

Abasteço por votos

Em Recife e em Goiás, os candidatos acharam de bom tom presentear os eleitores com gasolina. Houve acusações de candidatos enchendo o tanque de eleitores e dando vale-abastecimento em troca de votos. Achei criativo. E não deixa de ser um serviço de utilidade pública.

Kassab ganhando da Marta

Kassab tem aqueles olhinhos e parece um bonequinho esquisito que fala como o Pato Donald. Só olhando, ninguém dá nada. Mas o malandro foi lá e ganhou da Marta – nada contra a Marta, particularmente, mas acho o Kassab mais engraçadinho. E vai levar fácil o segundo turno. Dá-lhe Kassab, o homem dos olhinhos engraçados.

Gabeira batendo o Crivella

O Gabeira passou de um cara que usava tanga de crochê para um político super respeitado. Ele começou a campanha, no início de agosto, com apenas 4% das eleições de voto e hoje, no RJ, venceu o principal candidato da oposição com 25,6% da votação, garantindo o segundo turno contra Eduardo Paes. Uma façanha, ainda mais para um cara que usou uma tanga de crochê. Vai ser difícil transferir os eleitores de Crivella para Gabeira, já que é de se imaginar que eles sejam opostos. Mas não duvide do homem. Tem que ser muito bom para quintuplicar votos em dois meses. Ou usar uma tanga de crochê.

Essa história de vender votos não faz sentido

Nunca entendi isso muito bem. E o motivo é bem simples: se você vende seu voto, nada garante que você precise entregá-lo. Nunca entendi porque alguém com um mínimo de instrução recebe para votar num candidato sacana e ainda assim vota nele. Seria possível subverter a subversão, votando no candidato que você realmente tem vontade e recebendo dinheiro de um candidato sacana para isso.  Mas as pessoas parecem querer ser honestas dentro da desonestidade. Vender o voto pode, mas depois de vender, não dá para deixar de entregar que isso é sacanagem. Não faz sentido.

Urnas eletrônicas têm semelhança perturbadora com um Pense Bem

Sim. A urna eletrônica não tem aquele visual anos 90 por acaso. Além do fato de ela, hum, ter sido criada nos anos 90, o design do aparelho tem o objetivo de resgatar nossas memórias infantis mais profundas, trazer à tona a nostalgia de nosso primeiro pseudo-computador e fazer com que, dessa forma, nossa mente associe o ‘votar’ com uma situação prazerosa. Ou simplesmente serve para que olhemos para a urna e sejamos arrebatados, imediatamente antes de votar, pelas palavras PENSE BEM, gerando assim uma corrente involuntária de voto consciente e ponderado. Não sei se funciona. Mas que deu uma saudade do meu Pense Bem hoje, quando eu apertei aqueles números, ah… isso deu.

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Desmascarando o filho da… digo, do Enéas

Ah, a democracia! É fabuloso como a cada dois anos o espírito democrático toma conta do país e ficamos todos imbuídos da vontade de tornar o mundo um lugar mais agradável para viver, escolhendo com parcimônia e muito cuidado nossos futuros representantes… NOT.

Você deve estar achando esse post uma piada (ele é, gênio). Impossível existirem motivos para assistir ao horário político obrigatório. Mas o que você precisa entender é que basta uma boa dose de humor negro e de abstração (é preciso rir de coisas pelas quais deveríamos estar chorando) para que o horário político se torne um programa bem interessante.

E tudo isso porque se a política brasileira é uma palhaçada, o horário político é o sumo concentrado dessa palhaçada. São 15 minutos de pessoas esquisitas, muitas das quais não sabem falar ou olhar para a câmera, dizendo coisas que muitas vezes não interessam, utilizando-se de estúdios e efeitos toscos, slogans toscos e jingles toscos. Não vou nem falar das propostas toscas.

Eliminando uma ou outra feliz exceção, é uma pequena amostra (muito verossímil) do show de horrores que é a política brasileira.

E quer saber? É melhor que Zorra Total. É triste admitir, mas responda rápido: o que é mais engraçado – Zorra Total ou o horário político obrigatório?

Um dos humoristas uma das figuras marcantes que resolveram dar as caras nessas eleições (me refiro ao horário político de São Paulo) é um tal de Enéas Filho, que se apresenta como herdeiro do saudoso Enéas Carneiro (que dispensa apresentações).

Acontece que, a essa altura do campeonato, nós já devíamos ter aprendido que é preciso desconfiar de qualquer elemento que se mexa dentro do horário político obrigatório. Porquê os sacanas fazem de tudo pra conseguir seu voto. Você só não imaginaria que um sósia safado deixaria a barba crescer e mentiria para você dizendo que é filho do Enéas.

O candidato aí em cima não é filho do Enéas. Na realidade, ele nasceu Luciano Martines Nantes Soares, e seu pai se chama Osvaldo Nantes Soares. Os dois, pai e filho, mudaram de nome para incluir um ‘Enéas’ no meio. Assim, ele pode dizer que se chama Enéas Filho, já que não deixa de ser verdade.

O cara ainda tem coragem de dizer ‘vou continuar o trabalho do meu pai’. O pai dele, Osvaldo, chegou a se candidatar a deputado federal em 2002, usando a mesma artimanha (imitar o Enéas Carneiro), mas teve a candidatura cassada pelo TRE por induzir o eleitor a erro, depois de  processo movido pelo falecido Enéas (o original) – que é um dos vereadores mais votados da história do país e morreu em maio de 2007.

Editado: consegui o vídeo da coisa. Agora quem não é de SP pode conferir o golpe.

O Enéas original só tem filhas – uma delas, inclusive, concorre ao cargo de vereadora no RJ.

Falando em RJ, alguém consegue explicar porquê a Lacraia (sim, aquela Lacraia) se candidatou a vereadora em SP, e não no Rio? Tem coisas da política que eu nunca vou entender…

(Via Terra e OFFBlog)

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