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Arquivo: Idiotas

A maior competição de gostosice do Brasil

Imagina se você chegasse em uma festa e a primeira frase que você ouvisse, de dois caras atrás de você, fosse essa aqui embaixo.

“Nóis vai tranzá* lá dentro, heim!”

Você imaginaria que eu estou falando de um baile funk (por estereótipo, né. Todo mundo diz que em baile funk acontece essas coisas promíscuas) ou da Pirigóticas, mas não: eu tô falando do Skol Sensation, o infeliz substituto do Skol Beats que acontece desde o ano passado em São Paulo.

Foram 40 mil pessoas vestidas de branco escutando música eletrônica do tipo que eu não gosto (não sei os nomes) no Anhembi. O que é bom, porque se você se veste de branco com 40 mil pessoas, parece ridículo de forma coletiva, e não individual. Parecer ridículo se branco não se aplica se você for médico ou enfermeira, ou pai-de-santo.

Peguei a mesma roupa branca que usei ano passado (a mesmíssima, um vestido da minha mãe) e rumei com três amigos para a zona oeste de São Paulo (acho que é Oeste; alguém esclareça, por favor, porque eu trabalho lá e gostaria também de saber em que Zona eu trabalho. A piada não foi proposital). Ao chegar, tivemos aí o prazer de escutar a conversa entre esses dois brothers, o que já nos deixou animados pra noite que estaria por vir.

NOT.

O Skol Sensation é um dos eventos mais bem organizados e estruturados que eu já vi. É decorado de maneira hipnotizante. E tem muita gente bonita (leia-se RICA) e que provavelmente está colecionando as figurinhas da Copa (isso já é indicador social, heim). Por isso, se você se interessa por esse universo, recomendo muito que vá ao evento no próximo ano. E há quem se interesse, e eu não tenho nada contra essas pessoas, porque né, tenho amigos que curtem essa vibe (ALÔ FELÍCIA), e eu gosto deles e tal. Na boa, só que meu dever civil é observar as paradas e relatá-las aqui.

Só que precisamos ser honestos. Não é um evento de música, ao menos não pra maioria das pessoas lá. Ninguém sai de lá comentando uma virada que o DJ fez, ou uma hora em que o público foi ao delírio, como a gente faz quando sai de show. Muita gente sequer dança, só desfila com o drink na mão, roupa branca igual todo mundo. É que tem um status em estar nessa festa, um status social. Não tem a ver com música. Tem a ver com A GRANDE COMPETIÇÃO DE QUEM É MAIS GOSTOSO(A)!

Sim, amigo! Informalmente, quase como uma tragédia não anunciada, os frequentadores do Skol Sensation estão lá para serem vistos e competirem com outros frequentadores pelo posto de pessoa mais atraente com menos roupa. (Com exceção das muçulmanas que vi por lá, de branco e de véu na cabeça.) Nessa biosfera, Geisy Arruda seria considerada iniciante. Os vestidos não eram curtos, porque eles não eram como vestidos – eram tipo camisas. E os homens sempre tiravam a camisa, e não estava tão calor. E eu vi um cara que caminhava com desenvoltura pela festa de shortinho, daqueles dois palmos acima do joelho, e-

-e só. O shortinho era branco, antes que perguntem.

Se eu me diverti? Pra caramba. Tenho senso de humor.

*Nós votamos (eu e o pessoal que estava comigo) e constatamos que aquele “transar” que ouvimos dele foi com Z, com certeza.

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Estamos na era do óbvio. E isso é péssimo

O País de Gales lançou um vídeo muito, muito trash, para desencorajar as pessoas a dirigirem enquanto mandam mensagem de texto. Não assista se for viadinho tiver estômago fraco:

Forte, né? Alguns diriam que é exagerado. Eu não acho – concordo que precisa ser chocante mesmo. Porque né, a pessoa que não perceber SOZINHA que é extremamente perigoso escrever mensagem de texto no celular enquanto dirige realmente só pode ser atingida por algo extremamente gráfico, como é esse vídeo. É óbvio que você não pode dirigir enquanto manda SMS, do mesmo jeito que é perigoso dirigir com os olhos fechados. Aí me sai uma pesquisa assim:

SMS é pior que álcool para motoristas

OH REALLY?

Estamos na era do óbvio, meu caro. É a era em que você precisa deixar tudo ali, na cara, mastigado, pra não ser mal-entendido, interpretado como politicamente incorreto e/ou processado. A era em que as pessoas só entendem as coisas se elas forem literais. E elas nem sabem o que ‘literal’ significa, tanto que usam ‘literalmente’ o tempo todo mesmo que o termo não se encaixe na frase.

No nosso tempo, os desodorantes precisam escrever na embalagem que o uso em outras regiões do corpo que não as axilas é desencorajado. Os eletrônicos precisam vir com uma mensagem dizendo que engolir peças pode ser perigoso. Os materiais de limpeza precisam alertar o consumidor para, por favor, não ingerir água de lavadeira, obrigada. E ai se não tiver escrito e alguém fizer e morrer, porque aí a conta bancária empresa em questão vai ser escalpelada pela família do estúpido morto.

Olha essa parada que eu encontrei no elevador. É uma peça institucional feita pela própria empresa de elevadores:

No elevador...

O documento todo é bem chocante, mas veja bem: precisamos de um papel no elevador para dizer às pessoas que elas falem baixo dentro de uma caixa de alumínio de 4 metros de altura, não comam nem gargalhem lá dentro. Um papel no elevador tentando fazer o que os pais de uma pessoa não conseguiram. Daí fico pensando que se a pessoa não sabe disso, na boa, ela certamente não é o tipo de pessoa que lê papel na parede do elevador. Então pode esquecer. Não funciona.

Logo, o papel serve pra quê? “Só pra não dizer que não avisei”? Pra você não reclamar com algum mal-educado no elevador e ele dizer “onde tá escrito que eu não possso gritar aqui dentro hein?!”, e você apontar o papel?

A era do óbvio é prejudicial em várias instâncias pra nossa sociedade. Primeiro, todo mundo começa a achar que pode alegar que não sabia algo se esse algo não tiver sido explicitamente dito a ela. Entrelinha não vale, subentendimento também não. Precisa ser claro. Nessa, perdem-se um monte de piadas, um monte de não-ditos, um monte de sutilezas.

Mas é o preço que se paga pela burrice. Idiocracy, here we go.

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Manual Mercado Livre de Redação e Estilo

Você soube do #mercadolivreday no Twitter? Se não soube, tudo bem. Dá uma lida aqui que eu explico. Preciso que você esteja familiarizado com a ideia para filosofar a respeito dessa que foi uma das datas mais emblemática na história da interwebs brasileira, por ajudar a consolidar um fenômeno social bizarro que acomete todos aqueles que passam a fazer parte ativamente da comunidade de vendedores e/ou compradores no Mercado Livre.

Já assistiu o esquete de Monty Python chamado ‘My brain hurts’? Olha aí:

Quando o doutor coloca os apetrechos para operar cérebros, ele fica repentinamente estúpido. Muito burro. E é algo parecido ao que acontece com todo mundo que faz login no Mercado Livre: a pessoa emburrece. Conheci um cara formado em duas faculdades, plenamente articulado, muito inteligente… mas nada disso adiantava quando ele entrava no Mercado Livre. Uma vez lá, seus textos eram todos assim, adequados ao Manual Mercado Livre de Redação e Estilo. Confira alguns exemplos dessa que pode ser considerada uma nova escola literária (clique para ampliar):

ml
As características dessa nova corrente cultural são diversas, e refletem o comportamento e o perfil do brasileiro na internet. Observe: simpático e conciliador, o usuário do Mercado Livre sempre se dirige a qualquer outra pessoa usando o substantivo AMIGO, que acaba se tornando pronome de tratamento e transformando o ML numa rede social, tamanha a quantidade de amigos que a gente tem mesmo sem querer. Repare que você chama de AMIGO até o cara que tá xingando, de tão instituída que tá a coisa.

O estilo também reflete o entusiasmo e alegria do brasileiro. Escrever em caixa alta, sem vírgulas, conota uma gritaria sem fim e sem pausas, como a gente ouve por aí em todo bom cortiço nas capitais. Bonito.

Não dá pra esquecer dos erros ortográficos. Mas isso só confirma nossas altas taxas de analfabetismo, mesmo. Por fim, observe o OBRIGADO e o ABS sempre presentes no fim das frases. Eles também mostram o quando a gente é boa praça.

(ABS significa ABRAÇOS. Eu nunca entendi exatamente porque, já que ABRAÇOS deveria ser algo como ABÇS, no mínimo. ABS parece que você tá desejando ABRASSOS. Fora que ninguém dá abraços quando se despede, geralmente é um só, já que vários seriam interpretados de uma maneira socialmente mal-vista. Enfim)

O bagulho é instantâneo, eu fiz o teste. Uma vez lá dentro, fica impossível redigir qualquer coisa fazendo uso de vírgula. Eu não entendo porque, acho que tem a ver com a gente mimetizar o comportamente de terceiros. Ou o ML deve penalizar quem não escreve assim.

A única coisa que posso dizer a respeito é que esse não é o único lugar da internet em que as pessoas se comportam linguisticamente de forma bizarra. Inclusive, existe um site que supera o ML. Quem sabe um dia o site de leilões não supere o Yahoo!Respostas?

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Aliás, demorou pra rolar o #Yahoo!RespostasDay.

pergunta

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Como ensinar ratinhos a segurararem instrumentos musicais

A primeira coisa que preciso te dizer é que sim, é possível ensinar um ratinho a segurar um instrumento musical. Já foi provado, e há registros fotográficos para comprovar, que ratinhos podem segurar flautas, violões, banjos, clarinetes e até saxofones, desde que eles sejam, é claro, adaptados ao tamanho dos ratinhos. Em tamanho real, embora o teste ainda não tenha sido feito, eu suspeito que não seja possível.

De qualquer maneira, desafio você, ávido leitor, a fugir do óbvio. Não se pergunte porque diabos você gostaria que um ratinho segurasse um instrumento musical. Não faça isso, porque se a fotógrafa holandesa Ellen van Deelen tivesse se perguntado o óbvio, ela não teria alcançado resultados tão belos e desafiantes:

A tal holandesa afirma ter ensinado os ratinhos a segurar os instrumentos em troca de comida. COMO ASSIM MEU DEUS. Tipo, SEGURA AÍ ESSE INSTRUMENTO OU FICA SEM COMER? Desde quando rato cede à chantagem alimentícia? E na boa – pode até funcionar pra ele aprender uns truques, tipo decorar o caminho certo no labirinto. Mas é virtualmente impossível condicionar um rato a segurar instrumentos musicais da maneira como esses bichinhos estão fazendo e dizer que o adestramento foi feito em troca de comida.

Como eu sou deveras perspicaz, lanço aqui o guia As 5 Melhores Maneiras de Adestrar Seu Ratinho Para Segurar Mini Instrumentos Musicais. Na verdade, pelo que eu notei, existem várias técnicas para atingir seu objetivo. Escolha a sua e mãos à obra:

5) Aprenda a mexer no Photoshop, tire fotos de ratos e manipule-as, incluindo os instrumentos musicais de maneira verossímil. Diga ao mundo que você adestrou os ratos em troca de comida;

4) Mate os ratos, enfie os instrumentos nas mãos deles e fotografe. Diga ao mundo que você adestrou os ratos em troca de comida;

3) Peça para que pessoas vistam fantasias de ratos. Peça a elas que segurem instrumentos. Fotografe-as. Diga ao mundo que você adestrou ratos em troca de comida;

2) Compre uma banda de ratos de brinquedo. Fotografe os membros separadamente. Diga ao mundo que você adestrou ratos em troca de comida;

1) Hipnotize ratos e ordene que eles segurem instrumentos musicais. Diga ao mundo que você adestrou os ratos em troca de comida;

Ok, eu falei tudo isso pra dizer – eu duvido que esta mulher adestrou esses ratos pra fazerem o que estão fazendo. Observe que os dedinhos estão posicionados corretamente, é muita precisão – só pode ser piada. Se ela fosse tão boa adestradora assim, estaria trabalhando como adestradora, e não tirando foto dos bichos. O curioso é todo mundo noticiar isso quando é claramente algo como uma montagem muito boa no Photoshop.

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Resultado da promoção (aquela em que você tinha que escrever um texto…)

Ok, demorei eras. Mas acordei nesse domingo – meio tarde, é verdade, porque ontem foi divertido – e tomei como resolução organizar a minha vida. Significado prático disso: resolver todos os assuntos pendentes possíveis.

Arrumei minha estante de livros, as revistas que eu guardo, as gavetas… claro que na prática não funciona, porque eu acabo aumentando a fila de coisas pra ler e reler, e a tarde que serviria para organizar minha vida e eliminar coisas pendentes acaba como uma verdadeira maternidade de pendências.

De qualquer forma, a última delas seria escolher o vencedor da última grande promoção aqui do blog, que dará hoje e neste momento um livro ao autor do melhor texto de tema ‘A pessoa mais idiota que conheci’.

Eu recebi pouco mais de dez textos, pro meu espanto, todos muito acima da média. Muito MESMO. Não li um texto ruim, que fosse. Por isso, embora eu tenha que escolher um só pra ganhar o livrinho, digo a todos os que participaram que publiquem estas coisas em algum lugar. Alguns me mandaram textos publicados em seus blogs, ou seja, já seguiram o conselho antes que ele fosse dado. Mas praqueles que mandaram texto por e-mail ou mesmo nos comentários do post (é, eu aceitei e tal, tenho coração mole), publiquem.

Mas vamos ao vencedor:

Descontrole Remoto

por Gustavo Carnelós

Com licença, se não for tomar muito do seu tempo, eu gostaria de desabafar sobre um vício que eu tenho. É televisão. O pior da televisão. Sabe aqueles programas tão ruins, mas tão ruins, que você começa a assistir e não consegue parar? Que você continua assistindo só pra ver o quanto é ruim e o quanto pode piorar? Eu sou assim. Mas de um jeito patológico mesmo. A qualquer hora, em qualquer canal, há um programa feito especialmente pra mim, telespectador idiota que engole tudo o que resolvem mostrar!

Decidi relatar meu caso porque sei que existem mais pessoas como eu. Inclusive há outros casos assim na minha família. Caiu no canal, é peixe. Peixe na rede. Rede de televisão. Ligou, ficou. Não consigo desligar porque não quero perder a próxima besteira. Pura insanidade! Quero ver do que eles são capazes de fazer, quero ver que pela audiência realmente tudo é possível, que topam tudo por dinheiro. As coisas mais inúteis, absurdas e constrangedoras. É um circo de horrores, uma zona, uma zorra, vergonha alheia total! Aliás, a vergonha é mais minha mesmo, que assisto. Estou aqui pra confessar: também gosto de me sentir o ser humano mais inteligente do mundo por odiar esses programas infernais que são exibidos em rede nacional como algo super legal, super pop, super na moda. E quero ver até onde pode chegar o nível de ridículo, que infelizmente não é só do programa, é meu também, por assistir. É uma palhaçada na tela e um palhaço no sofá.

Fico repetindo comigo mesmo: só mais um pouco, só mais um pouco, só até o comercial… que nada! No comercial eu zapeio os canais até achar um programa pior do que aquele, e se não achar, já é hora de voltar ao mesmo.

E eu sei que tenho muita coisa melhor pra fazer com a TV desligada. Até mesmo admirar meus ídolos, pois eles não são feitos de exposição na TV. Mas na TV, fama não falta, mesmo pra quem não sabe fazer nada. Aliás, hoje em dia, principalmente pra esses, que tanto contribuem pra que eu desperdice preciosas horas da minha vida assim, vendo e ouvindo pessoas que não têm nada pra mostrar ou dizer. Embora algumas até tenham o que mostrar, tipo peito, bunda…

Tem gosto pra tudo, é o que dizem. Gosto não se discute. Mas qualidade sim, penso eu. Ok, ok, a televisão não tem obrigação de educar ninguém, mas precisava emburrecer? Porque só por me fazer perder tanto tempo já me torna um idiota, além de queimar meus olhos e entupir meus ouvidos com bobagens, fazendo do meu cérebro um caldeirão de merda.

Algumas pessoas falam assim: assisto a esse programa porque não tem nada melhor em outros canais. Pô, mas quem disse que precisa assistir alguma coisa? Se não tem nada de bom, desliga, ué! Vamos procurar algo melhor pra saúde física e mental. Principalmente mental, né? Leitura, esporte, malhação, passear numa praça, é nossa escolha. É fantástico descobrir o quanto podemos fazer se não estivermos catatônicos em frente àquela maldita tela. Mas aí o viciado aqui chora: “Eu sei! Eu sei! Mas é mais forte do que eu, mimimi…”

E tem outra: ficar preso à TV igual inseto em volta da lâmpada nem sempre significa que dedico toda a minha profunda atenção ao que está sendo exibido. Eu queria entender o que é que acontece no meu cérebro que me faz ligar a TV pra não assistir. NÃO assistir! Às vezes me deparo com a TV ligada e não lembro de ter ligado. Pior: não lembro nem de ter desligado. Quando me dou conta, é tarde demais. E fico furioso comigo mesmo. “Casseta! De novo!” Ou minha TV tem um poltergeist ou realmente estou fazendo isso automaticamente. Um sonambulismo televisivo. Medo. O que mais posso estar fazendo sem perceber? Comprando no Polishop? (apareceu um fazedor de suco aqui em casa que eu não sei da onde veio…)

Diz o sábio e verdadeiro ditado: cabeça vazia, oficina do diabo. Quando estou em casa supostamente sem nada pra fazer, ligo a TV procurando qualquer bobagem, feito um ratinho atrás do queijo. E meu tempo livre escorre pelo ralo. É hipnotizante. Se a tarde era minha, já não é mais. Perco meu sábado, meu domingo, e isso não é nada legal. Novela então, é um perigo. É mais do que uma lavagem cerebral, os neurônios entram em verdadeira hibernação enquanto aquela caixa emite suas ondas. Ondas sonoras, visuais e débil mentais.

Eu, telespectador hipnotizado, passivo, manipulado, engolindo tudo o que a TV joga na minha cara, como sou idiota! “Ô da poltrona, toma essa!” Pois é, meu irmão, grande idiota eu sou! Quer saber? Chega de televisão! Internet é a salvação! Pelo computador vejo só o que me interessa, na hora que eu quiser, sem reclames do plim plim. É isso! É minha cura! Conquistarei assim minha liberdade! Vamos ver o que tem de legal no Youtube…

O texto do Gustavo foi meu preferido porque muito embora eu dificilmente pare pra ver TV, quando páro sou exatamente o tipo de pessoa idiota que assiste programa ruim só pra ver o quão pior ele pode ficar.

Eu não quis ser gentil quando disse que todos os textos estavam muito legais. Menções honrosas pra outros dois, Interação com (ex-)descohecidos, Ação e Reação e um que passou da data e só por isso não ganhou – A pessoa mais idiota que eu conheço, um fabuloso TOP5 de idiotices. HEH

Fico por aqui antes que o lado direito da minha cabeça exploda de dor, e volto no meio da manhã de segunda com um post supimpa pra começar a semana de pé direito. É nóis.

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Seu tatuador é ladrão?

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Não? Porquê ele roubou todas as estrelas do céu e colocou na sua cara.

HÁ.

Com 56 estrelas no rosto, garota denuncia tatuador

Não sei, POSSO ESTAR SENDO MALDOSA. Mas quem tem tatuagem sabe que, assim, né? Tem alguém cortando você e pintando esse corte. Se você pede 3 estrelas e fazem 56 em você, eu diria que você seria capaz de notar que há algo errado PELO MENOS lá pela décima estrela, se você for ruim de percepção.

Tem aquela música do Offspring, Pretty Fly (for a white guy), que tem um trecho que diz algo como: “Now he’s getting a tattoo, yeah/He’s getting ink done/He asked for a 13/But they drew a 31″.

Foi uma das primeiras músicas que eu aprendi a cantar em inglês, e aprendi o significado. Tinha uns 11 anos e pensei “HÁÁÁÁ, que loser. Queria um 13, desenharam um 31. Cara otário”. A situação dele tá ok perto da dessa menina.

Quando a gente ouve falar dessas pessoas, celebridades ou não, que tatuam o nome do namorado/a, acho que todo mundo faz um facepalm. Tipo, bate a mão na testa e pensa “puta merda, que burro”. Mas po. Não é tão ruim – todo mundo que faz isso faz escondido, tipo atrás da orelha, no tornozelo, na parte de trás do ombro. E geralmente é pequena. Terminou, cobre com outra coisa e bola pra frente.

Essa menina vai cobrir com o que, meu deus? Vai complementar com galáxias? Dizer que a tattoo é uma supernova? Vai desenhar a bandeira do Brasil em volta? Ahh, ops, não dá. O Brasil não tem 56 estados.

Acho que tem alguém aí que se arrependeu e quer tirar uma grana de um tatuador esquisito.

Mas é um palpite leviano. Quem sou eu pra julgar.

Editado: no Blog do Link, o Rafael postou uma dica imperdível – o Kimberlizer. Trata-se de um site que te dá a oportunidade de ver como você ficaria se quisesse tatuar 1, 2 ou 3 estrelas estrelas na cara, IGUAL À KIMBERLEY! UHU! Clica aqui pra ler sobre a idéia genial. É por isso que eu adoro a internet. Eu escolhi 3 ESTRELAS. VEJA COMO FIQUEI INCRÍVEL!

eu_kimberlized


*Esse seria o típico post pro Piada Pronta, meu outro blog, o da MTV. Mas tenho tanta ideia separada pra lá e essa história era tão boa que deixei pra cá. Ou seja, vou continuar tocando os dois paralelamente que tá tudo certo. Peace out.

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Sinais gráficos que as pessoas não sabem usar

O fato é que as pessoas não sabem usar aspas. Eu já discuti isso com algumas pessoas porque é um assunto que passa batido pela maioria delas e, quando você encontra alguém que “também” fica “indignado” com quem usa “aspas” pra “enfatizar”, bate um sentimento forte de “identificação” com o “outro” e de “não-estou-sozinho-nesse-mundo”.

Até porque a utilização inadequada de aspas em lugares desnecessários é capaz de gerar estranhos efeitos cômicos. Aspas serve pra duas coisas – destacar um conteúdo que está sendo reproduzido literalmente da boca de outro indivíduo que não o autor do texto ou denotar que a palavra que você está usando, no contexto, não apresenta significado literal.

Cuidado: cão bravo

Isso significa que essas placas que a gente vê direto por aí, nas quais a gente vê aspas como se fosse vírgula, acabam não significando nada. Se o “Cão Bravo” está entre aspas, você parece um idiota escrevendo isso numa placa, porque parece estar reproduzindo algo que alguém disse. E se você colocar aspas só no “Bravo”, vai parecer que 1. ou você foi irônico e seu cão é dócil ou 2. ou “bravo” é seu eufemismo para dizer que seu cachorro é absolutamente sanguinário.

Conclusão: aspas não se aplicam em nenhum dos dois casos.

Ok. Daí alguém – alguém foda, alguém muito esperto – teve a idéia de fazer um blog só sobre placas que usam aspas de maneira indevida. Vi lá no blog do Matias, e fiquei pensando que o Unnecessary Quotes é uma daquelas idéias que eu gostaria de ter tido, como o Coma com os olhos.

Felizmente, essa idéia que eu não tive antes me inspirou a colocar em prática outra que eu já tenho há tempos – um blog com prints e fotos de uso indevido de outro sinal gráfico profundamente injustiçado no uso cotidiano da língua portuguesa, o apóstrofo (cujo endereço ainda não sei qual será, porque “apostrofosdesnecessarios.com” seria o maior FAIL da história das URLs que queriam ser fáceis e diretas*)

O apóstrofo, por definição, já é um sinal gráfico um pouco incompleto. Ele é praticamente uma vírgula de cabeça pra baixo ou, se você preferir, um acento agudo sem letra embaixo, o que é bem triste, se você considerar que ele já é um acento, que é uma função secundária no idioma (pelo menos alguns níveis abaixo das letras na hierarquia alfabética, até onde eu sei)

Mas depois que dar nome de bar com apóstrofo no final virou moda, a coisa degringolou de uma maneira assustadora e o apóstrofo, outrora apenas um sinal gráfico solitário, incompleto e que servia – veja você, que ironia – para substituir qualquer letra faltante em uma palavra (tipo Rock and Roll, que vira Rock’n'roll), como o coringa de um baralho, se alastrou como peste nos nomes de lugares por esse Brasilzão. Ele teve seus momentos de glória, mas durou pouco.

Apesar de muito usado, o apóstrofo sempre foi mal compreendido. Agora estamos rodeados por Bar do Johnny’s e Bar do Zé’s, o que nem é tão condenável, afinal nem João e nem José têm obrigação de usar corretamente o possessivo num idioma estrangeiro. Assustador MESMO é ver professor escrevendo “CD’s” e “DVD’s” na lousa da faculdade, e isso eu já vi várias vezes.

Repita comigo, amigo. Plural em inglês é igual a plural em português – você coloca o “s” e pronto, pode ficar feliz pois terá multiplicado seu substantivo por vários sem nenhuma dificuldade. É quase mágica. O apóstrofo não entra no plural, ele tem outra função. Você NUNCA vai comprar CD’s, nem DVD’s, nem digitar URL’s, muito menos baixar MP3′s, sendo todos eles uma sigla ou não. Você pode até ter AID’s, que com essas coisas não se brinca. Mas tira o apóstrofo. Vai ser muito mais digno.

Eu sei que fica mais bonito, parece estiloso, algo meio “dos EUA”. Mas tá errado. Te garanto’s.

(Se alguém tiver uma idéia “legal” para o nome do blog, por favor, me avise nos “comentário’s”)


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Narguilé, 100 cigarros e a malandragem juvenil

Tudo começou em 2001, com a novela O Clone.

Stênio Garcia como Tio Ali, de O Clone

Tio Ali, entre uma e outra demonstração de habilidade na dança típica muçulmana, quando precisava meditar e tomar suas sábias e difíceis decisões, fazia uso de um cachimbo colorido, cheio de tentáculos, com um compartimento pra água e que podia ser compartilhado por várias pessoas.

narguile

A praga se alastrou de uma maneira imprevisível e ainda hoje qualquer bar descolado que se preze tem Narguilés disponíveis para os clientes. Você põe lá um fuminho aromatizado gostosinho e fica pitando aquele negócio na mesa do bar, o que não serve pra NADA além de fazer você parecer legal. NOT

Como o narguilé não fede como o cigarro e parece muito mais bonito e saudável, isso aí virou febre entre a molecada. Não tem o estigma do tabaco, então os estabelecimentos não se importavam em deixar qualquer turma de 15 anos fumar isso na mesa. Ok, como se deixassem de vender cigarros pra pessoas dessa idade. Mas enfim – o uso do Narguilé, por causa da ignorância e do aspecto ‘glamuroso’ e ‘cultural’ da coisa, não chegava a ser condenado pelos pais como eles fariam se apanhassem o filho com um Marlboro na boca.

Ledo engano. Lembro que quando isso aí virou febre li um artigo do Dráuzio Varella explicando que uma sessão de fumo de Narguilé, que costuma durar bastante tempo (cerca de uma hora) pode equivaler a 100 cigarros. No mesmo artigo, o médico explicava também que aqueles cigarros aromatizados, com cheiro (horrível) de canela, cravo, menta e chocolate, que também são sensação entre os jovens, são muito mais prejudiciais pro pulmão do que os cigarros convencionais.

Nunca mais achei o texto e a coisa acabou como lenda urbana. Via amigos que condenavam o uso do tabaco se acabando no Narguilé só porque tinha gostinho bom. Ninguém acreditava quando eu dizia que o negócio era perigoso – ao menos, tão perigoso quando cinco maços de cigarro.

Mas na última semana, um estudo divulgado pela UnB (e repercurtido inclusive na capa do JT) trouxe de novo à tona o que eu vinha dizendo todo esse tempo: uma sessão comum de Narguilé equivale a inalar a mesma quantidade de substâncias tóxicas presentes em 100 cigarros. Em uma hora.

Mas eu não falei tudo isso pra dar lição de moral em ninguém. Eu só disse tudo isso por dois motivos. O primeiro é pra informar o possível usuário frequente desse cachimbo doido, que não sabia que ele fazia tão mal, que seu pulmão vai virar uma esponja e que, ao contrário do que se pensa, o fumo aromatizado usado no Narguilé tem sim nicotina e vicia.

O segundo motivo é o seguinte: na sexta feira, eu vi um babaca de uns 16 anos, desses sem barba na cara e que sempre andam em bando, com um Narguilé na rua.

Na rua. O moleque tava andando na rua com um bando de amigos, sexta à noite, a rua mais movimentada da cidade… sabe, quando você tá decidindo se vai entrar em algum lugar e qual vai ser… e o idiota tava carregando um negócio desse, gigante, na mão. Fumando enquanto caminhava, ele e os colega. Claramente, eles achavam isso muito legal.

Eu não consegui tirar foto e nem conheço o cara. Mas tô fazendo esse post na esperança de que um dia ele busque alguma informação sobre Narguilé no Google e caia aqui, pra que eu possa lhe informar do seguinte: cinco maços de cigarros são portáteis, podem facilmente ser guardados no bolso e aparentemente seu uso é bem mais prático se você estiver na rua, em movimento. Acho que, inclusive, o cigarro nesse formato foi criado justamente no intuito de ser portátil e prático de ser levado para qualquer lugar. Ou você via o Tio Ali saindo pelas ruas do Marrocos com um cachimbo de vidro de 40cm de altura nas mãos? Não via, né? Até porque ele precisava ter as mãos livres pra fazer aquela dança maluca.

Quer ser malandro? Ao menos não pareça babaca – seja macho. Compre 5 maços de cigarro e fume-os em uma hora.

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Lei de Gerson marcando presença em Santa Catarina

Outro dia, estava no carro com a minha vó, que tem quase 70 anos e dirige. Estávamos numa via bem esburacada, chovia e o tráfego estava intenso. Por todos esses motivos, minha vó dirigia a uns 50 km/h, numa via cujo limite era 60 km/h. Mas tinha um carro pressionando a ultrapassagem atrás. Ela deu espaço e ele passou, xingando minha avó, que respondeu com um gesto levantando o braço (algo do tipo ‘ah vá, passa logo’).

O rapaz dirigia um Uno azul escuro. Tinha cara de trabalhar com informática, não sei muito bem o porquê. Usava óculos, tinha um cavanhaque e parecia ser uma pessoa normal, embora a gente tenha essa mania besta de achar que consegue dizer se as pessoas são boas ou ruins só de olhar.

Daí que o moço do Uno deve ter se sentido ultrajado pelo gesto da minha vó, mandando que ele ultrapassasse logo. ‘Imagina’, deve ter pensado. ‘Essa velhinha não vai fazer um gesto desse, tão ofensivo, para mim’. E daí ele jogou o carro na pista da frente da minha vó e freou com tudo, para que ela batesse na traseira dele.

Ela conseguiu desviar para a direita, mas ele a acompanhou na mudança de pista. Quando ela tentou voltar pra esquerda, foi fechada por ele.

Tudo isso aconteceu muito rápido, mas como a coisa já estava ficando perigosa, acalmei minha vó, pedi que ela reduzisse a velocidade e deixasse o maluco ir embora.

Imagine este senhor, todo faceiro, se sentindo bem depois deste ato digno de um rato. Imagine-o pensando ‘nossa, sou muito sacana. Sacaneei uma velhinha!’ Agora, tente entender como um senhor desse é capaz de encontrar com sua mãe, sua avó ou mesmo dormir à noite sem um pingo de culpa. Será que ele se vangloria disso para os amigos?

O mistério nunca foi solucionado por mim, mas o caso abaixo me lembra que não existe só esse rapaz com a habilidade de deitar a cabeça no travesseiro depois de ser absolutamente covarde.

COMO alguém pode dormir com esse barulho na cabeça? O governo tem dito que são casos isolados, mas tenho lido relatos por todos os lados, vide o post do Morróida.

Será que eles também comemoram a malandragem? Se orgulham de serem tão, tão espertos?

O que mais me choca é exatamente o fato de não ser algo isolado. Como tanta gente pode ser tão escrota ao mesmo tempo?

Bom, algumas famílias de Santa Catarina terão um gordo Natal. Outras não. Mas as coisas nunca foram muito bem distribuídas nesse país mesmo, né?

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Universiotários!

O mundo tá tão de ponta cabeça que a sociedade foi capaz de subverter inclusive a semântica inclusa no termo ‘universitário’.

‘Universitário’ era pra ser um termo que denotava juventude, educação, inteligência, construção e luta por ideais e tudo que a gente deveria associar a um ambiente como uma universidade – o ‘academicismo’ incluso aí.

Mas como a faculdade não passa de uma desculpa para tomar cerveja e jogar truco, ‘universitário’ foi adquirindo um significado todo novo, muito adequado às novas condições do universitário babaca padrão do país.

Primeiro que a palavra ‘universitário’ é acrescentada a qualquer estilo musical babaca que atingir os jovens babacas de classe média. Se for babaca, se tiver mulher e cerveja, bah, é universitário. Tem o forró universitário, o pagode universitário (ou NEOPAGODE, hahaha), o sertanejo universitário e dizem que até a new rave universitária.

Acompanhadas dos gêneros, vêm as festas babacas – micaretas e raves heterodoxas acompanhada do fabuloso adjetivo. A vantagem disso é a rápida identificação de um lugar indesejável – se tiver ‘universitário’ no nome, pelo menos já dá pra saber que é um lugar que você não gostaria de ir.

Para coroar, lembra do Show do Milhão? Dava até vergonha quando o Silvio chamava os tais ‘universitários’ para ajudar. Os caras não sabiam nada, demoravam um puta tempo para decidir e a maioria seguia o palpite do primeiro a opinar.

Tem as ‘contas universitárias’ no banco, ilusões que prometem alto crédito e menores taxas mas não passam de uma doutrinação precoce para o mundo das taxas bancárias. E as propagandas mostram jovens – hum, babacas, mas que depositam seu dinheiro no Banco ****.

Deve ser por isso que aquela propaganda que diz ‘não é melhor escolher uma faculdade pelo conteúdo que ela oferece?’ existe. Porque OI, isso não deveria ser óbvio? E agora tem uma propaganda pra dar a dica e tudo.

Tudo que vem acompanhado do termo ‘universitário’ hoje é dispensável. Ok, talvez o cursinho universitário seja a excessão.

E eu não tô dizendo que universitários não possam ser babacas se divertir, só acho que o equilibrio é a chave para o sucesso. Os 100% de babaquice festeira, pela qual os universitários são caracterizados, são tão ruins quanto uma possível 100% nerdice. Mas na faculdade não existem nerds, então…

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