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Na Suécia, pais se recusam a revelar o gênero do/a filho/a

Acho interessante que alguns pais optem por não saber o sexo da criança antes do nascimento. A gente vive numa era de ansiedades. Não conheço nenhum casal que tenha feito isso nos últimos tempos e essa expectativa, que era bem comum antes da evolução da medicina, ninguém mais sabe direito como é. Quando a criança nasce, ela já tem nome, quarto da cor certa, enxoval e um monte de planos – se for menina vai fazer balé, tocar piano e usar aquele vestido amarelinho. Se for menino será São Paulino, vai gostar de Motorhead e ser advogado como o pai. Bleh.

Mas tudo que é demais é exagero. Tipos que tem um casal na Suécia (eta país maluco, sempre eles) que não revela o sexo do filho/a de dois anos e meio, nem pra ninguém, nem pra criança. E não a/o caracteriza de forma nenhuma, nem com pronome, nem com roupa e nem com o nome.

Eles chamam a criança de Pop.

pop

Isso é Pop.

Pop. Pop. Pop.

Quando POP começar a ir pra escola, eu não consigo entender se POP será zuado por se chamar POP ou por não ser, aos olhos dos outros coleguinhas, nem menininho nem menininha.

Além da grande sacanagem de fazer isso com uma criança sem pensar nas possíveis consequências (mal posso esperar pra descobrir se POP será assexuado, homossexual, transgênero ou vai só mudar de nome mesmo – PRA PUNK, HAHAHAHAHAH), os pais escolheram um nome altamente infeliz pra dar pra essa criança. POP não é nada. Parece a onomatopéia de alguém abrindo uma garrafa de champanhe. É sonoro, divertido, mas ninguém pode se chamar POP.

Entendo a necessidade de dar um nome de duplo gênero, né. Não dá pra esconder o sexo da criança se você chamá-la de Camila. Mas tem outras opções de nomes que servem tanto pra homem quanto pra mulher. Tipo… Allison. Yumi. Nadir. Há quem juraria que Nadir é nome de mulher, mas esse é controverso, então entra na lista. Outro controverso: Lucimar. Ainda assim, o mais adequado seria algo como José Maria / Maria José, contanto que os pais alternassem o uso do primeiro e do segundo nome pra chamar a criança.

Os pais dizem que estão fazendo isso para que POP (pfff) cresça com liberdade, sem ser forçado a nenhum gênero. Bonito. Pra mim, soa mais como uma experiência antropológica cruel, uma mistura de Mengele com Mogli, o menino lobo, e tudo isso com seu próprio filho. Repito – não dá pra prever as consequências de algo assim pra uma criança. Mas a certa altura, quando ela começa a identificar que é diferente, de alguma forma, de outras crianças, deve sim se tornar perturbador.

Na matéria que eu linkei, uma pediatra sueca diz que não sabe como isso afetará a criança, mas que certamente ela será ‘diferente’. Os pais querem que ela seja diferente? Se eles estão forçando essa diferença, então pra mim não há a ‘liberdade’ de que eles falam. Não é natural.

É como um Bonsai – parece natural e bonitinho, e a gente fica maravilhado com a magia da natureza. Mas na boa, você colocou uma semente de árvore dentro de um potinho. A natureza não é idiota – o mínimo que ela pode fazer é perceber isso e crescer pouquinho. Mas se ele pudesse, cresceria muito mais. Aliás, é isso que ela faria em condições normais.

bonsai
Meu próximo Bonsai se chamará POP.

Os pais dizem que só vão revelar o sexo de POP quando ele ou ela quiser. O que vai acontecer, hum, digamos, amanhã. Quero dizer, assim que POP perceber que não tá de rosa nem de azul, e as outras crianças tão, ela vai perguntar isso pros pais. Mistério FAIL.

E esse papo de dar liberdade à criança não faz sentido. O único jeito de fazer isso sem ser forçado ou prejudicá-la seria se mudar pro meio do mato e se isolar do contato com o resto da sociedade.

Eu não chamaria de ‘liberdade’ vesti-la com roupas unissex, chamá-la por um nome que, além de ser um palíndromo, é onomatopéico e tão emblemático (imagina como ele/ela se sentiu quando o Michael Jackson morreu semana passada) e subverter totalmente tudo aquilo que ele/a inevitavelmente terá contato. Isso só pode transformá-lo/a numa criança perturbada. Aliás, falando em Michael Jackson, até dá pra supôr o resultado da criação hetedoroxa de POP.

(dica do Brunão)

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As pessoas estão aspirando vodca pelo nariz por aí

Algumas coisas não precisam ser provadas cientificamente pra serem verdade. Eu, como jornalista, e os amigos acadêmicos que acá frequentam, sei que estamos acostumados e buscar as fontes e a credibilidades delas todas as vezes que lemos uma generalização ou algo assim.

Mas tem uma verdade inegável sobre o ser humano, essa incapaz de ser comprovada assim, ipsis literis, por qualquer pesquisa científica – a gente é estúpido pra caramba.

Não que eu esteja reclamando. Se você reparar, boa parte dos textos desse blog só existe por causa dessas pessoas estúpidas. Mas poucas delas chegaram a esse nível de babaquice, ao nível de tomar vodca pelo nariz.

Vodca pelo nariz: mania nas baladas européias chega ao Brasil

Eu não gosto de beber por dois motivos – não aprecio o gosto da bebida e meu estômago embrulha muito rápido quando em contato com o álcool. Mas gosto de ficar bêbada eventualmente. Logo, a solução é apelar para drinks fortes, cujo efeito é sentido em poucas doses. Assim, eu me torturo menos. Tequila é a opção que eu mais aprecio.

Mas CHEIRAR VODCA? É o cúmulo da malandragem hipster descolada unida a sei lá o quê. Não sei o que é, é muita decadência. Eu entendo perfeitamente porque essas bandas tipo o Jonas Brothers, que pregam os valores da família, fazem sucesso. É que a nossa geração virou escrava da própria liberdade. De tanto poder fazer tudo, a gente chegou num ponto em que nada mais surpreende, nada mais é tabu, mais nenhuma sensação é suficiente, o vazio tá sempre lá. E como a geração seguinte vem pra quebrar o que a anterior fez, algum marketeiro percebeu isso e lançou três meninos que, indo contra a corrente, defendem a virgindade até o casamento. Esperto.

Já vi nego fumando fósforo, orégano, casca de banana só pra ver se dava barato (é sério). Devia ter suspeitado que iam chegar a cheirar vodca. Eu sou a favor da alegria baiana de viver, sabe? Quer fumar, fuma. Quer beber, bebe. Quer cheirar, cheira. Mas veja bem, até o ditado separa as coisas direitinho – “quer beber, bebe”, e não “quer beber, cheira”.

Cheirar vodca deve ser horrível. Imagino que é algo como se afogar em álcool. Se você, quanto arrota Coca-Cola, já fica com o nariz ardendo, imagina sentir VODCA passando pelas vias respiratórias e descendo pelo pulmão? E tudo isso porque você fica bêbado mais rápido? Não tem nenhum outro benefício. Basta começar a beber antes e pronto, você tem o mesmo efeito do jeito convencional.

É como se você tivesse com dor de cabeça, eu te desse uma aspirina e você enfiasse na bunda dizendo que a absorção pela membrana anal é mais rápida. Ok, MAS SERÁ QUE COMPENSA?

Pense nisso.

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Sinais gráficos que as pessoas não sabem usar

O fato é que as pessoas não sabem usar aspas. Eu já discuti isso com algumas pessoas porque é um assunto que passa batido pela maioria delas e, quando você encontra alguém que “também” fica “indignado” com quem usa “aspas” pra “enfatizar”, bate um sentimento forte de “identificação” com o “outro” e de “não-estou-sozinho-nesse-mundo”.

Até porque a utilização inadequada de aspas em lugares desnecessários é capaz de gerar estranhos efeitos cômicos. Aspas serve pra duas coisas – destacar um conteúdo que está sendo reproduzido literalmente da boca de outro indivíduo que não o autor do texto ou denotar que a palavra que você está usando, no contexto, não apresenta significado literal.

Cuidado: cão bravo

Isso significa que essas placas que a gente vê direto por aí, nas quais a gente vê aspas como se fosse vírgula, acabam não significando nada. Se o “Cão Bravo” está entre aspas, você parece um idiota escrevendo isso numa placa, porque parece estar reproduzindo algo que alguém disse. E se você colocar aspas só no “Bravo”, vai parecer que 1. ou você foi irônico e seu cão é dócil ou 2. ou “bravo” é seu eufemismo para dizer que seu cachorro é absolutamente sanguinário.

Conclusão: aspas não se aplicam em nenhum dos dois casos.

Ok. Daí alguém – alguém foda, alguém muito esperto – teve a idéia de fazer um blog só sobre placas que usam aspas de maneira indevida. Vi lá no blog do Matias, e fiquei pensando que o Unnecessary Quotes é uma daquelas idéias que eu gostaria de ter tido, como o Coma com os olhos.

Felizmente, essa idéia que eu não tive antes me inspirou a colocar em prática outra que eu já tenho há tempos – um blog com prints e fotos de uso indevido de outro sinal gráfico profundamente injustiçado no uso cotidiano da língua portuguesa, o apóstrofo (cujo endereço ainda não sei qual será, porque “apostrofosdesnecessarios.com” seria o maior FAIL da história das URLs que queriam ser fáceis e diretas*)

O apóstrofo, por definição, já é um sinal gráfico um pouco incompleto. Ele é praticamente uma vírgula de cabeça pra baixo ou, se você preferir, um acento agudo sem letra embaixo, o que é bem triste, se você considerar que ele já é um acento, que é uma função secundária no idioma (pelo menos alguns níveis abaixo das letras na hierarquia alfabética, até onde eu sei)

Mas depois que dar nome de bar com apóstrofo no final virou moda, a coisa degringolou de uma maneira assustadora e o apóstrofo, outrora apenas um sinal gráfico solitário, incompleto e que servia – veja você, que ironia – para substituir qualquer letra faltante em uma palavra (tipo Rock and Roll, que vira Rock’n'roll), como o coringa de um baralho, se alastrou como peste nos nomes de lugares por esse Brasilzão. Ele teve seus momentos de glória, mas durou pouco.

Apesar de muito usado, o apóstrofo sempre foi mal compreendido. Agora estamos rodeados por Bar do Johnny’s e Bar do Zé’s, o que nem é tão condenável, afinal nem João e nem José têm obrigação de usar corretamente o possessivo num idioma estrangeiro. Assustador MESMO é ver professor escrevendo “CD’s” e “DVD’s” na lousa da faculdade, e isso eu já vi várias vezes.

Repita comigo, amigo. Plural em inglês é igual a plural em português – você coloca o “s” e pronto, pode ficar feliz pois terá multiplicado seu substantivo por vários sem nenhuma dificuldade. É quase mágica. O apóstrofo não entra no plural, ele tem outra função. Você NUNCA vai comprar CD’s, nem DVD’s, nem digitar URL’s, muito menos baixar MP3′s, sendo todos eles uma sigla ou não. Você pode até ter AID’s, que com essas coisas não se brinca. Mas tira o apóstrofo. Vai ser muito mais digno.

Eu sei que fica mais bonito, parece estiloso, algo meio “dos EUA”. Mas tá errado. Te garanto’s.

(Se alguém tiver uma idéia “legal” para o nome do blog, por favor, me avise nos “comentário’s”)


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Narguilé, 100 cigarros e a malandragem juvenil

Tudo começou em 2001, com a novela O Clone.

Stênio Garcia como Tio Ali, de O Clone

Tio Ali, entre uma e outra demonstração de habilidade na dança típica muçulmana, quando precisava meditar e tomar suas sábias e difíceis decisões, fazia uso de um cachimbo colorido, cheio de tentáculos, com um compartimento pra água e que podia ser compartilhado por várias pessoas.

narguile

A praga se alastrou de uma maneira imprevisível e ainda hoje qualquer bar descolado que se preze tem Narguilés disponíveis para os clientes. Você põe lá um fuminho aromatizado gostosinho e fica pitando aquele negócio na mesa do bar, o que não serve pra NADA além de fazer você parecer legal. NOT

Como o narguilé não fede como o cigarro e parece muito mais bonito e saudável, isso aí virou febre entre a molecada. Não tem o estigma do tabaco, então os estabelecimentos não se importavam em deixar qualquer turma de 15 anos fumar isso na mesa. Ok, como se deixassem de vender cigarros pra pessoas dessa idade. Mas enfim – o uso do Narguilé, por causa da ignorância e do aspecto ‘glamuroso’ e ‘cultural’ da coisa, não chegava a ser condenado pelos pais como eles fariam se apanhassem o filho com um Marlboro na boca.

Ledo engano. Lembro que quando isso aí virou febre li um artigo do Dráuzio Varella explicando que uma sessão de fumo de Narguilé, que costuma durar bastante tempo (cerca de uma hora) pode equivaler a 100 cigarros. No mesmo artigo, o médico explicava também que aqueles cigarros aromatizados, com cheiro (horrível) de canela, cravo, menta e chocolate, que também são sensação entre os jovens, são muito mais prejudiciais pro pulmão do que os cigarros convencionais.

Nunca mais achei o texto e a coisa acabou como lenda urbana. Via amigos que condenavam o uso do tabaco se acabando no Narguilé só porque tinha gostinho bom. Ninguém acreditava quando eu dizia que o negócio era perigoso – ao menos, tão perigoso quando cinco maços de cigarro.

Mas na última semana, um estudo divulgado pela UnB (e repercurtido inclusive na capa do JT) trouxe de novo à tona o que eu vinha dizendo todo esse tempo: uma sessão comum de Narguilé equivale a inalar a mesma quantidade de substâncias tóxicas presentes em 100 cigarros. Em uma hora.

Mas eu não falei tudo isso pra dar lição de moral em ninguém. Eu só disse tudo isso por dois motivos. O primeiro é pra informar o possível usuário frequente desse cachimbo doido, que não sabia que ele fazia tão mal, que seu pulmão vai virar uma esponja e que, ao contrário do que se pensa, o fumo aromatizado usado no Narguilé tem sim nicotina e vicia.

O segundo motivo é o seguinte: na sexta feira, eu vi um babaca de uns 16 anos, desses sem barba na cara e que sempre andam em bando, com um Narguilé na rua.

Na rua. O moleque tava andando na rua com um bando de amigos, sexta à noite, a rua mais movimentada da cidade… sabe, quando você tá decidindo se vai entrar em algum lugar e qual vai ser… e o idiota tava carregando um negócio desse, gigante, na mão. Fumando enquanto caminhava, ele e os colega. Claramente, eles achavam isso muito legal.

Eu não consegui tirar foto e nem conheço o cara. Mas tô fazendo esse post na esperança de que um dia ele busque alguma informação sobre Narguilé no Google e caia aqui, pra que eu possa lhe informar do seguinte: cinco maços de cigarros são portáteis, podem facilmente ser guardados no bolso e aparentemente seu uso é bem mais prático se você estiver na rua, em movimento. Acho que, inclusive, o cigarro nesse formato foi criado justamente no intuito de ser portátil e prático de ser levado para qualquer lugar. Ou você via o Tio Ali saindo pelas ruas do Marrocos com um cachimbo de vidro de 40cm de altura nas mãos? Não via, né? Até porque ele precisava ter as mãos livres pra fazer aquela dança maluca.

Quer ser malandro? Ao menos não pareça babaca – seja macho. Compre 5 maços de cigarro e fume-os em uma hora.

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Microsoft Songsmith é o programa mais engraçado da história

Você chama um programa gratuito de Freeware. Um software daqueles que você testa por 30 dias e depois precisa adquirir a versão original é chamado de Shareware. Mas a Microsoft, com a criação do Microsoft Songsmith, inaugurou uma nova categoria de software: FAILware.

Microsoft Songsmith

O Songsmith é o melhor amigo do letrista solitário, que não é bom em compôr melodias. Basta cantar sua letra criativa sobre uma base de bateria que o programa disponibiliza, setar algumas preferências e – voilà – você tem sua própria música personalizada pessoalmente por você mesmo! E feita POR UM COMPUTADOR! De maneira intuitiva, prática, barata e indolor!

UAU! Mas isso é fantástico!

Na teoria. Pois veja os resultados com músicas de verdade (só pra ter uma idéia de como o programa é bom em detectar a melodia ideal para a letra que você criou):

Um clássico do mambo… quase não se nota a diferença: The Police, com Roxanne

Pérola do britpop convertida num cancan maluco:  Don’t Look Back in Anger, do Oasis

E fica pior: nego musicou até discurso do Obama, que aliás ficou de uma simpatia e alegria indescritíveis.

Como se a coisa não pudesse ser tão bizarra, a Microsoft vem e lança o produto com esse fantástico comercial, no qual a protagonista usa um Macbook (é sério). E puta merda, se você não viu nenhum dos vídeos acima, garanto que ao menos esse aqui vale cada um de deus 4 minutos:

O YouTube tem mais um monte experiências que corroboram para o FAILware da Microsoft que foi batizado de Songsmith. Dá uma olhada, é engraçado. Depois, faça o download da versão trial do FAILSmith (só vale por 6 horas, mas também, quem ia querer usá-lo mais do que isso) no site oficial e compartilhe conosco suas FAILsongs.

(Vi aqui. E depois aqui, com versões em MP3 pra download. E aqui, em seguida.)

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Alucinando sem drogas: técnicas estúpidas e não tão estúpidas

Sabe esses papos místicos de que a gente só usa uma porcentagem pequena do cérebro, e que o potencial do ser humano é ilimitado, O Segredo e todas essas baboseiras?

Pode ser tudo mentira pra vender livro, é verdade. Mas que nossa cabeça tem umas peculiaridades desconhecidas, isso é inegável. Uma grande prova disso, por exemplo, é o efeito placebo. Ou então, a possibilidade de provocar efeitos semelhantes ao de drogas apenas com exercícios de meditação ou respiração. É que o cérebro mesmo sintetiza muitas substâncias que são fundamentais pro nosso corpo e ao mesmo tempo têm a estrutura molecular muito semelhante a alguns alucinógenos.

Quando eu era mais nova, tinha uns amigos muito idiotas que faziam uma parada meio perigosa mas que, segundo eles, dava um barato. Uma mistura de respiração rápida com pressão contra a artéria que leva sangue ao cérebro e um movimento brusco fazia com que eles tivessem umas tonturas.

Eu nunca entendi porque alguém deliberadamente privaria seu cérebro de oxigênio só pra se sentir levemente quase desmaiando (e pior, achasse isso legal), mas já que essas pessoas existem, compilei um guia de atividades lícitas e perfeitamente legais que são capazes de te fazer atingir algum grau de… grau, como se diz por aqui. Algumas são idiotas e servem para mostrar que tem gente capaz de tudo no mundo; outras são saudáveis e podem ser aplicadas no dia-a-dia.

Não testei todos os métodos e e não me responsabilizo pelos resultados atingidos com nenhum deles, nem incentivo que qualquer pessoa faça essas coisas. Os textos são relatos de experiências que eu li em sites ou que eu sei que os jovens costumam colocar em prática em busca de estados alterados de consciência, mas não incentivam nada, o que é perceptível pelos adjetivos carinhosos que uso ao me referir aos praticantes de certas técnicas.

I-Doser e similares

I-doser

Esse é famoso. Programas como Brainwave e I-Doser prometem regular sua frequência cerebral e colocá-lo, através de ruídos incompreensíveis, em um estado de consciência semelhante ao provocado pelo uso de várias drogas. Eles também oferecem doses que prometem sensações genéricas, desassociadas de drogas, tipo ‘sonho lúcido’, ‘criatividade’ e coisas assim.

Como? Basta ter um computador (ou iPhone/iPod Touch) e baixar os softwares, normalmente pagos.

Funciona? Não comigo, mas tem gente que jura que sim. Mas garanto que serve se você tiver insônia, porque o chiado dá um sono do cacete. É tipo assistir a TV quando ela tá cheia de chuviscos. O barulhinho é bom pra dormir.

Tampe a respiração e quase morra

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Esse link, do rizoma.net, é antigo e inspirou o post (há muito tempo, mas venho adiando). E nele há, entre outras, uma técnica estúpida e aparentemente efetiva de sentir os mesmos efeitos de delirantes como o Absinto, a Beladona e o Lírio. De acordo com o autor, “se você tem qualquer problema psíquico, respiratório ou circulatório, não faça, jamais, uso desta técnica.”

Como? Sente-se num lugar confortável, de preferência uma cama, em que você possa cair sem se machucar. Mantenha a mente vazia e tampe a respiração, a boca, as narinas. Tampe. E siga tampando. E tampando. E tampando. Até quase sufocar, daí você solta. E cai.

Funciona? Porra, sei lá. Jamais tentaria uma idiotice dessas – sei o que é ter falta de ar, sofria de brônquite quando era criança e acho que seria meio idiota provocar deliberadamente algo com que sofri tanto no passado. Mas seguindo a linha de que, po, seu cérebro ficará desoxigenado, deve funcionar. Não sem o risco de que você fique permanentemente retardado no processo.

A técnica mista do ápice da cretinice

ihihi

Procurei ‘cretino’ no Google e achei isso

Não saberia nomear de outro jeito. Combinando a falta de ar com o movimento brusco (que provoca tontura) e a privação de sangue pro cérebro, as pessoas dizem sentir barato. Mas pode sair caro: já vi estúpidos desmaiando e há lendas de gente que ficou com sequelas permanentes.

Como? Meus amigos faziam assim: agaixados, de cócoras, forçavam por uns 30 segundos uma respiração curta e ofegante. Daí pediam pra alguém pressionar um pouco aquela veia que sobe pelo pescoço e leva sangue pro cérebro, e no fim disso se levantavam rapidamente.

Funciona? Se por ‘funciona’ você entende ‘te priva de sangue e oxigênio do cérebro e pode te causar coma’, então sim.

Alucinando com bolas de ping-pong nos olhos

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Genial. Vi aqui. Usando um rádio quebrado, uma cama confortável, fita adesiva e duas bolinhas de ping-pong, alguns malucos juram que você vai ser capaz de ver cavalos voadores.

Como? Deite-se confortavelmente e coloque o rádio numa estação que não funciona (ou seja, improvise o i-Doser). Ouvindo os chiados, grude com fita adesiva as duas bolas de ping-pong nos seus olhos (isso. É, isso mesmo.) Você deve começar a sentir as distorções sensoriais em minutos. As alucinações seriam tanto auditivas quanto visuais.

Funciona? Não sei, mas o Boston Globe parece confiável. É mais provável que eu esteja te zuando, pra que você seja pego por alguém ouvindo um chiado no rádio e com duas bolinhas de ping-pong grudadas no olho, uma situação tão constrangedora que é provavelmente mais difícil de de explicar do que se você fosse pego usando drogas. Então boa sorte.

Tenha um problema no estômago e faça uma endoscopia

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Eu fiz endoscopia e vi a luz. Vi a luz, ouvi vozes ao longe, fiquei num estado entre o sonho e a realidade e tive visões reais dos soldados da corte inglesa. Não sei que anestesia eles dão pra desacordar o paciente e não consegui descobrir no Google, mas foi divertido. E esse item foge à regra, porque você usa sim uma droga pra ficar daquele jeito – mas eu resolvi colocar, porque é provavelmente a única vez em que um médico vai me receitar algo que me leve até os soldados da corte inglesa.

Como? Acho que a maioria das pessoas hoje tem problemas no estômago, né? Todo mundo come tanta tranqueira… basicamente, é só ter uma endoscopia receitada pelo seu gastroenterologista de confiança.

Funciona? O quê, a endoscopia? Sim, detectaram com sucesso uma gastrite leve. O efeito-brisa? Funciona, certamente. Ma tem gente que capota e não lembra de nada. E você dorme umas 15 horas depois disso. E não consegue andar, dirigir e nem fazer nada. Na verdade, é uma sensação meio lobotômica…

Meditação, yoga e essas coisas

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Finalmente uma técnica saudável e recomendável. Esvaziar a cabeça e se deixar levar para o estado alpha deve ser a maneira mais bonita e saudável de expandir sua consciência. Você fica mais criativo, sensível e calmo. Contribui para a fixação do aprendizado no dia-a-dia, faz com que você lide melhor com as pessoas e situações do dia-a-dia e te torna uma pessoa melhor.

Como? Existem várias técnicas. Eu faço esvaziando a cabeça, usando música calma, incenso, posição confortável (de preferência em lótus, porque alinha os chakras) e alguma disciplina e concentração (muita, pra uma pessoa hiperativa como eu). O desafio está em não dormir e manter-se nesse estado intermediário sem passar para o outro lado (o do sono definitivo).

Funciona? Sim! É como quando você fica meio desperto e meio cochilando, mas não está fazendo nenhum dos dois. É um estado mental leve e etéreo, e normalmente desperta idéias criativas e insights divertidos, além de recarregar as energias de um dia estressante com facilidade.

Outras dicas

Usei como fonte de pesquisa e inspiração pra esse post principalmente esse link, já mencionado, no Rizoma.net, e o link ‘Hackeando seu cérebro’, do Boston Globe. Eles trazem outras dicas de respiração e ilusões de ótica que enganam o cérebro e trazem sensações bizarras sem o uso de drogas e sem a possibilidade de ter que vender a TV de casa para pagar o traficante.

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Universiotários!

O mundo tá tão de ponta cabeça que a sociedade foi capaz de subverter inclusive a semântica inclusa no termo ‘universitário’.

‘Universitário’ era pra ser um termo que denotava juventude, educação, inteligência, construção e luta por ideais e tudo que a gente deveria associar a um ambiente como uma universidade – o ‘academicismo’ incluso aí.

Mas como a faculdade não passa de uma desculpa para tomar cerveja e jogar truco, ‘universitário’ foi adquirindo um significado todo novo, muito adequado às novas condições do universitário babaca padrão do país.

Primeiro que a palavra ‘universitário’ é acrescentada a qualquer estilo musical babaca que atingir os jovens babacas de classe média. Se for babaca, se tiver mulher e cerveja, bah, é universitário. Tem o forró universitário, o pagode universitário (ou NEOPAGODE, hahaha), o sertanejo universitário e dizem que até a new rave universitária.

Acompanhadas dos gêneros, vêm as festas babacas – micaretas e raves heterodoxas acompanhada do fabuloso adjetivo. A vantagem disso é a rápida identificação de um lugar indesejável – se tiver ‘universitário’ no nome, pelo menos já dá pra saber que é um lugar que você não gostaria de ir.

Para coroar, lembra do Show do Milhão? Dava até vergonha quando o Silvio chamava os tais ‘universitários’ para ajudar. Os caras não sabiam nada, demoravam um puta tempo para decidir e a maioria seguia o palpite do primeiro a opinar.

Tem as ‘contas universitárias’ no banco, ilusões que prometem alto crédito e menores taxas mas não passam de uma doutrinação precoce para o mundo das taxas bancárias. E as propagandas mostram jovens – hum, babacas, mas que depositam seu dinheiro no Banco ****.

Deve ser por isso que aquela propaganda que diz ‘não é melhor escolher uma faculdade pelo conteúdo que ela oferece?’ existe. Porque OI, isso não deveria ser óbvio? E agora tem uma propaganda pra dar a dica e tudo.

Tudo que vem acompanhado do termo ‘universitário’ hoje é dispensável. Ok, talvez o cursinho universitário seja a excessão.

E eu não tô dizendo que universitários não possam ser babacas se divertir, só acho que o equilibrio é a chave para o sucesso. Os 100% de babaquice festeira, pela qual os universitários são caracterizados, são tão ruins quanto uma possível 100% nerdice. Mas na faculdade não existem nerds, então…

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