15 de outubro de 2008 às 14h48
‘Também sou hype’ é a nova banda indie-eletro que vai te conquistar
É preciso reconhecer uma boa banda quando ela surge. ‘Também sou hype’ é formada por estudantes de moda da FAAP e tem influências de indie rock, eletro e um tiquinho assim, desse tamaninho assim, de carimbó. Legal ver que algumas bandas ainda buscam influências brasileiras na hora de fazer música, especialmente num som tão ‘importado’ que é o eletro e o indie rock.
Confiram um dos sons da ‘Também sou hype’:







Infelizmente, porque nos perdemos, não vi o Supercordas. Cheguei as 19h em ponto, quando o Pato Fú subiu no Main Stage, ao ar livre. Nada contra os mineiros, mas não sou fã nem nada e fui até o Indie Stage pra esperar o Tokyo Police Club, que tocou o primeiro acorde pontualmente às 19h30, como marcado na programação. O show foi intenso, desses pra gritar quando você sabe a letra. Quando eu cheguei não tinha muita gente, mas lá pro meio/fim, olhei pra trás e estava bem lotado. O TPC tocou os hits dos dois EPs (entre eles, que eu lembro, Cheer it On, Citizens of Tomrrow, La Ferrasie, If It Works, Be Good com palminhas e tudo) e cinco músicas novas, mas não passou de um concerto divertido de uma banda que pode ser maior quando tiver um CD, algo mais coeso, pra gente poder opinar. Um bom começo de carreira, ainda assim, com uma parte do público cantando os refrões, gritando os “heys!” (eles têm vários nas músicas) e antecipando as palminhas (também têm várias).
O próximo show que eu veria era o da Lily Allen, no Main Stage, as 22h – o TPC terminou lá pelas 20h30. Fiquei colando meus lambe-lambes nas paredes e conferindo as áreas de chill-out, uns espaços verdes com banquinhos pra sentar e desencanar um pouco, e fui pro palco principal pouco antes do início do show, que começou as 22h em ponto, de novo. Lily é uma graça no palco. Fuma e bebe e pula, descalça, esbravejando impropérios e fazendo gestos obscenos pra falar do presidente americano. Pra quem pensava que aquela voz era, sei lá, pro-tools, ela segura muito os vocais no microfone verde limão. Lily canta bem e o show é divertididíssimo, e nada além disso – nada épico, memorável, nada daqueles shows de você sair se perguntando quem é e onde está -, mas vale a diversão sim. Ah – ela estava bem bêbada e esqueceu as letras de umas 4 ou 5 músicas. Eu não ligo muito, afinal, aprendi a ouvir música com o Pearl Jam, que tem nos vocais um cara que esquece 9 entre 10 letras nos shows. Mas , se no começo foi engraçado, lá pela quarta música o pessoal já tava um bufando um pouco… Foi o último show da turnê de Alright, Still. Teve LDN, Smile, Friday Night, Not Big, Shame For You, covers do Specials e do Keane e algumas outras.
Pois bem. Se a new-rave existe, ela é aquilo que aconteceu no show do Rapture. Uma hora de show pra dançar, todas as músicas eram hits cantados arduamente pelo público, samba suor e saudade no meio da galera. Não assistia a um show incendiário assim desde o Nirvana, em Seatle, um show de 94. Ok, eu não vi o Nirvana em Seatle em 94. Eu tinha 6 anos. Mas o palco virou uma pista de dança sem dúvida nenhuma, e foi ali que eu entendi de fato que, apesar de existir uma diferença muito pequena entre o rock’n'roll, o punk e a música eletrônica, poucas bandas conseguem chegar no limiar dos três gêneros sem soar ruins, ou poluídos, ou bregas, ou sem graça, ou pretensiosas. O Rapture é provavelmente uma delas – se a gente colocar tudo num balde e chamar de electro, eles dão um pau em Klaxons, em CSS, em New Young Pony Club, em tudo isso, muito fácil. Ao vivo o Rapture soa pesado, marcante, o bumbo até meio sufocante. Tocaram coisas do Pieces of People We Love e do Echoes, todas recebidas com igual entusiasmo, uma emendada na outra, sem tempo pra conversa ou enrolação. Saí dez minutos antes do horário marcado para o show do Kasabian pra ver que o Indie Stage tava bem cheio, com gente pulando e dançando beeem lá pra trás. O negócio tava bom mesmo. De todas, o Rapture é a banda da qual eu menos conhecia, menos sabia os nomes, menos sabia cantar e mesmo assim foi o show em que eu mais me diverti. Eu só conheço o Pieces of People We Love.
Recomendo, lembra? Não lembro exatamente o que ele disse, mas tava bem informado porque zuou o Pelé sobre a ereção de 62 horas ou algo assim. A última foi L.S.F, sensacional, com AaaAAAaaaAAaaa orquestrados pelo Tobey e cantados pelo público de lá, de cá e tal. Ele até voltou depois do fim da música pra pedir mais AaaAAaaa. Por isso que eu disse que ele tem síndrome de Eddie Vedder, quem viu Daughter dia 3/12/05 em SP entendeu, mas tudo bem. Um dia ele chega lá (?). Apesar do ‘quero ser grande’ do Kasabian, eles são bem legais e fazem um show muito legal também, têm muitos hits. O público não tava empolgaaado e nem tinha tanta gente (muios foram embora assim que o Devo acabou), mas o show é bem redondinho, tem o peso certo pra entusiasmar até quem conhece pouquinho e dá pra se divertir bem. No final eles agradeceram juntos e tudo mais.

23 anos, jornalista, curiosa dos mistérios do mundo, odeia inveja e falsidade. 

